quarta-feira, 27 de maio de 2020
A ESTRÉIA DO 645
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
terça-feira, 21 de abril de 2020
A BOA QUARENTENA LITERÁRIA
VIEIRA NA
ILHA DO MARANHÃO, de Ronaldo Costa Fernandes
Neste romance de ficção histórica,
Ronaldo se afasta dos temas habituais, em seus contos e romances, para construir uma
homenagem à sua terra, o Maranhão – e que homenagem! Para tanto buscou um de nossos
personagens mais ricos e emblemáticos, o padre Antonio Vieira.
Vieira, no romance, paira, por assim
dizer, como um farol, iluminando a ocorrência dos fatos, mas sem participação no desenlace dos mesmos. Mantendo-o
equidistante de sua criação imaginativa,
Ronaldo edificou um significativo registro de uma época, da qual até os
maranhenses mais letrados sabem pouco. Aos poucos, o leitor vai percebendo que, com suas palavras,
o autor traçou um denso painel em que suas
frases substituíram registros
documentais, desenhos e mapas de uma fase embrionária da nossa formação como
povo . É um romance cujo fascínio não
está no mistério da trama, não linear e quase inexistente, mas na composição
dos tipos: fortes, devassos, estúpidos e aventureiros, e na descrição dos
eventos em torno dos mesmos, o que nos transporta para o
passado como se estivéssemos – perdoem o clichê- viajando através do tempo.
Certamente fruto de árdua pesquisa, a
abordagem literária a meio caminho entre
crônica dos acontecimentos e romance , valoriza
sobremaneira o resultado. Uma obra enriquecedora que deveria ser recomendada para leitura em nossas faculdades , especialmente
para os formandos em Letras ou História.
ANÔNIMOS, de Lindevania Martins
Os contos de Lindevania Martins
possuem o dom de aberturas poderosas, sugestivas e originais. Leva-se
algum tempo para constatar isso porque, extasiados, somos motivados a continuar com progressivo interesse, já que o que vem pela frente não se desloca do
mistério ou da inquietação prometida. Ao invés, nos conduzem a mais labirintos perfeitamente
delineados, sem que se tope com bizarrias que, de algum tempo para cá, se
tornaram um caminho fácil para escritores que, sem o mesmo talento, ficam
emparedados, no espaço curto de um conto,
descambando para a conclusão grotesca ou ineficaz.
Assim, em dilacerantes contos como a
Língua ou Coisa sem nome, para citar apenas estes, Lindevânia Martins consolida
a narrativa de seus contos em um todo monolítico, fazendo com que o start-up
impactante perdure até o final, para
deleite do leitor.
LITTERAE SEMPRE, De Alexandre Lago
Este segundo livro de Alexandre Lago
sobre a mesma temática , pode ser
considerado , dada a linguagem accessível e dinâmica, tanto como livro de
iniciação à boa literatura , como de aprimoramento, para os mais versados .
Mesmo aquele que já tenha viajado literariamente
por “ mares nunca antes navegados” há de
encontrar aqui o tesouro da ilha que
julgava perdida , e dotará sua navegação
( a leitura é uma viagem ) com um fértil
manancial de obras sutilmente postas à disposição do leitor através de uma
arquitetura de compartilhamento em que o autor concede, além do resumo da obra,
sua abalizada opinião.
Mais um utilíssimo livro que deveria enriquecer
o acervo de nossas escolas. Desta feita para estudantes do segundo e terceiro
grau.
José Ewerton Neto é autor de O Entrevistador de Lendas , cuja segunda edição
já está na gráfica
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
quarta-feira, 15 de abril de 2020
DE CARONA CONTRA O CORONA
De Carona no humor, contra o Corona::
1.Gretchen. A cantora Gretchen bombou nas redes sociais, após
solidarizar-se à campanha Fique em Casa.
Foi muito aplaudida. Embora muitos não saibam, apesar da avançada idade ela é uma das poucas
pessoas do Brasil imune ao ataque do vírus. Especialistas entendem que o vírus jamais
conseguiria atravessar a barreira de botox sobre a pele da cantora.
2.Galvão Bueno. Eis que bombou na net uma pergunta de
resposta complexa: “A rede Globo vibra
mais com notícias trágicas da pandemia ou com os gols do Flamengo?
