quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

A HISTÓRIA DOS CÃES



Artigo publicado hoje, quinta feira no jornal
O estado do Maranhão

O homem está para o macaco, assim como o cão está para o lobo? 

                                           


Certamente, diríamos, a partir de Darwin e sua teoria da evolução. Mas o propósito desta é tratar da segunda parte, o que facilita, e muito,  a questão do final feliz, já que a primeira tudo indica que não vai acabar bem.

                                             



            Pode, se dizer, no entanto,  que as mutações  dos lobos até virem dar nos cachorros tiveram, sim, um final feliz a julgar pelos   alegria sincera e benfazeja exibida pelo focinho de nossos poodles, yorkshires e buldogues, sentados calmamente  em nossos sofás, ou desfilando nos colos das celebridades mais famosas e concorridas.  Garanto que tem muito gorila por aí, nas redes sociais,  que daria uma evolução e a eternidade e meia para chegar perto dos lábios e dos rostos graciosos de Graziela Massafera e Angelina Jolie, em vão, coisa que garbosos cachorrinhos fazem  todo dia no Instagram, tendo o direito, além disso , a viver e comer de graça às custas de suas graciosas donas.
            Claro que, à vista disso, leões e tigres, jacarés e búfalos, enfim a fauna toda,  hão de estar se roendo de inveja , mas nem sempre foi assim . Há que se creditar o sucesso dos lobos a esse jeito especial que eles tiveram de cativar animais menos confiáveis, como os humanos, com muita paciência. Sim, porque para serem vitoriosamente adotados os adorados cachorrinhos só precisaram de tempo, certa ingenuidade dissimulada, e muita, muita paciência.
                                         
                         


            Tudo começou na era glacial, uns 15 mil anos atrás, numa época em que a humanidade estava dando início à vida nova quando, depois de vagar  através de milênios atrás de vegetais e outros animais para comer, resolveu se juntar em vilas e povoados, para plantar. Ora, todo mundo sabe que quando se juntam homens, mulheres e comida (seja de que espécie) o lixo sempre aparece. O que talvez ninguém esperasse era que junto a formigas, ratos e baratas atrás das sobras, aparecessem também os lobos. Na base do  “nada como um lixo atrás do outro”, os lobos foram adentrando no mundo dos homens, curando o seu vício antissocial e desenvolvendo uma gloriosa empatia à custa , também, do tradicional toma lá dá cá.
            Sim porque em troca do lixo de comida, que fazia a festa dos lobos, estes logo se prestaram a latir para avisar os homens de seus inimigos. Nada mais vantajoso para o homem pré-histórico que sair para a caça com um bicho que sabia perseguir presas e que, ao invés de comê-las, trazia a carne de volta para a matilha, no caso os homens. Quanto à mudança no formato físico, veio a acontecer que, por obra e graça da adaptação ao ambiente humano, os lobos foram mudando de aparência e ficando menores – afinal, quem precisa de corpo forte é quem tem de matar e comer búfalos, quem precisa comer lixo disso não precisa. Quanto menor, menos comida para sobreviver e o adão dos cachorros, que era catador de lixo, mas acima de tudo, enganador, aproveitou-se da fraqueza humana de adorar filhotes para gerar seus descendentes cada vez mais com jeitão de filhotes, mesmo depois de adultos. E foi assim que em 15 mil anos os canis familiaris (cachorros de hoje) se separaram definitivamente  do canis lupus, o lobo propriamente dito.
            Quanto a porque se tornaram os amigos mais fiéis dos homens isso nem precisa da ajuda de Darwin para explicar já que a sabedoria popular sempre o fez muito  melhor: 
                                                

                                          

Mais vale um cachorro amigo do que um amigo cachorro!”
                                                                       ewerton.neto@hotmail.com
                                               http://www.joseewertonneto.blogspot.com

sábado, 9 de janeiro de 2016

O MELHOR LIVRO QUE NÃO LI ( MAS GOSTEI)



NO CORAÇÃO DO MAR 

artigo publicado quinta-feira, no jornal
o Estado do Maranhão

Não li e não gostei. Assim dizia o saudoso Erasmo Dias a respeito de algum  livro que não havia lido, e que antecipadamente desprezava,  expondo sua desaprovação em relação a algo que essa obra lhe incutia: antipatia ao autor, ao tema da obra, enfim a algo capaz de desapontá-lo à simples menção,  e que não admitia sequer uma revisão redentora.
            Essa postura pode ter também o seu inverso no mundo da literatura. Foi o que descobri  assim que enveredei no mundo lúdico e assombrado da leitura: neste caso, o livro que ainda não se leu, mas do qual já se gosta, independentemente da leitura que um dia deste se fará, ou não. Refiro-me, ao romance Moby Dick, de Hermann Melville que se tornou,  para mim, depois que adquiri um exemplar de uma bela edição do mesmo, o melhor livro “que ainda não li, mas gostei”.

