645 O PENSADOR POLITICAMENTE INCORRETO DA PANDEMIA COMENTA O ASSUNTO DO DIA E EXPLICA EM PRIMEIRA MÃO O QUE VAI ACONTECER DEPOIS
645 É SINCERO COMO UM NÚMERO
EXATO COMO A MATEMÁTICA
645 É SINCERO COMO UM NÚMERO
EXATO COMO A MATEMÁTICA
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
1.Vida Ùtil de uma cirurgia estética.
Hoje vale muito pouco. Uma implantação
de botox só tem de serventia o tempo do
cliente se contemplar num espelho e olhe lá. Sim, porque, coberto com uma
máscara, todo mundo estará cagando e andando para seu rosto novo. Mesmo se você
tirar uma foto e postar nas redes sociais para exibir-se logo aparecerá alguém
para dizer que é fake-news.
2.Vida Útil de uma aliança de casamento.
Como a quantidade de casamentos diminuiu
muito e a possibilidade de realiza-los mais ainda., se você ganhou uma aliança
de presente, é melhor tentar trocá-la por um quilo de filé. O lucro será seu.
3.Vida Útil de um marido.
O processo de revisão desse item sempre
aponta para mais baixo. Antes da Pandemia a vida útil de um marido durava o
tempo de a mulher engravidar e ter um filho. Hoje em dia, ninguém dá nada por
um marido. Se estiver desempregado, então nem se fala.
4.Vida Útil de um sorriso.
Escondido atrás de uma máscara, sua
cotação na bolsa de valores caiu e nem adianta esticar a boca. Claro que os
puxa sacos continuarão dando um jeito de
tirar a máscara na hora de sorrir para o chefe, mas, cuidado!, esse ato inseguro
pode dar demissão por justa causa.
5.Vida Útil de um pacote de viagens.
Sua validade está mais baixa que a
temperatura dos lugares para onde você iria (Canadá, Finlândia, etc) doido para aparecer
no meio da neve , com cobertores do tamanho de seu buxo e fazendo de conta que
está morrendo de felicidade.
Se ainda der tempo troque por uma
viagem à Saçoitá, em Cedral. Compre uma choupana por lá e terá Vitamina D, de graça, o resto da vida para melhor espantar
Covide .
6.Vida Útil de um caixão de defunto.
Esse sim, se valorizou. Nestes dias
de escassez é melhor prevenir do que remediar comprando imediatamente o seu e
evitando que seus filhos o xinguem para
o resto da vida pela despesa que deixou. Lembre-se da frase dos cemitérios: “Nós, os
ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. Cumpra sua parte e siga em
frente.
7.Vida Útil de um álbum de fotos .
Aumentou muito. Sem novidades para postar nas redes, o que tem
de gente publicando suas fotos, escondidas no baú, não para de crescer. Só não
se empolgue com a recepção a suas fotos infantis abraçando animaizinhos. As
repetições de “Tão bonitinho!”, referem-se
ao animal, não a você.”
8.Vida Útil de um animal de estimação.
Sua cotação aumentou
baseando-se na experiência pandêmica que
diz : “Para espantar a solidão, melhor um animal de quatro patas na mão, do que um de duas arrodeando.”
9.A Vida Útil da vida.
Segundo a Globo a vida útil da vida já
caiu. Deu no JN que a vida média do brasileiro
decresceu 2 anos depois da Pandemia.
Porém, pensando bem, essa notícia
induz ao contrário, porque quanto menos
vida tivermos para viver mais valor
devemos dar à parte que sobra.
È cumprir a orientação bíblica “ Ajude-te que o céu te
ajudará!”, tomar seus remédios (desde
que seu médico os aprovem) e vender caro
o resto de vida que você tem. “Não se imobilize à espera da morte”.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
645 É O PENSADOR POLITICAMENTE INCORRETO DA PANDEMIA
SIMPLES COMO UM NÚMERO
SINCERO COMO A MATEMÁTICA
e doido para se meter onde não deve
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
Jamais me preocupara antes em saber o
significado exato da palavra Tijubina, senão agora, para prestar uma singela
homenagem póstuma ao amigo e poeta caxiense Carvalho Jr. falecido semana
passada.
Isso mesmo tendo apreciado seu livro de poemas
O Homem-Tijubina, quando intuí que se tratasse de um réptil, à primeira
vista repulsivo, mas que nunca havia visto tão bonito quanto na capa do seu
livro. Interpretei que se tratava de uma simbologia que incorporava o espírito
livre e impetuoso de seu autor, e isso bastava.
Apenas em uma oportunidade o vi e foi
justamente na noite de autógrafos de seu O homem-Tijubina, no sebo do Poeme-se.
Já o conhecia de nome, dos grupos literários
, de sua intensa participação e de seu envolvimento com tudo que se referisse a
arte poética. Parecia-me que ele movia o seu caminhão, carregado de poesia, a
200 por hora, enquanto os demais iam a 80 por hora ou sequer haviam ligado seus motores.
Mantivemos contato a partir daí nas redes
sociais e, por último, ele me pediu para
que lhe enviasse um depoimento sobre o poeta Déo Silva, que eu conhecera através
de Erasmo Dias, Imaginei tratar-se de mais uma de suas generosidades conhecidas:
o resgate de poetas talentosos, precocemente interrompidos e logo depois meio esquecidos, como no caso de
Déo, Ao lembrar que Gonçalves Dias, faleceu aos 41 anos , Déo Silva com 46 e
Carvalho Jr com 35. não posso deixar de me referir a essa trágica coincidência
que ceifa poetas férteis dessa pródiga terra, em tenra idade, daí me advindo o
anseio de não deixar que, como a Deó Silva, seja necessário que no
futuro, alguém o reabilite, doando desde
já à sua trajetória poética, breve mas fulgurante,
o valor que ela merece.
