sábado, 31 de março de 2012

O SEXO HUMANO DOS ANIMAIS




artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo, jornal
O estado do Maranhão, hoje, sabado



Conversava outro dia com uma amiga escritora, erudita e talentosa, sobre o costume fortuito que temos de contemplar os seres humanos em algum evento, quando tentamos imaginar as peculiaridades existentes por trás da fisionomia de cada indivíduo.
                        Lembrei, então, do que havia lido num artigo científico, quando o autor dizia, à luz da psicologia evolutiva, que se defrontados com seres de outro planeta, estes eventuais seres não veriam a mínima diferença entre cada um de nós, inclusive com nossos irmãos, macacos e chimpanzés. Para eles, Scarlett Johansson ou Carolina Dieckmann, modelos de beleza diante das quais nos rendemos à suposta beleza, não passariam de duas macaquinhas um pouquinho só mais engraçadas.  
                        O mesmo parece acontecer quando nos deparamos com as intimidades sexuais aparentemente esquisitas, dos animais dito irracionais. “Humanas, demasiadamente humanas”,  diríamos,  parodiando o filósofo.

1.                O leão só emite aquele impressionante rugido quando está extremamente excitado e deseja uma fêma. Ele é o rei da selva em potência e goza 82 vezes num dia.
                        Portanto, mulheres, não caiam na besteira de serem seduzidas  pelo ruído másculo do rei das selvas e , por precaução, mantenham-se afastadas das jaulas quando isso ocorrer, a não ser que...estejam demasiadamente carentes. Lembrando sempre que, segundo o que corre na Internet, temos um espécime bastante similar  no gênero humano: José Mayer, o galã da Globo.  Aos cinqüenta e tantos anos, claro, já não consegue gozar oitenta e duas vezes num dia, mas, segundo elas, é capaz de fazer uma mulher gozar igual número de vezes, quando adentra , por exemplo, numa festinha de debutantes.

2.                 A zebra fêmea enche seu macho de coices. Quanto mais ele apanha, mais potente fica.
                        A coisa é só um pouquinho diferente para o lado dos humanos machos. No caso, quanto mais o sujeito apanha de mulher mais brocha fica. E é aí que elas fazem a festa.

3.                A fêmea do canguru tem duas vaginas e o macho tem um pênis em forma de Y.
Duas semanas atrás os jornais noticiaram o caso de uma inglesa,  aliás jovem e bonita,  que também tem duas vaginas. Ela, que não se constrange nem um pouco com isso,  aproveita para exibi-las nas festinhas, fazer sucesso e causar inveja às demais. É que ela, ao contrário, da fêmea  canguru, não carece de um macho que tenha o pênis em Y, mas, provavelmente, usa dois de uma vez só.

4.                 Os caracóis são  hermafroditas. Na metade do ano são machos; na outra, fêmeas.
Dizem que grande parte dos galãs das novelas brasileiras, sem serem hermafroditas, também  possuem esse dom. Só que, ao invés de transmudarem seu sexo a cada seis meses, preferem faze-lo na base do um dia sim, outro não. 

                                                        



5.                 O macho da tartaruga penetra a fêmea com tanta fúria que pode matá-la.
O mesmo se dá com os humanos, alterando-se o sexo. Se a mulher se depara com um homem-tartaruga na hora da penetração, esta é que sente vontade de matá-lo.

6.                      O macho da mosca leva “algo doce” para uma fêmea e, enquanto ela come, sobe nela discretamente e a penetra.
Não passam, pois, de imitadores de moscas os humanos quando abastecem suas mulheres e namoradas com chocolates e guloseimas. Nesta época, aliás, com ovos de páscoa. .

7.                 O platelminto macho tem um pênis de múltiplas funções. Sai pela boca e está equipado com um ferrão e glândulas venenosas. Além da função sexual é usado também para capturar as presas.
Trata-se do pênis multiuso, também muito praticado no gênero humano por gigolôs e recomendado para peruas fogosas, ricas e encarquilhadas. O de Sandro Pedroso, namorado de Suzana Vieira, por exemplo, é por ela guardado a sete chaves.

8.                 Como há muitas espécies de gafanhotos, os machos chamam suas parceiras fazendo um barulho peculiar, como se fosse uma serenata.
                        Portanto, têm um pouquinho mais de bom gosto as fêmeo-gafanhoto do que as humanas. Como se sabe, atualmente, muitas mulheres se derretem até quando escutam música de forró. 

9.      Os papagaios e as araras transam voando.
Nenhuma novidade no reino humano. Renato Gaúcho, até hoje se gaba de que transava com um batalhão de aeromoças em pleno vôo internacional. Muito mais homens fazem isso, sem precisar de tecnologia e em terra firme, nas grandes cidades, como Tóquio e São Paulo. A transa é em pé, o tempo é de alguns segundos e  paga-se de cinco reais para baixo, mais pelo vôo do que pela transa.
...E assim por  diante.
ewerton.neto@hotmail.com 


sábado, 24 de março de 2012

ENTRE FATOS E FRASES EXUBERANTES


Artigo publicado na seção hoje é dia de, caderno Alternativo, jornal
O estado do Maranhão, hoje , sábado



E  a semana, para variar, continuou a vitoriosa sina de 2012, cada vez mais  pródiga em grandes frases e notícias exuberantes:

                        As frases:
1.                “Exterminamos um câncer do futebol brasileiro. Espero que o novo presidente, que furtou uma medalha na Copa São Paulo de Juniores não faça desse ato uma constante na CBF. Senão teremos que exterminar a Aids também” Romário, deputado federal, referindo-se a Ricardo Teixeira, que saiu, e a José Maria Marin, que entrou .
                                   É isso aí, Romário. Com essa frase você foi mais longe que Tim Maia e aprendeu rapidamente, que o Brasil é um país em que puta goza, gigolô tem ciúme, comunista é de direita, traficante cheira cocaína e... quando sai o câncer, entra a aids - na administração pública Sem contar os tuberculosos.

