quarta-feira, 25 de setembro de 2024

O LATIM NO TEMPO DAS CADEIRADAS



O LATIM NO TEMPO DAS CADEIRADAS

“ Anos mais de evolução para frente, as pedras foram substituídas pelas cadeiradas. ”

 

Nossos ancestrais pré-históricos digladiavam-se com pedras e pauladas. Mas houve a evolução...Nossa inteligência aumentou, chegamos aos idiomas, ao pensamento grego, romano, ao LATIM, às frases célebres. E às cadeiras.

Anos mais de evolução para frente, no Brasil as pedras foram substituídas pelas cadeiradas. EVOLUÇÃO?

A escolha é sua, leitor, mas pelo menos, temos o latim para nos ajudar a chegar a uma conclusão.   

1.DURA LEX, SED LEX. “A lei é dura, mas é Lei”. Nestes Tempos: A cadeira é dura, mas é lei. Obs. E mais ainda se for madeira de Lei.

2.ECCE HOMO. “Eis o homem” Pilatos apresentando Jesus Cristo à multidão. Nestes Tempos: “Eis o homem (Pablo Marçal) que levou cadeirada! ”. Outras adaptações da Lei: Nenhum homem será o mesmo após levar uma cadeirada. Nenhum homem continua o mesmo depois de um chá de cadeira. Nenhum político sabe o bem que faz ao povo uma cadeirada em um deles!

3.VENI, VIDI, VICI. “ Vim, vi e venci” Frase de Júlio César em 47ac. Nestes Tempos: Se  Datena ganhar as eleições: Fui, dei uma cadeirada, e venci!.Se for Marçal a ganhar as eleições: Fui, levei uma cadeirada, mas venci.

4.MENS SANA IN CORPORE SANO. “ Mente sã em corpo sadio. ”

Nestes Tempos: Cadeiradas + Corpo doentes + Mentes insanas = Datena e Marçal .

5.IN VINO VERITAS. “No vinho está a verdade. ” Nestes tempos: Nas cadeiradas está a verdade. Ou “Não há como uma briga de cadeiradas entre políticos para expor a  VERDADE brasileira atual. “


 

segunda-feira, 26 de agosto de 2024

A BELEZA MORRE

 



A BELEZA MORRE

José Ewerton Neto

 

Guardo a impressão de que, a par da exuberância e fartura da beleza humana postas à disposição do público atual para deleite e consumo, somente duas personas da metade do século passado para cá exerceram esse fascínio a ponto de terem se transformado em sinônimos de beleza: No Brasil, Marta Rocha para a beleza feminina e, para o mundo, Alain Delon, como protótipo da beleza masculina.

O curioso é que mesmo numa época machista e preconceituosa quando esse apogeu ocorreu (anos 60 a 70) os homens não se sentiam constrangidos em revelar essa admiração com receio de   provocarem suspeição maldosa. Era comum se elogiar um sujeito bem aparentado chamando-o de Alain Delon, o que enchia de orgulho o objeto referente. Algo semelhante acontecia com o público feminino tratando-se de alusões à Marta Rocha.

Profissionalmente, é natural que Alain Delon haja perseguido sobrepor o seu talento artístico ao seu dom natural de propalada beleza física. Isso aconteceu, por exemplo, com Sofia Loren e Marylin Monroe (expoentes, na mesma época, da beleza física feminina).  Enquanto a norte-americana não o conseguiu da forma que ansiava, a esplendorosa atriz italiana impôs seu talento teatral desde cedo aferindo um Oscar por sua atuação em Duas mulheres, baseado no pungente romance de Alberto Morávia A Ciociara .  

Não lembro se Alain Delon ganhou algum Oscar de melhor ator ou coadjuvante. Assisti a vários filmes dele, especialmente os policiais, mas destaco, entre estes, uma fita que se tornou marcante em minha memória juvenil intitulada A primeira Noite de Tranquilidade. É um filme pouco conhecido, mas, neste, Alain Delon se desvencilha da decantada beleza (viciante e pegajosa em qualquer grande ator), para interpretar um professor amargurado, poético, misterioso e infeliz em sua relação conjugal, caminhando para a tragédia final que é sua primeira noite de tranquilidade: a morte.

Após sua ida soube-se que o ator que encarnou um dia o belo universal, talvez seu principal papel ao longo da vida, atormentado pela decadência física manifestou desejar ardentemente a morte através da eutanásia, o que acabou não acontecendo.

“A beleza é apenas a promessa da felicidade”, dizia Montaigne. Alain Delon há de ter sido feliz com ela, ou apesar dela, com suas mulheres lindas (Romy Shneider foi uma delas), sua misoginia “sic”   e sua vaidade, que o fazia referir-se ao astro Alain Delon na terceira pessoa. Mas a beleza também morre e o grande ator, beleza e glória eclipsadas, teve alcançada como desejada, ao fim, a sua primeira noite de tranquilidade. Tal o personagem do filme, que interpretou magnificamente.

 

artigo publicado no site https://www.immirante.com


sexta-feira, 9 de agosto de 2024

MINHA VIDA DE CAMISA LISTRADA



MINHA VIDA DE  CAMISA LISTRADA

José Ewerton Neto

 

Listas e listras. Listras são sedutoras. Nas vestes, nos enfeites e nos animais  ( zebras). Quanto às listas,  sempre fui vidrado por elas. Tenho desde o Livro das listas a até Listas  Extraordinárias, presente de minha amiga confreira,  poeta Laura Amélia Damous.

Esses dias, relendo revistas antigas deparei com uma edição da  revista Bravo ( certamente está na lista das melhores revistas já publicadas neste país) com sua lista  das cem canções essenciais da MPB.

