domingo, 26 de março de 2017

TERCEIRIZAÇÃO, POLITICÍDIO E PEDOBOLIA




As melhores notícias e frases da semana que passou comentadas por Juca Polincó
( o filósofo PIP - politicamente incorreto da periferia)



Hoje, 25 de março

A TERCEIRIZAÇÃO, proposta pelo presidente foi aprovada na Câmara. Com isso todas as atividades trabalhistas de uma empresa poderão ser terceirizadas e estas por sua vez quarteirizadas.E assim por diante...

Comentário de Juca:

" Como o trabalhador terceirizado já ganha 25 % a menos de que seria pago a um trabalhador da própria empresa  é de se esperar que quando chegarem ao trabalhador “octorizado” este tenha que pagar para trabalhar, certo?
Com tanto entusiasmo pela ideia  Michel Temer poderia começar dando o exemplo:
Que tal terceirizar a Primeira Dama?"

Hoje, 23 de março.
Frase:
" A levar dessa maneira, em breve vamos ter um um POLITICÍDIO " Danilo Fortes, do PSB, reclamando da lava-jato.

Comentário de Juca:

"Só um político forte como Danilo,( que não é só um Forte, mas vários) para sugerir uma solução tão Forte  para os problemas brasileiros.
Vai que a coisa desse certo, não é?

Como diria Drummond :
Não é uma rima,  mas tem tudo para ser uma solução"

Hoje, 21 de março

Frase De José Bartochio, advogado de Antonio Palocci, sobre o apelido de Italiano, dado a ele pela  Odebrecht

"É só um apelido em busca de um personagem."

Comentário de Juca:

"O Brasil de hoje tem até apelido buscando  personagem. Devem ter aprendido com a cambada de personagens em busca de apelido, na mesma Odebrecht.

A única diferença é que os apelidos têm muito mais vergonha  que os personagens"

Hoje, 18 de março










O promissor futebolista Manu, de apenas 11 anos e que treinava no Grêmio fez uma visita ao Barcelona e não voltou mais. O Grêmio acusa o Barcelona de assédio ao garoto e quer ele de volta

Comentário de Juca:

"PEDOBOLIA, nome criado  neste momento, é uma mistura de Assédio a menores de idade + bola de futebol o que dá PEDOBOLIA.

Este caso é o segundo do Barça, mas então não era chamado de PEDOBOLIA, mas sacanagem mesmo.

A questão é que o assédio tá dando orgulho em toda a família do menino e nos maranhenses em geral, porque todos pensam assim:

Mas não é muito melhor sofrer um ataque de PEDOBOLIA do Barcelona do que o garoto ficar no Grêmio, com um monte de pernas de pau e sendo assediado e ludibriado por cartolas?"

domingo, 19 de março de 2017

CORRUPTO É POUCO ( CARA DE PAU MAIS AINDA)




artigo publicado no jornal O estado do Maranhão

José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas






O que dizer de alguém que, de si mesma,  diz que tem um talento absurdo? ( Suzana Vieira, atriz, durante o Carnaval referindo-se à Ivete Sangalo e a si própria: “ Entra ano sai ano e Ivete continua com aquela voz incrível e eu com meu talento absurdo”). Tanta pretensão torna difícil encontrar uma palavra que expresse o exagero do que foi dito em relação à cantora baiana e o “absurdíssimo”  em relação a si mesma. Qual a palavra mais apropriada, então, para esse tipo de  fala/atitude: Arrogante, Iludida, Tola ou...? 


            Óbvio  que não há termo adequado - o buraco é mais embaixo -, mas alguém poderia tentar explicar tanto descalabro argumentando que as pessoas perderam o senso e,  na ânsia de promoverem o ego em polvorosa,  elogiam-se antes que outros o façam,   mas isso não vem ao caso. O que acontece é que, se pensarmos bem, de repente, faltaram as palavras. Ou, por outra, as palavras  existem, mas já não são suficientes, como se estivessem cansadas das pessoas, que se tornaram cada vez mais risíveis, grotescas e distantes da semântica original  que introduziram nos símbolos para classificarem a si próprios. Teriam as palavras se enfraquecido a ponto de perder o significado diante da hipocrisia com que os seres humanos  investem em si mesmos?
            Isso fica evidente quando se tenta encontrar um termo que classifique os políticos que, diante de uma acusação comprovada (na lava-jato, por exemplo) negam a acusação apesar das provas cabais. Dizem “Não sei” com a mesma facilidade com que disseram sim à ambição desmedida, chegando ao cúmulo de, no caso de Henrique Eduardo Alves, insistir em falar que não sabe de onde surgiram  800 mil dólares depositados em sua conta. E, como fingem não se dar conta da realidade, fingem  também não ter consciência do crime que praticaram ( que é da mesma envergadura que a de assassinos cruéis porque, metendo a mão no dinheiro que seria usado para salvar vidas (saúde) ou solucionar futuros (educação), igualam-se  a eles). Diante de tanta negação alguém exclamaria: É muita cara de pau!