2.                “Não foi uma gota d`água que tirou o Adriano do Coríntians. Foi uma cachoeira.” Luis Paulo Rosenberg, vice-presidente do Coríntians, sobre a rescisão do contrato do clube com o jogador.
                                   Depois desta Teoria da Água, do Rosenberg, está finalmente  explicado porque Adriano foi para Búzios, recuperar a forma física. Lá o que não falta é água. E ainda reclamam porque o ex-craque gosta tanto de beber.

3.                 “ Sim, eu disse que o ano tinha 361 dias. Errei, assumo, peço desculpas” Daniela Albuquerque, apresentadora.
                        Não se constranja Dani. Até que a diferença não foi tão grande assim, para menos. O pior é que tem gente muito boa que acredita piamente que o ano tem muito mais. Tanto que recebem, “numa boa”, 18 salários anuais.

4.                “As modelos muito magras, não são sedutoras”, Bar Rafaeli, modelo israelense, namorada de Leonardo Di Caprio, dizendo que adora comer.
                                   Tem razão, Bar, pode comer o Di Caprio à vontade que você não vai engordar. Ele, por sua vez, garanto que prefere beber. Também, com um Bar desses por perto!

                                            

5.                 “Cansei dessa novela. PT saudações” Blairo Maggi , presidente do PR, anunciando a saída do partido da base de apoio da presidente Dilma.
                        Geralmente, um ator de terceira categoria começa no BBBrasil e depois tenta uma novela. Blairo, por ser de quinta, prefere sair de uma novela para entrar no BBB da  politicagem, na qual é especialista. PR saudações!

                        Os fatos:

1.                      O prefeito da cidade italiana de Falciano decretou que lá ninguém pode morrer porque acabou o espaço no cemitério. Diz o decreto: “Será processado quem cruzar a  fronteira da vida terrestre e adentrar o além.”
              Donde se conclui que em matéria de leis estapafúrdias, as brasileiras estão fazendo aprendizes de primeira. Só que, como toda imitação, esta carece de aprimoramento. Se fosse brasileira seria assim: “Será multado, por antecipação, todo cidadão que cruzar a fronteira da vida terrestre e adentrar o além. Por motivo de segurança, contra eventuais diabos nessa fronteira, o dinheiro ficará com o prefeito que o entregará a  Deus, quando morrer.”

2.                 E a China está de olho nos nossos jegues. Segundo um protocolo de intenções firmado entre a Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Norte e a empresa Shan Dong Dong E.Jiao Co, 300 jegues serão adquiridos nos próximos dias, como alimento. Resumindo, a chinezada está doida para comer carne de jegue brasileiro triturado, no palitinho de arroz.                        
                        Imediatamente foi iniciada uma campanha nacional pró-jegue: “ POUPEM OS NOSSOS JEGUES QUADRÚPEDES E LEVEM SÓ OS BÍPEDES. TEMOS EM NÚMERO SUFICIENTE : SÓ DE EX BBBs JÁ EXISTEM MAIS DE TREZENTOS.”
                                                                      


                                           

                                                                                            ewerton.neto@hotmail.com

sábado, 17 de março de 2012

O LIVRO QUE VOCÊ É

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Jornal O estado do Maranhão, caderno Alternativo, hoje, sábado


Algum tempo atrás comecei a escrever um conto cujo título era “A história do livro que era eu.” Achei que o conto ia se desenvolver a partir dessa idéia, mas estacionou na segunda página e hoje se encontra perdido em algum lugar remoto da dispersiva memória do computador, que tudo cabe e nada identifica.
                        Esta lembrança veio a propósito da leitura mensal que faço da revista Metáfora, quando, entre os destaques literários do mês, surgiu a indagação: “ Que livro você é? “. Assim, de chofre, como se, de alguma forma,  alguém também tivesse tido a mesma idéia de sobrepor, às impossibilidades da vida, a ilusão de que os livros podem se transformar em pessoas ou vice-versa. Na verdade, se trata de um site em que, depois de responder a um questionário, identifica-se, de acordo com a personalidade do indivíduo, com qual livro ele pareceria.
                        Antes de entrar no site preferi imaginar, que livros se parecem com quem. Um exercício meio bizarro, mas que teve o dom de me revelar que, de fato, livros  são mesmo quase pessoas: “ A palavra, como se sabe é um ser vivo”, já dizia Vítor Hugo.

1.                Os livros de auto-ajuda (qualquer um) – Os livros de auto-ajuda hão de se parecer com qualquer sujeito que se ofereça para solucionar sua vida  sem que você peça. Muitas vezes você se encontra, de fato, melancólico, (ou estressado, como se diz hoje) quando – de repente! – eis que um sujeito, que parece farejar os dramas íntimos dos outros  mais do que o Leão do imposto de renda fareja seus ganhos, se planta em sua frente se oferecendo para dizer obviedades sob um viés de grandes achados. Ou seja, o livro de auto-ajuda, se fosse gente, seria  um cara-de-pau semelhante a esses palestradores motivacionais, que percorrem as empresas proferindo mensagens idiotas, e estampando  na face uma felicidade gorda - não de fartura, mas de excesso de gordura. Como dizia Fernando Sabino, não passa do pior tipo de chato: aquele que rouba tua solidão sem te fazer companhia.

