domingo, 25 de setembro de 2016

FELICIDADE OU MORTE?




Artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão.

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Felicidade ou morte é o título de um dos livros da lista brasileira de best-sellers de autoajuda. Portanto, caro leitor, seja feliz ou morra, mas, se preferir,  compre depressa o livro e saia por aí dizendo que é feliz. Caso se sinta longe disso, minta que é feliz, grite que é feliz, jure que é feliz. Ou isso ou a morte. Qual dos dois você prefere? Claro que não é a morte, não?





Mas, pera aí. Pense, por alguns segundos, que Suzana Vieira se diz feliz, Galvão Bueno também, e Renan Calheiros, e Nicolás Maduro, e Donald Trump.  Hum...E aí? Tem mesmo certeza de que vale a pena ser feliz? Enquanto isso:
            Fomos encontrar a Felicidade. Ela própria. Soubemos que está depressiva e fomos saber o que ela pensa a respeito de mais um livro sobre si. Estava pronta para desabafar.

            - Não aguento mais.
            - O quê, precisamente, Dona Felicidade?
            - Tanta gente obsessiva atrás de mim. Tanta procura,  tanta adulação, tanta loucura. Tanta gente que diz que me possui. E, pior, sequer sabem o que sou e quem eu sou.
            - E quem você é?
            - Isso é o que eu gostaria de saber. Todos tentam me explicar: filósofos, médicos, escritores, psicólogos, cientistas... Séculos e séculos dedicados a isso, em vão. Só palavreados pra lá e pra cá. Se felicidade é isso que todo mundo pensa que eu sou, desconfio de que nunca fui feliz e nunca vou ser.
            - Se a sra. me permite, estamos diante de mais um problema de identidade. Isso costuma ser grave nas pessoas sensíveis como a senhora.
            - Se fosse apenas isso... A questão é que, mesmo sem saber quem sou me procuram como se eu fosse a chave da salvação para tudo e todos. De repente, me julgam capaz de resolver todos os problemas do mundo.   Ora, eu não sou Deus! Não posso livrar alguém de suas muitas mortes. Definitivamente, não sirvo pra isso.
            - Muitas mortes!? Julgo que estou entendendo a senhora. Não há só uma morte, mas várias, e cada  ser humano é senhor das suas, desde que as enfrente. No entanto,  transferem todas as suas mortes para a senhora. Tanta carga lhe fez sobrevir o estresse, não foi?
            - Estou pra ficar louca com tudo isso!
            -Poxa, dona Felicidade! Como chegaram a tanto, como isso foi possível? Vejo-a extenuada, cansada, pressionada por tanta incompreensão. Não sei o que dizer... Talvez... Bem, só me resta sugerir...
            - O quê, pelo amor de Deus!
            - A sra. deveria procurar um analista, Dona Felicidade. Claro, nem todos se dão bem, mas para muitos funciona. .
            - Jamais! Conheço-os muito bem: eles me usam de forma imprópria, como remédio para seus doentes. Dizem: “procurem  dona Felicidade, ela resolverá seus problemas”. Ora, como um remédio pode procurar  a si como remédio?
            - A sra. tem razão, desculpe minha insensatez. É que me causa amargura lhe ver assim, infeliz. Queria muito que a sra. continuasse feliz. Para bem da vida humana, pelo menos. Senão...
            - E quem lhe disse que me incomoda ser infeliz? E por que a morte me assustaria? Acredite, com tanta gente falando asneira a meu respeito, dia e noite, até que gostaria de ser infeliz, só para que me deixassem em paz, compreende? Estou prestes a adotar um lema: Infelicidade ou morte!
                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

sábado, 24 de setembro de 2016

(BRAD PITT - ANGELINA JOLIE) + RONALDO FENÔMENO =




AS MELHORES NOTÍCIAS DA SEMANA
comentadas por Juca Polincó ( o filósofo politicamente incorreto da periferia ).









1.Anunciada a separação de Angelina Jolie e Brad Pitt
Comentário de Juca: " E agora, o que vai ser da minha fantasia sexual? , sem os dois?"












2.Depois que Alexandre Borges imitou Ronaldo, o Fenômeno e foi pego com dois travestis , num vídeo que bombou  na Internet, a Globo vai retirá-lo das novelas por um tempo para poder 'descansar" a imagem.
Comentário de Juca:








3.Cantor de forró chamado Jonas Esticado faz muito sucesso no interior do nordeste e pretende fazer sucesso nacionalmente.