                                                



            Mas, cara de pau, apenas? A expressão, agora débil em sua representação, surge inesperadamente vã diante do cinismo da atitude. Como encontrar um termo capaz de dimensionar um tipo que age assim? Insensível! Torpe! Corrupto? Qualquer um, vá  lá!. Por insuficiência um deles poderia até quase se encaixar, mas uma coisa é certa: a palavra CORRUPTO!, essa  eles tiram de letra!.
             A julgar pela reação de alguns dos acusados da lava-jato, poucos se constrangem com isso, pelo contrário, para eles tanto faz serem acusados de Corruptos como ganharem apelidos degradantes e pouco sutis da Odebrecht. No submundo de seus desejos inconfessáveis vai ver que Corrupto lhes soa até bem, como um cognome afetuoso. Talvez se cumprimentem assim, convivam assim, quem sabe de noite na cama suas mulheres os tratem por COCÓ (abreviação carinhosa de corrupto) e, em meio ao êxtase por haverem chegado a esse ponto,  do alto de suas canalhices  deem até  gargalhadas de desprezo aos que querem prendê-los, como Sérgio Moro.
            Suas o quê? Canalhices?! Ora, canalhice também soa amena e insuficiente. Pobres das palavras! Perderam para a desfaçatez humana.

                                                                       ewerton.neto@hotmail.com

sábado, 11 de março de 2017

O QUE É UMA MULHER




Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão, dia 8, Dia Internacional da Mulher

Jose Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas



“As palavras, como se sabe, são seres vivos”, ensinou Vítor Hugo e, portanto, algumas o são mais que as outras. A palavra MULHER, por exemplo, por aquilo que representa e significa tem a estatura e o dom de frase. E, sendo assim, é capaz de se ocultar nas entrelinhas das frases mais célebres que a natureza  doou ao ser humano em forma de sabedoria. 

            1.”Existem mais mistérios entre o céu e a terra, do que sonha a vã inteligência humana.” William Shakespeare.
            Existem também mais mistérios entre uma mulher e ela mesma do que sonha a vã inteligência dos homens.

            2.”Viver é a coisa mais rara do mundo. A maioria dos seres vivos apenas existe.” Oscar Wilde.
            As mulheres, de fato,  vivem ( e como vivem!)  enquanto a maioria dos homens  apenas existe. E talvez seja por isso que elas duram um  pouco mais.”

            3.”Nossa existência não é mais que um curto circuito de luz, entre duas eternidades de escuridão.” Vladimir Nabokov
            E  são as mulheres  que possuem a magia desse curto circuito,  dando à luz. Os homens, longe disso. “

            4.”Ninguém pode ser sábio de estômago vazio.” George Eliot
            Que o digam as mulheres que emagrecem profissionalmente (anoréxicas) em nome da beleza. Essas, além do estômago, têm também o cérebro vazio.

            5.”É pecado pensar mal dos outros, mas, raramente é engano.” H. L. Menckem
            É por isso que até as mulheres fofoqueiras e maledicentes  (especialistas nisso,) acabam acertando até quando erram.

            6.”O poeta é um fingidor. Finge tão completamente que chega a fingir que é dor, a dor que realmente sente.” Fernando Pessoa.








            A mulher também é uma fingidora. Finge tão completamente que chega a fingir que é amor, o amor que realmente sente. Ou seja, as mulheres mesmo quando  não têm essa intenção, são poetas.

            7.”O homem é uma fêmea imperfeita” Elizabeth Davies
            E se tornam piores quanto mais fêmeas perfeitas querem ser.

            8.”Um pouco de desprezo economiza bastante ódio.” Jules Renand
            O homem capaz de odiar a uma mulher que nunca lhe fez mal,  na realidade, despreza a todas.

            9.”Não existe pecado maior que o tédio.” Oscar Wilde.
            Engano seu, Oscar. Existe sim  um pecado maior que o tédio: entediar-se das mulheres.

            10.”Nossos companheiros perfeitos nunca têm menos de 4 patas”. Collette
            Na realidade, as vezes podem ser perfeitos com  duas. Mas só enquanto estiverem presenteando as mulheres com um de 4.

            11.”Por delicadeza, eu perdi minha vida.” Artur Rimbaud
            A forma mais indelicada de se perder na vida (e jamais ser encontrado e ter direito à salvação) é ser indelicado com as mulheres.

