sexta-feira, 25 de setembro de 2015

TUDO TEM SUA PRIMEIRA VEZ




artigo publicado ontem, quinta-feira
no jornal o Estado do Maranhão

A primeira prefeita do Brasil foi Alzira Soriano, eleita em 1929 na cidade de Lages, RS. Quase cem anos depois Dilma Roussef tornou-se a primeira mulher eleita presidente. Ou seja, tudo tem sua primeira vez, ainda que tardia.

1.Sexualmente Newton nunca teve “sua primeira vez”
            Será mesmo? E como podem ter tanta certeza, os historiadores? Parece que a maior desvantagem de alguém ser gênio, é justamente isso: ter sua vida esmiuçada a ponto de saberem até que o sujeito morreu virgem.  Sabendo-se perfeitamente que, para nós, mortais comuns, ninguém faz questão de saber disso, nem nós mesmos.




                                      





            Portanto, a primeira vez de Newton deve ter sido com a maçã. Que, não ficou grávida, mas em compensação permitiu a Newton descobrir a Lei da Gravida-de.

2.A primeira pessoa analisada em um divã foi Anna O...por Freud.

            Dizem os maldosos que a primeira experiência  de Freud não deu certo porque o cientista estava mais interessado no O... do que na Anna. Hoje a psicanálise evoluiu tanto que as análises nos divãs são mais conhecidas nos corredores da  Globo como testes do sofá.
3.O primeiro método para evitar uma gravidez realmente funcionava, já que afugentava os homens. As egípcias colocavam pedras no útero que funcionavam como um verdadeiro DIU.
            Parece evidente que para os egípcios de antanho  havia uma pedra no meio do caminho, (como no poema de Drummond), ou  melhor pedrinhas.  Não  teria  sido daí que surgiu esse talento, até hoje inexplicável, que permitiu aos egípcios construírem suas magníficas pirâmides, pedra sobre pedra?

4. O primeiro europeu a experimentar chocolate foi Cristóvão Colombo.

            Mas que ninguém se precipite em acreditar que o ovo da história do “ovo de Colombo” (que toda criança sabe de cor) era de chocolate.

                                             

                                                  





5.O primeiro telefone do Brasil foi instalado na casa de D. Pedro II , no Rio de Janeiro, Brasil em 1876. Ligava o Palácio Imperial ao Quartel do corpo de Bombeiros
            Mas sua instalação teria sido solicitada bem antes por quem  melhor a utilizaria: no caso, Carlota Joaquina, para exigir uma visita ‘rapidinha’ dos cadetes do Corpo de Bombeiros ao palácio, para executarem exercícios de sodomia, que ela tinha imenso prazer em praticar. 
6.A primeira vitória da ciência sobre um fenômeno natural foi a invenção do para-raios, por Benjamim Franklin, em 1753.
            A partir daí aconteceram sucessivos nocautes da ciência sobre os fenômenos naturais, mas entre eles, é bom lembrar, não está incluído o Viagra. Embora tal descoberta se sobreponha ao fenômeno natural da brochada, é bom lembrar que esse se deu por acaso e não a partir de estudos e análises científicas.

7.Theodore Roosevelt, presidente norte-americano,  foi o primeiro presidente a viajar em um submarino.




                                         





            Já Dilma Roussef, do Brasil, foi a primeira presidente a afundar, sem submarino,  no imenso mar da corrupção que começou a inundar, de repente, seu alegre país de outrora.
                                                                                                                                                                                                         ewerton.neto@hotmail.com

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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O PROBLEMA DO BRASIL É TÉDIO




" Se o Brasil fosse um paciente, os médicos da emergência o diagnosticariam como em fase terminal"
Financial Times



Já os médicos especialistas logo descobririam que o problema do Brasil é tédio; O país, a Terra Brasil, está entediada! Não aguenta mais os brasileiros que estão acima dele. E não é para menos:

TEM OS CHATOS DE SEMPRE:

FAUSTÃO, FELIPÃO, PEDRO BIAL, RENAN CALHEIROS, LULA , DILMA ROUSSEF, AÉCIO NEVES, JOSÉ SERRA, SUZANA VIEIRA , MARINA ETC.