Comentário de Juca:

"Esticado esse rapaz,né? Mais esticado do que ele só GRITO DE GOL DO FLAMENGO NA BOCA de narrador da Globo ..."





sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A EMOÇÃO BEN-HUR



Jose Ewerton Neto, autor de O oficio de matar  suicidas


            Tivesse eu que apontar 3 filmes marcantes em diferentes fases de minha vida eu escolheria sem pestanejar: Ben-Hur na minha infância; Dr. Jivago na adolescência e A primeira noite de tranquilidade na maturidade. (Maturidade, como se sabe, é aquele breve intervalo de vida que sobra, após a eternidade da juventude).


                                                   


Ben-Hur e Dr. Jivago foram filmes premiados com vários oscars, A primeira noite de tranquilidade, sequer pertence aos cânones dos críticos de cinema. As razões de minha escolha fogem à objetividade da análise dos entendidos em cinema e prendem-se às sensações que os cristalizaram em minha memória  por diferentes motivos. Isso é assunto para outra crônica, mas que outras sensações, além das existentes somente na infância, são capazes de perpetuarem-se a partir de um êxtase?
            Ben-Hur não representou para a minha formação infantil apenas um filme assistido e admirado, porém uma descoberta. O glorioso impacto deu-se quando descortinei,  à vista daquela tela, cenas memoráveis quase ao alcance da mão. Lembro-me de que então, de férias em São Luís, vindo de Guimarães onde morava, minha tia Rosa Ewerton, que era professora, me levou ao cine Éden, onde Ben-Hur permanecia em cartaz. A fita teve uma duração longa e ela, ou porque não tivesse se prevenido ou porque não contasse com minha reação de não arredar o pé de frente da tela, acabou chegando atrasada à sua aula.
             Além do filme, havia mais: um álbum de figurinhas onde se reproduziam cenas do filme e que eu passei a colecionar,  e a colar com afinco , tornando possível sedimentar ainda mais o entusiasmo alcançado.




                                     






 Agora sim, eu tinha à minha mercê para contemplação a hora em que bem entendesse, a disputa entre o bem e o mal  travada entre dois heróis em que, surpreendentemente, nenhum parecia monstro ou bandido:  Ben Hur e Messala;   a corrida de bigas, o sofrimento nas galés, a sorte, a esperança , a transcendência, a generosidade, o medo, o abraço, o milagre.
            Quando vi há duas semanas nas páginas de Veja o anúncio do filme, descobri, a seguir, que já estava em cartaz nos cinemas da cidade. Hesitei em me decidir a vê-lo, com receio de macular todo o encanto que um dia sentira, embora, no fundo, eu soubesse que iria. Existe um jorro  incontrolável que nos leva de roldão ao encontro do que nos magnetizou um dia, sem que possamos recuar.
            Claro, não assisti o mesmo Ben-Hur, nem senti igual  deslumbramento , mas fiquei deveras recompensado. Para ali não fora com o propósito de analisar um filme ou de comparar uma versão à outra. Fui com a missão concedida a mim mesmo de rever a emoção que um dia senti, para dizer: “estou eu aqui de volta, sei que você não é o mesmo, mas vim agradecer pelo prazer que um dia me foi proporcionado 
                                                


”.
            De forma que se alguém,  que assistiu ao Ben-Hur da época, pedir-me um aconselhamento sobre se deveria ir, eu responderei : Vá. Idem para quem não tenha assistido a primeira versão. Não sei se o Ben-Hur 2016 é tão perfeito, grandioso e épico como o primeiro, seguramente não é. Mas, diria que isso não interessa e que o espectador terá diante de si, mais uma vez,  uma narrativa mágica e envolvente. E, com certeza, mais importante de que uma análise cinematográfica, é  encontrar-se diante de uma bela história, com todas as emoções que ela traz.  
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O BEABÁ DE SÃO LUIS




http://www.blogsoestado.com/ewertonneto/


A seguir, mais pérolas do linguajar maranhense a serem inseridas, este ano,  na próxima edição de O ABC bem-humorado de São Luís, escolhidas segundo o potencial de sátira que norteou a primeira edição.

1.COCHICHOLO. Pequena casa, casinhola.
            No Maranhão 3 cochicholos + uma rua e + um quebra-molas, são suficientes para improvisar  um 4º cochicholo ,  a partir de então denominado de Prefeitura Municipal,  com um espertalhão enfiado lá dentro. 

