terça-feira, 26 de maio de 2026

LULA, BOLSONARO E O INFERNO



BOLSONARO, LULA E O INFERNO

         José Ewerton Neto

 

O tempo passa, mas a luta LULA X BOLSONARO continua. Com a proximidade das eleições tudo vale para destruir o adversário, ou seus representantes.  

Temerosos do resultado, o jeito foi apelarem para uma entrevista pessoal com o Diabo.

O que eles não esperavam é que fossem chamados ao mesmo tempo.  Esta semana, Bolsonaro e Lula se postaram diante de uma live espiritual em sua presença e foram confrontados pelo Todo Poderoso do Mal.

1.Satanás: “Sei que ambos são inimigos. Por acaso, algum de vocês consegue enxergar algum mérito no outro? ”

Bolsonaro. A única virtude que ele teve na vida foi ter cortado o seu dedo quando era torneiro-mecânico. O que prova que era melhor como torneiro-mecânico do que como presidente.

Lula. Reconheço nele a virtude de ter tentado tocar fogo no quartel onde trabalhava. Mas nem pra incendiário serviu.

2.Satanás: “Quando vocês vierem para cá — o que poderá ser em breve — como desejarão encontrar o inferno?

Lula. Com uma boa cachacinha. Sendo das boas, esse fogo do inferno eu tiro de letra. 

Bolsonaro. Uma boa arma para praticar tiro ao alvo, seja o alvo quem for. Mas, por favor, não me venha com foice.

3. Satanás. “Se um dia vocês me sucedessem no comando do inferno, o que, vocês fariam?

Bolsonaro. Liberaria o fuzil semiautomático para todos, inclusive para os diabinhos de 3 meses aposentando o tridente que ainda usam.

Lula. Criaria o bolsa-família. E botaria meu filho Lulinha para tomar conta do dinheiro. 

4.Satanás: “ Algum fato na biografia de seu opositor chegou a lhe entusiasmar?

Lula. A facada. Mas não foi bem executada.

Bolsonaro. A tornozeleira eletrônica. Que ele deveria   ainda estar usando no lugar da aliança de casamento. Sei disso, por experiência própria.

Entusiasmado com o que acabou de ouvir Satanás tomou uma decisão: Vai apoiar os dois, porque qualquer um que vença, o Inferno estará bem servido.


 

quarta-feira, 20 de maio de 2026

NO REINO DAS ILUSÕES E DAS FATALIDADES INFINITAS



NO REINO DA ILUSÃO E DE FATALIDADE INFINITAS

José Ewerton Neto  

 

O infinito, na matemática, mal consegue disfarçar sua sina de impostor...  Do livro Cidade Aritmética, de José Ewerton Neto

1.FATALIDADE

O ser humano não suporta a realidade, dizia Henry James e a Ciência sabe disso. Os sonhos, por exemplo, são artifícios que o cérebro engendra, durante o sono, para rearranjar a realidade, aliviando a mente da pressão cotidiana para aguentar a pressão do dia seguinte. O que muita gente não atentou ainda é sobre como   se prestam, também para isso, as palavras.

Um exemplo disso á a palavra Fatalidade que, no Brasil, é usada a torto e a direito, pelos responsáveis pelas tragédias para se omitirem de suas responsabilidades. Os autores dos crimes primeiro recorrem ao termo Fatalidade, e depois ao tempo para que suas participações sejam esquecidas. Assim foi o horror de Santa Maria (quem se lembra?), depois a chacina de crianças no Ninho do Urubu, depois as quedas de pontes, as enchentes — enfim, onde houver tragédia.

“São Fatalidades”, dirão governadores e presidentes da República, quando as vítimas abarrotarem os cemitérios por conta da indiferença das autoridades. Fatalidades! Acabarão por dizer as próprias vítimas, ou seja, o povo, obrigado a se conformar.

Assim, a palavra Fatalidade   — coitada! — Presta-se sobremaneira para isso, (como, afinal, todas as palavras): para serem usurpadas ao sabor da capacidade humana (brasileira em especial) de escamotear a realidade.  

2.INFINITO

Certo dia, conversava com uma amiga escritora quando ela se saiu com esta: “ Cheguei à conclusão de que o ser humano, eternamente incapaz de saber o que é; de onde veio, e para onde vai — e sendo incapaz de admitir isso — se socorre das palavras que inventa para solucionar suas dúvidas decorrentes de sua pequenez e insignificância diante do Universo. Um exemplo é a palavra Infinito.

Ora — continuou ela — alguém pode me explicar o que significa infinito? O que é a palavra infinito mais do que uma tentativa, vã, de conceber o inexplicável? ”  

Tive de concordar com ela, ao mesmo tempo que lembrei de tantas palavras, irmãs da “fatalidade”, sem significado concreto, e que na maioria das vezes são usadas por conveniência: amor, eternidade, paixão, felicidade etc. Palavras que ninguém sabe traduzir exatamente o que significam, mas a quem se recorre cotidianamente por suas infinitas serventias ao gosto do freguês.

A palavra Infinito é outra. Confesso que ela sempre me perturbou desde que travei conhecimento com a Matemática e queria apreender o que havia por trás de uma fórmula que dizia que a unidade   dividida por zero era igual a infinito. Para mim era impossível captar como se podia dividir algo por nada e o resultado dar infinito. Anos mais tarde, meio que filosoficamente, deduzi que aplicada ao ser humano essa fórmula era salvadora e um tanto poética, traduzindo, apoiada na lógica, a medida do homem.

Enfim, a vida do ser humano precisa ser considerada infinita (e deve assim ser avaliada e sentida) por   seu destino cruel de acabar em nada.