sábado, 1 de maio de 2021

LIÇÕES DE JURIDIQUÊS


 

É recorrente a frase, oriunda da sabedoria popular, que diz que tudo no Brasil acaba em pizza. A Pandemia, que alterou tanta coisa, fez isso mudar também:  O que acabava em pizza agora acaba no STF.  

É nessas horas, leitor,  que surge a necessidade de praticar mais  seu  juridiquês, quando mais não seja, até para se defender, já que esse linguajar via de regra é ininteligível – para os próprios advogados -. Enfim, é melhor tentar entender o que eles dizem porque mais dia,  menos dia ,você vai acabar por lá. Quem sabe, servido como pizza.

1.Persona non grata.

Pessoa cuja presença não é desejada em determinado local ou ambiente. Para um entendimento rápido, por exemplo, pode-se dizer que, de uns tempos para cá, Persona Non Grata maior do que a Covid 19 não existe. Alguns dirão que o exemplo força a barra , já que o Covid não é uma pessoa.

Certo, um Covid  nem ser vivo é, portanto  é um quase nada . Mas, justamente por isso, se um quase nada enche de pavor aquele que tudo se arroga ( o homem) é porque   tem que ser respeitado. Latim, nele.

2.Álibi.

Palavra muito comum, não só no meio jurídico, como no meio sentimental. Toda adúltera, não é de hoje que precisa de um bom álibi se apanhada no flagra. Indo mais longe, desde que o mundo começou todo mundo tem um álibi. Até Deus, arranjou um álibi perfeito para se justificar a si mesmo, por ter deixado evoluir um mundo nascido tão torto e complicado: A depressão pós-parto.

3.De facto e de Jure.

Traduzida ao pé da letra, significa de fato e de direito, o que, num país conturbado como o nosso, opõe uma expressão a outra.  Neste país, o que é de fato não é de direito e vice-versa. Isso se aplica até para as leis e a Justiça. O STF, por exemplo,  é constituído por ministros que são de facto (pelo menos se vestem como tal) , mas , seriam também de Jure? Penso  que não,  se chegaram lá por favores  políticos.

4.In Camera.

Diz-se do caso judicial analisado no privado, sem público e sem imprensa,  o que se tornou coisa rara no mundo pós-pandêmico. Hoje, cada julgamento parece mais uma sessão do BBBrasil com os ministros do STF se comportando como brothers, ávidos por um segundo a mais de fama. A diferença é que um brother quando acaba a sessão  vira exBBB;  já um ministro, aconteça o que acontecer, permanecerá ministro ad eternum.

6.Modus Operandi.

Diz-se de uma maneira comum, quase um padrão, de operacionalizar certo tipo de crime, tão semelhantes nas ações, que nos levam a  concluir que poderiam ser cometidos por um só autor.

Como exemplo prático, no Brasil, o Modus Operandi dos crimes contra a corrupção jamais se altera, mesmo nas vezes em que se tenta interrompê-los, obedecendo sempre à mesma sequencia: 1.Aliciamento. 2.Propina. 3.Roubo. 4.Milhões no Bolso. 5.Denúncia. 6.Prisão. 7.Álibi. 8.Pedido de habeas Corpus 8.Recorrência à primeira instância. 9.Recorrência à segunda, terceira, quarta...até onde for possível. 10.STF. 11.Liberdade. 12.Aplausos. 13.Dinheiro de volta. 14.A Nação  e os pobres que se fodam!.  


terça-feira, 27 de abril de 2021

O FIM DO BBBrasil


 645 O PENSADOR POLITICAMENTE INCORRETO DA PANDEMIA COMENTA O ASSUNTO DO DIA  E EXPLICA EM PRIMEIRA MÃO O QUE VAI ACONTECER  DEPOIS 



645 É SINCERO COMO UM NÚMERO

EXATO COMO A MATEMÁTICA 

terça-feira, 20 de abril de 2021

A VIDA ÚTIL DE UM CAIXÃO DE DEFUNTOS


 artigo publicado no jornal O estado do Maranhão 


1.Vida Ùtil de uma cirurgia estética.

Hoje vale muito pouco. Uma implantação de botox  só tem de serventia o tempo do cliente se contemplar num espelho e olhe lá. Sim, porque, coberto com uma máscara, todo mundo estará cagando e andando para seu rosto novo. Mesmo se você tirar uma foto e postar nas redes sociais para exibir-se logo aparecerá alguém para dizer que é fake-news.

2.Vida Útil de uma aliança de casamento.

Como a quantidade de casamentos diminuiu muito e a possibilidade de realiza-los mais ainda., se você ganhou uma aliança de presente, é melhor tentar trocá-la por um quilo de filé. O lucro será seu.

3.Vida Útil de um marido.

O processo de revisão desse item sempre aponta para mais baixo. Antes da Pandemia a vida útil de um marido durava o tempo de a mulher engravidar e ter um filho. Hoje em dia, ninguém dá nada por um marido. Se estiver desempregado, então nem se fala.

4.Vida Útil de um sorriso.

Escondido atrás de uma máscara, sua cotação na bolsa de valores caiu e nem adianta esticar a boca. Claro que os puxa sacos continuarão dando  um jeito de tirar a máscara na hora de sorrir para o chefe, mas, cuidado!, esse  ato inseguro  pode dar demissão por justa causa.

5.Vida Útil de um pacote de viagens.

Sua validade está mais baixa que a temperatura dos lugares para onde você iria  (Canadá, Finlândia, etc) doido para aparecer no meio da neve , com cobertores do tamanho de seu buxo e fazendo de conta que está morrendo de felicidade.

Se ainda der tempo troque por uma viagem à Saçoitá, em Cedral. Compre uma choupana por lá e terá  Vitamina D,  de graça, o resto da vida para melhor espantar Covide .   

