sábado, 24 de agosto de 2013

O ZERO E O NADA



artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal o Estado do Maranhão, hoje sábado


Difícil precisar quando o nada  começou, se é que começou. Se um dia existiu deve ter chegado milionésimos de segundos antes do tudo. (Ou, talvez, uma eternidade, que então deveria significar quase a mesma coisa). Ou seja, nessa disputa para chegar primeiro se o nada se deu bem foi apenas para chegar antes e mais nada ( Êpa!)
Muita gente, por sua vez,   acha que ele, o nada, nunca existiu nem nunca existirá ,  o que não deixa  de ser uma teoria bastante satisfatória para que nós, humanos, não nos sintamos assim,  tão desamparados com a realidade da morte – e do nada. Ou seja, se não existe o nada não seremos nós que vamos inaugurar isso daí. Portanto... estamos salvos.
Uma coisa é certa: se o nada um dia existiu,  com certeza estava quietinho no seu canto e foi a consciência humana - sempre procurando sarnas para se coçar – que foi descobri-lo em algum lugar.

                                            

2. Inventado – ou descoberto – o nada eis que a humanidade, sempre a procura de conhecer um pouco além do que jamais vai estar ao seu alcance ( as ‘sarnas para se coçar’ ditas acima ) , descobriu também o Zero. Não, nada de um ato de filantropia ou mesmo de sabedoria, mas apenas para facilitar-lhes  as coisas dentro dos cálculos que precisavam fazer para saber o quanto poderiam levar de vantagem nas suas negociações. Já pensaram a merda que ia dar se não houvesse o zero entre o -1 e o +1? E que seria do trilhão sem aquele monte de zeros? Mesmo assim demoraram tanto a descobrir o pobre do zero (foi o último algarismo  a ser inventado) que este chegou a pensar, confortavelmente, que nunca ia ter de dar as caras na matemática, e se escondeu durante milhões de anos o quanto pode.
Pois  previa a sobrecarga que ia ter de suportar para agüentar, além  dos outros algarismos,  irritantes em sua suposta grandiosidade  , os inquietos e diabólicos alunos e os futuros cientistas.  Ele ‘calculava’ o que viria pela frente e o tanto que ia sofrer de bullyng nas calculadoras, nas fórmulas matemáticas, nos livros de filosofia etc. Nada lhe foi mais humilhante ao longo da vida do que ser taxado de ‘ um pobre zero à esquerda’, sem nunca lhe terem dado o devido valor.

                                          


De todos os inconvenientes  que passou na infância, porém, nenhum lhe permaneceu tão irritante até hoje quanto à tal proximidade com o nada, o constatar desde cedo que, para todo mundo, ele não passa de um apelido para o que não existe.  Enquanto ao infinito coube ser o apelido do tudo, a ele,  pobre zero,  coube ser o apelido do nada. Mesmo sabedor de que não passa de um símbolo essa  consciência não lhe minora a frustração, pois seu destino ceifou-lhe  a exuberância do outro: sempre mais disputado, sempre mais recorrente nas imagens religiosas, sempre mais solicitado nos títulos de livros  de auto-ajuda, mesmo não passando ( como o zero sabe melhor do que ninguém) de um grande impostor.

3. Apesar de tudo,  conforta-lhe saber que  o dilema shakesperiano  do ‘ser ou não ser’ não lhe transtorna a vida e as preocupações do dia-a-dia, como acontece com os humanos. Às vezes,  chega até a  ter simpatia com o nada, com o que talvez não exista. Sabe que estão no mesmo barco ( das soluções inventadas pelos homens para amenizar suas condições de proscritos de seus próprios destinos ) e procura exercer sua função  cada vez melhor fazendo ouvidos moucos ao que possam dizer dele, a matemática e os homens. No fundo, deve concordar com o que foi escrito a seu respeito num livro maranhense de poesias Cidade Aritmética, e que se intitula, justamente, Zero.

                                         
     

“Um domingo após o fim do mundo,
o zero que ainda está vivo
não é o zero do nada.
Não é o zero número,
o que só tinha serventia
para o oco da lógica
ou como farol de cálculos.
É um zero que não se presta
para disfarces do agora.
É o zero de antes e depois.
O zero que é o tudo, enfim.”
                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

                                                                              http://www.joseewertonneto.blogspot.com

sábado, 17 de agosto de 2013

A LINGUAGEM DE DEUS



Artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado.


