domingo, 15 de dezembro de 2024

5 DICAS DE LEITURA




5 SUGESTÕES DE LEITURA PARA O FIM-DE-ANO

 

Caso você seja uma pessoa curiosa e cultive o bom-humor...

 

Transcrevo a seguir 5 sugestões de leitura para o fim-de-ano, do escritor e mestre em Literatura José Neres, que incluiu em tão boa companhia o livro A verdadeira história de. Tudo...e tudo mais. O livro, do autor desta crônica e ocupante deste espaço aos sábados, está à disposição dos leitores na livraria da AMEI, shopping São Luís , sebo Cultura, Espaço e Poesia na Rua do Egito e outras boas livrarias da cidade.

 

E eis que chega o mês de dezembro. Nossos últimos dias de 2024 se aproximam e é hora de parar um pouquinho para uma reflexão sobre o que fizemos durante todo o ano. Mesmo diante de uma correria que parece não ter fim, algumas pessoas conseguem desacelerar no período natalino e acaba sobrando um tempinho para pôr a leitura em dia ou, quem sabe, escolher um livro para presentear aquela pessoa especial.

Como faço todo final de ano – até hoje não sei se deu algum resultado positivo –, aproveito para indicar alguns livros. Tomara que você se encontre em algum deles:

1 – Caso você seja uma pessoa curiosa e cultive o bom-humor, recomendo “A verdadeira história de tudo e tudo mais” (Edições AML, 2023, 114 páginas), de José Ewerton Neto. Nesse livro, você nem mesmo precisa se preocupar com a ordem em que vai ler as saborosas crônicas de um escritor acostumado a retirar do dia a dia a matéria-prima de seu labor com as palavras. Nas páginas desse livro, você ficará conhecendo algumas curiosidades que vão do futebol (a história do Vasco, do Sampaio Corrêa) até a curiosa origem da calcinha e do chá. Tudo contado de forma divertida e cheia de malemolência. Uma ótima leitura e um ótimo presente para o final de ano!



2 – Mas imaginemos que você goste de mais formalidade e pretenda se aprofundar em um assunto mais teórico. Nesse caso, recomendo “O jornal como fonte histórica” (Editora Vozes, 2023, 172 páginas), do professor José D’Assunção Barros, um dos mais respeitados nomes do estudo das Teorias da História no Brasil. Nesse livro, o autor trabalha as múltiplas relações entre o jornalismo e a história, sempre amparado no que há de mais recente nessas linhas de estudo e de forma bastante didática. É um livro para ser lido sem pressa, com a calma necessária para compreender os meandros de duas das mais importantes áreas do conhecimento humano. Ideal para você ou para aquela pessoa que gosta de novidades.



3 – Já sei, você gosta mesmo é dos clássicos e acha que não tem muito tempo a perder com os autores contemporâneos. Nesse caso, aconselho que você leia os “Contos essenciais de Machado de Assis” (Martin Claret, 2019, 692 páginas), volume organizado por Jean Pierre Chauvin, com notas de Djalma Lima. Tenho certeza de que você não irá se decepcionar com essas narrativas curtas do grande Machado de Assis. Nesse volume você encontrará desde os contos mais replicados em outras seletas machadianas até outros que são menos divulgados. A edição em capa dura está primorosa e pode se tornar um belo presente para dar ou para pedir para as pessoas queridas e que conheçam seus gostos mais refinados.



4 – Caso você goste de variar os escritores e ter uma amostra do que tem sido produzido na poesia brasileira nos últimos anos, uma boa pedida é a antologia “República do texto”, (Antologias Brasil, 2024, 324 páginas). Trata-se de um livro organizado pela escritora Nauza Luza Martins, que, sob a coordenação do poeta e advogado Mhario Lincoln, reuniu textos de diversos membros da Academia Poética Brasileira. O livro é bastante interessante e possibilita entrar em contato com a produção poética de autores de diversas partes do Brasil. O único porém é que, pelo fato de ser uma edição limitada que foi distribuída entre os participantes do livro, talvez você enfrente alguma dificuldade em encontrar algum exemplar disponível. Mas, caso tenha essa sorte, aproveite cada página!



5 – Gosta de algo mais forte, profundo e picante? Então recomendo a leitura de “A casa dos Budas Ditosos” (Afaguara, 2018, 128 páginas), de João Ubaldo Ribeiro. Talvez, no começo, você se assuste um pouco com a linguagem crua utilizada pelo autor e com as recorrentes cenas de sexo. Mas, vencido o preconceito, você entrará em contato com uma das mais instigantes histórias da literatura brasileira contemporânea. Esse livro é uma das obras mais refinadas desse talentoso romancista baiano e irá surpreender você. Tenho certeza. Caso decida oferecer esse livro de presente, prepare-se para as reações de quem o receber. Surpresa!



Bem, assim cumpro meu eterno dever de indicar obras. Espero que pelo menos uma delas ajude você a se despedir deste nosso ano de 2024.

 


 

quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

SOCORRO! AS CONFRATERNIZAÇÕES COMEÇARAM


 


FIM de ano é assim mesmo, confraternização pra todo lado.”