                                          






             “Mas, como se pode ter a audácia de classificar um livro como melhor  sem sequer tê-lo lido?”,  pode perguntar alguém.
            Sem outra  solução como resposta  só me restaria arguir   que a literatura  têm dessas coisas. Insinuo,  depois de haver lido uma boa penca deles, que um romance não é somente o que está escrito, mas o que sugere ou simboliza; ou ainda, o que  está antes mesmo da construção do enredo, palavra após palavra. “Desgraçado do escritor que não consegue fazer o seu leitor participar da montagem do sonho que idealizou!”, disse alguém. E essa montagem do sonho, começa a ser  edificada pela mente do  leitor antes e além da própria leitura.
            Faz algum tempo, pois,  que, tendo adquirido o livro, nunca me decidira  a lê-lo por uma razão oculta,  até para mim. Teria sido por reverência ou por receio de que a leitura não comprovasse o êxtase idealizado? Acredito que não. Um escritor da estirpe de Herman Melville não decepcionaria a ninguém, principalmente tendo sido a epopeia descrita por sua caneta extraída de fatos reais, vivenciados por uma gigantesca baleia e seus perseguidores humanos o que faz disparar todos os processos coletivos e inconscientes de defesa diante do ambiente inóspito, o que se constitui na quintessência de uma aventura de sedução imediata. 


                                                 






Melville personificou essa tensão, porém, personificou também a eterna luta do gênero humano contra o seu destino fatal, através da transfiguração, em poesia, da batalha de intrépidos baleeiros não contra um monstro representando as forças do mal, como querem alguns, mas contra um deus da natureza, tentando cravar-lhe um arpão não para sangrá-lo e simplesmente liquidá-lo, mas para dizer eu sou homem, eu estou aqui, eu quero saber.
            Por isso fui assistir o filme No coração do mar que é a versão cinematográfica  do livro de Nathaniel Philbrick e que esmiúça a verdadeira história de Moby Dick e sua saga. Iniciei assim, finalmente,  a leitura pelo caminho inverso, primeiro o filme, depois os dois livros.  

                                       



            Nem precisa dizer que estou me extasiando, e consagrando uma interessante forma de ver uma obra de arte de três modos, quase que simultaneamente. Assistido o filme,  leio  um trecho da verdadeira história e depois vejo o que um notável ficcionista  é capaz de fazer com um fato real.             Sugiro, pois, que, na impossibilidade de usufruir das três, o leitor se compraza com pelo menos uma, que já será grande coisa. Comprovando que minha intuição estava certa, agora posso confirmar que o Moby Dick é realmente um dos  melhores livros que alguém poderia não ler, mas gostar.
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com  

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

AS MELHORES FRASES DE 2016 ( adaptadas de 2015)





1. “DILMA ESTÁ NO VOLUME MORTO, O PT MAIS ABAIXO DO VOLUME MORTO E EU ESTOU NO VOLUME MORTO”. Lula, ex-presidente do Brasil

“Lula mostrou que  entende pra valer de volume e de morto. Não  será por que seu partido tomou conta do  VOLUME ( da grana) e depois ficou se fazendo de MORTO?

2.” A VIA LÁCTEA É FICHINHA,  PERTO DA GALÁXIA QUE É O RIO DE JANEIRO...” Dilma Roussef, nossa presidenta.
“E bote fichinha nisso. Enquanto na Via Láctea tem cometa e meteorito explodindo, no Rio de Janeiro tem morteiro e bala perdida!”




