sábado, 17 de outubro de 2015

ESTAR É FÁCIL, SER É QUE É DIFÍCIL!






artigo publicado quinta-feira no jornal
o Estado do Maranhão


Perdido sem saber onde está? Não se preocupe com isso, caro leitor, a tecnologia está colocando cada vez mais à nossa disposição, instrumentos capazes de nos localizar,  onde quer que estejamos. Uma antena ali, um satélite acolá, um celular em suas mãos,  e pronto. Geograficamente, estamos achados, definidos, realizados. Ufa! Pelo menos em relação ao onde estamos parece que ficamos resolvidos. Já, quanto ao quem somos...

            Aí são outros quinhentos e, pensando bem, já seria querer demais. Quem  somos? Ora, para com isso, leitor, melhor deixar esse assunto pra Deus e olhe lá, já que a coisa ao invés de melhorar, anda ficando cada vez pior. Se a humanidade, como um todo, ninguém sabe o que é, imagine você, pobre criatura, parte ínfima dessa humanidade! Quem é você? Ora, vá se enxergar!

            Bons tempos aqueles em que um nome nos servia e em que, na falta deste, um apelidozinho nos quebrava o galho. No século XXI e em pleno apogeu do nosso avanço tecnológico,  para saber quem somos precisamos não só de um nome mas, além disso, de senhas, muitas senhas. Tudo obedecendo àquela lei fundamental da identidade no reino do modernismo: “Quando mais números decorarmos para indicar quem somos, mais eles se tornarão  insuficientes.”





                                                   






            Estar é fácil, ser é que é difícil aprendi a filosofar,  num belo dia em que resolvi fazer uma transferência de valores pela internet. Precisei de identidade, CPF, nome do pai, nome da mãe, CEP, palavra-chave e frase de referência. Já estava na vigésima senha quando me pediram o nome. No auge da minha ansiedade sonhei em como seria bom se houvesse, definitivamente, uma única senha, para guardar todo o restante. Logo percebi que eu estava delirando, tudo se confundia em minha memória, eu dava voltas, muitas voltas sem conseguir chegar a lugar algum. Meu Deus, e agora? Eles pediam meu nome, eu havia esquecido.

            Irritei-me, mas logo cheguei à conclusão de que não valia a pena. Não, não nos zanguemos com isso, nosso nome é apenas um risco na memória alheia, há milhões de anos que pelejamos para saber quem somos sem conseguir, é natural que uma máquina desconfie da gente. Se um ser humano duvida de si mesmo a ponto de procurar outro ser humano (no caso um analista)  para descobrir quem é,  como se pode reclamar da desconfiança de uma pobre máquina?

            De incerteza em incerteza, perseguido por números e senhas, dia virá em que seremos acusados de assaltarmos nossas próprias senhas. Seremos julgados e condenados como ladrões de senhas, hackers de nós mesmos. O suicídio surgirá como uma solução,  ávidos que estaremos de que, pelo menos Deus, no paraíso, saberá quem somos.
            Mas não nos  iludamos. A tecnologia terá chegado por lá também e São Pedro – imaginando que seja São Pedro aquele sujeito com capuz de santo e jeito de terrorista em frente a um notebook – exigirá:





                                               





            “Digite a senha”
            “Como? Senha de quê?”
            “Para entrar no céu, precisa  de senha. Admira-me que não saiba. Deus não lhe mandou a senha pro seu whatsupp pouco antes de você morrer?”
            “Pelo amor de Deus,  nem tenho celular. A única coisa que sei é rezar o Padre Nosso, de cor e salteado. Será que não serviria como senha?”
            “Sinto muito, senhor,  mas sem senha, o inferno é a serventia da casa! Se mande pra lá. É o único lugar do mundo onde ainda dispensam senhas.”

