Tenho a presunção vaidosa de propagar que o pintor Modigliani
foi introduzido na fala de dois personagens, de contos, de minha autoria em momentos distintos (
inconscientemente, ou seja, de forma não deliberada pelo autor) . Também está presente na capa do livro O pequeno dicionário de paixões cruzadas,
que considero muito bem realizada, de autoria de Natanael Castro.
Sem respaldo técnico para dizer isso, ou seja, falando apenas
como apreciador, vim a admirar o Impressionismo como a escola da arte da
Pintura cujos representantes atingiram a quintessência e, entre eles, para o meu gosto pessoal,
Amadeo Modigliani.
Lá está, nos retratos do pintor italiano, a extraordinária
melancolia ( favor não confundir com tristeza) em posturas onduladas, extraídas
da arte japonesa , cujo clímax é realçado pelos olhos vazados de seus modelos
nos quais é possível intuir todo o mistério da alma humana, tão difícil de ser
descrita por qualquer formato de arte. Assim, em determinados quadros, no meu
modo de ver, seus olhos vazados dizem tanto da ambiguidade dos sentimentos
humanos quanto o famoso sorriso da Mona Lisa, outro apogeu artístico.
Já conhecia um pouco de sua trajetória de vida infeliz,
peculiar, aliás, a tantos artistas da
época, inclusive impressionistas, quando procurei conhecer um pouco mais do
artista no livro Paixões de Rosa
Montero, que trata das grandes paixões merecedoras desse nome na humanidade. Entre elas está a de Modigliani e de Jeanne
Hebuterne, uma bela jovem que foi levada por essa paixão ao precipício,
despencando, mais que do terceiro andar de um prédio, de seu arrebatamento sentimental, atraída pelo caos interno do próprio
Modigliani.
Onde poderia se ocultar e, ao mesmo tempo, transbordar tanta
paixão íntima a não ser naqueles olhos vazados? Eis aí mais um ingrediente que
cabe perfeitamente naqueles retratos e
que podem explicar toda sedução que me despertaram as pinturas de Modigliani. A
paixão.