TEM OS ENTEDIANTES DE UM TEMPO PARA CÁ

CHICO BUARQUE, CAETANO VELOSO, LUIS FERNANDO VERÍSSIMO E MAIS UMA PENCA DE INTELECTUAIS DA ESQUERDA CAVIAR

TEM O QUE CHATEIA PRA LÁ DO FUTURO E DA ETERNIDADE
DUPLA SERTANEJA, LEIS BRASILEIRAS EM CIMA DE LEIS BRASILEIRAS, IMPOSTO DE RENDA, CORRUPÇÃO, LADROAGEM E MENTIRAS.


O BRASIL  NÃO AGUENTA MAIS ESSES BRASILEIROS, SE ENCHE DE TÉDIO E FICA DOENTE

PARA APRENDER O QUE É TÉDIO:







POBRE BRASIL!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

BRASIL, UM PAÍS DE MORTOS-VIVOS




UM PAÍS DE MORTOS-VIVOS






A catastrófica administração petista só podia nos levar a isso: interpretações cadavéricas. Como na frase de um cacique peemedebista: “A exumação do CPMF pode afundar Dilma de vez no volume morto”. Frase de um cacique  ou de um pajé? Mais certo que de pagé, ou, melhor, de qualquer um que dialogue com mortos.
            Mas, pensando bem, hoje alguém nem precisa ser pajé para evocar o ambiente funéreo que a choldra de corruptos, encastelada no poder,  implantou  no  outrora alegre país da alegria e da  felicidade. ( Essa senhora felicidade que se ausentou até das baladas juvenis, substituída por terror e bala, como na Patrimônio Show, no Centro Histórico de São Luis)
            Vejamos a  quantas anda o ambiente mortal referido acima,  neste Brasil tão combalido. Não da Morte dolorosa e pungente,  peculiar ao futuro de todos aqueles  que ainda estão vivos , mas em seu aspecto mais desolador, deletério e... Tragicômico: 

            1.Cadáveres. Eles se sucedem a caminho do cemitério, depois do longo velório passado na cadeia, patrocinado pela Justiça. Zé Dirceu, Genoíno, Delúbio, Vaccari  e ...dizem,  em breve Lula. O inferno? Esse só na próxima etapa.




                                       





            2. Exumação. O CPMF, conforme referido acima é o mais notório. Mas ainda há muito imposto a ser exumado para assombrar a vida de quem trabalha honestamente.
            3.Zumbis.  Eles não dormem, não tem tempo para isso. Dedicados a averiguar a infindável trilha de corrupção deste país, dias e noites são insuficientes para eles, abnegados discípulos de Sergio Moro empenhados em limpar esta nação. A corrupção é tanta e a limpeza tão difícil que, para eles, só inventando o dia de trinta horas e o alfabeto de cinquenta letras.




                                               





            4.Assombração. Em matéria de assombração, o país está farto, extrapolando  até a raia política. Se em matéria de política há assombração para dar e vender: Fidel Castro, Hugo Cháves, o caso Celso Daniel, etc ;  na telinha da Globo as assombrações persistem em não se aposentar  preferindo a sina de ficarem assombrando a população: Galvão Bueno, Ana Maria Braga, Suzana Vieira e mais uma penca.  Até mesmo se você, caro leitor, por acaso e infelicidade for necrófilo e gostar de transar com assombrações, até mesmo isso o país tem. Que tal um pornô de Rita Cadilaque?

            5.Volume morto. Para apreender o que significa esse termo ultimamente bastante usado nestes dias sombrios, basta fazer uma abstração, caro leito. Quanto daria de volume morto caso  se juntasse  toda a dinheirama roubada no petrolão, em cédulas de cem reais? (Claro que isso só seria volume morto para os acionistas e para o povo, já que para os  corruptos se trata de volume muito vivo) .