                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com

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sábado, 10 de outubro de 2015

LER, COMPRAR, ESCREVER




artigo publicado no jornal o Estado do Maranhão,
quinta-feira, dia 08.10.2015


Afinal de contas, uma Feira de Livros, a que será que se destina? Diante de uma pergunta dessas, muitas interpretações acadêmicas, todas evocando o papel da difusão cultural e o engrandecimento do saber popular, se  ouviriam e, não estariam, de fato,  erradas.  Porém, sendo lícito supor que se move na difusão do livro em si, o começo e o fim do propósito de uma feira de livros como se responderia aos estudantes, que para lá se dirigem, se estes perguntassem: “Mas o que há de prazeroso nisso?”
            Qualquer leitor calejado poderia lhes responder: “Três dos maiores prazeres do mundo: ler, comprar livros e escrever”. Porém se um desses personagens fosse além: “Mas, dentre esses, qual seria o prazer maior?”,  só restaria a opção de compará-los para encontrar uma possível resposta.

            1.Escrever. Um personagem de um recente filme de sucesso diz em sua fala que “É necessário viver a vida em plenitude, e não apenas sobreviver”, o que é, em outras palavras, uma versão do que já fora dito por Dostoiévski  em um de seus romances : “ O segredo da existência humana consiste não apenas em viver, mas em encontrar um sentido para viver” Pois escrever, ao contrário de ser uma chatice como disse arrogantemente o escritor Chico Buarque, é justamente (pelo que se depreende dos escritores que levaram essa tarefa a sério), essa compulsão de viver em plenitude, o que acontece quando alguém se entrega à tarefa de interpretar, e recriar o mundo, primeiro para si, depois para o alheio.




                                                        






            Esse tipo de exercício, provavelmente, era o que fazia Maranhão Sobrinho, poeta maranhense, ao escrever seus poemas em botequins, rabiscando-os  em papéis de embrulho, diferentemente de Chico Buarque de Holanda que, como se sabe, precisa ir a Paris para escrever seus romances , residindo aí a razão, talvez,  de achar isso tão chato. Recuado em seu luxuoso apartamento sob os céus de Paris não terá alcançado a plenitude a que me referia acima e que extasiava o pobre –financeiramente – Maranhão Sobrinho. Diríamos que o compositor carioca (será mesmo escritor?)  não pegou,  nem jamais pegará o espírito da coisa.

            2.Comprar livros. Até as crianças se rejubilam com a dádiva de receber presentes, sendo maior, no entanto, quando você se dá o próprio presente, o que acontece quando você compra livros para si. E, principalmente,  quando você o descobre com algum esforço de pesquisa (a preço de banana, então nem se fala!) – o que faz a paixão dos colecionadores e bibliófilos.





                                                   






            Se ler um livro, como já foi dito, é viajar sem sair do lugar, o que há de mais extasiante do que levar uma viagem ou um mundo novo para casa, com a possibilidade de deixar o livro na estante e poder viajar quando quiser?
            3.Ler. A estas alturas, será que ainda carece falar desse último prazer? Será que a simples menção dos outros dois já não nos conduziu a este último para solucionar definitivamente a questão? Sim, porque o que seria dos primeiros se não existisse este, que  é a chegada, a causa e a partida?
            Certamente, se escrever é potencializar a plenitude da vida  e comprar livros um vício irradiante, nada supera o prazer de ler, sem o qual não haveria os outros dois.

            Para a Feira, então senhores, que 3 dos maiores prazeres do mundo, os esperam!

                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com                                                                        http://www.joseewertonneto.blogspot.com

sábado, 3 de outubro de 2015

O FLUMINENSE NAS COSTAS




ou O PESO DO MOLEQUE CRAQUE NAS COSTAS DO CRAQUE MOLEQUE



artigo publicado quinta-feira no jornal
o Estado do Maranhão


Ronaldinho Gaúcho é, talvez, o ultimo craque-moleque do futebol. Moleque no sentido que tem a ver com o lúdico e o irreverente  no  trato de sua atividade futebolística, em que destacou-se com raro virtuosismo. No seu caso específico, tão moleque que extrapola o exercício futebolístico com uma visão do mundo coerente com o que mostra em campo. Daí que, milionário, dá-se ao luxo hoje de ser inconsequente com sua profissão, tornando-se um antiprofissional assumido a favor de festas e bebedeiras, tão comentadas no jargão do jornalismo esportivo.