 

FIM de ano é assim mesmo, confraternização pra todo lado. Formaturas, casamentos, aniversários, celebrações, posses, homenagens. O que se recomenda é calma, muita calma nessas horas.

 

            1.Nem bem a festa começou lá vem o susto “Alguém viu o meu celular, estou chamando e não atende?” Claro que ninguém viu, ou, se viu, faz de conta que não. A partir daí as perguntas evoluem para: “Escuta, alguém sabe onde foi parar minha mulher? ”  Até chegar às mais dramáticas quando vai findando a madrugada: “Desculpem, mas como essa calcinha veio parar na minha mão? É de alguém?

 

             2. Mais uma horinha de bebida farta e  todos se tornam próximos o suficiente para que a intimidade suba vários tons: doido, danada, tarada, ninfa até culminar nos qualificativos mais insólitos, cujo apogeu é alcançado quando a esposa do chefe denuncia o seu apelido íntimo, toda melosa e extasiada, após o discurso do marido (que ninguém ouviu): Tosim (abreviatura de Gostosinho)

 

            3.A contenção desapareceu e agora se esconde debaixo das mesas com guardanapos, restos de comida, pedaços de papel higiênico e princípios de vômito. É quando se pergunta de onde surgiu tanta estagiária. Elas surgem de tudo quanto é lado e os comentários das esposas emburradas e ressentidas com a derrota anunciada na pista de dança - para ver quem balança mais a bunda– só termina quando uma delas cai estatelada no chão depois de um lance mais ousado para reproduzir a performance de Anitta.

 

            4.A fila do banheiro supera pela primeira vez a fila do self-service. Todos entram e saem ao mesmo tempo. Só se vê narizes fungando e manchas de pó branco nas camisas. Alguém vomita e faz um sinal de positivo. O diretor, fazendo uso de sua autoridade, resolve furar a fila e adentra o recinto.

Surpreende-se: “O que faz essa mulher aí no chão? ”  “Parece que está dormindo” responde alguém. Resoluto (é nessas horas que um diretor tem de atuar) ele chama o segurança que prontamente chega:

 “Acho que essa mulher desmaiou! ” 

“ Pode ser, mas diria que não, senhor”

O diretor espera  

 “Ela me disse que é sua amante! Certamente o senhor não a reconheceu porque está de rosto virado para o chão. Segundo ela, resolveu se esconder para evitar sua esposa que estava lhe procurando para acertarem as contas, mas acabou dormindo”.


terça-feira, 3 de dezembro de 2024

O MELHOR DA BLACK FRIDAY

 😋😃



“ Nada como lembrar as melhores ofertas que surgiram...”

 

Se você pretende globalizar um costume basta associá-lo ao consumo. Foi assim com o Halloween, até chegar a vez do Black Friday (que os brasileiros chamam de black-fraude) Nada como relembrar o melhor que já se viu desde então.

 

1.Cemitérios.

 

As promoções valeram até para a hora da morte. Belo Horizonte e Contagem 3 anos atrás ofereceram descontos de 50 %. No Rio de Janeiro   o   cemitério e crematório da Penitência ofereceu jazigos com descontos e teve gente pensando em antecipar sua morte para poder viajar com desconto para o céu (ou inferno).  Portanto, se você quiser se suicidar e não quer que sua família tenha despesa com funeral, não esqueça  do próximo  Black Friday em Novembro.  

 

1.Corruptos.

 

Logo depois da operação lava-jato houve imediata desvalorização do preço de um corrupto, mas agora que libertaram todo mundo eles estão em alta novamente com seu valor de mercado variando conforme o dia da semana e a hora do dia.

Como expandiram o tal do Black-Friday em até 7 dias para poder vender mais, nos primeiros dias da semana tem político corrupto que começa se vendendo por um carro zero. Notícias dão conta, porém, que na madrugada posterior prefeitos corruptos do interior estariam se oferecendo até por uma moto de segunda mão.

 

2.Prostituição .

 

Consta que mais de 1000 motéis cinco estrelas, promoveram preços especiais, em todo o Brasil. Serviços de prostituição feminina foram oferecidos a 3 x 4 nas redes sociais, desta vez com enorme concorrência, porém,  de sexos intermediários nas mais de   50 modalidades reconhecidas pelo Governo.

O motivo da baixa pode estar relacionado à proliferação de robôs sexuais a preço de banana. Este ano foi possível ao consumidor remediado adquirir até serviços anteriormente destinados ao público considerado VIP. Ex-BBBs cinquentonas (hoje influenciadoras) atingiram o menor patamar da história ao fim da noite.

 

3. Técnicos de futebol.

 

Fontes dão conta de que Felipão, Mano Menezes e Tite  que um ano atrás não eram contratados por menos de duas milhas foram oferecidos, por seus empresários, por um valor 5  vezes menor. Claro, o anúncio não podia ser explícito e o serviço desses profissionais foi ofertado como “Instrutores de Campo”, por exemplo. Como para bom entendedor meia palavra basta, esse tipo de promoção visava, sobretudo, atrair o mercado árabe, mas, na prática, significa dizer que se qualquer clube da série C, por exemplo, chegasse com um contrato de 200 mil, levava.


segunda-feira, 28 de outubro de 2024



ENCONTREI A FELICIDADE

            

            “ Para resolver essa parada...fui encontrar a FELICIDADE.”