6.Vida Útil de um caixão de defunto.

Esse sim, se valorizou. Nestes dias de escassez é melhor prevenir do que remediar comprando imediatamente o seu e evitando que seus filhos o  xinguem para o resto da vida pela despesa que deixou.  Lembre-se da frase dos cemitérios: “Nós, os ossos que aqui estamos pelos vossos esperamos”. Cumpra sua parte e siga em frente.

7.Vida Útil de um álbum de fotos .

Aumentou muito.  Sem novidades para postar nas redes, o que tem de gente publicando suas fotos, escondidas no baú, não para de crescer. Só não se empolgue com a recepção a suas fotos infantis abraçando animaizinhos. As repetições de “Tão  bonitinho!”, referem-se ao  animal, não a você.”

8.Vida Útil de um animal de estimação.

            Sua cotação aumentou baseando-se  na experiência pandêmica que diz : “Para espantar a solidão, melhor um animal de quatro patas  na mão, do que um de duas  arrodeando.”

9.A Vida Útil da vida.

Segundo a Globo a vida útil da vida já caiu. Deu no JN que a vida média do brasileiro  decresceu 2 anos depois da Pandemia.

Porém, pensando bem, essa notícia induz ao contrário, porque  quanto menos vida tivermos  para viver mais valor devemos dar à parte que sobra.  

È cumprir  a orientação bíblica “ Ajude-te que o céu te ajudará!”,  tomar seus remédios (desde que seu médico os  aprovem) e vender caro o resto de vida que você tem. “Não se imobilize à espera da morte”.


terça-feira, 13 de abril de 2021

SOMOS TODOS BIPOLARES

 


645 É O PENSADOR POLITICAMENTE INCORRETO DA PANDEMIA 


SIMPLES COMO UM NÚMERO

SINCERO COMO A MATEMÁTICA 

e doido para se meter onde não deve  

domingo, 11 de abril de 2021

CARVALHO JR, (OU AS PÉROLAS TIJUBINAS )


 Artigo publicado no jornal O estadoma

Jamais me preocupara antes em saber o significado exato da palavra Tijubina, senão agora, para prestar uma singela homenagem póstuma ao amigo e poeta caxiense Carvalho Jr. falecido semana passada.

Isso mesmo tendo apreciado seu livro de poemas O Homem-Tijubina, quando  intuí  que se tratasse de um réptil, à primeira vista repulsivo, mas que nunca havia visto tão bonito quanto na capa do seu livro. Interpretei que se tratava de uma simbologia que incorporava o espírito livre e impetuoso de seu autor, e isso bastava.

Apenas em uma oportunidade o vi e foi justamente na noite de autógrafos de seu O homem-Tijubina, no sebo do Poeme-se.  Já o conhecia de nome, dos grupos literários , de sua intensa participação e de seu envolvimento com tudo que se referisse a arte poética. Parecia-me que ele movia o seu caminhão, carregado de poesia, a 200 por hora, enquanto os demais iam a 80 por hora ou sequer haviam  ligado seus motores.  

Mantivemos contato a partir daí nas redes sociais e, por último,  ele me pediu para que lhe enviasse um depoimento sobre o poeta Déo Silva, que eu conhecera através de Erasmo Dias, Imaginei tratar-se de mais uma de suas generosidades conhecidas: o resgate de poetas talentosos, precocemente interrompidos  e logo depois meio esquecidos, como no caso de Déo, Ao lembrar que Gonçalves Dias, faleceu aos 41 anos , Déo Silva com 46 e Carvalho Jr com 35. não posso deixar de me referir a essa trágica coincidência que ceifa poetas férteis dessa pródiga terra, em tenra idade, daí me advindo o anseio de não deixar  que,  como a Deó Silva, seja necessário que no futuro, alguém o reabilite,  doando desde já  à sua trajetória poética, breve mas fulgurante,  o valor que ela merece.

Ah, ia esquecendo-me de dizer que os dicionários classificam o termo Tijubina como referido a um réptil que habitou a Terra durante a pré-história Seus restos fossilizados foram descobertos no Ceará, em 1996 e seu simpático apelido, é  calanguinho do sertão.

Incorporado à poética inovadora e rica de Carvalho Jr, num gesto de desprendimento e delicadeza, esse humilde animal, se tornou através do Homem-Tijubina  criado por Carvalho Jr, o protótipo do poeta espontâneo, terno e atento à natureza, capaz de doar à humanidade perolas como esta:

“Sou dessas sementes desacreditadas/ que o vento rouba das cercas da morte/ e lança na outra margem do rio/  pelo milagre do bico do pássaro”.


José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas 




sexta-feira, 2 de abril de 2021

UM INFLUENCER DE VERDADE


 


Você sabe o que é um influencer? Acho que nem mesmo aquele que se diz influencer, sabe exatamente. Fosse apenas influenciador, como sugere a tradução do termo, aí sim, todos saberiam, já que influenciador, obviamente, é aquele que influencia um grupo de pessoas. O que dificulta a compreensão é que  Digital Influencer ( esse é o nome certo) pretende significar alguma coisa a mais. Ou de menos.

1.Se estivéssemos falando apenas de influenciador, então Jesus Cristo deve ter sido o maior que já existiu, porque tem até hoje uma legião imensa de influenciados. Até mesmo aqueles que o negam (os ateus), dependem dele  para se exibirem como contestadores e costumam a ele recorrer, sem o menor pudor, nos seus momentos mais difíceis.   Ser um influenciador, portanto, não depende de estar vivo, já que Jesus Cristo em vida teve apenas 12 seguidores, e olhe lá. Morreu pregado numa cruz, ao lado de dois ladrões, dos quais apenas um resolveu segui-lo aumentando a sua exígua conta de seguidores na Terra  para 13.