                                               





            Esta semana Ronaldinho Gaúcho saiu de campo vaiado pela torcida do Fluminense para, logo depois, ter seu contrato rescindido pela diretoria do clube, como se fosse  um perna de pau qualquer. Situação esta que em tudo contrasta com as festividades de três meses atrás. Então eram festas, aplausos, plumas e paetês na sua apresentação para a torcida. Aos que se recordam,  o motivo aparente da festa era a contratação de um jogador fora de série e de prestígio internacional. Porém, por trás desse motivo aparente estava o principal: dar-se um drible em Eurico Miranda presidente do Vasco e, por tabela, no clube rival.
            E é aí que entra o segundo personagem da história e do título desta crônica: o moleque craque. Não mais o craque-moleque Ronaldinho, mas, agora o moleque-craque 



                                                 






Peter Siemsen, presidente do Flu, de 48 anos. Ele que (exatamente igual aos cartolas anacrônicos e fanfarrões que ele repudia, como Eurico Miranda) achou-se no direito de também dar um drible no adversário, custasse o que custasse. E tomou a inciativa de passar o Vasco para trás na história da contratação de Ronaldinho Gaúcho. Depois de ter sido anunciado no Vasco, o moleque-presidente surgiu em surdina e, oferecendo muito grana, levou Ronaldinho Gaúcho para as Laranjeiras. E deve ter pensado: “Que drible, hein! Agora vou partir  pro abraço”.

            Hoje todos sabem que fim levou a história do tal drible. Ronaldinho Gaúcho, como era de se esperar, estava mais preocupado em rebolar nas baladas que promove, do que em driblar dentro de campo. Resultado: seus dribles se tornaram dos mais caros da história e cada drible seu, afinal de contas, custou a bagatela de 500 mil reais para o Fluminense.
            E tudo porque o moleque presidente também quis dar uma de craque. Está claro que a rescisão de contrato não vai sair barato para o glorioso time das Laranjeiras. Até mesmo porque se Ronaldinho tá pouco ligando para a grana, seu empresário e irmão Assis está. Ele não tem culpa se oferece um drible de seu irmão por 500 mil reais  (no ocaso da carreira dele) e, a essas alturas, ainda encontra quem pague . Que se apressem, pois os cartolas porque o contrato está em dólar e a conta está subindo.



                                           





            É por essas e outras que, mesmo fanática, a torcida de um time deveria pensar duas vezes antes de vaiar um grande jogador, pelo menos em respeito ao seu  passado. Ronaldinho Gaúcho não tem culpa se foi contratado. Seria muito mais válido e salutar para as tradições e as muitas glórias do Fluminense que vaiassem ao invés do craque-moleque, o moleque-craque. Que continua por lá.
                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com                                                                        http://www.joseewertonneto.blogspot.com


sexta-feira, 25 de setembro de 2015

TUDO TEM SUA PRIMEIRA VEZ




artigo publicado ontem, quinta-feira
no jornal o Estado do Maranhão

A primeira prefeita do Brasil foi Alzira Soriano, eleita em 1929 na cidade de Lages, RS. Quase cem anos depois Dilma Roussef tornou-se a primeira mulher eleita presidente. Ou seja, tudo tem sua primeira vez, ainda que tardia.

1.Sexualmente Newton nunca teve “sua primeira vez”
            Será mesmo? E como podem ter tanta certeza, os historiadores? Parece que a maior desvantagem de alguém ser gênio, é justamente isso: ter sua vida esmiuçada a ponto de saberem até que o sujeito morreu virgem.  Sabendo-se perfeitamente que, para nós, mortais comuns, ninguém faz questão de saber disso, nem nós mesmos.




                                      





            Portanto, a primeira vez de Newton deve ter sido com a maçã. Que, não ficou grávida, mas em compensação permitiu a Newton descobrir a Lei da Gravida-de.

2.A primeira pessoa analisada em um divã foi Anna O...por Freud.

            Dizem os maldosos que a primeira experiência  de Freud não deu certo porque o cientista estava mais interessado no O... do que na Anna. Hoje a psicanálise evoluiu tanto que as análises nos divãs são mais conhecidas nos corredores da  Globo como testes do sofá.
3.O primeiro método para evitar uma gravidez realmente funcionava, já que afugentava os homens. As egípcias colocavam pedras no útero que funcionavam como um verdadeiro DIU.
            Parece evidente que para os egípcios de antanho  havia uma pedra no meio do caminho, (como no poema de Drummond), ou  melhor pedrinhas.  Não  teria  sido daí que surgiu esse talento, até hoje inexplicável, que permitiu aos egípcios construírem suas magníficas pirâmides, pedra sobre pedra?

