sexta-feira, 19 de abril de 2019

O BURACO NEGRO CHEGA AO BRASIL



Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão


PENSO, LOGO  EXISTO, sentenciou o filósofo Descartes séculos atrás, pretendendo eliminar essa dúvida crucial da espécie humana. Apesar disso a dúvida permanece, tanto assim que, mesmo respirando, comendo ou guerreando entre si, o ser humano continua a duvidar da própria existência: “Será existência isso daí?” “Tem certeza mesmo de que não existe coisa melhor?”
O fato é que a ciência avançou muito depois de Descartes e, se não conseguiu provar a existência humana provou, há poucos dias, a existência do Buraco-Negro. “FUI FOTOGRAFADO, LOGO EXISTO”, poderia dizer agora um buraco-negro se tivesse as mesmas dúvidas existenciais dos seres humanos.
O  buraco-negro como se sabe são concentrações absurdíssimas de matéria que curvam o espaço-tempo e sugam tudo o que existe ao redor, inclusive  a própria luz. Com isso, é impossível saber o que existe em seu interior, colocando em polvorosa o nosso pobre conceito de existência. 
Como era de se esperar a divulgação repetida de uma façanha monumental como essa teria de ter consequências em nosso país:

            1.A turma ‘politicamente correta’ do Congresso já se pôs em estado de alerta. Uma comissão de parlamentares, tendo à frente Gleisi Hoffman com orientação do PT, vai propor que se mude a atual terminologia, pelo menos no Brasil, trocando o nome de Buraco Negro para Buraco de Qualquer Coisa. Acreditam que a denominação atual tem conotação racista.

            2.Sabedores de que os telescópios colocados à disposição dos cientistas alcançaram uma precisão equivalente à de captar imagens de uma moeda na superfície  da lua, alguns empresários e políticos - que não podem ouvir falar em moeda sem se assanhar -  proporão a instalação de um telescópio dessa envergadura na base de Alcântara com o objetivo  de descobrir ouro em qualquer parte dos confins do universo. Estão certos de que fora da Terra  a Lava-Jato não terá como aporrinhar.

            3. Religiosos de uma recém-inaugurada Igreja chegaram à conclusão de que nem as almas resistem à formidável sucção promovida pela atração gravitacional dos buracos-negros. Generosos, conceberam a ideia de desenvolver um Curso de Blindagem de Almas para que após a morte ninguém corra o risco de desaparecer, mesmo em espírito. Obs. As sessões de curso/reza poderão ser pagas com cartão de crédito.
            4. Nas redes sociais, tão logo surgiu a notícia do buraco negro fotografado,  grupos de internautas começaram a sugerir  que o ônibus interespacial que levará, em breve,  Justin Bibier e Leonardo di Caprio a uma viagem turística no espaço, estenda sua viagem por mais alguns milhões de quilômetros de anos-luz e passe perto do buraco-negro .
obs.  (Já tem gente no Brasil sugerindo que o ônibus leve também o Luan Santana).

                        5.Antecipando-se,  uma escola de samba carioca  anunciou como enredo para o próximo carnaval seu desfile com o tema: Brasileira Também é Boa de Buraco Negro, homenageando a cientista brasileira que fez parte da equipe de cientistas . A única preocupação, por enquanto, fica por conta do tamanho do fio dental que as bailarinas usarão, para não suscitar interpretações  maliciosas em relação ao tema.

                                                                       ewerton.neto@hotmail.com 

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis



sábado, 13 de abril de 2019

FEMINISMO, BULLYNG E OUTRAS PALAVRAS TRÁGICAS



artigo publicado no jornal O estado do Maranhão


“As palavras, como  se sabe , são seres vivos” dizia Vítor Hugo e, poderíamos acrescentar, “que agem, muitas vezes,  com inconformismo “.  Basta refletirmos sobre palavras que tomaram conta do palavreado   nacional de algum tempo para cá e que se revelaram, se não inócuas, denunciadoras da hipocrisia que lateja através delas.  Isso acontece quando se tenta, mediante o uso de palavras estrangeiras, ou ‘modernosas’, resolver problemas que só se resolvem com ação e não com mera substituição de  palavras .  
Tanto a palavra Bullyng, como Feminicídio e Empoderamento , só para citar essas três, depois que foram adotadas e disseminadas, parece terem atingido um efeito exatamente o contrário ao que se pretendia , ao serem alçadas a assunto do dia na mídia e repetidas à exaustão, nos discursos, teses e palestras. Sobre as mesmas repousa uma estatística trágica. Depois que foram adotadas os crimes monstruosos associados à semântica que através delas deveria coibir  o que deve ser evitado, se perpetuaram,
A palavra bullyng, por exemplo, importada da língua inglesa apontaria para uma influência devastadora se traçássemos um gráfico de correlação estatística entre a  implantação dessa palavra e o advento de tragédias que não existiam antes em território nacional. Jovens desestruturados, frágeis (para maltratar a si mesmos ) e covardes ( para atacar seus iguais indefesos) , passaram a usar a representação da palavra bullyng para justificar suas monstruosidades . O pior é que sobre essa monumental mentira afloraram as teses de educadores e especialistas, sempre prontos para vitimizar covardes e para justificar  crueldades.
De repente, o conceito de ‘bullyng’ que passou séculos associado a uma chateação obsessiva por parte de colegas, (e que no   popular era chamado aporrinhação)  virou objeto de discussões, debates, e, sobretudo comiseração daqueles que a sofrem, passando por tremeliques, histerias, e estresses de professores e pais sobrecarregando a mente em formação do jovem de um estado de vigília permanente.
 Idem com a palavra Feminicídio. 








A coisa chegou a tal ponto que, depois de implantada as monstruosidades começaram a acontecer com tal frequência que os comentários estupefatos viraram rotina. “Porque tanta brutalidade?“ “Será que não seria melhor continuar chamando esses  covardes de boçais ou monstros e não de feminicidas?” A alusão à impropriedade da palavra tem razão de ser: Feminicida, cuja pronúncia remete a suicida, sinaliza fragilidade e carência, o que soa por demais ameno para classificar as feras que cometem os crimes.
Claro, ninguém iria tão longe a ponto de inferir que o poder das palavras vai além do que significam, mesmo  quando embutem na sua utilização a hipocrisia do poder público e sua incapacidade de proteger nossas mulheres que clamam por solução. Assim como inventam leis e mais leis para falsearem a solução que não são capazes de oferecer,  a utilização de palavras novas, na prática,  apenas serve de enfeite para uma tomada de posição corretiva da qual  os poderes  mostram-se incapazes de executar.  
Pobres palavras! São seres vivos, decerto, mas, sabiamente,   não se prestam para dourar a hipocrisia expressa  na estupidez dos homens,  e na leniência dos que não agem para evitar a continuação de tantas aberrações e monstruosidades.

José Ewerton Neto é autor de O ofício de matar suicidas




                                                                                                                                                          ewerton.neto@hotmil.com