Ah, ia esquecendo-me de dizer que os
dicionários classificam o termo Tijubina como referido a um réptil que habitou
a Terra durante a pré-história Seus restos fossilizados foram descobertos no
Ceará, em 1996 e seu simpático apelido, é calanguinho do sertão.
Incorporado à poética inovadora e rica de
Carvalho Jr, num gesto de desprendimento e delicadeza, esse humilde animal, se
tornou através do Homem-Tijubina criado
por Carvalho Jr, o protótipo do poeta espontâneo, terno e atento à natureza, capaz
de doar à humanidade perolas como esta:
“Sou dessas sementes desacreditadas/ que o
vento rouba das cercas da morte/ e lança na outra margem do rio/ pelo milagre do bico do pássaro”.
José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
Você sabe o que é um influencer? Acho
que nem mesmo aquele que se diz influencer, sabe exatamente. Fosse apenas
influenciador, como sugere a tradução do termo, aí sim, todos saberiam, já que influenciador,
obviamente, é aquele que influencia um grupo de pessoas. O que dificulta a
compreensão é que Digital Influencer (
esse é o nome certo) pretende significar alguma coisa a mais. Ou de menos.
1.Se estivéssemos falando apenas de
influenciador, então Jesus Cristo deve ter sido o maior que já existiu, porque tem
até hoje uma legião imensa de influenciados. Até mesmo aqueles que o negam (os
ateus), dependem dele para se exibirem
como contestadores e costumam a ele recorrer, sem o menor pudor, nos seus
momentos mais difíceis. Ser um
influenciador, portanto, não depende de estar vivo, já que Jesus Cristo em vida
teve apenas 12 seguidores, e olhe lá. Morreu pregado numa cruz, ao lado de dois
ladrões, dos quais apenas um resolveu segui-lo aumentando a sua exígua conta de
seguidores na Terra para 13.
2.Eu falei seguidores? Talvez esteja
aí o que faltava para a gente entender melhor de que se trata o tal do
Influencer, já que, um de responsa, tem que ter milhares de seguidores, sem que
a maioria destes saiba objetivamente para onde estão seguindo o dito cujo, nem
para quê.
Isso porque esse “seguir”, não se
refere ao ato físico de seguir, como seguiam os apóstolos a Cristo em suas
caminhadas e pregações. Esse seguir atual refere-se ao ato, também físico, porém
milhares de vezes mais leviano e distraído, de dar um mísero toque no visor de um
aparelho. E, pronto, num passe de mágica você já virou seguidor do sujeito e,
este, automaticamente, já botou mais um na sua conta.
Em conversa sobre esse assunto, um
amigo jornalista chegou a sugerir que se fosse hoje JC seria milionário, pelo
tanto de grana que os influencers arrebatam. Retruquei que se JC fizesse mesmo uso
dos recursos da Internet para sua pregação jamais teria metade dos seguidores
que teve em vida já que essa profissão não é coisa para filósofos, ou homens
especiais, haja vista a extraordinária semelhança em seus propósitos de vida dos
grandes influencers do Brasil, de Luciano Hulk a Anitta, De Felipe Neto a Neymar. .
3.Estabelecida a condição de muitos seguidores
como sine qua non para classificar alguém como um influencer, lembro que li, recentemente, a notícia publicada em
jornal e reproduzida na net de que uma garota atraente e bonita surpreendeu um
rico e jovem empresário na noite paulistana, fazendo um ‘raspa’ em seu
apartamento em um breve encontro noturno. Autuada pela polícia nesse mesmo dia, ela
apresentou ao delegado, antes de ser tratada como garota de programa, a sua
profissão de influencer.
O que leva a concluir que essa
ocupação abrange, em seu mar de possibilidades, a alternativa de poder ser usada para legitimar quem
não tem uma profissão e não sabe exatamente o que quer fazer na vida.
Como, aliás, fazem, com enorme
talento, os profissionais de outro emprego hoje em dia também muito disputado.
O de ex -BBB.
josé Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São luis
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
Preocupado em sua labuta diária
(acreditem, ser Diabo dá trabalho!) o Diabo mandou chamar Satã , uma espécie de
seu primeiro ministro. (...)
-Como? O que diz, Senhor Diabo? Ah sim,,, agora entendi. Quer dizer que esse
Covid não foi invenção nossa. ? Juro que pensei que...
-Pensou o quê, Satã? Você pensa
demais para o meu gosto. Se tivéssemos
inventado o Covid você deveria ser o primeiro a saber. Além de nada saber, nada informa sobre
a origem desse monstro diabólico que, no entanto, nasceu à nossa revelia. Desta vez não tivemos
nada a ver com isso. A natureza o criou, não fomos nós. E quer saber mais? É um
minúsculo coisa alguma. Nem ser vivo
é...
-Meu Deus!
- Pare de falar o nome de Deus aqui,
Satã, sabe que isso é proibido aqui. Estamos no inferno Satã.
- Desculpe, Senhor. Mas eu confesso
estar todo embaralhado. Tanta maldade causada por um monstro quase invisível e sem
nada a ver com a gente.