4. O primeiro europeu a experimentar chocolate foi Cristóvão Colombo.

            Mas que ninguém se precipite em acreditar que o ovo da história do “ovo de Colombo” (que toda criança sabe de cor) era de chocolate.

                                             

                                                  





5.O primeiro telefone do Brasil foi instalado na casa de D. Pedro II , no Rio de Janeiro, Brasil em 1876. Ligava o Palácio Imperial ao Quartel do corpo de Bombeiros
            Mas sua instalação teria sido solicitada bem antes por quem  melhor a utilizaria: no caso, Carlota Joaquina, para exigir uma visita ‘rapidinha’ dos cadetes do Corpo de Bombeiros ao palácio, para executarem exercícios de sodomia, que ela tinha imenso prazer em praticar. 
6.A primeira vitória da ciência sobre um fenômeno natural foi a invenção do para-raios, por Benjamim Franklin, em 1753.
            A partir daí aconteceram sucessivos nocautes da ciência sobre os fenômenos naturais, mas entre eles, é bom lembrar, não está incluído o Viagra. Embora tal descoberta se sobreponha ao fenômeno natural da brochada, é bom lembrar que esse se deu por acaso e não a partir de estudos e análises científicas.

7.Theodore Roosevelt, presidente norte-americano,  foi o primeiro presidente a viajar em um submarino.




                                         





            Já Dilma Roussef, do Brasil, foi a primeira presidente a afundar, sem submarino,  no imenso mar da corrupção que começou a inundar, de repente, seu alegre país de outrora.
                                                                                                                                                                                                         ewerton.neto@hotmail.com

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quarta-feira, 23 de setembro de 2015

O PROBLEMA DO BRASIL É TÉDIO




" Se o Brasil fosse um paciente, os médicos da emergência o diagnosticariam como em fase terminal"
Financial Times



Já os médicos especialistas logo descobririam que o problema do Brasil é tédio; O país, a Terra Brasil, está entediada! Não aguenta mais os brasileiros que estão acima dele. E não é para menos:

TEM OS CHATOS DE SEMPRE:

FAUSTÃO, FELIPÃO, PEDRO BIAL, RENAN CALHEIROS, LULA , DILMA ROUSSEF, AÉCIO NEVES, JOSÉ SERRA, SUZANA VIEIRA , MARINA ETC.

TEM OS ENTEDIANTES DE UM TEMPO PARA CÁ

CHICO BUARQUE, CAETANO VELOSO, LUIS FERNANDO VERÍSSIMO E MAIS UMA PENCA DE INTELECTUAIS DA ESQUERDA CAVIAR

TEM O QUE CHATEIA PRA LÁ DO FUTURO E DA ETERNIDADE
DUPLA SERTANEJA, LEIS BRASILEIRAS EM CIMA DE LEIS BRASILEIRAS, IMPOSTO DE RENDA, CORRUPÇÃO, LADROAGEM E MENTIRAS.


O BRASIL  NÃO AGUENTA MAIS ESSES BRASILEIROS, SE ENCHE DE TÉDIO E FICA DOENTE

PARA APRENDER O QUE É TÉDIO:







POBRE BRASIL!

sexta-feira, 18 de setembro de 2015

BRASIL, UM PAÍS DE MORTOS-VIVOS




UM PAÍS DE MORTOS-VIVOS






A catastrófica administração petista só podia nos levar a isso: interpretações cadavéricas. Como na frase de um cacique peemedebista: “A exumação do CPMF pode afundar Dilma de vez no volume morto”. Frase de um cacique  ou de um pajé? Mais certo que de pagé, ou, melhor, de qualquer um que dialogue com mortos.
            Mas, pensando bem, hoje alguém nem precisa ser pajé para evocar o ambiente funéreo que a choldra de corruptos, encastelada no poder,  implantou  no  outrora alegre país da alegria e da  felicidade. ( Essa senhora felicidade que se ausentou até das baladas juvenis, substituída por terror e bala, como na Patrimônio Show, no Centro Histórico de São Luis)
            Vejamos a  quantas anda o ambiente mortal referido acima,  neste Brasil tão combalido. Não da Morte dolorosa e pungente,  peculiar ao futuro de todos aqueles  que ainda estão vivos , mas em seu aspecto mais desolador, deletério e... Tragicômico: 

