sábado, 7 de maio de 2016

MÃES E BARATAS




artigo publicado no jornal o Estado doMaranhão

http://www.blogsoestado.com/ewertonneto



            O que podem ter em comum mães e  baratas para que alguém as associe justamente no dia em que se pretende homenagear as mães,  se as baratas são animais tão repulsivos,  para elas?
            Imagino que algum dia na vida, cara leitora, você já tenha tentado matar uma barata ou, pelo menos -  se sua coragem não permitiu – haja suplicado  a alguém para isso. Matou mesmo? Ficou  aliviada ao ver aquele pobre cadáver, massacrado a seus pés? Aí é que está. Você jamais deveria ter tanta certeza. Se a jogou logo no lixo para dela se livrar, perdeu a oportunidade de vê-la voltar a caminhar lentamente, estraçalhada, ensanguentada e débil, mas, sobrevivente. Será que esses asquerosos animais ressuscitam? Quase isso.
            Sim, minha amiga, uma barata é dura de matar e possui razões físicas para tanto. Enquanto um ser humano aguenta 12 vezes a força de gravidade da Terra, as baratas suportam 126 vezes. 

                                           




Elas possuem antenas que servem como sensores, visão noturna para enxergar com pouca luminosidade e um design corporal, digamos assim, semelhante à blindagem dos tanques de guerra, uma carapaça que protege todos os órgãos do corpo. Portanto, nem Mike Tyson em sua plenitude física, ou qualquer outro homem, com técnica e táticas de UFC, etc. daria sequer para a saída contra uma barata que tivesse, pelo menos, a metade do seu tamanho. Baratas, enfim, são capazes de resistir às  hecatombes mais avassaladoras e, em seus túneis e esgotos, ou subterrâneas valas por onde caminham no avesso da noite humana, estarão certamente ao final dos tempos, vitoriosas, esperando o surgimento de uma nova era.
            Resistência igual ou maior que as das baratas, caros leitores, só a das mulheres, especialmente  quando mães.
            Ninguém mais que as mães merece o epíteto de ‘duras de matar’. Mãe resiste a nove meses de parto, nove anos de abandono,  nove décadas de vida e nove séculos de ingratidão. Mãe carrega durante meses um corpo na barriga, durante anos uma criança nos braços e, pelo resto da vida as preocupações do lar. Mãe resiste a tudo: a pancada de sol, de chuva, de bandido, e de marido. Mãe se acostumou a sublimar as próprias dores e as dos filhos, que multiplica por mil. Mãe trabalha fora e dentro de casa. Mãe não descansa. Quando se diz ‘fulana de tal acaba de descansar’, aí é que começa o trabalho. Mãe não tem tempo para si, mas tem para todo mundo. Mãe é dura de matar, e sequer dura é. Pelo contrário, é suave, mas se resiste tanto só pode ser  porque não há quem consiga dobrar suavidade e ternura.
            Só que, ao contrário das baratas, nada lhe foi doado pela natureza para ter tanta resistência. Não tem carapaças, nem antenas, nem visão noturna. Não tem feromônios , nem cercis ( pelos que medindo o movimento do ar em volta, permitem detectar o inimigo). Sequer têm patas resistentes. Por que consegue, mesmo doente e enfraquecida, atender os filhos? Como consegue, no escuro, perceber a ansiedade de suas crianças? Como adivinha que em algum lugar do mundo um filho seu está precisando de ajuda?


                                                    



            Ah, sim, mãe tem também um coração imenso, do qual vulgarmente se diz que sempre cabe mais um. Deve ser esse coração tão branco -  pela esperança e pela pureza de alma -,  que lhe dá essa formidável resistência: afinal, só mãe tem um coração de mãe.
                                                           “A todas as mães, e em memória da minha.”

                                                           ewerton.neto@hotmail.com

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