Deus existe ou não? Segundo li, numa revista,  menos de 20% da comunidade científica acredita em Deus. Igualmente,  é grande o número de pessoas  que se consideram ateus, justamente nos países onde é mais elevado o conhecimento técnico e científico ( em algumas nações chega a mais de 50%). De fato, temos que admitir que o exercício da fé se torne mais árduo  quando confrontado às bases científicas que traduzam algo do que já se sabe sobre o universo: sua grandiosidade, as leis físicas que o geraram, a infinita pequenez da raça humana, sua fragilidade diante da natureza e, principalmente, da natureza diante de um espaço-tempo avassalador.
                        Diante dessa questão, sabidamente complexa, as pessoas se manifestam, em resumo, de três formas: uma, a de crença absoluta, que pode ser por ignorância; a segunda, de descrença ou ateísmo que se pretende fundamentado  na ausência de provas captáveis pela ciência; e uma outra, a de indiferença, na qual se incluem os agnósticos.   Na prática, o  “não sei” dos agnósticos resume uma cômoda permanência em cima do muro sobre a questão que é como se dissessem como o mineiro que não quer se envolver: “Sua ausência veio preencher uma lacuna” ou “Sou ateu, graças a Deus!”.  Curiosamente, existe uma passagem do Novo Testamento que parece adequar-se àqueles que se confessam indiferentes. Na frase de Jesus Cristo: “Prefiro os muito quentes ou muito frios, porque os mornos, eu os vomitarei.”
                        Penso que qualquer ser humano cuja compreensão e orgulho do sentido da própria existência  tenha alguma validade para si um pouco além do ato banal de sobreviver, não pode se furtar a esta questão, apenas porque esta seja complexa ou insolúvel. Essa busca, certamente mais grandiosa do que a descoberta em si, perpassa uma tentativa de transcender a uma questão puramente metafísica para que ela se imponha como suporte de suas relações com os demais seres humanos e com seus valores existenciais. “A finalidade da existência humana não consiste apenas em viver, mas em encontrar um motivo para viver”, dizia Dostoiévski. Evidentemente, a tentativa de alcançar a solução do grande mistério “o que somos; de onde viemos, para onde vamos” está na raiz do significado maior de qualquer vida, que se pretenda digna disso.

                                                                


                        Na minha adolescência li um livro que considero fundamental para o meu singelo entendimento e que se chama “A arquitetura do universo” do físico norte-americano Robert Jastrow. As páginas do livro não tratam de um possível embate teológico ou mesmo filosófico, tão costumeiros entre os cientistas modernos, mas da doação, para mim repentina, dos mistérios do universo  já conhecidos pela ciência em linguagem accessível para leigos, como eu. Nem precisaria, então, gostar  tanto de Física,  minha matéria curricular preferida, ou de Poesia (nos meus impulsos extra-escolares) para concluir que nenhuma ficção desenvolvida pelos melhores  autores do mundo (Cervantes, Proust ou Dostoiévski ) seria comparável à criação  desse personagem chamado aventura humana, ali descrita de forma espetacular: tão improvável, tão frágil e, ao mesmo tempo, tão misteriosa e – por que não? – divina.  Retiro do autor  em questão esta última frase de um de seus livros:                                                 

                        “Neste momento parece que a ciência nunca será capaz de erguer a cortina acerca do mistério da criação... O cientista escalou as montanhas da ignorância; vê-se prestes a conquistar o pico mais alto; à medida que se puxa para a rocha final é saudado por um bando de teólogos que estiveram sentados ali durante séculos.”
                        A partir da leitura desse livro, sempre que posso leio outros que tratam do tema da origem do Universo e que, virtualmente, descambam para uma possível explicação (não-explicação) da existência de Deus.  Desde livros com argumentação científica como o do cientista Richard Dawkins, Deus um delírio  que vocifera contra a a fé e a crença, até os livros que preferem debater o assunto com uma boa carga de bom-humor como o delicioso e pragmático  “ Explicando Deus numa corrida de táxi” de Paul Arden. Com mínimo rigor científico Arden chega à conclusão de que todos os que ardorosamente debatem o assunto, religiosos x ateus, no fundo acreditam na mesma coisa, e o embate é apenas uma questão formal . O que os céticos chamam de força superior , os religiosos chamam de Deus. Ou seja, se   alguns preferem  dar um rosto a Deus, isso é uma mera questão lingüística.
                        Antes que alguém pense que pretendo, no breve espaço desta crônica  colocar remotas luzes sobre o debate , adianto que o fim desta é menos pretensioso: apenas sugerir a leitura do livro de Francis Collins, A Linguagem de Deus, como perfeito complemento da curiosidade que qualquer um possa ter sobre a vida e seus mistérios. Cientista, como Dawkins, diretor do Projeto Genoma que trabalha com o que há de mais moderno no estudo do DNA, o código da vida, e um dos mais respeitados cientistas da Terra, Francis Collins se coloca a favor da crença em Deus, assumindo os riscos peculiares a quem, dentro de uma comunidade  que despreza qualquer argumento desprovido de provas concretas, argumenta a favor da fé sem perder de vista o conhecimento científico. Sem receio de se situar no limite da dúvida compara uma a uma as soluções trazidas pela ciência, contrapondo-as à possibilidade de um ser superior, deixando um rastro de fé e esperança que parte da dúvida, inclusive a notável improbabilidade da matéria ter se formado, baseando-se apenas nos princípios de física conhecidos.