Uma rápida olhada na seleção me fez constatar que lá estavam desde as clássicas inevitáveis até as menos votadas, da nossa cota pessoal. Do primeiro grupo Construção, Garota de Ipanema, Carinhoso, Detalhes, de diferentes compositores de peso. Do segundo grupo aquelas das quais nos apropriamos sentimentalmente na base do “somos eternamente responsáveis por aquilo que cativamos”, não é mesmo, Exupéry? No meu caso, lá estavam Baby, de Caetano, Ouça, de Maysa, Feitiço da Vila, de Noel, Marina, de Caymmi. Dentro desse espírito, comecei a ficar incomodado na medida em que percorria os títulos e ela não aparecia. Cadê a Camisa Listrada?

Escutei o samba Camisa Listrada pela primeira vez, quando, em criança iniciei o meu aprendizado de violão sob a batuta de meu pai, ele, um exímio instrumentista que tocava também clarinete e saxofone. Não sei o que me fascinou mais quando ouvi a canção, se a melodia repetitiva que, como no Bolero de Ravel vai num crescendo enquanto dramaticamente chega ao êxtase, ou se a letra que, com frases bizarras atordoa nossos ouvidos com precisão angelical e infantil. O início do samba “Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí”, é uma declaração de independência à brasileira, muito mais inspirada do que “Independência ou Morte”, por exemplo. Quando logo depois o samba descamba em um   “Mamãe eu quero mamar, mamãe eu quero mamar...”(expressão que mesmo quando soube que se tratava de uma gíria de época, jamais perdeu sua conotação pueril ) já o mistério e o êxtase, essenciais em toda obra de arte,  se completam.

Ora, listas! Se pretendem citar  os melhores hão de ser sempre incompletas e imperfeitas. No caso desta, quando busca as essenciais, isso me parece um artifício dos autores para se proteger dos inevitáveis esquecimentos que, no caso do genial compositor Assis Valente ( que suicidou-se na década de 50) foi apenas parcial pois incluiu sua canção E o mundo não se acabou.

Por algum motivo o samba foi considerado essencial e não Camisa Listrada ou Boas Festas, a mais plangente canção de Natal que já escutei, também de sua lavra. Vai ver que essas músicas são belas, mas não essenciais, assim como também, muitas outras , preferidas por gente de gosto, certamente,  mais refinado que o meu. Enfim, coisas de listas.

Mas a Camisa Listrada deveria estar lá. 


 

domingo, 7 de julho de 2024

O PISTOLEIRO, OU OS BRUTOS TAMBÉM AMAM


 

O PISTOLEIRO,  OU OS BRUTOS TAMBÉM AMAM

Jose Ewerton Neto

 

Um dos melhores filmes que vi,  não assisti em uma tela, mas li em uma revista de histórias em quadrinhos.  Na verdade, fotos em quadrinhos., reproduzidas dos filmes.

Em quadrinhos chamava-se O homem dos vales perdidos. No cinema se chamou ( na ótima versão brasileira do título original Shane,  Os brutos também amam ). Foi premiado com um Oscar teve  direção de George Stevens e protagonismo de Alan Ladd. 

Fiquei tão fascinado pelo que li repetidas vezes na minha adolescência em fotos P&B que jamais quis ver o filme na tela ou na tevê para não perder o encanto.

Dias atrás estava relendo a exegese do filme no mais-que-perfeito livro de Paulo Perdigão intitulado Western Clássico, quando constatei que muitas passagens de sua preciosa análise tinham correspondência na poesia intitulada O pistoleiro, publicada em meu  livro Cidade Aritmética, que ganhou um concurso de poesia na década de 90.

Teria sido minha inspiração para o poema,  anos após,  vindo do filme? Vejamos a extraordinária empatia estabelecida entre a análise feita por Paulo Perdigão e o poema,  exibida a seguir,  em estrofes da sequência do poema,  em paralelo com os recortes da referida análise.

 

1.PAULO PERDIGÃO:  (...) A solidão, a melancolia o princípio do heroísmo como atitude militar da alma, a masculinidade charmosa, o passado enigmático, esses os traços do aventureiro americano por excelência. Com eles se apresenta Shane ( o pistoleiro) , um personagem de tragédia, acabrunhado e cansado de mortes, vindo do horizonte , portador de uma aura de mistério que seduz...

O PISTOLEIRO (poema): De repente ele chegou:  Vestido de preto/ Feliz de altura/Gasto de sorrisos/Marcado de ira/ Remendado de coragem/Roubado de medo...Montado num corcel branco e relinchando pelo cano de sua pistola de prata/ Saboreando tantas vidas mortas no fumo preto do seu charuto grosso.

2.PAULO PERDIGÃO: Shane  é, antes de tudo, um trágico. Ele conduz a solidão, estatuto universal do herói. A solidão lhe dá grandeza e mistério Partindo sem destino para fugir à solidão, o aventureiro sempre a encontra em cada momento de sua jornada. Sozinho, ao chegar,  Shane continuará só,  entre amigos eventuais e adversários que o provocam.

O PISTOLEIRO (poema): (...) E , enquanto seu olhar de cobra/ feria o espaço e maltratava o infinito/O sol se escondia, covarde! / atrás de uma nuvenzinha qualquer. O fio que separa a vida da morte encurtou / até tornar-se um ponto/, maior, por um instante ainda/ que o ponto final / E a morte abriu  sua imensa boca

3.PAULO PERDIGÃO: Ao terminar o duelo, Shane percorre o saloom com os olhos. Uma expressão de tristeza pelo que acabou de fazer. Então, a mesma violência que produziu sua vida, paradoxalmente o conduzirá cedo ou tarde, à morte.

O PISTOLEIRO (poema): Saiu do Saloom/Desnecessário seria perguntar-lhe pelas balas/ ou o porquê de sua tristeza depois delas/ A verdade dos cadáveres valia-lhe um pouco mais/ Tanto mais agora que o sol da tarde de ira se punha no seu sorriso. /Mas não chorou, contudo,  por seu destino tragicômico/ De pistoleiro cruel morto por um THE END.

