sábado, 19 de novembro de 2016

A DIFERENÇA ENTRE O DINHEIRO 'VIVO' DE LULA E O NOSSO


artigo publicado no jornal o Estado do Maranhão

José Ewerton Neto, autor de O entrevistador de lendas ( book trailler abaixo)

Primeiro a eleição de Donald Trump, depois a SUPERLUA. Alguma coisa a ver? Aparentemente não, mas a ‘realidade’ tem razões que a própria razão desconhece. Isso segundo afirma JUCA POLINCÓ, ex-jornalista, ex-comunista, ex-jogador de futebol, enfim, ex-tudo, antes de se tornar, segundo ele próprio afirma, um filósofo. Tanto assim que se autointitula Juca Polincó, (o filósofo politicamente incorreto da periferia).
            São deles   os  comentários que aqui reproduzo.(Não necessariamente em nome da concordância com suas ideias, diga-se de passagem ) .







            1.A SUPERLUA (fenômeno pelo qual a Lua pôde ser vista em tamanho maior) aconteceu ontem  na Terra.  Foi a maior aproximação da Lua com a Terra  desde 1948.
            Comentário de Juca:
            “Tenho certeza de que esse fenômeno aconteceu - por algum desvio da trajetória e com muito maior aproximação - há alguns dias atrás nos USA, mais precisamente no dia da eleição presidencial. Deve ter sido essa a razão pela qual os norte  americanos , sob sua influência,  repentinamente ficaram lunáticos,  a ponto de votarem em Trump. Só isso explica. Estavam sob o efeito da Lua!”



                                    




            2.A eleição de Donald Trump, com a entronização de Melânia Trump como primeira dama dos USA confirma uma tendência: ex-modelos como primeiras-damas.  Aliás, mulheres que já tenham posado nuas, neste século, já despontam como favoritas para ocuparem cargos públicos. Recentemente, na Ucrânia, Anastassia Deeva, de apenas 26 anos de idade e habituê de ensaios  sensuais, foi nomeada vice-ministra do Interior sob muita polêmica.
            Apenas como primeiras damas, primeiro foi Marcela Temer, agora Melânia Trump. Antes disso já houve a Carla Bruni, esposa de Nicolas Sarcozy, na França. Descortina-se, portanto,  um novo futuro para as modelos: ao invés de Ex-BBBs, Primeiras-Damas.

            Comentário de Juca:
            “Ao invés de isso ser interpretado como uma coincidência, é tempo de que todos se conscientizem de que estamos diante de uma nova regra que  poderia se chamar Postulado Zero da Pretensão Presidencial que se enuncia: “ Se você pretende ser presidente de um país grande e forte, primeiro case com uma modelo com 30 anos menos – de preferência que já tenha feito nus. Depois disso a presidência lhe cairá como uma  luva. ”
           
            3.A Revista Isto É desta semana denuncia que  Lula recebeu propina em dinheiro vivo.
            Comentário de Juca:
            “Felizes os que podem escolher se recebem dinheiro vivo ou dinheiro morto.  Nós, pobres, só recebemos  dinheiro espírita, ou seja , aquele que só aparece quando se sonha.
            Só não dá pra entender é tanta surpresa quanto à Lula e o dinheiro que recebeu ainda vivo (o dinheiro, claro). Como todo mundo sabe Lula sempre foi mais vivo do que o dinheiro que recebe!”  

            4. A eleição de Donald Trump  para presidente do maior país do mundo, com zero de 
experiência administrativa, e com o único mérito de ter comandado um Big-Brother  revela a chegada de um novo tempo.
            Comentário de Juca:
            “Finalmente!  Deixamos de ser espectadores para sermos (todos os humanos vivos ) participantes de um imenso Big-Brother. Era inevitável, embora tenha acontecido mais cedo do que se esperava.  E nosso comandante será o animador Donald Trump.

