domingo, 15 de setembro de 2019

SEXO, SEXO, SEXO. O REMÉDIO PERFEITO!









Descobri, em reportagem recente deste jornal, que 6 de Setembro  é o dia internacional do sexo, data assim escolhida como  uma alusão à prática  do  69. Complementando,  a reportagem informava o que tudo mundo, mais ou menos, sabia:  SEXO é o melhor remédio.
            As razões, explicadas cientificamente, aqui não carecem ser esmiuçadas. Enumeram-se as doenças e dores para as quais funciona que é uma maravilha:   1) Para enxaqueca, 2) Para fortalecimento dos ossos 3) Para combater a incontinência urinária 4) Para aliviar as cólicas de TPM. 5) Para melhorar o aspecto da pele 6) Para melhorar o sono 7) Para aliviar o estresse 8) Para queimar calorias 9) Para aumentar a imunidade contra infecções , gripes e resfriados 10) Para envelhecer melhor e... Enfim, trata-se de um remédio tão eficiente que não é exagero se conjecturar que o sexo seja bom também para morrer melhor.
            Com tantos atributos o que se lamenta é que ainda não seja reconhecido como tal pela ANVISA, o que só pode ter origem preconceituosa a partir do que se admite como politicamente correto. Uma primeira providência para desconstruir o ‘pecaminoso’ que ronda a atividade sexual seria passar a reconhecer melhor seus propagadores e agentes. Urge, por exemplo,  que os motéis deixem de ser instalados apenas em avenidas e locais obscuros e passem a existir em locais de grande visitação vindo a denominar-se , ao invés de motéis, clínicas de saúde. O mesmo vale para prostitutas que passariam a ser reconhecidas como profissionais da saúde pública com direito a aposentadoria por tempo de serviço e direitos equivalentes aos que lidam com a saúde como médicos, enfermeiros e farmacêuticos.
            Restaria ao Ministério de Saúde distribuir bulas explicativas à população mais ou menos da forma que segue:    

            Composição: Trata-se de um remédio natural  cujos principais componentes químicos e físicos são trilhões de células desenvolvidas a partir de um código de crescimento chamado DNA até se constituírem   seres humanos. A otimização  dos efeitos de SEXO como remédio exige que haja conjunção de dois indivíduos para tanto, preferencialmente.  

            Posologia: Embora aplicado e ingerido comumente em horários noturnos, SEXO não tem restrição de horário, podendo ser consumido a qualquer hora do dia. Quanto ao local dá-se preferência para locais pouco movimentados e com baixa visibilidade. Essa restrição tem a ver com certo grau de paroxismo e excitação que, surgindo logo em seguida a aplicação do remédio, pode fazer com que seja confundida sua forma de utilização com a de alguém sob o impacto de alguma possessão ou loucura.    

            Precauções: Embora liberado sem a obrigatoriedade de receita médica,  recomenda-se não exagerar na dose o que pode viciar os pacientes tornando-os obsessivos. (Obs. Um exemplo disso foi a cantora Anitta, presentemente sob  cuidados médicos).  

            Efeitos Colaterais: O principal efeito colateral acontece depois de 9 meses e tem a ver com o surgimento na barriga da receptora  daquilo  que convencionou-se chamar de filho, nem sempre bem-vindo, infelizmente. Neste caso, para evitar, deve-se socorrer de uma camisinha enquanto se estiver tomando o remédio.   Os demais efeitos colaterais são considerados contornáveis sem uso de outro remédio: paixão, obsessão, perda temporária de raciocínio  e outras manias.             
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com  