            1.Cadáveres. Eles se sucedem a caminho do cemitério, depois do longo velório passado na cadeia, patrocinado pela Justiça. Zé Dirceu, Genoíno, Delúbio, Vaccari  e ...dizem,  em breve Lula. O inferno? Esse só na próxima etapa.




                                       





            2. Exumação. O CPMF, conforme referido acima é o mais notório. Mas ainda há muito imposto a ser exumado para assombrar a vida de quem trabalha honestamente.
            3.Zumbis.  Eles não dormem, não tem tempo para isso. Dedicados a averiguar a infindável trilha de corrupção deste país, dias e noites são insuficientes para eles, abnegados discípulos de Sergio Moro empenhados em limpar esta nação. A corrupção é tanta e a limpeza tão difícil que, para eles, só inventando o dia de trinta horas e o alfabeto de cinquenta letras.




                                               





            4.Assombração. Em matéria de assombração, o país está farto, extrapolando  até a raia política. Se em matéria de política há assombração para dar e vender: Fidel Castro, Hugo Cháves, o caso Celso Daniel, etc ;  na telinha da Globo as assombrações persistem em não se aposentar  preferindo a sina de ficarem assombrando a população: Galvão Bueno, Ana Maria Braga, Suzana Vieira e mais uma penca.  Até mesmo se você, caro leitor, por acaso e infelicidade for necrófilo e gostar de transar com assombrações, até mesmo isso o país tem. Que tal um pornô de Rita Cadilaque?

            5.Volume morto. Para apreender o que significa esse termo ultimamente bastante usado nestes dias sombrios, basta fazer uma abstração, caro leito. Quanto daria de volume morto caso  se juntasse  toda a dinheirama roubada no petrolão, em cédulas de cem reais? (Claro que isso só seria volume morto para os acionistas e para o povo, já que para os  corruptos se trata de volume muito vivo) .


                                                 



            Exemplificando melhor. Será que  a dinheirama  daria para encher o volume de quantos Bonecos Pixulecos infláveis? E não seria essa uma medida muito mais accessível ao povo que os estratosféricos números da roubalheira?
            Qual, não daria certo! O problema é que nunca se sabe se o volume de um Boneco Pixuleco com o rosto de Lula está  vivo ou morto,  -  de tanta facada que leva do povo revoltado.                                                                                                                                                                                                       ewerton.neto@hotmail.com                                                                                       http://www.joseewertonneto.blogspot.com


domingo, 13 de setembro de 2015

O JULGAMENTO DAS FORMIGAS



texto publicado no especial do Caderno Alternativo,
aniversário da cidade de São luis, terça, dia 8


Pode um julgamento de formigas, feito por seres humanos? Pode, se  for   em São Luís do Maranhão, isso porque no Maranhão pode tudo, como dizia o padre Antônio  Vieira.  O episódio aconteceu em 1712. Vamos aos  detalhes,  para melhor ajuizarmos do que as formigas são capazes. Ou os seres humanos. Ou os poderes de Deus.
            Os documentos existentes vão de 1712 a 1714. No Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro existem cópias parciais e as peças finais do processo, faltando-lhes a petição inicial e as peças finais. Não se sabe exatamente   quando o processo iniciou nem quando chegou ao fim, desconhecendo-se , a sentença final. (Ver Guia de São Luis do Maranhão, de Jomar Moraes,  aliás referência imprescindível e única sobre aspectos e fatos marcantes de nossa cidade,  em vias de reedição, conforme o autor).  O exercício deste cronista foi tentar esclarecer detalhes que faltam à História, inclusive quanto a sentença.