            Bem, para os brasileiros resta o consolo de que podia ser pior. Por mais canalha que seja, Trump não é um farsante como Pedro Bial ou um bobalhão como Roberto Justus.

sábado, 12 de novembro de 2016

domingo, 23 de outubro de 2016

BOB DYLAN VENCEDOR (ou o prêmio que queria um prêmio)



(Jose Ewerton Neto, autor de O oficio de matar suicidas)
artigo publicado no jornal o Estado do Maranhão


A recente premiação do Nobel de literatura para Bob Dylan, poeta e músico (porém, mais músico que poeta)  indignou muita gente no meio intelectual e provocou um daqueles debates sem solução a que já estamos acostumados, em outros temas. Neste  caso: até que ponto um prêmio de literatura deve ser exclusivo de quem pratica a literatura através da escrita de livros?
            Alguns elementos para o debate:

            1.Bob Dylan tem tal envergadura como ícone da cultura universal  do final do século passado que não vale a pena esmiuçar sua biografia à cata de referências que o credenciem como artista. É desses talentos que, surgindo raramente, conseguem aglutinar multidões em torno de seu brilho, e conseguem cintilar, mesmo num céu já polvilhado de estrelas.

            2. Seu talento musical, no entanto,  é de tal  forma exuberante que limita a compreensão do seu alcance literário e esse parece ser o xis da questão. Como dissociar uma coisa da outra? Se a concessão de um prêmio é, por natureza,  competitiva, deveria ser elementar que todos pudessem disputa-lo em igualdade de condições. Ora, soa como covardia para com os demais poetas do mundo ( que escrevam apenas livros) que um deles possa concorrer  a um prêmio literário à reboque das músicas que canta, e das fascinações que suscitou a partir disso.

            3. Parece oculto a tanta gente que discordou da escolha, o fato de  que a literatura sai ganhando com a eleição de Dylan de uma forma sutil, porém mais explícita do que aparenta à primeira vista.  Sim, a velha Literatura sai dos debates irradiando mais uma vez a sua notável abrangência  e sua face universal ( principalmente para os que disso ousam duvidar) de maior de todas as artes.  Só mesmo a Mãe  Literatura, poderia encampar , sob debates, ou não , um divo de outra arte, colocando- o  premiado sim, mas como um refugiado,  sob seu manto.  
                                                  
                                    

            4.A atribuição do Prêmio de Literatura para Dylan (sendo ele estranho no ninho ) nada tem de  inovadora, inusitada, sequer original. Aqui mesmo, no Brasil, escritores e críticos literários que se escandalizaram  com a escolha do músico, aceitam naturalmente que Chico Buarque de Holanda, por exemplo, seja concorrente a prêmios literários e os vença , sem mérito literário, certamente porque pesa na concessão do prêmio, a densidade de seus títulos  oriundos da música . No caso de Dylan há uma diferença. O norte- americano jamais se propagou  escritor ou poeta, como fez Chico Buarque . Não foi ele quem procurou o Nobel, mas, o vice-versa que aconteceu.

            Dito isso, os argumentos contra e a favor de Dylan/Nobel,  se exaustivamente discutidos, apenas escondem  o aspecto mais danoso dessa problemática. Até que ponto hoje se fazem prêmios para...premiar o prêmio? Seja na Suécia, no Brasil ou em Portugal? Quantos dos prêmios imerecidamente ganhos por Chico Buarque, Gabriel Pensador e outros aconteceram apenas por que, hoje em dia, não se fazem mais prêmios para premiar o escritor, mas escolhe-se alguém famoso para engradecer o prêmio?
            Neste sentido, o maior dos prêmios, conhecidos, o Nobel apenas se tornou mais uma vítima dessa doença típica da modernidade: a de querer aparecer - como diria o caboclo. E escolheu para isso (maquiavelicamente, diga-se de passagem) alguém acima de qualquer suspeita: o grande Bob Dylan.

                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

terça-feira, 18 de outubro de 2016

ADOLESCENTE VIROU ROBÔZINHO




MAIS NOTÍCIAS DA SEMANA COM COMENTÁRIOS
de Juca Polincó ( o filósofo politicamente incorreto da periferia)



1.Os cientistas David, Duncan e Michael ganharam o prêmio Nobel 2016 de Física há poucos dias investigando o estado exótico da matéria.
Comentário de Juca:

"Imagine o impacto para seus estudos quando virem a foto do rosto de Ludmila após a cirurgia que fez. Agora vão ter que evoluir para estudar a transição da matéria para estados super-exóticos!"