                                                




3.”(...) PORQUE O VENTO É DIFERENTE EM HORAS DO DIA. ENTÃO VAMOS SUPOR QUE VENTE MAIS NAS HORAS DA NOITE .COMO É QUE EU FARIA PARA ESTOCAR ISSO?” Dilma Roussef, agora  na ONU
Comentário de Obama para seu colega Putin, da Russia:
“ Ainda bem que a colega Dilma não é casada! Já pensou o sacrifício do  seu primeiro- damo tendo de aguentar a dificuldade de ela estocar vento durante a noite?”

4.“ A RETOMADA DA ECONOMIA BRASILEIRA SERÁ LENTA, TIJOLO A TIJOLO” Joaquim Levy, ex-ministro da  Economia
“Errado, Levy, a  TOMADA, ( não a retomada) da economia brasileira continuará acelerada, pelos mesmos de sempre, mas não de Tijolo a Tijolo, mas de Mensalão a Mensalão.  


                                           


5. “OU MUDAMOS A FIAÇÃO OU VAI DAR CURTO-CIRCUITO”, Joaquim Levy, de novo.
Só falando com Deus, Joaquim Levy. Como você sabe o Brasil continua o campeão mundial de curto-circuito pra valer.  Só no réveillon foram milhares de raios ( com 5 mortes).

6. “QUANTO MAIS TÍTULOS EU GANHO, MAIS BONITO EU FICO PARA AS MENINAS” Gabriel Medina, campeão de surf
“Deixa de se iludir, bobalhão! Título não garante nada, o que garante é grana. . Conheço um cara  que tem dez títulos de eleitor, um para cada município e nunca pegou menina alguma por causa disso”.

7. “QUEM NÃO TEM UMA BRIGA DENTRO DE CASA?”Pedro Paulo Carvalho, secretário da prefeitura do Rio, justificando seu candidato a prefeito que bate em mulher.

“ Você tá certo, Paulo. É só ligar a televisão. Tem briga de Faustão com a educação. De dupla sertaneja com a música. De Ana Maria Braga com a inteligência. E de BBBs com o alfabeto. Etc. Etc.”  

quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

2016 ( TUDO O QUE JÁ SE SABE)




artigo publicado no jornal o Estado do Maranhão, hoje,
quinta-feira




Gordo, magro, saudável, doente, sortudo ou azarado? Todo final de ano os humanos  se lançam  à esperança de que, num passe de mágica, um bilionésimo de segundo faça as coisas mudarem para melhor. E, tentando adivinhar como será o 2016  aparecem macumbeiros e charlatões de tudo quanto é lado. Ora, saber como ‘ele’ será não parece tarefa tão difícil assim, não é?  Senão, vejamos:

            1.O VLT não vai sair do lugar. Sim senhores. Passa ano, sai ano, entra prefeito, sai prefeito, o VLT não sairá do lugar, muito menos em 2016. Nem adianta especulações: definitivamente, o VLT que um dia desfilou gloriosamente pelas ruas de São Luís continuará no mesmo lugar, num depósito de sucata, cada vez mais entregue às baratas, às ferrugens e ao esquecimento mesmo tendo custado tanto dinheiro do povo, e feito mais sucesso em sua chegada do que quando aqui chegou,  pela primeira vez em São Luis,  o avião Sampaio Correa em 1922


                                              




.
            2.Cerveró não vai fugir. Vontade é que não falta pro homem (cujo olho esquerdo foi parar perto do nariz de tanto conferir grana  roubada). Mas não será em 2016 que ele fugirá. A razão é simples: a incontornável dificuldade de um disfarce. Como encontrar máscara capaz de ocultar aquele olho torto? A verdade é que seus conselheiros chegaram à conclusão de que com aquela face de ciclope, Cerveró  seria descoberto até em festa de halloween

                                                        


            3.Rogério Ceni continuará homenageado pelo São Paulo. Pobreza de ídolos dá nisso e o São Paulo  F.C. vai ter que continuar a homenagear Rogério Ceni por falta de assunto. Se não for ele, será quem? Afinal de contas, o São Paulo F.C é um time que, mesmo nadando em dinheiro, nunca teve ídolos merecedores de idolatria e identificados com o clube,  como Pelé e Garrincha. O jeito é se contentar com esse, pois como já disse alguém, cada um tem o ídolo que merece.  Se Rogério Ceni (apenas um bom goleiro, nunca um mito)  num arroubo de ‘heroísmo patriótico’ disse que quando morrer quer ter suas cinzas atiradas na grama do estádio do São Paulo, que tal providenciar um mausoléu para o empolgado goleiro,  no mesmo Morumbi? Sai Rogério Ceni, entra em ceni (ou seria cena?)  um  Mausoléu do tamanho da megalomania dos seus dirigentes.