- Você é mesmo pra lá de incapaz,
Satã. Esclareça agora, antes que o demita, esta perturbação que está me deixando
prostrado por dias e dias. Que explicação existe para o fato de nessa Terra só
ter morte, agora, de Covid?
- Excelso senhor Diabo, a única
explicação possível é que nesse país eles nos superam: não carece mais de interferência
diabólica para acontecer o mal, porque eles são piores que a gente. Um bando de
corruptos e sacripantas! Essa é a verdade.
- Como assim Satã? Da pra você
explicar melhor?
-Eles não constroem hospitais, deixam
a população à míngua e sem recursos. De presidente a governadores e prefeitos passando
pelo judiciário que os deixam roubar, os
corruptos levam o povo á morte por falta de leitos, vacina e remédio.
- Basta, Satã. Acho que desta vez
você tem toda razão. Pra cada um que morre de Covid, dois morrem por falta de
assistência, saúde precária, maus tratos etc e eles dizem que é Covid para
ficarem com o dinheiro.
-É a única explicação possível,
senhor Diabo.
- Tomei uma decisão Satã!
- Qual?
- A partir de amanhã estou de férias.
Você me substitui. Quando a epidemia passar você me chama de novo. Não tenho
coragem de responder ao Todo Poderoso, quando
for perguntado, que não temos nada a ver com essas mortes e que os maiores responsáveis
são eles, que vivem se achando à imagem e semelhança de Deus e ainda tem a coragem de apregoar que Deus é brasileiro. Dá pra acreditar?
José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis
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Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
As palavras da moda hoje em dia são:
variantes, cepas e mutações. Outras como lockdown, lives e imunidade de rebanho
tornaram-se comuns, íntimas até de quem
nem sabe o direito o que significam.
Isso mostra que em uma Pandemia até
as palavras sofrem mutações O
fato é que até a lei de Murphy ( aquela que nos explica porque tudo dá
errado) teve de se adaptar aos novos
tempos e indica ter sofrido, se não mutações, adaptações com a Pandemia.
1.”Se alguma coisa pode dar errado,
dará”. (Considerado o postulado fundamental da Murphologia básica)
Versão Pandêmica. Além de dar errado,
se prolonga por muito tempo.
Corolário 2. E ninguém jamais saberá
quem causou o erro inicial.
2.”Coloque um fusível para proteger o circuito
que o circuito acabará protegendo o fusível”.
Versão Pandêmica. Doe-se dinheiro, para que os governantes
protejam o cidadão, que eles protegerão o dinheiro, esquecendo-se do cidadão.
3.”É impossível fazer alguma coisa à
prova de idiotas, porque os idiotas tendem a se superar”.
Versão Pandêmica. Numa Pandemia o
vírus da idiotice se aperfeiçoa e se propaga ainda mais depressa do que o
vírus. Exemplo. Lives de música sertaneja, imagens do fiofó tatuado de Anita
bombando na net, celebridades como Gabigol, do Flamengo, se escondendo debaixo
de mesas em cassinos, etc.etc.
4.Após as coisas irem de mal a pior o
ciclo se repetirá.
Versão Pandêmica. As ondas se
repetirão (como todos sabem, ondas são cíclicas). E se repetirão, segundo
Tedros Adhanom, até o infinito.
5.”Nada é tão ruim que não possa
piorar ainda mais”.
Versão Pandêmica. Por pior que seja
um presidente, o próximo será ainda pior. Exemplos práticos: Lula, Dilma e
Bolsonaro.
6.”Toda solução acarreta mais
problemas”.
Versão Pandêmica. Não existe vacina tão
perfeita que não traga efeitos colaterais.
7.”Errar é humano, mas a sensação
disso é divina!”
Versão Pandêmica. É por isso que o
pleno do STF está pleno de quem se julga divino: de Marco Aurélio a Toffoli, passando pelo
beiço de Gilmar Mendes e pela careca de
Alexandre de Moraes.
8.”È mais fácil entrar numa roubada
do que sair dela”.
Versão Pandêmica. Se você for um
político ladrão que, ao meter a mão no dinheiro da saúde, entrou numa
roubada, ainda assim terá a alternativa de escapar saindo pelo ladrão - devidamente
instalado no STF para socorrer os
meliantes, dando um jeitinho.
9.”Quando se faz muita reunião para
debater determinado assunto a reunião acaba se tornando mais importante do que
o assunto”.
Versão Pandêmica. Quando se fazem
muitas Lives para debater a Pandemia, as
Lives acabam se tornando mais importantes do que a Pandemia.
10.”A mãe natureza é uma sacana”.
Versão Pandêmica. Depende do
referencial. Do ponto de vista da Natureza esta talvez esteja apenas se vingando de quem tem sido mais sacana
ainda com ela: os seres humanos!
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
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Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
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Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
Tempos
atrás foi um certo Xandy, uma semana atrás uma tal de Karol Conká. Ele, cantor,
entrevistado após show. Ela, que não sei que apito toca, num programa chamado
BBBrasil que muito maranhense, infelizmente, assiste. Os dois deitaram falação
(soube pelas redes sociais), sobre a feiúra do maranhense. Xandy disse que aqui
só tinha mulher feia. Conká foi mais longe e disse que, por aqui, todos são
feios.
O
curioso é que os colunistas sociais da terrinha, não param de dizer em suas colunas,
que suas festas sempre estão cheias de “gente bonita” Qual deles tem razão,
Maranhão?