                                                 



            Exemplificando melhor. Será que  a dinheirama  daria para encher o volume de quantos Bonecos Pixulecos infláveis? E não seria essa uma medida muito mais accessível ao povo que os estratosféricos números da roubalheira?
            Qual, não daria certo! O problema é que nunca se sabe se o volume de um Boneco Pixuleco com o rosto de Lula está  vivo ou morto,  -  de tanta facada que leva do povo revoltado.                                                                                                                                                                                                       ewerton.neto@hotmail.com                                                                                       http://www.joseewertonneto.blogspot.com


domingo, 13 de setembro de 2015

O JULGAMENTO DAS FORMIGAS



texto publicado no especial do Caderno Alternativo,
aniversário da cidade de São luis, terça, dia 8


Pode um julgamento de formigas, feito por seres humanos? Pode, se  for   em São Luís do Maranhão, isso porque no Maranhão pode tudo, como dizia o padre Antônio  Vieira.  O episódio aconteceu em 1712. Vamos aos  detalhes,  para melhor ajuizarmos do que as formigas são capazes. Ou os seres humanos. Ou os poderes de Deus.
            Os documentos existentes vão de 1712 a 1714. No Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro existem cópias parciais e as peças finais do processo, faltando-lhes a petição inicial e as peças finais. Não se sabe exatamente   quando o processo iniciou nem quando chegou ao fim, desconhecendo-se , a sentença final. (Ver Guia de São Luis do Maranhão, de Jomar Moraes,  aliás referência imprescindível e única sobre aspectos e fatos marcantes de nossa cidade,  em vias de reedição, conforme o autor).  O exercício deste cronista foi tentar esclarecer detalhes que faltam à História, inclusive quanto a sentença.

            1.As rés formigas. Como se sabe as formigas constituem um dos  grupos de insetos mais populares do mundo. Pertencentes ao Filo Artrópoda e à ordem Hymenoptera, elas são encontradas em toda parte, exceto nas regiões polares. Como o fato se deu nos trópicos há certeza, portanto, de que elas por aqui viviam. E, por serem, além de populares, ladinas -como denunciaram  os padres -,  é de se esperar que, almejassem algum cargo público (formigas como se sabe, são muito menos danosas do que os políticos, atuais e de sempre).




                                           






         2.A acusação. Elas foram acusadas de duplo crime: furto qualificado e dano. Furto qualificado, devido às trilhas subterrâneas que abriam para subtrair a farinha armazenada na despensa do Convento de Santo Antonio. Quanto ao dano, sabe-se que esses milhares de caminhos do furto punham em risco a segurança do imóvel conventual.
         Comentário. Não há como negar que o crime perpetrado era seríssimo. Embora hoje só se considere como roubo qualificado, de carro de luxo pra cima, (a la Collor de Melo) deve-se ter em mente que naquela época farinha valia mais do que lombo de burro  -o mais sofisticado meio de transporte de então -,  e comer bem é que era um luxo. Já quanto à segurança estrutural do prédio, o que existe de prédio desabando hoje no Centro Histórico, dá uma noção do quanto esses pequenos animais eram capazes de causar danos irreversíveis.

         3.Os acusadores. Os frades do convento de Santo Antonio. É de supor que tenham se decidido pelo processo somente depois que reza nenhuma adiantou. Embora hoje se tenha esse tipo de acusação na conta de inusitada e esdrúxula, a ideia pode ter sido fruto de uma inspiração divina. Deus deve ter subentendido às vítimas ( os padres) que se ele não tinha poder sobre os homens, que dirá sobre as formigas!
         Comentário. É bom lembrar que na época não havia Detefon, Baygon  ou outra inseticida qualquer. Formiga era combatida na base do  tapa. A luta era inglória, portanto.  


                                           




         4.A razão dos acusadores. O que poderiam esperar da Justiça os padres?

         Comentário. Da justiça humana pouco se deve esperar nesta terra, já dizia outro padre, o Vieira. No entanto, era preciso sensibilizar o rei ( uma espécie do Tribunal Superior  dessa época ) para que este se decidisse a dotar os padres de maiores recursos para o combate. Provavelmente, os padres quisessem mesmo era se mandar para outras plagas, livrando-se de índios, formigas, cobras e  adjacências se o melhor que poderiam fazer por aqui,  que era transar com as índias, não lhes era permitido usufruir,  por serem padres.

