quinta-feira, 2 de abril de 2026

AVOZ QUE TE CONDENA


Uma voz inumana, monocórdia, repetitiva, chata, estoica e...”

 

Ser um humano algum dia soou como algo que sempre dava a qualquer ser vivo, tido como racional, muito orgulho.

O tempo passou... e, hoje, esse orgulho passou a diminuir depois que essa raça, ao tentar resolver suas próprias necessidades, foi substituída por artifícios tecnológicos criados por ela mesmo. Sua inteligência está sendo gradativamente trocada pela IA e sua voz por outra desconhecida e indiferente.

Uma voz inumana, monocórdia, repetitiva, chata, estoica e...

Outro dia tentei resolver um problema por telefone com um plano de saúde. Após inúmeras tentativas fui recebido por uma voz aparentemente gentil, listando pra mais de quinze opções, para que eu escolhesse uma só, apenas para que esta, por sua vez, me encaminhasse para ...outra voz.  

De opção em opção, tendo por referência sempre aquele som repetido e   imperturbável, adentrei no reino do desconhecido, do improvável, do apavorante e, logo vi, do insolucionável. Depois de mais de vinte minutos, sem outra alternativa, e perdido naquele labirinto de mensagens que não me levavam a lugar algum, desisti batendo o telefone.

Raciocinei, desolado, que dia virá em que — numa evolução dessa situação kafkiana, você será acusado pela mesma voz receptora de algum crime que não cometeu e sequer tem ideia do que seja.

Mecanicamente a   voz lhe direcionará para um site da Internet onde você supostamente poderá tentar provar a sua inocência. Sem alternativa, você tentará sua salvação apertando botões e abrindo janelas inacessíveis usando um mundão de senhas até que o veredito chegue em forma de mensagem lhe indicando que você está usando dados inválidos, enfim, que você não é você.

Desesperado, você buscará falar com uma outra voz (agora você estará sujeito a qualquer uma) indicada pelo site, mas que se recusará a atende-lo sem que especifique qual foi o crime que você cometeu, terminando por anunciar que em dez minutos a polícia estará batendo em sua porta.

É quando você pensa que será até bom ir para a cadeia porque lá, pelo menos, você terá um ser humano vivo para lhe atender. 


 

domingo, 22 de março de 2026

10 LIVROS DESLUMBRANTES



10 LIVROS

José Ewerton Neto

“O que somos, de onde viemos, para onde vamos?”...

            Em 2006, 20 anos atrás, portanto, listei em crônica no jornal O estado do Maranhão os livros mais marcantes e essenciais para minha formação literária e humana. Ressaltei que não se tratava de uma lista dos melhores romances, mas sim dos mais significativos para mim.

20 anos depois, embora tenha lido preciosos títulos de lá para cá, a lista permaneceu a mesma com apenas uma alteração.

 

1.A MARCA DO ZORRO de Johnston Mc Culley 

Foi o primeiro livro que me deu a noção de que um dos maiores prazeres da vida poderia estar, também, em um monte de palavras em sequência sem sequer uma ilustração. Antes disso só lia quadrinhos. Lembro que não consegui despregar-me de sua leitura de mais 150 páginas e, mais tarde, o   reli mais de uma vez. Devo a ele a introdução nessa coisa de felicidade que é a leitura.

2.ROBINSON CRUZOE de Daniel Defoe

Li na versão para jovens, de Monteiro Lobato — este com deliciosas ilustrações— numa edição capa dura, presente de minha saudosa tia Rosa Ewerton. Muitos anos depois encontrei um maltratado exemplar dessa edição, num sebo da Rua do Catete. Imediatamente adquiri o livro e até hoje está conservado, sem que eu tenha tido coragem de ler de novo (para não perder o encanto), sabendo que ali está preservado um dos pedaços mais gloriosos de minha infância.

3. O ATENEU, de Raul Pompéia

Aquelas palavras insólitas, aqueles longos parágrafos, nem sempre inteligíveis à primeira leitura e, nas entrelinhas, sombras que precocemente marcam a trajetória de vida do ser humano. Livro denso, mórbido, talvez muito forte para ser lido por um pré-adolescente e que deixa marcas indeléveis sob uma nuvem de incerteza e fatalidade, através de uma escrita a um só tempo mágica e sombria (Mais tarde soube que seu autor era um homem atormentado). Minha visão do mundo jamais foi a mesma depois. Marcante e essencial.

4.O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, de Emily Bronte.