Resposta difícil. Alguém sugeriu
que a única forma de saber seria colocar
Galvão Bueno para narrar os momentos mais trágicos, gritando gol toda vez que acontecer uma nova tragédia
. Caso o grito de Galvão perdurar mais
na pandemia, essa opção seria a verdadeira.
3.Sexo Virtual. O confinamento das pessoas aumentou o volume
de serviços eróticos disponibilizados na Rede. O PornoHub, um dos maiores sites
de conteúdo erótico, teve, por exemplo, um aumento de 6 % de procura.
Isso significa que as
escapadas do lar com a desculpa de que a rotina cansa, está definitivamente descartada
doravante. A partir de agora, os parceiros terão de convir que é melhor levar chifre de um
Ricardão(ona) virtual do que um real. E
sem sair de casa.
4. Outros Vírus. Alguns vírus, HN1, Dengue etc. estariam incomodados
com o sucesso que o Corona está fazendo na mídia.
O HN1 teria travado com o
mosquito da dengue o seguinte diálogo:
- Tá vendo o sucesso que esse
cara tá fazendo na TV ? E nem precisou entrar no BBBrasil.
5.Dupla Sertaneja. Outra dúvida sobre os efeitos do Covid 19
bombou na Internet. A dúvida: Quando um
dos membros de uma dupla musical sertaneja é contaminada o parceiro também é?
Evidentemente que isso foi uma
maldade. Mas disso surgiu uma ideia, esta sim, benéfica para todo mundo.
“Que o vírus jamais faça mal a saúde
deles, mas bem que podia deixar as suas canções de quarentena, ou melhor, de
oitentena.”
6.Ações em alta . As ações que mais subiram desde o início
da pandemia foram: sites de streaming, empresas pesquisadoras de vacinas e
aplicativos de vídeo conferência.
Especialistas afirmam que a ação que
vai disparar assim que findar o período de quarentena, (Quando a Economia do
país estará em pandarecos) será a ação contra o bolso dos outros.
7. Baile de Máscara. De olho no futuro, já existem empresários
se arregimentando para promover a volta dos bailes de máscaras, que tanto fizeram sucesso nos primitivos carnavais.
Aliás, como a contaminação foi maior em São Paulo e no
Rio onde o Carnaval e a promiscuidade correram soltos, governadores desses estados já estariam
pensando em exigir que, para o próximo ano, o Carnaval volte a ser de máscaras,
preservando o romantismo, a saúde da população e, principalmente, escondendo melhor os bandidos.
8.O ministro Gilmar Mendes fiel ao seu mantra de soltador de
bandido começou a libertar vários condenados
da lava jato sob o argumento de que estes
poderiam ser contaminados.
Um internauta comentou: “Gilmar não perde tempo, não respeita nem o vírus. Pega Carona até no Corona, se for para soltar bandido!”
José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sexta-feira, 10 de abril de 2020
A ARTE DE SER O PRIMEIRO
“Os últimos serão os primeiros” dizia Jesus Cristo contrariando a obsessão
moderna de primazia em tudo que se refere a poder e visibilidade . Nestes
tempos de Corona, a enxurrada de especialistas que aparece para ostentar sapiência sem oferecer soluções, batendo em uma tecla de prevenção do tempo de nossos tataravôs, faz ver que a ciência progrediu muito em certas
direções relacionadas à tecnologia de consumo e , relativamente, pouco no que se refere à proteção à saúde dos
indivíduos.
Nada como,
nesses tempos sombrios, refletir sobre alguns primeiros especiais.
1.O
primeiro mandamento no Velho Testamento é “ Não terás outros deuses diante de
mim”. ( Exodo 20.3). No Novo Testamento uma sutil
alteração foi feita por Jesus Cristo. “Amarás, pois, o senhor teu Deus de todo coração, de todo teu
entendimento, e de toda a tua força.
Isso
significa que até os mandamentos são adaptáveis, segundo a visão daquele que tem o poder de
alterá-los. Por exemplo, na política, o primeiro mandamento que regeu a
administração dos governantes corruptos, associados à lava jato foi: “Só terei
um Deus diante de mim, o dinheiro”.