         5.A defesa (das rés). Em 15 de janeiro de 1713 protestaram as formigas em audiência de 15 de janeiro de 1713, formalizando, pelo seu curador, o seguinte documento:

(...) Provarão as embargantes formigas que lhe não devem prejudicar as ditas testemunhas José Rodrigues da Paz, Teresa do Rosário e Mônica da Paz, por serem como são, terceiras da Ordem de São Francisco e particulares amigas do reverendo autor e mais religiosos e por serem como são filhos de Antônio da Silva Paz, procurador contra as rés embargantes e, nesta forma nunca não haviam de querer dizer contra o Reverendo Autor embargado e na mesma forma(...)

         Comentário. Ao colocarem as formigas suas defesas nas mãos de um ser humano isso configura, sem dúvida, uma anomalia jurídica. Era de se esperar que fossem defendidas por alguém do reino animal, outra formiga, ou na pior das hipóteses, um cavalo ou um cachorro. A tradução não seria um grande empecilho, já que, de regra, o linguajar jurídico é muitas vezes mais intraduzível, do que a fala animal. De qualquer forma, apesar dos pesares a defesa das formigas na medida do possível estava bem representada e o protesto tinha fundamento. Como poderiam as acusadas aceitar o testemunho de gente que tinha vínculo com os padres? E, por outra, quem testemunharia a favor das formigas? Por acaso foram entrevistar alguma delas?

         7.O julgamento e a sentença final. Embora perpasse uma névoa de sombra nos registros existentes sobre o julgamento e seu desenrolar, admite-se com um elevado grau de confiança que as formigas foram condenadas. Tudo leva a crer que, como pena, foram obrigadas a se deslocar (via túnel que elas mesmo construíram durante anos e anos, coitadas! ) para um lugar ermo e abandonado na periferia da cidade que hoje sedia a penitenciária de Pedrinhas.

                                           





         Uma prova de que foi isso mesmo o que aconteceu é que nunca, em qualquer lugar e época do mundo, se foge tanto de uma cadeia via túnel como lá, onde está assentada a famosa cadeia. Quem teria ensinado esses indivíduos? Não seria uma herança maldita aprendida ao longo dos anos? Donde tanta inspiração para furar túnel, fugir e voltar a roubar? O que comprova a formidável herança obtida pelos criminosos atuais, daquelas que foram as primeiras criminosas em massa do estado do Maranhão.
                                                                                     ewerton.neto@hotmail.com
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sábado, 5 de setembro de 2015

O FIM É UMA QUESTÃO DE GOSTO




artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado

Pois é, “Tem gosto pra tudo neste mundo e ainda sobra pra ficar debaixo do boi”, dizia o caboclo diante daquele que dançava bumba-boi, sob uma indumentária bovina. Mal refletia, em sua simplicidade, que emitia um juízo definitivo sobre a maneira individual e específica de  cada um  proceder diante de cada ocorrência de sua vida. Encarar aquilo  que se anuncia como fim, como  um recomeço, embora possa parecer clichê, pode ser mais que isso, uma determinação de persistir e insistir fazendo aquilo que se ama e se tem prazer.
            Assim na vida assim também até na morte,  como se pode perceber pelos diferentes epitáfios de gente muito inteligente, ou dos prováveis epitáfios de outras,  nem tanto.

            1“Amigo, evite, por Jesus Sagrado, de cavar o pó aqui  enterrado. Abençoado quem poupar esses destroços, e amaldiçoado quem mover meus ossos.” William Shakespeare.

            2.“Esta sepultura  contêm tudo que era mortal de um jovem poeta inglês que em seu leito de morte, na amargura de seu coração, sob os olhares de seus inimigos, desejou que fossem escritas essas palavras em seu túmulo: aqui descansa um homem cujo nome está escrito sobre a água.” John Keats.

            3.“Em verdade vos digo, a semente do trigo caída na terra , se não morrer ficará infecunda, mas se morrer dará muitos frutos”. Dostoiévski. ( Palavras do evangelho de São João, subtítulo de seu romance Os irmãos Karamazóvi).

            4.“ Não tente.” Charles Bukóvski.




                                               





            5.“Contra ti me arremessarei, invencível e persistente, ó Morte!” (Virgínia Wolf, que se suicidou).

            6.“Disse o corvo. Nunca mais” Edgar Allan Poe. (Esses versos foram retirados de sua obra mais famosa, O Corvo).