Uma história de amor, simplesmente. Talvez a mais intensa história de amor jamais narrada em qualquer época contendo os ingredientes básicos de amor, paixão e drama.  Nenhum filme (e olha que já foram feitas belas versões!)  reproduziu  plenamente o que a imaginação da autora foi capaz de criar sob o uivo das ventanias vagando pelos morros, onde pontua uma história de amor selvagem e transcendente. Quem nunca leu o livro está condenado a uma pena irreparável: a de jamais ter se apaixonado por Catarina Earnshaw, a personagem principal do livro. 

5.DON QUIXOTE DE LA MANCHA, de Miguel de Cervantes

Refiro-me à edição completa, que li depois de adulto, já que a edição adaptada para jovens não me empolgara tanto. Devo ao romancista espanhol o melhor riso possível da existência humana que é o riso sem sarcasmo, condescendente com o ridículo da condição humana. Está em minha lista por isso e não por ter sido considerado, recentemente, o maior romance da literatura universal.

6.O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, de J.D. Sallinger

Penso que este livro está para a literatura como os Beatles estão para a música no que tange à tradução dos anseios juvenis. Sintomaticamente, ou não, o assassino de John Lennon carregava nas mãos, na hora da execução, um exemplar desse livro. Alguém que queira sentir o pulsar da juventude em suas veias — independentemente de sua idade — não precisa tomar remédio ou estimulante, basta ler algumas páginas deste romance.

7.A BÍBLIA, vários autores.

Hesitei em colocar este título por ser um livro especial, que acabei confirmando por seu conteúdo ter sido muito edificante para mim — além de literatura das boas. O livro   O poder do pensamento positivo, de Norman Vincent Peale, é todo calcado nele e me ajudou muito no período de transição para a fase adulta. Reli muitas vezes o Novo Testamento e vi que não carecia mais de livros de formação auxiliar. Uma só frase de Jesus Cristo no Sermão da Montanha   vale por todos os livros de autoajuda que hoje abarrotam as livrarias.

8.PERGUNTE AO PÓ, de John Fante.

Estive por desistir da leitura, após suas primeiras páginas, mas, graças a Deus!, persisti . Tinha razão o bom, irreverente e irrefutável Charles Bukóvski quando se referiu ao autor na apresentação do livro:  “ Afinal, um homem que não tem medo da emoção! ” 

9.LOLITA, de Vladimir Nabokov

Pode um sexagenário escrever um livro de mais de duzentas páginas sobre sua paixão por uma garota de 12 anos? Pode e deve, se estiver escrevendo uma obra-prima e se chamar Vladimir Nabokov. Sim porque as insinuações de pedofilia caem por terra diante da maestria do autor ao jamais confundir as coisas, transformando a sua admiração, ocasionalmente erótica e apaixonada, em êxtase poético e literário passando ao largo da pornografia deletéria.  

10.A ARQUITETURA DO UNIVERSO, de Robert Jastrow.

O que somos, de onde viemos, para onde vamos? Nenhum livro seria capaz de responder definitivamente essas questões essenciais, mas este livro do físico e astrônomo Robert Jastrow chegou muito perto oferecendo, de forma didática, o melhor do conhecimento científico a alguém que queira ser iniciado nesse confronto de ideias. Como nenhuma aventura é tão fascinante quanto a busca do ser humano pelo seu significado diante do   Universo esse foi um dos melhores livros de aventura que já li.  


 

sábado, 21 de março de 2026

AS PALAVRAS QUE NOS FALTAM



“ ... porque se fôssemos ilungas...coitados deles!”  

 

Quantas palavras existem na língua portuguesa? Infinitas, porém, por maior que seja um dicionário que caiba todas elas, será insuficiente.

Sim, porque traduzir o universo de tudo o que se diz ou se escreve não é para qualquer livro, mesmo gigantesco. Principalmente, sabendo-se que há um outro universo de palavras que não foram ditas ainda, nem escritas e, em alguns casos, sequer pensadas.

Foi por isso que anos atrás a editora Conrad lançou o oportuno livro Tingo, o incrível dicionário das palavras que a gente não tem.

Vejamos um breve exemplo de algumas que nos fazem falta. Muita falta.

 

1.Scrotarsi (italiano)

Significa ir embora de algum lugar por não suportar a presença de alguém.

Quantas vezes vamos embora de um lugar e não temos uma palavra única para explicar o porquê. De repente sumimos, e se alguém nos perguntar a razão falta a palavra.

