quarta-feira, 20 de maio de 2026

NO REINO DAS ILUSÕES E DAS FATALIDADES INFINITAS



NO REINO DA ILUSÃO E DE FATALIDADE INFINITAS

José Ewerton Neto  

 

O infinito, na matemática, mal consegue disfarçar sua sina de impostor...  Do livro Cidade Aritmética, de José Ewerton Neto

1.FATALIDADE

O ser humano não suporta a realidade, dizia Henry James e a Ciência sabe disso. Os sonhos, por exemplo, são artifícios que o cérebro engendra, durante o sono, para rearranjar a realidade, aliviando a mente da pressão cotidiana para aguentar a pressão do dia seguinte. O que muita gente não atentou ainda é sobre como   se prestam, também para isso, as palavras.

Um exemplo disso á a palavra Fatalidade que, no Brasil, é usada a torto e a direito, pelos responsáveis pelas tragédias para se omitirem de suas responsabilidades. Os autores dos crimes primeiro recorrem ao termo Fatalidade, e depois ao tempo para que suas participações sejam esquecidas. Assim foi o horror de Santa Maria (quem se lembra?), depois a chacina de crianças no Ninho do Urubu, depois as quedas de pontes, as enchentes — enfim, onde houver tragédia.

“São Fatalidades”, dirão governadores e presidentes da República, quando as vítimas abarrotarem os cemitérios por conta da indiferença das autoridades. Fatalidades! Acabarão por dizer as próprias vítimas, ou seja, o povo, obrigado a se conformar.

Assim, a palavra Fatalidade   — coitada! — Presta-se sobremaneira para isso, (como, afinal, todas as palavras): para serem usurpadas ao sabor da capacidade humana (brasileira em especial) de escamotear a realidade.  

2.INFINITO

Certo dia, conversava com uma amiga escritora quando ela se saiu com esta: “ Cheguei à conclusão de que o ser humano, eternamente incapaz de saber o que é; de onde veio, e para onde vai — e sendo incapaz de admitir isso — se socorre das palavras que inventa para solucionar suas dúvidas decorrentes de sua pequenez e insignificância diante do Universo. Um exemplo é a palavra Infinito.

Ora — continuou ela — alguém pode me explicar o que significa infinito? O que é a palavra infinito mais do que uma tentativa, vã, de conceber o inexplicável? ”  

Tive de concordar com ela, ao mesmo tempo que lembrei de tantas palavras, irmãs da “fatalidade”, sem significado concreto, e que na maioria das vezes são usadas por conveniência: amor, eternidade, paixão, felicidade etc. Palavras que ninguém sabe traduzir exatamente o que significam, mas a quem se recorre cotidianamente por suas infinitas serventias ao gosto do freguês.

A palavra Infinito é outra. Confesso que ela sempre me perturbou desde que travei conhecimento com a Matemática e queria apreender o que havia por trás de uma fórmula que dizia que a unidade   dividida por zero era igual a infinito. Para mim era impossível captar como se podia dividir algo por nada e o resultado dar infinito. Anos mais tarde, meio que filosoficamente, deduzi que aplicada ao ser humano essa fórmula era salvadora e um tanto poética, traduzindo, apoiada na lógica, a medida do homem.

Enfim, a vida do ser humano precisa ser considerada infinita (e deve assim ser avaliada e sentida) por   seu destino cruel de acabar em nada.  


 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O DIA MUNDIAL DO LIVRO ( SEGUNDO 645)



NO DIA MUNDIAL DO LIVRO O SR.LIVRO SONHA COM O DIA EM QUE NÃO SE PRECISARÁ DE  DIAS ESPECIAIS PARA LEMBRAREM DELE 

 

domingo, 19 de abril de 2026

SEM PERDER A TERNURA




AS FRASES CÉLEBRES E SUAS SERVENTIAS


.”Hay que endurecerse. Pero sin perder la ternura, jamas. ” Che Guevara

 

Você já se sentiu sem argumento no meio de um debate, ou em uma palestra? Já experimentou se socorrer de uma frase célebre?