 

Para resolver essa parada de extremismo político, liberdade de pensar ameaçada, custo de planos de saúde nas alturas, guerras pra todo lado, esperanças diminuindo e limão a vinte reais etc. etc. fui encontrar a FELICIDADE.

Ela própria, em pessoa, com expressão um tanto depressiva depois da Pandemia. Estava pronta para desabafar.

            - Não aguento mais.

            ( e eu que cheguei a pensa que era só eu...)   

- O quê, precisamente, Dona Felicidade?        

            - Tanta gente   atrás de mim. Tanta procura, tanta adulação, durante e, principalmente agora, depois da Pandemia.  Essa gente acha   que virei o único remédio para as mazelas do mundo. E o pior é que sequer se dão ao trabalho de querer saber quem sou. 

            - E quem você é?

            - Isso é o que eu gostaria de saber. Esperei por isso a vida inteira! Todos tentam me explicar em vão: filósofos, escritores, cientistas...  Se felicidade é isso que todo mundo pensa que eu sou, desconfio de que eu mesma nunca fui feliz e jamais vou ser.

            - Se a Sra. me permite, essa tristeza enfraquece rapidamente   pessoas sensíveis como a senhora.

            - Se fosse apenas isso... A questão é que, mesmo sem saber quem sou, de repente, me julgam capaz de resolver todos os problemas do mundo.   Até das mortes. Ora, eu não sou Deus! Definitivamente, estou pra ficar louca com tudo isso!

            -Poxa, dona Felicidade! Não sei o que dizer... Talvez...  Bem, só me resta sugerir...

            - O quê, pelo amor de Deus!

            - Que tal procurar um analista, Dona Felicidade?

            - Jamais! Conheço-os muito bem: eles me usam de forma imprópria, como se eu fosse vacina. Dizem: “procurem dona Felicidade, ela resolverá seus problemas”. Ora, tem lógica isso?

            - A Sra. tem razão. Só desejaria que, pelo menos, a Sra. continuasse feliz, para o bem da humanidade.  Senão...

            - E quem lhe disse que me incomoda ser infeliz? Acredite, com tanta gente falando asneira a meu respeito, até que gostaria de ser infeliz, só para que me deixassem em paz, compreende? Estou prestes até a adotar uma solução para mim, doa a quem doer : Infelicidade ou morte!


                        José Ewerton Neto é autor de A última viagem de Gonçalves Dias e outros contos, já nas livrarias 


 

domingo, 13 de outubro de 2024

OH, CAROL

 



Escutei essa canção pela primeira vez no alto-falante da cidade de Guimarães...”

 

Ao começar com a música Oh, Carol de Neil Sedaka, estaria iniciando a crônica –lista das músicas mais significativas para mim conforme fizera antes, em crônica publicada no jornal O estado do Maranhão, referindo-me na ocasião a livros.

Reparem que a minha lista é de músicas mais marcantes em minha vida, não necessariamente as melhores ou mais belas, até mesmo por não ser a pessoa mais indicada para isso pelo meu conhecimento musical ou erudito.

Escutei essa canção pela primeira vez no alto-falante da cidade de Guimarães, onde nasci e passei minha infância, na versão cantada por Carlos Gonzaga, morto recentemente.  Oh, como eu gostava de ouvi-la, entre boleros e sambas-canções (Como não tinha noção do inglês em que era pronunciada a letra original, a criança entendia-a como   OH, Quero!, ao invés de Oh, Carol.) 

Aconteceu   que quando vinha passar férias em São Luís (na cidade como se dizia) a convite de minha tia, Rosa Ewerton, seus acordes plangentes tocados em sua radiola ou no rádio me faziam lembrar de minha mãe, irmãos, e da cidade de Guimarães então meus olhos se enchiam de lágrimas de saudade. Ainda hoje, quando a ouço tocar ou quando a executo ao violão sua melodia remete a essas lembranças, que evocam emoções, que são tantas, como diria Roberto Carlos.

Mas a música, no que independe disso, ainda se revelaria de fato, especial, porque traz para mim, tantos ingredientes mais puros do que, deva ser uma boa música em essência: alegria, tristeza, amor, paixão, coração, emoção, singeleza e ritmo (aquelas três batidas de acompanhamento inconfundíveis e sedutoras das baladas rock) que dão o tom das melhores canções pop. Como o cantor Carlos Gonzaga ainda sussurrava em meio aos acordes declamando seu dom de amor absoluto e nostálgico então era nocaute puro.

Depois soube que seu autor, Neil Sedaka compôs essa canção inspirado em Carole King, uma amiga sua, ela, também, uma admirada cantora e compositora, daqueles anos rebeldes dos anos 70. Uma amiga apenas veja só. Portanto sua criação não foi motivada pela paixão, mas por um amor platônico, digamos assim, o que torna a canção mais especial ainda. Amores de amizade sincera e radiante entre um homem e uma mulher, como dizem os autores e filósofos, não são tão comuns.