Como seria mais simples se tivéssemos à mão a palavra Scrotarzi! Do jeito que as coisas estão — neste país tão abarrotado de gente escrota — essa expressão pouparia até carta de suicídio: Bastaria dizer:  Scrotei-me! E ponto final.

2.Cazar (espanhol)

A palavra quer dizer chutar o adversário em vez de chutar a bola.

Enquanto a palavra que temos (casar) está ficando cada dia mais fora de moda, a palavra parecida (cazar) do idioma Espanhol, está ficando cada vez mais comum. Na seleção brasileira, outrora reduto de craques, o que mais existe são jogadores botineiros mais preocupados em chutar o adversário do que a bola. São cazadores profissionais, ganham rios de dinheiro com isso, vivem cercados de mulheres por causa da grana, e fingem que são casadores, ao invés de cazadores.

3.Ilunga (em tishilumba)

Ilunga é quem perdoa uma ofensa, tolera uma segunda, mas jamais a terceira.

A bem da verdade, no nosso Brasil não dá para ser Ilunga. Desde que nascemos somos condenados a perdoar a primeira, a segunda, a terceira... e assim indefinidamente. Aprende-se isso no trânsito, nas escolas, no trabalho, até ficarmos catedráticos em perdoar. Brasileiro, profissão: Perdoador. No Brasil se perdoa tudo: de chifre a político, de amigos a inimigos passando por marginais, juízes de futebol e VAR.

Estamos tão acostumados a perdoar que perdoamos antecipadamente a porrada que vai cair    no nosso lombo, depois. Como, aliás, repetimos todo dia na nossa demonstração de fé (O Padre Nosso) que rezamos todos os dias: ...” Assim como nós perdoamos aos nossos devedores. ”

Dessa forma, nossa sina até o final dos tempos vai ser sempre perdoar sucessivas vezes porque se fôssemos ilungas...coitados deles!  


 

terça-feira, 17 de março de 2026

PONTO G COM IA




PONTO G COM IA


                “No início desse século falava-se muito mais no ponto G

 

No início desse século falava-se muito mais no ponto G. Lembro que em um programa de televisão, de humor, dois repórteres entrevistavam as mulheres que passavam no centro de São Paulo   perguntando se conheciam o tal   ponto.   A maioria não sabia mas houve uma que não se fez de rogada:

— Não sei moço, não sou de São Paulo sou de Belo Horizonte, e mal conheço os pontos de ônibus daqui.

Se repetissem a reportagem hoje tenho a impressão de que o resultado da enquete seria semelhante: muito desconhecimento e, até mesmo, indiferença. A verdade é que ou todo mundo aprendeu onde fica ou sumiu de vez — porque nunca foi assim tão fácil de achar.  Tem gente até que acha que ele nunca existiu. 

Ponto G à parte, o sexo vai indo muito bem, obrigado, até que uma reportagem bombou   na Internet sugerindo que a IA vai ajudar, em breve, a identificar onde ele está, o que, aliás, já era de esperar.

Podemos imaginar os diálogos em uma agência matrimonial fornecedora de parceiros em um futuro não tão distante assim.

—Que tipo de marido você prefere?

— Um que saiba encontrar o meu Ponto G, claro. Até agora ninguém achou.

— Não se preocupe com esse detalhe. Escolha o parceiro que cuidamos do resto. Temos equipamentos capazes de auxiliar o mais neófito dos sujeitos.

— Como???

— Posso lhe adiantar que possuímos drones microscópicos, dotados de IA, perfeitos para ajudar os casais aqui contratados na busca e identificação do dito cujo.

— E tem garantia?

— Perfeito! Não tem erro. O drone microscópico fornecerá uma visão interna do ângulo mais favorável da penetração direto para o celular ou tevê, ou filme. Se ainda assim a mulher se mostrar insatisfeita poderemos fornecer um de nossos profissionais para ajudar o seu parceiro — caso ele concorde, naturalmente.

— Custa muito caro esse equipamento?

— Não se preocupe com isso. Vocês poderão pagar por anos a fio, como temos certeza de que sua relação vai durar.

— Posso levar um agora?

— Certamente, mas não prefere escolher o marido antes?

— Não, mudei de ideia. Agora não vou precisar mais dele. 