Pois é, pode usá-las à vontade. Na verdade, é para isso que elas servem. Eis 3 exemplos.

 

1.” Hay que endurecerse. Pero sin perder la ternura, jamas. ” Dita pelo guerrilheiro   Che Guevara

Tradução. É preciso endurecer, sim. Porém, sem perder a ternura.

Significado. O Homem forte e corajoso, jamais abre mão da delicadeza e da ternura.

Aplicação Prática:

Nas brochadas épicas.

Pode ser um bom começo para insinuar à sua a parceira carente — e inconformada —  que   o   importante   é o amor e o carinho e não o desempenho sexual.

Vai que cole!

 

2.”A arte existe porque a vida não basta” De Fernando Pessoa, e repetida   por Ferreira Gullar.

Significado. Significaria que todo artista, por ser dotado de um dom especial que os outros não têm, conseguiria dar a sua existência um valor que os outros não conseguem — como se a vida bastasse para os demais seres humanos e todos vivessem satisfeitos com a vida que levam, com a sua brevidade etc.

Aplicação Prática. Se você for escritor e mestre em literatura, estiver dando uma palestra e alguém da plateia perguntar se seu autor preferido é Proust ou James Joyce. Claro, você não leu nem um nem outro, mas se lembra dessa frase pra lá de chata.

Vai que cole.

 

3. “Tudo vale a pena quando a alma não é pequena” Fernando Pessoa

Significado. Significa que quando sua alma é grandiosa em virtudes, todas as suas atitudes se tornam valiosas graças ao esplendor de seus sentimentos.

Aplicação Prática: Se você for o jogador do time escolhido para bater o pênalti e perde o gol que daria o título ao seu clube.

Em resposta ao repórter idiota (sempre tem um) que vem lhe indagar como está se sentindo, você poderia se socorrer desta frase tentando filosofar.

Vai que cole. 


 

sexta-feira, 17 de abril de 2026

O VERSO MAIS BONITO DA LÍNGUA PORTUGUESA



“...Alguém poderia me ajudar   a escolher o  verso mais bonito? ”

 

Tu pisavas nos astros, distraída” da música   Chão de Estrelas, de Orestes Barbosa, foi considerado por Manuel Bandeira o mais bonito verso da língua portuguesa.

            O fato de tê-lo escolhido não de um poema concebido inicialmente para ser apenas lido (como a maioria) sugere que a escolha de um verso bonito não é simples e demanda atenção, percepção e sensibilidades típicas de alguém do ramo, no caso um poeta da envergadura de Manuel Bandeira.

            Talvez porque a captação da emoção propiciada pela beleza, tal como ocorre na atração física, envolva submeter-se inicialmente ao impacto do conjunto e, somente no instante seguinte, aos detalhes que suportam e evidenciam essa sedução. No caso da atração física, a harmonia do conjunto é sucedida pelo êxtase concedido pela contemplação distinta de olhos, boca, postura, etc. No caso da leitura a sequência não se dá, fragmentando-se os elementos que compõem a teia de sedução.  

            Por isso, ao indagar-se a alguém pelo poema mais bonito que leu muitos hão de se lembrar de seu favorito com alguma facilidade, enquanto à indagação de seu verso favorito, poucos se arriscarão a uma resposta. Imagino que alguns poemas tornados clássicos, se destacariam na preferência coletiva, casos de A Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, As Pombas, de Raimundo Correia, ou algum poema de Augusto dos Anjos. Outros menos votados somente surgiriam de leitura e preferência pessoais. No meu caso, entre os brasileiros prefiro A Mosca Azul de Machado de Assis, ainda que o escritor carioca seja mais conhecido como romancista do que como poeta. Mas, e o verso? Quantos se arriscariam a escolhê-lo? 