            7.“Chamada de volta”. Emily Dickinson, (considerada pela crítica literária a mais melancólica das  poetisas  norte americanas). 

            Igualmente, pode-se imaginar qual seria o epitáfio de tanta gente célebre, num exercício não de futurologia, mas de gosto pessoal. (Deles).

            1.“Dei um duro danado para ficar branco e eis onde cheguei: a essa palidez mortal” Michael Jackson.

            2.“Tenho a impressão de que desta vez, pela primeira vez na vida, cheguei rápido demais.” Rubens Barichello.

            3“Minha agenda de entrevistas agora  vai estar lotada durante algum tempo. Já estão na fila Einstein, Martin Luther King, John Kennedy, Hitler e Napoleão Bonaparte. Ah, sim, ainda tem Deus. Estava esquecendo dele, mas vou ver se lhe arrumo uma vaga.” Pelé.

            4.“Nem vou sentir a  diferença. Durante muito tempo fui a esquelética mais bonita do Universo. Agora serei eleita  a mais bonita caveira. Dá no mesmo” Gisele Bundchen.



                                         





            5.“Comunico aos fiéis da Igreja  Universal  que se não deixarem de pagar o dízimo  no terceiro dia ressuscitarei” Lair Ribeiro.



                                                    





            6.“Depois de mais de 20 anos da operação lava-jato,  do centésimo pixuleco, e do milésimo corrupto, com a graça de Deus optei pelo ‘conforto’ desse caixão pra me livrar da cadeia. Mas na primeira  eleição que houver por aqui, as elites vão me pagar!” Lula.
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sábado, 29 de agosto de 2015

ORGASMO COR DE ROSA



Texto publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje,
sábado

Acaba de ser aprovada para consumo a anunciada pílula do prazer feminino ADDYI. Se os homens alcançaram a glória  em azul as mulheres a terão em cor-de-rosa. Alguns efeitos colaterais (além dos prescritos na bula),  surgem,  pra lá de óbvios, nesse novo mundão cor-de-rosa:

            1. Comércio sexual renovado. O Brasil, segundo Tim Maia,  é o único país onde gigolô tem ciúme, esquerdista é de  direita, traficante fuma maconha e puta goza (as coitadas além de ganhar mal ainda têm que fingir prazer!). Pois a partir da nova pílula passará a ser um país  mais justo para elas, já que as profissionais poderão cobrar mais caro para gozar, o que lhes aliviará da carga teatral envolvida. A tabela do prazer, então, evoluirá naturalmente para duas categorias: com gozo e sem gozo. A com gozo, claro, saindo mais caro -  desde que o cliente traga a pilulazinha. O que, por obviedade, definirá o arsenal ‘bélico’ do novo conquistador pós-pílula: um comprimido de viagra no bolso direito,  um cor de rosa no esquerdo.




                                         





            2.A festa farmacêutica. Se você é empreendedor e ainda  tem dúvidas onde enfiar seu dinheiro, agora ficou claro: empregue-o na compra de uma farmácia, amigo, que num piscar de olhos você estará nadando em dinheiro.  Sim, porque em nenhuma  outra época se venderá tanto remédio Quem duvida que o número de anticoncepcionais aumentará? E de camisinhas? E de abortivos? E de remédio para enjoo?

            3.Efeitos colaterais. Não estamos falando aqui daqueles anunciados pela bula: pressão alta, enjoo, náusea e sonolência. Esses, enquanto ainda não matarem, serão facilmente superados em nome do ansiado orgasmo. Estamos nos referindo, ao invés, ao novo clima de alta-voltagem das relações sentimentais, frutos de um novo tipo de desconfiança instalada entre os casais.

            -O que significa Ana Clara, essa pílula cor-de-rosa que descobri na boca da cadelinha? Será que caiu de tua bolsa?
            - Na boca da Fru-fru? Deus do céu, coitada, se ela engoliu a pílula teremos de arrumar urgente um cão parceiro pra ela? Você jura que conseguiu arrancá-la de sua boca?
            - Arranquei-a sim, mas não é isso o que interessa. Sinto, pela sua resposta, que você está confirmando. Essa pílula é sua? Você é usuária disso?
            - Sim, por que não? Se você usa a azul por que não posso usar a minha rosinha?
            - E com quem você usa?
            - Com você! (pelo menos por enquanto).
            - Antigamente você não precisava disso. Quero meu divórcio agora!
            - Ótimo. Fique com seu divórcio, que eu fico com a minha cor-de-rosa.