2.Cláudia Leite disse em programa de tevê que rasgou calça dançando KUDURO
comentário de Juca:

" Bem melhor do que rasgar o KU dançando PDURO , certo, Cláudia? Ou não?"



3. Mulher Melão provou que tem palavra. Na noite da última quinta-feira (13), Renata Frisson, resolveu cumprir a promessa feita aos torcedores rubro negros e postou uma foto como veio ao mundo, em seu perfil no Snapchat. A regra era tirar uma peça pra cada gol.
Comentário de Juca:

"Mulher de palavra ( e de bunda solta ) é essa daí . O problema é que se ela for esperar cada gol  de Leandro Damião e Guerreiro pra  tirar uma peça , vai morrer de bunda frustrada por não poder exibi-la. Será que, como dizem os rivais palmeirenses, vai precisar pedir ajuda da Rede Globo pro Flamengo fazer gol e ela poder mostrar a bunda?"

domingo, 9 de outubro de 2016

NO MARANHÃO SE FALA ASSIM




artigo publicado no jornal o Estado do Maranhão


Aqui se fala assim. Ou se falava? Dia virá ( e não falta muito) em que do Oiapoque ao Chuí só haverá uma fala, sem a riqueza idiomática peculiar a cada região do país.  E essa fala será em uníssono, repetição das asneiras que se repetem na Tevê: no maneirismo dos apresentadores, nos tiques das celebridades das novelas, uma coisa só.  
                Bem, o que ainda se fala por aqui estará na reedição de O ABC bem humorado de São Luís, ainda  uma vez explorando sua provável origem risível.

                BICA. Torneira.
                O maranhense chama torneira de bica porque num estado com tanta abundância de água de chuva, o fato de as torneiras viverem secas só tem uma explicação. Para muita gente, o negócio de água virou bico.

                PEGADOR. Brincadeira de esconde-esconde. Originalmente, de crianças.
                A brincadeira adquiriu esse nome por aqui porque o garoto, futuro ‘pegador’, começa sua futura vocação de Don Juan se escondendo com as meninas, sabe-se lá onde.

                JUÇARA. Açaí
                O maranhense chama açaí de juçara porque lembra uma crioula com esse nome, suculenta, gostosa e que vai lhe dar muita força e algo mais.

                ATRACA. Diadema ou tiara.
                O que lá fora é chamado de diadema ou tiara ganhou por aqui o nome de atraca, porque, antigamente,  os marinheiros quando aportavam no Desterro  doavam tiaras para as meninas da Rua 28, (zona do baixo meretrício) com o objetivo, pré-anunciado, de atracá-las.

                RI-RI. Fecho éclair, zíper.
                O maranhense chama zíper de ri-ri porque, via de  regra, quando ele abre o de sua parceira e ri de felicidade. Depois é a vez de ela rir, quando abre, por sua vez,  o dele.

                                         




                BANHAR. Tomar banho.
                O maranhense diz banhar ao invés de tomar banho porque, ao contrário dos que aqui chegaram tentando impor a fala “tomar banho”, não está tomando o banho de ninguém, aqui chove o suficiente, não há razão para isso.

                BALDIAR. Vomitar
                O maranhense diz baldiar ao invés de vomitar porque no carnaval de antigamente ( quando o daqui era o terceiro do Brasil) ao chegar na quarta-feira de cinzas estava tão bêbado que na hora de vomitar confundia o penico com um balde. 
               
                PEGAR CORDA. Ficar zangado.
                O maranhense , quando está zangado diz até hoje que está pegando corda porque na época da escravidão quando o feitor se zangava , bastava ameaçar os escravos: “Já tô pegando a corda!”

                DIZENDO. Algo está ‘Dizendo’, quando dá uma impressão muito positiva.         
                O maranhense julga que uma coisa espetacular está dizendo por que certas bocas gostosas  (mudas e não oficiais, de sua parceira ) no seu entender, só faltam falar, e dizem mais que se pudessem.  