                                                  





            4. Safadão estará no show de Roberto.  Primeiro foi Ivete Sangalo, depois Paula Fernandes e,  assim por diante, passando por Michel Teló até chegar a Ludmila. Quem duvida de que o próximo será Wesley Safadão? Deviam  ter parado em Paula Fernandes,  que não sabe cantar e nem compor, mas pelo menos é bonita, porém,  o rei,  a essas alturas...Será que ainda se recorda de que um dia cantou, lindamente,  coisas como  Amélia,  de Ataulfo Alves,  ou o fado Coimbra?

                                                           




            Com aquele cabelo de índia velha, desmemoriado, entulhado de azul e mais atarantado do que chinês em jogo de futebol  Roberto Carlos será capaz de beijar a mão de Wesley, pensando que este, com seus longos cabelos, espichados a ferro em brasa, é uma linda cinderela; e achando o máximo do detalhe tê-lo como fundo musical para cantar Detalhes.   
            Ainda  há muito mais, mas o espaço é pouco. Deu para sentir como será  o 2016?
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com,
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quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

UMA VOZ DO CAPETA!




artigo publicado no jornal o Estado do Maranhão,
hoje quinta-feira.


Corpo, mente, braços, pernas, pra quê? Seres humanos são dispensáveis, principalmente se for para atender outro humano. Se você ainda não apreendeu isso, precisa aprender com urgência. Ou melhor, poupe seu trabalho: se você tem um celular uma prestadora de serviços telefônicos logo lhe ensinará.

            Você verá que seres humanos foram substituídos por uma voz.  Uma voz inumana, monocórdia, indiferente e... Outro dia disquei tentando resolver um problema junto a uma concessionária de serviço telefônico. Fui recebido por uma voz que me oferecia dez a vinte opções de escolha para atendimento.  Pensei, enquanto tratava de me decidir, que se existissem dois milhões de opções o tom de voz seria o mesmo. Era a voz de alguém, claro, mas de alguém que não existia, pelo menos de corpo e alma presentes. Estaria o dono dessa voz num escritório, no pico do Everest, no céu,  no purgatório ou no inferno? Seria a voz do capeta? De opção em opção com um fundo musical mais torturante do que a fala imperturbável do meu “amigo virtual”  fui adentrando no reino do desconhecido, do improvável e – logo constatei – do insolúvel.

            Sim, porque se você quiser de fato resolver seu problema nem adianta tentar, como alternativa, uma das lojas das concessionárias ou a internet. Loja? 




                                                      






As lojas são plenas de atendentes para fazê-lo adquirir um contrato, nunca para solucionar seu problema. Isso você deduz, rapidamente, após um  “proveitoso” diálogo com a atendente que, via de regra, se passa assim, depois que ela se adianta : “Queira me desculpar, moço, mas esta loja não é pra isso” “Como?” “É o que  estou  lhe explicando. Aqui  não tratamos de problema de clientes, muito menos dos seus aparelhos.“ “Como???? Mas...Será que entendi? Então  só resta acreditar que...” “Isso mesmo! Seres humanos nesta loja servem apenas de enfeites. Volte para a voz. Seu problema é com ela!”

            Na Internet, o calvário é da mesma ordem. Nesta, os seres humanos não são substituídos por vozes, mas por palavras e senhas. Um e-mail mandará você ligar para  um telefone especial ( o mesmo da voz que você já conhece) , este  mandará você de volta à Internet.

            Dia virá, muito em breve, que (numa mensagem de telefone, ou na rede) alguém lhe acusará de um crime que você não cometeu. As janelas e os sites se abrirão fornecendo-lhe algumas opções para provar a sua inocência. Você apertará botões e mais botões freneticamente, mas uma mensagem surgirá em resposta acusando a invalidade dos seus dados. Advogado? O  que significa isso a estas alturas? Foi substituído por um ‘help’ na tela do computador  que não lhe olha, nem lhe vê. Desesperado, você tentará  identificar um telefone, um só,  no qual consiga descobrir a voz de um mísero ser  humano que lhe ajude. Em vão. Suando frio,  só lhe restará voltar ao computador para buscar esclarecer, por fim,  o erro tão grave que você cometeu  mas aí já será tarde demais. A  polícia estará nesse momento batendo à sua porta. Seres humanos, finalmente!