                                                         


                        Ao fim de sua leitura, independente  de qualquer crença, ouso dizer, que haverá um notável adendo ao cabedal de qualquer  um,  em termos de discernimento e argumentação científica sobre o tema. No meu caso, além disso, a consolidação da solidificação de uma verdade já cristalizada há muito tempo: há muito maior grandeza humana em se acreditar em Deus que em não acreditar. cristalizou-se a verdade que já desconfiava.  dúvida é essencial quando nem todos os caminhos levam a Deus, muito pelo contrário. A satisfação com a leitura de um livro que vai agradar tanto aos ateus quanto aos religiosos, no meu caso particular talvez tenha sido porque me trouxe uma confiança que já tinha e que independe de se acreditar ou não. A convicção não mais divina ou laica de que Quanto menos evidências houver, sempre haverá maior Há mais grandeza humana em se acreditar em Deus. 
                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

                                                                              http://www.joseewertonneto.blogspot.comA linguagem de Deus

sábado, 10 de agosto de 2013

PARA ENTENDER OS BEST-SELLERS (resumo crítico)


artigo publicado hoje na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão


“ Enfim um escritor sem estilo!” Millor Fernandes

Para os ‘bons’ leitores (ainda existe isso?) , um pouco do que se lê por aÍ:

Ficção

1.A culpa é das estrelas. Romance ambientado em São Luís. Presidiários, uma semana sim, outra sim,  conseguem fugir facilmente da prisão, cavando túneis ou arrombando portões . Fragilidade do sistema, inventividade dos presidiários ou corrupção da vigilância? Nada disso, a culpa é das estrelas, afirmam os responsáveis pela segurança dos presídios.


2.A marca de Atena. Romance de época também ambientado em São Luis. Arqueólogos, pesquisadores e especialistas  procuram , numa ficção cheia de mistério, encontrar na cidade marcas do que um dia foi a  ATENAS BRASILEIRA. Onde estará, hein? Com certeza não é no linguajar dos seus cidadãos que  um dia foi considerado ‘o melhor português do Brasil’

                                                             

3.O teorema Katherine. Romance moderno que expõe os dilemas existenciais da mulher contemporânea. Também poderia se chamar O teorema de Anitta, rainha do funk, com a seguinte equação, difícil de resolver: “ Quanto tempo vai durar?”

Não-Ficção

1.Casagrande e seus demônios. Biografia do ex-jogador de futebol e atual comentarista esportivo da rede Globo, Casagrande. Após a leitura descobre-se que os demônios que o torturaram foram muitos, mas o pior dentre eles foi  ter que agüentar Galvão Bueno.

                                                          

2.Pensadores que inventaram o Brasil. Livro de idéias de autoria de Fernando Henrique Cardoso, sociólogo e ex-presidente do país. Através dele tenta-se vislumbrar a biografia dos pensadores que tiveram a triste idéia de inventar o Brasil. Chega-se facilmente à conclusão de que FHC não deveria ter sido inventado.

Auto-ajuda.

1.Casamento Blindado. Livro sobre técnicas de blindar relacionamentos em desuso, como casamento. A técnica, para mulheres, é simples: cercar e envolver o objeto de desejo de dinheiro ou cartões de crédito. Com fazem a torto e a direito as peruas da Rede Globo como...(Precisa dizer o nome? A primeira letra é S)

                                              
2.O monge e o executivo. Sobre o papa Francisco, nosso Chico da Argentina. Trata do dilema, que não é pra qualquer um ( mesmo sendo Hermano) de ter que escolher entre estas duas trágicas opções: se for executivo padece, se for monge,  será executado.

3.O poder do hábito. Sobre o hábito,  muito comum em Brasília, que os políticos têm de se apossarem do dinheiro público. Tanto é assim que quando ocupam as mansões sequer se lembram de pagar com seus próprios bolsos  o  Habite-se.


                                                       

4.Uma prova do céu. Romance filosófico sobre um cara que provou o céu num restaurante mil estrelas do paraíso  e assegura que tem sabor de nuvem com pitadas de azul.
                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com
                                                                              http://www.joseewertonneto.blogspot.com


                                                                                              

sábado, 3 de agosto de 2013

O SANLUISENSE E SEUS DIREITOS





artigo publicado hoje, sábado, na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O Estado do Maranhão


Semana passada, a crônica São Luis aos 4 cantos, encantos e desencantos , não foi bem recebida por um leitor que, embora tenha apreciado o tom irreverente da mesma, acredita que se deveria realçar ‘apenas’ os aspectos positivos da cidade, para que os turistas passem a se entusiasmar mais por ela. 
Em atenção ao mesmo, segue esta  Declaração dos Direitos do Sanluisense que talvez lhe diga alguma coisa do que deve ser pensado a respeito:

1.O sanluisense de verdade tem o direito de pleitear que as benfeitorias feitas em sua cidade visem aos turistas, mas, sobretudo a ele mesmo, pois o que for feito em seu nome beneficiará os turistas que vão e vêm. Lembrando que nem os olhos dos turistas enxergam mais longe que os seus, nem seus narizes são mais sensíveis. E que a vocação da cidade deve ser pelo bem-estar de todos os que cruzam suas ruas, independente da sola dos seus sapatos  e dos lugares por onde passaram.