                CINTURÃO. Cinto grande.
                O maranhense chama cinto de cinturão porque quando as crianças apanhavam de cinto,  a dor era tanta que viam tudo no aumentativo. Não parecia cinto, mas um cinturão.

                HEIN-HEIN. Concordância, negação. Fala-se com a voz anasalada.
                Essa expressão típica maranhense tanto pode significar sim como não. Até hoje, as grandes decisões administrativas maranhenses são tomadas desse jeito. Daí...  nosso  caos organizacional .  Antigamente, durante o casamento,  tanto o noivo como a futura esposa diziam Hein Hein, ao invés de sim ou não, quando o padre perguntava. Acontece que ao sair logo depois, atrás da virgindade da esposa,  o marido, atônito perguntava “Hein? Onde?” Ela respondia Hein, Hein, confirmando que havia acabado de surgir um corno novo na praça .

                                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

domingo, 2 de outubro de 2016

A FRASE MAIS FEIA DO MUNDO




artigo publicado no jornal o Estado do Maranhão

http://www.blogsoestado.com/ewertonneto/

Jose Ewerton Neto, autor de O oficio de matar suicidas

            De vez em quando, alguém que pretende se colocar num patamar superior,  de onde possa contemplar abaixo pessoas, a seu ver, carentes de atributos físicos, comenta: “Que me perdoem as feias, mas a beleza é fundamental”.
            E para isso se socorre dessa  frase,  do poeta Vinícius de Moraes que, de tão repetida, virou clichê, sem se dar conta de que, ao pronunciá-la, se torna tristemente feio (dessa feiura que se apropria daquele  que  não sabe o que diz), fazendo  com que outro alguém, atentando à sua figura , constate  estar diante de um paradoxo: “Como um sujeito feio desses tem a coragem de criticar as mulheres feias?”.



                                            



            Neste ponto cessa a incoerência para imporem-se a pretensão e o oportunismo. O repetidor  ‘aluga’  o talento de Vinícius de Moraes para doar-se a aura de sapiência e infalibilidade, justificando-se, nas entrelinhas : “Não sou eu quem estou achincalhando uma grande parte das mulheres, mas o poeta. As feias que me perdoem”.
            Como se um grande artista, como Vinícius de Moraes,  não pudesse ter criado uma frase, no caso um verso,  indigno de si.  No plano  sentimental a expressão não faz jus, sequer,  à sua fama de mulherengo e apreciador de mulheres . Isto porque um grande amante e conquistador (leiam livros que esclareçam  a psique do Don Juan, especialmente o romance Casanova de Andrew Miller) ama todas as mulheres e não apenas uma. A mulher que um homem galante privilegia  tem na beleza física apenas um detalhe,  porque ela é a representação de todo o  gênero feminino em uma só. Esse é o seu dom. Não há na boca do verdadeiro conquistador  palavras de desprezo a  um determinado contingente das mulheres, só elogios.
            Se no plano sentimental é frase é infeliz, no plano poético é mais ainda, porque “O que é mesmo a beleza?” A interpretação corrente é a de que o poeta, mesmo se referindo à beleza de forma abrangente ao direcioná-la ao universo feminino usou-a de forma limitadora e intencional.
            E, depois, o que o credenciava a falar das mulheres com tal autoridade? Em que medida as mulheres do mundo, supostamente desprovidas de encanto,  foram atingidas por seu insulto a ponto de ser necessário pedir perdão ? Não sendo isso suficiente, há de se acrescentar ao ato falho  mais um ingrediente : a arrogância, já que no conteúdo da frase há um desprezo machista à todas mulheres, não somente às feias (que só as muito ingênuas não conseguem alcançar). 

                                       




  
            Justamente porque a beleza é esse dom praticamente indefinível que não está ao alcance da interpretação de qualquer um. Que existe de mais belo do que as  mulheres de rostos ovalados e com os olhos vazados do pintor  Modigliani? E, no entanto, para o entendimento de muita gente são expressões de feiura  e não de beleza. Evidente que Vinícius de Moraes, um grande poeta,  devia saber disso. Presumir o contrário seria desqualifica-lo como homem sensível e como um apreciador do sexo feminino.
             Falha pior que a do  poeta,  no entanto, cometem aqueles que,  sequer tendo a preocupação de serem originais,  repetem a frase  à exaustão, tornando-se cada vez mais parecidos com o que vivem repetindo: uma grande besteira!