Já o primeiro
mandamento cabível a um bom governante nestes tempos de crise é “ Deixe a
politicagem de lado”.
2.As primeiras
cordas de violão clássico eram feitas de tripas de gato.
Isso explicaria
porque, de vez em quando, ouvia-se um indescritível e fascinante acorde.
Devia ser o gato miando.
3.A primeira
máquina construída para facilitar o trabalho das mulheres foi a de costura.
Mas a única
que lhes fez realmente vibrarem foi a última: o vibrador.
4.O primeiro
método que se tem notícia para evitar a gravidez das mulheres era um tanto
rústico. As egípcias colocavam pedrinhas no útero que funcionavam como um
verdadeiro DIU.
As mulheres,
coitadas, recorriam ao que estivesse ao alcance. Quando não conseguiam
afugentar os machões com pedradas, resolviam depois com pedrinhas.
5.Os chineses
foram os inventores dos primeiros sorvetes. Estes tinham como ingredientes uma
pasta de leite e arroz.
Ainda bem que não
tinha pasta de carne de morcego na composição. Já pensou?
6.O primeiro
carro a vapor que circulou no Brasil colidiu com uma árvore. Seu motorista era
o poeta Olavo Bilac. Foi o primeiro acidente automobilístico do país.
Romário, se vivo na época, talvez dissesse: “ Olavo Bilac
dirigindo um automóvel é um poeta!”
Pelo menos
isso serviu de inspiração a Olavo Bilac para criar uma célebre abertura lírica “Ora,
direis , ouvir estrelas”, que ele teria adaptado do original “ Ora, direis. Eu vi estrelas!”
8. A primeira
criança russa vacinada contra a varíola recebeu o nome de Vacccinov.
Espera-se que a
primeira criança vacinada no Brasil contra o Corona Vírus não receba o
nome de Cora Vacinona .
9.A primeira
guerra mundial iniciou-se em 28 de junho de 1914 e terminou em 11 de novembro
de 1918. A segunda durou de 1939 a 1945.
A terceira
começou há dois meses contra o Coronavìrus. A diferença é que as nações do
planeta, desta vez, não estão se digladiando
entre si, mas seguem juntas contra um
único mas pavoroso inimigo comum. Um vírus.
José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
segunda-feira, 6 de abril de 2020
SUA MAIOR ILUSÃO É VOCÊ MESMO
Sim, caro leitor, você é uma ilusão. Nosso eu é uma ilusão, não
passamos de ilusões. E nem estou me referindo à vida humana, essa de quem, com
muito maior razão, se desconfiava “A vida de alguém é a soma de suas ilusões”
já dizia Henry James.
Estou me referindo a esse Eu, que
todo mundo pensa que é e que, agora, a ciência desmente como apenas um conceito,
dissociado da realidade. Como diz o neurocientista Daniel Dennet em seu livro
“A perigosa ideia de Darwin”. Ele atesta,
assim como outros especialistas, que a mente humana é apenas uma constante
sucessão de ideias, lembranças, sucessões, projetos, sentimentos, disputa por
atenção etc. que passa por nossa consciência, de forma não linear. Para ele a
forma de dar sentido a esse turbilhão é dizer que há um Eu que está
experimentando, ou no comando de seus pensamentos. Mas esse eu unificado é
apenas um conceito, portanto, um impostor.
Para ilustrar essa realidade pode-se
imaginar o seguinte diálogo entre um homem e seu espelho, ao perceber que, dentro da moldura, a imagem o
encara fixamente, como se estivesse viva e fosse outro ser. O homem, intrigado,
pergunta àquele que julgava ser apenas a réplica de si mesmo.
- Quem é você?
- Eu sou você.
- Nada disso. Você é apenas a minha
imagem. Eu sou eu.
- Não se iluda. Eu sou você.
- Idiota! Se você for eu, quem,
afinal, eu sou?
- Uma ilusão. Somente isso e mais nada
além disso, meu caro.
- Ah, quer dizer então que eu como,
bebo, respiro, transo, posso te mandar à puta que pariu agora mesmo e, mesmo assim, eu não sou eu. Enquanto que você, sem corpo e
sem vida, por trás da lente de um espelho é a minha pessoa...
- Eu pelo menos sou sua imagem. Você nem isso, simplesmente é uma fantasia criada
por você mesmo.