            4.Criatividade à brasileira. Não tardarão as inovações à reboque da fértil imaginação brasileira  quando se trata de sexo. Logo os homens chegarão à rosa-azul, uma incrível combinação entre as duas pílulas. No reino dos estimulantes, coquetéis e sobremesas a fila é grande: sorvete de açaí com flibancerina ( princípio ativo da pílula) ; energéticos à base de guaraná, catuaba,  ecstasy e flibancerina. Nas baladas, será vendida aquela que será considerada a mistura perfeita para incrementar uma noitada: caipirinha de vodca, sabor gengibre com extratos de flibancerina misturada com cocaína diluída.




                                           





            5. Exigência sexual nas alturas. Que os homens se preparem. A pergunta “você gozou”, antes considerada coisa de principiante, nunca mais será ouvida em canto algum do mundo. O tão ansiado orgasmo feminino deixará de ser clitorial ou vaginal, para ser clitorial mais  vaginal, necessariamente. Numa primeira etapa essa condição satisfará as mulheres, mas, numa segunda,  elas só quererão saber de orgasmo múltiplo pra lá. O verdadeiro bom de cama passará a ser somente aquele sujeito capaz de proporcionar à mulher o, enfim realizável, orgasmo clitorial-vaginal-múltiplo-intermitente e, de vez em quando,  ininterrupto. 


                                              





            6.Desinibição ampliada. Se as mulheres já eram desinibidas, passarão a ser mais ainda.  Elas,  e não somente eles,  só pensarão naquilo. As televisões estarão cheias de mesas redondas e quadradas, rodeadas de celebridades especialistas dando palpite, não só para discutir sexo, em volta da mesa, mas para praticá-lo também (em cima). Atrizes da Globo darão detalhes e confirmarão suas performances. Suzana Vieira confessará no Faustão que não desfilará mais  na Escola de Samba da Mangueira, porque agora não pode olhar nada cor-de-rosa que começa logo  sentir uma profusão de orgasmos múltiplos - um para cada ano de vida. Daniela Mercury, em nome da minoria gay reivindicará uma pílula específica para gays. “Ora”,  dirá ela, “se já tem pílula para homem e para mulher porque não para os gays?” E aproveitará até para sugerir a cor da mesma: lilás ou abóbora.
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

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sábado, 22 de agosto de 2015

SEU PRAZO DE VALIDADE




artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado

Tudo, mas tudo mesmo tem prazo de validade. Até o tudo, até a eternidade. Quando alguém diz na igreja que vai amar alguém por toda a eternidade, está claro que essa eternidade é relativa: ao vigésimo chifre, à centésima discussão, ao milésimo xingamento nas redes sociais etc. etc. Quanto ao tudo, seu prazo de validade talvez nem dure até o ponto de você descobrir que tudo e nada, no fundo, são a mesma  coisa.
            Porque esse tal de prazo de validade, esse sim é que deveria ser a marca mais exigida e preciosa das coisas e dos homens, esse é que deveria estar exposto de forma visível, acompanhando a identificação, nas carteiras de identidade. “Político do PT. Prazo de validade: vencido!”. Não ficaria muito mais fácil para o eleitor? 



                                           





 Porém, até daquilo que você come , fazem tudo para ocultar o prazo de validade, numa provável insinuação de que  sua vida, e, consequentemente, seu prazo de validade, não significa muita coisa para quem quer que seja.

            Basta ir ao supermercado pegar um produto e prestar atenção. Cadê o prazo de validade? Haja procurar, pois não existe padronização de local: pode estar no fundo do invólucro, na tampa, no verso da tampa ou até, pasme! – boiando no meio do liquido, caso se trate de cerveja, por exemplo. Nas embalagens de plástico, você tem que adivinhar o prazo de validade decifrando um código, o que significa colocar o recipiente em direção ao sol para adivinhar, porque a luz elétrica do shopping, definitivamente não serve.  A coisa é tão complicada que certos produtos deveriam vir com um manual de instruções para poder acessá-lo.