            1.As rés formigas. Como se sabe as formigas constituem um dos  grupos de insetos mais populares do mundo. Pertencentes ao Filo Artrópoda e à ordem Hymenoptera, elas são encontradas em toda parte, exceto nas regiões polares. Como o fato se deu nos trópicos há certeza, portanto, de que elas por aqui viviam. E, por serem, além de populares, ladinas -como denunciaram  os padres -,  é de se esperar que, almejassem algum cargo público (formigas como se sabe, são muito menos danosas do que os políticos, atuais e de sempre).




                                           






         2.A acusação. Elas foram acusadas de duplo crime: furto qualificado e dano. Furto qualificado, devido às trilhas subterrâneas que abriam para subtrair a farinha armazenada na despensa do Convento de Santo Antonio. Quanto ao dano, sabe-se que esses milhares de caminhos do furto punham em risco a segurança do imóvel conventual.
         Comentário. Não há como negar que o crime perpetrado era seríssimo. Embora hoje só se considere como roubo qualificado, de carro de luxo pra cima, (a la Collor de Melo) deve-se ter em mente que naquela época farinha valia mais do que lombo de burro  -o mais sofisticado meio de transporte de então -,  e comer bem é que era um luxo. Já quanto à segurança estrutural do prédio, o que existe de prédio desabando hoje no Centro Histórico, dá uma noção do quanto esses pequenos animais eram capazes de causar danos irreversíveis.

         3.Os acusadores. Os frades do convento de Santo Antonio. É de supor que tenham se decidido pelo processo somente depois que reza nenhuma adiantou. Embora hoje se tenha esse tipo de acusação na conta de inusitada e esdrúxula, a ideia pode ter sido fruto de uma inspiração divina. Deus deve ter subentendido às vítimas ( os padres) que se ele não tinha poder sobre os homens, que dirá sobre as formigas!
         Comentário. É bom lembrar que na época não havia Detefon, Baygon  ou outra inseticida qualquer. Formiga era combatida na base do  tapa. A luta era inglória, portanto.  


                                           




         4.A razão dos acusadores. O que poderiam esperar da Justiça os padres?

         Comentário. Da justiça humana pouco se deve esperar nesta terra, já dizia outro padre, o Vieira. No entanto, era preciso sensibilizar o rei ( uma espécie do Tribunal Superior  dessa época ) para que este se decidisse a dotar os padres de maiores recursos para o combate. Provavelmente, os padres quisessem mesmo era se mandar para outras plagas, livrando-se de índios, formigas, cobras e  adjacências se o melhor que poderiam fazer por aqui,  que era transar com as índias, não lhes era permitido usufruir,  por serem padres.

         5.A defesa (das rés). Em 15 de janeiro de 1713 protestaram as formigas em audiência de 15 de janeiro de 1713, formalizando, pelo seu curador, o seguinte documento:

(...) Provarão as embargantes formigas que lhe não devem prejudicar as ditas testemunhas José Rodrigues da Paz, Teresa do Rosário e Mônica da Paz, por serem como são, terceiras da Ordem de São Francisco e particulares amigas do reverendo autor e mais religiosos e por serem como são filhos de Antônio da Silva Paz, procurador contra as rés embargantes e, nesta forma nunca não haviam de querer dizer contra o Reverendo Autor embargado e na mesma forma(...)

         Comentário. Ao colocarem as formigas suas defesas nas mãos de um ser humano isso configura, sem dúvida, uma anomalia jurídica. Era de se esperar que fossem defendidas por alguém do reino animal, outra formiga, ou na pior das hipóteses, um cavalo ou um cachorro. A tradução não seria um grande empecilho, já que, de regra, o linguajar jurídico é muitas vezes mais intraduzível, do que a fala animal. De qualquer forma, apesar dos pesares a defesa das formigas na medida do possível estava bem representada e o protesto tinha fundamento. Como poderiam as acusadas aceitar o testemunho de gente que tinha vínculo com os padres? E, por outra, quem testemunharia a favor das formigas? Por acaso foram entrevistar alguma delas?

         7.O julgamento e a sentença final. Embora perpasse uma névoa de sombra nos registros existentes sobre o julgamento e seu desenrolar, admite-se com um elevado grau de confiança que as formigas foram condenadas. Tudo leva a crer que, como pena, foram obrigadas a se deslocar (via túnel que elas mesmo construíram durante anos e anos, coitadas! ) para um lugar ermo e abandonado na periferia da cidade que hoje sedia a penitenciária de Pedrinhas.