2.Eu falei seguidores? Talvez esteja aí o que faltava para a gente entender melhor de que se trata o tal do Influencer, já que, um de responsa, tem que ter milhares de seguidores, sem que a maioria destes saiba objetivamente para onde estão seguindo o dito cujo, nem para quê.

Isso porque esse “seguir”, não se refere ao ato físico de seguir, como seguiam os apóstolos a Cristo em suas caminhadas e pregações. Esse seguir atual refere-se ao ato, também físico, porém milhares de vezes mais leviano e distraído,  de dar um mísero toque no visor de um aparelho. E, pronto, num passe de mágica você já virou seguidor do sujeito e, este, automaticamente, já botou mais um na sua conta.

Em conversa sobre esse assunto, um amigo jornalista chegou a sugerir que se fosse hoje JC seria milionário, pelo tanto de grana que os influencers arrebatam. Retruquei que se JC fizesse mesmo uso dos recursos da Internet para sua pregação jamais teria metade dos seguidores que teve em vida já que essa profissão não é coisa para filósofos, ou homens especiais, haja vista a extraordinária semelhança em seus propósitos de vida dos grandes influencers do Brasil, de Luciano Hulk a Anitta, De   Felipe Neto a Neymar. .

3.Estabelecida a condição de muitos seguidores como sine qua non para classificar alguém como um influencer, lembro que  li, recentemente, a notícia publicada em jornal e reproduzida na net de que uma garota atraente e bonita surpreendeu um rico e jovem empresário na noite paulistana, fazendo um ‘raspa’ em seu apartamento em um breve encontro noturno.  Autuada pela polícia nesse mesmo dia, ela apresentou ao delegado, antes de ser tratada como garota de programa, a sua profissão de influencer.

O que leva a concluir que essa ocupação abrange, em seu mar de possibilidades, a  alternativa de poder ser usada para legitimar quem não tem uma profissão e não sabe exatamente o que quer fazer  na vida.

Como, aliás, fazem, com enorme talento, os profissionais de outro emprego hoje em dia também muito disputado. O de  ex -BBB.  


josé Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São luis





sexta-feira, 26 de março de 2021

DEUS, O DIABO E O COVID

 


artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão.



Preocupado em sua labuta diária (acreditem, ser Diabo dá trabalho!) o Diabo mandou chamar Satã , uma espécie de seu primeiro ministro. (...)

 -Como? O que diz, Senhor Diabo?  Ah sim,,, agora entendi. Quer dizer que esse Covid não foi invenção nossa. ? Juro que pensei que...

-Pensou o quê, Satã? Você pensa demais para o meu gosto.  Se tivéssemos inventado o Covid você deveria ser o primeiro a  saber. Além de nada saber, nada informa sobre a origem desse monstro diabólico que, no entanto,  nasceu à nossa revelia. Desta vez não tivemos nada a ver com isso. A natureza o criou, não fomos nós. E quer saber mais? É um minúsculo  coisa alguma. Nem ser vivo é...

-Meu Deus!

- Pare de falar o nome de Deus aqui, Satã, sabe que isso é proibido aqui. Estamos no inferno Satã.

- Desculpe, Senhor. Mas eu confesso estar todo embaralhado. Tanta maldade causada por um monstro quase invisível e sem nada a ver com a gente.

- Você é mesmo pra lá de incapaz, Satã. Esclareça agora, antes que o demita, esta perturbação que está me deixando prostrado por dias e dias. Que explicação existe para o fato de nessa Terra só ter morte, agora, de Covid?

- Excelso senhor Diabo, a única explicação possível é que nesse país  eles nos superam: não carece mais de interferência diabólica para acontecer o mal, porque eles são piores que a gente. Um bando de corruptos e sacripantas!  Essa é a verdade.

- Como assim Satã? Da pra você explicar melhor?

-Eles não constroem hospitais, deixam a população à míngua e sem recursos. De presidente a governadores e prefeitos passando pelo judiciário que os deixam roubar,  os corruptos levam o povo á morte por falta de leitos, vacina e remédio.  

- Basta, Satã. Acho que desta vez você tem toda razão. Pra cada um que morre de Covid, dois morrem por falta de assistência, saúde precária, maus tratos etc e eles dizem que é Covid para ficarem com o dinheiro.

-É a única explicação possível, senhor Diabo.

- Tomei uma decisão Satã!

- Qual?

- A partir de amanhã estou de férias. Você me substitui. Quando a epidemia passar você me chama de novo. Não tenho coragem de responder  ao Todo Poderoso, quando for perguntado, que não temos nada a ver com essas mortes e que os maiores responsáveis são eles, que vivem se achando à imagem e semelhança de Deus  e ainda tem a coragem de apregoar que Deus  é brasileiro. Dá pra acreditar?

                                                            

José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis





quinta-feira, 18 de março de 2021

PANDEMIA AFETA LEI DE MURPHY

 


As palavras da moda hoje em dia são: variantes, cepas e mutações. Outras como lockdown, lives e imunidade de rebanho tornaram-se comuns,  íntimas até de quem nem sabe o direito o que significam.

Isso mostra que em uma Pandemia até as palavras sofrem mutações O fato é que até a lei de Murphy ( aquela que nos explica porque tudo dá errado)  teve de se adaptar aos novos tempos e indica ter sofrido, se não mutações, adaptações com a Pandemia. 

1.”Se alguma coisa pode dar errado, dará”. (Considerado o postulado fundamental da Murphologia básica)

Versão Pandêmica. Além de dar errado, se prolonga por muito tempo.

Corolário 2. E ninguém jamais saberá quem causou o erro inicial.