 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

3 DE CARNAVAL E MAIS UMA


 

Quais seriam as 3 músicas de Carnaval que você citaria como as mais marcantes em sua vida, caro leitor? Não necessariamente as que você acha mais belas, mas aquelas que tocaram a sua sensibilidade a ponto de não serem dissociadas do que   o Carnaval tem de melhor e que você preserva em sua memória?

Resolvi escolher 3

1.Camisa Listrada, de Assis Valente

Este samba de Assis Valente, embora com o passar dos anos não tenha ficado intrinsicamente associado ao Carnaval, é o samba que melhor expressa, para mim, em sua letra principalmente, além de em sua melodia irreverente, a alma carnavalesca. O espírito de liberdade, de boemia, de farsa, de escapismo e dissolução das regras nunca foram tão marcantes como no ritmo pulsante e progressivo desta canção, com gírias deliciosamente pueris   da época até desaguar num: Sossega Leão! Sossega Leão! Sem dúvida, um monumento à ironia e à liberdade.

2. A Felicidade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes .

Tristeza não tem fim, Felicidade Sim, aparentemente é o que menos se coadunaria   a uma letra que obrigatoriamente teria que exaltar a “suposta” alegria do Momo. Mas, quem disse que o Carnaval é só alegria? O que é tristeza e o que é alegria num período em que se freia o tempo para que dure 5 dias e pareça   uma eternidade? Há de acontecer de tudo e é por isso que essa belíssima canção não diminui a alegria carnavalesca ao falar de tristeza de uma felicidade — necessariamente transitória e fugidia — de forma tão pungente e tão poética “A felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar.”

3.Jardineira.

Jardineira, entre tantas marchas memoráveis e – eternas –, talvez seja a mais eterna delas em sua vocação carnavalesca, porque fala indistintamente para adultos, velhos, namorados, trabalhadores, estudantes e crianças com uma sutileza, uma puerilidade e uma suavidade sem igual. Seus ingredientes de ritmo, vibração e emoção contagiante só podiam ter paralelo por escrito em uma camélia que caiu do galho ficou tão triste e depois morreu para encher o folião de emoções a serem   ressuscitadas enquanto houver carnavais e vidas.

Era para ter sido 3 mas ficou faltando uma:

Taí (Pra você gostar de mim)  de Joubert de Carvalho.  

Essa deliciosa marchinha de carnaval, que quase ficou para trás, lembra minha mãe, Carmem Miranda, Gal Costa, Carnavais, eu aprendendo a tocar violão com meu pai e, já adulto, tocando para amigos e parentes suficientemente bêbados para não se importarem com afinação, cordas quebradas, etc.

E, ultimamente, lembra minha neta, hoje com 6 anos de idade, pedindo para   tocar essa música no celular e, a partir daí, pulando, dançando e cantando até não poder mais.

Precisa mais? RsRs


domingo, 4 de janeiro de 2026

BRIGITE BARDOT : A BELEZA MORRE ( parte 3)


 

 “Brigite Bardot, a BB, morreu esta semana, em Paris. ”

Dos 4 ícones da glamorosa beleza feminina internacional dos anos 60/70:  Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Brigite Bardot e Sofia Loren só uma permanece viva: Sofia Loren, a maior atriz e, certamente, a mais bela de todas.

Brigite Bardot, a BB, morreu esta semana, em Paris.

Lembro, quando criança, de uma marchinha de Carnaval, cujo tema era Brigite Bardot   e que dizia assim:

BB, BB, BB. Por que é que todo mundo olha tanto pra você? (Refrão) /Será pelo pé? Não é. /Pelo cotovelo? Não é./ Pelo joelho? Não é. /Você que é boa e que é mulher, me diga então porque é que é.

Parecia mais uma marchinha ingênua povoando a imaginação de infantes como eu, que jamais desconfiariam de suas insinuações sexuais explícitas. Os autores carnavalescos aproveitavam o período para extravasar os impulsos eróticos reprimidos ao longo do ano por uma sociedade ainda repressora e puritana

Para a criança pairava no conteúdo da letra um mistério afetuoso, quase angelical

—Por que que é   então, tia?

— Sem vergonhice, meu filho. Carnaval é só imoralidade.

E a criança crescia e aprendia.

Minha admiração precoce pelo cinema e pela leitura de revistas me fez saber que Brigite Bardot, atriz francesa, era uma mulher escandalosa, libertina e sexualmente desinibida que, por trás de um rosto belíssimo e marcantemente angelical causava sensação no mundo por aparecer nua em filmes e se envolver com homens mais velhos e casados pouco se lixando para a moral e os bons costumes. Por isso era tão famosa! Pelos escândalos quase paradoxais num rosto de beleza tão pueril e doce.