2.          O Grande Sertão, Veredas, de Guimarães Rosa. Grande Sertão, o livro brasileiro preferido da maioria dos críticos de literatura por esse Brasil afora é aquele sujeito interiorano que nasceu pobre nos rincões e depois foi para a cidade, estudou bastante, ficou rico e hoje fala das coisas do interior com um jeito um tanto empolado. É aquele sujeito bem-sucedido, hoje médico, dentista, ou doutor em alguma coisa, que conta histórias inverossímeis sobre o sertão para agradar  uma platéia de citadinos, como  a de que um grupo de cabras-machos sertanejos não consegue distinguir uma fêmea no meio deles. Fascinado pela sua imaginação e inteligência e deslumbrado pelo refinamento de sua linguagem você só percebe o excesso quando encontra outro sujeito típico do interior chamado Vidas Secas, contando a mesma história, sobre personagens e ambientes parecidos e com metade de suas palavras e se pergunta: “Ué, para que tanto preciosismo para dizer, com igual talento, quase a mesma coisa”? 

3.                Os best-sellers juvenis. – Os atuais best-sellers de literatura juvenil sobre vampiros, anjos, zumbis ou equivalentes não parecem nem de longe com esses seres estranhos, mas, principalmente, com aquele que os lê: no caso, o adolescente. Vá lá, um jovem meio bobo e inofensivo como o Justin Bibier, com a cara deste, o riso deste, o talento deste. Nem agradável, nem desagradável, apenas jovem, com o que a juventude tem de mais pulsante que é a ilusão de aventura se sobrepondo à realidade. Com alguma boa vontade se parece com algum dos quatro Beatles quando ainda estavam começando.
                     Surpreendentemente, não se parecem com o cantor Luan Santana, por  exemplo,  talvez porque este, arrebatado por uma arrogância juvenil que impede que ele veja a própria mediocridade, não tenha sequer aquilo que mesmo o pior livro possui: algo de simpatia.

                     Devo dizer, para concluir, que fui ao site para saber que livro  sou e ele me respondeu: o livro Carmem, de Ruy Castro, que é uma biografia da excepcional Carmem Miranda. Segundo eles se um dia eu fosse um livro seria uma biografia (?)
                     Lembro que adquiri esse livro há uns dois anos para dá-lo de presente a meu pai, sem ler. Portanto, desprezei-me. Preciso lê-lo agora, para, pelo menos, conhecer-me.         
                                                                               ewerton.neto@hotmail.com
  

sábado, 10 de março de 2012

A FELICIDADE FEMININA


artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão, hoje, s´bado
ENFIM, A FELICIDADE  FEMININA

                                                                                              José Ewerton Neto


                        A mulher e a felicidade nem sempre se deram bem. Durante milhões de anos, certamente, porque as fêmeas não sabiam muito bem o que era isso, afinal de contas, ser feliz significava apenas sobreviver, o que já estava bom demais. A dificuldade começou quando ela entendeu que queria , de fato,  ser feliz e, para azar seu, achou que botando essa tal de felicidade no corpo de um homem, já era meio caminho andado para isso. Os milhares de anos posteriores a convenceram do contrário, mas ela não desistiu.
                        Neste DIA INTERNACIONAL DA MULHER (que  aliás é a maior prova de que a tal felicidade ainda está muito longe, pois “ se a mulher fosse feliz  precisaria de um dia para ser homenageada?”) , eis que uma revista semanal , surpreendentemente, deu-se ao trabalho de prometer  a dita felicidade numa reportagem de capa. O segredo? Ora, bastaria cumprir estas cinco coisinhas:

1.      Descubra o que você quer.
                        Para uma mulher que se preze, a coisa não é tão fácil assim, certo? Mais difícil do que isso, só descobrir o que não quer, mas, aí, já seria querer demais. Se você está lendo estas palavras cara leitora, basta recordar: tem dias em que você quer parecer com a Angelina Jolie, tem dias que você quer parecer com a Ivete Sangalo, e tem dias em que você quer parecer com uma incrível mistura das duas - ao mesmo tempo. Tem dias até ( raríssimos ) em que você quer parecer com você mesma,  e aí é que se prenuncia um desastre, pois
“quem é essa mulher esquisita  que está lhe olhando insistentemente do outro lado do espelho”? Ora, se você não sabe quem você é, como poderia saber o que você quer, não é isso mesmo, Dr Freud? Não era você quem dizia que jamais entenderia as mulheres?

2        Combata o sentimento de Culpa.
                                   Isso mesmo: além de combater a arrogância do parceiro, a teimosia das crianças, o medo de dirigir, o congestionamento, o chefão que dá em cima de você ( e que não se decide logo), eis que você ainda tem de combater esse tal de sentimento de culpa. Esse inimigo que  você apenas pensou, para facilitar, que estivesse dentro de você , mas que, na realidade,  está no mundo todo, como um monstro acusador em qualquer lugar que você vá. Numa barreira eletrônica, por exemplo.
                                   Quer saber? Dormir é um bom remédio. Amanhã você vai acordar com um sentimento de culpa ainda maior, mas, um dia você acaba com esse perseguidor implacável. Quando dormir de vez.
                 
                        3 Aprenda a abrir mão.
Acredite, não há nada de errado em renunciar a algum aspecto da vida quando a escolha é consciente. Sendo sincera, você talvez preferisse abrir outra  coisa , além de mão, mas, homem de verdade está muito difícil, (até os da mentira não estão fáceis ) e,  além de tudo,  a concorrência está de lascar. O negócio, portanto, é abrir a mão. Abra, pois, mão da chapinha do fim-de-semana, da praia, da calcinha rendada, da fantasia sexual com o Brad Pitt, enfim, vá abrindo mão de tudo. Quem sabe a sorte lhe favoreça e numa dessas aberturas de mão lhe caia,  em cima, um bichinho de estimação, sincero como um de pelúcia, porque – esse sim! -   não fala nem chia.  Felicidade é isso!.              