            12.”Não se nasce mulher. Torna-se” Simone de Beauvoir
            O  que é uma mulher? Não sei. E não acredito que vocês saibam. Virgínia Wolf


            13.”É tão absurdo dizer que um homem não pode amar uma mulher por toda vida quanto dizer que um violonista, precisa de diversos violinos para tocar a mesma música.” Honoré de Balzac.


domingo, 5 de março de 2017

GOLEIRO BRUNO, ELISA E O NADA



Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão


Muito se tem escrito sobre o isolamento a que se relega o ser humano em seus últimos momentos.  A assepsia e o tecnicismo de uma UTI, distantes do aconchego e da solidariedade familiar, concorrem para esse estado de coisas. É como se o quase morto passasse a pertencer  a uma vexaminosa confraria de seres: os que se aproximam de mortos, e, por isso, são capazes de contaminar a alegria e o prazer dos que estão vivos.
            Se esse é o modus operandi dessa relação com os quase mortos, imagine-se para os mortos, os definitivamente mortos: aqueles a quem, segundo essa visão que hoje predomina, se deve evitar a todo custo. Ora, alguém pode refutar  que continuam se fazendo homenagens aos mortos, que estes são venerados e reverenciados, mas não falo aqui daqueles cuja trajetória  foi cultivada no ambiente festivo do que se costuma chamar celebridades. Para estes as lágrimas jorram ainda que a dor seja passageira e artificial, como provavelmente foi o defunto. Mas falo do morto comum, sem grana e sem fama, aqueles por quem choram apenas pais e filhos, quando muito.
            Como uma garota de programa pobre, por exemplo. 



                                              




Que haja nascido razoavelmente bonita e que por isso mesmo faz filmes pornôs e transa por dinheiro. Que para muita gente nem chega a garota de programa (essas, com sorte,  chegam até a BBB) , mas só vai até prostituta mesmo. Enfim, alguém que depois de morta o melhor para todo mundo é que  desapareça sem deixar vestígios que atrapalhem  a festa dos que ficaram vivos: alguém que tenha sido nada, absolutamente nada.
            Como assim se referiu o Ministro Marco Aurélio Melo, do alto de sua sapiência jurídica e arrogância imperial,  ao explicar o habeas corpus concedido ao goleiro Bruno, que esteve preso durante 5 anos.  Ele, que mandou matar e dar sumiço em uma mulher grávida por estar esperando um filho seu. Ela que, por essa razão, foi feita prisioneira dele e depois morta, esquartejada e teve ossos e carnes  devorados por cães sedentos para ‘sumir’ definitivamente de sua vida, conforme denunciaram  amigos presos do jogador. No dizer do ministro tanta atrocidade nada significa: “Nada,  absolutamente nada, justifica a prisão deste rapaz durante todo esse tempo.”
            Ao basear-se para sua decisão em nebulosas interpretações do rigor da lei,  causa  espécie que haja contribuído para manifestações a favor de sua decisão o fato de não haverem descoberto o cadáver da moça. “Se não descobriram o cadáver, então não há crime.” Inauguram assim um conselho aos monstros capazes de assassinatos cruéis como o que provocou a eliminação de Elisa Samúdio (sim, ela foi um ser humano e teve nome, gente): “Quando matarem a partir de agora façam tudo para exterminar completamente a vítima. Assim, terão garantidas  suas liberdades”. 
                        A desfaçatez do assassino Bruno, depois de liberto, ao evocar cinicamente a compaixão da sociedade em contraponto à que não teve com sua vítima ao dizer que “Minha permanência na cadeia não a trará de volta”, ressoa em consonância com a opinião do ministro expondo a lógica de uma lei que promovesse a  remissão de todas as crueldades porque...os mortos não voltam e, portanto, não merecem que algum vivo  perca tempo com eles.

            “Este é um País feito de bandidos para bandidos”, já disse um eminente jurista do passado e  parece caminhar para isso cada vez mais  Para os bandidos, tudo. Para suas vítimas nada. Absolutamente nada.

José Ewerton Neto, é autor de O entrevistador de Lendas





domingo, 26 de fevereiro de 2017

CARNAVAL EM 60 SEGUNDOS




artigo publicado no jornal O Estado doMaranhão

Jose Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas



Em 60 segundos a mulata Globeleza dá quantos  rodopios em volta do próprio corpo? Ivete Sangalo dá quantos gritos em cima de um trio? Quantos quilos de celulite passam diante de seus olhos num desfile de Escola de Samba? Talvez você não saiba o número certo, mas faz ideia. Só não faz ideia de quanta coisa acontece no mundo durante esses 60 segundos.

            1.Em 60 segundos um milhão de pessoas estão voando de  avião.
            “Durante o Carnaval o número dos que voam (de avião ou não) deve subir ainda mais. Sem contar os que voam sem sair do lugar”.

            2.A Mac Donald’s vende 4 500 hamburgers.
            Como se come hamburger neste nosso planeta! Um bom matemático poderia calcular quantos cm. de barriga aumentam por dia por causa dos hamburgers. Se não dá para completar uma volta completa do globo terrestre com certeza dá para consagrar muitos reis momos.