                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

domingo, 25 de setembro de 2016

FELICIDADE OU MORTE?




Artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão.

http://www.blogsoestado.com/ewertonneto/

Felicidade ou morte é o título de um dos livros da lista brasileira de best-sellers de autoajuda. Portanto, caro leitor, seja feliz ou morra, mas, se preferir,  compre depressa o livro e saia por aí dizendo que é feliz. Caso se sinta longe disso, minta que é feliz, grite que é feliz, jure que é feliz. Ou isso ou a morte. Qual dos dois você prefere? Claro que não é a morte, não?





Mas, pera aí. Pense, por alguns segundos, que Suzana Vieira se diz feliz, Galvão Bueno também, e Renan Calheiros, e Nicolás Maduro, e Donald Trump.  Hum...E aí? Tem mesmo certeza de que vale a pena ser feliz? Enquanto isso:
            Fomos encontrar a Felicidade. Ela própria. Soubemos que está depressiva e fomos saber o que ela pensa a respeito de mais um livro sobre si. Estava pronta para desabafar.

            - Não aguento mais.
            - O quê, precisamente, Dona Felicidade?
            - Tanta gente obsessiva atrás de mim. Tanta procura,  tanta adulação, tanta loucura. Tanta gente que diz que me possui. E, pior, sequer sabem o que sou e quem eu sou.
            - E quem você é?
            - Isso é o que eu gostaria de saber. Todos tentam me explicar: filósofos, médicos, escritores, psicólogos, cientistas... Séculos e séculos dedicados a isso, em vão. Só palavreados pra lá e pra cá. Se felicidade é isso que todo mundo pensa que eu sou, desconfio de que nunca fui feliz e nunca vou ser.
            - Se a sra. me permite, estamos diante de mais um problema de identidade. Isso costuma ser grave nas pessoas sensíveis como a senhora.
            - Se fosse apenas isso... A questão é que, mesmo sem saber quem sou me procuram como se eu fosse a chave da salvação para tudo e todos. De repente, me julgam capaz de resolver todos os problemas do mundo.   Ora, eu não sou Deus! Não posso livrar alguém de suas muitas mortes. Definitivamente, não sirvo pra isso.
            - Muitas mortes!? Julgo que estou entendendo a senhora. Não há só uma morte, mas várias, e cada  ser humano é senhor das suas, desde que as enfrente. No entanto,  transferem todas as suas mortes para a senhora. Tanta carga lhe fez sobrevir o estresse, não foi?
            - Estou pra ficar louca com tudo isso!
            -Poxa, dona Felicidade! Como chegaram a tanto, como isso foi possível? Vejo-a extenuada, cansada, pressionada por tanta incompreensão. Não sei o que dizer... Talvez... Bem, só me resta sugerir...
            - O quê, pelo amor de Deus!
            - A sra. deveria procurar um analista, Dona Felicidade. Claro, nem todos se dão bem, mas para muitos funciona. .
            - Jamais! Conheço-os muito bem: eles me usam de forma imprópria, como remédio para seus doentes. Dizem: “procurem  dona Felicidade, ela resolverá seus problemas”. Ora, como um remédio pode procurar  a si como remédio?
            - A sra. tem razão, desculpe minha insensatez. É que me causa amargura lhe ver assim, infeliz. Queria muito que a sra. continuasse feliz. Para bem da vida humana, pelo menos. Senão...
            - E quem lhe disse que me incomoda ser infeliz? E por que a morte me assustaria? Acredite, com tanta gente falando asneira a meu respeito, dia e noite, até que gostaria de ser infeliz, só para que me deixassem em paz, compreende? Estou prestes a adotar um lema: Infelicidade ou morte!
                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

sábado, 24 de setembro de 2016

(BRAD PITT - ANGELINA JOLIE) + RONALDO FENÔMENO =




AS MELHORES NOTÍCIAS DA SEMANA
comentadas por Juca Polincó ( o filósofo politicamente incorreto da periferia ).