4        Valorize-se.
                                   Vá lá! Não se venda por dez reais de crédito, nem por um celular, nem por um I Phone, nem por um tabletezinho paraguaio qualquer. Insista, você tem valor! Embora...
                                   Pensando bem, se for um tablet de verdade, um Ipad da Apple...talvez valha a pena aceitar  . Lembre-se: a questão não é o valor real da coisa, o que importa é o quanto essa coisa sai cara para aquele de quem ( ou contra quem) você tenta se valorizar. Obviamente, se o sujeito ganha 18 salários por ano ( existe isso em algum lugar do mundo, meu Deus? ) e cada salário vale dezoito dezenas de vezes aquele que você ganha, valorizar-se é ganhar, no mínimo, uma Hilux,  do dito cujo, por mês. Mulher valorosa é isso e não o que o governo pensa que ela vale, no fim da vida, quando entra na fila do SUS.


5.                  Mande o marido para a cozinha.
                                   Dividir as tarefas domésticas é a melhor medida para combater uma das maiores fontes de insatisfação feminina: o acúmulo das responsabilidades. Nada de chegarem ambos cansados do trabalho e ele se refestelar, vendo futebol no sofá, enquanto você fica cozinhando. Aliás, pensando bem, o melhor é dividir várias de suas outras tarefas como lavar as calcinhas, trocar as lâmpadas, varrer a casa, pintar as unhas, ir para a academia de ginástica – que bom seria se ele pudesse suar para você!  Pensando ainda melhor, coloque-o para cortar a grama do jardim, o que, segundo uma atriz norte-americana, é a única coisa que um homem pode fazer de prazeroso a uma mulher, melhor que um vibrador.  Caso nem isso ele queira, já seria um bom começo para   manda-lo, também, à  puta que o pariu, de longe, pelas estatísticas,  a maneira mais fácil de deixar uma mulher feliz para sempre.
                                                                                   ewerton.neto@hotmail.com


sábado, 3 de março de 2012

OS VERDADEIROS GANHADORES DO OSCAR

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão,
hoje, sábado, 3 de Março






Com pequenas adaptações veremos que os verdadeiros  ganhadores do Oscar estavam mesmo é no Brasil.


1.      Melhor ator.
Ao invés do francês Michel Dujardin, o melhor ator só poderia ter sido Gilberto Kassab. Protagonizou um partido que não é partido, um prefeito que não é prefeito e um ideólogo que nada tem de ideólogo, muito pelo contrário. Diante dele, Nero, o imperador de Roma,  jamais diria – prestes a se suicidar- “Que grande artista o mundo vai perder”, mas sim, “ Um artista desses o mundo não pode perder!”

2.      Melhor atriz.
            Nada de Meryl Streep como “ A dama de Ferro”. A melhor atriz foi a brasileira protagonista do filme “ A dama que ferra”. Claro, estamos falando da nossa presidenta Dilma Roussef. Seus seis ministros ferrados que o digam, e os outros que se cuidem!    

3.      Melhor direção de Arte.
            Ao contrário de “A Invenção de Hugo Cabret” o melhor foi “A invenção de Mano Cabreiro”. Mano Menezes, como todos sabem, é um técnico de futebol que só chegou à seleção por sua postura cabreira, de conluio com Andrés Sanchez, acólito de Ricardo Teixeira.  A grande invenção de Mano,  como todos sabem foi botar o Ronaldinho Gaucho para ser titular da seleção, sendo o jogador do Flamengo do tempo do Hugo Cabret.

4.      Maquiagem.
            Ao invés de A Dama de Ferro, o real vencedor foi “A Dama de Botox”, com a ex-primeira-dama Marisa Letícia, nos camarotes da Passarela do Samba. A concorrência era de alto nível, mas a dita cuja conseguiu vencer sua grande rival Marta Suplicy  e outras embotocadas de peso. Era tanto botox transbordando pelo chão da passarela (mais até que  a quantidade de silicone)  que retardou a passagem de um carro alegórico da Unidos da Tijuca. (Desculpem a memória, será que estou certo quanto à Escola que foi obstruída?)


5.      Melhor documentário de Curta-Metragem.
            A  evolução da Beija-Flor, do Rio, homenageando São Luiz. O samba-enredo era tão curto que não deu nem tempo de colocarem na letra, pelo menos o nome de um dos nossos  grandes poetas. Podiam,  pelo menos, ter incluído a  BR-135 na letra. Quem sabe, o curta levaria prêmio, também, em curta-quilometragem.

6.      Melhor edição.
                        Ao invés de “Os homens que não amavam as mulheres”, uma edição de “Os homens que odiavam as mulheres”, que circula na Internet com as fotos  de  Graça, da Petrobrás, Dilma Roussef, Idele Salvati, etc. ridicularizando-as sob a alegação de que são horrorosas. Como se isso – caso fosse verdadeiro -  tivesse o mínimo de importância. Próximo ao dia Internacional da Mulher, as mulheres brasileiras deveriam cada vez mais exigir que esses  caras - que jamais aprenderão a amar as mulheres - deixassem, pelo menos, de ser otários.