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis 





sábado, 31 de agosto de 2019

TUDO É MENTIRA. NADA É VERDADE





Quem -  de verdade - encara sua própria verdade? Isso é muito raro, esta é a verdade.
E nem mesmo   isso acontece porque o conceito de verdade seja complicado. Lembremos Jesus Cristo diante de Pilatos. O tribuno romano lhe perguntou: Quem é você? – Eu sou a verdade – respondeu Cristo. Pilatos retrucou: - E o que é a verdade? – Jesus Cristo, silenciando, nada disse.
Podem-se imaginar diversas  soluções para a resposta silenciosa daquele que se intitulava filho de Deus. Desde a de que ele se calou porque não sabia o que era a Verdade ( o que seria absurdo para um farsante que se quisesse passar por filho de Deus ) até a mais razoável,  que é a de que a Verdade não necessita de explicação. Ou em outras palavras, a verdade mais profunda e essencial dispensa palavras.
Talvez, por outro lado, quisesse também insinuar, como consequência,  que esse negócio de verdade não se deve cutucar com vara curta porque pode sair caro para aquele pergunta. Muito antes de Cristo, Confúcio, o filósofo chinês ensinava: “Conhece-te a ti mesmo” o que, em verdade significa: “Conhece a tua verdade”. Porém, nos dias que correm, em que as pessoas se amontoam à procura dos outros , fugindo de si mesmas (no Brasil em shows de música sertaneja de qualidade paupérrima , na mais desgraçada das ilusões), quem quer saber disso?
Estaríamos vivendo a plenitude de uma era em que as verdades manipuláveis e coletivas tornaram-se  mais interessantes em desfavor das verdades individuais e suas completudes? Deduz-se que sim, porque as verdades não estão ocultas, pelo contrário estão facilmente ao alcance das multidões ainda que estas não queiram pensar nisso Os políticos em sua maioria escancaram suas verdades (o tirar proveito a qualquer custo)  mas mesmo assim se confia e se vota neles;  os jogadores de futebol não ocultam as suas ( a obsessão pela grana, sem comprometimento com a camisa que vestem –que se reflete no fato de que nenhum jogador do Flamengo, por exemplo, levantou a voz para se solidarizar com as famílias dos  jovens assassinados no ninho do Urubu) mas,  mesmo assim, há quem se engalfinhe e morra por eles. As celebridades da mídia, por sua vez  exibem as suas ( a venda de suas felicidades baratas está na ordem do dia, mas mesmo assim há multidões dispostas a brigar nas redes sociais pela  escória  dessas felicidades ).
A verdade incomoda os seres humanos não de agora, mas nunca foi tão de somenos como hoje. Não é à toa que  gente sábia cravou que um ser humano não passa da soma de suas ilusões e que não suporta a verdade.
Tanto não suporta a realidade que até hoje os seres humanos se recusam a reconhecer gorilas e chimpanzés como do mesmo tronco ancestral que iniciou sua caminhada neste planeta.  E que são capazes de tratar os demais animais com torturante crueldade para se  alimentar numa matança desumana e cruel ( sem sequer amenizar seus sofrimentos)  como mostra uma edição da revista Superinteressante,  numa verdade que  jamais  seria exposta no Fantástico, por exemplo, pois tem que ser evitada para não ensombrecer as delícias dos churrascos, comilanças  e comemorações.
Verdades? Pra que elas servem ou serviram um dia? Ora, deixar a verdade pra lá sempre foi muito melhor.   Se ainda houver verdades nesta terra quem quiser que procure a sua. E que morra com elas!
                                                                       ewerton.neto@hotmail.com


José Ewerton Neto é autor de O ofício de matar suicidas, que na primeira
edição se chamava O Prazer de matar


sábado, 24 de agosto de 2019

A LEI DA AUTORIDADE DO ABUSO






Há por aí um país em que puta goza, gigolô tem ciúme, traficante fuma maconha e comunista é de direita. Por mais que muita gente não saiba, ou finja não saber disso para não ter que pensar a respeito, esse país é o nosso Brasil e precisou ser definido dessa forma no século passado pelo sagaz e  irreverente cantor Tim Maia para que pela primeira vez nos déssemos conta do quanto é, frequentemente,  bizarro, afrontoso e absurdo viver neste país em que vivemos.
E olha que em termos de gigantismo do  absurdo o que disse o cantor é muito pouco diante do que se vê até hoje! Tivesse um pouco mais de requinte Tim Maia teria complementado: e em que puta goza,  é artista de cinema e pastora de igreja; em que comunista é de direita , milita no Centrão e tem filho de esquerda;  em que traficante fuma maconha, se elege com cocaína e dá festa com ecstazy; em que gigolô tem ciúme, casa com artista e vira celebridade.
Sem contar que tantos anos  depois que Tim Maia se foi, os absurdos evoluíram  a ponto de o Brasil ser hoje também um país em que bandido tira férias, jogador de time grande morre queimado em centro de treinamento,  mala entupida de dinheiro não tem dono e ateu reza pra Deus, pra Exu, pra Buda e para Maomé. É mole ou quer mais?
Pior é que tem. Quando no século passado um senador da república disse que esta era uma Nação feita por bandidos para bandidos não previu que as gerações seguintes fariam tudo para sacramentar  o que ele disse.  Bote-se, pois, na conta dessa estranha  vocação para o absurdo ( para não se atribuir a coisa pior ) a lei recentemente criada  para proteger bandidos intitulada Lei do Abuso da Autoridade, segundo a qual não se deve punir  o bandido , mas sim aquele que o prende,  enquanto  estabelece que é abuso de autoridade prender o bandido, mas não soltá-lo. Nada mal para um país em que a primeira assembleia constituinte reuniu-se  numa antiga cadeia pública. Faz sentido, ou não?
Pobre Tim Maia!,  não  viveu a ponto de ver sua irônica frase aperfeiçoada com tanto esmero. Não chegou a ver figuras como Renan Calheiros e Gilmar Mendes, estabelecidos como representantes do povo,   e, portanto, devendo ser guardiões da moralidade, saltitando de felicidade com a nova lei, da mesma forma com que  traficantes e meliantes  vibram por viver em um país  que reserva sempre uma absurda cota de leniência para criminosos de todo tipo, principalmente  os corruptos .
A revolta do povo com essa tal lei está dando tanto o que falar que escutei, em uma livraria,  uma conversa de um grupo de idosos na qual um deles   ponderou  que ainda bem que não havia   a tal Lei do Abuso da Autoridade na época de Jesus Cristo. Senão ele teria sido preso por abuso da autoridade ao expulsar a chicotadas os vendilhões do templo, comerciantes corruptos que usavam a Igreja local para enriquecimento fácil.
Impulsivamente,  dei asas à minha imaginação para conceber a cena. Os acólitos dos infratores  afrontando  Jesus Cristo após os criminosos terem sido enxotados. 





