quarta-feira, 16 de outubro de 2019
NÃO PODE SER ESTAGIÁRIO
CIRO GOMES DIZ QUE CHEGA DE ESTAGIÁRIOS NA PRESIDÊNCIA
REFERINDO-SE A LUCIANO HULCK
COMENTÁRIO DE JUCA POLINCÓ
o filósofo politicamente incorreto da Periferia
ESTAGIÁRIO CLARO QUE NÃO PODE. SE É PARA ROUBAR TEM QUE SER PROFISSIONAL. ( COMO ELE?)
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
domingo, 13 de outubro de 2019
CANHOTEIRO , UM PONTA ASSOMBROSO!
Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão
Terminei por esses dias a leitura do livro Canhoteiro, o homem que driblou a glória,
de Roberto Pompeu. Minha admiração por esse jogador de futebol começou ainda
criança quando eu, fanático por esse esporte, colecionava a antiga Revista do
Esporte.
Essa admiração começou
mais precisamente quando li, na seção
bate-bola com o craque, uma resposta do
legendário Djalma Santos , lateral da seleção brasileira ganhadora da Copa do
Mundo de 1958 ( Djalma, que jogava no Palmeiras, foi considerado o melhor
lateral daquela Copa mesmo tendo jogado
uma única partida, a última, em que o Brasil derrotou a Suécia por 5 a 2). Ao
ser perguntado sobre qual o atacante mais difícil de ser marcado, Djalma
respondeu sem pestanejar.
- CANHOTEIRO. O maranhense é bom de bola mesmo!
Essa resposta me encheu de orgulho como maranhense por ter
sido destacado um conterrâneo, que eu desconhecia completamente.
A partir daí, sem nunca tê-lo visto jogar, tornei-me seu fã mesmo
que ele não fosse conhecido muito bem,
sequer pelos maranhenses da época. Tal razão acontecia porque o noticiário dominante em todo o Nordeste
vinha da imprensa carioca , a ponto de todo torcedor nordestino ter seu time
preferido no Rio, mas não necessariamente em São Paulo. Canhoteiro, que se
chamava José Ribamar de Oliveira e nasceu em Coroatá, pouco atuou nos times maranhenses. Em São Luís
jogou pelo Paissandu ( não confundir com o do Pará) , depois transferiu-se para
o América do Ceará e daí para o São
Paulo F.C
O Mago (como era
chamado pelo sortilégio de suas jogadas) reinou em São Paulo enquanto durou sua curta
trajetória. Infelizmente, perdeu o bonde
consagrador da gloriosa viagem da seleção brasileira campeã de 1958 por uma
razão singela e peculiar: não tinha ‘saco’ para a seleção.
Canhoteiro, na ponta esquerda da seleção, num ataque que contava ainda com Julinho, Pelé e Didi
Fugia, como Garrincha ( com quem se parecia nos
dribles fenomenais e em muitos pontos da personalidade inamoldável ) , da
disciplina dos treinos e sumia da concentração. Assim, foi preterido na seleção
de 58 no auge de sua forma técnica embora fosse sabidamente mais craque do que
Pepe, o canhão da vila, e vinte vezes melhor que Zagallo, apenas um esforçado
cumpridor de ordens táticas.
Uma frase do Jornal A Tarde de São Paulo, publicada no dia de
sua morte precoce aos 42 anos sedimenta, para qualquer apreciador da epifania que
ronda a arte futebolística, a dimensão da
categoria na qual se inscrevia: “Na
verdade era um desses raros jogadores acima de qualquer resultado, por ter sido
mais importante que o próprio gol.”
Ora, que pode ser mais importante que o gol num esporte que tem
essa finalidade? Nenhum epitáfio pode ser mais consagrador que esse para um craque . De Zizinho a Juca Kfoury, de Chico Buarque a Gonzaga Belluzo, que o viram
como o melhor ponta esquerda de todos os tempos, todos o admiravam porque era rotina
dos moradores de São Paulo irem para o estádio não para ver seus times
ganharem, mas para se deliciarem com o show do Latifundiário, outro de seus
apelidos, justamente porque , para ele,
10 cm de campo era todo um latifúndio para fazer a bola rolar.
A leitura deste livro consolida a ideia de que Canhoteiro foi
o mais genial dos atletas maranhenses. Portanto é necessário falar do mesmo,
homenageá-lo (como a outros notáveis maranhenses ) sem a parcimônia atual ,
para evitar que o trem do tempo passe em sua viagem sem regresso, solapando a
memória de seus feitos e realizações.