            3.O cérebro humano lê até 900 palavras.
            “Como o brasileiro lê no máximo 2 livros em média, por ano, tem-se a confirmação de quanto cérebro se desperdiça por aqui! Enfim, parece que nem todo ser humano precisaria ter, necessariamente, um cérebro acima do pescoço!”


                                         

                


            4.113 crianças nascem na pobreza (metade do total).
            “ Repito. 113 crianças nascem no mundo, durante apenas um minuto, na completa pobreza. De novo: 113 crianças nascem na pobreza durante apenas um minuto.

            5.116 pessoas se casam. (enquanto 58 se divorciam)
            “Alguém poderia pensar que  se mais de cem pessoas se casam no mundo a cada minuto, o casamento continua a ser o objeto de desejo da sociedade. No entanto, o igualmente elevado número de divórcios, aponta para uma suspeita : será que o número elevado de casamentos hoje em, dia não é apenas um pretexto para que os casais possam se divorciar depois,  permitindo a ambos uma satisfação muito maior? Afinal de contas não dá para se divorciar sem haver casado antes.

            6.2709 smartphones são vendidos.
            “Parece muito, mas o número seria muito maior se fossem  computados os aparelhos roubados e os que estão ocultos nas penitenciárias brasileiras.

           7.Seu sangue faz uma viagem por todo o seu corpo. (Ou seja, por todo o sistema circulatório até voltar ao seu coração)

            “Se você é dos que abominam a frase de Sócrates “conhece-te a ti mesmo” e nunca se achou interessante a ponto de se conceder uma viagem  interna para se conhecer melhor, acredite: seu sangue faz isso por você. Se o carnaval não for suficiente para melhorar sua auto estima lembre-se, pelo menos,  de que seu sangue, por enquanto,  ainda não se cansou da paisagem.



                                      




            Se em apenas 60 segundos acontece tudo isso, você não precisa matar a cabeça para saber como vai ser o seu carnaval. Basta multiplicar tudo o que foi dito acima por 7200  que é a quantidade de minutos em 5  dias e pronto, já terá uma ideia do que vai acontecer no Carnaval, como sempre. Só aconselhamos um pouco mais de cuidado com seus muitos sessenta segundos. É tempo suficiente para uma bala perdida ou para introduzir um esperma desprevenido num óvulo não anunciado, por isso é tempo também de camisinha.

            Quanto ao retorno à realidade, não se preocupe muito com isso. Costuma acontecer na quarta feira também em 60 segundos. Logo depois da ressaca.  

                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

DE UMA BOA ENTREVISTA

Françoise Héritier, antropóloga francesa, publicou o livro O sal da vida - entrevista à Revista Isto É no.2303, 15 jan2014

Qual o símbolo mais forte da Sociedade Moderna?

O símbolo mais forte da sociedade moderna é certamente o uso do Facebook e sua rede de falsos amigos, que amam todas as mesmas coisas ao mesmo tempo. Esse grande sentimento falso de pertencimento cria um mundo desmaterializado. Não ver mais as pessoas em carne e osso talvez não impeça os urgimento de laços mais fortes, mas fundir-se aos outros não significa encontrar-se. Isso constitui uma grande armadilha: a despersonalização em vez da afirmação de si.


Sobre uma das obsessões do personagem o escritor irlandês John Banville diz: " A morte nos forma. Tudo o que fazemos é um desafio à morte, em oposição a ela. A morte é o grande dom e o grande horror, que nos foi dado, junto à nossa consciência."

Concorda com essa informação?

Concordo. sem a morte e o saber da morte, o homem seria como os animais que, segundo Bataille, estão no mundo como a água está na água. Andar de quatro seria isso, ser assujeitado ao meio a ponto de não se distinguir dele. A linguagem quebra a cluna do tempo, trazendo a morte do futuro para o presente, e como o presente é o futuro do passado, tudo que é humano é cortado pela morte - o que faz de nós uma espécie solitária, recortada do mundo; faz de cada homem sozinho, recortado do conjunto de outros homens. Por isso não há O homem, há cada um tentando a muito custo lançar alguns fios sobre os bismos que o separam ( desde sempre) dos outros homens. Só que a linguagem é o abismo e são os fios. A linguagem os aproxima, porque de saída afasta os homens irremediavelmente. Depois que estiverem todos muito longe uns dos outros e sobretudo de si mesmos, os homens poderão falar por uns fios de linguagem, mas não falarão uma linguagem que lhes é imposta fascista (Barthes), mas um tanto mais livre porque visitada tanto pela inteligência quanto pelo afeto. Não sabemos nunca o que fazer com o corpo que é uma constante subtração de si. Sabemos ( por culpa de Montagne) que um bebê já é velho suficiente para morrer, então que só se escreve movido por essa constante subtração de si que define o corpo vivo. Não ficamos de pé quando encontramos o fogo, mas quando encontramos a linguagem. Lejeune ( ou Teodórov) diz uma coisa muito bonita:os homens que andam pelas ruas só para de pé porque são homens-narrativa. Eu diria porque são homens-linguagem. Então, então mesmo: só se escreve a partir da morte, que retroage sobre nós, nos impulsiona, exige o trabalho de tornar a vida minimamente viável, não aplacando seus núcleos infernais, mas fazendo disso alguma coisa que nos coloque de pé.