Que notável semelhança, na abordagem do mito do pistoleiro, intrínseco aos temas, não é mesmo, caro leitor?  Caso apreciem cinema, como eu,  sugiro que assistam o filme e leiam ao livro, uma edição da L&PM.E, se tiverem curiosidade vejam o poema no livro Cidade Aritmética que está na livraria AMEI, em seus últimos exemplares.  

quarta-feira, 12 de junho de 2024

QUANTO VALE UM NAMORADO?

 





QUANTO VALE UM NAMORADO

José Ewerton Neto

 

          Em  homenagem ao DIA DE HOJE uma oportuna  reflexão sobre o tema:

O Namorado, assim como outras moedas, depende muito do valor de  sua cotação no mercado. Em passado distante já foi moeda forte, embora Noivo valesse mais. Os tempos mudaram, a revolução dos costumes neste século foi tão veloz que uma namorada passou a ter maior valor que o equivalente masculino, principalmente entre as mulheres. Recente reportagem do Fantástico informou, no entanto, que os casamentos estão em alta de novo, especialmente os casamentos comunitários,  pelo baixo custo inicial aparente.

As mulheres voltaram a sonhar com um casamento de véu e grinalda, rumo ao altar ou a um Pix sempre acessível.  O certo é que, para facilitar os casamentos, hoje em dia qualquer pedaço de  praia serve como igreja, qualquer dono de bar serve como padre  e  qualquer  azulzinha serve de hóstia – com a vantagem de adiantar uma forcinha para o futuro marido, se ele for do sexo masculino.  As coisas, como todos sabem, não andam lá muito bem para o  lado da masculinidade.  

O certo é que a serventia principal de um namorado que sempre foi  a de elas se precaverem da Anuptafobia (medo de ficar solteira) parece ter voltado com alguma força.

Afora isso, até a sua segunda maior utilidade (como adorno pessoal para mostrar para as amigas) entrou em desuso com a possibilidade de elas usarem as soluções de relacionamento com a inteligência artificial oferecida pela net,  em quem elas descobriram uma enorme vantagem: não precisam fingir o orgasmo.

                   A verdade é que em comparação com outras moedas igualmente  populares  Namorado, ao contrário do dólar ou do euro, é uma moeda difícil de ser guardada. Não dá para guardar no bolso ou na mochila,  dentro do vestido ou em outro esconderijo. Não dá para retirá-los numa caixa eletrônica nem depositá-lo em bancos (não só porque os bancos comuns não aceitam,  como também os da praça nem  existem mais para namoro - o romantismo acabou).  Há ocasiões em que elas tentam guardá-lo dentro de si, mas, infelizmente, isso dura  pouco tempo.

                                      Ao indagar-se a qualquer uma delas a razão pela qual, no mundo de hoje em que são cada vez mais independentes,  ainda perdem tempo investindo em namorados ao invés de no bit-coin, por exemplo,  muitas  respondem que mais vale um namorado na mão que dois voando  embora saibam de antemão que sempre acabam pagando com juros. A sorte é que não são juros reais, mas disfarçados: “Juro que te amarei por toda vida!”

                           

 


quarta-feira, 1 de maio de 2024



Tenho a presunção vaidosa de propagar que o pintor Modigliani foi introduzido na fala de dois personagens, de contos,  de minha autoria em momentos distintos ( inconscientemente, ou seja, de forma não deliberada pelo autor) . Também  está presente na capa do livro O pequeno dicionário de paixões cruzadas, que considero muito bem realizada, de autoria de Natanael Castro.

Sem respaldo técnico para dizer isso, ou seja, falando apenas como apreciador, vim a admirar o Impressionismo como a escola da arte da Pintura cujos representantes atingiram a quintessência  e, entre eles, para o meu gosto pessoal, Amadeo Modigliani.

Lá está, nos retratos do pintor italiano, a extraordinária melancolia ( favor não confundir com tristeza) em posturas onduladas, extraídas da arte japonesa , cujo clímax é realçado pelos olhos vazados de seus modelos nos quais é possível intuir todo o mistério da alma humana, tão difícil de ser descrita por qualquer formato de arte. Assim, em determinados quadros, no meu modo de ver, seus olhos vazados dizem tanto da ambiguidade dos sentimentos humanos quanto o famoso sorriso da Mona Lisa, outro apogeu artístico.

Já conhecia um pouco de sua trajetória de vida infeliz, peculiar, aliás, a  tantos artistas da época, inclusive impressionistas, quando procurei conhecer um pouco mais do artista no livro Paixões de Rosa Montero, que trata das grandes paixões merecedoras desse nome  na humanidade.  Entre elas está a de Modigliani e de Jeanne Hebuterne, uma bela jovem que foi levada por essa paixão ao precipício, despencando, mais que do terceiro andar de um prédio,  de seu arrebatamento sentimental,  atraída pelo caos interno do próprio Modigliani.

Onde poderia se ocultar e, ao mesmo tempo, transbordar tanta paixão íntima a não ser naqueles olhos vazados? Eis aí mais um ingrediente que cabe perfeitamente naqueles retratos   e que podem explicar toda sedução que me despertaram as pinturas de Modigliani. A paixão.


domingo, 3 de março de 2024

NELSON RODRIGUES 2024


NELSON RODRIGUES 2024


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Se Nelson Rodrigues, o gênio da crônica e do teatro,  40 anos atrás já acertava todas, imagina se vivesse hoje.

 

1.A pior forma de solidão é a companhia de um paulista.

Mudou para pior. Hoje não há pior forma de solidão que  a companhia do som de música de dupla sertaneja.

2.Só os canalhas sabem rir.

Com que perfeição  sorriem nos dias de hoje alguns participantes do BBBrasil! Já repararam?

3. A opção do brasileiro está  entre a angústia e a gangrena.

Decididamente, a coisa evoluiu para pior. Hoje a nossa opção é entre Lula e Bolsonaro.

4.O brasileiro é de uma profunda religiosidade. Conheço um sujeito que tem 5 religiões.

A fé aumentou mesmo. Já vi gente com mais de dez  religiões, incluindo o Flamengo e a feijoada de sábado.