Coisa
de 6 anos atrás escrevi uma crônica, neste jornal, informando que a revista
Veja anunciara em reportagem a descoberta de um método científico para medir a
beleza das pessoas. Fico imaginando qual método teria sido utilizado, tanto por
Xandy e Karol, quanto pelos colunistas, para chegarem a opiniões tão díspares.
O
certo é que não constatei manifestação alguma dos maranhenses, em geral, para
rebater tal injúria. É como se os maranhenses de alguma forma reconhecessem a
precisão da escala de beleza usada por ambos (qual seria?) ao achincalhar-nos.
Sim, porque não venha me dizer que ser chamado de feio é um elogio. As
mulheres, especialmente, sempre consideraram esse um dos piores insultos.
Há
nessa história, porém, algo que salta do contexto. Só é chamado de feio aquele
que se expõe ao raio visual do infrator. Só é xingado quem ouve, só é
achincalhado quem se oferece ao algoz. No caso destes pseudo-cantores, os
maranhenses foram insultados de feios porque se submeteram, de bom grado, às
suas escalas de indelicadezas, o que já era de se esperar por se prestarem a
assistir a um programa onde os participantes se sujeitam à pior forma de
degradação a que se pode submeter um ser humano: que é o exibicionismo e a
exploração de suas intimidades a troco de grana.
A
razão pela qual alguém se submete a isso é algo tão difícil de entender quanto
a disposição de assistir a um show tão raso quanto o de um cantor como Xandy,
sabendo-se que a liberdade de insultar alguém, especialmente a um povo inteiro,
é própria de toscos que falam de beleza numa tentativa de compensar suas mais
recônditas frustrações.
O
que parece notório é que a pecha de feiúra, de repente repetida e generalizada
pelas redes sociais passa, a partir desses disparates, a constituir uma marca
maranhense, perigosamente prejudicial a um estado tão decantado pelas suas
belezas naturais, sobretudo por não ser verdadeira
Ao
pensar que esses indivíduos foram convidados a se deleitar com as coisas belas
da ilha (que ironia, não é mesmo?) por iniciativa de conterrâneos cuja
hospitalidade foi retribuída pela exibição da régua de suas mediocridades,
chego à convicção de que nós maranhenses estamos nos especializando em atirar
pérolas a porcos, (como no dizer bíblico) e a transformar nossa ilha cercada de
água e encanto por todos os lados, numa ilha cada vez mais invadida por
acéfalos em todos os lados.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
Anos atrás quando se iniciou em
Curitiba a força-tarefa da lava-jato, um sopro de esperança pairou no seio da
sociedade brasileira: a de que, finalmente, a corrupção deslavada e protegida poderia ser combatida, de verdade,
amenizando alguns de seus maléficos efeitos dos quais o maior é o
empobrecimento da população através dos recursos desviados e abocanhados por
facínoras de terno e gravata .
A dissolução anunciada semana passada
da Lava-Jato em Curitiba, pôs água nesse jato e, num trocadilho paradoxal, deixou
de lavar a nossa alma (dos brasileiros que cultivaram a ilusão de que os
eternos corruptos seriam punidos progressivamente).
Infelizmente, era de se esperar. A
corrupção é aderente ao espírito de levar vantagem do ser humano. De fato,
estudo publicado na Revista Super
Interessante feito pela Universidade de Cambridge analisando 166 casos de
suborno em 52 países mostra o quanto a corrupção tornou-se quase uma entidade estabelecida globalmente.
Idem, o resultado da pesquisa adicionou um ingrediente que a torna bastante atraente
para os meliantes que a praticam: as empresas corruptoras recebem de volta 10
vezes o dinheiro em vantagens ilegais. No popular, o crime compensa e muito.
Segundo a pesquisa a ocorrência de
suborno foi maior nos países mais pobres, onde a justiça e as instituições são
mais débeis. Segundo o estudo o valor pago muda de acordo com o cargo.
Funcionários de baixo escalão recebem em média 1,2% do contrato de propina
contra 4,7% pagos a chefes de estado. Todos os casos estudados são escândalos
que chegaram ao conhecimento da população e, em muito deles, as empresas
corruptoras foram processadas. Esse tipo de punição, no entanto, é insuficiente
para conter a prática, porque o risco de ser apanhado e condenado não impede as
empresas de continuarem subornando.
O nosso país sempre se enquadrou no
bloco das nações favoráveis aos corruptos, tal a permissividade e leniência
para com os bandidos. Daí a esperança incoercível na lava-jato e seus
idealizadores. Eu particularmente, porém, logo desconfiei de sua continuidade quando
cedo se levantaram contra o sucesso da mesma vultos de estampa melíflua, sorrateira e asquerosa, como o senhor Gilmar Mendes ,ministro
da suprema corte, um especialista, segundo
a imprensa, em libertar corruptos. Na ocasião comentei: “Um dia vão acabar jogando na cadeia
justamente quem se propõe a botar os corruptos na cadeia..”
Dito e feito. A indignação da
população contra os corruptos se foi, e com ela, a lava-jato. Onde as manifestações? Onde o povo nas ruas para
bradar contra o fim da mesma? Toda contundência desapareceu como se esvaecem os sonhos e as ilusões, e não
me digam que a pandemia contribuiu para isso pela transferência de foco. Ora, todos
sabem que a corrupção tem sido no Brasil
um monstro mais temível e arrasador que o Covid 19, porque mata muito mais.
Só resta acrescentar à famosa frase
definidora das mazelas brasileiras do cantor Tim Maia mais esta assertiva: “...o
Brasil é um país onde até as ilusões são corrompidas.”
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O MORRO.
