quinta-feira, 23 de abril de 2026
O DIA MUNDIAL DO LIVRO ( SEGUNDO 645)
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
domingo, 19 de abril de 2026
SEM PERDER A TERNURA
AS FRASES CÉLEBRES E SUAS SERVENTIAS
.”Hay que endurecerse. Pero sin perder la ternura, jamas. ” Che
Guevara
Você já se sentiu sem argumento no
meio de um debate, ou em uma palestra? Já experimentou se socorrer de uma frase
célebre?
Pois é, pode usá-las à vontade. Na
verdade, é para isso que elas servem. Eis 3 exemplos.
1.” Hay
que endurecerse. Pero sin perder la ternura, jamas. ” Dita pelo guerrilheiro Che Guevara
Tradução. É preciso endurecer, sim. Porém, sem perder a
ternura.
Significado. O Homem forte e corajoso, jamais abre mão da
delicadeza e da ternura.
Aplicação Prática:
Nas brochadas épicas.
Pode ser um bom começo para insinuar à sua a parceira carente
— e inconformada — que o importante é o
amor e o carinho e não o desempenho sexual.
Vai que cole!
2.”A arte
existe porque a vida não basta” De Fernando Pessoa, e repetida por
Ferreira Gullar.
Significado. Significaria que todo artista, por ser
dotado de um dom especial que os outros não têm, conseguiria dar a sua
existência um valor que os outros não conseguem — como se a vida bastasse para
os demais seres humanos e todos vivessem satisfeitos com a vida que levam, com
a sua brevidade etc.
Aplicação Prática. Se você for escritor e mestre em
literatura, estiver dando uma palestra e alguém da plateia perguntar se seu
autor preferido é Proust ou James Joyce. Claro, você não leu nem um nem outro,
mas se lembra dessa frase pra lá de chata.
Vai que cole.
3. “Tudo vale a
pena quando a alma não é pequena” Fernando Pessoa
Significado. Significa que quando sua alma é grandiosa
em virtudes, todas as suas atitudes se tornam valiosas graças ao esplendor de
seus sentimentos.
Aplicação Prática: Se você for o jogador do time escolhido
para bater o pênalti e perde o gol que daria o título ao seu clube.
Em resposta ao repórter idiota (sempre tem um) que vem
lhe indagar como está se sentindo, você poderia se socorrer desta frase tentando
filosofar.
Vai que cole.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sexta-feira, 17 de abril de 2026
O VERSO MAIS BONITO DA LÍNGUA PORTUGUESA
“...Alguém poderia me ajudar a escolher o
verso mais bonito? ”
“Tu pisavas nos astros, distraída” da
música Chão de Estrelas, de Orestes Barbosa, foi considerado por Manuel
Bandeira o mais bonito verso da língua portuguesa.
O
fato de tê-lo escolhido não de um poema concebido inicialmente para ser apenas
lido (como a maioria) sugere que a escolha de um verso bonito não é simples e
demanda atenção, percepção e sensibilidades típicas de alguém do ramo, no caso
um poeta da envergadura de Manuel Bandeira.
Talvez porque a captação da emoção propiciada pela beleza, tal como ocorre na
atração física, envolva submeter-se inicialmente ao impacto do conjunto e,
somente no instante seguinte, aos detalhes que suportam e evidenciam essa
sedução. No caso da atração física, a harmonia do conjunto é sucedida pelo
êxtase concedido pela contemplação distinta de olhos, boca, postura, etc. No
caso da leitura a sequência não se dá, fragmentando-se os elementos que compõem
a teia de sedução.
Por isso, ao indagar-se a alguém pelo poema mais bonito que leu muitos hão de
se lembrar de seu favorito com alguma facilidade, enquanto à indagação de seu
verso favorito, poucos se arriscarão a uma resposta. Imagino que alguns poemas
tornados clássicos, se destacariam na preferência coletiva, casos de A Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, As Pombas, de Raimundo Correia, ou algum
poema de Augusto dos Anjos. Outros menos votados somente surgiriam de leitura e
preferência pessoais. No meu caso, entre os brasileiros prefiro A Mosca Azul de Machado de Assis, ainda
que o escritor carioca seja mais conhecido como romancista do que como poeta.