5.O psicanalista é uma comadre bem paga.

Hoje a diferença de um psicanalista para uma comadre é que a comadre fofoca a vida dos outros. O psicanalista  fofoca a vida do paciente.

6.Num casal há sempre um infiel. É preciso trair para não ser traído.

Enfim, Nelson antecipava que em uma relação sentimental, nunca dá empate, sempre um dos dois está ganhando. Se você desconfia que  está dando empate, é porque já está perdendo. Por via das dúvidas, pergunte a sua parceira (o) quem é quem nas suas fantasias sexuais. Claro que ela (o) dirá que é você. Finja que acredita.

7. Hoje o verdadeiro sábado é a sexta-feira, dia em que a virtude prevarica.

Como a prevaricação aumentou atualmente todo mundo começa a Sextar na quinta e vai chegar o dia em que vai segundar no domingo.

8. O sujeito que nega a existência de Deus devia ser amarrado num pé de mesa e ficar a beber água de gatinhas, numa cuia de queijo Palmira.

Nelson, como sempre,  devia ter razão, mas pior deveria ser o castigo para aquele que se diz agnóstico. Esse tem medo de assumir que é ateu ( por causa do inferno)   mas  quer posar de entendido em Ciência exibindo um nome bonito para se doar charme e credibilidade. Ou seja, por conveniência quer ficar em cima do muro. A esses é bom lembrar que Jesus Cristo disse: “Prefiro os quentes ou os frios. Porque os mornos, eu os vomitarei. “

8. Só existem duas coisas infinitas. O universo e estupidez humana.

Vladimir Putin, Benjamim Netanyahu e os terroristas do Hamas estão provando neste exato momento  que a estupidez humana ainda é maior. 





 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2024

NO RASTRO DE MÁRIO QUINTANA

 



SEGUINDO O RASTRO DE MÁRIO QUINTANA


 

Gosto de entrevistas. Quando se trata de escritores consagrados quase sempre se extraem boas reflexões sobre o ofício de escrever, de fazer arte e, principalmente, de viver.

No livro Viver&Escrever de  Edla Van Steen, que acabei de ler,  entre tantos escritores entrevistados privilegiei as respostas do saudoso poeta  Mário Quintana. E é no rastro de algumas de suas intervenções plenas de arguta lógica e sabedoria que  me referenciei para concatenar esta crônica.

1.Você se lembra de quando e onde descobriu que queria e podia escrever versos?

Ser poeta não é uma maneira de escrever. É uma maneira de ser. O leitor de poesia é também um poeta. Para mim o poeta não é essa espécie saltitante que chamam de relações públicas. O poeta é Relações Íntimas. Dele com o leitor. E não é o leitor que descobre o poeta, mas o poeta que descobre o leitor. Que o revela a si mesmo (...)  

De fato, na época dessas entrevistas, o poeta com notável premonição já antecipava o que está acontecendo hoje,  em larga escala , nas redes sociais.

Alguém duvida de que estas inauguraram um novo tipo de poeta: aquele que se tornou mais que poeta, um verdadeiro Relações Públicas de si mesmo?

2.Tentou alguma vez escrever conto ou romance?

(...) Depois de algumas tentativas reconheci que os meus contos só tinham um personagem: eu mesmo. Desisti.

Como seria bom para a literatura se todos aqueles que, carentes de ideias para suportar um romance, escolhem a si mesmo como foco e desatam páginas e mais páginas falando de suas elucubrações, tendo o próprio ego como centro de  gravidade, percebessem isso!   Como seria bom – diria- se tivessem a notável honestidade de um Quintana e desistissem de escrever romances.

3.Gostaria de comentar algo sobre a poesia de cunho social e político?

A poesia engajada? Eis aí uma questão com que, em certas épocas, costumam serem assaltados os poetas. Impossível não leva-la em conta quando se pensa no que fez pela abolição um poeta como Castro Alves. Mas querer obrigar todos a ser Castro Alves é forte. E, convenhamos, uma boa causa jamais salvou um mau poeta. Essa gente poderia fazer muito mais pelo povo candidatando-se a vereador.

Lembro que, na época em que viveram poetas como Castro Alves e Maiacóvski, estes detinham, por força do alcance da literatura, muito maior poder de alavancar multidões em torno de uma ideia. Então não havia a concorrência da imagem, disseminada pela chegada da televisão.  Hoje me parece haver certo desperdício no engajamento absoluto de certos poetas,  guardando a ilusão de que irão modificar o mundo a partir de seus escritos.

Quando são bons poemas, evidentemente, a boa poesia resiste a qualquer enquadramento, mas quando não são, acho que vale a lição de Mário Quintana:

Uma boa causa jamais salvou um mau poeta!.

Etc etc etc. Com o perdão de Quintana, sugiro que o leiam sempre. Esta é de uma edição de 1981,  Coleção LP&M Pocket.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

REVEILLON 2024: PRAZO DE VALIDADE

 



Tudo tem seu prazo de validade. Até o Universo que é infinito tem seu prazo de validade. E quem o determina é o tempo que você, humano, vive.  

Desconfio que o Prazo de Validade das coisas e das pessoas nunca foi  levado a sério como deveria pelas autoridades tanto é assim que quando você vai adquirir qualquer produto  a coisa mais difícil é descobrir onde se esconde o prazo de validade do mesmo

Mas estamos no Natal. Será que alguém se lembra de perguntar   qual é o Prazo de Validade do seu Natal atual ? Não, não estamos falando dos Perús, dos Panetones, das ameixas etc. etc. Estamos falando do Natal em si. Quanto tempo  vão  durar seus sorrisos, suas promessas, e sua  vontade de confraternizar com o resto do mundo?

1.PRAZO DE VALIDADE DO NATAL

Embora seu Natal tenha sido almejado  para durar o ano inteiro, você sabe que este não perdurará  tanto tempo assim. O problema é que o prazo de validade do seu Natal depende muito mais de você do que dele.