- Essa é boa! Vejo que você pretende
me tirar do sério. Quer dizer que sequer uma imagem eu consigo ser, ou ter?
- Claro! Basta pensar. Daqui a um
segundo você já terá outra imagem. Eu poderei ser sempre sua imagem atualizada,
basta vir até a mim. Já você, ao sair daqui, pensará que sua imagem ainda será a mesma de agora,
esquecido de que esta já foi envelhecida pela passagem de mais um segundo. E, assim por diante, uma sucessão de rostos
se deteriorando até morrer.
- Peraí. E meu pensamento?
- Seu pensamento é uma soma de
sensações que você teve, imitou dos
outros ou lhe impuseram, portanto, nada exclusivo seu.
- E meu relógio? Meus pais? Meus
genes? Minha carteira de identidade?
- Não são seus. Você os tem apenas
provisoriamente.
- Nada existe então de meu? De minha
pessoa?
- Nada, você é pó, e ao pó
retornarás, lembra? Já eu não. Hoje sou você, amanhã posso ser outro, mais
outro. Pelo menos sou uma imagem. Valho mais que você.
- Miserável! Vou te matar criatura,
seja lá quem você for.
- Vamos lá, pegue uma pedra atire em
minha direção e me quebre. E assim perderá a oportunidade de continuar vendo a ilusão que você é. O resto é memória. Quando
fica.
José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas, cuja segunda edição
estará em breve nas livrarias
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
terça-feira, 24 de março de 2020
O NOME DA ESTRELA
artigo publicado no jornal O estado do Maranhão
“Ora (direis) nomear estrelas. Certo
perdeste o senso...” escreveu o poeta Olavo Bilac.
Estaria o poeta certo? Ele sim, eu é
que não. O poeta disse ‘ouvir estrelas’
e não ‘nomear estrelas’. Mas, seria igualmente falta de senso nomear estrelas?
Evidente que não. Tantas estrelas se descobrem a cada dia, muito mais
que na época do poeta, e se torna necessário nomeá-las. Usam-se números para isso, mas
estrelas são estrelas e não convêm (para a ciência e bem mais para a poesia) que estas se eternizem associadas a números e não a nomes.
Graças a Deus que assim pensam os
membros da IAU ( União Astronômica Internacional) , pretendendo dar ao infinito
estelar um toque, digamos, pop. Com isso determinaram que os países ligados a
ela teriam o direito de escolher como vai se chamar um minissistema -
constituído de uma estrela e o planeta a ela associado – desses que gravitam
fora do sistema solar, mas ainda dentro da Via Látea.
A associação da dupla de astros para cada país foi escolhida pelo critério da
distância: precisava estar próximo o suficiente para se fazer visível , por
meio de um telescópio, à população do lugar que a batizará. No caso do
Brasil a dupla a intitular é atualmente
conhecida pela junção de letras e números HD23079, fica a mais de 100 anos-luz
da Terra e pode ser avistada entre os meses de Dezembro e Fevereiro, do Brasil,
com auxílio de um telescópio.
A competição para escolha do nome foi
lançada em 2019, durou até agosto e qualquer brasileiro podia participar dando
asas à sua criatividade, satisfazendo certas regras: os nomes careciam ser representativos
da cultura do país e possibilitar novos nomes em harmonia com a dupla original,
para a eventualidade de descobertas de novos planetas girando em torno dessa
estrela. Como há, por exemplo, uma estrela batizada com o nome de Cervantes,
tendo planetas em seu entorno com os nomes de Quixote, Sancho, Rocinante etc. Uma
verdadeira e justa apoteose ao maior de todos os romancistas!
Já pensou ser você o autor do nome
escolhido para batizar uma estrela? Imagino que Olavo Bilac, o poeta que ouvia
estrelas, gostaria de ter sido um, infelizmente não pode e as mais votadas foram
aparecendo: Ceci e Peri, Capitu e Bentinho, Tupã e Jaci, Ribaldo e Diadorim etc
saídos da literatura e da cultura indígena. Confesso que cheguei a torcer por
Capitu e Bentinho, por causa de Machado, mas depois aceitei que isso seria uma
maldade com os astros. Explico. Não por Capitu, sobre quem até hoje pesa,
injustamente a meu ver, a pecha de ter sido adúltera. Mas por causa do marido:
paranoico, obsessivo e com vocação de cornudo até a alma a ponto de manchar
para sempre a memória da mãe de seus filhos
só porque esta era brejeira, tinha os olhos de ressaca parecendo uma
epilepsia do mar e era mais bonita do que ele. E, convenhamos: Bentinho
lá é nome de astro?