                                                



            Mas isso não é tudo. Além do prazo de validade, existe ainda o que poderíamos chamar de sub- prazo de validade,  que é aquele tempo após o qual o produto mesmo enfiado na geladeira, se deteriora e começa a ficar pronto para lhe causar uma possível morte. Você atentou para isso? Claro que não, eu também não atentava. Só comecei, dizia, a me preocupar com isso depois que passei uma semana num hospital por conta de uma infecção causada por um suco à base de soja cujo prazo pós-aberto (escrito em letras miudinhas e indecifráveis) era de dois dias, quando eu pensei que pudesse durar semanas, ao sabor do friozinho da geladeira. Sim, porque se um prazo de validade é difícil de achar, imagine o tal do subprazo!  É como se houvesse uma competição entre o prazo de validade e o subprazo para ver qual dos dois se esconde melhor.
            Assim é o prazo de validade, caríssimo leitor: um mistério devidamente autorizado pelos órgãos de defesa do consumidor deste país,  cujos legisladores jamais pensaram na sacrossanta ideia de padronizar um local específico nas embalagens ou de, pelo menos, determinarem o óbvio: um tamanho de letra que seja legível sem lente de aumento. Em sua tardia defesa, leitor, alguns prazos de validade, muito a propósito:

            1.Prazo de validade de um Órgão de Defesa do Consumidor. No Brasil dura algumas horas até você chegar à conclusão de que é melhor ser consumido pelo produto do que pelo órgão que se propõe a defende-lo.

            2.Prazo de validade de um produto de consumo. Totalmente indecifrável, mas, com certeza, sempre menor que o tempo que você leva para  descobrir onde ele está escrito.

            3.Prazo de validade de um prazo de validade. Como neste país antes mesmo que a coisa exista, já existe alguém tentando levar vantagem em cima de você (antigamente chamada Lei de Gerson) , por pior que seja um produto o seu prazo de validade vale menos ainda que o produto.
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

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sábado, 15 de agosto de 2015

MEU PAI E NOEL ROSA





artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado

Lembro que a primeira vez que ouvi falar de Noel Rosa foi quando escutei Chico Buarque cantar no antigo programa Esta noite se improvisa, um trecho  da música Feitiço da Vila. O programa que fez muito sucesso, essa época na TV Record,  com apresentação de Blota Jr. era um concurso para cantores nos quais se media o conhecimento musical do artista e a velocidade de resposta. O apresentador dizia “A palavra é”... e os concorrentes tinham de apertar um botão cantando um trecho da canção contendo a palavra. 

                                                      



Chico Buarque era um dos que sempre venciam e, entre outros méritos que o programa tinha um deles era o de aproximar, num show de toda semana, as turmas da MPB e da Jovem Guarda que viviam às turras, porque havia certo preconceito da turma da MPB contra o rock.
            Meu pai, Juvenil Amorim Ewerton, apreciava muito o programa e foi ele quem me alertou para o autor da música , quando,  por um instante, imaginei que fosse uma nova canção de Chico Buarque: “Essa é de Noel Rosa, é Feitiço da vila”. Logo a seguir, se propôs a ensinar-me a acompanhá-la no violão já que, há algum tempo, eu iniciara com ele, meu aprendizado.
            Sim, porque ele, nessa época juiz de direito e mais tarde desembargador, sempre teve o maior empenho em que seus filhos, aprendessem algum instrumento musical, orientação essa, aliás,  que lhe fora transmitida pelo meu avô, Jose Ribamar Ewerton, o que sempre considerei uma benéfica e gloriosa imposição genética. Do meu avô guardo, aliás, o solo da “marcha dos marinheiros”,  que foi ensinado por ele à minha tia Rosa Ewerton, e que ela me repassou, tendo sido ela também, além de professora, uma fervorosa apreciadora de música,  tendo se dedicado , certa feita, ao  acordeão.
            Mas, jamais cheguei ou  chegarei , nem de longe, ao exercício talentoso de meu pai nos instrumentos musicais, ele que tocava em orquestra na juventude   e pertenceu a uma banda que animava festas em Guimarães, Cedral e arredores, tocando além de violão, cavaquinho, saxofone e clarinete. Aliás, em recente crônica semana passada neste espaço o escritor e  confrade Jomar Moraes, evocando seu genitor, lembrou que meu pai foi um dos seus alunos, já que José Alípio de Moraes Filho, pai de Jomar, era um músico famoso em São Luís.  Aconteceu que a  pedido do meu avô, que era amigo dele, José Alípio de Moraes hospedou meu pai, jovem e recém-transferido do interior para São Luís, durante alguns dias em sua casa, justamente para inicia-lo em seus estudo musicais. Devo acrescentar que, além de todo esse ambiente e incentivo musical que meu pai me proporcionou, devo e agradeço a ele outra  faceta igualmente muito valiosa de formação artística: a reverência e a percepção da obra Noel Rosa, de quem meu pai era admirador incondicional e , provavelmente, um dos maiores conhecedores de sua obra em São Luís, embora, muito a seu feitio, a ninguém propagasse isso.


