sábado, 1 de agosto de 2026

O ESQUECIMENTO SEGUNDO GARRINCHA


“...E na rede ainda balança seu último gol.”         

 

                Enquanto a bola da   grande Copa rolava em três países, enquanto a Espanha caminhava para mais um título, o New YorK Times publicava uma reportagem sobre Garrincha (quem lembra? Quem das novas gerações sabe quem foi?), o demônio- gênio das pernas tortas, olvidado e apagado em seu próprio país de origem, o Brasil, curiosamente, o país que um dia foi chamado de o País do Futebol

Um Personagem chapliniano, anti-atlético, desprovido de beleza física ou inteligência especial, a quem somente a genialidade seria capaz de sacá-lo do lodo da história para convertê-lo em mito, no panteão de guerreiros e ídolos cultuados por uma nação.

Desses tipos e personas que parecem saídos da ficção, mas que vieram da dura realidade dos desesperançados das favelas e periferias. Personagens que, não fosse pelo futebol, estariam condenados ao esquecimento e ao abandono, mas a quem Deus, um dia, parece ter depositado na testa dos mesmos uma estrela dizendo: “Vai estrela, brilha no caminho desses gauches da vida, e os torna dribladores do destino”.

E deu-lhes a paixão por uma bola de futebol para exercitar justamente isso: o drible. Ao iniciar sua carreira, no Botafogo, Garrincha foi visto de longe por Nílton Santos, a Enciclopédia do Futebol merecendo dele o comentário irônico: “A coisa tá feia por aqui. Até aleijado aparece para jogar futebol!” Mas o aleijado tinha paixão, de fato, pelo drible e ao colocar a bola pelo vão das pernas do Enciclopédia começou a escrever a sua história e 4 anos depois carregou o time do Brasil e toda uma nação, em 1962, na ausência do outro gênio, Pelé, contundido, para conquistar uma taça que hoje em dia não se vislumbra em nossas melhores ilusões.

 “Sua ilusão entra em campo no estádio vazio, e ainda na rede balança seu último gol”. O som da antiga balada composta em homenagem a Garrincha, interpretada por Moacir Franco, ressoa insistente em meus ouvidos. Talvez porque devesse ser executada agora, ao invés das canções de Madonna no final de uma Copa onde o Brasil, de fato, não esteve, como um réquiem por mais um fracasso do futebol brasileiro — que um dia teve Garrincha e Pelé e hoje tem as patacoadas de Ancelotti e sua trupe de pseudo- craques.   

Obs. Música Balada no. 7 Moacir Franco em homenagem a Garrincha  

 


 

quarta-feira, 15 de julho de 2026

PICLES DA COZINHA DA COPA




4 PICLES NA COZINHA DA COPA

José Ewerton Neto

Cresça, apareça... e, por favor, envelheça...”

Enquanto a festa da Copa 2026 continua, nada como saborear alguns picles na cozinha da mesma.  

 

1.A copa dos vovôs.

Esta foi, de fato, a Copa dos velhinhos. Da vovozinha que ninguém conhecia (o bom goleiro de Cabo Verde, Vózinha) ao genial veterano Messi os vovôs brilharam.  Enquanto isso, enquanto isso...

Não deu pro bebezinho da imprensa e da torcida brasileira Endrick

—Cresça, apareça... e, por favor, envelheça, Endrick. Quem sabe assim, na próxima você também brilhe.

2.E o futebol brasileiro se defronta com a Teoria da Evolução de Darwin aplicada ao nosso futebol. (para pior)

Na época de Pelé era campeão de todas as Copas. Na de Romário, pelo menos nos pênaltis ganhava. Na de Ronaldo e Rivaldo, foi campeão pela última vez em 2002.

Depois disso....

Começou a perder o rumo da vitória e a voltar para casa mais cedo. No começo era nas quartas, agora até nas oitavas de final.

  Pelo andar da carruagem, como já ficou em quinto nas eliminatórias desta Copa na próxima vai ficar em casa torcendo.  Porém, com muita fé em Nossa Senhora Aparecida, quem sabe um dia tenha chances de virar a mesa e voltar a vencer.

Obs. No futebol feminino, decerto.  