Era impossível ao adolescente ficar imune aos apelos de Brigite Bardot como mito sexual, mas, curiosamente, a atriz francesa jamais me fez ir ao cinema por causa dela, como acontecia por Sofia Loren, esta, a minha grande adoração juvenil. 

Talvez a sedução que emanava da italiana viesse — além da deslumbrante beleza física — de sua capacidade interpretativa, mas não sei, não consigo discernir se o jovem teria sido afetado por isso, mas, de fato...

Brigite Bardot como atração meramente física não perduraria tanto. Tanto que finda a juventude e os escândalos (que progressivamente perderam impacto) eclipsou-se como atriz. Do formidável quarteto citado acima: Marilyn Monroe, teve um fim trágico, suicidando-se e Elizabeth Taylor, de estonteantes olhos verdes, conjugou a beleza com performances antológicas que lhe renderam o Oscar como   em Quem tem medo de Virgínia Wolf? morrendo em 2011.

Inteligente o suficiente para perceber que sua beleza havia fenecido Brigite Bardot não se inundou de botox, como tantas fazem, para disfarçar a decadência. Abandonou o cinema   e dedicou-se a causas como a proteção dos Animais   tornando-se uma ardorosa defensora dessas   espécies tão indefesas diante da sanha humana. 

E, assim, percorreu os anos que lhe restaram, acompanhada, agora, não mais da beleza física, mas da verdadeira — que é a dos gestos dedicados a uma causa nobre.





quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

SOCORRO! O ESPERMA ESTÁ ACABANDO!




José Ewerton Neto

“...Quando puder evite a masturbação, especialmente a compulsiva. “

.

 

Como se não bastasse a comprovação científica de que a inteligência humana está diminuindo, outros estudos amplos mostram que a contagem de espermatozoides tem diminuído também em várias regiões do mundo ao longo das últimas décadas. O trágico é que isso aponta para a extinção do ser humano se a produção de esperma continuar a cair ao ritmo atual.

É mole ou quer mais?

O curioso é que as mulheres, sempre mais sutis e perspicazes, já haviam detectado algo nessa direção sem recorrerem a estudos e pesquisas. Não é de hoje que, após o início deste século, elas passaram a invadir as redes sociais reclamando da ausência efetiva de homens (não só numericamente, mas, por assim dizer, qualitativamente falando) bradando o indefectível “Nesta Terra está faltando macho! ”  

Para evitar a consumação da tragédia a comunidade científica está arquitetando divulgar, em breve, para a população masculina, um Pequeno Manual de Prevenção do Esperma, cujos principais itens, divulgamos abaixo:

1.Não desperdice seu estoque. Quando puder evite a masturbação, especialmente a compulsiva.

O paradoxo é que quando isso acontecer acabará sendo um balde de água fria no aconselhamento de intelectuais irrefutáveis como Woody Allen que defendem a prática como a solução das aflições competitivas masculinas com o argumento: “ A grande vantagem da masturbação é que você escolhe a mulher que você quer. ”  Essa grande vantagem, como todos sabem, vem aliada a um baixíssimo custo e ainda conta com o privilégio, nada desprezível, de que “ Dependendo da imaginação do praticante a mulher pode pedir mais. ”

2.Faça depósitos regulares

Como em uma poupança bancária, o sujeito precavido deve estocar para o futuro, especialmente se ainda for novo e tiver em abundância. Neste caso, resguardando-se, deverá deixar outros canais, também muito solicitados, apenas para carícias etc.  preservando a integridade do seu esperma apenas para locais que a natureza reservou para esse fim.  Dessa forma, estará contribuindo para a preservação da espécie humana. Devidamente   guardado e congelado alguém no futuro poderá fazer uso dele.

3. Use seu esperma com eficácia.

O que o manual estará querendo dizer é que os espermas deverão ser usados, doravante, com a mesma eficiência com que o goleiro russo Safonov usou as mãos ao defender 4 pênaltis do Flamengo.

Em outras palavras, os homens deverão procurar saber, com antecedência, para onde o seu futuro Eu em potencial estará sendo   encaminhado. Claro, nem sempre o homem pode exigir de sua parceira um Certificado de Bons antecedentes, mas todo cuidado é pouco e todo desperdício passará a ser considerado um ato de indiferença diante do destino da espécie humana.