Mas, e o verso? Quantos se arriscariam a escolhê-lo?
Certamente não seria o “escarra nesta
boca que te beija”, ainda que coexista muito à vontade no soneto popular —
e belíssimo — de Augusto de Anjos. Uma nova leitura do poema Versos Íntimos, focada nesta frase,
sugere o fato de que um poema bonito subsiste a não ter sequer um grande verso
ou, até mesmo, ter versos bizarros como esse. Em Canção do Exílio nenhum verso se
distingue sozinho, e o conjunto compõe uma peça poética que, mesmo sem ser
cantada, produz acordes nostálgicos de alta vibração, com harmonia e ritmo tão
apropriados à fala que poucas canções chegam perto. Assim, como esse poema não
sente falta de um belo verso, versos muito bonitos podem sobreviver a poemas
sofríveis.
Dito isso, alguém poderia ajudar-me a escolher o ‘meu’ Verso mais Bonito?
Lembro, de supetão, de algumas construções lidas há pouco dos grandes de nossa
terra que nos deixaram recentemente como “Palavra,
escrevo-a nua: água”, de Nauro Machado ou “Um pássaro preso, mesmo cantando é mudo”, de José Chagas ou, indo mais
longe, “Eu vi um homem perseguindo o
horizonte. ” de Stephen Crane.
Como não fui capaz, porém, de escolher um entre tantos, resta-me a opção
de render-me à sabedoria do poeta pernambucano e concluir que sim, de fato, o
verso escolhido por ele é o mais bonito. Mesmo porque, se não for, ainda
assim ele terá acertado, pois o verso mais belo será sempre aquele capaz de nos
prostrar extasiados diante de sua sedução — enfim, aquele capaz de fazer com
que pisemos nos astros, distraídos.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
quinta-feira, 2 de abril de 2026
AVOZ QUE TE CONDENA
“Uma voz inumana, monocórdia, repetitiva, chata,
estoica e...”
Ser um humano algum dia soou como
algo que sempre dava a qualquer ser vivo, tido como racional, muito orgulho.
O tempo passou... e, hoje, esse
orgulho passou a diminuir depois que essa raça, ao tentar resolver suas
próprias necessidades, foi substituída por artifícios tecnológicos criados por
ela mesmo. Sua inteligência está sendo gradativamente trocada pela IA e sua voz
por outra desconhecida e indiferente.
Uma voz inumana, monocórdia,
repetitiva, chata, estoica e...
Outro dia tentei resolver um problema
por telefone com um plano de saúde. Após inúmeras tentativas fui recebido por
uma voz aparentemente gentil, listando pra mais de quinze opções, para que eu
escolhesse uma só, apenas para que esta, por sua vez, me encaminhasse para
...outra voz.
De opção em opção, tendo por
referência sempre aquele som repetido e imperturbável, adentrei no reino do
desconhecido, do improvável, do apavorante e, logo vi, do insolucionável.
Depois de mais de vinte minutos, sem outra alternativa, e perdido naquele
labirinto de mensagens que não me levavam a lugar algum, desisti batendo o
telefone.
Raciocinei, desolado, que dia virá em
que — numa evolução dessa situação kafkiana, você será acusado pela mesma voz
receptora de algum crime que não cometeu e sequer tem ideia do que seja.
Mecanicamente a voz lhe
direcionará para um site da Internet onde você supostamente poderá tentar
provar a sua inocência. Sem alternativa, você tentará sua salvação apertando
botões e abrindo janelas inacessíveis usando um mundão de senhas até que o
veredito chegue em forma de mensagem lhe indicando que você está usando dados
inválidos, enfim, que você não é você.