-Com que autoridade  fazes essas coisas?
- Sou filho de Deus, não posso ver maculada sua santa casa.
- Tem provas disso?
-Não? Não preciso de provas.
-Considere-se preso então, por abuso de autoridade.  

José EwertonNeto é autor de O ABC bem humorado de São Luis



sábado, 17 de agosto de 2019

SEI SOU NEGRO DE COR





Uma nuvem de mistério pairou  sobre o ocaso da trajetória de três de nossos grandes cantores da década de 70.   A dúvida sobre Belchior era “Por onde andará Belchior?”; sobre Geraldo Vandré “O que foi feito de Geraldo Vandré?” e sobre Wilson Simonal  “ Como pode ter desaparecido depois de um sucesso tão avassalador?”
Sobre Simonal vamos encontra-lo em começos da década de 70, pleno e esfuziante como show-man e apresentador. Mas não era apenas isso, Simonal era muito bom cantor: Juca Chaves e Jô Soares o consideravam o melhor cantor do Brasil. Para Maria Bethânia era nota 10 e melhor do que Chico Buarque. Idem Vinícius de Moraes.  Para Roberto Carlos era um dos três melhores do Brasil ao lado de João Gilberto. Ah, sim, tem mais: Wilson Simonal era negro, envolvente, e ostentava a riqueza adquirida. Teria isso alguma coisa a ver com seu declínio? Mas o que aconteceu mesmo?





Vamos ao que sei de sua ótima biografia Simonal, de Gustavo Alonso:
 Em pleno apogeu Wilson Simonal montou sua própria empresa visando maximizar seus lucros e sua imagem.   Ao suspeitar de que estava sendo lesado, socorreu-se de amigos que tinha no DOPS ( a polícia da ditadura) para dar uma lição no seu antigo contador. Em tempos de repressão, o episódio ganhou contornos de escândalo nacional, quando a vítima denunciou o ocorrido. Isso bastou para que intelectuais da esquerda passassem a acusá-lo  de informante e traidor.
Wilson Simonal tornou-se a bola da vez. Tudo começou quando o Pasquim o taxou, em primeira página, de dedo-duro e traidor. A partir daí o cantor encarnou para  os jornalistas (que se investiam da carapaça de resistentes ao regime) o protótipo do abominável e execrável. Punir os dedos-duros era uma das intenções declaradas do Pasquim . O cartunista Jaguar desenhou Sig, o mascote do jornal  como uma estátua da liberdade em que lia-se  o mandamento “Não dedurarás”. 
Fecharam-lhe as portas. A Rede Globo  deu para trás . O circuito universitário o isolou. Em poucos dias seu talento e charme que antes magnetizavam plateias foram soterrados Até as minorias o esqueceram. (Estranhamente, até hoje, inclusive, sua bela composição de exaltação à raça negra Tributo a Martin L. KIng). Os colegas  viraram-lhe as costas, esquecidos de que, além de ter ajudado o início da carreira de Chico e Caetano, Simonal foi o primeiro a gravar Toquinho.
Havia se transformado, a partir de uma Fake-news da época,  em um Negro Dedo-Duro. Num gesto desesperado e vão solicitou ao Ministério da Justiça pós-ditadura o desagravo que tanto necessitava. O documento o reabilitou, nunca se provou que tivesse sido informante, mas era tarde demais, a injustiça se perpetrara.
Um único  gesto de solidariedade lhe foi prestado por Geraldo Vandré, que o visitou, ao fim, sendo, talvez,  o único dos seus colegas cantores com legitimidade para isso, por ter enfrentado , de fato a Ditadura. Vandré  nunca foi um aproveitador de ideologias, como disse Millor Fernandes de Chico Buarque de Holanda ao ser perguntado porque a amizade entre ambos acabara  