                                                  





            Porém, não pra lhe ajudar, mas para lhe levar pro  inferno. E,  assim, você chegará à conclusão (um tanto tardia) que a voz, que lhe atende sempre tão mal do lado da recepção da companhia telefônica, é, como você desconfiava, a voz do capeta.  
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com
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segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

ENTREVISTA ( SOBRE O OFICIO DE MATAR SUICIDAS)














ENTREVISTA COM O ESCRITOR JOSÉ EWERTON NETO
O Editor do Portal Cranik "Ademir Pascale" entrevista o escritor José Ewerton Neto
 (21/12/15)



José Ewerton Neto - Foto Divulgação
ENTREVISTA:

Ademir Pascale
: Poderia contar para os nossos leitores como foi o seu início no meio literário?

José Ewerton Neto: Comecei como muita gente fazendo poesia e meu primeiro livro publicado chamou-se Estátua da Noite, quando tinha 18 anos. Mais tarde ganhei um prêmio de poesias com o livro Cidade Aritmética, que foi publicado em 1995, mas a minha produção literária se intensificou no gênero de narrativas com dois livros de contos, três novelas e um de crônicas. No próximo ano sairá mais um livro de contos, também premiado em concurso.

Ademir Pascale
: Você é autor do livro "O oficio de matar suicidas" (Arte Pau Brasil / Escrituras). Poderia comentar?

José Ewerton Neto: O livro O oficio de matar suicidas, partiu da ideia um tanto bizarra de alguém que, marginalizado pela sociedade, e sem coragem de se matar, tem o impulso de resolver seus problemas financeiros se propondo a abreviar suicidas em potencia sem coragem para tanto. As propostas oriundas de potenciais candidatos se sucedem e a visão da personalidade corrompida de alguns desses personagens no auge do sucesso social, faz aflorar no personagem a obsessão pelo ofício de matar, sem gerar uma satisfação íntima no indivíduo apesar do sucesso financeiro repentino. Aos poucos o matador se defronta com um mistério policial que ele precisa solucionar e que parte dele mesmo.

Curiosamente, a editora destaca na contracapa do livro dois casos reais acontecidos na vida brasileira de natureza semelhante aos descritos na narrativa e posteriores à concepção do livro.

Ademir Pascale: Poderia destacar um trecho do seu livro especialmente para os nossos leitores?

José Ewerton Neto: Escolho aleatoriamente um pequeno trecho da fase inicial da sina do personagem quando ele ainda está se iniciando no oficio que escolheu:

Era uma coroa, Amália, de uns quarenta e tantos anos, mas provavelmente quarenta anos de fila do SUS, desses que custam a passar. Não era rica.
- Sabe por que quero morrer?
Receei ofendê-la, por isso respondi.
- Não.
- Eu matei um homem.
Percebi que ela falava “um homem” com certo orgulho.
- Por quê?
- Era o meu marido.
- Bem... – não completei a frase. Ia dizer que eu não estava ali para fazer uma investigação policial, que esse não era o meu ramo. Ela insistiu.
- Era um excelente marido.
- Hum, hum.
- Oh, como eu o adorava! Mas...
Resolvi participar do jogo. Fazer a pergunta que ela aguardava.
- Vá lá, então por que o matou?
- Oh, por que me pergunta isso? Você não tem pena de mim? Serei forçada a responder. Que vergonha para mim! Ele era homossexual.
- Desde o começo ou depois de conhecê-la? – Não pude controlar as palavras. A pergunta saiu sem pensar.

Ademir Pascale: Se você fosse escolher uma trilha sonora para "O oficio de matar suicidas", qual seria?

José Ewerton Neto: Não sei se ao longo de todo o filme, mas para determinados momentos de tensão da narrativa, quando o personagem descarrega seu revólver após desenvolver uma crescente aflição em relação ao que inconscientemente vai fazer, talvez o Bolero, de Ravel, caísse bem, quando a melodia eleva e acelera o tom de seus acordes.