Sexta-feira vi, pela segunda ou terceira vez, na tevê, o filme
O morro dos ventos uivantes (com Juliette Binoche no papel principal) No sábado, com agradável surpresa, constatei
que o romance com esse título permanecia
há várias semanas na lista dos livros mais vendidos no Brasil da revista Veja.
A primeira vez que o li, na adolescência, fiquei arrebatado de uma
forma inusitada e peculiar, embora já houvesse lido vários outros clássicos.
Certamente, havia em seu enredo, algo de mágico, ou de aterrorizante ou de sedutor, ou as três coisas juntas.
(Não posso deixar, aqui, de abrir este
parênteses para desconstruir a mentira freqüente
que se pespega, de que os jovens de hoje são avessos à leitura, especialmente de bons livros. A aceitação, nestes tempos
céleres e conturbados, deste que é um
dos grandes clássicos da literatura universal , desmente essa inverdade. Pelo
que constatei em palestras da rede pública, nas redes sociais e na
comercialização de livros , os jovens lêem com freqüência até maior que muita
gente do meio literário. A diferenciação
se dá no conteúdo que eles apreciam, nem sempre coincidente com aquilo
que lhes é sugerido ou, no mais das vezes, imposto.
A receptividade a este romance creio que se dá porque sua autora
foi privilegiada pelo dom de sedimentar as ações de seus personagens através de uma narrativa que se
esmera na busca da simplicidade como alvo, no que se poderia chamar do
romance-romance : cujo objetivo principal é o de contar uma história atraente e
de envolver os seus leitores, com personagens não apenas fortes, mas fortíssimos;
com cenas não apenas fortes, mas fortíssimas; em ambientes nos quais o
contraste desses impulsos com o bucolismo da paisagem, permanecem indeléveis na memória de quem o lê,
tendo no centro de tudo, paixões fortes, fortíssimas, ao redor do qual orbitam as turbulências.
Se o
clássico Romeu e Julieta é um ensinamento sobre o amor, O morro dos ventos uivantes
é um aprendizado sobre a paixão. Parece
a mesma coisa, mas não é. )
EMILY BRONTE.
Pois deve ter sido através da paixão que cheguei, mais tarde, à autora deste romance, Emily Bronte quando saí
a pesquisar sua biografia
Parece que a estou vendo agora. Na casa
onde morava, ou nas charnecas ao lado, onde
os morros uivavam e era fácil ver
fantasmas vindo dos cemitérios que circundavam a casa. A mente sonhadora, de
moça oprimida por um pai autocrático e
severo, e que tinha como único divertimento conceber cenas de teatro que
escrevia em caixas de papelão com as duas irmãs. Emily não se casou e morreu cedo, aos 30 anos,
de tuberculose, negando-se a receber cuidados médicos.
Que passava o dia com o olhar fixo na
janela, onde batiam os ventos, como se através dela se
transplantasse para o único lugar possível fora do lar que as confinavam, vivificando
as cenas com que revestiria o romance que a imortalizaria, onde as paixões chegavam ao paroxismo, resvalavam
o doentio, mas jamais atingiam o ponto da loucura ou do fantasmagórico.
Uma moça débil, de beleza melancólica
e reclusa, dotada de um coração que guardava paixões tão intensas que foi capaz de descrevê-las em seus personagens, transformando-os em heróis eternos.
José Ewerton Neto é autor de A ânsia do prazer
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
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Lá vem ele, de novo. É o ESPÍRITO DE
NATAL. Nestes tempos pandêmicos desconfiava-se que ele pudesse não aparecer.
Sabe como é, vírus, pandemia, pânico, medo, horror. Temia-se que o velho
Espírito de Natal recuasse, ou desse para trás, já que faz parte do grupo de
risco naturalmente, pela antiguidade.
Chega trazendo tanta coisa junta que
andava escondida, depositando-a aos pés da população alvoroçada e ansiosa:
amor, alegria, solidariedade, esperança, de tal forma abundantes e gratuitas que pouca gente se dá ao trabalho
sequer de perguntar: afinal de contas, quem é esse cara?
Ora, para simplificar, porque nem
Freud explica, conjecturamos logo que
seja alguém da parte de Deus, um anjo, enfim. Alguém dessa turma especial,
generosa pra valer, mas inatingível, alguém que só convêm aparecer na Terra uma
vez por ano com essa estranha capacidade de coisas bonitas, mas, até certo
ponto, inexplicáveis.
Alguém que tem o dom até de alterar o
clima da natureza. Os objetos inanimados parecem mais atraentes, diferentes,
mais receptivos. O sol ardente já não queima da mesma forma, a chuva já não
incomoda tanto, até a melancolia para de rondar como uma sombra para
transformar-se numa névoa tão solidária, quanto íntima.
Sua visita, porém, todo ano tem um
fim indefectível e, lá pelo dia 29, véspera do réveillon, como faz todo ano, ele
levanta sua mala, sacode suas asas e, como um pássaro repelido, vai embora. Os
humanos voltarão aos seus mesquinhos afazeres, às suas rotinas de se debaterem
nas redes sociais por ideologias de araque, de se xingarem no trânsito, de
mandarem para o inferno uma suposta paz que fingiam procurar.
As crianças logo se aperceberão que
ele se foi. Os pais voltarão a ficar mal humorados e tensos. Os desejos de paz
e felicidade serão deixados para trás e
os adultos se encaminharão para afogar as mágoas e apreensões rumo ao réveillon
saudando, como histéricos, uma passagem de tempo que não tem significado algum.