José Ramos Tinhorão, jornalista e crítico musical à revista , Jornalismo/Cultura, edição 2


O que teria motivado ele a fazer isso [ sobre ter sido chamado agente da CIA por Sérgio Cabral em o Pasquim]?

Sèrgio Cabral fez aquilo dentro de coisas que achava correto naquele momento. Ele ficou amigo de Tom Jobim. Tom Jobim como figura humana era extraordinária: gostava de passarinho, gostava da natureza...Mas não venha dizer para mim que ele é uma expressão da cultura brasileira, não é!As harmonias são harmonias americanas, ele chupava música americana. E não é um cara original: Samba de uma nota só é Mr Monotny, de Irving Berlin ( gravado por Judy Garland); Sabiá é a overture da Ópera dos três vinténs, de Kurt Weill; Desafinado, é o samba Violão Amigo, de Bide e Marçal ( cantarola as melodias idênticas de Violão Amigo e Desafinado) Então não é, não tem criação! Uma vez eu escrevi isso, eles ficaram putos, mas escrevi que Tom Jobim era "barriga de aluguel" da música popular. Quando o inseminavam, ele produzia coisa boa. Se não fosse inseminado não produzia nada.









Arnaldo Cohen, pianista renomado, à revista Época, número 771, março, 2013

A música brasileira não é um orgulho nacional?

É preciso dizer uma coisa: do ponto de vista rítmico a música brasileira encontra poucos rivais na erudita. Talvez Igor Stravinski ( compositor russo) tenha conseguido criar um universo sonoro rítmico tão sofisticado quanto os ritmos afro-brasileiros. Na parte harmônica, porém, ela é pobre. Claro, há excessoes como as composições de Egberto Gismonti, Tom Jobim ou Francis Hime. Mas, em geral, a musica popular brasileira precisa se beneficiar adas lições de harmonia que o Ocidente vem dando há 300 anos...


Suzan Greenfield, neurocientista inglesa, em entrevista à Veja, 09.01.13, edição 2303 alerta para os riscos para o cérebro em consequência dos estímulos positivos da internet, rede social e video-games


O convívio nas redes sociais aceita uma latitude maior na conduta ética das pessoas?

Sem dúvida. Nas redes sociais as pessoas podem se comportar como jamais fariam no mundo real. Elas perdem seus constrangimentos, o que normalmente barra os maus comportamentos. Na rede muita gente se expõe como jamais faria nem mesmo no ambiente familiar ou na frente de amigos íntimos. Essa liberalidade começou com os e-mails, mas atingiu o ápice com o facebook. os limites do certo e errado estão cada vez mais difíceis de ser definidos. O livro O senhor das Moscas de William Golding, conta a história do naufrágio de alguns estudantes. Presos em uma ilha e submetidos a enormes privações, eles perdem o verniz civilizatório e se tornam selvagens. Por alguma razão estar nas redes sociais pode produzir o mesmo efeito de desconsideração com os outros que acometeu os estudantes de Golding, presos na ilha.

A comunidade científica levou a sério seu alerta sobre o perigo de os vídeos-games, na infância estarem produzindo adultos sem ética e atrofiados emocionalmente?

Essa é uma constatação irrefutável. Pense na fábula da princesa presa na torre. existe uma enorme diferença entre ler Rapunzel em um livro e ade participar de uma game em que o objetivo é resgatá-la. O livro apresenta à criança a narração plena da história da princesa. A vida dela faz parte de um contexto. Já no game a princesa é apenas um objetivo, não importa nem como ela chegou aprisionada na torre, não se constrói em nenhum momento um vínculo emocional com a personagem, tampouco se discutem as questões éticas de aprisionar alguém ou as vindas de caráter ou do coração do ato de salvá-la. A única coisa que imporqa é ganhar o jogo. Parece-me evidente que são vias bem distintas.


Antes eram as revistas em quadrinhos, depois a televisão, agora a Internet e os games. Será que cada era tem o seu falso inimigo do cérebro das crianças?

Existe uma diferença crucial. As novas tecnologias são muito mais invasivas e têm um impacto infinitamente maior até mesmo da televisão. As pessoas agora estão sendo levadas a ter uma percepção da vida como uma sucessão de pequenas tarefas desconectadas entre si, exatamente como no game de Rapunzel. O ser humano é produto de histórias, da preservação de memórias, enfim, da narrativa. Não há mais narrativa. Tudo não passa de ação e reação.