 2.”Coloque um fusível para proteger o circuito que o circuito acabará protegendo o fusível”.

Versão Pandêmica.  Doe-se dinheiro, para que os governantes protejam o cidadão, que eles protegerão o dinheiro, esquecendo-se do cidadão.

3.”É impossível fazer alguma coisa à prova de idiotas, porque os idiotas tendem a se superar”.

Versão Pandêmica. Numa Pandemia o vírus da idiotice se aperfeiçoa e se propaga ainda mais depressa do que o vírus. Exemplo. Lives de música sertaneja, imagens do fiofó tatuado de Anita bombando na net, celebridades como Gabigol, do Flamengo, se escondendo debaixo de mesas em cassinos,  etc.etc.

4.Após as coisas irem de mal a pior o ciclo se repetirá.

Versão Pandêmica. As ondas se repetirão (como todos sabem, ondas são cíclicas). E se repetirão, segundo Tedros Adhanom, até o infinito.

5.”Nada é tão ruim que não possa piorar ainda mais”.

Versão Pandêmica. Por pior que seja um presidente, o próximo será ainda pior. Exemplos práticos: Lula, Dilma e Bolsonaro.

6.”Toda solução acarreta mais problemas”.

Versão Pandêmica. Não existe vacina tão perfeita que não traga efeitos colaterais.

7.”Errar é humano, mas a sensação disso é divina!”

Versão Pandêmica. É por isso que o pleno do STF está pleno de quem se julga divino:  de Marco Aurélio a Toffoli, passando pelo beiço de Gilmar Mendes e pela  careca de Alexandre de Moraes.

8.”È mais fácil entrar numa roubada do que sair dela”.

Versão Pandêmica. Se você for um político ladrão que,  ao meter  a mão no dinheiro da saúde, entrou numa roubada, ainda assim terá a alternativa de escapar saindo pelo ladrão - devidamente instalado no STF  para socorrer os meliantes, dando um jeitinho.

9.”Quando se faz muita reunião para debater determinado assunto a reunião acaba se tornando mais importante do que o assunto”.

Versão Pandêmica. Quando se fazem muitas Lives  para debater a Pandemia, as Lives acabam se tornando mais importantes do que a Pandemia.

10.”A mãe natureza é uma sacana”.

Versão Pandêmica. Depende do referencial. Do ponto de vista da Natureza esta talvez esteja apenas  se vingando de quem tem sido mais sacana ainda com ela: os seres humanos!

 


terça-feira, 16 de março de 2021

620 RAIOS EM SÃO LUIS


 645 o pensador politicamente incorreto da pandemia 


SINCERO COMO UM NÚMERO

SECO COMO A MATEMÁTICA 

terça-feira, 9 de março de 2021

VIVA A CORRUPÇÃO! FIM DE LAVA-JATOS


 645 É O PENSADOR POLITICAMENTE INCORRETO DA PANDEMIA


SINCERO COMO UM NÚMERO

PRECISO  COMO A MATEMÁTICA 

sábado, 6 de março de 2021

MARANHÃO DE GENTE FEIA ?


 

Tempos atrás foi um certo Xandy, uma semana atrás uma tal de Karol Conká. Ele, cantor, entrevistado após show. Ela, que não sei que apito toca, num programa chamado BBBrasil que muito maranhense, infelizmente, assiste. Os dois deitaram falação (soube pelas redes sociais), sobre a feiúra do maranhense. Xandy disse que aqui só tinha mulher feia. Conká foi mais longe e disse que, por aqui, todos são feios.

O curioso é que os colunistas sociais da terrinha, não param de dizer em suas colunas, que suas festas sempre estão cheias de “gente bonita” Qual deles tem razão, Maranhão?

Coisa de 6 anos atrás escrevi uma crônica, neste jornal, informando que a revista Veja anunciara em reportagem a descoberta de um método científico para medir a beleza das pessoas. Fico imaginando qual método teria sido utilizado, tanto por Xandy e Karol, quanto pelos colunistas, para chegarem a opiniões tão díspares.

O certo é que não constatei manifestação alguma dos maranhenses, em geral, para rebater tal injúria. É como se os maranhenses de alguma forma reconhecessem a precisão da escala de beleza usada por ambos (qual seria?) ao achincalhar-nos. Sim, porque não venha me dizer que ser chamado de feio é um elogio. As mulheres, especialmente, sempre consideraram esse um dos piores insultos.

Há nessa história, porém, algo que salta do contexto. Só é chamado de feio aquele que se expõe ao raio visual do infrator. Só é xingado quem ouve, só é achincalhado quem se oferece ao algoz. No caso destes pseudo-cantores, os maranhenses foram insultados de feios porque se submeteram, de bom grado, às suas escalas de indelicadezas, o que já era de se esperar por se prestarem a assistir a um programa onde os participantes se sujeitam à pior forma de degradação a que se pode submeter um ser humano: que é o exibicionismo e a exploração de suas intimidades a troco de grana.

A razão pela qual alguém se submete a isso é algo tão difícil de entender quanto a disposição de assistir a um show tão raso quanto o de um cantor como Xandy, sabendo-se que a liberdade de insultar alguém, especialmente a um povo inteiro, é própria de toscos que falam de beleza numa tentativa de compensar suas mais recônditas frustrações.