Mas isso serão outros quinhentos e
outros covides. O ESPÍRITO DE NATAL finalmente apareceu, tratemos então de
aproveitar e guardá-lo em nossos corações, transbordando sua presença em nossas
confraternizações e desejando um Feliz Natal a todos.
Mas, como seguro morreu de velho,
será oportuno não olvidar de algo
fundamental para nossa segurança. Fiquemos alertas, no réveillon o ESPÍRITO DE
NATAL terá partido e não estará mais de sentinela para nos ajudar a enfrentar
os Covides.
José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
artigo publicado no jornal O estado do Maranhão
Personagens chaplinianos,
anti-atléticos, desprovidos de beleza física
ou inteligência especial, a quem somente a genialidade seria capaz de sacá-los
do lodo da história para convertê-los em mitos, no panteão de guerreiros e
ídolos cultuados por uma nação .
Personagens que parecem saídos da
ficção mas que, com certeza, vieram da
dura realidade dos desesperançados das favelas e periferias. Personagens que, não
fosse pelo futebol, estariam condenados ao esquecimento e ao abandono, mas a quem Deus, um dia, parece ter depositado na testa dos mesmos uma
estrela dizendo: “Vai estrela, brilha no caminho desses gauches da vida, e os
torna dribladores do destino”.
E deu-lhes a paixão por uma bola de
futebol para exercitar justamente isso: o drible. Ao iniciar no Botafogo,
Garrincha foi visto de longe pelo craque
Nílton Santos, merecendo dele o comentário irônico: “A coisa ta feia por aqui. Até
aleijado aparece para jogar futebol!” Mas
o aleijado tinha paixão, de fato, pelo drible e ao colocar a bola pelo vão das
pernas do craque começou a escrever a sua história .
O outro, argentino, franzino,
atarracado, cara de índio, cujo biotipo
parecia mais apropriado a um futuro vigia de puteiro. A quem tive a sorte de ver quando sua fama
despontava, no Maracanã em amistoso contra a seleção brasileira. Então, o índio
atarracado não precisava driblar o inferno da droga para chegar ao céu, tanto que eu pude ver o paraíso em seus pés,
sem que ele sequer se esforçasse para isso.
A trajetória de ambos fora dos campos
todo mundo sabe. Um se entregou à bebida, o outro às drogas. Após a morte do
ídolo argentino, sob o manto da comoção generalizada esperei que da parte dos comentaristas houvesse uma
menção à Garrincha , o gênio das pernas tortas que nos deu duas Copas . No
entanto, veio a alusão a um Airton Sena,
parecido ao argentino apenas no final precoce.
A comparação nada tem a ver. A
engenharia e a precisão das corridas de Fórmula 1 não permitem a magia do
futebol para amaciar mecanismos, como a uma bola. Ali o que predomina é a
condição tecnológica do equipamento onde
não há espaço para mágicos, mas para os intrépidos. Sequer nas origens se
pareciam. Ayrton Sena era filho de gente aquinhoada, se pareceu com Maradona na
tragédia que comoveu os dois países, mas foram distintos nas paixões, na
irreverência e nos sonhos.
“Sua ilusão entra em campo no estádio vazio, e
ainda na rede balança seu último gol ”. O som da antiga balada composta em
homenagem a Garrincha, interpretada por
Moacir Franco, ressoa insistente em meus ouvidos Talvez porque devesse ser executada agora também nas rádios
argentinas, transformada num tango, que
os meninos da Villa Fiorito, onde nasceu Maradona, cantariam para homenagear aquele que foi seu maior ídolo.
Música Balada no. 7 Moacir Franco em homenagem a Garrincha
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
Estudo desenvolvido há alguns anos
pela Escola de Psicologia da Universidade de Keele, na Inglaterra, publicado
pela revista especializada NeuroReport
afirma que falar palavrões ajuda a amenizar
a dor física.
Esta notícia deve ser revista e propagada,
especialmente nestes tempos de Covid19 em que faltam vacinas, remédios e leitos.
Fico imaginando, um indivíduo, morto de dor, chegando ao SUS, diante de um
médico de plantão, já perfeitamente inteirado dessa descoberta científica e
adepto desse recurso, tão barato, para aliviar os males. Diante desse cliente
aos berros, o médico dirige-se para a enfermeira.
- Se faltam remédios, enfermeira,
mande ele xingar.
- Xingar quem, doutor?
- Ora, mande-o xingar qualquer coisa: Deus, o mundo,
Bolsonaro, o juiz de futebol, pode xingar até a gente, se preferir.
À vista dessa alternativa, o doente,
claro, não se faz de rogado.
- Médico filho da puta!, Enfermeira piranha!,
Hospital de merda!
- Doutor, ele não para de xingar. Os outros estão escutando.
- Sem problemas, deixe-o à vontade.
Quanto mais alto ele xingar melhor.
O doente enfim pára, extenuado. O
doutor, com expressão vitoriosa, indaga para a enfermeira.
- E agora, enfermeira, como está o
nosso doente?
- Ele diz que aliviou a dor.
- Eu não disse? Chame o próximo.
2. Evidente que os médicos precisarão
se especializar cada vez mais nessa matéria, tendendo a surgir os mais
talentosos, ou seja, aqueles capazes de receitar o palavrão mais apropriado
para cada sintoma. Ao invés de Novalgina: Sacana sem-Vergonha!; ao invés de
Buscopan: Cadela Vagabunda!; ao invés de Atroveran: Corno safado!