Soube, posteriormente, que nenhum dos
nomes acima citados foi escolhido e que a competição foi vencida pelas palavras
Tupi e Guarani, o que considerei apropriado. Palmas, portanto, para o vencedor. Confesso, porém, que,
do jeito que as coisas estão neste Brasil e como brasileiros decididamente
escolhem mal, cheguei a temer que a preferência acabasse repousando nos nomes
de algumas dessas infinitas duplas sertanejas que não param de infernizar
nossos ouvidos. Já pensou?
José Ewerton Neto é autor de O Pequeno Dicionário de Paixões Cruzadas, contos. Lançamento em breve .
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
domingo, 15 de março de 2020
RECORDAÇÕES DE REPÚBLICA
Encontram-se os dois, hoje médicos
e ex-colegas de república, 25 anos depois, num Simpósio de Medicina, em
Brasília. Um deles toma a iniciativa:
- Puxa vida, cara! Não me leve a
mal, se você fosse um pouco mais alto e menos gordo, me faria lembrar um grande
colega que eu tive na República, o Sinésio, que a gente chamava Margarina.
- Coincidência! Eu também sou
Sinésio. Mas nada de Margarina hehehe.
- Bem, eu formei em Recife, mas
fiz residência no Rio e você?
- Eu também fiz residência no
Rio.
- Ora, você é mesmo o
Margarina...Quer dizer, o Sinésio.
- Sem dúvida. E você é o Ernesto Cara
de Banjo. Vi logo pela cara...hehehe
Abraçaram-se efusivamente. A eles, juntou-se Wamberg, da mesma época. Mandaram às favas o simpósio e seus
palestrantes e logo estavam num bar.
- Quer dizer que o Renato Branco
agora é deputado.
- Sim, um ano depois que se
tornou cirurgião largou o bisturi.
- Parecia tão empolgado com a
Medicina. Por que teria largado o bisturi?
- Na verdade, não largou.
Esqueceu na barriga de um paciente. Quiseram processá-lo, mas mobilizou colegas,
advogados e sindicatos a favor do direito
humano de errar. Angariou amizades influentes depois que o assunto dominou
as páginas da imprensa. Daí pra frente
foi um passo. Elegeu-se deputado e agora quer ser senador.
- O Branco senador! E o
Fulgêncio? Alguém sabe seu paradeiro? Dava até pena, o coitado, tremia quando via sangue, vê se pode.
- O Fulgêncio tá na Alemanha.
- Na Alemanha? Fazendo curso?
- Não, dando o curso. É um dos
mais renomados especialistas mundiais em medicina quântica e constantemente é
chamado para palestras na Europa e até na China.
- Medicina Quântica? Que diabo é
isso, alguém sabe? Que vida imprevisível.
E o que foi feito do Armando Bocudo? Metido a bonitão, comia todas na Escola. E se gabava disso.
- Casou-se com a Claudete
Chilique.
- Como? A Claudete Chilique? Não
dá para acreditar, até eu mandei-a passear quando quis dar pra mim num fim de
festa. Era tão sem graça que diziam que
o canudo de papel que ela segurava na com tanta firmeza na diplomação era a
coisa mais dura que ela ia segurar nas mãos pro resto da vida.
- Também soube. O Bocudo
realmente apaixonou-se por ela. Formou-se em psiquiatria e hoje está numa
clínica para loucos.
- O Bocudo virou dono de clínica?
Ou dá expediente por lá?
- Nem uma coisa nem outra. É
paciente. Ficou tantã depois que a Claudete Chilique o encheu de chifre.
- Essa não! Que vida mais louca!
Mas por falar em Claudete isso me faz lembrar a Vânia.
- A Vânia da pediatria?
- Essa mesma. Gostosa, mas burra
que nem um poste.
- É, mas acho que um poste não
escreveria medicina com dois esses na sua tese de formatura.