2. O sanluisense de verdade tem o direito a não gostar de shopping-centers, de suas promoções fajutas,  vidraça, gente e produto caro.  Lembrando  que é melhor pagar cinqüenta centavos para um flanelinha, no Centro,  do que dois ou mais reais por uma vaga no shopping ( que, aliás, deveria ser gratuita por um mínimo de consideração). E que,  se ainda faltarem razões para preferir o Centro lembrar de que é apenas lá que se sente a pulsação da cidade e onde se defronta com a beleza imemorial de suas ruas.

3.O sanluisense de verdade tem o direito de acreditar que se, como disse o poeta, todo homem é uma ilha, toda ilha também pode ser um ser um homem, ou, preferencialmente, uma mulher  a desfilar de braços dados com o mar.

4.O sanluisense de verdade tem o direito de acreditar que esta ilha é - e ainda permanecerá por muito tempo - a Atenas Brasileira. E de lembrar todo santo dia que suas referências literárias são Aluisio Azevedo, Josué Montello ou Ferreira Gular e não Paulo Coelho, Augusto Cury ou Chico Buarque.

                                                         

5.O sanluisense de verdade tem o direito de não ter dúvidas de que a mulher sanluisense é a mais bonita do Brasil. Ao contrário do que disse um pseudo-cantor chamado Xandy e do que imaginam as crioulas da cidade, a pintar seus cabelos para imitar as louras insossas do Rio Grande do Sul, travestidas de modelos em competições de quilos de osso a menos.  E de lembrar que mulher bonita não tem nada a ver com o epíteto “gente bonita” das colunas sociais dos jornais, mas com a morena que mora no subúrbio, trabalha numa loja do Centro, tem filho sem pai, dá uma de Mama África (de Chico César) e ainda conserva sua beleza desfilando pela Praça Deodoro para pegar buzu.

6.O sanluisense de verdade tem o direito de chamar açaí de juçara, craviola de jacama e fecho-éclair de ri-ri. Há algum tempo sabedor de que já não tem o melhor Português do Brasil ( já não existe isso, a televisão globalizou o que há pior), faz questão, no entanto,  de preservar suas próprias expressões, entre elas aquelas em que evidencia sua simpatia pelos animais como “Egua!”, interjeição que serve para tudo e “Pai D`´egua” um elogio ‘arretado’.
                                                        
                                                     
O SANLUISENSE E SEUS DIREITOS

7.O sanluisense de verdade tem o direito de lamentar que ainda haja conterrâneos com o ‘complexo de vira-lata’ maranhense . E que assim que ponham os pés no exterior corram para as páginas sociais dos jornais para exibir fotografias por lá tiradas como se isso fosse grande coisa. Idiotamente agindo, sob  ilusão desmedida, como se não houvesse por aqui mesmo, em sua própria ilha, belezas muito mais deslumbrantes e recompensadoras.

8.O sanluisense de verdade tem o direito de gostar do “calor” de sua cidade entremeado com a brisa da ilha,   e de detestar qualquer tipo de frio - de pessoas a de ambiente. E de “achar uma fria” que a mídia nacional se disponha a exaltar com tanto deslumbramento a chegada da neve em algumas cidades brasileiras como se isso fosse coisa que o valha. Lama por lama ( como consideram a neve os europeus que com ela convivem)  é preferível as que acobertam nossos deliciosos caranguejos.  
                                                                 
                                               
9.O sanluisense de verdade tem o direito de gostar mais do Sampaio Correia – ou do Maranhão A.C. -  do que de Coríntians, Flamengo ou Fluminense. Lembrando que o Sampaio Correia tem proporcionalmente, no Maranhão, uma torcida muito maior do que jamais almejaram Coríntians ou Flamengo em seus estados. Que o Sampaio Correia é o  único time do país que possui o título nacional em três divisões , e que o maior ponta-esquerda que houve no futebol nacional era maranhense e chamava-se Canhoteiro (comparado a Garrincha por grandes jogadores que o marcavam como o grande Djalma Santos, morto semana passada). E que, mais injustamente do que a Garrincha, não tem sequer uma referência à sua memória   em qualquer estádio sanluisense, o que, a seu ver, deveria  ser reparado imediatamente.
                                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

                                                                              http://www.joseewertonneto.blogspot.com


sábado, 27 de julho de 2013

SÃO LUIS AOS 4 CANTOS E DESENCANTOS



artigo publicado hoje, sábado, na sessão Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão


4 CANTOS, CANTOS, ENCANTOS,DESENCANTOS...

1.Dica para o turista: andar a pé, ou de carroça. Chega-se mais depressa e, além disso,  contempla-se a bela paisagem.