Ora, se você sequer acredita em Deus e apenas faz de conta que acredita no espírito de Natal e na Ressurreição sem sequer se esforçar, no dia festejado do nascimento de Jesus Cristo,   em conhecer o simbolismo de sua mensagem e mistério,  como esperar que seu Espírito Natalino possa durar?  Fácil é chegar à conclusão de que adulterado pela propaganda  e pelo consumismo o  Natal , hoje em dia,  está chegando com prazo de validade vencido. Infelizmente. 

2.PRAZO DE VALIDADE DO REVEILLON

E do Réveillon, o que dizer? Só consigo entender tanta loucura na festa do réveillon como a abrangência de promessas e perspectivas de um  mundo melhor . Só isso explicaria tanta badalação pela mera passagem de um ponteiro na marcação de um tempo comum.  O  dia 31 de dezembro à meia noite, quer queiram quer não,  não passa do registro cumprido mecanicamente pelos ponteiros dos relógios sem nada de especial. O tempo é relativo, dizia Einstein, mas não tem etiqueta.

Porém, quando programas deletérios e chatos como o   BBBrasil em sua centésima edição são anunciados antes mesmo da virada do ano, você é imediatamente assaltado pela premonição de que o Ano-Novo não trará nada de novo, e todas as demais desgraceiras como essa, vão continuar:  enchentes, roubos, politicagens, extremismos da direita , da esquerda, do céu, e dos infernos.  

Portanto, sabedor que o prazo de validade do réveillon 2024 poderá ser  muito curto, caro leitor, apresse-se. Sua duração será o tempo de tomar 3 ou 4 cervejas, ou cinco doses de cachaça e acreditar que o seu Flamengo, desta vez,  vai ganhar um título. Pelo menos um.


domingo, 10 de dezembro de 2023

A DIFÍCIL FAÇANHA DE SER.


 

ESSA DIFÍCIL FAÇANHA DE SER

José Ewerton Neto

 

Perdido sem saber onde está? Não se preocupe leitor, a tecnologia moderna o achará. Uma antena ali, um satélite acolá, um celular em suas mãos, e pronto.

Portanto, pelo menos em relação a onde estamos, ficamos resolvidos. O seu problema começa quando você tenta se identificar, ou explicar quem você é.

Isso sim, são outros quinhentos, e, pensando bem, já seria querer demais. Quem somos? Ora, para com isso, leitor, melhor deixar esse assunto para Deus, e olhe lá... Se a humanidade, ninguém sabe o que é nem para que serve, imagine você, pobre criatura, parte ínfima dessa humanidade. Quem é você???? Ora, tente se enxergar.

Estar é fácil, ser é que é difícil, aprendi num belo dia em que resolvi fazer uma inscrição para um desses editais à caça de uma graninha para sobreviver. Pediram-me  identidade, CPF, nome do pai, mãe,  CEP, palavra chave, frase de referência e, pasmem!,  identificação de gênero sexual  entre mais de vinte opções das quais eu não conhecia nenhuma. Perseverante, já estava chegando ao final quando me pediram o nome. No auge da ansiedade sonhei em como seria bom se houvesse uma única senha para substituir todo o restante. Logo percebi que estava delirando, tudo se confundia em minha mente eu dava voltas e mais voltas sem chegar a lugar algum. Meu Deus, e agora? Eles pediam meu nome e eu havia esquecido.

Irritei-me, mas logo cheguei à conclusão de que não valia a pena. Resolvi deixar pra lá  irritações, editais e meu nome convicto que, de  incerteza em incerteza, dia virá em que seremos acusados de sequestrar nossas próprias senhas. Seremos julgados e condenados como ladrões de senhas, hackers de nós mesmos. Então, quem sabe o suicídio surja como solução ao pensar que,  pelo menos , Deus, no paraíso, saberá quem somos.

Ledo engano. A tecnologia terá chegado por lá também e São Pedro (imaginando que seja São Pedro aquele velho de terno, gravata e com a cara entupida de botox, em frente a um notebook)  exigirá

“Digite a senha.”

“Como? Senha de quê?”

“Para entrar no céu precisa de senha.  Deus não lhe enviou a senha para seu whats’ app, enquanto você estava morrendo? “

“Desculpe, mas como iria acessar a senha se estava morrendo? Adianto, porém,  que ainda sei rezar o Padre Nosso. Não poderia servir como  senha? “

“Sinto muito senhor... sem senha o Inferno é a serventia da casa. Sugiro, porém, que  se apresse. Lá é  o único lugar do Universo onde ainda dispensam senhas.”

segunda-feira, 27 de novembro de 2023

ALCE AMERICANO...ÍNDIO


 

ALCE AMERICANO... ÍNDIO

José Ewerton Neto

 

Alce americano...Índio

Amo tanta coisa, tanta gente

Eu devo ir, o nevoeiro está  aumentando

Por que ninguém me entende?

 

Um belo poema, não, caro leitor? 

Talvez feito pela I.A, em um lance de sorte dessa coleta algorítmica,  grandiosa mas insípida, que raramente se traduz em um efeito poético minimamente  apreciável, como esse. Talvez, por outro lado, seja a reprodução de um desses poemas que povoam os raros cadernos literários,  impressos ou virtuais,  que pululam atualmente dentro da net, em que o conteúdo hermético dos poemas,   se confundindo  com  a falta absoluta de sentido,    é suficiente para merecer o destaque que lhes dão seus redatores.

Mas, singularmente, neste, há que se destacar o pungente, o inesperado, o comovente e o absurdo etc. ingredientes que, como se sabe, são mais do que suficientes para o traçado de um bom poema.

Afora o fato de ter sido falado por 4 grandes autores. ( Já ia dizer escrito, mas teria sido melhor dizer, com maior precisão, murmurado)

Sim, caro leitor, porque acima não está exatamente uma poesia, mas uma  coletânea aleatória de murmúrios de geniais autores prestes a partir.