1.Anunciada a separação de Angelina Jolie e Brad Pitt
Comentário de Juca: " E agora, o que vai ser da minha fantasia sexual? , sem os dois?"












2.Depois que Alexandre Borges imitou Ronaldo, o Fenômeno e foi pego com dois travestis , num vídeo que bombou  na Internet, a Globo vai retirá-lo das novelas por um tempo para poder 'descansar" a imagem.
Comentário de Juca:








3.Cantor de forró chamado Jonas Esticado faz muito sucesso no interior do nordeste e pretende fazer sucesso nacionalmente.

Comentário de Juca:

"Esticado esse rapaz,né? Mais esticado do que ele só GRITO DE GOL DO FLAMENGO NA BOCA de narrador da Globo ..."





sexta-feira, 16 de setembro de 2016

A EMOÇÃO BEN-HUR



Jose Ewerton Neto, autor de O oficio de matar  suicidas


            Tivesse eu que apontar 3 filmes marcantes em diferentes fases de minha vida eu escolheria sem pestanejar: Ben-Hur na minha infância; Dr. Jivago na adolescência e A primeira noite de tranquilidade na maturidade. (Maturidade, como se sabe, é aquele breve intervalo de vida que sobra, após a eternidade da juventude).


                                                   


Ben-Hur e Dr. Jivago foram filmes premiados com vários oscars, A primeira noite de tranquilidade, sequer pertence aos cânones dos críticos de cinema. As razões de minha escolha fogem à objetividade da análise dos entendidos em cinema e prendem-se às sensações que os cristalizaram em minha memória  por diferentes motivos. Isso é assunto para outra crônica, mas que outras sensações, além das existentes somente na infância, são capazes de perpetuarem-se a partir de um êxtase?
            Ben-Hur não representou para a minha formação infantil apenas um filme assistido e admirado, porém uma descoberta. O glorioso impacto deu-se quando descortinei,  à vista daquela tela, cenas memoráveis quase ao alcance da mão. Lembro-me de que então, de férias em São Luís, vindo de Guimarães onde morava, minha tia Rosa Ewerton, que era professora, me levou ao cine Éden, onde Ben-Hur permanecia em cartaz. A fita teve uma duração longa e ela, ou porque não tivesse se prevenido ou porque não contasse com minha reação de não arredar o pé de frente da tela, acabou chegando atrasada à sua aula.
             Além do filme, havia mais: um álbum de figurinhas onde se reproduziam cenas do filme e que eu passei a colecionar,  e a colar com afinco , tornando possível sedimentar ainda mais o entusiasmo alcançado.




                                     






 Agora sim, eu tinha à minha mercê para contemplação a hora em que bem entendesse, a disputa entre o bem e o mal  travada entre dois heróis em que, surpreendentemente, nenhum parecia monstro ou bandido:  Ben Hur e Messala;   a corrida de bigas, o sofrimento nas galés, a sorte, a esperança , a transcendência, a generosidade, o medo, o abraço, o milagre.
            Quando vi há duas semanas nas páginas de Veja o anúncio do filme, descobri, a seguir, que já estava em cartaz nos cinemas da cidade. Hesitei em me decidir a vê-lo, com receio de macular todo o encanto que um dia sentira, embora, no fundo, eu soubesse que iria. Existe um jorro  incontrolável que nos leva de roldão ao encontro do que nos magnetizou um dia, sem que possamos recuar.
            Claro, não assisti o mesmo Ben-Hur, nem senti igual  deslumbramento , mas fiquei deveras recompensado. Para ali não fora com o propósito de analisar um filme ou de comparar uma versão à outra. Fui com a missão concedida a mim mesmo de rever a emoção que um dia senti, para dizer: “estou eu aqui de volta, sei que você não é o mesmo, mas vim agradecer pelo prazer que um dia me foi proporcionado 
                                                