Paulinho da Viola, cantor, entrevista concedida ao jornal O estado de São Paulo, sábado, 10.11.2012


Sobre a estética do samba, as novas gerações parecem apenas reproduzir um padrão sedimentado...

(interrompendo) Mas eu não vejo mal nenhum em reverenciar os mestres do passado. Isso aconteceu comigo, sempre tive enorme admiração por Pixinguinha e Luis Gonzaga, os dois grandes nomes da música brasileira no século passado. Não vejo contradição, não vejo como um fato negativo, o fato de artistas jovens fazerem por amor a reprodução de coisas que já foram feitas. Isso faz parte. Quando uma turma se junta para cantar um samba com cavaquinho, pandeiro e tamborim, é aquele samba mesmo que ela vai cantar. Ninguém está pensando em evolução, nesse momento.As pessoas estão felizes, cantando. Já participei muito dessas rodas e posso dizer que quem está lá, faz isso por amor.







Gilles Lipovetsky, filósofo francês, à revista Isto É, número 2231

Como descreveria , citando uma expressão sua, o mundo de hiperconsumismo em que vivemos?

Tudo no dia a dia depende de uma compra. Somos constantemente obrigados a comprar. Se você sai, tem de pagar o carro, o avião e isso implica gastar dinheiro. Pense em coisas que antes não eram consumidas. Da última vez em que estive em São Paulo, o motorista me levava ao hotel e, no caminho, via as pessoas correndo em academias, em esteiras. As pessoas hoje pagam para correr, sendo que, antes, corríamos de graça. Antes para nadar, íamos aos rios. Agora temos que pagar para frequentar piscinas. Antes quando tínhamos problemas pessoais falávamos com o padre e ele dizia o que fazer. Hoje falamos com o piscólogo . O gosto mais elementar da vida, que é conversar, pedir conselhos, virou consumo, pagamento.



Jonathan Franzen, escritor americano, à revista Época no. 737, edição de 2 de julho de 2012.Escreveu os romances Correções e Liberdade.

No livro Como ficar sozinho o senhor ataca a dependência do celular. Mesmo assim o senhor usa celular, não?

Sou um dinossauro em tecnologia.Detesto comandos de toque,meus dedos sentem desconforto com celulares touch. Não gosto de programas que completa palavras, do iPhone e da Apple. Não acho que Steve Jobs tenha feito um bem à humanidade. O iPhone e similares substituíram o cigarro. Os tabagistas trocaram a compulsão do cigarro pela do celular. A razão é que as pessoas ficam nervosas quando não estão fazendo alguma coisa. Aí entra o celular com o elixir para a obsessão de faze algo. Precisamos aprender a não fazer nada.

Como então seduzir as pessoas para algo tão antiquado quanto a literatura?

O escritor precisa despertar o interesse do leitor com uma história original e de compreensão fácil. Não adianta querer fazer malabarismo experimental que o leitor vai fugir. Ninguém mais tem paciência para jogos de linguagem como os de James Joyce. Quero ser legível. O mercado de livros é competitivo. O desafio é alcançar ao mesmo tempo a relevância artística e a adesão do leitor. Com escrever ficção e ser verdadeiro? Eis aí o paradoxo. Infelizmente, no mundo de hoje, se você não vende, não alcança repercussão. Se não fosse a revista Time ter elogiado meus livros, eu certamente não teria feito sucesso.


Nelson Rodrigues , revista Época, edição histórica da editora Globo, 2012, texto de Luis Antonio Giron.

O senhor pode dar uma mensagem à posteridade?Eu queria dizer à juventude que seja livre. Se o homem de um modo geral , tem vocação para a escravidão, o jovem tem uma vocação ainda maior. O jovem, justamente por ser mais agressivo e ter uma potencialidade muito generosa, é muito suscetível aototalitarismo. A vocação do jovem para o totalitarismo, para a intolerância é enorme. Eu recomendo aos jovens, envelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais depressa possível, isso é um azar, uma infelicidade. Eu já fui jovem também e não me reconheço no jovem que fui. Eu só me acho parecido comigo até os dez anos e após os trinta. Eu já era o que sou quando criança. Na adolescência eu me considero uma paródia, uma falsificação de mim mesmo. Depois, a partir dos trinta eu me reencontro. Por isso, digo aos jovens: não permaneçam muito tempo na juventude que isso compromete.




PAUL AUSTER, na entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, caderno 2, 06.04

Escritores de geração diferentes, como Philip Rothe Gary Shteingart, disseram a este jornal que o romance está se tornando uma arte irrelevante

Eu já tive essa conversa com o Philip até em público e discordo dele. E acho que o romance ainda é importante para o públicoleitor. Como arte ele proporciona algo que não temos em nenhuma forma, uma intimidade com o outro. Cada romance é escrito por duas pessoas, pelo autor e pelo leitor, eles produzem a obra juntos. Ele coloca dois estranhos em absoluta intimidade. E isto nos remete ao que significa ser humano. Ainda que em números, o público seja menor, para nós, que ainda queremos ler romances, ele continua muito relevante.