2.COURO. Mulher velha e feia.




                                




            Mais uma dos machões empedernidos da Terra . Para justificar que não davam no couro, os homens passaram a apelidar suas pobres mulheres de couros. Couro neles!

3.DANISCA. Mulher de mau gênio, resmungona e birrenta.
            Ex. “O Brasil levou tanto tempo para ter uma presidente do sexo feminino, chamada Dilma, só para se descobrir que no Maranhão há um nome mais  apropriado para ela: Danisca.

            4.DERRESSOL. Doce feito de mel de cana e coco  ralado.
            Nada a ver com sol. Originou-se no tempo do  réis. Os meninos  saiam e a maior parte deles se dirigia à venda para comprar “de-réis-só”

            5.DISGROTA. Infortúnio, desgraça.
            Como bem disse Dante na sua Divina Comédia: “Não há pior disgrota na vida do que recordar os tempos áureos da juventude, na velhice.”

            6.DORDOLHO. Nome popular de conjuntivite.
            Auto-explicativo: dor de olho fica bem mais inteligível. Esse negócio de conjuntivite parece mais Conjunto de Vinte. Ou de vítimas.

            7.EGUAGEM. Sutileza, manha.
            A palavra égua serve pra tudo no Maranhão, até para elogiar políticos safados.  Mas, por que será então que “Pai D’Égua” é elogio, e “Filho de égua” é insulto?  Dizem que é porque ao invés do avô pai d’égua que está pra morrer, os filhos de égua têm mais tempo para serem insultados.

            8. PRAGA. Mosquito.
            Denominação dos maranhenses aos mosquitos. Já houve registros de maranhenses em visita ao Sul do Brasil que levaram  tapa na cara por perguntarem à vendedoras feias  se elas tinham remédio pra praga.

9.QUALIRA. Gay, veado, baitola.
            O Wikipédia jura de pés juntos que o nome artístico de qualira nasceu porque houve em tempos idos um bloco de carnaval em que se destacava um rapaz efeminado que tocava uma lira ( instrumento de cordas dedilháveis de larga difusão na antiguidade) Então a plateia dizia: “Lá vem ele com a Lira”. A Frase foi diminuindo até chegar a “com a lira” e, daí a qualira.
            Sugere-se que a coisa foi um tanto diferente e que houve também, nos tempos do império um português abastado que morava em São Luis chamado Lira, e que  tentava desesperadamente  cumprir seus dons masculinos diante de uma mulher portuguesa muito fogosa. A mulher, diante de suas tentativas vãs gritava pra quem quisesse ouvir “ Qual,  Lira, não vai adiantar!” De tanto Quál Lira!,  no ouvido Lira acabou virando qualira acompanhado, hoje, por uma uma pá de assemelhados bem maior do que o estádio do Castelão.

            10.REGADA. Linha de intercessão das nádegas.
                                            


            Essa linha, que faz parte do imaginário masculino e não tem vida real, às vezes é substituída por um artifício que as mulheres usam, denominado fio dental. E que tem vida real menor ainda.

            11.SORONHO. Cigarro feito de maconha.
            Teria se originado da expressão muito usada pelos praticantes. “Melhor que isso, só em sonho!” Deu em Soronho.

            12.SOBROSSO. Susto, medo.
            Teria se originado da expressão: “Tremia tanto que a carne fugiu e só sobrou o osso”. Daí, o sobrosso.


                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

sábado, 3 de setembro de 2016

CORPO HUMANO E DESCONHECIDO




artigo publicado quinta-feira no jornal O Estado do Maranhão


Jose Ewerton Neto, autor de O ABC bem-humorado de São Luís  

                “Conhece-te a ti mesmo”, propagava Sócrates milhares de anos atrás. De lá para cá muita coisa se descobriu: avião, televisão, internet, mas a vida dos outros continuou a nos parecer mais interessante que a nossa própria. Como prova o BBBrasil.
            O filósofo referia-se, sobretudo, à nossa mente, mas até quando a coisa se refere ao corpo ninguém sabe bulhufas de si mesmo.  É por isso que muita gente até hoje desconhece que:

            1.Somos corredores natos. Apesar de muitos animais conseguirem correr muito mais rápido do que os seres humanos,  podemos nos orgulhar de sermos os melhores corredores de longa distância do planeta. Na pré-história, os humanos podiam caçar suas presas por dias até que os animais morressem por exaustão.