”.
            De forma que se alguém,  que assistiu ao Ben-Hur da época, pedir-me um aconselhamento sobre se deveria ir, eu responderei : Vá. Idem para quem não tenha assistido a primeira versão. Não sei se o Ben-Hur 2016 é tão perfeito, grandioso e épico como o primeiro, seguramente não é. Mas, diria que isso não interessa e que o espectador terá diante de si, mais uma vez,  uma narrativa mágica e envolvente. E, com certeza, mais importante de que uma análise cinematográfica, é  encontrar-se diante de uma bela história, com todas as emoções que ela traz.  
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

O BEABÁ DE SÃO LUIS




http://www.blogsoestado.com/ewertonneto/


A seguir, mais pérolas do linguajar maranhense a serem inseridas, este ano,  na próxima edição de O ABC bem-humorado de São Luís, escolhidas segundo o potencial de sátira que norteou a primeira edição.

1.COCHICHOLO. Pequena casa, casinhola.
            No Maranhão 3 cochicholos + uma rua e + um quebra-molas, são suficientes para improvisar  um 4º cochicholo ,  a partir de então denominado de Prefeitura Municipal,  com um espertalhão enfiado lá dentro. 

2.COURO. Mulher velha e feia.




                                




            Mais uma dos machões empedernidos da Terra . Para justificar que não davam no couro, os homens passaram a apelidar suas pobres mulheres de couros. Couro neles!

3.DANISCA. Mulher de mau gênio, resmungona e birrenta.
            Ex. “O Brasil levou tanto tempo para ter uma presidente do sexo feminino, chamada Dilma, só para se descobrir que no Maranhão há um nome mais  apropriado para ela: Danisca.

            4.DERRESSOL. Doce feito de mel de cana e coco  ralado.
            Nada a ver com sol. Originou-se no tempo do  réis. Os meninos  saiam e a maior parte deles se dirigia à venda para comprar “de-réis-só”

            5.DISGROTA. Infortúnio, desgraça.
            Como bem disse Dante na sua Divina Comédia: “Não há pior disgrota na vida do que recordar os tempos áureos da juventude, na velhice.”

            6.DORDOLHO. Nome popular de conjuntivite.
            Auto-explicativo: dor de olho fica bem mais inteligível. Esse negócio de conjuntivite parece mais Conjunto de Vinte. Ou de vítimas.

            7.EGUAGEM. Sutileza, manha.
            A palavra égua serve pra tudo no Maranhão, até para elogiar políticos safados.  Mas, por que será então que “Pai D’Égua” é elogio, e “Filho de égua” é insulto?  Dizem que é porque ao invés do avô pai d’égua que está pra morrer, os filhos de égua têm mais tempo para serem insultados.

            8. PRAGA. Mosquito.
            Denominação dos maranhenses aos mosquitos. Já houve registros de maranhenses em visita ao Sul do Brasil que levaram  tapa na cara por perguntarem à vendedoras feias  se elas tinham remédio pra praga.

9.QUALIRA. Gay, veado, baitola.
            O Wikipédia jura de pés juntos que o nome artístico de qualira nasceu porque houve em tempos idos um bloco de carnaval em que se destacava um rapaz efeminado que tocava uma lira ( instrumento de cordas dedilháveis de larga difusão na antiguidade) Então a plateia dizia: “Lá vem ele com a Lira”. A Frase foi diminuindo até chegar a “com a lira” e, daí a qualira.
            Sugere-se que a coisa foi um tanto diferente e que houve também, nos tempos do império um português abastado que morava em São Luis chamado Lira, e que  tentava desesperadamente  cumprir seus dons masculinos diante de uma mulher portuguesa muito fogosa. A mulher, diante de suas tentativas vãs gritava pra quem quisesse ouvir “ Qual,  Lira, não vai adiantar!” De tanto Quál Lira!,  no ouvido Lira acabou virando qualira acompanhado, hoje, por uma uma pá de assemelhados bem maior do que o estádio do Castelão.

            10.REGADA. Linha de intercessão das nádegas.
                                            


            Essa linha, que faz parte do imaginário masculino e não tem vida real, às vezes é substituída por um artifício que as mulheres usam, denominado fio dental. E que tem vida real menor ainda.

            11.SORONHO. Cigarro feito de maconha.
            Teria se originado da expressão muito usada pelos praticantes. “Melhor que isso, só em sonho!” Deu em Soronho.