7.      Melhor Efeito Visual.
                        A bunda de Walesca Poposuda, finalmente captada por um fotógrafo de Veja, em um momento de descontração de suas estrias e celulites, em plena Avenida. Despencando do restante do corpo através de sua minúscula tanga ( a bunda é tão avolumada  que a calcinha depois do desfile tem de ter de ser puxada com um anzol), o efeito aterrorizante das celulites dançando na abundância de Valéria só causou menos horror que a entrada de Suzana Vieira no camarote da Brahma, cercada de seguranças, provocando o seguinte comentário de um seu colega da Globo, também ator “ Isso é o que eu acho ainda mais terrível!”

8.      Melhor Documentário Longa-Metragem e Melhor Roteiro Adaptado
Ao invés de “Undefeated”, no longa e Os Descendentes, no melhor roteiro, a produção brasileira revelou-se muito melhor com “ O Julgamento do Mensalão” que deveria levar os dois prêmios. Em matéria de descendentes nada jamais foi produzido de tão visceral como os de Lula,  envolvidos no Mensalão. (A toda hora o roteiro precisa ser readaptado). E, com isso, ao que tudo indica,  o longa-metragem não vai acabar nunca. E bote longa nisso!
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com





sábado, 25 de fevereiro de 2012

CARNAVALESCAS ( OU NEM TANTO )

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
jornal O Estado do Maranhão, hoje, sábado



CARNAVALESCAS (OU NEM TANTO)

                                                                                              José Ewerton  Neto



                        A vida é absurda, dizia Clarice Lispector. Sendo assim, o carnaval (com toda a sua porralouquice gostosa) não é absurdo, absurda é a vida. Neste caso, como classificar o critério usado pelos jurados das escolas de samba para escolher as vitoriosas? Bizarro? Confuso? De outro planeta? Surpreendente?
                        Nada. Nenhuma palavra na língua portuguesa seria capaz de exprimir a sutileza intelectual, e a precisão científica de um jurado, que é capaz de dar uma nota de 9,25 para uma escola e 9,5 para outra. Como será que ele consegue ser tão preciso? Teria olhos capazes de olhar por cima, por baixo, e pelos lados? Disporia de uma sensibilidade artística tão apurada capaz de ser aferida em centésimos? Seria uma mistura de Oswald de Souza, o matemático, Joãozinho Trinta, o carnavalesco, Gilberto Freire, o sociólogo e Selminha, a porta-bandeira?
                        Tanta bizarria  degenerou, mais uma vez em confusão A recente invasão de um sujeito no local da apuração das escolas de samba de São Paulo para arrebatar as notas dos jurados e jogá-las no lixo dá muito bem a dimensão do grotesco dessas apurações que, na realidade, pretendem julgar o impossível de ser julgado, devido a extrema subjetividade do que se avalia. Parecidas por definição, e estruturalmente tolhidas  em suas nuances coreográficas  pelo ritmo cadenciado do samba-enredo e sua lenta evolução,  o desfile de uma escola de samba quase sempre se torna repetitivo e cansativo  ao invés de  opulento e sedutor, carecendo, por isso, de socorrer-se de centésimos matemáticos para doar-se alguma credibilidade competitiva.
                        A precisão infinita desses jurados, capazes de se locomoverem nos centésimos da coitada da matemática me faz ocorrer uma sugestão: que sejam convidados a se juntarem aos cientistas que arduamente procuram, há dois anos em vão, o bóson de Higgs, (a partícula de Deus).
                        Com a ajuda deles, quem sabe...


                        2..Deu neste jornal: “Apesar do tempo festivo, a maioria dos turistas preferiu conhecer as belezas arquitetônicas e naturais da capital e de outros municípios do estado a participar das folias do Momo(...) A médica Maria Timbó, por exemplo, disse : Há dez anos quando aqui estive, fiquei encantada com a beleza dos casarões, mas agora muitos deles estão mal conservados. É preciso um pouco mais de cuidado para que a cidade fique mais bonita.”
                        Portanto, ao invés do que os administradores desta cidade pensam, não é só um carnaval movido a  incentivos o que atrai os turistas, porém, mais que isso, as belezas peculiares  da cidade. Afinal, parece que os turistas não vêm conhecer São Luis por causa do carnaval, mas, vice-versa, aproveitam o  Carnaval para conhecer a cidade. Que bom seria se eles percebessem que nossa capital deveria proporcionar aos visitantes, de forma cada vez mais atrativa, seus recursos naturais intrínsecos. Os mesmos que - conforme palavras dos turistas - padecem da penúria de incentivos, que não faltam, contudo, ao carnaval.



                        3. E, por falar em matemática, alguém se deu ao trabalho de calcular a quantidade de silicone que passa no sambódromo em dias de carnaval. Não é difícil: 2 mil mulheres por escola, vezes 300 ml em média... vezes dois peitos = 16,8 toneladas de silicone – sem contar os homens. O que leva a um cada vez mais insinuante problema de aferição: como julgar a perfeição dessas quase dezessete toneladas?
                        Eis mais uma sugestão para explorar a capacidade desses jurados de escola de samba: introduzir a qualidade do silicone implantado como mais um quesito a ser analisado como nota.
                        Obs. Só não valeria avaliar o silicone de peruas fogosas, useiras e vezeiras do Carnaval, como Suzana Vieira. Senão seríamos forçados a vê-los recorrer mais uma vez aos decimais, só que, desta vez, negativos. Ou centesimais?                                                                                                                                                                                                                    ewerton.neto@hotmail.com


                        

sábado, 18 de fevereiro de 2012

AS MARCHINHAS DE SEMPRE E PARA SEMPRE


artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal O Estado do Maranhão, hoje, sábado