                                              



            “Portanto, senhores, qualquer ser humano já nasce com uma medalha olímpica, Não é só o Usain Bolt.”

            2.Já nascemos idosos. Os átomos de nosso corpo têm bilhões de idade Os átomos que formam nosso corpo na verdade, são os mesmos que foram criados durante o Big Bang (Grande Expansão), cerca de 13,7 bilhões de anos atrás.
            “Portanto, senhores, essa história de jovem e ancião, novo e  velho é só para nos iludirmos por alguns segundos enquanto a morte não chega. Assim como “todos são iguais perante a lei”  “somos todos velhos perante a Natureza”, ou perante o Big-Bang que, afinal de contas, é a Grande Lei”.

            3. O que seres humanos e bananas têm em comum? À primeira vista, nada. No entanto, pesquisadores descobriram que compartilhamos 50% do nosso DNA com a fruta.
            “A banana é uma fruta tão saborosa, simpática e benéfica que devíamos passar a ter muito orgulho desses 50%. Alguns políticos que elegemos, por exemplo,  que reagem negativamente quando são chamados de bananas devem ter porcentuais menores que os 50 % de semelhanças com elas, senão seriam muito melhores.” 

            4.Brilhamos no escuro. Todos os seres humanos são bioluminescentes, o que significa que acendemos no escuro. No entanto, a luz que emitimos é mil vezes mais fraca do que a média que os olhos humanos podem detectar.
            “À vista de sua  amada, na penumbra do quarto, nada como propagar  essa verdade científica complementando que seus olhos conseguem sim vê-la brilhar no escuro. Depois é só correr pro abraço”.   
         
            5.Seu sangue é um viajante e tanto que percorre cerca de 20.000 km por dia, o que é quase cinco vezes a distância em linha reta entre o  Oiapoque, no Amapá, e o Chuí, no Rio Grande do Sul.
            “Se é assim para um ser humano comum, imagine para os grandalhões do basquete, o quanto não viajam seus sangues!”  

            6.Nosso cérebro foi criado a partir do universo. As conexões entre os neurônios no nosso cérebro são estruturadas de maneira semelhante às conexões do universo. É como se nosso cérebro tivesse sido criado, tendo o universo como modelo.




                                          





            “E ainda tem gente arrogante  que nega a existência de uma harmonia vital em todas as coisas. Ou seus cérebros foram estruturados à revelia ou acham que carregam Deus na cabeça, ao invés do Universo”.

            7.Os sentidos da vida. Uma das primeiras coisas que aprendemos na escola é que temos cinco sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar. No entanto, temos cerca  de 15 outros sentidos, como equilíbrio, dor, tempo, temperatura e sede.
            “Isso para os seres humanos normais, mas há exceções. Para os fãs de Wesley Safadão e Luan Santana, por exemplo, existem pelo menos 3 sentidos a menos: visão, audição e paladar.”  


                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

quinta-feira, 25 de agosto de 2016

OLIMPÍADAS NA ATENAS BRASILEIRA




artigo publicado hoje no jornal
O estado do Maranhão.
http://www.blogsoestado.com/ewertonneto

Você sabia,  caro leitor, que entre 1912 a 1948 foram sete as competições artísticas, dentro das Olimpíadas? E que esse tipo de competição foi inspirada no modelo da  Grécia Antiga? E que as modalidades artísticas eram: literatura, música, pintura, arquitetura  e escultura? E que as obras eram enviadas para um comitê avaliador e deviam ter temática esportiva? E que...

            Paremos por aqui por falta de espaço, mas, sim, senhores, nada impediria que esse tipo de competição fosse renovado, a bem dessa  interação que deve sempre existir entre arte e esporte. Afinal de contas “mens sana in corpore sano”. Ainda mais que o motivo de essas modalidades terem sido banidas da competição, deveu-se ao fato de serem, então,  os artistas concorrentes profissionais da arte, e prevalecia o critério de que os concorrentes tinham de ser todos amadores para não “ferir” o espírito olímpico. Ora, hoje em dia os atletas que disputam são todos “profissionalíssimos” a julgar pelos rios de dinheiro que faturam, e essa razão não constituiria mais um empecilho.