Ademir Pascale: Como os interessados deverão proceder para adquirir o seu livro?

José Ewerton Neto: O livro está sendo oferecido na Arte Pau Brasil e na Cia. dos Livros, pela Internet e em breve estará nas livrarias principais. Em São Luís, onde moro, já está nas bancas de revista e nas livrarias.

Ademir Pascale: Existem novos projetos em pauta?

José Ewerton Neto: Um livro de contos O que dizem os olhos, premiados pela FunC ( Fundação cultural da Prefeitura de São Luis) , sairá no próximo ano, editado pela referida Instituição.

Perguntas rápidas:

Um livro: Dos lidos mais recentemente. “Fala Memória”, de Vladimir Nabokov. Lidos, há mais tempo “Don Quixote de la Mancha”, de Cervantes.
Um (a) autor (a): Dentro do gênero policial (de O oficio de matar suicidas): Lawrence Block , Peter Robinson e Stieg Larsson
Um filme: “A primeira noite de tranquilidade” e o faroeste “Shane”
Um dia especial: Qualquer dia é especial. Se não é tem que ser, porque a vida do ser humano é muito curta.

Ademir Pascale: Deseja encerrar com mais algum comentário?

José Ewerton Neto
: O tema do livro é aparentemente mórbido e complexo, mas a narrativa é leve, como foi apontado por críticos a respeito das primeiras edições. Sendo assim, confio em que os leitores sentirão prazer com a leitura.  
Descrição: http://www.cranik.com/images/seta5_.gif CLIQUE SOBRE A IMAGEM PARA SABER MAIS SOBRE O EBOOK

O Ofício de Matar Suicidas - José Ewerton Neto
 Descrição: http://www.cranik.com/images/impressora2.jpg

Entrevistado: José Ewerton Neto.
E nos informar pelo e-mail: 
cranik [@] cranik.com  

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A HISTÓRIA DAS CALCINHAS








Artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal o Estado do Maranhão.


A VERDADEIRA HISTÓRIA DA CALCINHA ( II )

            Segue, abaixo, a prometida segunda parte de A verdadeira história da calcinha, aqui publicada duas semanas atrás. Lembremos que essa primeira parte trata dessa genial invenção humana,  desde os primórdios até a chegada do século XIX:

            1.Ao longo do século XIX novos tipos de tecido foram criados, com  formas cada vez menores e ousadas buscando gradativamente a combinação  entre sensualidade e conforto, mas essas transformações só vieram pra valer mesmo a partir da metade do século passado quando uma série de conquistas de liberdade de expressão e corpo começaram  a ganhar espaço a partir dos Estados Unidos. Se no século XIX as mulheres usavam ceroulas que iam até abaixo dos joelhos, o surgimento da lycra e do náilon possibilitou uma série de inovações, o  que permitiu chegar até a um curioso modelo nos anos 90: uma calcinha com bumbum falso, com um enchimento de espuma de nylon de vários tamanhos e modelagens. Adivinhem de onde veio a ideia?


                                              



            Acertaram os que votaram no país do mundo mais especializado  em bumbum (e infelizmente no que sai dele) : o Brasil,  que até então ainda não ganhara oficialmente a copa - do bumbum - mas já caminhava para isso.

            2. A primeira guerra mundial provocou uma revolução no comportamento feminino já que as mulheres passaram a ocupar funções de maior importância na sociedade e de maior liberdade de movimentos. Ou seja, enquanto os maridos se comprimiam nas trincheiras protegendo-se do inimigo suas mulheres espaçavam-se em busca dos ‘amigos’ e haja calcinha querendo ser menor e mais aderente ao corpo. Os seios também adquiriam vontade própria e pediam praticidade e... Olhares. Assim, a partir de 1914 o sutiã foi devidamente reconhecido na América industrial quando foi patenteado pela  socialite nova-iorquina Mary Phelps Jacob. A primeira peça fabricada por ela era feita com dois lenços, um pedaço de fita cor-de-rosa e um pouco de cordão, fazendo com que, diante da incrível novidade, os pedidos proliferassem. Logo a seguir, a fábrica de roupas femininas Warner Brothers Corset Company, comprou a patente mostrando que as patentes pulavam de mão em mão tão depressa quanto os seios.
            Era o inicio da industrialização da lingerie. A partir daí as calcinhas da época passaram a inovar até chegar a um acessório  sensual muito usado na década de 20, a charmosa cinta-liga, imediatamente chamada (do ponto de vista masculino) de sinta-a-liga. O cinema e as casas de espetáculo cuidaram de espalhar, pelo imaginário masculino, o modelo das dançarinas de Charleston que exibiam suas cintas-ligas por baixo das saias de franjas, enquanto se sacudiam ao som frenético de jazz-bands.