José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sábado, 5 de outubro de 2019
AS LISTAS DE NOSSAS VIDAS
Fui presenteado recentemente pela amiga, poetisa e confreira Laura
Amélia Damous com uma dádiva especial: o
livro Listas Extraordinárias, em tudo
e por tudo um livro extraordinário.
A inspiração para esse presente surgiu-lhe de uma crônica que
escrevi neste mesmo jornal em que o assunto foi justamente minha sedução por
listas. A ponto de ter sido cognominado de ‘listador’ pelo também confrade
Joaquim Haickel no prefácio que gentilmente escreveu para o meu próximo livro
de contos, prestes a ser publicado, cujo
título inspirado em um dos contos se chama Pequeno
Dicionário de Paixões Cruzadas, um conto policial narrado em formato de
listas, eis que um dicionário, ao fim , não passa de uma lista de palavras.
Este, por sua vez difere em essência de O Livro das Listas de Irving Wallace citado na crônica anterior, onde as listas são provocadas ou imaginadas a partir da opinião de especialistas
sobre vários assuntos, sendo, portanto, em grande parte fictícias. No presente
livro, não. Um cuidadoso trabalho de pesquisa disponibilizou listas reais (todas
fotografadas) fazendo realçar aspectos da personalidade de seus autores e do
ambiente em que viviam num valioso trabalho biográfico e histórico. São sequências por vezes triviais, mas sempre
curiosas e até mesmo espetaculares pela informação trazida. Desde a lista de
exigências de Einstein para sua esposa até os motivos de internação em um hospital da Virgínia Ocidental de 1864 a
89 há listas para qualquer gosto podendo ser:
Tragicômicas. A lista dos conselhos do famoso ensaísta e clérigo Sidney Smith para
sua grande amiga com depressão guarda ‘pérolas’ como estas: 1) Viva o melhor
que puder... até 2)Por fim, acredite em mim, querida Georgiana.
Imperiosas. Os onze mandamentos de Henry Miller para ele
mesmo evidenciam o esforço que ele demandava para se autodisciplinar, ao se
ordenar: “Não comece a escrever outros livros, não acrescente mais nada a
Primavera Negra”... até findar em: “ Escreva primeiro e sempre. Leitura, música
e amigos, deixe tudo isso para depois “
Patéticas. As listas de esforços de Sylvia Plath e Marilyn
Monroe guardam extraordinária semelhança (as duas se suicidaram) na tentativa
de serem felizes. A de Sylvia começava dizendo: “Mantenha constantemente um ar
de alegria”.
Engraçadas. A lista de símiles de Raymond Chandler que as acumulava
para sua narrativa policial irônica e noir é de morrer de rir: “ sexy como uma
tartaruga, frio como um calção de uma freira, raro como um carteiro gordo, bonita
como uma tina de lavar roupa...” etc. etc.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
domingo, 22 de setembro de 2019
MONARQUIA. PARA SALVAR O BRASIL
Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão
No começo era a Monarquia, sob a qual vivemos muitos anos, embora
nem mesmo se conhecesse o rei, de tão longe que este ficava. A vida era difícil, mas dava pra levar numa boa até mesmo porque,
nessa época, não havia Faustão, rede social e nem dupla de música sertaneja.
Tudo começou a melhorar depois que o imperador nasceu aqui.
Era um sujeito culto e generoso que queria o bem do país, mas, assim como
Cristo, não conseguiu agradar todo mundo. Escorraçaram o velhinho e implantaram
a República e, com ela, a Democracia. Tinha tudo para dar certo, mas, aos
poucos, o inconformismo tomou conta do
país. Resultado: Ditadura neles!
O ditador era um baixinho gaúcho, gorducho e patriota que
tinha, no entanto, um pequeno problema: era chegado a um
suicídio. Isso causou uma enorme confusão e a solução foi apelar de novo para a
velha e manjada solução: democracia, com presidencialismo a reboque. Tentou-se
de tudo desta vez , até um bruxo apareceu
como uma vassoura, mas o povo continuava insatisfeito. Ora, diante do caos nada como uma ditadura para
salvar a pátria. Apelou-se então para
uma ao estilo militar para não haver suicídio
à vista ( militares, como se sabe, mão
se suicidam, só suicidam os outros, mandando-os para a guerra) .
A pau e pedra a coisa permaneceu
algum tempo, enquanto durou a alegria no futebol. O Brasil ganhou a terceira Copa
do mundo, foi o tempo do país que ia dar um passo à frente. Tão logo o Brasil voltou a apanhar no futebol o país
deu um passo à frente , caiu no abismo e foi a vez do velho e surrado
presidencialismo dar as suas caras de novo desta vez com um presidente com cara
de novo: Fernando Collor, que tinha cara de novo mas era um velho ladrão. Solução:
impeachment nele.