3. Nesta Copa houve até Pausa para Hidratação.

Se fosse na época de Garrincha ele aproveitaria essa pausa, que para nós se revelou inútil, para tomar uma cachacinha de que muito gostava.  Voltaria revigorado e encheria os Halland cinturas- duras de dribles infernais.  E como era gênio, nos traria de novo uma Copa.

Será que não foi isso o que nos faltou? He he he .

Garrincha, com as pernas tortas, era melhor que metade de nosso time atual que não bebem cachaça — mas pareciam bêbados em campo.  

4. Remada Boa.

...E não se pode dizer que os torcedores brasileiros que gastaram sua grana suada para apoiar a seleção brasileira na Copa, voltaram para casa de mãos abanando.

Que nada! Aprenderam com os noruegueses a remar sem água...

E a não embarcarem em canoa furada: Carlos Ancelotti.  

 

 

terça-feira, 9 de junho de 2026

40 MARANHENSES



Tempos atrás, na época em que todos liam o Pasquim — a época era de Ditadura e o Pasquim era o único jornal que a criticava usando as sutilezas do humor — em uma de suas tiradas o semanário saiu-se com esta, ironizando as peculiaridades de cada estado da Federação:

Cada 15 cariocas: uma roda de samba, 30 baianos: um trio elétrico; 10 gaúchos, uma roda de chimarrão...  e cada 40 maranhenses:  uma academia de letras.

Referia-se à vocação dos maranhenses para as letras e para a nossa sina de criação de organizações literárias denominadas de Academias. (E olha que, nessa época, não havia sequer um quinto das academias de letras que hoje existem em nosso estado).

Esse fato me envaideceu como maranhense e acho que deveria continuar a nos orgulhar, apesar da brincadeira, pois demonstra o zelo que o maranhense tem pelo exercício das letras. (Se, infelizmente, ao mesmo tempo, o maranhense é um dos cidadãos brasileiros que menos lê, essa questão vira coisa de outros quinhentos —  que cabe uma investigação séria para descobrir o motivo por trás desse aparente paradoxo.)  

O fato é que todo mundo, no Maranhão, pretende e se diz imortal entendendo que esse é um privilégio, ou um título, de quem se torna   acadêmico de letras. O que faz sentido, pelo orgulho da   tradição histórica de esta Terra   ter feito jus ao título de   Atenas Brasileira.

Revendo algumas crônicas por mim escritas em tempos idos deparei com uma publicada no jornal O imparcial em 1989. Eu havia voltado a morar em São Luís após longa ausência e estava ávido por praticar a Literatura dando vazão aos meus impulsos literários e, nessa crônica, fazia a comparação da observação pasquiniana com a proliferação em São Luís, de Academias de Ginástica que então eram, grosso modo, quase uma em cada esquina. 

Eu escrevi: “ Que proliferem também as academias de ginástica é   bom que assim seja para que o maranhense incorpore e exerça em plenitude a sabedoria latina do Mens Sana incorpore sano investindo, também no corpo. Como se sabe, mente sadia é muito mais difícil.”

Não sei a quantas andam hoje em dia as academias de ginástica, parecendo-me   que não sejam tão frequentes quanto eram nessa época.

Quanto à imortalidade lembro, a propósito, algumas frases de   escritores famosos:

“ A única vantagem de um sujeito ser escritor é que ninguém o chama de burro por ganhar tão pouco”

“No Brasil, escritor é chamado de imortal provavelmente porque não tem onde cair morto”

Por último, quando perguntado porque não se candidatava à Academia Brasileira de Letras o genial e sarcástico Millor Fernandes se saiu com esta:

“ Deus me livre! Jamais gostaria de participar de um rodízio de mortos! ”, ou

“ A maior vontade do intelectual é ser rico. E a do rico é ser intelectual. ”   

 

terça-feira, 2 de junho de 2026

MORRER, PENSAR, EXISTIR


   ...Mais tarde Oscar Wilde diria que “ A maioria das pessoas não vive, apenas existe”

 

 

“Penso, logo existo” A frase célebre do filósofo e matemático René Descartes pretendia ser definitiva, pelo menos quanto à existência humana como uma verdade incontestável.  Mais tarde Oscar Wilde diria que “ A maioria das pessoas não vive, apenas existe”, e quis dizer que não basta pensar para viver ou existir, mas que o importante é pensar bem e melhor.