            Mas, quem sou eu, um cronista de província a pleitear uma mudança de tal envergadura numa decisão que afeta o mundo todo, e não só esportivo. No entanto, guardadas as devidas proporções lembro que aqui mesmo, em nossa ilha, os jogos olímpicos artísticos,  vamos dizer assim, mantêm, mesmo aos trancos e barrancos (talvez mais trancos que barrancos) a chama olímpica acesa.



                                                 

                                                 



            Refiro-me ao Concurso Literário e Artístico Cidade de São Luís que todos os  anos premia, edita e revela talentos novos e antigos de nosso estado: são os nossos ‘atletas da mente’, forjados na leitura e no apego aos livros, esforçados, lutadores , incansáveis, dedicados e sonhadores que, nessa ocasião, retiram das gavetas e do ostracismo cruel a que são relegados, seus originais  para vislumbrarem  uma luz no fim do túnel a partir de uma eventual premiação para, a partir daí,  espalharem a chama do talento artístico que possuem para  divulgar o que ainda resta de Atenas Brasileira por aqui , às gerações atuais e vindouras.
            Não parece se mirar, porém, no espírito olímpico individual ou coletivo de alguns abnegados as decisões governamentais. Assim é  que, mesmo tornado Lei, o Concurso Literário e artístico da Cidade padece de continuidade e consolidação, tantos anos após ter sido implementado. Ao invés de se fixar como celebração ao talento, definitivamente efetivado, sofre o Concurso, assim como a Feira do Livro,  dos humores de nossos administradores e da depreciação do seu conteúdo,  sendo tratados costumeiramente como meros adendos de outras realizações espúrias que absorvem mais das finanças públicas. Com isso,  quando se premia um vencedor, não se edita, ou quando se edita não se premia.                                            
            Vieram as novas administrações e com elas, a perspectiva e a esperança de que o tratamento dado à vocação olímpica de uma cidade, tendo como meta a glória ateniense 
cultural, artística e esportiva, não seria daqui por diante,  obstaculizada.  Porém, o ano de 2016 caminha para o seu final,  as resoluções são adiadas e paira sobre o Concurso e a Feira  o fantasma da dissolução, da dúvida  e do desconhecido.
            Que os ventos da racionalidade sobrevoem a Ilha, e inspirem as decisões  administrativas para que o Concurso não se transforme numa triste olimpíada em que seus vencedores não recebem as medalhas a que fizeram jus.
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com
                                                                                             


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

JOMAR MORAES E O "EXISTIRMOS"