A coisa capengou até se chegar a Dilma Roussef que também foi impichada mostrando que o Brasil havia
deixado de ser campeão mundial de futebol para ser campeão mundial de
impeachment. Depois de um ex-presidente ir
parar na cadeia por roubo e ter assumido
um vice , suspeito
de roubo, já estão querendo impichar um terceiro, em vias de implantar o Bolsonarismo
que é um regime que funciona mais ou
assim: o presidente manda pra cá
para defender o filho acusado de roubo, os deputados mandam prá lá para se
defenderem da acusação de roubo, os judiciário tira os corruptos da cadeia e, em
volta, o roubo impera.
Ora, se o roubo continua, está mais do que na hora da volta do regime monárquico onde o roubo é
institucionalizado, mas para poucos. Além do mais...
1.O Brasil sempre foi cheio de reis . Rei do futebol (Pelé), rainha
dos baixinhos, rei da Voz, rei dos apelidos na Lava-Jato etc.
2.A forma de governo não é monarquia mas dá no mesmo porque os
governantes não são reis mas agem como se tivessem um na barriga.
3.Coroa tem aos montes, em todas as
capitais deste imenso país. É só procurar nas fotos das colunas sociais dos
jornais. A variedade é imensa, embora enferrujadas.
5.Os nobres e poderosos do Brasil
podem até não ter sangue azul, mas, com certeza, este não é vermelho porque, depois de tantas falcatruas jamais se viu um
deles corar de vergonha.
6.Bobo da Corte também é o que não
falta neste país. Desde Galvão Bueno gritando gol do Flamengo no limite de perder
a fala, até os que fazem cócegas nos egos dos poderosos da Corte, como Gilmar
Mendes, para que estes caçoem de suas misérias. Quem duvida de que o eterno
bobo da corte desse país sempre foi o povo ?
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
domingo, 15 de setembro de 2019
SEXO, SEXO, SEXO. O REMÉDIO PERFEITO!
Descobri, em
reportagem recente deste jornal, que 6 de Setembro é o dia internacional do sexo, data assim
escolhida como uma alusão à prática do 69. Complementando,
a reportagem informava o que tudo mundo,
mais ou menos, sabia: SEXO é o melhor
remédio.
As razões, explicadas
cientificamente, aqui não carecem ser esmiuçadas. Enumeram-se as doenças e
dores para as quais funciona que é uma maravilha: 1) Para
enxaqueca, 2) Para fortalecimento dos ossos 3) Para combater a incontinência
urinária 4) Para aliviar as cólicas de TPM. 5) Para melhorar o aspecto da pele
6) Para melhorar o sono 7) Para aliviar o estresse 8) Para queimar calorias 9)
Para aumentar a imunidade contra infecções , gripes e resfriados 10) Para envelhecer
melhor e... Enfim, trata-se de um remédio tão eficiente que não é exagero se conjecturar
que o sexo seja bom também para morrer melhor.
Com tantos atributos o que se
lamenta é que ainda não seja reconhecido como tal pela ANVISA, o que só pode
ter origem preconceituosa a partir do que se admite como politicamente correto.
Uma primeira providência para desconstruir o ‘pecaminoso’ que ronda a atividade
sexual seria passar a reconhecer melhor seus propagadores e agentes. Urge, por
exemplo, que os motéis deixem de ser instalados
apenas em avenidas e locais obscuros e passem a existir em locais de grande
visitação vindo a denominar-se , ao invés de motéis, clínicas de saúde. O mesmo
vale para prostitutas que passariam a ser reconhecidas como profissionais da
saúde pública com direito a aposentadoria por tempo de serviço e direitos equivalentes
aos que lidam com a saúde como médicos, enfermeiros e farmacêuticos.
Restaria ao Ministério de Saúde
distribuir bulas explicativas à população mais ou menos da forma que segue:
Composição: Trata-se de um remédio
natural cujos principais componentes
químicos e físicos são trilhões de células desenvolvidas a partir de um código de
crescimento chamado DNA até se constituírem seres
humanos. A otimização dos efeitos de
SEXO como remédio exige que haja conjunção de dois indivíduos para tanto,
preferencialmente.
Posologia: Embora aplicado e
ingerido comumente em horários noturnos, SEXO não tem restrição de horário,
podendo ser consumido a qualquer hora do dia. Quanto ao local dá-se preferência
para locais pouco movimentados e com baixa visibilidade. Essa restrição tem a
ver com certo grau de paroxismo e excitação que, surgindo logo em seguida a
aplicação do remédio, pode fazer com que seja confundida sua forma de
utilização com a de alguém sob o impacto de alguma possessão ou loucura.