Assim é que estão reproduzidos acima os últimos suspiros pronunciados pelas bocas de Henry Thoreau “ Alce americano...Índio “; Leon Tolstói “ Amo tanta coisa, tanta gente...” Emily Dickson “ Eu devo ir, o nevoeiro está aumentando” e James Joyce “ Por que ninguém me entende?”, curiosamente compondo um retrato ao mesmo tempo suave e denso, terno e dilacerante, delicado e pungente da existência humana, tão absurda – como disse  Clarice Lispector -  em seu definitivo uivo.

Mas um poema com certeza, já que toda trajetória humana, mesmo a mais insignificante para a história,  é um poema. E, com maior razão, a desses autores,  todos eles, capazes um dia de:  “ Ora, direis, ouvir estrelas!”


domingo, 10 de setembro de 2023

LENDO GAUGUIN



LI GAUGUIN

 

Li Gauguin.

Pera aí, mas Gauguin é para ser visto,  não lido. Que história é essa, cronista?

Explico, caro leitor. Li Gauguin , mas não em livro de Paul Gauguin, o genial pintor, mas de outro grande: o romancista Somerset Maugham.

O romance, que muita gente já deve conhecer pelo menos do título é Um gosto e seis vinténs, que eu havia adquirido há anos, num sebo e, como tanto outros que acumulei , aguardava a vez de ser lido. Comprei-o respaldado no que já havia lido desse autor: Servidão Humana e O pecado de Lisa, que tanto prazer de leitura me deram quando jovem.

Enquanto lia, cheguei a suspeitar que o personagem principal do livro, Strickland: um pintor que abandona a civilização e os interesses da vida comum para sair à caça da beleza e da verdade ( ou de como ambas se tornam unívocas  através da obsessão criativa) tinha traços do que eu conhecia da biografia de Paul Gauguin. Finda a leitura, relendo sobre a obra e ainda entusiasmado pela narrativa, minhas suspeitas se confirmaram. O autor se inspirara em Gauguin.

Um título estranho e um personagem complexo por trás de sua genialidade nem sempre são suficientes para seduzir um leitor, mas Somerset Maugham é um autor que não tem medo de transmitir a emoção contemplativa da Arte, através da simplicidade e mesmo de alguns clichês aqui e ali, em busca de trazer o leitor para o ambiente de arrebatamento, quase intraduzível,  da sina a que se propõe o personagem. O que consegue com louvor.

Para complementar esta sugestão de leitura basta acrescentar esta reflexão sobre o personagem Strickland que destaquei de um dos diálogos do romance.

(...) - E a paixão que escravizava Strickland era uma paixão por criar beleza. Ela não lhe dava paz. Levava-o de um lado para o outro. Era eternamente um peregrino, assombrado por uma nostalgia divina, e o demônio que tinha dentro de si era implacável. Existem homens cuja ânsia pela verdade é tamanha que para alcançá-la destroem todas as bases do mundo. Strickland/(Gauguin)  era assim.  


artigo publicado aos sábados no portal


https://www.imirante.com 

 

domingo, 3 de setembro de 2023

SOMOS FELIZES E NÃO SABEMOS

 



SOMOS FELIZES E NÃO SABEMOS

 

Nestes tempos bicudos que correm, nada como um bom exercício de futurologia para chegar à conclusão de que “ Somos felizes e não sabemos”

Veja só o que vem pela frente segundo futurólogos especialistas com base na Ciência e na Estatística:

 

1.Daqui a 50 anos, como hoje,  prefeitos de todo o país estarão em greve. Será reconhecido o direito de greve para quem não faz nada. Haverá sindicato de prefeitos, deputados, senadores e de Membros do STF ,  que farão greve anualmente em luta por melhores salários.

1.Daqui a 50 anos o Brasil continuará tentando ganhar a Copa do Mundo. De Bala Perdida, que será reconhecido como esporte de massa depois de solicitado pela CBF com intermediação do nosso futuro presidente da República junto à FIFA.  Já de futebol masculino terá desistido há 80 anos e de futebol feminino há 50.

2.Daqui a 50 anos extremistas da esquerda e da direita continuarão polarizando as eleições do Brasil do Brasil para presidente. Lula e Bolsonaro serão venerados como heróis da Pátria, de acordo com qual  grupo se instala no poder. Devido a essa alternância livros de História do Brasil serão revisados a cada 5 anos.  

3.Daqui a 50 anos a Guerra da Ucrânia ainda não terá terminado caminhando para ser a Guerra mais longa da História, de duração mais longa que a Guerra dos Cem Anos. E o presidente  eleito do Brasil anunciará como sua grande missão intermediar a Paz entre Rússia e Ucrânia julgando, (como hoje)  que tem poder e delegação divina para isso.

4.Daqui a 50 anos o único Estado do Brasil ainda viável será o Estado de Calamidade Pública.

5.Daqui a 50 anos no Brasil heterossexuais convictos, antigamente chamados de machões, serão reconhecidos como minoria. E estarão fazendo passeatas para reivindicar cotas para entrada na Universidade.  

6. Daqui a 50 anos a Inteligência Artificial substituirá o VAR na análise de interpretação dos lances polêmicos do futebol brasileiro. Mas as polêmicas continuarão intermináveis porque o IA terá aprendido a roubar os jogos. Para os mesmos.

7. Daqui a 50 anos Luan Santana completará 80 anos e será homenageado em especial da Rede Globo como um dos maiores da MPB . No especial, além de Anitta, em cadeira de rodas, mas seminua, estará  presente Jojo Toddynho anunciando, vitoriosa,  algumas  gramas abaixo do peso.

 

É mole ou quer mais?


domingo, 20 de agosto de 2023

UM K CHATO COMO Q

 


Foi o whats´app que consagrou o K. Antes este andava meio oculto, mais conhecido como coeficiente de segurança nas fórmulas da Matemática. Agora só se vê kkkkk pra cá kkkkkk pra lá. Até quem não é chegado a uma boa risada  se esbalda num kkkkk.