Passa ano sai ano ressurge o velho debate carnaval tradicional x carnaval atual cujo ápice é a disputa marchinhas carnavalescas x  música baiana. Sem saudosismo,  as marchinhas dão de dez a zero,  até mesmo porque,  além de melodia, têm letras que eternizam uma época bem mais que a mera excitação momentânea dos trios elétricos, causada pelo som ensurdecedor e convidativo ( vá lá ), necessariamente  movido a álcool e -  talvez -,  alegria.  
            São tão eternas essas marchinhas expressando sentimentos universais e atemporais que ao invés de terem ficado datadas  expressam , com pequenas adaptações a vida atual. Como é fácil comprovar:
           
            1. “Pode me faltar tudo na vida, arroz feijão e pão Pode me faltar manteiga  e tudo mais não faz falta não. Pode me faltar o amor Há, há, há, há!Isto até acho graça Só não quero que me falte A danada da cachaça.”
            Essa marcha celebrava a cachaça como instrumento de escapismo. E se antecipa aos conselhos de auto-ajuda de hoje com uma pérola  da sabedoria:  “Pode me faltar amor! E isso até acho graça.” A tecnologia, contudo, descobriu matérias primas mais eficazes  – e mais nocivas - como estimuladoras da fuga da realidade. Bastaria então, na letra, substituir cachaça por televisão.

            2. “Solteira eu não quero, casada traz complicação. A viúva tem saudades, a desquitada é a minha solução”.
            As opções parecem ultrapassadas diante das centenas de alternativas surgidas em termos de sexo e relacionamento. Mas a mensagem de busca, por uma solução, continua perene.

            3. “Ei, você aí! Me dá um dinheiro aí! Me dá um dinheiro aí!Não vai dar? Não vai dar não?Você vai ver a grande confusão que eu vou fazer bebendo até cair. Me  dá me dá me dá, ô!Me dá um dinheiro aí!”
            A letra da marcha referia-se a mendigos. Hoje continua atual - já que tanto pedem dinheiro os pobres como os ricos - se prestando até para hino da equipe do ministério  de Dilma.  Como todo mundo sabe já caíram mais de seis, bebendo ou não, querendo mais dinheiro e fazendo confusão.

            4. “Mamãe eu quero, mamãe eu quero, mamãe eu quero mamar Dá a chupeta, dá a chupeta, dá a chupeta pro bebê não chorar. Dorme filhinho do meu coração,  pega a mamadeira e vem entrar pro meu cordão Eu tenho uma irmã que se chama Ana de piscar o olho já ficou sem a pestana (...)Eu tenho uma irmã que é fenomenal Ela é da bossa e o marido é um boçal”
            Não parece o nosso vice-presidente Michel Temer, brandindo  um cartão de crédito na mão  diante da esposa-gata, trinta anos mais nova e pedindo uma chupetinha?  E ela, respondendo no mesmo tom, dizendo, para  provoca-lo, que tem uma irmã fenomenal. Só que o nome da mana, ao invés de Ana é Michelle. Quanto ao boçal...  Bem.  

            5. “O teu cabelo não nega mulata porque és mulata na cor Mas como a cor não pega mulata eu quero o teu amor.  Tens um sabor bem do Brasil, tens a alma cor de anil! Mulata mulatinha meu amor, fui nomeado teu tenente interventor”
            Bastaria substituir o teu cabelo não nega por  “tua chapinha não nega” Quanto ao sabor bem do Brasil e a alma cor de anil, que ninguém se preocupe com isso pois ninguém jamais entenderá ( Teria o sabor bem do Brasil a ver com grana na mão?).  


                                                                


            6. “Ó abre alas que eu quero passar Ó abre alas que eu quero passar Eu sou da lira não posso negar Eu sou da lira não posso negar Ó abre alas que eu quero passar Ó abre alas que eu quero passar Rosa de ouro é que vai ganhar.”
            Existe hino mais apropriado para as mil e uma  paradas GLS existentes por esse Brasil afora? Certo, ninguém fora do Maranhão sabe que eu sou da lira pode perfeitamente ser “travestido” para eu sou qua... É só divulgar.

            7. “Se você fosse sincera Ô ô ô ô Aurora Veja só que bom que era Ô ô ô ô Aurora
Um lindo apartamento com porteiro e elevador e ar refrigerado para os dias de calor. Madame antes do nome você teria agora Ô ô ô ô Aurora!”
            Todo mundo sabe que esta letra refere-se à mágoa de alguém que doou tanta coisa a uma mulher e levou chifres. Ou seja, nada mudou. Pensando bem, para os dias atuais, talvez se devesse acrescentar ao porteiro - e ao elevador - um negão como personal trainner.

            8. “Eu só me caso com mulher rica, amor de  rica sempre fica. A rica quando morre deixa sempre um milhão, rádio, geladeira. Deixa até televisão.”
            Toda mulher rica  e perua ( e quanto mais rica mais perua ) continua adorando um gigolô. A única diferença é que atualmente elas,  ao invés de darem uma televisão para o “namorado”, o põem para trabalhar na televisão. Não é mesmo, Suzana Vieira?

            9. “Tava jogando sinuca uma nega maluca me apareceu. Vinha com um filho no colo e dizia pro povo que o filho era meu, não senhor! Tome que o filho é seu, não senhor. Pegue o que Deus lhe deu, não senhor!”
            Atualíssima. Mais dia menos dia o desavisado “paisão” Joel Santana, técnico  do Flamengo estará cantando esta marchinha para a presidente Patrícia Amorim, ou vice-versa. . O filho sem pai, alguém duvida que  será o  Ronaldinho Gaúcho?.

