segunda-feira, 27 de novembro de 2023

ALCE AMERICANO...ÍNDIO


 

ALCE AMERICANO... ÍNDIO

José Ewerton Neto

 

Alce americano...Índio

Amo tanta coisa, tanta gente

Eu devo ir, o nevoeiro está  aumentando

Por que ninguém me entende?

 

Um belo poema, não, caro leitor? 

Talvez feito pela I.A, em um lance de sorte dessa coleta algorítmica,  grandiosa mas insípida, que raramente se traduz em um efeito poético minimamente  apreciável, como esse. Talvez, por outro lado, seja a reprodução de um desses poemas que povoam os raros cadernos literários,  impressos ou virtuais,  que pululam atualmente dentro da net, em que o conteúdo hermético dos poemas,   se confundindo  com  a falta absoluta de sentido,    é suficiente para merecer o destaque que lhes dão seus redatores.

Mas, singularmente, neste, há que se destacar o pungente, o inesperado, o comovente e o absurdo etc. ingredientes que, como se sabe, são mais do que suficientes para o traçado de um bom poema.

Afora o fato de ter sido falado por 4 grandes autores. ( Já ia dizer escrito, mas teria sido melhor dizer, com maior precisão, murmurado)

Sim, caro leitor, porque acima não está exatamente uma poesia, mas uma  coletânea aleatória de murmúrios de geniais autores prestes a partir.

Assim é que estão reproduzidos acima os últimos suspiros pronunciados pelas bocas de Henry Thoreau “ Alce americano...Índio “; Leon Tolstói “ Amo tanta coisa, tanta gente...” Emily Dickson “ Eu devo ir, o nevoeiro está aumentando” e James Joyce “ Por que ninguém me entende?”, curiosamente compondo um retrato ao mesmo tempo suave e denso, terno e dilacerante, delicado e pungente da existência humana, tão absurda – como disse  Clarice Lispector -  em seu definitivo uivo.

Mas um poema com certeza, já que toda trajetória humana, mesmo a mais insignificante para a história,  é um poema. E, com maior razão, a desses autores,  todos eles, capazes um dia de:  “ Ora, direis, ouvir estrelas!”


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