O tempo passou, o avanço tecnológico trouxe as IAS e a capacidade de das máquinas pensarem o que, segundo a máxima de Descartes, prova que existem também, e que, pelo menos quanto a isso, isso não há dúvidas. O que se questiona   é se um dia pensarão melhor que os seres humanos o que parece não ser tão difícil assim, como mostra a lista abaixo.

 

1.Todo ser humano pensa que não morrerá nunca. E vive e age como tal.

 

2.Todo ser humano pensa ao elogiar um defunto que está fazendo algo pelo qual o morto lucra alguma coisa.

 

 

3.Todo sujeito (autoridade, formador de opinião, intelectual etc.) que demonstra piedade de monstros assassinos só porque são menores de 18 anos, pensa que com isso mostra generosidade e amor ao próximo, e não que está sendo hipócrita, pela ousadia cruel de assumir um perdão que não é seu e de doar esmolas às custas do sentimento das pobres vítimas desses assassinos.

 

4. Todo ser humano, que enfrenta todos os dias uma imensa fila de Loteria, pensa que apesar de suas    miseráveis chances de ganhar, um dia a sorte lhe sorrirá.

 

5.Todo Luan Santana pensa que é cantor. Todo Gabi Gol pensa que é Neymar. Todo Neymar pensa que é Cristiano Ronaldo e todo Cristiano Ronaldo pensa que é Pelé. Toda Anitta pensa que é Ivete Sangalo e toda Ivete Sangalo pensa que é Ivete Sangalo.

 

6.Todo jornalista e comentarista de futebol pensa ao comentar uma partida que está falando algo de enorme importância para a humanidade. Age como se o futebol fosse uma ciência complicadíssima   e como se o mais burro dos torcedores, não  soubesse  que ouve e compartilha tanta asneira que sai de suas bocas simplesmente porque , como ser humano, aprecia se divertir ouvindo bobagens   

 

7.Todo ser humano pensa que, de fato, está decidindo alguma coisa melhor para si quando vota em dia de eleição. Insiste em acreditar que existe diferença nas propostas de um de outro e que os contendores não sejam apenas farsantes que fingem se digladiar em nome de   ideologias fajutas. E passa a vida se iludindo que os vencedores de sempre não tenham o único propósito de se assenhorar do poder para exercê-lo em proveito próprio, e de seus parentes e acólitos. 

 


 

terça-feira, 26 de maio de 2026

LULA, BOLSONARO E O INFERNO



BOLSONARO, LULA E O INFERNO

         José Ewerton Neto

 

O tempo passa, mas a luta LULA X BOLSONARO continua. Com a proximidade das eleições tudo vale para destruir o adversário, ou seus representantes.  

Temerosos do resultado, o jeito foi apelarem para uma entrevista pessoal com o Diabo.

O que eles não esperavam é que fossem chamados ao mesmo tempo.  Esta semana, Bolsonaro e Lula se postaram diante de uma live espiritual em sua presença e foram confrontados pelo Todo Poderoso do Mal.

1.Satanás: “Sei que ambos são inimigos. Por acaso, algum de vocês consegue enxergar algum mérito no outro? ”

Bolsonaro. A única virtude que ele teve na vida foi ter cortado o seu dedo quando era torneiro-mecânico. O que prova que era melhor como torneiro-mecânico do que como presidente.

Lula. Reconheço nele a virtude de ter tentado tocar fogo no quartel onde trabalhava. Mas nem pra incendiário serviu.

2.Satanás: “Quando vocês vierem para cá — o que poderá ser em breve — como desejarão encontrar o inferno?

Lula. Com uma boa cachacinha. Sendo das boas, esse fogo do inferno eu tiro de letra. 

Bolsonaro. Uma boa arma para praticar tiro ao alvo, seja o alvo quem for. Mas, por favor, não me venha com foice.

3. Satanás. “Se um dia vocês me sucedessem no comando do inferno, o que, vocês fariam?

Bolsonaro. Liberaria o fuzil semiautomático para todos, inclusive para os diabinhos de 3 meses aposentando o tridente que ainda usam.