                                               




            Veio a recessão e a indústria americana tratou de encontrar uma alternativa mais resistente e barata, quando em 1938 a Du Pont criou o nylon, mudando de vez a história da lingerie. Adeus rendas e bordados! Mas não foi só a matéria-prima que mudou, as mulheres também. A feminilidade passou a ser explorada pela mídia e os anos 50 podem ser considerados fundamentais para a revolução das calcinhas, exibidas no cinema. (Se hoje tem marmanjo que se baba diante do que contêm as calcinhas de Valeska Popozuda ou de Gisele Bundchen imagine o que seriam capazes de fazer, anos atrás, diante das calcinhas de  Sofia Loren ou Marylin Monroe!). Era de fazer qualquer adolescente, futuro cronista ou não, não arredar o pé do cinema para assistir Boccaccio 70 com a mulher mais linda e sensual de todos os tempos (Sofia). Independente do cinema, não raras vezes sempre se dava um jeito para que a peça pudesse ser vista mesmo por debaixo de tantas saias e anáguas. Nos colégios, a cor da calcinha da professora (quando valia a pena) estava mais na ponta da língua dos alunos do que quem descobriu o Brasil. Até chegar aos anos 70.



                                          




            3. No fim da década de 60, o movimento feminista por igualdade de direitos ganhou as ruas. Acabara-se definitivamente a ditadura do recato e do erotismo e o padrão da geração “paz e amor” enaltecia os seios pequenos. As mais radicais até queimavam os sutiãs em público numa demonstração de liberdade. Aliás, bons tempos esses em que para se protestar queimavam-se  sutiãs ao invés de ônibus!

            O comprimento das saias subia pelas coxas das mulheres mais depressa do que o dedão do Ricardão até se transformarem em mini, pelas mãos da estilista Mary Quant, Subia, subia, enquanto inúmeras variações de peças íntimas surgiam e se consolidavam. Transparências, rendas, tecidos mais finos, tangas – não havia mais limites para a moda e a imaginação das estilistas, até que as mulheres resolveram dar um basta nesse sobe-mas-nunca-chega quando, depois de abolir os sutiãs, dispensaram de vez as calcinhas, aparentemente buscando... conforto. Uma imensa geração afirmava já em 1980 que nada usavam por baixo da camiseta ou de seus jeans.



                                           




            4.O desprezo às calcinhas, felizmente, durou pouco.  As mulheres não demoraram a perceber que tanto a calcinha quanto o sutiã eram fundamentais para manter os seios e a sensualidade e logo concluíram que radicalizaram demais ao investir contra as duas peças como sinônimo da opressão. Hoje, a lingerie atual possui duas vertentes, uma mais elaborada adotada para ser vista e feita em tons variados, dos clássicos preto e branco ao rosa, verde água ao azul-claro. A outra, predominando o branco e o preto, é essencialmente básica, com modelos sem costura, feita em tecidos elásticos que não retêm a umidade e são, sobretudo,  “respirantes”.



                               




            Ou seja, independente de qual seja a vertente da fabricação o essencial na busca da perfeição é que o único elemento a ficar sem respiração continue a ser, cada vez mais,  o homem.
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

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sábado, 5 de dezembro de 2015

CLUBE DAS CHIFRADORAS DO MARANHÃO




MAIS 7 MIL BOIS SAEM DE SÃO LUIS, VIA
PORTO DO ITAQUI, RUMO A VENEZUELA
.
SEMANA PASSADA JÁ FORAM 15 mil.





                                              





Frases mais ouvidas no

CLUBE DAS CHIFRADORAS  DE SÃO LUIS


1."“Uma pena que o resto chifrudos que permaneceram na ilha não sejam enviados para a China”.


2." Pelo visto vão acabar com o nosso clube. Pelo andar da carruagem não vai ficar um na ilha."


resposta da colega:





                                                





"Duvido!".