Antes este era apenas aquela constante que os cientistas colocavam nas fórmulas, por segurança, quando a igualdade não vinha de jeito algum. “ Bota um K aí que resolve”. E, pronto,  a coisa foi indo.

Mas o K talvez não quisesse mais o anonimato das fórmulas e, como todo ignorado que se preze, quis sair atrás dos holofotes e da mídia. Queria, como todo mundo, aparecer,  e assim chegou ao whats’app. Foi a glória!, embora, ultimamente, um pouco indigesta, pelo excesso de trabalho.

Porque, se pensarmos bem, o kkkkkk do whats’app nunca deixou de ser o que sempre foi: um coeficiente se segurança.  Contra a piada sem graça dita pelo amigo, ou pelo patrão; contra a falta de assunto; contra aquela informação científica que você não entendeu bulhufas.

E, como a vida atual ficou muito perigosa e o mais seguro para todo ser humano é se proteger com todos os coeficientes de segurança possíveis, deu no que deu :

 Kkkkkk na monotonia do trânsito; kkkkk nas dificuldades do trabalho; kkkkkk nas sensaborias  da vida.

Enfim, KKKKKKKKKKKKK neles!


segunda-feira, 14 de agosto de 2023

SÓ FALTA DOAR A ALMA

 


SÓ FALTA DOAR A ALMA

José Ewerton Neto

 

Volta e meia surgem reportagens estimulando as Doações, em si uma atitude de generosidade que só engrandece quem as pratica. O problema são as incompatibilidades.

Isso mesmo. Junta de cientistas acaba de descobrir que os órgãos dos pobres são incompatíveis para os ricos, por isso sugere que o potencial beneficiário rico pense duas vezes antes. A questão não é mais de desprendimento e generosidade, mas do que foi feito dos corpos dos pobres ao longo dos séculos.

 

Cabeça. A cabeça do pobre não serve para rico. É cheia de vazios ou, melhor dizendo, de buracos mesmo. Reais ( porque mora em um ) e imaginários ( se não sonhar com um buraco prazeroso , vai sonhar com o quê?).  Pobre não pensa no futuro e no passado e sempre acha que o presente é melhor esquecer,  ao contrário dos ricos. Definitivamente, um rico não aguentaria por muito tempo a cabeça de um pobre em seu pescoço. 

Pé. Todo pobre é pé-de-chinelo, portanto, pé suado e arrebentado, sofrido,  de andar muito. Calça sandálias sem qualidade,  depósitos de fungos e bicheiras. Não serve para circular em shopping-centers de luxo nem para subir em transatlânticos  rumo ao exterior. Para o rico o pé de um pobre nunca vai dar pé.

Sangue.  O sangue do pobre é sangue-de-barata. É sangue que não transmite vibração, a não ser quando está dançando reggae, forró, ou apanhando da polícia. Jamais serviria para um rico que precisa possuir o sangue azul dos nobres e arrogantes.

Peito. O peito do pobre é peito aberto, se não for pela natureza cordial é por causa de bala perdida ou endereçada. É um peito incompatível com o organismo do rico que precisa ter o seu absolutamente fechado para as coisas que considera  bobas,  como solidariedade e honestidade.

Pele. A pele do pobre é pele-de-cordeiro, de animal manso e obediente. Já a pele do rico tem que ser no mínimo parecida com a pele de um leão, de casca grossa, própria para a ferocidade de atacar quando põe a mão na grana dos mais humildes.  

Olho. O olho do pobre conduz um olhar pedinte, subserviente,  que só aumenta de tamanho quando leva um susto. Jamais se adaptaria às órbitas do olho de um rico,  que precisa ter o olho- grande para se dar bem.

Enfim, os cientistas descobriram que o pobre não serve mais nem para DOADOR. Está mais para doa-dor do que para doador. Só falta agora que doem as almas.


domingo, 28 de maio de 2023

SÉCULO XXI O SÉCULO DA CHATICE



SÉCULO XXI, O SÉCULO DA  CHATICE

José Ewerton Neto

 

Enfim, chegamos ao século XXI, o século da chatice. São chatos o imposto de renda, o VAR, as viroses, o aquecimento global, o BBBrasil, as músicas sertanejas, a CPI, os golpistas, o Alexandre de Moraes ...Eipa, paremos por aí. Será que tudo é chatice neste século? Nada de estranhar que se  pensem em coisas como A TEORIA UNIVERSAL DA CHATICE.

Oscar Wilde, o genial escritor inglês, dizia que não existe pecado maior que o tédio, mas não estamos falando de tédio. O tédio é parente da melancolia que, por sua vez, é filha da tristeza, que já nos deu muitas obras de arte. Que a tristeza, fique em paz, desta vez.

Estamos falando da chatice mesmo, algo que a sociedade moderna (século XXI) tornou imperativa para nos atazanar. É tão chato um vírus em seu corpo como no seu computador e no celular. De repente, não existem mais dores  de cabeça, febre, gripe, catapora, tudo é virose. Antes mesmo que você receba o resultado do seu exame – caríssimo!  - até  o papagaio de sua casa já está diagnosticando: Virose. Hoje, o ser humano não passa de uma ilha cercada de vírus por todos os lados. Quando eles dão uma trégua de seu corpo, partem para o seu computador.

Seria até bom se fossem  só as viroses! É tão chato um vírus em seu celular como uma secretária eletrônica. A felicidade obrigatória dos livros de autoajuda é tão chata quanto os strip-teases sentimentais do facebook  . Mas a chatice só ganha contornos de algo avassalador quando a maioria  aprova chatices tão generalizadas  que não há como escapar das mesmas – como o BBBrasil e suas imitações.

. A chatice espelhada pelo  BBBrasil o persegue seja lá onde você for. O mundo virou um palco para exibicionistas.  O que são as CPIs mais que Big-Bestas querendo aparecer a todo custo? E no seu emprego? E na sua escola?  Não adianta fugir. O mundo virou um amplo e insuportável BBBrasil.