Torna-se evidente que uma das
complexidades para a adoção e proliferação desse tipo de remédio é que muitos
doentes carecerão de altas dosagens de xingamento para aliviar suas dores, mas,
onde encontrar esse palavrão, já tão desperdiçado no dia a dia?
Supõe-se que isso se resolva inventando-se
novas matérias-primas, ou seja, novos palavrões. Enquanto isso ainda não foi
feito, uma boa forma de aliviar as dores no pandemônio atual seria pedir que os
pacientes xinguem o Covid19 o mais alto
que puder. Exemplos práticos a serem receitados: Covid 19 vá-se F...!; Enfie o
Covid nos seus, ladrões da saúde!; ou Volte para a China, Covid sem-vergonha!
Os médicos poderiam incluir a OMS também
. Ainda que não aliviasse a dor, faria
muito bem à saúde.
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Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
“Caminhemos, talvez nos vejamos depois. Vida comprida, estrada
alongada...” Erivelto Martins
O Caminhemos, de Vanusa Santos Flores,
a Vanusa, chegou para mm pela primeira vez em forma de balada-rock , ao invés
de samba-canção tradicional composto por Erivelto Martins. A cantora, que
começou a fazer sucesso na esteira da jovem- guarda , teve a feliz idéia de
incluir Erivelto em seu repertório (gravou também Mensagem, sucesso anterior de
Isaurinha Garcia, na mesma época e estilo).
Claro que ambas as músicas
tornaram-se um dos alvos de aprendizado para mim, que aprendia violão,
estimulado por meu pai, que tocava esse
instrumento musical muito bem, me ensinava,
e me iniciou no rico repertório e
no conhecimento de Erivelto Martins, até então um compositor desconhecido para
mim.
Não
que eu tenha me tornado um ardoroso fã de Vanusa , embora dela
apreciasse algumas canções. Vanusa era
uma cantora que parecia estar sempre a meio caminho, sem jamais despertar
arroubos incondicionais de seus fãs. Não tinha aquela palpitação que distingue
os grandes artistas e que, muitas vezes se associa a um destino trágico, como
acontece com alguma freqüência em talentos especiais que se dilaceram pela
arte. Não era uma Amy Whinehouse ou Billie Holliday, nem uma Elis Regina ou
mesmo Cássia Eller.
Era bonita, mas não formosa ou
deslumbrante. Cantava bem, mas não beirava as melhores artistas da época.
Selecionava algumas boas canções, mas seus discos eram irregulares, vendia
discos, mas nunca teve um sucesso arrebatador. E, assim, ela foi traçando a sua
trajetória cada dia mais arrefecida até
falecer esta semana, com a notícia de sua morte ganhando as redes sociais, sua partida
chegando de longe como se seu Caminhemos na vida houvesse findado faz tempo.
Sem despertar o choro e a comoção devotadas
a um grande ídolo.
No auge do sucesso Vanusa foi
atriz também, chegou a protagonizar a novela Cinderela 77 exibida pela TV Tupi,
com o cantor Ronnie Von, que sobre ela se pronunciou após sua morte: “Para mim é a perda da minha princesa, da minha Cinderela 77.
Uma época em que nós confidenciamos uns aos outros, nossas alegrias e nossos
momentos emocionais.” Foi casada com o cantor galã Antonio Marcos (que
morreu cedo e teve problemas com o álcool em cuja data de aniversário partiu,
coincidentemente) e, a partir daí, tem-se
a impressão de que Vanusa passou a alimentar a cena artística mais por sina do
que por prazer.Sofria de demência e morreu num asilo para onde foi encaminhada
por seus familiares o que motivou as habituais comentários nas redes criticando
a postura da família e o distanciamento a que foi relegada.
Porém, ainda que se queira estabelecer seu fim em um asilo como um contraponto cruel a quem foi tão famosa, a verdade é que essa circunstância nada tem a ver, ainda que minimamente, com sua trajetória artística. Tem a ver mesmo com o fato de sermos humanos, demasiadamente humanos e, como tais, tantas vezes desprovidos de humanidade, especialmente para com os idosos, quando estes precisam de nós, mais da gente que a gente deles.
ewerton.neto@hotmail.com
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Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão
Começo por Tom Hanks, ator, que escolheu A Sangue Frio de Truman Capote, este célebre romance-reportagem que
teria As celebridades internacionais gostam de ler. E bem. A julgar pela lista
de livros preferidos de alguns, de fazer inveja a muito intelectual meia boca,
que se agarra a dois livros curriculares e fica por aí.
Gostaria de reproduzir toda a lista,
mas citarei por causa do espaço apenas as que coincidiram com leituras minhas.
inaugurado o gênero. O livro, que como
reportagem atinge o ápice se dá melhor ainda como romance. Uma obra-prima da
narrativa policial. Lady Gaga, por sua
vez, preferiu Cartas a um Jovem poeta, de Rainer Maria Rilke, o que traduz o extravasamento de seu
coração poético por trás da cantora e atriz sensível que é.
Mel Gibson e Kit Harington preferiram
!984 de George Orwell, um romance, para
o meu gosto, menor do que o frenesi que causa, cujo desencantamento para mim se
origina justamente pelo que carrega de simbologia político-social uma alegoria distópica
que se tornou tão repetitiva que foi imitada por Chico Buarque em seu romance Fazenda Modelo. Jessica Biel, a bela, veio de Suave
é a Noite de Scott Fitzgerald, um romance tão soberbo quanto o título, cuja
narrativa se ombreia à de O Grande Gatsby,
o romance mais famoso do autor, o que não é pouca coisa.