“Não confio naqueles que lucram com a ideologia que defendem”.
Simonal não era político e nem propagava ideologias. Apenas, ao seu modo, defendia a sua raça. Um grande cantor cujo filme a seu respeito, recém- lançado  e anunciado, merece ser visto por admiradores ou não.    
                                                                                                                                                                                                        ewerton.neto@hotmail.com

José Ewerton Neto é autor de O Ofício de matar suicidas 





sábado, 10 de agosto de 2019

TORMENTO DE TODO TIPO





artigo publicado no jornal O estado do Maranhão



Descobri a palavra outramento. Estava fazendo uma pesquisa sobre Fernando Pessoa quando me deparei com esse termo, que me soou bizarro mas,  ao mesmo tempo,  instigante. E, mais ainda quando conheci seu verbo correspondente: Outrar-se. Fiquei imaginando como se conjugaria o dito cujo: “Eu outro-me, tu outras-te, ele outra-se...” e por aí vai,  salvando-se quem puder.
Se o termo não deve constituir novidade para os especialistas na obra do poeta lusitano imagino que alguns leitores estejam, assim como eu então, querendo saber do que se trata.  Outrar-se é fazer-se de outro, adotar várias personalidades dando-lhes vida e independência como fez Fernando Pessoa com seus muitos heterônimos.
Por indução, comecei a pensar em algumas outras palavras que, na esteira da invenção do poeta, cairiam muito bem para explicar certas atitudes comuns nos dias que correm.  

1,Patriotamento.

Patriotamento (nada a ver com patriotismo) seria a atitude de alguém  se produzir como patriota, investindo nisso para tirar proveito na competição da alavancagem social .  Aliás, o que é mesmo ser patriota?
Guardo a convicção de que qualquer cidadão honesto, probo e cumpridor de seus deveres faz mais pelos cidadãos e sua Nação  do que um outro que sai por aí beijando a bandeira nacional, cantando hino e torcendo por time de futebol em época de copa do mundo.  Patriotar-se seria a ação correspondente a essa velhacaria.
Se alguém não captou a semântica exata deste neologismo proposto nem precisa recorrer a Samuel Johnson que dizia,  com muita propriedade,  que o “Patriotismo é o último refúgio dos canalhas”. Basta observar ao redor. O que tem de gente patriotando-se neste país dá  para encher vários estádios de futebol.  

2.Corruptamento.

É o termo faltante em nosso dicionário capaz de traduzir a atitude, tão comum hoje em dia, daquele que se adapta à corrupção não pelo talento (corrupto natural), mas por costume ou mimetismo. Ou seja, como se já não bastassem os corruptos nascendo a torto e a direito adicione-se às desgraças deste país o Corruptamento, que viria a ser uma contaminação, um vício, ou até mesmo um aprendizado.
Corruptamento esse  que tem se tornado tão frequente na vida deste país que até mesmo gente boa,  tida como incorruptível,  sucumbe aos seus atrativos ou sua contaminação,  como por exemplo na mudança de atitude em relação ao juiz Sergio Moro. Sobra para essas pessoas, vítimas do corruptamento, abrirem a boca com feroz loquacidade (imitando a fala abjeta e oportunista de Gilmar Mendes) para vociferar contra o juiz Sergio Moro, 









justamente ele, um caçador de corruptos que botou na cadeia, indistintamente, políticos de todas as ideologias e partidos com o propósito de limpar o país  e que, surpreendentemente, não conseguiu agradar a todos;  mesmo conseguindo a proeza de, caçando corruptos, devolver a todo cidadão brasileiro  uma parte do  dinheiro que lhes foi roubado.
Pessoas assim, que não são corruptas profissionais ou de nascença,  mas abrem a boca para vociferar contra autoridades bem intencionadas, tentando acobertar seus dignos propósitos e  seus feitos que são de todos; a bem dizer corruptaram-se, o que, contudo,  ainda não é o mesmo que corromper-se. Pelo menos por enquanto.
                                               ewerton.neto@hotmail.com

José Ewerton Neto é autor de O Ofício de Matar Suicidas





domingo, 4 de agosto de 2019

FILA DE ÚNICOS!




