“ ... porque
se fôssemos ilungas...coitados
deles!”
Quantas palavras existem na língua portuguesa? Infinitas,
porém, por maior que seja um dicionário que caiba todas elas, será
insuficiente.
Sim, porque traduzir o universo de tudo o que se diz ou se
escreve não é para qualquer livro, mesmo gigantesco. Principalmente, sabendo-se
que há um outro universo de palavras que não foram ditas ainda, nem escritas e,
em alguns casos, sequer pensadas.
Foi por isso que anos atrás a editora Conrad lançou o oportuno
livro Tingo, o incrível dicionário das
palavras que a gente não tem.
Vejamos um breve exemplo de algumas que nos fazem falta.
Muita falta.
1.Scrotarsi (italiano)
Significa ir embora de algum lugar por não suportar a
presença de alguém.
Quantas vezes vamos embora de um lugar e não temos uma
palavra única para explicar o porquê. De repente sumimos, e se alguém nos
perguntar a razão falta a palavra.
Como seria mais simples se tivéssemos à mão a palavra
Scrotarzi! Do jeito que as coisas estão — neste país tão abarrotado de gente
escrota — essa expressão pouparia até carta de suicídio: Bastaria dizer: Scrotei-me! E ponto final.
2.Cazar (espanhol)
A palavra quer dizer chutar o adversário em vez de chutar a
bola.
Enquanto a palavra que temos (casar) está ficando cada dia
mais fora de moda, a palavra parecida (cazar) do idioma Espanhol, está ficando
cada vez mais comum. Na seleção brasileira, outrora reduto de craques, o que
mais existe são jogadores botineiros mais preocupados em chutar o adversário do
que a bola. São cazadores profissionais, ganham rios de dinheiro com isso,
vivem cercados de mulheres por causa da grana, e fingem que são casadores, ao
invés de cazadores.
3.Ilunga (em tishilumba)
Ilunga é quem perdoa uma ofensa, tolera uma segunda, mas
jamais a terceira.
A bem da verdade, no nosso Brasil não dá para ser Ilunga.
Desde que nascemos somos condenados a perdoar a primeira, a segunda, a
terceira... e assim indefinidamente. Aprende-se isso no trânsito, nas escolas,
no trabalho, até ficarmos catedráticos em perdoar. Brasileiro, profissão:
Perdoador. No Brasil se perdoa tudo: de chifre a político, de amigos a inimigos
passando por marginais, juízes de futebol e VAR.
Estamos tão acostumados a perdoar que perdoamos
antecipadamente a porrada que vai cair no nosso lombo, depois. Como, aliás,
repetimos todo dia na nossa demonstração de fé (O Padre Nosso) que rezamos
todos os dias: ...” Assim como nós perdoamos aos nossos devedores. ”
Dessa forma, nossa sina até o final dos tempos vai ser sempre
perdoar sucessivas vezes porque se fôssemos ilungas...coitados deles!

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