            Certamente não seria o “escarra nesta boca que te beija”, ainda que coexista muito à vontade no soneto popular — e belíssimo — de Augusto de Anjos. Uma nova leitura do poema Versos Íntimos, focada nesta frase, sugere o fato de que um poema bonito subsiste a não ter sequer um grande verso ou, até mesmo, ter versos bizarros como esse. Em   Canção do Exílio nenhum verso se distingue sozinho, e o conjunto compõe uma peça poética que, mesmo sem ser cantada, produz acordes nostálgicos de alta vibração, com harmonia e ritmo tão apropriados à fala que poucas canções chegam perto. Assim, como esse poema não sente falta de um belo verso, versos muito bonitos podem sobreviver a poemas sofríveis.

            Dito isso, alguém poderia ajudar-me a escolher o ‘meu’ Verso mais Bonito? Lembro, de supetão, de algumas construções lidas há pouco dos grandes de nossa terra que nos deixaram recentemente como “Palavra, escrevo-a nua: água”, de Nauro Machado ou “Um pássaro preso, mesmo cantando é mudo”, de José Chagas ou, indo mais longe, “Eu vi um homem perseguindo o horizonte. ”  de Stephen Crane.

            Como não fui capaz, porém, de escolher um entre tantos, resta-me a opção de render-me à sabedoria do poeta pernambucano e concluir que sim, de fato, o verso escolhido por ele é o mais bonito.  Mesmo porque, se não for, ainda assim ele terá acertado, pois o verso mais belo será sempre aquele capaz de nos prostrar extasiados diante de sua sedução — enfim, aquele capaz de fazer com que pisemos nos astros, distraídos.


 

quinta-feira, 2 de abril de 2026

AVOZ QUE TE CONDENA


Uma voz inumana, monocórdia, repetitiva, chata, estoica e...”

 

Ser um humano algum dia soou como algo que sempre dava a qualquer ser vivo, tido como racional, muito orgulho.

O tempo passou... e, hoje, esse orgulho passou a diminuir depois que essa raça, ao tentar resolver suas próprias necessidades, foi substituída por artifícios tecnológicos criados por ela mesmo. Sua inteligência está sendo gradativamente trocada pela IA e sua voz por outra desconhecida e indiferente.

Uma voz inumana, monocórdia, repetitiva, chata, estoica e...

Outro dia tentei resolver um problema por telefone com um plano de saúde. Após inúmeras tentativas fui recebido por uma voz aparentemente gentil, listando pra mais de quinze opções, para que eu escolhesse uma só, apenas para que esta, por sua vez, me encaminhasse para ...outra voz.  

De opção em opção, tendo por referência sempre aquele som repetido e   imperturbável, adentrei no reino do desconhecido, do improvável, do apavorante e, logo vi, do insolucionável. Depois de mais de vinte minutos, sem outra alternativa, e perdido naquele labirinto de mensagens que não me levavam a lugar algum, desisti batendo o telefone.

Raciocinei, desolado, que dia virá em que — numa evolução dessa situação kafkiana, você será acusado pela mesma voz receptora de algum crime que não cometeu e sequer tem ideia do que seja.

Mecanicamente a   voz lhe direcionará para um site da Internet onde você supostamente poderá tentar provar a sua inocência. Sem alternativa, você tentará sua salvação apertando botões e abrindo janelas inacessíveis usando um mundão de senhas até que o veredito chegue em forma de mensagem lhe indicando que você está usando dados inválidos, enfim, que você não é você.

Desesperado, você buscará falar com uma outra voz (agora você estará sujeito a qualquer uma) indicada pelo site, mas que se recusará a atende-lo sem que especifique qual foi o crime que você cometeu, terminando por anunciar que em dez minutos a polícia estará batendo em sua porta.

É quando você pensa que será até bom ir para a cadeia porque lá, pelo menos, você terá um ser humano vivo para lhe atender. 


 

domingo, 22 de março de 2026

10 LIVROS DESLUMBRANTES



10 LIVROS

José Ewerton Neto

“O que somos, de onde viemos, para onde vamos?”...

            Em 2006, 20 anos atrás, portanto, listei em crônica no jornal O estado do Maranhão os livros mais marcantes e essenciais para minha formação literária e humana. Ressaltei que não se tratava de uma lista dos melhores romances, mas sim dos mais significativos para mim.