O que parece notório é que a pecha de feiúra, de repente repetida e generalizada pelas redes sociais passa, a partir desses disparates, a constituir uma marca maranhense, perigosamente prejudicial a um estado tão decantado pelas suas belezas naturais, sobretudo por não ser verdadeira

Ao pensar que esses indivíduos foram convidados a se deleitar com as coisas belas da ilha (que ironia, não é mesmo?) por iniciativa de conterrâneos cuja hospitalidade foi retribuída pela exibição da régua de suas mediocridades, chego à convicção de que nós maranhenses estamos nos especializando em atirar pérolas a porcos, (como no dizer bíblico) e a transformar nossa ilha cercada de água e encanto por todos os lados, numa ilha cada vez mais invadida por acéfalos em todos os lados.

sábado, 13 de fevereiro de 2021

BRASIL DAS ILUSÕES CORROMPIDAS


 artigo publicado no jornal O estado do Maranhão 


Anos atrás quando se iniciou em Curitiba a força-tarefa da lava-jato, um sopro de esperança pairou no seio da sociedade brasileira: a de que, finalmente, a corrupção deslavada  e protegida poderia ser combatida, de verdade, amenizando alguns de seus maléficos efeitos dos quais o maior é o empobrecimento da população através dos recursos desviados e abocanhados por facínoras de terno e gravata .

A dissolução anunciada semana passada da Lava-Jato em Curitiba, pôs água nesse jato e, num trocadilho paradoxal, deixou de lavar a nossa alma (dos brasileiros que cultivaram a ilusão de que os eternos corruptos seriam punidos progressivamente).

Infelizmente, era de se esperar. A corrupção é aderente ao espírito de levar vantagem do ser humano. De fato, estudo  publicado na Revista Super Interessante feito pela Universidade de Cambridge analisando 166 casos de suborno em 52 países mostra o quanto a corrupção tornou-se  quase uma entidade estabelecida globalmente. Idem, o resultado da pesquisa adicionou um ingrediente que a torna bastante atraente para os meliantes que a praticam: as empresas corruptoras recebem de volta 10 vezes o dinheiro em vantagens ilegais. No popular, o crime compensa e muito.

Segundo a pesquisa a ocorrência de suborno foi maior nos países mais pobres, onde a justiça e as instituições são mais débeis. Segundo o estudo o valor pago muda de acordo com o cargo. Funcionários de baixo escalão recebem em média 1,2% do contrato de propina contra 4,7% pagos a chefes de estado. Todos os casos estudados são escândalos que chegaram ao conhecimento da população e, em muito deles, as empresas corruptoras foram processadas. Esse tipo de punição, no entanto, é insuficiente para conter a prática, porque o risco de ser apanhado e condenado não impede as empresas de continuarem subornando.

O nosso país sempre se enquadrou no bloco das nações favoráveis aos corruptos, tal a permissividade e leniência para com os bandidos. Daí a esperança incoercível na lava-jato e seus idealizadores. Eu particularmente, porém, logo desconfiei de sua continuidade quando cedo se levantaram contra o sucesso da mesma vultos de estampa melíflua,  sorrateira  e asquerosa, como o senhor Gilmar Mendes ,ministro da suprema corte,  um especialista, segundo a imprensa, em libertar corruptos. Na ocasião comentei:  “Um dia vão acabar jogando na cadeia justamente quem se propõe a botar os corruptos na cadeia..”

Dito e feito. A indignação da população contra os corruptos se foi, e com ela, a lava-jato. Onde  as manifestações? Onde o povo nas ruas para bradar contra o fim da mesma? Toda contundência  desapareceu  como se esvaecem os sonhos e as ilusões, e não me digam que a pandemia contribuiu para isso pela transferência de foco. Ora, todos sabem que a  corrupção tem sido no Brasil um monstro mais temível e arrasador que o Covid 19,  porque mata  muito mais.

Só resta acrescentar à famosa frase definidora das mazelas brasileiras do cantor Tim Maia mais esta assertiva: “...o Brasil é um país onde até as ilusões são corrompidas.”


quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

EMILY E O MORRO ONDE O VENTOS UIVAVAM



O MORRO.

Sexta-feira  vi,  pela segunda ou terceira vez, na tevê, o filme O morro dos ventos uivantes (com Juliette Binoche no papel principal)  No sábado, com agradável surpresa, constatei que o romance com esse título  permanecia há várias semanas na lista dos livros mais vendidos no Brasil da revista  Veja.

 A primeira vez que o li,  na adolescência, fiquei arrebatado de uma forma inusitada e peculiar, embora já houvesse lido vários outros clássicos. Certamente, havia em seu enredo, algo de mágico, ou de aterrorizante ou de  sedutor,  ou as três coisas juntas.

(Não posso deixar, aqui, de abrir este  parênteses para desconstruir a mentira freqüente que se pespega, de que os jovens de hoje são avessos à leitura, especialmente  de bons livros. A aceitação, nestes tempos céleres e conturbados,  deste que é um dos grandes clássicos da literatura universal , desmente essa inverdade. Pelo que constatei em palestras da rede pública, nas redes sociais e na comercialização de livros , os jovens lêem com freqüência até maior que muita gente do meio literário. A diferenciação  se dá no conteúdo que eles apreciam, nem sempre coincidente com aquilo que lhes é sugerido ou, no mais das vezes,  imposto.

A receptividade a  este romance creio que se dá porque sua autora foi privilegiada pelo dom de sedimentar as ações de seus  personagens através de uma narrativa que se esmera na busca da simplicidade como alvo, no que se poderia chamar do romance-romance : cujo objetivo principal é o de contar uma história atraente e de envolver os seus leitores, com personagens não apenas fortes, mas fortíssimos; com cenas não apenas fortes, mas fortíssimas; em ambientes nos quais o contraste desses impulsos com o bucolismo da paisagem,  permanecem indeléveis na memória de quem o lê, tendo no centro de tudo, paixões fortes, fortíssimas,  ao redor do qual orbitam  as turbulências.

 Se  o clássico Romeu e Julieta é um ensinamento sobre o amor, O morro dos ventos uivantes é um aprendizado  sobre a paixão. Parece a mesma coisa, mas não é. )

EMILY BRONTE.