                                           





         Uma prova de que foi isso mesmo o que aconteceu é que nunca, em qualquer lugar e época do mundo, se foge tanto de uma cadeia via túnel como lá, onde está assentada a famosa cadeia. Quem teria ensinado esses indivíduos? Não seria uma herança maldita aprendida ao longo dos anos? Donde tanta inspiração para furar túnel, fugir e voltar a roubar? O que comprova a formidável herança obtida pelos criminosos atuais, daquelas que foram as primeiras criminosas em massa do estado do Maranhão.
                                                                                     ewerton.neto@hotmail.com
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sábado, 5 de setembro de 2015

O FIM É UMA QUESTÃO DE GOSTO




artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado

Pois é, “Tem gosto pra tudo neste mundo e ainda sobra pra ficar debaixo do boi”, dizia o caboclo diante daquele que dançava bumba-boi, sob uma indumentária bovina. Mal refletia, em sua simplicidade, que emitia um juízo definitivo sobre a maneira individual e específica de  cada um  proceder diante de cada ocorrência de sua vida. Encarar aquilo  que se anuncia como fim, como  um recomeço, embora possa parecer clichê, pode ser mais que isso, uma determinação de persistir e insistir fazendo aquilo que se ama e se tem prazer.
            Assim na vida assim também até na morte,  como se pode perceber pelos diferentes epitáfios de gente muito inteligente, ou dos prováveis epitáfios de outras,  nem tanto.

            1“Amigo, evite, por Jesus Sagrado, de cavar o pó aqui  enterrado. Abençoado quem poupar esses destroços, e amaldiçoado quem mover meus ossos.” William Shakespeare.

            2.“Esta sepultura  contêm tudo que era mortal de um jovem poeta inglês que em seu leito de morte, na amargura de seu coração, sob os olhares de seus inimigos, desejou que fossem escritas essas palavras em seu túmulo: aqui descansa um homem cujo nome está escrito sobre a água.” John Keats.

            3.“Em verdade vos digo, a semente do trigo caída na terra , se não morrer ficará infecunda, mas se morrer dará muitos frutos”. Dostoiévski. ( Palavras do evangelho de São João, subtítulo de seu romance Os irmãos Karamazóvi).

            4.“ Não tente.” Charles Bukóvski.




                                               





            5.“Contra ti me arremessarei, invencível e persistente, ó Morte!” (Virgínia Wolf, que se suicidou).

            6.“Disse o corvo. Nunca mais” Edgar Allan Poe. (Esses versos foram retirados de sua obra mais famosa, O Corvo).

            7.“Chamada de volta”. Emily Dickinson, (considerada pela crítica literária a mais melancólica das  poetisas  norte americanas). 

            Igualmente, pode-se imaginar qual seria o epitáfio de tanta gente célebre, num exercício não de futurologia, mas de gosto pessoal. (Deles).

            1.“Dei um duro danado para ficar branco e eis onde cheguei: a essa palidez mortal” Michael Jackson.

            2.“Tenho a impressão de que desta vez, pela primeira vez na vida, cheguei rápido demais.” Rubens Barichello.

            3“Minha agenda de entrevistas agora  vai estar lotada durante algum tempo. Já estão na fila Einstein, Martin Luther King, John Kennedy, Hitler e Napoleão Bonaparte. Ah, sim, ainda tem Deus. Estava esquecendo dele, mas vou ver se lhe arrumo uma vaga.” Pelé.

            4.“Nem vou sentir a  diferença. Durante muito tempo fui a esquelética mais bonita do Universo. Agora serei eleita  a mais bonita caveira. Dá no mesmo” Gisele Bundchen.



                                         





            5.“Comunico aos fiéis da Igreja  Universal  que se não deixarem de pagar o dízimo  no terceiro dia ressuscitarei” Lair Ribeiro.



                                                    





            6.“Depois de mais de 20 anos da operação lava-jato,  do centésimo pixuleco, e do milésimo corrupto, com a graça de Deus optei pelo ‘conforto’ desse caixão pra me livrar da cadeia. Mas na primeira  eleição que houver por aqui, as elites vão me pagar!” Lula.
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com
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