Precauções: Embora liberado sem a
obrigatoriedade de receita médica, recomenda-se não exagerar na dose o que pode
viciar os pacientes tornando-os obsessivos. (Obs. Um exemplo disso foi a
cantora Anitta, presentemente sob cuidados
médicos).
Efeitos Colaterais: O principal
efeito colateral acontece depois de 9 meses e tem a ver com o surgimento na
barriga da receptora daquilo que convencionou-se chamar de filho, nem
sempre bem-vindo, infelizmente. Neste caso, para evitar, deve-se socorrer de
uma camisinha enquanto se estiver tomando o remédio. Os
demais efeitos colaterais são considerados contornáveis sem uso de outro
remédio: paixão, obsessão, perda temporária de raciocínio e outras manias.
José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sábado, 31 de agosto de 2019
TUDO É MENTIRA. NADA É VERDADE
Quem - de verdade -
encara sua própria verdade? Isso é muito raro, esta é a verdade.
E nem mesmo isso
acontece porque o conceito de verdade seja complicado. Lembremos Jesus Cristo
diante de Pilatos. O tribuno romano lhe perguntou: Quem é você? – Eu sou a
verdade – respondeu Cristo. Pilatos retrucou: - E o que é a verdade? – Jesus
Cristo, silenciando, nada disse.
Podem-se imaginar diversas soluções para a resposta silenciosa daquele
que se intitulava filho de Deus. Desde a de que ele se calou porque não sabia o
que era a Verdade ( o que seria absurdo para um farsante que se quisesse passar
por filho de Deus ) até a mais razoável, que é a de que a Verdade não necessita de
explicação. Ou em outras palavras, a verdade mais profunda e essencial dispensa
palavras.
Talvez, por outro lado, quisesse também insinuar, como
consequência, que esse negócio de verdade
não se deve cutucar com vara curta porque pode sair caro para aquele pergunta. Muito
antes de Cristo, Confúcio, o filósofo chinês ensinava: “Conhece-te a ti mesmo”
o que, em verdade significa: “Conhece a tua verdade”. Porém, nos dias que
correm, em que as pessoas se amontoam à procura dos outros , fugindo de si
mesmas (no Brasil em shows de música sertaneja de qualidade paupérrima , na
mais desgraçada das ilusões), quem quer saber disso?
Estaríamos vivendo a plenitude de uma era em que as verdades manipuláveis
e coletivas tornaram-se mais
interessantes em desfavor das verdades individuais e suas completudes? Deduz-se
que sim, porque as verdades não estão ocultas, pelo contrário estão facilmente ao
alcance das multidões ainda que estas não queiram pensar nisso Os políticos em
sua maioria escancaram suas verdades (o tirar proveito a qualquer custo) mas mesmo assim se confia e se vota neles; os jogadores de futebol não ocultam as suas ( a
obsessão pela grana, sem comprometimento com a camisa que vestem –que se
reflete no fato de que nenhum jogador do Flamengo, por exemplo, levantou a voz
para se solidarizar com as famílias dos jovens
assassinados no ninho do Urubu) mas, mesmo assim, há quem se engalfinhe e morra por
eles. As celebridades da mídia, por sua vez exibem as suas ( a venda de suas felicidades baratas
está na ordem do dia, mas mesmo assim há multidões dispostas a brigar nas redes
sociais pela escória dessas felicidades ).
A verdade incomoda os seres humanos não de agora, mas nunca
foi tão de somenos como hoje. Não é à toa que
gente sábia cravou que um ser humano não passa da soma de suas ilusões e
que não suporta a verdade.
Tanto não suporta a realidade que até hoje os seres humanos
se recusam a reconhecer gorilas e chimpanzés como do mesmo tronco ancestral que
iniciou sua caminhada neste planeta. E que
são capazes de tratar os demais animais com torturante crueldade para se alimentar numa matança desumana e cruel ( sem
sequer amenizar seus sofrimentos) como
mostra uma edição da revista Superinteressante, numa verdade que jamais seria
exposta no Fantástico, por exemplo, pois tem que ser evitada para não
ensombrecer as delícias dos churrascos, comilanças e comemorações.
Verdades? Pra que elas servem ou serviram um dia? Ora, deixar
a verdade pra lá sempre foi muito melhor. Se
ainda houver verdades nesta terra quem quiser que procure a sua. E que morra com
elas!