Pois deve ter sido através da paixão  que cheguei, mais tarde,  à autora deste romance, Emily Bronte quando saí a pesquisar  sua biografia

Parece que a estou vendo agora. Na casa onde morava, ou nas  charnecas ao lado, onde os morros uivavam  e era fácil ver fantasmas vindo dos cemitérios que circundavam a casa. A mente sonhadora, de moça oprimida por um pai autocrático  e severo, e que tinha como único divertimento conceber cenas de teatro que escrevia em caixas de papelão com as duas irmãs.  Emily não se casou e morreu cedo, aos 30 anos, de tuberculose, negando-se a receber cuidados médicos.

Que passava o dia com o olhar fixo na janela,  onde batiam  os ventos, como se através dela se transplantasse para o único lugar possível fora do lar que as confinavam, vivificando  as cenas com que  revestiria o romance que a imortalizaria,  onde as paixões chegavam ao paroxismo, resvalavam o doentio, mas jamais atingiam o ponto da loucura ou do fantasmagórico.

Uma moça débil, de beleza melancólica e reclusa, dotada de um coração que guardava paixões tão intensas que  foi capaz de descrevê-las  em seus personagens, transformando-os  em heróis  eternos. 


José Ewerton Neto é autor de A ânsia do prazer 




 

sábado, 26 de dezembro de 2020

O ESPÍRITO DE NATAL ENFRENTA A PANDEMIA


 

Lá vem ele, de novo. É o ESPÍRITO DE NATAL. Nestes tempos pandêmicos desconfiava-se que ele pudesse não aparecer. Sabe como é, vírus, pandemia, pânico, medo, horror. Temia-se que o velho Espírito de Natal recuasse, ou desse para trás, já que faz parte do grupo de risco naturalmente, pela antiguidade.

Chega trazendo tanta coisa junta que andava escondida, depositando-a aos pés da população alvoroçada e ansiosa: amor, alegria, solidariedade, esperança, de tal forma abundantes e  gratuitas que pouca gente se dá ao trabalho sequer de perguntar: afinal de contas, quem é esse cara?

Ora, para simplificar, porque nem Freud explica, conjecturamos  logo que seja alguém da parte de Deus, um anjo, enfim. Alguém dessa turma especial, generosa pra valer, mas inatingível, alguém que só convêm aparecer na Terra uma vez por ano com essa estranha capacidade de coisas bonitas, mas, até certo ponto,  inexplicáveis.

Alguém que tem o dom até de alterar o clima da natureza. Os objetos inanimados parecem mais atraentes, diferentes, mais receptivos. O sol ardente já não queima da mesma forma, a chuva já não incomoda tanto, até a melancolia para de rondar como uma sombra para transformar-se numa névoa tão solidária, quanto íntima.

Sua visita, porém, todo ano tem um fim indefectível e, lá pelo dia 29, véspera do réveillon, como faz todo ano, ele levanta sua mala, sacode suas asas e, como um pássaro repelido, vai embora. Os humanos voltarão aos seus mesquinhos afazeres, às suas rotinas de se debaterem nas redes sociais por ideologias de araque, de se xingarem no trânsito, de mandarem para o inferno uma suposta paz que fingiam procurar.

As crianças logo se aperceberão que ele se foi. Os pais voltarão a ficar mal humorados e tensos. Os desejos de paz e felicidade serão  deixados para trás e os adultos se encaminharão para afogar as mágoas e apreensões rumo ao réveillon saudando, como histéricos, uma passagem de tempo que não tem significado algum.  

Mas isso serão outros quinhentos e outros covides. O ESPÍRITO DE NATAL finalmente apareceu, tratemos então de aproveitar e guardá-lo em nossos corações, transbordando sua presença em nossas confraternizações e desejando um Feliz Natal a todos.

Mas, como seguro morreu de velho, será oportuno não olvidar de  algo fundamental para nossa segurança. Fiquemos alertas, no réveillon o ESPÍRITO DE NATAL terá partido e não estará mais de sentinela para nos ajudar a enfrentar os Covides. 


José Ewerton Neto é autor de O ABC bem humorado de São Luis 



O ABC bem humorado de São Luis chega à sua terceira edição e já está nas melhores livrarias. 

terça-feira, 8 de dezembro de 2020

SEGUNDA ONDA DO COVID 19 NÃO VEIO DE CIMA





645  O filósofo politicamente incorreto da PANDEMIA  





SINCERO COMO UM NÚMERO 

VERDADEIRO COMO A MATEMÁTICA  

sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

MARADONA E GARRINCHA. DOIS GÊNIOS TRÁGICOS


artigo publicado no jornal O estado do Maranhão


Personagens chaplinianos, anti-atléticos, desprovidos de beleza física  ou inteligência especial, a quem somente a genialidade seria capaz de sacá-los do lodo da história para convertê-los em mitos, no panteão de guerreiros e ídolos cultuados por uma nação .

Personagens que parecem saídos da ficção mas que, com certeza, vieram  da dura realidade dos desesperançados das favelas e periferias. Personagens que, não fosse pelo futebol, estariam condenados ao esquecimento e ao abandono,  mas a quem Deus, um dia,  parece ter depositado na testa dos mesmos uma estrela dizendo: “Vai estrela, brilha no caminho desses gauches da vida, e os torna  dribladores do destino”.

E deu-lhes a paixão por uma bola de futebol para exercitar justamente isso: o drible. Ao iniciar no Botafogo, Garrincha foi visto de longe pelo  craque Nílton Santos, merecendo dele o comentário irônico: “A coisa ta feia por aqui. Até aleijado aparece para  jogar futebol!” Mas o aleijado tinha paixão, de fato, pelo drible e ao colocar a bola pelo vão das pernas do craque começou a escrever a sua  história .