2.Armadilha para o turista: depende do buraco. Se for de rua ou avenida, evite se for  de outra natureza, vá fundo. (Mas, neste último caso,  não deixe o marido saber. Tem uns que não gostam. )

                                               


3.Praia: A praia Grande, porque tem tudo o que uma boa praia tem: mulher, cerveja e música,  com a vantagem de que não tem praia.

4.Paisagem mais bonita: o por-de-sol , depois da chuva, visto da ponte Bandeira Tribuzzi.


                                              

5.Paisagem mais feia. O engarrafamento, depois da chuva, na mesma ponte. E que dura até o por do sol - do dia seguinte. 

6.Prédio mais bonito: Qualquer um que tenha um banco no primeiro andar, em dia de se receber dinheiro.

7.São Luis que funciona: o Santo. (Quando ele não faz milagre  São José de Ribamar ajuda.)

8.São Luis que não funciona. Os milagres dos políticos.

                                                                    


9.São Luis brega: As apresentações de sertanejo universitário que começaram a acontecer todo fim de semana na Ilha . ( Sertanejo universitário ou  Universo Sanitário?)

10. São Luis chique: os prefeitos. Prefeito daqui tem de ser chique. Um Palácio é sucedido por um Castelo que, por sua vez , é sucedido um que é da Holanda. Bote chique nisso!

11. Metrô de superfície: O V.L.T. Para ser inaugurado no próximo século.

12. Metrô subterrâneo: Da cadeia de Pedrinhas para qualquer canto da cidade. Inaugura-se um por semana e quem foge por lá acha uma maravilha!

                                                


13.Rua Antiga: A dos veados (Depois das novelas de tevê  e do BBBrasil é a única que não tem nenhum.)

14.Rua Nova: Cada dia nasce uma. Começa com um buraco enorme, depois vira rua, depois  avenida e logo se estende de um canto a outro da cidade.

15.Rua Pequena: A Rua Grande. Tem mais camelô do que paralelepípedo.  

16.Som moderno: A tribo de Jah. (Tem índio que toca reggae.)

17.São Luis que seduz: O calor humano dos jumentos conduzindo as carroças. Que paciência e nobreza!

18.São Luis que espanta: O furor dos  animais que dirigem os carros, no trânsito.

19.Uma estátua graciosa: a de Gonçalves Dias, olhando o mar na Praça dos Remédios.

                                                 


20.Uma estátua sem graça. Do  flanelinha vigiando a saída do seu carro. Se você não puxar um realzinho vira estátua para sempre.  

21.Feira livre: sem preferência, tem uma por dia em cada bairro da capital. A feira é livre e os preços também. Sobem tanto que ninguém segura.

22.Um shopping-center: Prefira o centro. Se é para olhar gente o produto exposto é mais original. E paga-se menos para estacionar.

23. Lugar tranqüilo:  Qualquer lugar em dia de lançamento de livro. Dá até para escutar o som da caneta riscando o papel quando o autor faz o primeiro – e último-  autógrafo.

24.Um bairro aprazível: a ponta d’Areia. Mas prefira a versão terrestre. Na versão aquática, os dejetos que vem dos prédios  cobram de sua saúde pela companhia.


                                                      
São Luis, 4cantos,cantos, encantos,desencantos


25.Um bairro perigoso: o Anjo da Guarda. Não tem guarda e, com tanto bandido,  o anjo da guarda  baixou a guarda.

26.Saudade: dos bondes e do tempo em que se tinha tempo de ter saudades.
                                                                              ewerton.neto@hotmail.com                                                                                                   http://www.joseewertonneto.blogspot.com


sábado, 20 de julho de 2013

O BRASIL QUE ELES ESPIAM



Artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno alternativo,
jornal O Estado do Maranhão, hoje, sábado



Calma gente, calma presidenta, calma Brasil! Não precisa de uma hora para outra  ficar histéricos só porque se descobriu que os USA têm o poder de espionar tudo o que acontece nesse nosso Brasil. Ainda não é hora, pois, se você é corrupto, de controlar seus e-mails; nem de você,  esposa danadinha, de suplicar ao seu amante que destrua imediatamente a filmagem de ontem no motel. Nada de pedir perdão antecipado:  não ficamos  nus,  assim, de repente.
                Nem é preciso  temer o dedo de Obama apontando em direção ao Brasil, como na capa da revista Época. Na verdade, vai ver que eles não se interessam pelo Brasil tanto assim como a gente pensa. A coisa deve funcionar mais ou menos como para um voyeur: só há interesse se for difícil. Ora, a tecnologia  e o domínio tecnológico desse pessoal nessa área é tanto que acabariam enjoando de tanto espionar shows de sertanejo  universitário ,   avenidas  obstruídas e  corrupção.  
                Para tranqüilizar o governo brasileiro em definitivo eis que conseguimos obter o que, de verdade, tem interessado  aos USA , quando espionaram o Brasil.