Desesperado, você buscará falar com
uma outra voz (agora você estará sujeito a qualquer uma) indicada pelo site,
mas que se recusará a atende-lo sem que especifique qual foi o crime que você
cometeu, terminando por anunciar que em dez minutos a polícia estará batendo em
sua porta.
É quando você pensa que será até bom
ir para a cadeia porque lá, pelo menos, você terá um ser humano vivo para lhe
atender.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
domingo, 22 de março de 2026
10 LIVROS DESLUMBRANTES
10 LIVROS
José Ewerton Neto
“O que somos, de onde
viemos, para onde vamos?”...
Em 2006, 20 anos atrás, portanto,
listei em crônica no jornal O estado do Maranhão os livros mais marcantes e
essenciais para minha formação literária e humana. Ressaltei que não se tratava
de uma lista dos melhores romances, mas sim dos mais significativos para mim.
20 anos depois, embora tenha lido
preciosos títulos de lá para cá, a lista permaneceu a mesma com apenas uma
alteração.
1.A MARCA DO ZORRO de Johnston Mc Culley
Foi o primeiro livro que me deu a
noção de que um dos maiores prazeres da vida poderia estar, também, em um monte
de palavras em sequência sem sequer uma ilustração. Antes disso só lia
quadrinhos. Lembro que não consegui despregar-me de sua leitura de mais 150
páginas e, mais tarde, o reli mais de uma vez. Devo a ele a introdução
nessa coisa de felicidade que é a leitura.
2.ROBINSON CRUZOE de Daniel Defoe
Li na versão para jovens, de Monteiro
Lobato — este com deliciosas ilustrações— numa edição capa dura, presente de
minha saudosa tia Rosa Ewerton. Muitos anos depois encontrei um maltratado
exemplar dessa edição, num sebo da Rua do Catete. Imediatamente adquiri o livro
e até hoje está conservado, sem que eu tenha tido coragem de ler de novo (para
não perder o encanto), sabendo que ali está preservado um dos pedaços mais
gloriosos de minha infância.
3. O ATENEU, de Raul Pompéia
Aquelas palavras insólitas, aqueles
longos parágrafos, nem sempre inteligíveis à primeira leitura e, nas
entrelinhas, sombras que precocemente marcam a trajetória de vida do ser
humano. Livro denso, mórbido, talvez muito forte para ser lido por um
pré-adolescente e que deixa marcas indeléveis sob uma nuvem de incerteza e
fatalidade, através de uma escrita a um só tempo mágica e sombria (Mais tarde
soube que seu autor era um homem atormentado). Minha visão do mundo jamais foi
a mesma depois. Marcante e essencial.
4.O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, de Emily Bronte.
Uma história de amor, simplesmente.
Talvez a mais intensa história de amor jamais narrada em qualquer época
contendo os ingredientes básicos de amor, paixão e drama. Nenhum filme (e olha que já foram feitas belas
versões!) reproduziu plenamente o que a imaginação da autora foi
capaz de criar sob o uivo das ventanias vagando pelos morros, onde pontua uma
história de amor selvagem e transcendente. Quem nunca leu o livro está
condenado a uma pena irreparável: a de jamais ter se apaixonado por Catarina
Earnshaw, a personagem principal do livro.
5.DON QUIXOTE DE LA MANCHA, de Miguel de Cervantes
Refiro-me à edição completa, que li
depois de adulto, já que a edição adaptada para jovens não me empolgara tanto.
Devo ao romancista espanhol o melhor riso possível da existência humana que é o
riso sem sarcasmo, condescendente com o ridículo da condição humana. Está em
minha lista por isso e não por ter sido considerado, recentemente, o maior
romance da literatura universal.