Mas, o espaço acabou e Carole King, um dia gravou uma versão de Gracias a la vida, de Violeta Parra uma das dez mais, que, certamente, ficará para o complemento da lista, na próxima semana. 


 





quarta-feira, 25 de setembro de 2024

O LATIM NO TEMPO DAS CADEIRADAS



O LATIM NO TEMPO DAS CADEIRADAS

“ Anos mais de evolução para frente, as pedras foram substituídas pelas cadeiradas. ”

 

Nossos ancestrais pré-históricos digladiavam-se com pedras e pauladas. Mas houve a evolução...Nossa inteligência aumentou, chegamos aos idiomas, ao pensamento grego, romano, ao LATIM, às frases célebres. E às cadeiras.

Anos mais de evolução para frente, no Brasil as pedras foram substituídas pelas cadeiradas. EVOLUÇÃO?

A escolha é sua, leitor, mas pelo menos, temos o latim para nos ajudar a chegar a uma conclusão.   

1.DURA LEX, SED LEX. “A lei é dura, mas é Lei”. Nestes Tempos: A cadeira é dura, mas é lei. Obs. E mais ainda se for madeira de Lei.

2.ECCE HOMO. “Eis o homem” Pilatos apresentando Jesus Cristo à multidão. Nestes Tempos: “Eis o homem (Pablo Marçal) que levou cadeirada! ”. Outras adaptações da Lei: Nenhum homem será o mesmo após levar uma cadeirada. Nenhum homem continua o mesmo depois de um chá de cadeira. Nenhum político sabe o bem que faz ao povo uma cadeirada em um deles!

3.VENI, VIDI, VICI. “ Vim, vi e venci” Frase de Júlio César em 47ac. Nestes Tempos: Se  Datena ganhar as eleições: Fui, dei uma cadeirada, e venci!.Se for Marçal a ganhar as eleições: Fui, levei uma cadeirada, mas venci.

4.MENS SANA IN CORPORE SANO. “ Mente sã em corpo sadio. ”

Nestes Tempos: Cadeiradas + Corpo doentes + Mentes insanas = Datena e Marçal .

5.IN VINO VERITAS. “No vinho está a verdade. ” Nestes tempos: Nas cadeiradas está a verdade. Ou “Não há como uma briga de cadeiradas entre políticos para expor a  VERDADE brasileira atual. “


 

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

A BELEZA MORRE

 



A BELEZA MORRE

José Ewerton Neto

 

Guardo a impressão de que, a par da exuberância e fartura da beleza humana postas à disposição do público atual para deleite e consumo, somente duas personas da metade do século passado para cá exerceram esse fascínio a ponto de terem se transformado em sinônimos de beleza: No Brasil, Marta Rocha para a beleza feminina e, para o mundo, Alain Delon, como protótipo da beleza masculina.

O curioso é que mesmo numa época machista e preconceituosa quando esse apogeu ocorreu (anos 60 a 70) os homens não se sentiam constrangidos em revelar essa admiração com receio de   provocarem suspeição maldosa. Era comum se elogiar um sujeito bem aparentado chamando-o de Alain Delon, o que enchia de orgulho o objeto referente. Algo semelhante acontecia com o público feminino tratando-se de alusões à Marta Rocha.

Profissionalmente, é natural que Alain Delon haja perseguido sobrepor o seu talento artístico ao seu dom natural de propalada beleza física. Isso aconteceu, por exemplo, com Sofia Loren e Marylin Monroe (expoentes, na mesma época, da beleza física feminina).  Enquanto a norte-americana não o conseguiu da forma que ansiava, a esplendorosa atriz italiana impôs seu talento teatral desde cedo aferindo um Oscar por sua atuação em Duas mulheres, baseado no pungente romance de Alberto Morávia A Ciociara .  

Não lembro se Alain Delon ganhou algum Oscar de melhor ator ou coadjuvante. Assisti a vários filmes dele, especialmente os policiais, mas destaco, entre estes, uma fita que se tornou marcante em minha memória juvenil intitulada A primeira Noite de Tranquilidade. É um filme pouco conhecido, mas, neste, Alain Delon se desvencilha da decantada beleza (viciante e pegajosa em qualquer grande ator), para interpretar um professor amargurado, poético, misterioso e infeliz em sua relação conjugal, caminhando para a tragédia final que é sua primeira noite de tranquilidade: a morte.

Após sua ida soube-se que o ator que encarnou um dia o belo universal, talvez seu principal papel ao longo da vida, atormentado pela decadência física manifestou desejar ardentemente a morte através da eutanásia, o que acabou não acontecendo.

“A beleza é apenas a promessa da felicidade”, dizia Montaigne. Alain Delon há de ter sido feliz com ela, ou apesar dela, com suas mulheres lindas (Romy Shneider foi uma delas), sua misoginia “sic”   e sua vaidade, que o fazia referir-se ao astro Alain Delon na terceira pessoa. Mas a beleza também morre e o grande ator, beleza e glória eclipsadas, teve alcançada como desejada, ao fim, a sua primeira noite de tranquilidade. Tal o personagem do filme, que interpretou magnificamente.