artigo publicado hoje, quinta-feira, no jornal
o Estado doMaranhão

EXISTIRMOS: a que será que se destina? Se pensarmos na existência da humanidade, como um todo, não se encontrará resposta fácil para essa questão na ciência, sendo necessário que nos socorramos da religião e da fé como solução para essa indagação tão vital, mas tão secundarizada no dia a dia dos homens. “Não se preocupe em entender, a vida é absurda!”, já sentenciava Clarice Lispector.
            Diante das falas emocionadas das últimas homenagens prestadas a Jomar Moraes (não cabe aqui  a descrição de sua rica biografia tão conhecida de todos)  por representantes da AML, da sociedade, amigos e parentes, ficou-me a convicção  de que o “existirmos” de Jomar Moraes se destinou, por vontade própria, à cultura e aos livros, usando como veículo para a consumação dessa sina,  por ele escolhida, a AML, instituição à qual dedicou quase uma vida inteira.
            Ao enfatizarem essa simbiose, os confrades Benedito Buzar, presidente da AML e Lourival Serejo, em ocasiões distintas,  sugeriram que Jomar Moraes tantas vezes foi a própria AML, enquanto teve vida para incorporá-la, no exercício dessa capacidade de encontrar essa destinação, tão rara em muita gente, que motiva a própria existência. “O segredo da  existência humana consiste não apenas em viver mas em encontrar um motivo para viver”. O resto ( e como foi grande esse resto!) foi, entre outros dons, a sua generosidade tão decantada e exaltada pelos parentes e amigos.
            No meu caso, essa generosidade se manifestou através de uma amizade de raízes antigas e familiares (meu pai Juvenil Ewerton aprendeu a tocar saxofone com o seu, Alípio de Moraes, que era músico e compositor) e facilitou-me a posterior inclusão na vida literária maranhense, primeiro ao possibilitar a publicação, pelo extinto Sioge que dirigiu, do meu primeiro livro de poesias  chamado Estátua da Noite quando, vindo da adolescência, eu não sabia que podia vir a ser poeta e, depois,  ao enviar para o escritor e cineasta José Louzeiro, sem que eu soubesse, os originais da novela  O prazer de matar   que, depois de uma resposta encorajadora e entusiasmada do consagrado escritor maranhense,  mostrou-me  que eu podia vir a ser escritor.  
            “Pois quando tu me deste a rosa pequenina ” é o verso seguinte de Caetano Veloso, que sucede  ao verso-indagação do início desta crônica e que pertence à, talvez , sua mais bela composição, o xote Cajuína, que foi escrita em homenagem ao poeta e compositor piauiense Torquato Neto, precocemente morto. Esse verso, que não é uma rima e, muito menos, uma solução, como diria Drummond,  sugere que o “Existirmos” de determinadas pessoas, quando especiais ( por terem encontrado a sua destinação), complementam e ajudam o Existirmos de tantas outras. O que  também foi evocado pelo poeta Chico Poeta em sua homenagem póstuma a Jomar Moraes quando exaltou jamais haver se constrangido,  pelo contrário sempre se orgulhou, de ter usufruído e tirado proveito dessa generosidade intelectual de Jomar Moraes , uma Biblioteca Ambulante a serviço da comunidade, como eu também me referi , em entrevista no mesmo dia de sua morte , reproduzida nas páginas deste jornal.
            Pois foi essa rosa cristalina da esperança na cultura e nos livros,  que densamente povoou o seu EXISTIRMOS  e que ele espalhava  para iluminar a destinação de tantos outros, como eu, no rumo da vocação literária ou artística , a que repousava,  entre  outras rosas que lhe foram presenteadas em seu ato final;  oferendas recíprocas que levou  em sua viagem, no rumo de sua , agora sim, imortalidade.

                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

O QUE ELES VÃO DIZER AO DIABO




artigo publicado no jornal o estado do Maranhão

Uma indagação recorrente em entrevistas do jornal literário Rascunho  aos escritores é sobre o que eles acham da eternidade. Anos atrás, na revista Época, perguntava-se, ao fim de determinadas  entrevistas, o que as celebridades diriam quando encontrassem Deus. Ambas as questões parecem fazer parte dessa obsessão por transcendência, tão característica do gênero humano.
            Ora, perguntas desse tipo sugerem dois engodos: primeiro o de se admitir que alguém, só porque seja famoso ou tenha virado celebridade,  possa ser eterno ou chegar ao céu. Segundo,  o  de que Deus vai ter paciência com alguém que já chegue mentindo.
            Como “o justo peca noventa e nove vezes ao dia” (como disse o próprio Jesus Cristo) eles só  esquecem de perguntar o que dirão as pessoas quando chegarem ao inferno e encontrarem, à sua frente, o diabo. Basta imaginar:

            1.LULA. “Companheiro, estou me sentindo em  casa. O ambiente é vermelho, tem foice pra todo lado  tá cheio de gente do PT e ainda cima posso tomar minha 51 sem repórter nenhum pra me aporrinhar. Bem, só falta agora gelar um pouquinho a marvada... Com esse calor não dá, né companheiro?”

            2.XUXA. “Juro que não sei a razão de ter vindo parar aqui. Será por que fiz filmes pornôs seduzindo garotinhos, ou será que foi por ter enganado os baixinhos a vida inteira? Ou ainda por ter transado com Pelé, por dinheiro? Ora, se foi por causa desta última exijo um advogado. Preconceito racial até no inferno, não dá.” 


                                             

       
          
            3.PAULO COELHO. ”Nunca pensei que mentir,  ou escrever mal,  fosse motivo pra vir parar por aqui. Juro que se me mandarem de volta mudarei o título do meu best-seller de O Alquimista para O Diabólico. Faria mais sentido, aliás. Que tal?”

            4.SUZANA VIEIRA. “Estou  revoltadíssima! Desde quando caçar gigolôs é pecado? Exijo que me mandem de volta para a Terra ou me enviem para o purgatório. Bem, se não der, pelo menos me arranjem um diabo jovem pra matar esse calor abrasante que tô sentindo no corpo inteiro. Não o daqui, mas o meu.”