Para encurtar caminho eis que surge uma definição que poderia ser um postulado para a Teoria anunciada. “Chatice é a liberdade de alguém lhe impor uma chatice da qual você não consegue se libertar.”

Mas, não seria essa uma definição um tanto chata? Fernando Sabino, o escritor mineiro tinha uma interpretação talvez  melhor : Chato é aquele que te rouba a solidão sem te fazer companhia.

Infelizmente para a Teoria não há definição que satisfaça completamente um chato e outras definições surgem, tentando resumir a chatice em uma só frase. Eis algumas:

1.A vida é chata, mas a outra opção é ainda pior.

2.Os chatos são os únicos imortais que existem. Porque Deus não os quer no céu nem o diabo no inferno.

3. O  ser humano deve sua existência à chatice. Se a eternidade não fosse tão chata Deus não teria inventado o Universo por  falta do que fazer. 

 

domingo, 16 de abril de 2023

AS MAIORES COISAS DO MUNDO

 



AS MAIORES COISAS DO MUNDO

 

artigo publicado no portal do imirante.com 

1.A maior torre.

A maior torre do mundo é a torre Eiffel desde que foi construída em 1889 em Paris com 300 m de altura.

Continua além de imponente, sedutora, tanto é assim que anos atrás  a norte-americana Erika Eiffel ( como passou a se chamar)  casou-se oficialmente com a mesma, em cerimônia transmitida ao mundo todo. Segundo ela, as razões  que a levaram a se casar com a Torre é que, embora não tenha como escondê-la da cobiça das concorrentes por ser grande , sua  grande vantagem é que lhe permanecerá eternamente fiel, ao contrário dos humanos.

2. O maior caçador.

O maior caçador do mundo foi o norte-americano Bill Lowen , falecido em 1890 na Pensylvania. Em vida Lowen matou 400 ursos, 3500 alces, 2000 lobos, 400 raposas, 200 gatos selvagens, 75 lontras e 50 panteras.

Isso supondo que dê para acreditar em história de caçador...

Hoje em dia é melhor confiar que os maiores caçadores – e bote caçador nisso! - ( de votos) são os políticos brasileiros em época de eleição. Usando como arma alguns trocados, surrupiados da própria caça com o Fundo Eleitoral, eles conseguem exterminar a cada 2 anos  as forças de centenas  de burros, milhares de antas e milhões de otários.

3.O maior palácio.

O maior palácio do mundo é o Vaticano, residência do Papa,  que é dotado de 12 mil quartos, 800 salas de espera etc e... Uma  cadeira de ouro maciço onde se senta o Sumo Pontífice.

É fácil supor que Jesus Cristo, caso  viesse  à Terra hoje e contemplasse seus sucessores sentados em cadeiras de ouro maciço , levantaria os olhos para o céu e imploraria ao Deus Todo Poderoso, como fez ao ser crucificado “ Perdoai-os meu pai , eles não sabem o que fazem!”

4. A maior palavra.

A maior palavra do mundo em qualquer dos idiomas vivo é  grega e assim se escreve: lepadotemachoselarimmatosilphickarahomelitokatakechumemenokichlepikossuphosliokghlopeleiolagoosiraivbaphsstraga-nopterugon.

A gigantesca palavra significa um delicado manjar grego preparado com peixe, carne de vaca, de porco e de aves, portanto um cardápio  tão variado em espécie de bichos, que cada letra deve significar uma espécie

A vantagem, para o restaurante, é que quando o cliente termina de pronunciar o pedido, já passou metade de sua  fome.

(Obs. Não perca a próxima edição desta crônica, com Mais das Maiores.)


sexta-feira, 3 de março de 2023

A BELEZA TAMBÉM MORRE


 

Nas  últimas semanas dois ícones da Grande Beleza sucumbiram. Gina Lolobrígida e Raquel Welch, ambas atrizes.  Anteriormente, da mesma geração, tinham ido Elizabeth Taylor, Marilyn Monroe, Ava Gardner. Que eu me lembre, desse time da “grande beleza” permanecem  Cláudia Cardinale e Sofia Loren.

Quando me refiro à Grande Beleza, falo de belezas estonteantes, que marcaram uma geração de fãs, numa época em que o foco das ilusões e de deslumbramento era o cinema e suas atrizes eram suas marcas mais exuberantes. Eram  tão belas que a constatação  parece óbvia: Já  não se fazem belezas como antigamente!

Embora o “amor à primeira vista”, de suas fotos,   mesmo para as gerações que não as conheceram  permita chegar, de forma enviesada,  a essa conclusão, penso, contudo,  que isso não seja verdadeiro  e a explicação, deve estar embutida no comentário anterior: o deslumbramento causado por suas aparições em filmes, fotos de revistas e calendários, acontecia porque havia um clima criado em torno e, sobretudo, concentração , o que era um terreno fértil para fomentar todas as ilusões possíveis  - desde as de atrativos sexuais até as platônicas. 

Ao  contrário de hoje, quando as belezas, paradoxalmente numa época mais favorável, devido à tecnologia posta a serviço da estética, são equivalentes, porém,  fragmentadas, dispersas, emocionalmente difusas num oceano de  imagens pululando a cada momento nas redes sociais.

Hoje não há mais lugar mais para a pausa refletida e para a contemplação e, consequentemente, para a imaginação e o sonho, que é o suporte da beleza confiável.

Isso explicaria, a meu ver, porque Sofia Loren, ainda viva,  foi a maior de todas. Havia a magia causada pelo seu magnífico olhar, pela sua sensibilidade e por seu talento, adicionados à sua beleza natural. Quem duvidar que leia Sofia Loren, vivendo e amando sua primeira biografia escrita, onde tais ingredientes são captáveis, no rastro  de sua trajetória vitoriosa, mas nem sempre fácil.  

Fica fácil entender porque ela ainda permanece,  mesmo descaracterizada fisicamente e erodida pelo tempo, no  degrau superior  da grande beleza. 

 

Artigo publicado no site http://www.imirante.com