José Ewerton Neto é autor de O ofício de matar suicidas, que na primeira
edição se chamava O Prazer de matar
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sábado, 24 de agosto de 2019
A LEI DA AUTORIDADE DO ABUSO
Há por aí um país em que puta goza, gigolô tem ciúme, traficante
fuma maconha e comunista é de direita. Por mais que muita gente não saiba, ou
finja não saber disso para não ter que pensar a respeito, esse país é o nosso Brasil
e precisou ser definido dessa forma no século passado pelo sagaz e irreverente cantor Tim Maia para que pela
primeira vez nos déssemos conta do quanto é, frequentemente, bizarro, afrontoso e absurdo viver neste país
em que vivemos.
E olha que em termos de gigantismo do absurdo o que disse o cantor é muito pouco
diante do que se vê até hoje! Tivesse um pouco mais de requinte Tim Maia teria
complementado: e em que puta goza, é
artista de cinema e pastora de igreja; em que comunista é de direita , milita
no Centrão e tem filho de esquerda; em
que traficante fuma maconha, se elege com cocaína e dá festa com ecstazy; em
que gigolô tem ciúme, casa com artista e vira celebridade.
Sem contar que tantos anos depois que Tim Maia se foi, os absurdos evoluíram
a ponto de o Brasil ser hoje também um
país em que bandido tira férias, jogador de time grande morre queimado em centro
de treinamento, mala entupida de
dinheiro não tem dono e ateu reza pra Deus, pra Exu, pra Buda e para Maomé. É
mole ou quer mais?
Pior é que tem. Quando no século passado um senador da
república disse que esta era uma Nação feita por bandidos para bandidos não previu
que as gerações seguintes fariam tudo para sacramentar o que ele disse. Bote-se, pois, na conta dessa estranha vocação para o absurdo ( para não se atribuir
a coisa pior ) a lei recentemente criada
para proteger bandidos intitulada Lei do Abuso da Autoridade, segundo a
qual não se deve punir o bandido , mas sim
aquele que o prende, enquanto estabelece que é abuso de autoridade prender o
bandido, mas não soltá-lo. Nada mal para um país em que a primeira assembleia
constituinte reuniu-se numa antiga
cadeia pública. Faz sentido, ou não?
Pobre Tim Maia!, não viveu a ponto de ver sua irônica frase aperfeiçoada
com tanto esmero. Não chegou a ver figuras como Renan Calheiros e Gilmar Mendes,
estabelecidos como representantes do povo, e,
portanto, devendo ser guardiões da moralidade, saltitando de felicidade com a
nova lei, da mesma forma com que traficantes e meliantes vibram por viver em um país que reserva sempre uma absurda cota de
leniência para criminosos de todo tipo, principalmente os corruptos .
A revolta do povo com essa tal lei está dando tanto o que
falar que escutei, em uma livraria, uma
conversa de um grupo de idosos na qual um deles ponderou
que ainda bem que não havia a tal Lei do Abuso da Autoridade na época de Jesus
Cristo. Senão ele teria sido preso por abuso da autoridade ao expulsar a
chicotadas os vendilhões do templo, comerciantes corruptos que usavam a Igreja
local para enriquecimento fácil.
Impulsivamente, dei asas
à minha imaginação para conceber a cena. Os acólitos dos infratores afrontando Jesus Cristo após os criminosos terem sido
enxotados.
-Com que autoridade fazes
essas coisas?
- Sou filho de Deus, não posso ver maculada sua santa casa.
- Tem provas disso?
-Não? Não preciso de provas.
-Considere-se preso então, por abuso de autoridade.
José EwertonNeto é autor de O ABC bem humorado de São Luis
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sábado, 17 de agosto de 2019
SEI SOU NEGRO DE COR
Uma nuvem de mistério pairou sobre o ocaso da trajetória de três de nossos
grandes cantores da década de 70. A dúvida
sobre Belchior era “Por onde andará Belchior?”; sobre Geraldo Vandré “O que foi
feito de Geraldo Vandré?” e sobre Wilson Simonal “ Como pode ter desaparecido depois de um
sucesso tão avassalador?”
Sobre Simonal vamos encontra-lo em começos da década de 70, pleno
e esfuziante como show-man e apresentador. Mas não era apenas isso, Simonal era
muito bom cantor: Juca Chaves e Jô Soares o consideravam o melhor cantor do
Brasil. Para Maria Bethânia era nota 10 e melhor do que Chico Buarque. Idem
Vinícius de Moraes. Para Roberto Carlos era
um dos três melhores do Brasil ao lado de João Gilberto. Ah, sim, tem mais: Wilson
Simonal era negro, envolvente, e ostentava a riqueza adquirida. Teria isso alguma
coisa a ver com seu declínio? Mas o que aconteceu mesmo?
