10 LIVROS
José Ewerton Neto
“O que somos, de onde
viemos, para onde vamos?”...
Em 2006, 20 anos atrás, portanto,
listei em crônica no jornal O estado do Maranhão os livros mais marcantes e
essenciais para minha formação literária e humana. Ressaltei que não se tratava
de uma lista dos melhores romances, mas sim dos mais significativos para mim.
20 anos depois, embora tenha lido
preciosos títulos de lá para cá, a lista permaneceu a mesma com apenas uma
alteração.
1.A MARCA DO ZORRO de Johnston Mc Culley
Foi o primeiro livro que me deu a
noção de que um dos maiores prazeres da vida poderia estar, também, em um monte
de palavras em sequência sem sequer uma ilustração. Antes disso só lia
quadrinhos. Lembro que não consegui despregar-me de sua leitura de mais 150
páginas e, mais tarde, o reli mais de uma vez. Devo a ele a introdução
nessa coisa de felicidade que é a leitura.
2.ROBINSON CRUZOE de Daniel Defoe
Li na versão para jovens, de Monteiro
Lobato — este com deliciosas ilustrações— numa edição capa dura, presente de
minha saudosa tia Rosa Ewerton. Muitos anos depois encontrei um maltratado
exemplar dessa edição, num sebo da Rua do Catete. Imediatamente adquiri o livro
e até hoje está conservado, sem que eu tenha tido coragem de ler de novo (para
não perder o encanto), sabendo que ali está preservado um dos pedaços mais
gloriosos de minha infância.
3. O ATENEU, de Raul Pompéia
Aquelas palavras insólitas, aqueles
longos parágrafos, nem sempre inteligíveis à primeira leitura e, nas
entrelinhas, sombras que precocemente marcam a trajetória de vida do ser
humano. Livro denso, mórbido, talvez muito forte para ser lido por um
pré-adolescente e que deixa marcas indeléveis sob uma nuvem de incerteza e
fatalidade, através de uma escrita a um só tempo mágica e sombria (Mais tarde
soube que seu autor era um homem atormentado). Minha visão do mundo jamais foi
a mesma depois. Marcante e essencial.
4.O MORRO DOS VENTOS UIVANTES, de Emily Bronte.
Uma história de amor, simplesmente.
Talvez a mais intensa história de amor jamais narrada em qualquer época
contendo os ingredientes básicos de amor, paixão e drama. Nenhum filme (e olha que já foram feitas belas
versões!) reproduziu plenamente o que a imaginação da autora foi
capaz de criar sob o uivo das ventanias vagando pelos morros, onde pontua uma
história de amor selvagem e transcendente. Quem nunca leu o livro está
condenado a uma pena irreparável: a de jamais ter se apaixonado por Catarina
Earnshaw, a personagem principal do livro.
5.DON QUIXOTE DE LA MANCHA, de Miguel de Cervantes
Refiro-me à edição completa, que li
depois de adulto, já que a edição adaptada para jovens não me empolgara tanto.
Devo ao romancista espanhol o melhor riso possível da existência humana que é o
riso sem sarcasmo, condescendente com o ridículo da condição humana. Está em
minha lista por isso e não por ter sido considerado, recentemente, o maior
romance da literatura universal.
6.O APANHADOR NO CAMPO DE CENTEIO, de J.D. Sallinger
Penso que este livro está para a
literatura como os Beatles estão para a música no que tange à tradução dos
anseios juvenis. Sintomaticamente, ou não, o assassino de John Lennon carregava
nas mãos, na hora da execução, um exemplar desse livro. Alguém que queira
sentir o pulsar da juventude em suas veias — independentemente de sua idade —
não precisa tomar remédio ou estimulante, basta ler algumas páginas deste
romance.
7.A BÍBLIA, vários autores.
Hesitei em colocar este título por
ser um livro especial, que acabei confirmando por seu conteúdo ter sido muito
edificante para mim — além de literatura das boas. O livro O poder do pensamento positivo, de Norman
Vincent Peale, é todo calcado nele e me ajudou muito no período de transição
para a fase adulta. Reli muitas vezes o Novo Testamento e vi que não carecia
mais de livros de formação auxiliar. Uma só frase de Jesus Cristo no Sermão da
Montanha vale por todos os livros de
autoajuda que hoje abarrotam as livrarias.
8.PERGUNTE AO PÓ, de John Fante.
Estive por desistir da leitura, após
suas primeiras páginas, mas, graças a Deus!, persisti . Tinha razão o bom, irreverente
e irrefutável Charles Bukóvski quando se referiu ao autor na apresentação do
livro: “ Afinal, um homem que não tem
medo da emoção! ”
9.LOLITA, de Vladimir Nabokov
Pode um sexagenário escrever um livro
de mais de duzentas páginas sobre sua paixão por uma garota de 12 anos? Pode e
deve, se estiver escrevendo uma obra-prima e se chamar Vladimir Nabokov. Sim
porque as insinuações de pedofilia caem por terra diante da maestria do autor ao
jamais confundir as coisas, transformando a sua admiração, ocasionalmente
erótica e apaixonada, em êxtase poético e literário passando ao largo da
pornografia deletéria.
10.A ARQUITETURA DO UNIVERSO, de Robert Jastrow.
O que somos, de onde viemos, para
onde vamos? Nenhum livro seria capaz de responder definitivamente essas
questões essenciais, mas este livro do físico e astrônomo Robert Jastrow chegou
muito perto oferecendo, de forma didática, o melhor do conhecimento científico a
alguém que queira ser iniciado nesse confronto de ideias. Como nenhuma aventura
é tão fascinante quanto a busca do ser humano pelo seu significado diante do Universo
esse foi um dos melhores livros de aventura que já li.
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