O outro, argentino, franzino, atarracado, cara de índio,  cujo biotipo parecia mais apropriado a um futuro vigia de puteiro.  A quem tive a sorte de ver quando sua fama despontava, no Maracanã em amistoso contra a seleção brasileira. Então, o índio atarracado não precisava driblar o inferno da droga para chegar ao céu,  tanto que eu pude ver o paraíso em seus pés, sem que ele sequer se esforçasse para isso.

A trajetória de ambos fora dos campos todo mundo sabe. Um se entregou à bebida, o outro às drogas. Após a morte do ídolo argentino, sob o manto da comoção  generalizada esperei que  da parte dos comentaristas houvesse uma menção à Garrincha , o gênio das pernas tortas que nos deu duas Copas . No entanto, veio a alusão  a um Airton Sena, parecido ao argentino apenas no final precoce.  

A comparação nada tem a ver. A engenharia e a precisão das corridas de Fórmula 1 não permitem a magia do futebol para amaciar mecanismos, como a uma bola. Ali o que predomina é a condição tecnológica do equipamento onde  não há espaço para mágicos, mas para os intrépidos. Sequer nas origens se pareciam. Ayrton Sena era filho de gente aquinhoada, se pareceu com Maradona na tragédia que comoveu os dois países, mas foram distintos nas paixões, na irreverência e nos sonhos.  

 “Sua ilusão entra em campo no estádio vazio, e ainda na rede balança seu último gol ”. O som da antiga balada composta em homenagem a Garrincha, interpretada  por Moacir Franco, ressoa insistente em meus ouvidos Talvez porque  devesse ser executada agora também nas rádios argentinas, transformada num tango,  que os meninos da Villa Fiorito, onde nasceu Maradona, cantariam  para homenagear aquele que foi seu maior ídolo. 

Música Balada no. 7 Moacir Franco em homenagem a Garrincha  





 

domingo, 22 de novembro de 2020

A ARTE DE XINGAR PARA SE SALVAR!


 artigo publicado no jornal O estado do Maranhão 


Estudo desenvolvido há alguns anos pela Escola de Psicologia da Universidade de Keele, na Inglaterra, publicado pela revista especializada  NeuroReport afirma que falar palavrões  ajuda a amenizar a dor física.

Esta notícia deve ser revista e propagada, especialmente nestes tempos de Covid19 em que faltam vacinas, remédios e leitos. Fico imaginando, um indivíduo, morto de dor, chegando ao SUS, diante de um médico de plantão, já perfeitamente inteirado dessa descoberta científica e adepto desse recurso, tão barato, para aliviar os males. Diante desse cliente aos berros, o médico dirige-se para a enfermeira.

- Se faltam remédios, enfermeira, mande  ele xingar.

- Xingar quem, doutor?

- Ora, mande-o  xingar qualquer coisa: Deus, o mundo, Bolsonaro, o juiz de futebol, pode xingar até a gente, se preferir.

À vista dessa alternativa, o doente, claro, não se faz de rogado.

- Médico filho da puta!, Enfermeira piranha!, Hospital de merda!

- Doutor, ele não para de xingar.  Os outros estão escutando.

- Sem problemas, deixe-o à vontade. Quanto mais alto ele xingar  melhor.

O doente enfim pára, extenuado. O doutor, com expressão vitoriosa, indaga para a enfermeira.

- E agora, enfermeira, como está o nosso doente?

- Ele diz que aliviou a dor.  

- Eu não disse? Chame o próximo.


2. Evidente que os médicos precisarão se especializar cada vez mais nessa matéria, tendendo a surgir os mais talentosos, ou seja, aqueles capazes de receitar o palavrão mais apropriado para cada sintoma. Ao invés de Novalgina: Sacana sem-Vergonha!; ao invés de Buscopan: Cadela Vagabunda!; ao invés de Atroveran: Corno safado!

Torna-se evidente que uma das complexidades para a adoção e proliferação desse tipo de remédio é que muitos doentes carecerão de altas dosagens de xingamento para aliviar suas dores, mas, onde encontrar esse palavrão, já tão desperdiçado no dia a dia?

Supõe-se que isso se resolva inventando-se novas matérias-primas, ou seja, novos palavrões. Enquanto isso ainda não foi feito, uma boa forma de aliviar as dores no pandemônio atual seria pedir que os pacientes xinguem o Covid19  o mais alto que puder. Exemplos práticos a serem receitados: Covid 19 vá-se F...!; Enfie o Covid nos seus, ladrões da saúde!; ou Volte para a China, Covid sem-vergonha!

Os médicos poderiam incluir a OMS também . Ainda que não aliviasse  a dor, faria muito bem à saúde.


terça-feira, 17 de novembro de 2020

VANUSA E SEU CAMINHEMOS


 artigo publicado no jornal O estado do Maranhão 


“Caminhemos, talvez nos vejamos depois. Vida comprida, estrada alongada...”  Erivelto Martins

 

O Caminhemos, de Vanusa Santos Flores, a Vanusa, chegou para mm pela primeira vez em forma de balada-rock , ao invés de samba-canção tradicional composto por Erivelto Martins. A cantora, que começou a fazer sucesso na esteira da jovem- guarda , teve a feliz idéia de incluir Erivelto em seu repertório (gravou também Mensagem, sucesso anterior de Isaurinha Garcia, na mesma época e estilo).

Claro que ambas as músicas tornaram-se um dos alvos de aprendizado para mim, que aprendia violão, estimulado por meu pai, que  tocava esse instrumento musical muito bem, me ensinava,  e me iniciou no rico  repertório e no conhecimento de Erivelto Martins, até então um compositor desconhecido para mim.