Vamos ao que sei de sua ótima biografia Simonal, de Gustavo Alonso:
Em pleno apogeu Wilson
Simonal montou sua própria empresa visando maximizar seus lucros e sua
imagem. Ao suspeitar de que estava
sendo lesado, socorreu-se de amigos que tinha no DOPS ( a polícia da ditadura)
para dar uma lição no seu antigo contador. Em tempos de repressão, o episódio
ganhou contornos de escândalo nacional, quando a vítima denunciou o ocorrido. Isso
bastou para que intelectuais da esquerda passassem a acusá-lo de informante e traidor.
Wilson Simonal tornou-se a bola da vez. Tudo começou quando o
Pasquim o taxou, em primeira página, de dedo-duro e traidor. A partir daí o cantor
encarnou para os jornalistas (que se
investiam da carapaça de resistentes ao regime) o protótipo do abominável e
execrável. Punir os dedos-duros era uma das intenções declaradas do Pasquim . O
cartunista Jaguar desenhou Sig, o mascote do jornal como uma estátua da liberdade em que lia-se o mandamento “Não dedurarás”.
Fecharam-lhe as portas. A Rede Globo deu para trás . O circuito universitário o
isolou. Em poucos dias seu talento e charme que antes magnetizavam plateias
foram soterrados Até as minorias o esqueceram. (Estranhamente, até hoje,
inclusive, sua bela composição de exaltação à raça negra Tributo a Martin L. KIng). Os colegas viraram-lhe as costas, esquecidos de que, além
de ter ajudado o início da carreira de Chico e Caetano, Simonal foi o primeiro
a gravar Toquinho.
Havia se transformado, a partir de uma Fake-news da época, em um
Negro Dedo-Duro. Num gesto desesperado e vão solicitou ao Ministério da Justiça
pós-ditadura o desagravo que tanto necessitava. O documento o reabilitou, nunca
se provou que tivesse sido informante, mas era tarde demais, a injustiça se
perpetrara.
Um único gesto de
solidariedade lhe foi prestado por Geraldo Vandré, que o visitou, ao fim, sendo,
talvez, o único dos seus colegas
cantores com legitimidade para isso, por ter enfrentado , de fato a Ditadura.
Vandré nunca foi um aproveitador de
ideologias, como disse Millor Fernandes de Chico Buarque de Holanda ao ser
perguntado porque a amizade entre ambos acabara
“Não confio naqueles que lucram com a
ideologia que defendem”.
Simonal não era político e nem propagava ideologias. Apenas,
ao seu modo, defendia a sua raça. Um grande cantor cujo filme a seu respeito,
recém- lançado e anunciado, merece ser
visto por admiradores ou não.
José Ewerton Neto é autor de O Ofício de matar suicidas
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sábado, 10 de agosto de 2019
TORMENTO DE TODO TIPO
artigo publicado no jornal O estado do Maranhão
Descobri a palavra outramento. Estava
fazendo uma pesquisa sobre Fernando Pessoa quando me deparei com esse termo,
que me soou bizarro mas, ao mesmo tempo,
instigante. E, mais ainda quando conheci
seu verbo correspondente: Outrar-se. Fiquei imaginando como se conjugaria o
dito cujo: “Eu outro-me, tu outras-te, ele outra-se...” e por aí vai, salvando-se quem puder.
Se o termo não deve constituir novidade
para os especialistas na obra do poeta lusitano imagino que alguns leitores estejam,
assim como eu então, querendo saber do que se trata. Outrar-se é fazer-se de outro, adotar várias
personalidades dando-lhes vida e independência como fez Fernando Pessoa com
seus muitos heterônimos.
Por indução, comecei a pensar em
algumas outras palavras que, na esteira da invenção do poeta, cairiam muito bem
para explicar certas atitudes comuns nos dias que correm.
1,Patriotamento.
Patriotamento (nada a ver com
patriotismo) seria a atitude de alguém se produzir como patriota, investindo nisso
para tirar proveito na competição da alavancagem social . Aliás, o que é mesmo ser patriota?
Guardo a convicção de que qualquer
cidadão honesto, probo e cumpridor de seus deveres faz mais pelos cidadãos e
sua Nação do que um outro que sai por aí
beijando a bandeira nacional, cantando hino e torcendo por time de futebol em
época de copa do mundo. Patriotar-se seria
a ação correspondente a essa velhacaria.
Se alguém não captou a semântica
exata deste neologismo proposto nem precisa recorrer a Samuel Johnson que dizia, com muita propriedade, que o “Patriotismo é o último refúgio dos
canalhas”. Basta observar ao redor. O que tem de gente patriotando-se neste país
dá para encher vários estádios de
futebol.