           
            5.FELIPÃO. “Se me trouxeram para cá porque sou grosso e arrogante aviso-lhes  que vocês estão correndo sério risco, porque, além disso, ainda sobra mau caráter. Já se me trouxeram por causa do 7 a 1 , desconfio de que não avaliaram bem a tragédia. Já pensou quando o Fred e o David Luís chegarem por aqui e eu for convidado para treinar o time do Inferno?”


                                       



  6.EDUARDO CUNHA. “Bom dia ou boa noite,  tanto faz, mas aqui tá um apertacunha danado! Ainda bem que lá embaixo já estava me acostumando com o Aperta Cunha.”

 7.ZÉ DIRCEU, representando a imensa fila de corruptos. “Não estou entendendo. Quando vendemos a alma ao diabo imaginamos que o povo mais uma vez é que fosse pagar, como costuma acontecer em nosso país. Imagino que a alma de Sergio Moro deve estar infiltrada entre vocês. Tratem de dar um jeito antes que seja tarde. Pra vocês e para nós.”

            8.JOÃO SANTANA, marqueteiro de Dilma. “Sejamos objetivos e tratemos de  negociar. Você me arranja um jeito de eu transferir trinta trilhões de dólares para o paraíso ( o fiscal, claro) e eu faço com que você ganhe as próximas eleições para rei do Universo. Acredite, para quem fez Dilma Roussef ganhar duas eleições no Brasil, eleição no céu é uma barbada.”

                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

terça-feira, 26 de julho de 2016

O LINGUAJAR MARANHENSE (pérolas)




artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão


Jose Ewerton Neto, autor de O ABC bem humorado de São Luís

            Mais pérolas do linguajar maranhense estarão na segunda edição de O ABC bem humorado de São Luís, a ser relançado este ano. As expressões  abaixo foram extraídas da Revista de Geografia e História, edição de Dezembro de 1953, do capítulo A linguagem popular do Maranhão, de Domingos Vieira Filho,  (escolhidas segundo o potencial de sátira, critério que norteou a escolha das expressões na primeira versão) 

            1.Afolosado. Escangalhado, esbandalhado, quebrado, em estado imprestável. Ex. “Para deixar uma seleção brasileira de futebol afolosada carece onze  alemães profissionais. Já para deixar uma Petrobrás afolosada só precisa de meio time de corruptos.”
            Sugere-se que o termo teria se originado da palavra aforrozada. As moças que saiam para dançar  forró até tarde, estendiam a noitada e, segundo a maledicência, voltavam aferrozadas ao invés de aforrozadas. Daí se chegou ao afolosada.

            2.Andaço. Mal estar que acomete várias pessoas ao mesmo tempo. Provavelmente deriva do mal que anda. Ex. “Uma epidemia de  Zika é assim. Começa com um voo ( do mosquito) e termina em anda ço.”

            3.Apertacunha. Quando várias pessoas se apertam em local exíguo, aglomeração em sítio pequeno. Ex. “Cunha ex-presidente da câmara, teve que cair fora quando não aguentou o Apertacunha. Ou o Aperta Cunha!, como preferir”.

            4.Bambi. Coisa imprestável. Ex. “Os são paulinos são chamados pelos corintianos de bambis, mas aí é por outro  motivo. Ou seja, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come...”

                                            



            5.Baseado.Apianado, excelente, ótimo. Teria se originado da exclamação comum aos que fumam o primeiro baseado: “Baseado no meu baseado, só outro baseado!”

            6.Birro. O órgão masculino quanto teso e viril. Sugere-se que o termo teria se originado quando os homens, para  se gabar, diziam que tinham os seus tamanhos equivalentes aos dos burros. Daí virou burro por corruptela.

            7.Cacholeta.Golpe violento vibrado com as pontas dos dedos na orelha de outrem. Ex. “O mal da música sertaneja que inferniza nossos ouvidos começou quando os pais das duplas economizaram cacholetas na educação de seus filhos e não educaram seus ouvidos para escutar coisa que preste.”




                                                 




            8.Carachué. Homem que vive a expensas da mulher. Gigolô. Ex. “Um dos acessórios de moda preferidos hoje em dia pelas peruas da soçaite, ou celebridades do mundo artístico é o Carachué. Concorre com a bolsa Louis Vuitton, com a vantagem de que a leva pra casa. Não à perua, claro, mas a bolsa. 
“
            9.Chandanga. Nádegas volumosas. “Aviso aos apressados: não é porque as possuidoras de nádegas volumosas tenham hoje nome de fruta: mulher Melão, mulher Melancia, mulher Pera e mulher  Jabuticaba, que chandanga seja fruta. Jamais peça uma chandanga na feira, a não ser que a feira não seja de frutas, mas de outro tipo de fruto”.