            10. “ Oh, jardineira por que estás tão triste? Mas o que foi que te aconteceu? Foi a camélia que caiu do galho, deu dois suspiros e depois morreu.”
            Essa sim, para se modernizar ficaria muito melhor assim:
            “Oh, trepadeira por que estás  tão triste? Mas o que foi que te aconteceu? Foi o coroa que quebrava o teu galho deu dois suspiros, depois morreu!
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com
           




domingo, 12 de fevereiro de 2012

A LENDA DE ANA JANSEN E SUA CARRUAGEM



artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo, jornal
o Estado do Maranhão, ontem, sábado


1. A lenda de Ana Jansen e sua carruagem é a mais famosa de São Luis, por motivos não muito bem entendidos. Freud não explica e São José de Ribamar muito menos. Aliás, se Ana Jansen soubesse que um dia iria virar lenda, vaidosa e ousada como era, teria sido lenda antes de ter vivido para poder gozar dessas horas de fama que não estão ao alcance de qualquer imortal que se preze. Como se sabe, as candidatas à celebridade de hoje vivem exibindo suas grandes e pequenas vergonhas em rede nacional ao vivo, por dois míseros segundinhos de fama.
            O fato é que Ana Jansen , que não era lá essas coisas de boniteza, se perpetuou bem mais do que se tivesse escrito um romance, por exemplo. Isso, embora já não desse dinheiro, na época, dava muito prestígio - pelo menos o suficiente para fazer companhia, no futuro, à estátua de algum pilantra transformado pela História em herói, no corredor soturno de algum museu.  

            2. Admitindo que ela tenha sido mortal um dia, tudo começou quando ela nasceu  em São Luiz, em 1787. Nessa sociedade de então, provinciana e carente, ela começou a treinar para virar lenda quando enviuvou duas vezes. Nessa época, é bom lembrar, não havia divórcio fácil, nem desquite ou amizade colorida, as mulheres se casavam para sempre e a única forma da mulher conseguir casar duas vezes era matando o marido, o que, aparentemente, não aconteceu.  Melhor acreditar que os maridos, sabendo que ela estava predestinada a virar lenda, facilitaram-lhe o trabalho, inclusive deixando muito dinheiro para ela.
            Ora, o fato de ter se livrado de dois maridos da forma mais segura que existe, que é o desaparecimento destes sem assassinato, faz desconfiar de que muita coisa da qual se falava a seu respeito como, por exemplo, a de que era cruel com seus escravos, não passava de inveja de mulher fofoqueira, desejosa de ter tido a mesma sorte. Inclusive, a história que se conta por aí, de que ela caminhava sobre uma trilha de escravos para não sujar os sapatos franceses quando seguia para seu sítio – que crueldade tem isso? Muito prefeito de interior faz igual ou pior hoje em dia, comprando carros importados com o dinheiro público, e pisoteando, da mesma forma, carentes e futuros cadáveres, e nem por isso deixam de ser admirados e reeleitos.
            O certo é que Ana Jansen incomodava muita gente: era pobre e ficou rica, era feia e teve homem como quis e,  além disso, entrou na política. Criou desafetos às pencas  até que morreu para bem de todos e felicidade geral da nação ludovicense, mais ou menos em paz, em 1869.  


            3. Se esse é um resumo das peripécias de Ana Jansen quando viva imagine o que ela não fez depois de morta!
            Toda quinta-feira ela pegava uma  carruagem , saía do cemitério e ia rever suas diversas casas residenciais. (Tem-se de admitir que a vida no cemitério é meio enfadonha para quem trepava quando e onde queria. O estoque de pretendentes era desanimador, e ainda por cima, não havia viagra).  Era justo que tivesse saudades e quisesse escapar daquela monotonia.  
            Intrépida como sempre, lá ia ela com um batalhão de decapitados dirigindo a carruagem e fazendo um barulho dos infernos. Decapitados? Claro, embora o povo com isso se espantasse, era natural que - depois de lidar, em vida, com certo tipo de gente - ela passasse a confiar, agora, em seres humanos sem cabeça, inclusive o cavalo que puxava a carruagem. O que prova que, ao contrário do que se dizia, era a favor da igualdade social e não via diferença, por exemplo, entre cavalos e seres humanos. Quanto ao barulho, isso só causava estranheza porque ainda não havia trios elétricos e carros de som, cujo barulho, como se sabe, é muito mais ensurdecedor e infernal.

            4. E, foi assim que, de passeio em passeio, eternizou-se a lenda de Ana Jansen e sua carruagem que, no entanto, foi gradativamente caindo de moda e deixando a sensação de déjà vu, substituída que foi pelos desfiles carnavalescos das escolas de samba, repletos de decapitados vivos e cavalos com cabeça, entre demônios sarados e diabas completamente nuas. 
            Hoje, quando ela sai para desfilar em com sua carruagem pelas ruas do centro de São Luis, ninguém se dá ao trabalho de espiá-la (preferem o forró do Arlindo, o reggae da Toca da Praia ou a Bandida). Descansando em sua sepultura, nos intervalos dos desfiles de sexta, ela pensa: “A indiferença desse pessoal não me atinge! Nenhum deles vai virar  lenda!”

                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com    
  

sábado, 4 de fevereiro de 2012

O A-B-C BEM-HUMORADO DE SÃO LUIS (3)



E, continuando a disposição de enfatizar as mais curiosas expressões típicas do Maranhão, de forma bem-humorada, como homenagem aos quatrocentos anos desta cidade eis sua versão terceira. Sempre na carona dos livros sobre esse assunto de José Neres e Lindalva Barros, J.R.Martins, Marcelo Torres, de Brasília, e dos leitores que me escrevem e sugerem.