 

artigo publicado no site https://www.immirante.com


sexta-feira, 9 de agosto de 2024

MINHA VIDA DE CAMISA LISTRADA



MINHA VIDA DE  CAMISA LISTRADA

José Ewerton Neto

 

Listas e listras. Listras são sedutoras. Nas vestes, nos enfeites e nos animais  ( zebras). Quanto às listas,  sempre fui vidrado por elas. Tenho desde o Livro das listas a até Listas  Extraordinárias, presente de minha amiga confreira,  poeta Laura Amélia Damous.

Esses dias, relendo revistas antigas deparei com uma edição da  revista Bravo ( certamente está na lista das melhores revistas já publicadas neste país) com sua lista  das cem canções essenciais da MPB.

Uma rápida olhada na seleção me fez constatar que lá estavam desde as clássicas inevitáveis até as menos votadas, da nossa cota pessoal. Do primeiro grupo Construção, Garota de Ipanema, Carinhoso, Detalhes, de diferentes compositores de peso. Do segundo grupo aquelas das quais nos apropriamos sentimentalmente na base do “somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos”, não é mesmo, Exupéry? No meu caso, lá estavam Baby, de Caetano, Ouça, de Maysa, Feitiço da Vila, de Noel, Marina, de Caymmi. Dentro desse espírito, comecei a ficar incomodado na medida em que percorria os títulos e ela não aparecia. Cadê a Camisa Listrada?

Escutei o samba Camisa Listrada pela primeira vez, quando, em criança iniciei o meu aprendizado de violão sob a batuta de meu pai, ele, um exímio instrumentista que tocava também clarinete e saxofone. Não sei o que me fascinou mais quando ouvi a canção, se a melodia repetitiva que, como no Bolero de Ravel vai num crescendo enquanto dramaticamente chega ao êxtase, ou se a letra que, com frases bizarras atordoa nossos ouvidos com precisão angelical e infantil. O início do samba “Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí”, é uma declaração de independência à brasileira, muito mais inspirada do que “Independência ou Morte”, por exemplo. Quando logo depois o samba descamba em um   “Mamãe eu quero mamar, mamãe eu quero mamar...”(expressão que mesmo quando soube que se tratava de uma gíria de época, jamais perdeu sua conotação pueril ) já o mistério e o êxtase, essenciais em toda obra de arte,  se completam.

Ora, listas! Se pretendem citar  os melhores hão de ser sempre incompletas e imperfeitas. No caso desta, quando busca as essenciais, isso me parece um artifício dos autores para se proteger dos inevitáveis esquecimentos que, no caso do genial compositor Assis Valente ( que suicidou-se na década de 50) foi apenas parcial pois incluiu sua canção E o mundo não se acabou.

Por algum motivo o samba foi considerado essencial e não Camisa Listrada ou Boas Festas, a mais plangente canção de Natal que já escutei, também de sua lavra. Vai ver que essas músicas são belas, mas não essenciais, assim como também, muitas outras , preferidas por gente de gosto, certamente,  mais refinado que o meu. Enfim, coisas de listas.

Mas a Camisa Listrada deveria estar lá. 


 

domingo, 7 de julho de 2024

O PISTOLEIRO, OU OS BRUTOS TAMBÉM AMAM


 

O PISTOLEIRO,  OU OS BRUTOS TAMBÉM AMAM

Jose Ewerton Neto

 

Um dos melhores filmes que vi,  não assisti em uma tela, mas li em uma revista de histórias em quadrinhos.  Na verdade, fotos em quadrinhos., reproduzidas dos filmes.

Em quadrinhos chamava-se O homem dos vales perdidos. No cinema se chamou ( na ótima versão brasileira do título original Shane,  Os brutos também amam ). Foi premiado com um Oscar teve  direção de George Stevens e protagonismo de Alan Ladd. 

Fiquei tão fascinado pelo que li repetidas vezes na minha adolescência em fotos P&B que jamais quis ver o filme na tela ou na tevê para não perder o encanto.

Dias atrás estava relendo a exegese do filme no mais-que-perfeito livro de Paulo Perdigão intitulado Western Clássico, quando constatei que muitas passagens de sua preciosa análise tinham correspondência na poesia intitulada O pistoleiro, publicada em meu  livro Cidade Aritmética, que ganhou um concurso de poesia na década de 90.

Teria sido minha inspiração para o poema,  anos após,  vindo do filme? Vejamos a extraordinária empatia estabelecida entre a análise feita por Paulo Perdigão e o poema,  exibida a seguir,  em estrofes da sequência do poema,  em paralelo com os recortes da referida análise.

 

1.PAULO PERDIGÃO:  (...) A solidão, a melancolia o princípio do heroísmo como atitude militar da alma, a masculinidade charmosa, o passado enigmático, esses os traços do aventureiro americano por excelência. Com eles se apresenta Shane ( o pistoleiro) , um personagem de tragédia, acabrunhado e cansado de mortes, vindo do horizonte , portador de uma aura de mistério que seduz...

O PISTOLEIRO (poema): De repente ele chegou:  Vestido de preto/ Feliz de altura/Gasto de sorrisos/Marcado de ira/ Remendado de coragem/Roubado de medo...Montado num corcel branco e relinchando pelo cano de sua pistola de prata/ Saboreando tantas vidas mortas no fumo preto do seu charuto grosso.