                                                         

                1.Os USA estavam, de fato,  um tanto preocupados em descobrir a causa dessa onda de manifestações aqui no Brasil. Afinal de contas, isso nunca aconteceu por lá. Não demorou muito para descobrirem  o óbvio: “O  governo Lula, durante oito anos, empobreceu  a Classe Média para financiar a ilusão de que a  Classe Pobre se tornaria, em breve,  classe média. Como  toda ilusão tem preço a coisa agora está nesse ponto: A classe pobre, iludida, quer ser classe média. A classe média, desesperada, queria, pelo menos,  voltar a ser classe média. E a classe rica –  reclama porque não quer perder a viagem. Resultado:  todos insatisfeitos. 

2.Outra preocupação norte-americana é com o bem-estar de suas mulheres, notadamente, as de mais de cinqüenta, hoje a maioria. É que lhes chamou  a atenção saber que uma atriz brasileira , Suzana Vieira, setenta anos ( só de atriz),  deu uma declaração a uma revista declarando que tem  apetite sexual insaciável. Preocupados com a pós-menopausa de suas mulheres os cientistas norte-americanos deram tratos á bola para investigar o que isso poderia  ter a ver com o volume de botox no rosto (caso da brasileira).

                                              

Por enquanto sem solução,  outra questão continua intrigando os gringos espiões: se o apetite sexual da idosa aumentou tanto assim porque o companheiro jovem ainda não saiu correndo?

3.Idem,  o alto comando militar dos USA está particularmente interessado com o que vem acontecendo  no Maranhão. É  que  mais ou menos uma vez por semana, um grupo de prisioneiros foge das cadeias maranhenses usando a mesma  técnica dos tempos do romance O Conde de Monte Cristo: furando túneis.  Como os  fugitivos sempre obtêm êxito, apesar da técnica rudimentar , especialistas em tecnologia militar dos USA, intrigados,  querem absorver o know-how dos presos para , aprimorando-o, aplicá-lo na guerra de combate aos terroristas . A dificuldade agora  é encontrá-los . Como todo mundo sabe, preso, no Brasil,  depois que foge, não há mundo virtual  ou real capaz de descobrir onde é que se esconde.


                                               
                                             

       
                4.Finalmente, também foi objeto de espionagem norte-americana o projeto brasileiro político-social (?) de Cura-Gay. Abismados, religiosos, cientistas e médicos   acompanharam todos os desdobramentos do caso que acabaram  culminando com manifestações públicas  e a declaração de Antonia Fontenele, viúva do ex-ator Marcos Paulo e capa da revista Play-boy desta semana,  de que ela é a verdadeira Cura-Gay .
                Como a edição atual da  revista da ‘Cura-Gay’ está vendendo a rodo e muito mais que a edição anterior da atriz,  Flávia Alessandra , ex-mulher do ator, os norte-americanos  chegaram à conclusão de que strip-tease de viúva faz muito mais sucesso com marmanjos do que strip-tease de mulher casada. E pretendem levar a viúva para melhorar as fantasias sexuais por lá de homens, mulheres e...gays.
                Neste caso, acho que isso compromete a soberania nacional, não é mesmo presidenta?

                                                               ewerton.neto@hotmail.com                                                                                                   http://www.joseewertonneto.blogspot.com

sábado, 13 de julho de 2013

A PORTUGUESA DE TODOS E DE NINGUÉM



artigo publicado no jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado,
caderno Alternativo, seção Hoje é dia de...


Responda depressa, quem é torcedor mais autêntico: aquele que, Maria vai com as outras, torce pelos times preferidos da mídia (do time que merece o grito mais extenso do locutor da Globo; do time para quem os árbitros tendem a manipular resultados; do time por quem até os presidentes da república torcem e que recebe do governo estádios de futebol de graça ) ou aquele que torce por um time fadado ao fracasso, por não ter – e nem almejar -  todas essas regalias?
                        Nada de querer ser mais um, querendo dar uma de louco para pertencer a um ‘bando de loucos’.  Esse verdadeiro torcedor que não é,  nunca foi e nem se pretende louco, esse que é o grande torcedor, torce mesmo é pela Portuguesa de Desportos.
                        Você, por acaso, torce pela Portuguesa, a Lusa do Canindé? Não. Você tem simpatia por esse time? Mais ou menos. É um time bom? Não. É um time ruim? Também não. Tem torcida grande? Não. Então deve ser um time pequeno? Também não. Mas afinal de contas o que é a Portuguesa Desportos, em que categoria  de time de futebol se classifica? Bem...