- Ela nem precisava estudar. Paquerava
os professores e só tirava dez, com louvor. Vocês sabiam que ela tem uma loja nos USA onde fatura alto?
- Mais uma que abandonou a
medicina.
- Se abandonou a medicina não
sei, só sei que foi abandonada pelo ex-marido, o Dr. Serapião que era dono de um plano de saúde para cães , 40 anos
mais velho. Felizmente pra ela, porque depois que morreu ele lhe deixou uma
baita grana.
- O Profeta também era doido por
ela.
- O que foi feito dele? Bebia
feito um condenado.
- O Profeta é um dos maiores
cirurgiões plásticos do Brasil. Só atende celebridade global.
- Parou de beber?
- Mais ou menos. Dizem que só bebe quando faz cirurgia. Deve ser seu
grande segredo .
- E devia ser também o nosso. Hehehe.
Garçom, traz mais uma!
josé Ewerton Neto é autor de Pequeno Dicionário de Paixões Cruzadas, contos.
Lançamento em breve.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
domingo, 8 de março de 2020
EITA, PALAVRA CHATA!
A palavra TOP
foi considerada a palavra mais chata do ano que passou. A segunda colocação
ficou com a palavra COACH. A essas se seguiram várias igualmente chatas, tão
chatas que se pudessem falar reclamariam por não terem ficado na pole position.
Isso segundo
uma pesquisa da Internet, portanto, o júri está longe de ser confiável. Menos
confiável que pesquisa da net só mesmo as notas das competições de Escolas de
Samba, onde os jurados confiam tanto nos seus próprios tacos que são capazes de dar uma nota de 9,955 para uma escola e 9, 96 para outra em determinado quesito. (A julgar
por essa precisão de milésimos, provavelmente os olhos clínicos dos especialistas
são capazes de descobrir até as imperfeições
existentes no silicone enfiado no bumbum de uma porta- bandeira).
Tempos atrás
escrevi um artigo neste jornal intitulado Com
quem se parecem as palavras, cujo
texto foi incorporado ao livro O ABC bem humorado de São Luís, cuja terceira
edição estará saindo em breve . Na referida crônica, eu chamava a atenção para
o fato de que certas palavras (na verdade, seres vivos, como dizia Vítor Hugo) não só têm
vida própria como são autônomas e independentes não só do contexto em que foram
inseridas como até do significado que lhes foi imposto.
No artigo
citei as palavras Vândalo e Lúcifer, como
exemplo de palavras que persistem
sonoramente bonitas, distanciando-se, a meu ver, da semântica a que estão associadas. Propus então
que a palavra Lúcifer, nome do anjo rebelde que se transformou no demo, caso
não tivesse tido a triste sina de ser
associado ao mal hoje seria nome próprio
de muito mais gente do que certas escolhas que proliferam por aí. Na conjuntura atual eu acrescentaria também a palavra Feminicídio, que me
parece soar muito suave para representar as atrocidades que se cometem contra
as mulheres. Tenho a impressão de que chamar um troglodita desses, que aterrorizam suas fêmeas, de feminicida ao invés de monstro, é uma forma
de afagar a crueldade dos mesmos e estimular novos crimes.
Mas,
independente da pesquisa, seria mesmo a palavra top realmente chata?
Chatíssima, eu diria, chatérrima, diriam outros, mas, preferencialmente, ambos,
já que uma só palavra parece insuficiente para qualificar expressão tão
antipática. Nada soa tão perturbador e incômodo como o uso desenfreado e
proposital de uma expressão estrangeira, quando sua própria língua dispões de termos
equivalentes, preciosos, e que
significam a mesma coisa. Neste caso, a palavra TOP ( coitada, não tem culpa),
mas acaba se parecendo com a pessoa que a utiliza , com sua vaidade e seu
exibicionismo.
O mesmo ocorre
como a palavra COACH que, assim como uma verdadeira avalanche de termos da língua
inglesa, é frequentemente usada no
jargão empresarial, soando à empáfia e à arrogância daqueles que a
utilizam para se doarem uma
credibilidade inexistente , ao se
socorrerem de palavras desconhecidas ou pomposas para esse fim.
P.S.