                                           




 
            Guardo com carinho o presente que me deu e do qual ele gostava muito (essencial a meu ver para todo aquele que aprecie o talento artístico): a biografia de Noel Rosa feita por João Máximo e Carlos Didier, um definitivo compêndio da vida e da obra do genial compositor carioca precocemente morto, além de uma caixa, contendo toda sua produção musical.  A estas alturas, ele compreendera que a admiração que tinha pelo compositor prosseguiria após sua partida em seus legatários, o que não é compreensível apenas por uma deferência genética, mas também por uma constatação, óbvia, para todo aquele que tenha algum gosto musical e compreenda a diferença entre o jorro de um talento intuitivo, especial e muito  acima da média de um Noel Rosa, se comparado a outros talentos  que se desenvolvem  às custas apenas  do aprimoramento do intelecto  e da dedicação.
            Por isso, alguns anos atrás,  causou-nos espécie que na escolha do maior compositor do século, Chico Buarque aparecesse em primeiro lugar, ocupando um lugar que achamos que teria de ser concedido a Noel  Rosa,  cuja obra musical, mais abrangente e atemporal, superou em vitalidade a todas as outras na MPB,  apesar de ter morrido com apenas 27 anos. Chico Buarque, aliás, nunca negou a superioridade musical daquele que o inspirou e formou. Embora eu tivesse sido um ardoroso fã de primeira linha da música de Chico (que me incentivou a conhecer mais da MPB, e a dividir o gosto musical que,  como todo jovem da época passava necessariamente pela rebeldia do rock  ‘a juventude  é a maior de todas as liberdades’,  e ia dos Beatles a Rolling Stones e daí a Led Zeppelin).  Mais tarde concluí, porém,  que embora a obra musical de Chico Buarque de Holanda seja magistral,  a de Noel Rosa é muito mais latejante e eterna, por ter mais recursos de empatia popular e porque alia o talento, a singeleza e capacidade de ironia sutil ao alcançar o mais difícil tom preconizado por Manuel Bandeira: de que o mais difícil, porém, muito mais talentoso na arte, está na busca da expressão que se distingue justamente pela maneira simples de dizer as coisas. A obra de Chico, menos vital e mais elaborada, em pouco tempo tornou-se excessivamente datada em algumas de suas mais importantes canções.
            Mas não se trata aqui de fazer uma comparação musical entre dois grandes artistas da MPB, o que, aliás,  não está ao meu alcance, mas sim de lembrar a conexão obtida a partir da nossa admiração recíproca pelo compositor,  hoje que se completaram dois anos do falecimento de meu pai, na ultima quinta-feira.




                                                  





            Tenho certeza de que, no céu, terá cumprido uma de suas maiores desejos: assistir a um show de Noel Rosa, junto a familiares e amigos que já se foram, assim como um dia assistimos a um concerto de Turíbio Santos, a quem tanto admirava também e que hoje, para seu incontestável orgulho (que, infelizmente ainda não pode me transmitir, mas o fará um dia)  se tornou meu confrade na AML.


                                                                       ewerton.neto@hotmail.com                                                               http://www.joseewertonneto.blogspot.com