                       
            Homalhada. Lésbica. O termo teria evoluído como uma corruptela da palavra humilhada, pois houve um tempo, nem tão distante assim, em que se reconheciam  apenas dois sexos e os demais eram humilhados, ao contrário de hoje.  

            Janambura. Dos tempos da... Referia-se a alguma coisa para lá de antiga, tipo bondes, honestidade e vendedor de quebra-queixo. Janambura é um tempo em que, por aqui,  motorista era chamado de chofer, e em que moto só  enchia o saco quando ganhava do Sampaio Correia.  

            Jereba, urubu de cabeça vermelha. Sendo urubu – o símbolo do Flamengo  e, mais ainda, tendo a cabeça vermelha, é possivelmente,  o mais flamenguista de todos os bichos, precisando, com urgência, tornar-se conhecido nacionalmente. Aliás, Jereba não se parece mesmo com o Wagner Love  vertendo copiosas lágrimas  por amor ao mengão, enquanto embolsa quinhentas mil pilhas por mês?




            Junteiro. Aquele(a)  que tem as pernas juntas. Garrincha o mais genial de todos os junteiros morreu pobre porque juntava as próprias pernas  -e separava a das mulheres -, dizem, muito melhor do que juntava dinheiro

            Ladrão. Aquele que executa alguma tarefa com habilidade fora do comum. Ou seja, o Maranhão é a única terra em que ser ladrão é uma virtude e ser taxado disso um elogio. Donde se conclui que os políticos ladrões, que por aqui se reelegem, são admirados primeiro porque roubam e, segundo, porque executam essa tarefa com invejável perfeição.

            Lamparina-de-forró. Pessoa freqüentadora de forró e outras festas. Refere-se a pessoas do sexo feminino, e a chama da lamparina faz alusão a um fogo que demora a  apagar. Nos tempos modernos o termo deveria ter evoluído de lamparina de forró para curto-circuito de forró já que o fogo das forrozeiras atuais, além de ser difícil de apagar pode ser ligado, a todo instante, na tomada. Com três pinos, de preferência.  

            Lascar. Sair-se bem em exames escolares ou em outras provas seletivas. Ou seja, para se entender melhor:  quem se lasca tira zero,  quem lasca tira dez. O que tem tudo a ver, já que as provas do ENEM são “de lascar” e o conhecimento dos alunos  da idade da pedra lascada. 

            Lapinguachada. Vergastada, chicotada. Os especialistas chegaram à conclusão de que não adianta pesquisar a origem porque nunca vai ser descoberto se o termo tem a ver  com as piadas sobre gaúchos que insinuam que muitos  deles  gostam  de levar uma lapingauchada

            Lazeira. Coisa muito ruim. Desgraça! Segundo pesquisadores foi uma simplificação da expressão “descendo ladeira abaixo” Uma coisa é certa: só muita ladeira abaixo ou “lazeira” para explicar como se chegou de Atenas Brasileira  a Jamaica Brasileira.

            Leprelé. Alguém sem valor, desprezível. Muita gente diz que  Pelé como jogador foi genial, mas como pessoa não passa de um Leprelé. Mais gente ainda diz que a Lei Pelé, que ele inventou, está mais para Leprelé do que para LeiPelé.

            Lombra. Ginga, malandragem, vigarice. Muitos homens ainda acreditam  que as mulheres ficam fascinadas com um cara cheio de lombras, mas a verdade é que entre um homem sem grana e outro com lombras,  ela fica com o que tem lombras porque, assim, tem mais chances de garantir os dois.   

            Madame. Donas de cabarés, pensões e prostíbulos. Na realidade, são peruas cuja elegância, charme e inteligência se assemelha  e rivaliza com as que aparecem nas colunas sociais dos jornais da cidade sob o suposto de “gente bonita”

            Lortégane. Ânus. Eis descoberta, no linguajar maranhense, a versão popular mais erudita possível para algo tão popular.

            Mãe-do-corpo – Útero. Ao contrário, porém,  do que se poderia pensar baseado na lei da Relatividade dos Pensamentos e das Coisas o do homem não se chama Pai-do-corpo. Sabe como é... Hoje ninguém sabe quem é o pai.

            Lustro. Surra. Dizem que as vítimas apanhavam tanto que as lágrimas os lustravam. Que crueldade! Hoje quando os humildes não brotam lágrimas, os governos providenciam chuva e lama. Que se não “lustram” a crueldade, a ilustram muito bem.  

            Mal-enjambrado. Mal-vestido, desleixado. Os ricos mal-enjambrados desta terra são tão perfeitos que agora deram para enfiar botox no rosto para melhor aparecerem nas fotos dos jornais. O esforço foi recompensado! Seus rostos ficaram mais mal-enjambrados do que suas vestes.

            Mamanhar. Pedinchar insistentemente com os olhos. Na realidade, nesta terra, a “mamanha” começou com os olhos, depois foi para a mão direita, a esquerda, as duas e, finalmente, todos os órgãos do corpo humano. Todos mamanham por aqui, de flanelinhas a políticos pedindo verbas e cargos. Ou seja, ninguém duvida que a expressão mais certa seria Maramãnhar. 

            Mão-de-Nenêm. Pessoa avarenta, mesquinha, mão-de-vaca.  Segundo os especialistas  a grande diferença do sujeito Mão-de-nenêm para o Mão-de-vaca é que o Mão-de-Nenêm  age assim para  guardar a grana para a mãe do neném, o outro para a  vaca. 

            Livro. Parte folhosa do estômago dos ruminantes. No caso do boi, usado no preparo de mocotó e dobradinha. Dizem que os universitários maranhenses ( que são os que menos lêem no Brasil) lêem bem mais esse tipo de livro do que os outros - de papel.

                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com