De todas as listas especiais talvez nenhuma seja tão única quanto esta, justamente por ser uma lista de...ÚNICOS

1.Elvis Presley  fez apenas um único show fora dos USA. Foi no Canadá em 1957.
Isso deve ter sido lamentável para seus fãs do resto do mundo, que não puderam vê-lo pessoalmente. Em compensação, tendo morrido cedo, se livrou de ter participado do Rock in Rio, onde acabaria sendo chamado de gordo decadente e tendo de cantar com Luan Santana. Já pensou que desgraça?

2.O Pagador de Promessas (1962) de Anselmo Duarte  foi o único filme brasileiro premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na França.
Promessas e mais promessas foram pagas pelos diretores que o sucederam para que repetissem o feito, mas até hoje isso não adiantou.

3.Uma única pessoa acompanhou o caixão de Mozart da Igreja ao cemitério, onde foi enterrado em uma vala comum.
Esse fato concretiza uma verdade absoluta. Não se mede a glória póstuma de uma pessoa pela quantidade de gente que vai aplaudir seu caixão. Essas enormes e barulhentas aglomerações vistas nos enterros de políticos ou autoridades, quase sempre medíocres, serve pouco para a sua memória e, menos ainda, para o próprio defunto.

4.O único escritor da língua portuguesa a ganhar O Prêmio Nobel de Literatura foi José Saramago.
Pois é, nem Fernando Pessoa, nem João Cabral de Melo Neto! Enquanto isso, Chico Buarque de Holanda foi o único cantor a ganhar o prêmio Camões, o Nobel da Língua Portuguesa.  
Quem sabe se Milton Hatoun, ou  Cristóvão Tezza,  pegassem um violão e começassem a cantar teriam também, um dia,  chances de abocanhar o mesmo prêmio.   
5. O famoso escritor Oscar Wilde escreveu apenas contos, exceto um único romance: O Retrato de Dorian Gray.
E que romance! Que ideia genial! Emily Bronte também inglesa, também escreveu um único romance O Morro dos Ventos Uivantes. E que romance! Que ideia genial!

8.O morcego é o único mamífero que voa.
Na realidade, o homem também, mas de avião. E  possui também o dom de viajar mais do que voa, a maioria das vezes no mesmo lugar.

9.O elefante é o único animal que tem 4 joelhos. E o chimpanzé é o único animal que é capaz de se reconhecer no espelho.
 O chimpanzé, portanto,  é capaz de se reconhecer no espelho , ao contrário do homem. Uma prova disso são as fotos das colunas sociais abarrotadas de humanos assemelhados a chimpanzés, sem que estes se reconheçam. E menos ainda os repórteres, que vivem propagando que nesses encontros  só tem gente bonita.  

10. O caracol faz um único acasalamento na vida. Que dura  doze horas.
Os caracóis deveriam ensinar aos seres humanos o que fazer também para terem um acasalamento longo e um casamento curto já que, hoje em dia, o acasalamento dos caracóis está durando mais que os casamentos dos humanos.

11. A única estrela que fica acima da frase Ordem e Progresso na bandeira Nacional é a Spica ( Alfa da Virgem) representando o Estado do Pará.
Só não se sabe é porque o Pará foi Parar por lá. Quem souber informe à Redação.  

12.Deodoro da Fonseca e Hermes da Fonseca foram os únicos presidentes do Brasil que não tiveram filhos.






Já o único presidente do Brasil que teve 4 filhos homens e botou um deles para ‘fritar’ general (Carlos), e outro para fritar hambúrguer ( Eduardo), foi Jair Bolsonaro.
E será o único, também, a fazer  de um dos seus fritadores embaixador do Brasil nos USA.
                                                                       ewerton.neto@hotmail.com

quinta-feira, 1 de agosto de 2019

EM FRENTE A SEU OUTRO EU





Um belo dia, inesperada e infalivelmente, qualquer ser humano  vai ter de se deparar com seu Outro eu. Nessa difícil hora da verdade poucos escapam ilesos Não adianta fugir, o melhor é encarar o diálogo:

- Que estás fazendo aqui? Juro que desta vez não o chamei.
- Pelo que sei não tenho outras opções, infelizmente.
- Infelizmente? Por que fala assim?
- Essa história de ser seu duplo não pense que me agrada. Vim para tirar satisfações. Se é para ser o Outro eu de alguém preferia ter nascido outro eu  de gente menos chata do que você.
- Você é um ingrato. Nem corpo tem para reclamar de alguma coisa... Dê-se por feliz sendo meu Outro eu. Sempre digo aos outros  que você é melhor do que eu, enfim, um eu que eu gostaria de ter sido e não sou. Não me faça duvidar disso, a partir de agora.
- Deveras? Ora, você sabe muito bem que me usa por oportunismo, apenas para fugir de seus problemas. Valoriza-me sim, mas para realçar a si mesmo. Ou então para se desculpar pelo que faz de errado. Um farsante, isso é o que você é.
- Basta! Não precisava  ser tão  petulante nesta primeira vez em que nos encontramos, de fato.  Sempre tive simpatia por você, que, ao final de contas, é onde arquitetei a soma de minhas ilusões. Percebo, porém que você é tão contraditório como eu.
- Não nego isso. Afinal de contas... Dependo de você, que me criou, moldou e inventou. Posso ser contraditório também, já que não tenho outra saída,  com genes semelhantes aos seus, mas mentiroso  não sou.
- Acho que você está indo longe demais. Por acaso está me chamando de mentiroso?
- Sim porque sempre me usa para justificar-se. Sempre. É corrupto como todo mundo;  gosta mais de futebol  e praia do que de trabalhar como todo mundo, vota em ladrão como todo mundo, gasta seu tempo em tevê como todo mundo,  tem medo da morte como todo mundo e nada faz para justificar sua vida como todo mundo. E, tem mais: imagina projetos mirabolantes para mim, ao invés de tentar realiza-los você mesmo,  tentando dotar sua personalidade de uma originalidade inexistente.  Enfim, você é incapaz de ser você mesmo. Agora basta. Vim para dar um fim a isso.
- Pelo amor de Deus, aonde quer chegar? Seria isso que estou a pensando agora? Você seria capaz de...
- De lhe matar? Calma, fique frio, Claro que não. Nenhum Outro eu tem a capacidade de assassinar o eu da pessoa a quem é integrado. Isso é conversa fiada! Por outro lado, qualquer suicida pode matar seu Outro eu,  e quantos eus mais achar necessário. É simples, basta ter coragem. Porque não tenta isso agora? Vamos decida-se. Garanto que eu não sofreria com isso.
- Deus do céu! Está sugerindo que eu tire a minha vida para você se livrar de mim? Que Outro eu mais sacana fui arranjar! Quer saber de uma coisa? Nunca mais vou querer  saber de você. A partir de agora na minha vida basta um eu. Suma da minha vida!
-Tudo bem. Ora,  que mais posso dizer?... Finalmente!
. - Passe bem!
-Ótimo! Passe bem, também.
( Ufff ! Pelo menos fiz o cara, afinal,  tomar uma decisão na vida por si mesmo)
Moral da história. Aquilo que nosso Outro eu é capaz de fazer por nós, ninguém na vida faz!  

José Ewerton Neto é autor de O Ofício de matar suicidas 




segunda-feira, 29 de julho de 2019

INVENTARAM O VAR GABUNDO







CONTINUA AJUDANDO, SÓ MUDOU DE NOME.

DE JUIZ VAGABUNDO ( José Roberto Wright ) PARA  VAR GABUNDO 



NOTÍCIA DO DIA

TORCEDORES DO BOTAFOGO RECLAMARAM DO JUIZ E DA AÇÃO DO VAR
NA DERROTA DE 3 A 2. A MAIORIA DOS ANALISTAS APONTA PREJUÍZO PARA
O BOTAFOGO COM VAR OU SEM VAR 

COMENTÁRIO DE JUCA ( o filósofo politicamente incorreto da periferia)




1. LEI DE MURPHY (ou PORQUE TUDO DÁ ERRADO)

: QUANDO SE BOTA UM FUSÍVEL PARA PROTEGER UM CIRCUITO, O CIRCUITO ACABARÁ PROTEGENDO O FUSÍVEL.

2.LEI DE MURPHY (APLICADA AO FUTEBOL BRASILEIRO)

BOTE UM VAR PARA IMPEDIR O JUIZ DE ROUBAR , QUE O VAR ACABARÁ AJUDANDO
O JUIZ A ROUBAR

3.LEI DE MURPHY APLICADA AO FLAMENGO (E AO CORÍNTIAS, ÀS VEZES.)