2.PAULO PERDIGÃO: Shane  é, antes de tudo, um trágico. Ele conduz a solidão, estatuto universal do herói. A solidão lhe dá grandeza e mistério Partindo sem destino para fugir à solidão, o aventureiro sempre a encontra em cada momento de sua jornada. Sozinho, ao chegar,  Shane continuará só,  entre amigos eventuais e adversários que o provocam.

O PISTOLEIRO (poema): (...) E , enquanto seu olhar de cobra/ feria o espaço e maltratava o infinito/O sol se escondia, covarde! / atrás de uma nuvenzinha qualquer. O fio que separa a vida da morte encurtou / até tornar-se um ponto/, maior, por um instante ainda/ que o ponto final / E a morte abriu  sua imensa boca

3.PAULO PERDIGÃO: Ao terminar o duelo, Shane percorre o saloom com os olhos. Uma expressão de tristeza pelo que acabou de fazer. Então, a mesma violência que produziu sua vida, paradoxalmente o conduzirá cedo ou tarde, à morte.

O PISTOLEIRO (poema): Saiu do Saloom/Desnecessário seria perguntar-lhe pelas balas/ ou o porquê de sua tristeza depois delas/ A verdade dos cadáveres valia-lhe um pouco mais/ Tanto mais agora que o sol da tarde de ira se punha no seu sorriso. /Mas não chorou, contudo,  por seu destino tragicômico/ De pistoleiro cruel morto por um THE END.

Que notável semelhança, na abordagem do mito do pistoleiro, intrínseco aos temas, não é mesmo, caro leitor?  Caso apreciem cinema, como eu,  sugiro que assistam o filme e leiam ao livro, uma edição da L&PM.E, se tiverem curiosidade vejam o poema no livro Cidade Aritmética que está na livraria AMEI, em seus últimos exemplares.  

quarta-feira, 12 de junho de 2024

QUANTO VALE UM NAMORADO?

 





QUANTO VALE UM NAMORADO

José Ewerton Neto

 

          Em  homenagem ao DIA DE HOJE uma oportuna  reflexão sobre o tema:

O Namorado, assim como outras moedas, depende muito do valor de  sua cotação no mercado. Em passado distante já foi moeda forte, embora Noivo valesse mais. Os tempos mudaram, a revolução dos costumes neste século foi tão veloz que uma namorada passou a ter maior valor que o equivalente masculino, principalmente entre as mulheres. Recente reportagem do Fantástico informou, no entanto, que os casamentos estão em alta de novo, especialmente os casamentos comunitários,  pelo baixo custo inicial aparente.

As mulheres voltaram a sonhar com um casamento de véu e grinalda, rumo ao altar ou a um Pix sempre acessível.  O certo é que, para facilitar os casamentos, hoje em dia qualquer pedaço de  praia serve como igreja, qualquer dono de bar serve como padre  e  qualquer  azulzinha serve de hóstia – com a vantagem de adiantar uma forcinha para o futuro marido, se ele for do sexo masculino.  As coisas, como todos sabem, não andam lá muito bem para o  lado da masculinidade.  

O certo é que a serventia principal de um namorado que sempre foi  a de elas se precaverem da Anuptafobia (medo de ficar solteira) parece ter voltado com alguma força.

Afora isso, até a sua segunda maior utilidade (como adorno pessoal para mostrar para as amigas) entrou em desuso com a possibilidade de elas usarem as soluções de relacionamento com a inteligência artificial oferecida pela net,  em quem elas descobriram uma enorme vantagem: não precisam fingir o orgasmo.

                   A verdade é que em comparação com outras moedas igualmente  populares  Namorado, ao contrário do dólar ou do euro, é uma moeda difícil de ser guardada. Não dá para guardar no bolso ou na mochila,  dentro do vestido ou em outro esconderijo. Não dá para retirá-los numa caixa eletrônica nem depositá-lo em bancos (não só porque os bancos comuns não aceitam,  como também os da praça nem  existem mais para namoro - o romantismo acabou).  Há ocasiões em que elas tentam guardá-lo dentro de si, mas, infelizmente, isso dura  pouco tempo.

                                      Ao indagar-se a qualquer uma delas a razão pela qual, no mundo de hoje em que são cada vez mais independentes,  ainda perdem tempo investindo em namorados ao invés de no bit-coin, por exemplo,  muitas  respondem que mais vale um namorado na mão que dois voando  embora saibam de antemão que sempre acabam pagando com juros. A sorte é que não são juros reais, mas disfarçados: “Juro que te amarei por toda vida!”

                           

 


quarta-feira, 1 de maio de 2024



Tenho a presunção vaidosa de propagar que o pintor Modigliani foi introduzido na fala de dois personagens, de contos,  de minha autoria em momentos distintos ( inconscientemente, ou seja, de forma não deliberada pelo autor) . Também  está presente na capa do livro O pequeno dicionário de paixões cruzadas, que considero muito bem realizada, de autoria de Natanael Castro.