Finalizada a coluna, como sempre, terão os leitores a possibilidade de se
manifestar, apreciando ou não o que foi escrito. Só pediria que, na mais remota
hipótese de gostarem, jamais digam que
ela é top. Deus me livre!
José Ewerton Neto é autor de O ABC
bem humorado de São Luís , breve em
terceira edição.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sábado, 15 de fevereiro de 2020
OSCAR 2020 E OS VENCEDORES BRASILEIROS
Findas as festividades de
premiação do Oscar hollywoodiano de 2020, pouca gente se deu conta que corria
em paralelo a premiação do Oscar Brasileiro. Salvo poucas exceções o desempenho
brasileiro pouco teve a dever aos seus equivalentes hollywoodianos.
1.Melhor filme, Parasitas.
Na versão brasileira o filme
vencedor foi também Os Parasitas, com os 4 filhos de Bolsonaro. Os
protagonistas, (como acontece com alguma frequência com a linhagem descendente de
políticos brasileiros) se destacaram em
aprimorar ao longo da vida o desempenho de sanguessugas , o que significa viver à sombra do pai. A produção brasileira também levou 4
estatuetas. Coincidentemente, uma para cada filho.
2. Melhor
atriz Renée Zellweger, por Judy – Muito além do Arco-Íris.
Na versão brasileira o Oscar foi vencido pela atriz
principal do filme Muito além da política, que foi protagonizado por Janja,
namorada de Lula. No filme, Janja saiu-se
muito bem mostrando destreza ao dar visibilidade à sua obsessão em conquistar
um ex-presidente, entre quatro paredes e
um sol quadrado, muito além da política.
3.Melhor ator, Joaquin Phoenix, por Coringa.
O Oscar da versão
nacional foi vencido por Dias Toffoli, um Coringa por excelência, apresentando
para consumo do público uma neutralidade olímpica, mas capaz de extremos, ao
sabor de suas conveniências pessoais. Ter chegado a ministro do STF por
indicação política, sem trajetória jurídica digna, foi um de seus trunfos para,
finalmente, ser reconhecido como o
grande ator que é, para não dizer
farsante.
4.Melhor ator coadjuvante, Brad Pitt por Era uma
vez em Hollywood.
O Melhor ator coadjuvante na versão nacional foi Sérgio
Moro, no filme Era uma vez em Curitiba, sobre a lava jato, chegando a provocar ciúmes no ator principal Jair Bolsonaro.
5.Melhor
atriz coadjuvante, Laura Dern, por A história de um Casamento.
A versão brasileira do Oscar ficou com a atriz Regina
Duarte pelo filme de mesmo título A história de um
Casamento. O filme conta como a atriz
passou de Namoradinha do Brasil para Namorada de Bolsonaro, e daí, para seu
casamento, de desfecho imprevisível.
6.Melhor direção de Arte. Era uma vez em Hollywood
O Oscar brasileiro ficou com o presidente do
Flamengo Ricardo Landin em Era uma vez no ninho do Urubu, no qual atrocidades foram cometidas contra
crianças tendo por contrapartida a monumental farsa comandada por Landim para
não assumir responsabilidades. As cenas das entrevistas dadas por ele sem o
mínimo pudor e sentimento humano, permeiam uma construção artística macabra, na
qual ele se conduz como um ator perfeito em sua perversidade e indignidade.
7.Melhor Figurino. Adoráveis Mulheres.
A versão nacional também foi premiada com o filme Adoráveis Mulheres protagonizados por Thammy,
a filha de Gretchen, e Pablo Vittar . Os
figurinos das mesmas (ou dos mesmos, tanto faz) depois que Pablo virou mulher e Thammy virou homem
foram considerados perto da perfeição.
8.Melhor Montagem. Ford x Ferrari
Na versão nacional a melhor
montagem aconteceu também em uma disputa, no caso Moro x Rodrigo Maia. A montagem do Juiz de
Garantias por Rodrigo Maia presidente do Congresso, para postergar e dificultar a punição de
corruptos foi considerada uma montagem perfeita, de concepção tão bizarra quanto ardilosa.
josé Ewerton Neto é autor de Pequeno Dicionário de Paixões Cruzadas
livro de contos a ser lançado em breve .