Não  que eu tenha me tornado um ardoroso fã de Vanusa , embora dela apreciasse algumas canções.  Vanusa era uma cantora que parecia estar sempre a meio caminho, sem jamais despertar arroubos incondicionais de seus fãs. Não tinha aquela palpitação que distingue os grandes artistas e que, muitas vezes se associa a um destino trágico, como acontece com alguma freqüência em talentos especiais que se dilaceram pela arte. Não era uma Amy Whinehouse ou Billie Holliday, nem uma Elis Regina ou mesmo Cássia Eller.

Era bonita, mas não formosa ou deslumbrante. Cantava bem, mas não beirava as melhores artistas da época. Selecionava algumas boas canções, mas seus discos eram irregulares, vendia discos, mas nunca teve um sucesso arrebatador. E, assim, ela foi traçando a sua trajetória cada  dia mais arrefecida até falecer esta semana, com a notícia de sua morte ganhando as redes sociais, sua partida chegando de longe como se seu Caminhemos na vida houvesse findado faz tempo. Sem despertar o choro e a comoção devotadas  a um grande ídolo.

No auge do sucesso Vanusa foi atriz também, chegou a protagonizar a novela Cinderela 77 exibida pela TV Tupi, com o cantor Ronnie Von, que sobre ela se pronunciou  após sua morte: “Para mim é a perda da minha princesa, da minha Cinderela 77. Uma época em que nós confidenciamos uns aos outros, nossas alegrias e nossos momentos emocionais.” Foi casada  com o cantor galã Antonio Marcos (que morreu cedo e teve problemas com o álcool em cuja data de aniversário partiu, coincidentemente)  e, a partir daí, tem-se a impressão de que Vanusa passou a alimentar a cena artística mais por sina do que por prazer.Sofria de demência e morreu num asilo para onde foi encaminhada por seus familiares o que motivou as habituais comentários nas redes criticando a postura da família e o distanciamento a que foi relegada.

Porém, ainda que se queira estabelecer seu fim em um asilo  como um contraponto cruel a quem foi tão famosa, a verdade é que essa circunstância nada tem a ver, ainda que minimamente, com sua trajetória artística. Tem a ver mesmo com o fato de sermos humanos, demasiadamente humanos e, como tais, tantas vezes desprovidos de humanidade, especialmente para com os idosos,  quando  estes precisam de nós, mais da gente que a gente deles.

 ewerton.neto@hotmail.com 

                                                           

terça-feira, 10 de novembro de 2020

AS CELEBRIDADES TAMBÉM LÊEM

 



Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão 


Começo por Tom Hanks, ator,  que escolheu A Sangue Frio de Truman Capote, este célebre romance-reportagem que teria As celebridades internacionais gostam de ler. E bem. A julgar pela lista de livros preferidos de alguns, de fazer inveja a muito intelectual meia boca, que se agarra a dois livros curriculares  e fica por aí.

Gostaria de reproduzir toda a lista, mas citarei por causa do espaço apenas as que coincidiram com leituras minhas.

inaugurado o gênero. O livro, que como reportagem atinge o ápice se dá melhor ainda como romance. Uma obra-prima da narrativa policial.   Lady Gaga, por sua vez,  preferiu Cartas a um Jovem poeta, de Rainer Maria Rilke, o que traduz o extravasamento  de  seu coração poético por trás da cantora e atriz sensível que é.

Mel Gibson e Kit Harington preferiram  !984 de George Orwell, um romance, para o meu gosto, menor do que o frenesi que causa, cujo desencantamento para mim se origina justamente pelo que carrega de  simbologia político-social uma alegoria distópica que se tornou tão repetitiva que foi imitada por Chico Buarque em seu romance Fazenda Modelo.  Jessica Biel, a bela,  veio de Suave é a Noite de Scott Fitzgerald, um romance tão soberbo quanto o título, cuja narrativa se ombreia à de O Grande Gatsby, o romance mais famoso do autor, o que não é pouca coisa.    

Jennifer Lawrence, a cantora e atriz,  escolheu Levantem bem alto a cumeeira de J.D. Salinger que foi o autor com mais citações (3 vezes) por causa das duas de O apanhador no campo de centeio, este hino à liberdade da juventude no que ela tem de angustiantemente eterna em sua   efêmera passagem. Foi o escolhido também por Woody Allen, o que dispensa comentários.

Espremido pelo espaço gostaria de não deixar de citar um romance  que peguei por acaso num sebo e a ele me deliciei por algumas aceleradas  horas, chamado O estranho caso do cachorro morto, de Mark Haddon, preferido do cantor Donald Glover,  um romance surpreendente desde o título,  que trata de um caso que beira o policial sobre o ponto de vista de um autista, envolvendo dramaticidade,humor e poesia, causando no leitor extraordinária empatia pela persona representativa desses humanos especiais.  

Passando para os políticos, o escolhido por Barack e Michele Obama foi o livro Uma canção para Salomon, de Toni Morrison, o único dos citados nesta crônica que ainda não li.  Toni Morrison, uma escritora  negra  Premio Nobel, apontei neste texto  para que se possa destacar também a formidável sincronia que paira nesse simpático casal.

De todas as escolhas, porém, a que mais me surpreendeu foi a de Donald Trump. Sim, ele mesmo, seu livro preferido sendo O Poder do Pensamento Positivo de Norman Vincent Peale, um livro a meio caminho entre auto-ajuda e religioso, que li  na juventude, e que não me constranjo em indicar como livro de formação para qualquer um, independente de sua crença religiosa ou inexistente. É um livro marcante para minha formação, não literariamente, mas pela sedimentação de uma expectativa filosófica, baseada em trechos bíblicos,  de muita utilidade para a travessia da minha juventude.

José Ewerton Neto é autor de O entrevistador de lendas