2.Corruptamento.
É o termo faltante em nosso
dicionário capaz de traduzir a atitude, tão comum hoje em dia, daquele que se adapta
à corrupção não pelo talento (corrupto natural), mas por costume ou mimetismo. Ou
seja, como se já não bastassem os corruptos nascendo a torto e a direito
adicione-se às desgraças deste país o Corruptamento, que viria a ser uma
contaminação, um vício, ou até mesmo um aprendizado.
Corruptamento esse que tem se tornado tão frequente na vida deste
país que até mesmo gente boa, tida como
incorruptível, sucumbe aos seus
atrativos ou sua contaminação, como por
exemplo na mudança de atitude em relação ao juiz Sergio Moro. Sobra para essas
pessoas, vítimas do corruptamento, abrirem a boca com feroz loquacidade (imitando
a fala abjeta e oportunista de Gilmar Mendes) para vociferar contra o juiz Sergio
Moro,
justamente ele, um caçador de corruptos que botou na cadeia, indistintamente,
políticos de todas as ideologias e partidos com o propósito de limpar o país e que, surpreendentemente, não conseguiu
agradar a todos; mesmo conseguindo a
proeza de, caçando corruptos, devolver a todo cidadão brasileiro uma parte do dinheiro que lhes foi roubado.
Pessoas assim, que não são corruptas profissionais
ou de nascença, mas abrem a boca para vociferar
contra autoridades bem intencionadas, tentando acobertar seus dignos propósitos
e seus feitos que são de todos; a bem
dizer corruptaram-se, o que, contudo, ainda não é o mesmo que corromper-se. Pelo
menos por enquanto.
José Ewerton Neto é autor de O Ofício de Matar Suicidas
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
domingo, 4 de agosto de 2019
FILA DE ÚNICOS!
De todas as listas especiais talvez
nenhuma seja tão única quanto esta, justamente por ser uma lista de...ÚNICOS
1.Elvis Presley fez apenas um único show fora dos USA. Foi no
Canadá em 1957.
Isso deve ter sido lamentável para seus
fãs do resto do mundo, que não puderam vê-lo pessoalmente. Em compensação,
tendo morrido cedo, se livrou de ter participado do Rock in Rio, onde acabaria sendo
chamado de gordo decadente e tendo de cantar com Luan Santana. Já pensou que desgraça?
2.O Pagador de Promessas (1962) de
Anselmo Duarte foi o único filme
brasileiro premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes, na França.
Promessas e mais promessas foram
pagas pelos diretores que o sucederam para que repetissem o feito, mas até hoje
isso não adiantou.
3.Uma única pessoa acompanhou o
caixão de Mozart da Igreja ao cemitério, onde foi enterrado em uma vala comum.
Esse fato concretiza uma verdade
absoluta. Não se mede a glória póstuma de uma pessoa pela quantidade de gente
que vai aplaudir seu caixão. Essas enormes e barulhentas aglomerações vistas nos
enterros de políticos ou autoridades, quase sempre medíocres, serve pouco para
a sua memória e, menos ainda, para o próprio defunto.
4.O único escritor da língua
portuguesa a ganhar O Prêmio Nobel de Literatura foi José Saramago.
Pois é, nem Fernando Pessoa, nem João
Cabral de Melo Neto! Enquanto isso, Chico Buarque de Holanda foi o único cantor
a ganhar o prêmio Camões, o Nobel da Língua Portuguesa.
Quem sabe se Milton Hatoun, ou Cristóvão Tezza, pegassem um violão e começassem a cantar teriam
também, um dia, chances de abocanhar o
mesmo prêmio.
5. O famoso escritor Oscar Wilde
escreveu apenas contos, exceto um único romance: O Retrato de Dorian Gray.
E que romance! Que ideia genial!
Emily Bronte também inglesa, também escreveu um único romance O Morro dos
Ventos Uivantes. E que romance! Que ideia genial!
8.O morcego é o único mamífero que
voa.
Na realidade, o homem também, mas de
avião. E possui também o dom de viajar
mais do que voa, a maioria das vezes no mesmo lugar.
9.O elefante é o único animal que tem
4 joelhos. E o chimpanzé é o único animal que é capaz de se reconhecer no
espelho.
O chimpanzé, portanto, é capaz de se reconhecer no espelho , ao contrário
do homem. Uma prova disso são as fotos das colunas sociais abarrotadas de humanos
assemelhados a chimpanzés, sem que estes se reconheçam. E menos ainda os repórteres,
que vivem propagando que nesses encontros só tem gente bonita.