FINALMENTE, CHICO BUARQUE saiu do armário e disse a que veio, entrevista à Rolling Stone


Hoje parece que há mais interesse sobre a vida pessoal do artista. Você percebe isso?

( Longo silêncio) Que a vida pessoal ficou mais exposta do que há vinte, trinta anos, não tem a menor dúvida(...) mas não me afeta tanto assim.Me afeta, por exemplo, ao ir à praia. Nasci em frente ao mar, nadava em Copacabana, pegava jacaré no arpoador, mergulhava. Até o dia em que saio da praia e um sujeito se agarra em mim, começa a berrar, gritar no meu ouvido e perguntar algumas coisas. Quando me dou conta; "Ih, tem um cara lá filmando. Isso aqui é um número cômico de um programa de televisão" Resultado: não posso ir à praia. Mas não é o fim do mundo. Deixo de ir à praia, de ir ao restaurante da rua Dias Ferreira e pronto. Isso não me afeta grandemente. falei sobre isso na Internet: você está mais exposto, mas aí é você - pessoa - e sua obra também. Com a Internet aumentou muito o número de críticos, se multiplicou um milhão de vezes. Como no caso da história do verso que você está apontando. Sei exatamente como ela foi criada; num blog de um cara da revista Veja que tem uma enorme estima pela minha pessoa e gosta de lançar esse tipo de futrica. ali vale tudo, já sugeriram até que eu desapropriasse meu campo de futebol para a construção de casas populares. é um problema que vem de muitos anos, uma questão doentia de uma revista contra um artista. Parece que o cara que manda nessa revista tem ambições literárias. Então ele não gostou de os meus livros ganharem prêmios porque ele quer ser escritor. Aí decidi me vingar. Sabe o que fiz? li o romance do cara, um tal de [Mario] Sabino. Não é parente do Fernando Sabino, acho. Fui até o fim, li tudo, tudo. E fiquei tranquilo, passou a raiva [risos]. falei; " Bom o melhor que esse cara tem a fazer é ser editor da revista Veja".


NOSSO CÉREBRO NOS FAZ PENAR PORQUE

NÃO SE MODERNIZOU COMO DEVERIA


Dean Buonomano, professor do departamento de Neurobiologia e Psicologia da Universidade da Califórnia, em Los Angeles, autor de O cérebro Imperfeito

Em seu novo livro o senhor afirma que o cérebro humano é a máquina mais complexa que se conhece, mas aponta problemas em seu funcionamento. Poderia nos dar um exemplo?

Se você memorizar as palavras chocolate, paçoquinha e chiclete e, logo em seguida, eu perguntar se a palavra doce está entre elas, você provavelmente precisaria pensar por alguns instantes antes de responder. Doce não estava na lista, mas como todas as outras palavras se referiam a doces, o cérebro se confunde. Não seria assim se eu perguntasse sobre a palavra capivara. Por nada ter com as demais ela seria rapidamente descartada. Isso acontece porque nossa memória não armazena itens. Ela funciona relacionando conceitos e significados, como na lista de doces. Isso pode ser bom em alguns casos, uma fonte de problemas em outros.

Há outras falhas além dessas?

Sim, o cérebro não foi moldado para ter a capacidade cálculo de um computador, que é o que se exige dele hoje em dia. Isso se explica , em parte, pelo processo de evolução por seleção natural

As falhas do cérebro estão relacionadas à evolução?

Nosso cérebro está adaptado para um passado remoto, quando não era necessário lidar com números da forma que hoje somos exigidos hje: temos de lembrar de telefones, senhas , estatísticas. O cérebro não evoluiu para essas necessidades e os neurônios parecem não estar preparados para processar números. No mundo primitivo se você via um ninho de cobras, não precisava contar se eram dez ou doze. Bastava saber que eram muitas e fugir.

Nossa bagagem evolutiva explica os problemas das pessoas com o planejamento financeiro?

Sim. É isso que faz com que nossas decisões sejam influenciadas com o curto prazo. Em termos evolutivos faz todo o sentido. Se você oferecesse uma maçã a um homem há cerca de 100 mil anos, ele a pegaria naquele momento, mesmo se você prometesse, em troca da recusa, duas maçãs para a próxima semana. O raciocínio é da sobrevivencia. Diante da opção de obter uma uva imediatamente ou duas depois, até os macacos mais bem treinados não resistem à tentação por dez segundos.

Existe então uma luta entre um sistema de tomada de decisões intuitivo, emocional e , portanto, primitivo e outro mais reflexivo, resultado de planejamento e análise?