BOTE  O VAR PARA IMPEDIR  O JUIZ DE ROUBAR PARA O FLAMENGO  QUE SE UNIRÃO PARA CONTINUAREM ROUBANDO :
 O JUIZ, 
O BANDEIRINHA, 
OS JUÍZES DO VAR
O NARRADOR DA GLOBO
E O COMENTARISTA DA ARBITRAGEM 
(que validará em rede nacional o roubo do Var) 

OU SEJA é ESSE  TIME QUE DECIDE E, AGORA, FAZ GOL E TIRA.







domingo, 28 de julho de 2019

OS REIS DO GRUPO DE ZAP




O SEGUNDO TIPO É: 



2.O zappeador  Infinito ( Como a sua fé!)





Tudo nele parece rescender uma divindade infinita. Pelo menos no que posta no grupo. Frases da Bíblia, retratos do divino espírito santo, anjos e santos, tudo ele manda para o grupo, aos borbotões.  Se todos tivessem o cuidado de separar todo o conteúdo que ele envia  já teriam mais de uma bíblia em casa.
Segundo o líder do grupo em conversa com outro membro (no zapp particular de ambos) tanta mensagem religiosa tem a ver com uma tentativa de pedir perdão antecipadamente a Deus pelos muitos pecados. Agora que a velhice chegou e a morte caminha, digamos assim, mais acelerada.


O TERCEIRO TIPO É 



3.O zappeador dízima periódica




É aquele que exclama, parabeniza e aplaude tudo utilizando os bonecos mais estapafúrdios em diferentes combinações, derretendo-se em elogios até se alguém postar o áudio do próprio peido.  Não larga o aplicativo nem para tomar banho e faz questão de exercer essa autonomia  em plenitude mandando a primeira mensagem de bom dia e a última antes de dormir.  
Médico aposentado, morando no Rio, dias atrás anunciou no grupo que estará visitando São Luís para uma série de palestras o que motivou o seguinte comentário do líder do grupo (no particular, é claro) quando indagado sobre qual o assunto das palestras: “Que medicina, que nada! Estou desconfiado de que ele vem dar um curso de boneco de zapp”. 


José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis


sexta-feira, 26 de julho de 2019

O REI DO WHATSAPP





O WHATS’ APP E SEUS TIPOS



Que cada grupo de whats’app é um curioso painel dos comportamentos humanos, onde afloram virtudes e desvios em diferentes formatos, isso, mais ou menos, todo mundo sabia. O que não se sabia é que podiam ser assemelhados aos signos matemáticos. Como neste exemplo, de um grupo de gente com mais de 50 anos:

1.O zappeador conjunto vazio.






É aquele membro do grupo que ninguém sabe, ninguém viu. Nada comenta, tampouco manda vídeo. Deve ter sido incluído no grupo, à revelia de si mesmo; um belo dia alguém pegou uma lista de antigos colegas e pronto, meteu-o no meio sabe-se lá como.
Isso dura até o dia em que alguém encontra no fundo do baú uma foto amarelecida dos tempos idos do ginásio e, vendo a turma toda reunida, posta no grupo. Todos acabam por se reconhecer uns aos outros, com imensa dificuldade que só não é maior do que a de reconhecer a si próprios. Logo  uma dúvida se alastra. “Quem é aquele de óculos?” As exclamação  se sucedem até que alguém mata a charada: “Gente só pode ser o Bertoldo”. “Isso mesmo, o Bertoldo, por onde andará?”. Mistério insondável a que se seguem novos comentários: “Coitado, não  regulava direito”, “ Tinha muita dificuldade em entender o básico na escola”, “ Não podia ter se dado bem, soube que acabou se mandando pros USA, onde deve ter entrado clandestinamente”, “Pior, outro dia soube que ele morreu” “ Verdade? Que Deus o tenha.”
Nisso um número esquisito com código do exterior adentra na conversa "Olá, pessoal, sou eu o Bertoldo. Não me matem ainda, por favor!” As exclamações  se sucedem, alguém tenta remediar “Grande Bertoldo, por onde você anda rapaz. Nem sabia que você estava no grupo, o que anda fazendo?” “ Estou radicado aqui nos USA”, responde Bertoldo, e explica “ Sou cientista-chefe de um grupo de pesquisa da NASA, por isso não tenho tempo para conversar com vocês, caros colegas. Mas foi muito bom sabê-los vivos. Como eu . rsrsrs“