Sem respaldo técnico para dizer isso, ou seja, falando apenas como apreciador, vim a admirar o Impressionismo como a escola da arte da Pintura cujos representantes atingiram a quintessência  e, entre eles, para o meu gosto pessoal, Amadeo Modigliani.

Lá está, nos retratos do pintor italiano, a extraordinária melancolia ( favor não confundir com tristeza) em posturas onduladas, extraídas da arte japonesa , cujo clímax é realçado pelos olhos vazados de seus modelos nos quais é possível intuir todo o mistério da alma humana, tão difícil de ser descrita por qualquer formato de arte. Assim, em determinados quadros, no meu modo de ver, seus olhos vazados dizem tanto da ambiguidade dos sentimentos humanos quanto o famoso sorriso da Mona Lisa, outro apogeu artístico.

Já conhecia um pouco de sua trajetória de vida infeliz, peculiar, aliás, a  tantos artistas da época, inclusive impressionistas, quando procurei conhecer um pouco mais do artista no livro Paixões de Rosa Montero, que trata das grandes paixões merecedoras desse nome  na humanidade.  Entre elas está a de Modigliani e de Jeanne Hebuterne, uma bela jovem que foi levada por essa paixão ao precipício, despencando, mais que do terceiro andar de um prédio,  de seu arrebatamento sentimental,  atraída pelo caos interno do próprio Modigliani.

Onde poderia se ocultar e, ao mesmo tempo, transbordar tanta paixão íntima a não ser naqueles olhos vazados? Eis aí mais um ingrediente que cabe perfeitamente naqueles retratos   e que podem explicar toda sedução que me despertaram as pinturas de Modigliani. A paixão.


domingo, 3 de março de 2024

NELSON RODRIGUES 2024


NELSON RODRIGUES 2024


https://www.imirante.com


 

Se Nelson Rodrigues, o gênio da crônica e do teatro,  40 anos atrás já acertava todas, imagina se vivesse hoje.

 

1.A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.

Mudou para pior. Hoje não há pior forma de solidão que  a companhia do som de música de dupla sertaneja.

2.Só os canalhas sabem rir.

Com que perfeição  sorriem nos dias de hoje alguns participantes do BBBrasil! Já repararam?

3. A opção do brasileiro está  entre a angústia e a gangrena.

Decididamente, a coisa evoluiu para pior. Hoje a nossa opção é entre Lula e Bolsonaro.

4.O brasileiro é de uma profunda religiosidade. Conheço um sujeito que tem 5 religiões.

A fé aumentou mesmo. Já vi gente com mais de dez  religiões, incluindo o Flamengo e a feijoada de sábado.

5.O psicanalista é uma comadre bem paga.

Hoje a diferença de um psicanalista para uma comadre é que a comadre fofoca a vida dos outros. O psicanalista  fofoca a vida do paciente.

6.Num casal há sempre um infiel. É preciso trair para não ser traído.

Enfim, Nelson antecipava que em uma relação sentimental, nunca dá empate, sempre um dos dois está ganhando. Se você desconfia que  está dando empate, é porque já está perdendo. Por via das dúvidas, pergunte a sua parceira (o) quem é quem nas suas fantasias sexuais. Claro que ela (o) dirá que é você. Finja que acredita.

7. Hoje o verdadeiro sábado é a sexta-feira, dia em que a virtude prevarica.

Como a prevaricação aumentou atualmente todo mundo começa a Sextar na quinta e vai chegar o dia em que vai segundar no domingo.

8. O sujeito que nega a existência de Deus devia ser amarrado num pé de mesa e ficar a beber água de gatinhas, numa cuia de queijo Palmira.

Nelson, como sempre,  devia ter razão, mas pior deveria ser o castigo para aquele que se diz agnóstico. Esse tem medo de assumir que é ateu ( por causa do inferno)   mas  quer posar de entendido em Ciência exibindo um nome bonito para se doar charme e credibilidade. Ou seja, por conveniência quer ficar em cima do muro. A esses é bom lembrar que Jesus Cristo disse: “Prefiro os quentes ou os frios. Porque os mornos, eu os vomitarei. “

8. Só existem duas coisas infinitas. O universo e estupidez humana.

Vladimir Putin, Benjamim Netanyahu e os terroristas do Hamas estão provando neste exato momento  que a estupidez humana ainda é maior. 





 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

NO RASTRO DE MÁRIO QUINTANA

 



SEGUINDO O RASTRO DE MÁRIO QUINTANA


 

Gosto de entrevistas. Quando se trata de escritores consagrados quase sempre se extraem boas reflexões sobre o ofício de escrever, de fazer arte e, principalmente, de viver.

No livro Viver&Escrever de  Edla Van Steen, que acabei de ler,  entre tantos escritores entrevistados privilegiei as respostas do saudoso poeta  Mário Quintana. E é no rastro de algumas de suas intervenções plenas de arguta lógica e sabedoria que  me referenciei para concatenar esta crônica.

1.Você se lembra de quando e onde descobriu que queria e podia escrever versos?