Certamente. Em muitos casos, o raciocínio automático pode predominar em determinado momento. É como disse logo no início: se você perguntar a alguns amigos o que as vacas bebem uma parte deles dirá leite. Isso acontece porque, quando criança, aprendemos a associar vaca com leite, e os neurônios que codificam as duas palavras aprendem a se ativar ao mesmo tempo.




O OTIMISMO PODE SER MUITO NOCIVO


Roger Scruton, filósofo inglês , entrevista à Veja,

No seu último livro, o senhor afirma que o otimismo é mais nocivo para os indivíduos e para as nações que o pessimismo. Como o otimismo pode ser tão prejudicial?

Não falo do otimsmo como virtude, nem da esperança, ou da fé que servem para a elevação espiritual do indivíduo e fomentam inovações e avanços. O otimismo prejudicial é o desmedido, ou, como disse o filósofo Arthur Shopenhauer, o otimismo mal-intencionado, inescrupuloso. É o tipo de pensamento que está por trás de todas as tentativas radicais de transformar o mundo, de superar as perturbações típicas da humanidade por meio de um ajuste em larga escala, de uma solução ingênua e utópica como o comunismo, o fascismo e o nazismo. Otimismo e utopia em excesso , em geral, acabam em nada, ou pior, dão em totalitarismo .


ROGER, DA BANDA ULTRAJE A RIGOR

De que você mais sente falta dos anos 80, época do auge do sucesso popular de vocês?

Vi o Caetano falar recentemente uma coisa com a qual concordo. Na verdade, sinto falta de juventude, desse ímpeto maior de fazer as coisas, desse nível de testosterona mais alto, cientificamente falando(risos). A gente vivia uma vida maravilhosa, mas não é a vida que eu queria estar levando agora(...)

O que você acha do rock nacional, agora?

Se infantilizou, né?Existem , claro, várias bandas, mas não é um movimento(...) Na nossa época a gente percebia que tinha uma cena(...) Mas me parece uma coisa mais voltada para a finalidade de aparecer, na nossa época era uma coisa mais espontânea. Hoje parece que o rock é feito para um público de 12, 13 anos.



Lars Von Trier, revista Veja, edição de 10 de Set


Em Melancolia, o senhor simpatiza com o sentimento de Claire, a personagem que se desespera quando sente que o mundo vai acabar. Mas é com a depressiva Justine, que encara o fim do mundo com serenidade, como uma libertação, que o senhor se irmana. em sua opinião, estaríamos melhor, como indivíduos, se simplesmente parássemos de brigar com a ideia de que estamos sós, e rumando para o nosso fim?

Acho que a vida é uma ideia muito ruim. Se essa ideia partiu de Deus eu o culpo por largar essa ideia no meio do caminho, sem levá-la a uma conclusão lógica. Imagine uma criança que ganha um trem de brinquedo e o põe para funcionar; ele corre no trilho uma dezena de vezes, a criança se diverte , e então perde o interesse. O que acontece com o trem depois que a criança o larga? Isso, para mim é a vida- se Deus a criou, e eu não acredito Nele, mas vamos supor que exista, Ele logo a largou, correndo por aí, sem um pensamento para o fato de que criou seres que sabem que cada passo deles na Terra causa o sofrimento de uma planta, um animal, ou outro homem, e que têm de enfrentar a consciência de que sua existência é finita.
Isto é, nascer sob uma sentença de morte. Se eu fosse um bicho, sem noção de que vou morrer e de que posso magoar os outros o tempo todo, sem culpa de espécia alguma e ocupado apenas em comer, excretar e me reproduzir, então a vida poderia ser tolerável. Mas não da maneira que ela é, para os homens. Não é justo. Se antes de eu nascer me consultassem sobre se eu quero existir neste mundo, eu diria não - absolutamente não.


(...) A letra de música não se explica, se ampara na própria melodia. Pois melodia já é letra: já sugere se é alegre outriste. A literatura não: mantém muito mais a ambiguidade. A letra não quer que tu não a entendas. Penso assim: quando o sil~encio é muito forte, é literatura. Na música o silêncio é mais curto. Na poesia, a melodia (é) a palavra. A música tem um sentido mais comunicativo, mais generoso. Não é preciso entrar nela para entendê-la. Já na poesia tem de entrar. Não Há como olhar de fora. A diferença é grande.

Nelson Mota:

Se Tim Maia surgisse hoje com o mesmo talento e o mesmo temperamento, ele teria chance de estourar, como em 1974?

Acho difícil. A sociedade está mais careta, repressiva, intolerante.Dificilmente aceitaria um personagem com a liberdade e anarquia dele. Tim Maia é palavrão, um baseado atrás do outro. Mas as pessoas riam, não se chocavam com ele. As pessoas não o levavam a sério. Hoje iam acusá-lo de falar mal disso, daquilo, de gays, de evangélicos. Tim Maia nasceu na época certa.