Lula. Criaria o bolsa-família. E botaria meu filho Lulinha para tomar conta do dinheiro. 

4.Satanás: “ Algum fato na biografia de seu opositor chegou a lhe entusiasmar?

Lula. A facada. Mas não foi bem executada.

Bolsonaro. A tornozeleira eletrônica. Que ele deveria   ainda estar usando no lugar da aliança de casamento. Sei disso, por experiência própria.

Entusiasmado com o que acabou de ouvir Satanás tomou uma decisão: Vai apoiar os dois, porque qualquer um que vença, o Inferno estará bem servido.


 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

NO REINO DAS ILUSÕES E DAS FATALIDADES INFINITAS



NO REINO DA ILUSÃO E DE FATALIDADE INFINITAS

José Ewerton Neto  

 

O infinito, na matemática, mal consegue disfarçar sua sina de impostor...  Do livro Cidade Aritmética, de José Ewerton Neto

1.FATALIDADE

O ser humano não suporta a realidade, dizia Henry James e a Ciência sabe disso. Os sonhos, por exemplo, são artifícios que o cérebro engendra, durante o sono, para rearranjar a realidade, aliviando a mente da pressão cotidiana para aguentar a pressão do dia seguinte. O que muita gente não atentou ainda é sobre como   se prestam, também para isso, as palavras.

Um exemplo disso á a palavra Fatalidade que, no Brasil, é usada a torto e a direito, pelos responsáveis pelas tragédias para se omitirem de suas responsabilidades. Os autores dos crimes primeiro recorrem ao termo Fatalidade, e depois ao tempo para que suas participações sejam esquecidas. Assim foi o horror de Santa Maria (quem se lembra?), depois a chacina de crianças no Ninho do Urubu, depois as quedas de pontes, as enchentes — enfim, onde houver tragédia.

“São Fatalidades”, dirão governadores e presidentes da República, quando as vítimas abarrotarem os cemitérios por conta da indiferença das autoridades. Fatalidades! Acabarão por dizer as próprias vítimas, ou seja, o povo, obrigado a se conformar.

Assim, a palavra Fatalidade   — coitada! — Presta-se sobremaneira para isso, (como, afinal, todas as palavras): para serem usurpadas ao sabor da capacidade humana (brasileira em especial) de escamotear a realidade.  

2.INFINITO

Certo dia, conversava com uma amiga escritora quando ela se saiu com esta: “ Cheguei à conclusão de que o ser humano, eternamente incapaz de saber o que é; de onde veio, e para onde vai — e sendo incapaz de admitir isso — se socorre das palavras que inventa para solucionar suas dúvidas decorrentes de sua pequenez e insignificância diante do Universo. Um exemplo é a palavra Infinito.

Ora — continuou ela — alguém pode me explicar o que significa infinito? O que é a palavra infinito mais do que uma tentativa, vã, de conceber o inexplicável? ”  

Tive de concordar com ela, ao mesmo tempo que lembrei de tantas palavras, irmãs da “fatalidade”, sem significado concreto, e que na maioria das vezes são usadas por conveniência: amor, eternidade, paixão, felicidade etc. Palavras que ninguém sabe traduzir exatamente o que significam, mas a quem se recorre cotidianamente por suas infinitas serventias ao gosto do freguês.

A palavra Infinito é outra. Confesso que ela sempre me perturbou desde que travei conhecimento com a Matemática e queria apreender o que havia por trás de uma fórmula que dizia que a unidade   dividida por zero era igual a infinito. Para mim era impossível captar como se podia dividir algo por nada e o resultado dar infinito. Anos mais tarde, meio que filosoficamente, deduzi que aplicada ao ser humano essa fórmula era salvadora e um tanto poética, traduzindo, apoiada na lógica, a medida do homem.

Enfim, a vida do ser humano precisa ser considerada infinita (e deve assim ser avaliada e sentida) por   seu destino cruel de acabar em nada.  


 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

O DIA MUNDIAL DO LIVRO ( SEGUNDO 645)



NO DIA MUNDIAL DO LIVRO O SR.LIVRO SONHA COM O DIA EM QUE NÃO SE PRECISARÁ DE  DIAS ESPECIAIS PARA LEMBRAREM DELE