“Brigite Bardot, a BB,
morreu esta semana, em Paris. ”
Dos 4 ícones da glamorosa beleza
feminina internacional dos anos 60/70: Marilyn
Monroe, Elizabeth Taylor, Brigite Bardot e Sofia Loren só uma permanece viva:
Sofia Loren, a maior atriz e, certamente, a mais bela de todas.
Brigite Bardot, a BB, morreu esta
semana, em Paris.
Lembro, quando criança, de uma
marchinha de Carnaval, cujo tema era Brigite Bardot e que
dizia assim:
BB, BB, BB. Por que é que todo mundo
olha tanto pra você? (Refrão) /Será pelo pé? Não é. /Pelo cotovelo? Não é./ Pelo
joelho? Não é. /Você que é boa e que é mulher, me diga então porque é que é.
Parecia mais uma marchinha ingênua povoando
a imaginação de infantes como eu, que jamais desconfiariam de suas insinuações
sexuais explícitas. Os autores carnavalescos aproveitavam o período para
extravasar os impulsos eróticos reprimidos ao longo do ano por uma sociedade ainda
repressora e puritana
Para a criança pairava no conteúdo da
letra um mistério afetuoso, quase angelical
—Por que que é então, tia?
— Sem vergonhice, meu filho. Carnaval
é só imoralidade.
E a criança crescia e aprendia.
Minha admiração precoce pelo cinema e
pela leitura de revistas me fez saber que Brigite Bardot, atriz francesa, era
uma mulher escandalosa, libertina e sexualmente desinibida que, por trás de um
rosto belíssimo e marcantemente angelical causava sensação no mundo por
aparecer nua em filmes e se envolver com homens mais velhos e casados pouco se
lixando para a moral e os bons costumes. Por isso era tão famosa! Pelos
escândalos quase paradoxais num rosto de beleza tão pueril e doce.
Era impossível ao adolescente ficar
imune aos apelos de Brigite Bardot como mito sexual, mas, curiosamente, a atriz
francesa jamais me fez ir ao cinema por causa dela, como acontecia por Sofia
Loren, esta, a minha grande adoração juvenil.
Talvez a sedução que emanava da
italiana viesse — além da deslumbrante beleza física — de sua capacidade interpretativa,
mas não sei, não consigo discernir se o jovem teria sido afetado por isso, mas,
de fato...
Brigite Bardot como atração meramente
física não perduraria tanto. Tanto que finda a juventude e os escândalos (que
progressivamente perderam impacto) eclipsou-se como atriz. Do formidável
quarteto citado acima: Marilyn Monroe, teve um fim trágico, suicidando-se e Elizabeth
Taylor, de estonteantes olhos verdes, conjugou a beleza com performances
antológicas que lhe renderam o Oscar como
em Quem tem medo de Virgínia Wolf? morrendo em 2011.
Inteligente o suficiente para
perceber que sua beleza havia fenecido Brigite Bardot não se inundou de botox,
como tantas fazem, para disfarçar a decadência. Abandonou o cinema e dedicou-se
a causas como a proteção dos Animais tornando-se uma ardorosa defensora dessas espécies
tão indefesas diante da sanha humana.
E, assim, percorreu os anos que lhe
restaram, acompanhada, agora, não mais da beleza física, mas da verdadeira —
que é a dos gestos dedicados a uma causa nobre.