6.O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, de J.D. Sallinger
Penso que este livro está para a
literatura como os Beatles estão para a música no que tange à tradução dos
anseios juvenis. Sintomaticamente, ou não, o assassino de John Lennon carregava
nas mãos, na hora da execução, um exemplar desse livro. Alguém que queira
sentir o pulsar da juventude em suas veias — independentemente de sua idade —
não precisa tomar remédio ou estimulante, basta ler algumas páginas deste
romance.
7.A BÍBLIA, vários autores.
Hesitei em colocar este título por
ser um livro especial, que acabei confirmando por seu conteúdo ter sido muito
edificante para mim — além de literatura das boas. O livro O poder do pensamento positivo, de Norman
Vincent Peale, é todo calcado nele e me ajudou muito no período de transição
para a fase adulta. Reli muitas vezes o Novo Testamento e vi que não carecia
mais de livros de formação auxiliar. Uma só frase de Jesus Cristo no Sermão da
Montanha vale por todos os livros de
autoajuda que hoje abarrotam as livrarias.
8.PERGUNTE AO PÓ, de John Fante.
Estive por desistir da leitura, após
suas primeiras páginas, mas, graças a Deus!, persisti . Tinha razão o bom, irreverente
e irrefutável Charles Bukóvski quando se referiu ao autor na apresentação do
livro: “ Afinal, um homem que não tem
medo da emoção! ”
9.LOLITA, de Vladimir Nabokov
Pode um sexagenário escrever um livro
de mais de duzentas páginas sobre sua paixão por uma garota de 12 anos? Pode e
deve, se estiver escrevendo uma obra-prima e se chamar Vladimir Nabokov. Sim
porque as insinuações de pedofilia caem por terra diante da maestria do autor ao
jamais confundir as coisas, transformando a sua admiração, ocasionalmente
erótica e apaixonada, em êxtase poético e literário passando ao largo da
pornografia deletéria.
10.A ARQUITETURA DO UNIVERSO, de Robert Jastrow.
O que somos, de onde viemos, para
onde vamos? Nenhum livro seria capaz de responder definitivamente essas
questões essenciais, mas este livro do físico e astrônomo Robert Jastrow chegou
muito perto oferecendo, de forma didática, o melhor do conhecimento científico a
alguém que queira ser iniciado nesse confronto de ideias. Como nenhuma aventura
é tão fascinante quanto a busca do ser humano pelo seu significado diante do Universo
esse foi um dos melhores livros de aventura que já li.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sábado, 21 de março de 2026
AS PALAVRAS QUE NOS FALTAM
“ ... porque
se fôssemos ilungas...coitados
deles!”
Quantas palavras existem na língua portuguesa? Infinitas,
porém, por maior que seja um dicionário que caiba todas elas, será
insuficiente.
Sim, porque traduzir o universo de tudo o que se diz ou se
escreve não é para qualquer livro, mesmo gigantesco. Principalmente, sabendo-se
que há um outro universo de palavras que não foram ditas ainda, nem escritas e,
em alguns casos, sequer pensadas.
Foi por isso que anos atrás a editora Conrad lançou o oportuno
livro Tingo, o incrível dicionário das
palavras que a gente não tem.
Vejamos um breve exemplo de algumas que nos fazem falta.
Muita falta.
1.Scrotarsi (italiano)
Significa ir embora de algum lugar por não suportar a
presença de alguém.
Quantas vezes vamos embora de um lugar e não temos uma
palavra única para explicar o porquê. De repente sumimos, e se alguém nos
perguntar a razão falta a palavra.
Como seria mais simples se tivéssemos à mão a palavra
Scrotarzi! Do jeito que as coisas estão — neste país tão abarrotado de gente
escrota — essa expressão pouparia até carta de suicídio: Bastaria dizer: Scrotei-me! E ponto final.
2.Cazar (espanhol)
A palavra quer dizer chutar o adversário em vez de chutar a
bola.