Jennifer Lawrence, a cantora e atriz,
escolheu Levantem bem alto a cumeeira de J.D. Salinger que foi o autor com
mais citações (3 vezes) por causa das duas de O apanhador no campo de centeio, este hino à liberdade da juventude
no que ela tem de angustiantemente eterna em sua efêmera
passagem. Foi o escolhido também por Woody Allen, o que dispensa comentários.
Espremido pelo espaço gostaria de não
deixar de citar um romance que peguei
por acaso num sebo e a ele me deliciei por algumas aceleradas horas, chamado O estranho caso do cachorro morto, de Mark Haddon, preferido do
cantor Donald Glover, um romance
surpreendente desde o título, que trata
de um caso que beira o policial sobre o ponto de vista de um autista,
envolvendo dramaticidade,humor e poesia, causando no leitor extraordinária empatia
pela persona representativa desses humanos especiais.
Passando para os políticos, o
escolhido por Barack e Michele Obama foi o livro Uma canção para Salomon, de Toni Morrison, o único dos citados
nesta crônica que ainda não li. Toni
Morrison, uma escritora negra Premio Nobel, apontei neste texto para que se possa destacar também a
formidável sincronia que paira nesse simpático casal.
De todas as escolhas, porém, a que mais
me surpreendeu foi a de Donald Trump. Sim, ele mesmo, seu livro preferido sendo
O Poder do Pensamento Positivo de
Norman Vincent Peale, um livro a meio caminho entre auto-ajuda e religioso, que
li na juventude, e que não me constranjo
em indicar como livro de formação para qualquer um, independente de sua crença
religiosa ou inexistente. É um livro marcante para minha formação, não
literariamente, mas pela sedimentação de uma expectativa filosófica, baseada em
trechos bíblicos, de muita utilidade
para a travessia da minha juventude.
José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
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artigo publicado no jornal O estado do Maranhão
1.A magia do futebol
O futebol é um esporte
extraordinário. Somente no futebol um
aleijado como Garrincha poderia ter sido um gênio, competindo com grandalhões
saudáveis e perfeitos. Somente no futebol um sujeito baixo e atarracado, com cara de porteiro de boate de quinta categoria, feito Maradona, seria um extra-classe; somente no futebol um
time do interior sem dinheiro e sem torcida,
como o Santos FC poderia, em pouco menos
de dez anos, se transformar no melhor time do planeta.
Pois foi esse esporte fascinante que
conferiu a Edson Arantes do Nascimento, o Pelé, que esta semana completou 80
anos de vida, o título de melhor atleta do
século, mesmo disputando com atletas legendários de outros esportes mais solicitados
em países muito ricos como os USA. E foi ele, Pelé, o mágico capaz de
transformar nas décadas de 50/60 um time
de interior, o Santos FC, num time de
futebol que, ainda hoje, parece carregar o dom de uma sina memorável. Haja vista
o surgimento de jogadores como Robinho e Neymar.
As novas gerações que não viram o
apogeu do Santos FC não têm idéia da tolice
que falam quando tentam equiparar os feitos internacionais do São Paulo FC aos
do Santos, da era Pelé. Isso seria desculpável para torcedores, mas não para
analistas de futebol profissionais. O São Paulo ganhou, sim, títulos de torneios
mundiais, mas nunca foi sequer considerado o melhor time do mundo. Há uma
diferença básica. O Santos ganhou
títulos porque era o melhor e não foi o melhor apenas porque ganhou títulos. O Santos era tão melhor que prescindia de
títulos, tanto assim que os desprezou, negando-se a disputar o torneio
Libertadores da América, cujo inchaço de times promovidos para disputar a
competição, incluindo os vices, tinha por único objetivo poder ver Pelé e Cia
se exibindo de graça.
2.Pelé, o mágico.
Pelé era o craque, Edson o homem. A
ponto de o próprio Edson se referir a Pelé como outro personagem. As pessoas
confundem as coisas. Tive oportunidade de ser inserido nas redes sociais em debates nos quais muitos se manifestavam
contra as homenagens prestadas ao craque por causa de seu comportamento
(lamentável, diga-se de passagem) no
episódio de seu distanciamento da própria filha. Lembro, porém, que as
homenagens que lhe estão sendo prestadas, se referem ao esportista excepcional,
não ao homem.
3. Em certeira crônica sobre o futebol, neste
domingo, o confrade e amigo Elsior
Coutinho lembrou de várias expressões usadas por comentaristas e torcedores numa
interessante listagem de termos bélicos adaptados ao jargão futebolístico.
Isso me fez lembrar o que havia lido
na revista Superinteressante quando cientistas evolutivos explicavam o
formidável fascínio que este exerce na mente, especialmente masculina, pelo fato desse esporte se desenvolver como uma estratégia de combate,
que motivou o ser humano nas suas lutas pela sobrevivência. O instinto
gregário, a luta, o ataque e a defesa, o estrategista, e o gol como objetivo a
ser alcançado, fazem parte do ardor com que lutamos nos mais remotos tempos.
A tudo isso o futebol acrescenta o
fascínio da imprevisibilidade. Somente no futebol um pequeno Davi pode vencer o
gigante Golias. Somente no futebol um menino pobre que engraxava sapatos para
sobreviver poderia se tornar um Rei de todo o Planeta , como
Pelé se tornou.
Jose Ewerton Neto é autor de O Entrevistador de Lendas
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.