20 anos depois, embora tenha lido preciosos títulos de lá para cá, a lista permaneceu a mesma com apenas uma alteração.

 

1.A MARCA DO ZORRO de Johnston Mc Culley 

Foi o primeiro livro que me deu a noção de que um dos maiores prazeres da vida poderia estar, também, em um monte de palavras em sequência sem sequer uma ilustração. Antes disso só lia quadrinhos. Lembro que não consegui despregar-me de sua leitura de mais 150 páginas e, mais tarde, o   reli mais de uma vez. Devo a ele a introdução nessa coisa de felicidade que é a leitura.

2.ROBINSON CRUZOE de Daniel Defoe

Li na versão para jovens, de Monteiro Lobato — este com deliciosas ilustrações— numa edição capa dura, presente de minha saudosa tia Rosa Ewerton. Muitos anos depois encontrei um maltratado exemplar dessa edição, num sebo da Rua do Catete. Imediatamente adquiri o livro e até hoje está conservado, sem que eu tenha tido coragem de ler de novo (para não perder o encanto), sabendo que ali está preservado um dos pedaços mais gloriosos de minha infância.

3. O ATENEU, de Raul Pompéia

Aquelas palavras insólitas, aqueles longos parágrafos, nem sempre inteligíveis à primeira leitura e, nas entrelinhas, sombras que precocemente marcam a trajetória de vida do ser humano. Livro denso, mórbido, talvez muito forte para ser lido por um pré-adolescente e que deixa marcas indeléveis sob uma nuvem de incerteza e fatalidade, através de uma escrita a um só tempo mágica e sombria (Mais tarde soube que seu autor era um homem atormentado). Minha visão do mundo jamais foi a mesma depois. Marcante e essencial.

4.O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, de Emily Bronte.

Uma história de amor, simplesmente. Talvez a mais intensa história de amor jamais narrada em qualquer época contendo os ingredientes básicos de amor, paixão e drama.  Nenhum filme (e olha que já foram feitas belas versões!)  reproduziu  plenamente o que a imaginação da autora foi capaz de criar sob o uivo das ventanias vagando pelos morros, onde pontua uma história de amor selvagem e transcendente. Quem nunca leu o livro está condenado a uma pena irreparável: a de jamais ter se apaixonado por Catarina Earnshaw, a personagem principal do livro. 

5.DON QUIXOTE DE LA MANCHA, de Miguel de Cervantes

Refiro-me à edição completa, que li depois de adulto, já que a edição adaptada para jovens não me empolgara tanto. Devo ao romancista espanhol o melhor riso possível da existência humana que é o riso sem sarcasmo, condescendente com o ridículo da condição humana. Está em minha lista por isso e não por ter sido considerado, recentemente, o maior romance da literatura universal.

6.O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, de J.D. Sallinger

Penso que este livro está para a literatura como os Beatles estão para a música no que tange à tradução dos anseios juvenis. Sintomaticamente, ou não, o assassino de John Lennon carregava nas mãos, na hora da execução, um exemplar desse livro. Alguém que queira sentir o pulsar da juventude em suas veias — independentemente de sua idade — não precisa tomar remédio ou estimulante, basta ler algumas páginas deste romance.

7.A BÍBLIA, vários autores.

Hesitei em colocar este título por ser um livro especial, que acabei confirmando por seu conteúdo ter sido muito edificante para mim — além de literatura das boas. O livro   O poder do pensamento positivo, de Norman Vincent Peale, é todo calcado nele e me ajudou muito no período de transição para a fase adulta. Reli muitas vezes o Novo Testamento e vi que não carecia mais de livros de formação auxiliar. Uma só frase de Jesus Cristo no Sermão da Montanha   vale por todos os livros de autoajuda que hoje abarrotam as livrarias.

8.PERGUNTE AO PÓ, de John Fante.