                                                             



                        ...Você sequer sabe se a Portuguesa, contra o qual seu time preferido já jogou ou vai jogar, está na primeira divisão ou na segunda. Assim é a Portuguesa, um time estranho na falta de outra coisa para se dizer dela porque não é simplesmente estranho ou esquisito. (Sua estranheza começa aqui, nessa dificuldade em chamá-lo (a), se no masculino ou no feminino. Em qual outro time esse problema existe?) Só que de  estranhos a gente se lembra e da Portuguesa ninguém embora se saiba que ela existe e que disputa todos os campeonatos importantes deste país.
                        Minto. A rigor, vez por outra, alguém se lembra da mesma. Isso acontece quando um dos times muito badalados ( Coríntians, Vasco, Flamengo ou São Paulo) perde para ela. Então vira manchete, fugaz como as notícias de diminuição no preço da gasolina, mas com uma característica que honra a sua ambigüidade: ninguém coloca em letras garrafais Portuguesa vence Coríntians, por exemplo, mas sempre Coríntians perde para a Portuguesa, ou seja o outro time, mesmo perdendo, vem sempre em primeiro lugar. Porque da uma derrota para a Portuguesa o torcedor comum se lembra como de uma topada, um ato fortuito e sem relevância, algo fácil de esquecer, que nem chega a afeta-lo a ponto de  ficar com raiva. Isso porque a Portuguesa Desportos não desperta ódio nem amor. Diante de uma topada numa pedra sente-se dor e vergonha, mas prossegue-se de cabeça erguida, sem ódio da pedra, dá-se a ela o valor de um acidente vulgar, nada mais e a vida continua. E  a melhor definição da Portuguesa talvez seja essa mesma; um acidente fortuito na vida de qualquer outro time, essencial para que a epopéia deles continue e o campeonato siga. A Portuguesa está aí para isso mesmo: ativar as emoções que ela nunca será capaz de usufruir.

                                                   
       

                        Jamais ganhou nem jamais ganhará qualquer campeonato relevante. Certo, hão de dizer que há uns trinta ou quarenta anos venceu um campeonato paulista depois de uma eternidade de espera. Ganhou? O certo seria dizer que venceu pela metade, pois teve de dividir com o Santos de Pelé  e somente às custas de um erro do juiz. Hão de lembrar também que o time foi vice-campeão brasileiro há coisa de dez anos, mas alguém duvida de que jamais ganharia o título fosse com quem fosse? Não é questão de qualidade técnica, nem de azar, talvez nem mesmo dos erros do juiz tão freqüentes contra ela, mas de destino absorvido por vocação, quase sina: é um time cujo propósito embutido na camisa não são as grandes glórias, mas o cumprimento do cotidiano vulgar, sem alarde. Se jamais foi a primeira, em compensação, jamais fracassou ou fracassará completamente. Nunca cai pelas tabelas, jamais tomba de um pedestal justamente porque nunca chegou lá. 
                        Comparando-se a um ser humano talvez fosse da classe dos mornos, de quem Jesus Cristo disse um dia: prefiro os quentes e os frios, porque os mornos eu os vomitarei. Mas que seria dos fortes ou dos fracos, sem times como a Portuguesa para servir-lhes de referência e balizar suas jornadas? A Portuguesa se assemelha àquela classe dos seres humanos, anônimos, esquecidos, nada brilhantes, mas que têm o seu valor porque nunca tombam. Tem o heroísmo dos que não estão aí para perder ou para ganhar, mas para cumprir. A nenhum time talvez se aplique a máxima de que o importante não é  vencer, mas competir, fazendo da própria existência sem ilusões o objetivo maior. É um time que não se pretende religião ou nação, basta-se à função de time e ponto final..

                                                          

                                                           

Feliz em seu destino invariável e regular, mas perene, deveria causar muito mais admiração, torcida e reverência de todos já que ao seu destino se aplica o que está escrito em um livro maranhense de poesias, Cidade Aritmética, numa breve reflexão sobre o destino humano: “Os homens deveriam ser como os elevadores: que nunca sobem até o céu, porém, jamais se eternizam, debaixo do chão.”   
                                                                                                                                                                                                                                ewerton.neto@hotmail.com

                                                                       http://www.joseewertonneto.blogspot.com

sábado, 6 de julho de 2013

A MAIOR INVENÇÃO BRASILEIRA




                                         


Artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje,
sábado


Os brasileiros não são grandes inventores, pelo menos de coisas  relevantes ,certo? Depois dessa introdução, sei que alguém imbuído desse ardor patriótico que só aparece mais intensamente depois que o  Brasil ganha uma copa ( seja ela qual for, até Copa das Confederações serve) , está louco para contestar o que eu disse. Infelizmente,  a verdade nua e crua é  essa, pois até mesmo o avião - que se tem no Brasil como inventado por Santos Dumont - para todo o resto do mundo foi inventado pelos irmãos Wright, norte-americanos.