Não percam os próximos tipos da fauna ZAPPEANA 




                                                                       ewerton.neto@hotmail.com

terça-feira, 23 de julho de 2019

FAMÍLIA DE FRITADORES








Notícia do Dia

Hoje, 23 de julho


O FRITADO DA VEZ É O GENERAL REGO BARROS
que virou alvo da fritadeira de Carlos Bolsonaro o 02.
O problema foi o café da manhã com estrangeiros que gerou.
problemas para o presidente.
Antes disso Carlos Bolsonaro tentou fritar o general
Augusto Heleno e, anteriormente fritou o general
Santos Cruz

Comentário de Juca Polincó, o filósofo MATEMÁTICO politicamente 
incorreto da periferia






FAMÍLIA  BOLSONARO = FRITADORES 


ENQUANTO UM FILHO ( EDUARDO) ESPECIALIZOU-SE
EM FRITAR HAMBÚRGER
O OUTRO (CARLOS ) VIROU ESPECIALISTA EM  FRITAR GENERAL 

domingo, 21 de julho de 2019

A ARTE DE FRITAR HAMBÚRGER





Não se comenta outra coisa  depois que Eduardo Bolsonaro, deputado carioca,  apontou como um de seus atributos para ser embaixador do Brasil, nos USA , o fato de um dia ter fritado hambúrguer por lá. “Eu fritei hambúrguer, portanto mereço  a honraria”.
Ora, tal fala não era para  ter merecido contestação da mídia.  As pessoas precisam entender que,  em pleno século 21, as credenciais para ser um embaixador mudaram muito por conta  do processo evolutivo. Ao criticarem o presidente, esquecem, por exemplo, de que o hambúrguer fritado pelo rapaz  pode ter sido saboroso, com um sabor americanizado pouco comum por aqui.  Afinal de contas, não é todo dia que um pai come um hambúrguer fritado pelo próprio filho e, mais ainda, que este seja digno de ser comido.
Essa profusão de contestações tornou urgente para os estrategistas do Planalto, o anúncio dos novos pré-requisitos  a serem exigidos para alguém que se pretenda ser embaixadora partir de agora . A saber:

1.Que saiba fritar Hambúrguer.

Ao contrário do que dizem os contestadores, fritar hambúrguer,  é sim, um pré-requisito essencial para um futuro embaixador dos USA. Responda depressa Que é mais importante para a vida prática de um embaixador em terra de gringo? Saber fritar um hambúrguer ou conhecer a Teoria da Relatividade? Ora, deixemos de ser hipócritas. Certos conhecimentos  deixaram de ser fundamentais para o exercício profissional de um embaixador na  vida moderna.
 Embaixadores, como se sabe,  têm vida noturna  intensa, já que  frequentemente saem para baladas e participam de surubas chiques . (Ocultas,  é claro). Vai que numa dessas demandas  terminem a noite num local imprevisto, doidos de fome. Quem salvará a situação fritando um hambúrguer?

2.Que saiba falar inglês elementar,  e que tenha morado nos  USA.

Longe de imposições curriculares arcaicas um  embaixador   de hoje não   precisa possuir  proficiência em inglês, capaz de traduzir, por exemplo,  o Ulisses, de James Joyce. Ao contrario, só carece, de uma vivência norte-americana  que o torne capaz de ter apreendido um inglês gestual,  minimamente suficiente para ser entendido por todo tipo de gente que frequenta as embaixadas.  
3.Que seja amigo de família do presidente dos USA.
O que se passa a exigir de um futuro embaixador é que tenha tido contato com os familiares do presidente americano,  relativizando-se  o grau de amizade. Não precisa ter sido amigo de  infância, jogado futebol,  ou compartilhado punhetas com o rapaz no mesmo banheiro. Basta que tenha gritado um dia  “ Oi, my friend!”  para o filho do presidente americano,  mesmo que este não  tenha escutado.

4.Que seja filho do presidente do Brasil.

Este último predicado, sim,  é fundamental e sine qua non. Afinal, não existe até hoje a mais remota  possibilidade de alguém fazer um curso para ser filho de presidente e diplomar-se nisso .
Há de se reconhecer o esforço realizado para ser filho de um presidente, especialmente no caso brasileiro (Aguentar Bolsonaro, há  de se convir, não é tarefa fácil para qualquer infância que se preze) 
Enfim,  esse quarto item é um ofício que se aprende por dedicação própria  não nos bancos de uma escola, mas nos bancos comuns dos idos da juventude . Geralmente  para pegar a mesada. 

José Ewerton Neto é autor de O ABC  bem humorado e São Luis  e cronista semanal do jornal O estado do Maranhão