Estive por desistir da leitura, após suas primeiras páginas, mas, graças a Deus!, persisti . Tinha razão o bom, irreverente e irrefutável Charles Bukóvski quando se referiu ao autor na apresentação do livro:  “ Afinal, um homem que não tem medo da emoção! ” 

9.LOLITA, de Vladimir Nabokov

Pode um sexagenário escrever um livro de mais de duzentas páginas sobre sua paixão por uma garota de 12 anos? Pode e deve, se estiver escrevendo uma obra-prima e se chamar Vladimir Nabokov. Sim porque as insinuações de pedofilia caem por terra diante da maestria do autor ao jamais confundir as coisas, transformando a sua admiração, ocasionalmente erótica e apaixonada, em êxtase poético e literário passando ao largo da pornografia deletéria.  

10.A ARQUITETURA DO UNIVERSO, de Robert Jastrow.

O que somos, de onde viemos, para onde vamos? Nenhum livro seria capaz de responder definitivamente essas questões essenciais, mas este livro do físico e astrônomo Robert Jastrow chegou muito perto oferecendo, de forma didática, o melhor do conhecimento científico a alguém que queira ser iniciado nesse confronto de ideias. Como nenhuma aventura é tão fascinante quanto a busca do ser humano pelo seu significado diante do   Universo esse foi um dos melhores livros de aventura que já li.  


 

sábado, 21 de março de 2026

AS PALAVRAS QUE NOS FALTAM



“ ... porque se fôssemos ilungas...coitados deles!”  

 

Quantas palavras existem na língua portuguesa? Infinitas, porém, por maior que seja um dicionário que caiba todas elas, será insuficiente.

Sim, porque traduzir o universo de tudo o que se diz ou se escreve não é para qualquer livro, mesmo gigantesco. Principalmente, sabendo-se que há um outro universo de palavras que não foram ditas ainda, nem escritas e, em alguns casos, sequer pensadas.

Foi por isso que anos atrás a editora Conrad lançou o oportuno livro Tingo, o incrível dicionário das palavras que a gente não tem.

Vejamos um breve exemplo de algumas que nos fazem falta. Muita falta.

 

1.Scrotarsi (italiano)

Significa ir embora de algum lugar por não suportar a presença de alguém.

Quantas vezes vamos embora de um lugar e não temos uma palavra única para explicar o porquê. De repente sumimos, e se alguém nos perguntar a razão falta a palavra.

Como seria mais simples se tivéssemos à mão a palavra Scrotarzi! Do jeito que as coisas estão — neste país tão abarrotado de gente escrota — essa expressão pouparia até carta de suicídio: Bastaria dizer:  Scrotei-me! E ponto final.

2.Cazar (espanhol)

A palavra quer dizer chutar o adversário em vez de chutar a bola.

Enquanto a palavra que temos (casar) está ficando cada dia mais fora de moda, a palavra parecida (cazar) do idioma Espanhol, está ficando cada vez mais comum. Na seleção brasileira, outrora reduto de craques, o que mais existe são jogadores botineiros mais preocupados em chutar o adversário do que a bola. São cazadores profissionais, ganham rios de dinheiro com isso, vivem cercados de mulheres por causa da grana, e fingem que são casadores, ao invés de cazadores.

3.Ilunga (em tishilumba)

Ilunga é quem perdoa uma ofensa, tolera uma segunda, mas jamais a terceira.

A bem da verdade, no nosso Brasil não dá para ser Ilunga. Desde que nascemos somos condenados a perdoar a primeira, a segunda, a terceira... e assim indefinidamente. Aprende-se isso no trânsito, nas escolas, no trabalho, até ficarmos catedráticos em perdoar. Brasileiro, profissão: Perdoador. No Brasil se perdoa tudo: de chifre a político, de amigos a inimigos passando por marginais, juízes de futebol e VAR.

Estamos tão acostumados a perdoar que perdoamos antecipadamente a porrada que vai cair    no nosso lombo, depois. Como, aliás, repetimos todo dia na nossa demonstração de fé (O Padre Nosso) que rezamos todos os dias: ...” Assim como nós perdoamos aos nossos devedores. ”

Dessa forma, nossa sina até o final dos tempos vai ser sempre perdoar sucessivas vezes porque se fôssemos ilungas...coitados deles!