                                

Bajulação aos USA? Preconceito contra o Brasil e os brasileiros?  Não creio, antes é mais racional acreditar que exista até uma grande simpatia internacional pelo Brasil: mulatas, futebol, carnaval, calor e praia - quem não gosta? Não fosse assim,  que estaria fazendo Lula como conferencista na Etiópia ou como jornalista no New York Times? Não seria mesmo por pura simpatia?
E, no entanto, os brasileiros já foram capazes de inventar tanta coisa que, mesmo não sendo relevantes,  o mundo não viveria sem as mesmas. Coisas práticas, essenciais, ou,  pelo menos,  simpáticas. De que adiantou eles terem inventado  o carro, se você hoje o dirige com a mesma velocidade de uma carroça movida a jumento, por exemplo? Ora, nós, brasileiros, devemos nos orgulhar,  e muito,  de sermos, pelo contrário,  os inventores  de pequenas coisas, irrelevantes e aparentemente bobas, mas sem os quais a vida não seria tão agradável, ou, pelo menos mais divertida. Vamos a algumas delas:


1.O relógio de pulso. Você já imaginou sua vida sem um relógio de pulso? Já calculou ao longo de sua vida o tempo que você perderia para tirar um relógio do bolso e checar o tempo, como antigamente? E se, ao invés de ter sido  inventada a opção do pulso,  alguém o tivesse inventado pendurado  no pescoço? Já pensou?
Pois o relógio do pulso foi sim, apesar de subestimada, uma invenção tão honrosa para seu inventor quanto teria sido a do avião, levando-se em conta  que o autor da mesma, coincidentemente,  foi  o mesmo que se metia a querer inventar aviões : Santos Dumont. Temos ou não razão em chamá-lo de gênio,  independente de ele ter inventado o avião?  

                                 
       
                                       
2.O Bombril. Surpresa! Você jamais esperava que tivesse sido um brasileiro a ter inventado  o Bombril, não é mesmo? (Chamava-se Roberto de Sampaio Ferreira e nem de longe tinha a cara daquele sujeito que se eternizou fazendo propaganda de Bom-Bril).  Tente imaginar: que seria de você, dona de casa, sem um  Bombril para acariciar-lhe os dedos? Ou de suas panelas e louças?
Pois,  quando estiver usando-o para esfregar a cara do seu marido em mais um de suas sub-utilidades, lembre-se de que foi um brasileiro o seu inventor e orgulhe-se disso.  E,  quando na próxima Copa do Mundo você estiver na Cozinha,  plena de ardor patriótico, esfregando louça para que os marmanjos  possam comer churrasco vendo a seleção , dê um grito em homenagem a Sampaio e  aproveite para contar a história dele tintin por tintim. Para que ninguém confunda seu grito com um pró Sampaio ...Correia F.C.

                                         

3.A pomada Minâncora. Em que país do mundo, em que farmácia de aeroporto internacional você encontra um produto tão eficaz  contra o mal-cheiro como a pomada Minâncora? Um remédio desses, que serve para tudo e ainda tem um cheiro gostoso de hortelã só poderia ter sido inventada por um gênio. E brasileiro. Chamava-se Eduardo Augusto Gonçalves  e  inventou a única pomada do mundo capaz de matar qualquer catinga, das carnavalescas às dos buzus e academias de ginástica, podendo  ser aplicada do cabelo aos pés. Tanta eficácia  nem precisava de um nome tão engenhoso assim, mistura de Minerva, a deusa grega, com âncora, o símbolo da caixinha.

4.Descascador de ovos de codorna. Talvez você não saiba, mas foi um brasileiro chamado Sebastião Perroti  Lucchi quem teve a brilhante idéia de inventar uma máquina capaz de descascar 5 mil ovos de codorna por hora. Não, nada de  perguntar para que e para quem, antes trate de admirar-se  do arrojo do empreendedor. Basta conceber a imagem de cinco mil ovinhos sendo descascados por uma máquina, para se chegar à conclusão, rápida,  de que , em matéria de descascar ninguém supera o talento dos brasileiros.
Pois essa prodigiosa virtude, que tornou cada brasileiro um especialista na arte de descascar as embrulhadas que nossos representantes nos aprontam, sobrou ainda  para inventar, além da máquina de descascar ovos, A máquina de DesCasCarAlho, de enorme utilidade em São Luis, no Carnaval.
Além dessas, outras grandes invenções brasileiras são o pão de queijo (inventado no início do século XVIII)  o requeijão inventado em Poços de Caldas e  o catupiry,  demonstrando  que essa extraordinária inventividade brasileira relacionada ao queijo teria que degenerar forçosamente na pizza que não acaba, ou ‘que tudo  acabe em pizza’. E ainda houve o trio elétrico,  inventado por Dodô e Osmar,  a Escola de Samba  e o lavador de carros a seco.

                                               

Lavador de carros a seco?  Pois é , embora ninguém jamais o tenha visto foi inventado e patenteado por Lúcio Edno Pereira, um brasileiro, e seria  facilmente escolhida como a nossa maior invenção no ramo se não houvesse também  “O  guardador de carro”.  
Sei não, mas acho que a invenção brasileira do guardador de carro ( que profissionalizou a ação de pedir) essa ninguém supera!  
                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

                                               http://www.joseewertonneto.blogspot.com