10. O caracol faz um único
acasalamento na vida. Que dura doze
horas.
Os caracóis deveriam ensinar aos
seres humanos o que fazer também para terem um acasalamento longo e um
casamento curto já que, hoje em dia, o acasalamento dos caracóis está durando
mais que os casamentos dos humanos.
11. A única estrela que fica acima da
frase Ordem e Progresso na bandeira Nacional é a Spica ( Alfa da Virgem)
representando o Estado do Pará.
Só não se sabe é porque o Pará foi Parar
por lá. Quem souber informe à Redação.
12.Deodoro da Fonseca e Hermes da
Fonseca foram os únicos presidentes do Brasil que não tiveram filhos.
Já o único presidente do Brasil que
teve 4 filhos homens e botou um deles para ‘fritar’ general (Carlos), e outro
para fritar hambúrguer ( Eduardo), foi Jair Bolsonaro.
E será o único, também, a fazer de um dos seus fritadores embaixador do Brasil
nos USA.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
EM FRENTE A SEU OUTRO EU
Um belo dia, inesperada e infalivelmente, qualquer ser humano
vai ter de se deparar com seu Outro eu. Nessa
difícil hora da verdade poucos escapam ilesos Não adianta fugir, o melhor é encarar
o diálogo:
- Que estás fazendo aqui? Juro que desta vez não o chamei.
- Pelo que sei não tenho outras opções, infelizmente.
- Infelizmente? Por que fala assim?
- Essa história de ser seu duplo não pense que me agrada. Vim
para tirar satisfações. Se é para ser o Outro eu de alguém preferia ter nascido
outro eu de gente menos chata do que
você.
- Você é um ingrato. Nem corpo tem para reclamar de alguma
coisa... Dê-se por feliz sendo meu Outro eu. Sempre digo aos outros que você é melhor do que eu, enfim, um eu que
eu gostaria de ter sido e não sou. Não me faça duvidar disso, a partir de agora.
- Deveras? Ora, você sabe muito bem que me usa por
oportunismo, apenas para fugir de seus problemas. Valoriza-me sim, mas para
realçar a si mesmo. Ou então para se desculpar pelo que faz de errado. Um
farsante, isso é o que você é.
- Basta! Não precisava
ser tão petulante nesta primeira
vez em que nos encontramos, de fato. Sempre tive simpatia por você, que, ao final
de contas, é onde arquitetei a soma de minhas ilusões. Percebo, porém que você
é tão contraditório como eu.
- Não nego isso. Afinal de contas... Dependo de você, que me criou,
moldou e inventou. Posso ser contraditório também, já que não tenho outra saída,
com genes semelhantes aos seus, mas
mentiroso não sou.
- Acho que você está indo longe demais. Por acaso está me
chamando de mentiroso?
- Sim porque sempre me usa para justificar-se. Sempre. É
corrupto como todo mundo; gosta mais de
futebol e praia do que de trabalhar como
todo mundo, vota em ladrão como todo mundo, gasta seu tempo em tevê como todo
mundo, tem medo da morte como todo mundo
e nada faz para justificar sua vida como todo mundo. E, tem mais: imagina projetos
mirabolantes para mim, ao invés de tentar realiza-los você mesmo, tentando dotar sua personalidade de uma originalidade
inexistente. Enfim, você é incapaz de
ser você mesmo. Agora basta. Vim para dar um fim a isso.
- Pelo amor de Deus, aonde quer chegar? Seria isso que estou a
pensando agora? Você seria capaz de...
- De lhe matar? Calma, fique frio, Claro que não. Nenhum Outro
eu tem a capacidade de assassinar o eu da pessoa a quem é integrado. Isso é
conversa fiada! Por outro lado, qualquer suicida pode matar seu Outro eu, e quantos eus mais achar necessário. É simples,
basta ter coragem. Porque não tenta isso agora? Vamos decida-se. Garanto que eu
não sofreria com isso.
- Deus do céu! Está sugerindo que eu tire a minha vida para você
se livrar de mim? Que Outro eu mais sacana fui arranjar! Quer saber de uma
coisa? Nunca mais vou querer saber de
você. A partir de agora na minha vida basta um eu. Suma da minha vida!
-Tudo bem. Ora, que
mais posso dizer?... Finalmente!
. - Passe bem!
-Ótimo! Passe bem, também.
( Ufff ! Pelo menos fiz o cara, afinal, tomar uma decisão na vida por si mesmo)
Moral da história. Aquilo que nosso Outro eu é capaz de fazer
por nós, ninguém na vida faz!
José Ewerton Neto é autor de O Ofício de matar suicidas
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
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