QUANTO VALE UM NAMORADO
José Ewerton Neto
Em
homenagem ao DIA DE HOJE uma oportuna reflexão sobre o tema:
O Namorado, assim como outras moedas, depende muito do valor
de sua cotação no mercado. Em passado distante já foi moeda forte,
embora Noivo valesse mais. Os tempos mudaram, a revolução dos costumes neste
século foi tão veloz que uma namorada passou a ter maior valor que o
equivalente masculino, principalmente entre as mulheres. Recente reportagem do
Fantástico informou, no entanto, que os casamentos estão em alta de novo, especialmente
os casamentos comunitários, pelo baixo
custo inicial aparente.
As mulheres voltaram a
sonhar com um casamento de véu e grinalda, rumo ao altar ou a um Pix sempre
acessível. O certo é que, para facilitar
os casamentos, hoje em dia qualquer pedaço de praia serve como
igreja, qualquer dono de bar serve como
padre e qualquer azulzinha serve de hóstia –
com a vantagem de adiantar uma forcinha para o futuro marido, se ele for do
sexo masculino. As coisas, como todos
sabem, não andam lá muito bem para o lado da masculinidade.
O certo é que a
serventia principal de um namorado que sempre foi a de elas se
precaverem da Anuptafobia (medo de ficar solteira) parece ter voltado com
alguma força.
Afora isso, até a sua
segunda maior utilidade (como adorno pessoal para mostrar para as amigas)
entrou em desuso com a possibilidade de elas usarem as soluções de
relacionamento com a inteligência artificial oferecida pela net, em quem elas descobriram uma enorme vantagem:
não precisam fingir o orgasmo.
A
verdade é que em comparação com outras moedas igualmente populares Namorado, ao contrário do dólar ou do euro, é
uma moeda difícil de ser guardada. Não dá para guardar no bolso ou na
mochila, dentro do vestido ou em outro esconderijo. Não dá para
retirá-los numa caixa eletrônica nem depositá-lo em bancos (não só porque os
bancos comuns não aceitam, como também os da praça nem existem
mais para namoro - o romantismo acabou). Há ocasiões em que elas
tentam guardá-lo dentro de si, mas, infelizmente, isso dura pouco
tempo.
Ao
indagar-se a qualquer uma delas a razão pela qual, no mundo de hoje em que são
cada vez mais independentes, ainda perdem tempo investindo em
namorados ao invés de no bit-coin, por
exemplo, muitas respondem que mais vale um namorado na
mão que dois voando embora saibam de antemão que sempre acabam
pagando com juros. A sorte é que não são juros reais, mas disfarçados: “Juro
que te amarei por toda vida!”