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2020
CERVEJA, DOS PRIMÓRDIOS ATÉ HOJE
Os primeiros vestígios da cerveja
datam de 7 mil anos atrás, na região onde é hoje o Irã. Tanta beligerância que
se vê por lá nos dias de hoje sugere que os iranianos já não fazem jus a esse
fato histórico. Tivessem mais orgulho dessa ancestralidade estariam se
embriagando com cerveja e brincando carnaval ao invés de viverem em pé de
guerra (como fazem, aliás, os brasileiros).
A bebida surgiu acidentalmente:
cereais deixados ao relento, tomaram
chuva e fermentaram. Populações nômades que dependiam da caça e da coleta
aprenderam a cultivar os grãos, fixando-se junto aos campos de cereal. Nascia
assim o embrião das cidades e das civilizações.
1.Mais tarde a Mesopotâmia e o
egípcios tiveram a economia dependente da cerveja. Os operários que ergueram as
pirâmides do Egito, por exemplo, recebiam parte do seu salário em cerveja,
explicando-se assim, quem sabe, tanta perfeição arquitetônica que assombra até
osespecialistas, que até hoje não conseguem explicar tanta perfeição. Vai ver
que certa dose de embriaguez fez bem às pedras. Será que estas não absorveram o
teor alcóolico ao redor, resultando, daí, o clima de sonho monumental, que
perdura até hoje?
A elite do império romano, porém, preferia
o vinho à cerveja. Cerveja para eles era coisa de bárbaro, mas, com a queda do
império, foi a vez de a Igreja e seus padres adaptarem-se aos modos bárbaros,
aparentemente para catequizá-los. Era uma boa desculpa, e, portanto, mãos à
obra. A igreja se tornou a organização mais poderosa do mundo ocidental e a
maior produtora de cerveja. Não é exagero supor que para catequizarem os
bárbaros recalcitrantes, os padres tivessem usado cerveja benta ao invés de
água benta - o que, convenhamos, tinha
tudo para ser mais convincente do que sermões.
2.Em meados do século 18 a cerveja
passou a ser produzida em grande escala. Era a revolução Industrial, a cerveja
levada a sério como parte da dieta do trabalhador, em paralelo ao avanço da
Ciência.
A guerra Franco-Prussiana (1870-1971) perdida pela França despertou no
gênio do jovem francês Louis Pasteur a vontade de superar os alemães na
especialidade deles, a cerveja, e foi então que o cientista se dedicou a
estudar a bebida. Não demorou muito saiu o seu primeiro trabalho importante da
microbiologia, decifrando a ação de microrganismos na fermentação, abrindo
caminhos para a invenção de mais remédios e vacinas.
Resumindo: França x Alemanha, deu em
Pasteur, que deu em cerveja, que deu em ciência, que deu em remédio, que deu em
mais felicidade sobre a Terra. Só não se sabe se Pasteur bebia cerveja com
pastel, para fazer jus ao nome e ao trocadilho.
3.Até descambar na geladeira que,
como era de se esperar, também se deve, em parte, à cerveja. Carl von Linden, físico
e engenheiro alemão, foi o inventor do primeiro sistema de refrigeração ao
trabalhar para o setor cervejeiro, sendo contratado por cervejarias para manter
baixa a temperatura das fábricas com o objetivo de produzir cerveja de boa qualidade
o ano todo. Surgiu a refrigeração artificial, incluindo a geladeira.
E foi assim que, como não podia
deixar de ser, a história da cerveja tinha que acabar na geladeira.
José Ewerton Neto é autor de Pequeno Dicionário de Paixões Cruzadas,
livro de contos a ser lançado em breve
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sexta-feira, 31 de janeiro de 2020
CADA UM COM SEU FICO
A MELHOR DA SEMANA:
VOCÊ SABE A DIFERENÇA DO FICO DE D.PEDRO PARA O FICO DE GABI GOL?
O FICO DE D.PEDRO REFERIA-SE À NAÇÃO BRASILEIRA E ERA UM FICO LIBERTADOR,
O FICO DE GABI GOL É UM FICO....
COM O DINHEIRO
ENFIM, CADA NAÇÃO É DO TAMANHO
DO LIBERTADOR QUE MERECE
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
Assinar:
Postagens (Atom)






