            10.Chocar. Fugir à luta, acovardar-se. “Aqui no  Maranhão, ao invés de os machões cantarem o hino nacional dizendo “Verás que um filho teu não foge à luta”, eles cantam “Verás que um filho teu nunca chocou”. As galinhas vibram.
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com


O LINGUAJAR MARANHENSE (PÉROLAS)


segunda-feira, 18 de julho de 2016

TIM MAIA DOIDÃO E MEIO?




Doidão, Inconsequente, Irreverente, Engraçado, Obeso, Viciado, Massa! Tantos adjetivos um a um foram aplicados a Sebastião Rodrigues Maia ( Tim Maia ) , mas , nenhum da forma que ele mais almejava: o de gênio da música, pelo menos, na mistura de ritmos, soul, funk, rock em cujo sumo  ele cristalizou seus maiores sucessos. 
            E olha que gênio não é epíteto tão raro assim num ambiente em que todos se consideram como tal, bastando para isso vender  discos, ser aclamado pelas plateias e ter suas músicas escolhidas como trilhas de novelas. Exige-se, no entanto,  alguns atributos especiais, que vão além da mera avaliação do talento musical,  e a sua concessão, pelos críticos musicais,  exige algumas virtudes, digamos assim, mais palatáveis que as possuídas pelo gordo  e mulato Tim Maia.
            Como, por exemplo, seu oposto,  Chico Buarque de Holanda. Esse nasceu para ser considerado Gênio, antes, agora e depois, aqui, lá e acolá. Esse sim! Nascido boa pinta, de família conceituada e rica, inteligente e culto, (o tipo de marido que todas as mães desejavam para suas filhas), a aura de gênio lhe caiu como uma  luva. E, se, por oportunismo ou não, apropriou-se da sina de revolucionário e contestador (uma atividade que ele, de fato, jamais exerceu) aí mesmo é que sua genialidade passou a jorrar do altar de herói para onde foi alçado por falta de outro,  mais verdadeiro  ou conveniente.
            E, assim como a ele, a carapuça de gênio também coube e continua coçando na cabeça de tantos: Caetano Veloso, Gilberto Gil, Milton Nascimento e, mais tarde, até  Roberto Carlos,  etc. , uma coleção de incensados por causa do  talento , claro, mas,  sobretudo, por incorporarem figuras palatáveis para a sociedade. 



                                             




 Esses não tinham os olhos verdes de Chico, mas adquiriram o passaporte para a genialidade por suas posturas festivas,  simpáticas e dançarinas,  de uma rebeldia  de ocasião, asséptica e inofensiva.
            Mas Tim  Maia , não. Era gordo, feio, e  mulato, um viciado   ostensivo,  que fazia a apologia das drogas que consumia em shows, na vida particular, na cadeia e onde houvesse espaço. A biografia de Tim Maia escrita por Nelson Motta, que acabei de ler,  esmiúça os aspectos mais bizarros de sua trajetória, mas não explica a razão por trás de sua tragédia pessoal,  nem o traduz para as gerações vindouras. Cantor e compositor bem mais que medíocre, sempre soaram raros na sua avaliação, tanto uma negativa plena como um arroubo de exaltação,  Tim Maia nunca passou de um artista considerado apenas “aceitável” pela classe média,  que o consumia e com ele ria. 
            O livro de Motta,  padece da carência da perspicácia do leitor para sugerir que sua incompatibilidade com a vida talvez estivesse nisso mesmo: num julgamento arrevesado e mediano que ele próprio fazia de si mesmo, daí a jactância, que superexagerava, para compensar tantas frustrações em relação ao ambiente em que passou a viver e no qual, para sobressair , teve de se impor na marra.
            Da sua frase mais emblemática relativa ao país em que vivia e ao ambiente que o cercava Tim Maia disse: “O Brasil é um país em que puta goza, gigolô tem ciúme, traficante fuma maconha e pobre é de direita”. Só faltou  completar: “e que  jamais reconhecerá,   com a mesma medida dos favorecidos, o talento dos gordos , feios,  mulatos e drogados.“ Como ele,  Tim Maia. 

                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com