Enquanto a palavra que temos (casar) está ficando cada dia
mais fora de moda, a palavra parecida (cazar) do idioma Espanhol, está ficando
cada vez mais comum. Na seleção brasileira, outrora reduto de craques, o que
mais existe são jogadores botineiros mais preocupados em chutar o adversário do
que a bola. São cazadores profissionais, ganham rios de dinheiro com isso,
vivem cercados de mulheres por causa da grana, e fingem que são casadores, ao
invés de cazadores.
3.Ilunga (em tishilumba)
Ilunga é quem perdoa uma ofensa, tolera uma segunda, mas
jamais a terceira.
A bem da verdade, no nosso Brasil não dá para ser Ilunga.
Desde que nascemos somos condenados a perdoar a primeira, a segunda, a
terceira... e assim indefinidamente. Aprende-se isso no trânsito, nas escolas,
no trabalho, até ficarmos catedráticos em perdoar. Brasileiro, profissão:
Perdoador. No Brasil se perdoa tudo: de chifre a político, de amigos a inimigos
passando por marginais, juízes de futebol e VAR.
Estamos tão acostumados a perdoar que perdoamos
antecipadamente a porrada que vai cair no nosso lombo, depois. Como, aliás,
repetimos todo dia na nossa demonstração de fé (O Padre Nosso) que rezamos
todos os dias: ...” Assim como nós perdoamos aos nossos devedores. ”
Dessa forma, nossa sina até o final dos tempos vai ser sempre
perdoar sucessivas vezes porque se fôssemos ilungas...coitados deles!
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
terça-feira, 17 de março de 2026
PONTO G COM IA
PONTO G COM IA
“No início desse século falava-se muito mais
no ponto G”
No início
desse século falava-se muito mais no ponto G. Lembro que em um programa de
televisão, de humor, dois repórteres entrevistavam as mulheres que passavam no
centro de São Paulo perguntando se
conheciam o tal ponto. A maioria não sabia mas houve uma que não se
fez de rogada:
— Não sei
moço, não sou de São Paulo sou de Belo Horizonte, e mal conheço os pontos de
ônibus daqui.
Se repetissem
a reportagem hoje tenho a impressão de que o resultado da enquete seria
semelhante: muito desconhecimento e, até mesmo, indiferença. A verdade é que ou
todo mundo aprendeu onde fica ou sumiu de vez — porque nunca foi assim tão
fácil de achar. Tem gente até que acha que
ele nunca existiu.
Ponto G à
parte, o sexo vai indo muito bem, obrigado, até que uma reportagem bombou
na Internet sugerindo que a IA vai ajudar, em breve, a identificar
onde ele está, o que, aliás, já era de esperar.
Podemos
imaginar os diálogos em uma agência matrimonial fornecedora de parceiros em um
futuro não tão distante assim.
—Que tipo de
marido você prefere?
— Um que saiba
encontrar o meu Ponto G, claro. Até agora ninguém achou.
— Não se
preocupe com esse detalhe. Escolha o parceiro que cuidamos do resto. Temos
equipamentos capazes de auxiliar o mais neófito dos sujeitos.
— Como???
— Posso lhe
adiantar que possuímos drones microscópicos, dotados de IA, perfeitos para
ajudar os casais aqui contratados na busca e identificação do dito cujo.
— E tem
garantia?
— Perfeito! Não
tem erro. O drone microscópico fornecerá uma visão interna do ângulo mais
favorável da penetração direto para o celular ou tevê, ou filme. Se ainda assim
a mulher se mostrar insatisfeita poderemos fornecer um de nossos profissionais
para ajudar o seu parceiro — caso ele concorde, naturalmente.
— Custa muito
caro esse equipamento?
— Não se
preocupe com isso. Vocês poderão pagar por anos a fio, como temos certeza de
que sua relação vai durar.
— Posso levar
um agora?
— Certamente,
mas não prefere escolher o marido antes?
— Não, mudei
de ideia. Agora não vou precisar mais dele.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.