            12.SOBROSSO. Susto, medo.
            Teria se originado da expressão: “Tremia tanto que a carne fugiu e só sobrou o osso”. Daí, o sobrosso.


                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

sábado, 3 de setembro de 2016

CORPO HUMANO E DESCONHECIDO




artigo publicado quinta-feira no jornal O Estado do Maranhão


Jose Ewerton Neto, autor de O ABC bem-humorado de São Luís  

                “Conhece-te a ti mesmo”, propagava Sócrates milhares de anos atrás. De lá para cá muita coisa se descobriu: avião, televisão, internet, mas a vida dos outros continuou a nos parecer mais interessante que a nossa própria. Como prova o BBBrasil.
            O filósofo referia-se, sobretudo, à nossa mente, mas até quando a coisa se refere ao corpo ninguém sabe bulhufas de si mesmo.  É por isso que muita gente até hoje desconhece que:

            1.Somos corredores natos. Apesar de muitos animais conseguirem correr muito mais rápido do que os seres humanos,  podemos nos orgulhar de sermos os melhores corredores de longa distância do planeta. Na pré-história, os humanos podiam caçar suas presas por dias até que os animais morressem por exaustão.




                                              



            “Portanto, senhores, qualquer ser humano já nasce com uma medalha olímpica, Não é só o Usain Bolt.”

            2.Já nascemos idosos. Os átomos de nosso corpo têm bilhões de idade Os átomos que formam nosso corpo na verdade, são os mesmos que foram criados durante o Big Bang (Grande Expansão), cerca de 13,7 bilhões de anos atrás.
            “Portanto, senhores, essa história de jovem e ancião, novo e  velho é só para nos iludirmos por alguns segundos enquanto a morte não chega. Assim como “todos são iguais perante a lei”  “somos todos velhos perante a Natureza”, ou perante o Big-Bang que, afinal de contas, é a Grande Lei”.

            3. O que seres humanos e bananas têm em comum? À primeira vista, nada. No entanto, pesquisadores descobriram que compartilhamos 50% do nosso DNA com a fruta.
            “A banana é uma fruta tão saborosa, simpática e benéfica que devíamos passar a ter muito orgulho desses 50%. Alguns políticos que elegemos, por exemplo,  que reagem negativamente quando são chamados de bananas devem ter porcentuais menores que os 50 % de semelhanças com elas, senão seriam muito melhores.” 

            4.Brilhamos no escuro. Todos os seres humanos são bioluminescentes, o que significa que acendemos no escuro. No entanto, a luz que emitimos é mil vezes mais fraca do que a média que os olhos humanos podem detectar.
            “À vista de sua  amada, na penumbra do quarto, nada como propagar  essa verdade científica complementando que seus olhos conseguem sim vê-la brilhar no escuro. Depois é só correr pro abraço”.   
         
            5.Seu sangue é um viajante e tanto que percorre cerca de 20.000 km por dia, o que é quase cinco vezes a distância em linha reta entre o  Oiapoque, no Amapá, e o Chuí, no Rio Grande do Sul.
            “Se é assim para um ser humano comum, imagine para os grandalhões do basquete, o quanto não viajam seus sangues!”  

            6.Nosso cérebro foi criado a partir do universo. As conexões entre os neurônios no nosso cérebro são estruturadas de maneira semelhante às conexões do universo. É como se nosso cérebro tivesse sido criado, tendo o universo como modelo.




                                          





            “E ainda tem gente arrogante  que nega a existência de uma harmonia vital em todas as coisas. Ou seus cérebros foram estruturados à revelia ou acham que carregam Deus na cabeça, ao invés do Universo”.

            7.Os sentidos da vida. Uma das primeiras coisas que aprendemos na escola é que temos cinco sentidos: visão, audição, olfato, tato e paladar. No entanto, temos cerca  de 15 outros sentidos, como equilíbrio, dor, tempo, temperatura e sede.
            “Isso para os seres humanos normais, mas há exceções. Para os fãs de Wesley Safadão e Luan Santana, por exemplo, existem pelo menos 3 sentidos a menos: visão, audição e paladar.”  


                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com