Ser poeta não é uma maneira de escrever. É uma maneira de ser. O leitor de poesia é também um poeta. Para mim o poeta não é essa espécie saltitante que chamam de relações públicas. O poeta é Relações Íntimas. Dele com o leitor. E não é o leitor que descobre o poeta, mas o poeta que descobre o leitor. Que o revela a si mesmo (...)  

De fato, na época dessas entrevistas, o poeta com notável premonição já antecipava o que está acontecendo hoje,  em larga escala , nas redes sociais.

Alguém duvida de que estas inauguraram um novo tipo de poeta: aquele que se tornou mais que poeta, um verdadeiro Relações Públicas de si mesmo?

2.Tentou alguma vez escrever conto ou romance?

(...) Depois de algumas tentativas reconheci que os meus contos só tinham um personagem: eu mesmo. Desisti.

Como seria bom para a literatura se todos aqueles que, carentes de ideias para suportar um romance, escolhem a si mesmo como foco e desatam páginas e mais páginas falando de suas elucubrações, tendo o próprio ego como centro de  gravidade, percebessem isso!   Como seria bom – diria- se tivessem a notável honestidade de um Quintana e desistissem de escrever romances.

3.Gostaria de comentar algo sobre a poesia de cunho social e político?

A poesia engajada? Eis aí uma questão com que, em certas épocas, costumam serem assaltados os poetas. Impossível não leva-la em conta quando se pensa no que fez pela abolição um poeta como Castro Alves. Mas querer obrigar todos a ser Castro Alves é forte. E, convenhamos, uma boa causa jamais salvou um mau poeta. Essa gente poderia fazer muito mais pelo povo candidatando-se a vereador.

Lembro que, na época em que viveram poetas como Castro Alves e Maiacóvski, estes detinham, por força do alcance da literatura, muito maior poder de alavancar multidões em torno de uma ideia. Então não havia a concorrência da imagem, disseminada pela chegada da televisão.  Hoje me parece haver certo desperdício no engajamento absoluto de certos poetas,  guardando a ilusão de que irão modificar o mundo a partir de seus escritos.

Quando são bons poemas, evidentemente, a boa poesia resiste a qualquer enquadramento, mas quando não são, acho que vale a lição de Mário Quintana:

Uma boa causa jamais salvou um mau poeta!.

Etc etc etc. Com o perdão de Quintana, sugiro que o leiam sempre. Esta é de uma edição de 1981,  Coleção LP&M Pocket.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

REVEILLON 2024: PRAZO DE VALIDADE

 



Tudo tem seu prazo de validade. Até o Universo que é infinito tem seu prazo de validade. E quem o determina é o tempo que você, humano, vive.  

Desconfio que o Prazo de Validade das coisas e das pessoas nunca foi  levado a sério como deveria pelas autoridades tanto é assim que quando você vai adquirir qualquer produto  a coisa mais difícil é descobrir onde se esconde o prazo de validade do mesmo

Mas estamos no Natal. Será que alguém se lembra de perguntar   qual é o Prazo de Validade do seu Natal atual ? Não, não estamos falando dos Perús, dos Panetones, das ameixas etc. etc. Estamos falando do Natal em si. Quanto tempo  vão  durar seus sorrisos, suas promessas, e sua  vontade de confraternizar com o resto do mundo?

1.PRAZO DE VALIDADE DO NATAL

Embora seu Natal tenha sido almejado  para durar o ano inteiro, você sabe que este não perdurará  tanto tempo assim. O problema é que o prazo de validade do seu Natal depende muito mais de você do que dele.

Ora, se você sequer acredita em Deus e apenas faz de conta que acredita no espírito de Natal e na Ressurreição sem sequer se esforçar, no dia festejado do nascimento de Jesus Cristo,   em conhecer o simbolismo de sua mensagem e mistério,  como esperar que seu Espírito Natalino possa durar?  Fácil é chegar à conclusão de que adulterado pela propaganda  e pelo consumismo o  Natal , hoje em dia,  está chegando com prazo de validade vencido. Infelizmente. 

2.PRAZO DE VALIDADE DO REVEILLON

E do Réveillon, o que dizer? Só consigo entender tanta loucura na festa do réveillon como a abrangência de promessas e perspectivas de um  mundo melhor . Só isso explicaria tanta badalação pela mera passagem de um ponteiro na marcação de um tempo comum.  O  dia 31 de dezembro à meia noite, quer queiram quer não,  não passa do registro cumprido mecanicamente pelos ponteiros dos relógios sem nada de especial. O tempo é relativo, dizia Einstein, mas não tem etiqueta.

Porém, quando programas deletérios e chatos como o   BBBrasil em sua centésima edição são anunciados antes mesmo da virada do ano, você é imediatamente assaltado pela premonição de que o Ano-Novo não trará nada de novo, e todas as demais desgraceiras como essa, vão continuar:  enchentes, roubos, politicagens, extremismos da direita , da esquerda, do céu, e dos infernos.  

Portanto, sabedor que o prazo de validade do réveillon 2024 poderá ser  muito curto, caro leitor, apresse-se. Sua duração será o tempo de tomar 3 ou 4 cervejas, ou cinco doses de cachaça e acreditar que o seu Flamengo, desta vez,  vai ganhar um título. Pelo menos um.