quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

3 DE CARNAVAL E MAIS UMA


 

Quais seriam as 3 músicas de Carnaval que você citaria como as mais marcantes em sua vida, caro leitor? Não necessariamente as que você acha mais belas, mas aquelas que tocaram a sua sensibilidade a ponto de não serem dissociadas do que   o Carnaval tem de melhor e que você preserva em sua memória?

Resolvi escolher 3

1.Camisa Listrada, de Assis Valente

Este samba de Assis Valente, embora com o passar dos anos não tenha ficado intrinsicamente associado ao Carnaval, é o samba que melhor expressa, para mim, em sua letra principalmente, além de em sua melodia irreverente, a alma carnavalesca. O espírito de liberdade, de boemia, de farsa, de escapismo e dissolução das regras nunca foram tão marcantes como no ritmo pulsante e progressivo desta canção, com gírias deliciosamente pueris   da época até desaguar num: Sossega Leão! Sossega Leão! Sem dúvida, um monumento à ironia e à liberdade.

2. A Felicidade, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes .

Tristeza não tem fim, Felicidade Sim, aparentemente é o que menos se coadunaria   a uma letra que obrigatoriamente teria que exaltar a “suposta” alegria do Momo. Mas, quem disse que o Carnaval é só alegria? O que é tristeza e o que é alegria num período em que se freia o tempo para que dure 5 dias e pareça   uma eternidade? Há de acontecer de tudo e é por isso que essa belíssima canção não diminui a alegria carnavalesca ao falar de tristeza de uma felicidade — necessariamente transitória e fugidia — de forma tão pungente e tão poética “A felicidade é como a pluma que o vento vai levando pelo ar.”

3.Jardineira.

Jardineira, entre tantas marchas memoráveis e – eternas –, talvez seja a mais eterna delas em sua vocação carnavalesca, porque fala indistintamente para adultos, velhos, namorados, trabalhadores, estudantes e crianças com uma sutileza, uma puerilidade e uma suavidade sem igual. Seus ingredientes de ritmo, vibração e emoção contagiante só podiam ter paralelo por escrito em uma camélia que caiu do galho ficou tão triste e depois morreu para encher o folião de emoções a serem   ressuscitadas enquanto houver carnavais e vidas.

Era para ter sido 3 mas ficou faltando uma:

Taí (Pra você gostar de mim)  de Joubert de Carvalho.  

Essa deliciosa marchinha de carnaval, que quase ficou para trás, lembra minha mãe, Carmem Miranda, Gal Costa, Carnavais, eu aprendendo a tocar violão com meu pai e, já adulto, tocando para amigos e parentes suficientemente bêbados para não se importarem com afinação, cordas quebradas, etc.

E, ultimamente, lembra minha neta, hoje com 6 anos de idade, pedindo para   tocar essa música no celular e, a partir daí, pulando, dançando e cantando até não poder mais.

Precisa mais? RsRs


domingo, 4 de janeiro de 2026

BRIGITE BARDOT : A BELEZA MORRE ( parte 3)


 

 “Brigite Bardot, a BB, morreu esta semana, em Paris. ”

Dos 4 ícones da glamorosa beleza feminina internacional dos anos 60/70:  Marilyn Monroe, Elizabeth Taylor, Brigite Bardot e Sofia Loren só uma permanece viva: Sofia Loren, a maior atriz e, certamente, a mais bela de todas.

Brigite Bardot, a BB, morreu esta semana, em Paris.

Lembro, quando criança, de uma marchinha de Carnaval, cujo tema era Brigite Bardot   e que dizia assim:

BB, BB, BB. Por que é que todo mundo olha tanto pra você? (Refrão) /Será pelo pé? Não é. /Pelo cotovelo? Não é./ Pelo joelho? Não é. /Você que é boa e que é mulher, me diga então porque é que é.

Parecia mais uma marchinha ingênua povoando a imaginação de infantes como eu, que jamais desconfiariam de suas insinuações sexuais explícitas. Os autores carnavalescos aproveitavam o período para extravasar os impulsos eróticos reprimidos ao longo do ano por uma sociedade ainda repressora e puritana

Para a criança pairava no conteúdo da letra um mistério afetuoso, quase angelical

—Por que que é   então, tia?

— Sem vergonhice, meu filho. Carnaval é só imoralidade.

E a criança crescia e aprendia.

Minha admiração precoce pelo cinema e pela leitura de revistas me fez saber que Brigite Bardot, atriz francesa, era uma mulher escandalosa, libertina e sexualmente desinibida que, por trás de um rosto belíssimo e marcantemente angelical causava sensação no mundo por aparecer nua em filmes e se envolver com homens mais velhos e casados pouco se lixando para a moral e os bons costumes. Por isso era tão famosa! Pelos escândalos quase paradoxais num rosto de beleza tão pueril e doce.

Era impossível ao adolescente ficar imune aos apelos de Brigite Bardot como mito sexual, mas, curiosamente, a atriz francesa jamais me fez ir ao cinema por causa dela, como acontecia por Sofia Loren, esta, a minha grande adoração juvenil. 

Talvez a sedução que emanava da italiana viesse — além da deslumbrante beleza física — de sua capacidade interpretativa, mas não sei, não consigo discernir se o jovem teria sido afetado por isso, mas, de fato...

Brigite Bardot como atração meramente física não perduraria tanto. Tanto que finda a juventude e os escândalos (que progressivamente perderam impacto) eclipsou-se como atriz. Do formidável quarteto citado acima: Marilyn Monroe, teve um fim trágico, suicidando-se e Elizabeth Taylor, de estonteantes olhos verdes, conjugou a beleza com performances antológicas que lhe renderam o Oscar como   em Quem tem medo de Virgínia Wolf? morrendo em 2011.

Inteligente o suficiente para perceber que sua beleza havia fenecido Brigite Bardot não se inundou de botox, como tantas fazem, para disfarçar a decadência. Abandonou o cinema   e dedicou-se a causas como a proteção dos Animais   tornando-se uma ardorosa defensora dessas   espécies tão indefesas diante da sanha humana. 

E, assim, percorreu os anos que lhe restaram, acompanhada, agora, não mais da beleza física, mas da verdadeira — que é a dos gestos dedicados a uma causa nobre.