segunda-feira, 24 de setembro de 2012

COMO IDENTIFICAR UM BOM CANDIDATO



Artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal o Estado do Maranhão, sábado, passado


Se a idéia que os eleitores brasileiros têm de seus políticos é a pior possível, deve-se reconhecer que a recíproca também é verdadeira. Só isso explica que um candidato contrate um carro velho disfarçado de trio elétrico, para fazer urrar, sob elevados decibéis, nos ouvidos de um potencial eleitor seu nome ou número, tendo ao fundo a música mais paupérrima e irritante possível. Uma, duas, três, milhares de vezes por dia, sem compaixão pelo sossego do pobre cidadão.
                        Ora, se um candidato acredita piamente que conseguirá votos dessa forma isso é o mesmo que acreditar, também piamente, que ele considera seu eleitor um idiota ou um retardado mental Equivale à crença de que é possível enfiar na cabeça de alguém um nome apenas pela sua mera repetição desenfreada, mais ou menos como faria um domador com o animal que pretende adestrar.  Ou seja, para eles o eleitor é um ser completamente estúpido.
                        Já que esse procedimento deve estar em dia com a abordagem aconselhada pelos seus marqueteiros, que tal tentar identificar  o bom político pela sua similaridade midiática já que até dentro de suas casas, numa tela de televisão, eles fazem questão de aporrinhar seus eleitores?

1.                Político Xuxa. É aquele que quando era pobre não se importava em ver (ou gozar) com a coisa preta. Agora, que está com a vida cor-de-rosa, dá uma de defensor das minorias. Baixinhos, altões, sapatonas, bipolares etc.

2.              Político Asa de Águia. É aquele que tão logo vê uma chance de locupletar-se com o dinheiro público avança em cima do voto do eleitor como uma águia. Mas, assim que se elege desaparece e voa. Feito a mesma águia.

3.                 Político Chiclete com Banana. É aquele que para se eleger promete o que lhe dá na telha: de chiclete a banana, passando por hospitais e foguetes interplanetários.  

4.                 Político Avenida Brasil. É aquele que acredita que seu eleitor é vagabundo ou não tem o que fazer. Por isso acha que toda ruela ou beco, por onde seu eleitor transita, é uma imensa Avenida Brasil que ele pode ocupar a hora que quiser com bandeiras, passeatas, carreatas e gritarias de acólitos e  puxa-sacos.

5.                 Político Mastruz com Leite. É aquele que só almoça em restaurante do Calhau e adjacências, mas em época de eleição se manda para o Mercado Central ou Feira do João Paulo e faz questão de comer até mastruz com leite com os feirantes – principalmente se houver uma câmera de televisão por perto.

6.                 Político Jô Soares. É aquele que antes da eleição faz graça para todo mundo rir, mas depois que se elege só atende depois das onze e meia.




7.                 Político Companhia do Pagode. É aquele político que se anuncia jovem, com quase quarenta anos, mas quer aparentar vinte graças ao Photoshop. Que nunca foi visto antes em lugar algum da cidade mas se for eleito, logo passará a ser visto em companhia de um bom  pagode.

8.                 Político Big-Brother-Brasil. É aquele que promete um milhão se for eleito e, depois de meter um bando de periguetes e  aventureiros dentro de uma casa alugada, faz de conta que aquilo é um comitê de campanha eleitoral.                                                                                          ewerton.neto@hotmail.com                                                                       http://www.joseewertonneto.blogspot.com

sábado, 15 de setembro de 2012

BRAZUCA, A BOLA DA VEZ



artigo publicado sábado passado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão


Chama-se BRAZUCA, com z, a bola que vai ser jogada de um lado para outro, durante a copa de 2014 e que dará o tom, nesse período, da alegria e do mau humor brasileiro. Esse foi o nome escolhido, numa competição em que derrotou suas colegas Carnavalesca e Bossa-Nova.
                        A escolha teria sido justa? Pensando bem, todo o povo brasileiro deveria ter sido chamado a participar.  Futebol é tão importante no Brasil que todos adorariam, mesmo porque se já são obrigados a votar em políticos que não conhecem e que não querem ver mais gordo, por que não se disporiam a votar em alguém ( a bola) que jamais ficará azucrinando seus ouvidos, repetida e cruelmente, dia após dia,  até chegar às eleições?
                        De minha parte, prefiro mesmo a Brazuca, mas devo reconhecer que, até nesse tipo de eleição, os candidatos são muito fracos. Começa que Bossa-Nova nunca foi nome de bola, não cheira a bola, nem tem sabor de bola. Como todos sabem, bola de futebol nunca foi coisa de Mauricinhos  e a Bossa-Nova, como todos sabem, foi um som ( às vezes magnífico, às vezes chatinho) egresso das reuniões da alta classe-média carioca, regadas a uísque importado e bom vinho. Bem ao contrário de onde se dá bem uma verdadeira bola de futebol, com serventia para sem- terras e com terras, pardos, cafuzos e sararás, com cotas e sem cotas.
                        Quanto à Carnavalesca, pior ainda. Já pensaram, durante a copa, o Neymar reclamando de que não consegue tratar bem a ‘Carnavalesca’ porque esta vive lhe chamando de ‘Mascarado’? E se a ‘quarta-feira de cinzas’ começar  mais cedo? Ora, dos males o menor, mesmo com Z e tendo gente dizendo por aí que o nosso ‘complexo de vira-lata’ falou mais alto e nos submetemos mais uma vez aos gringos, expulsando o s, para  agrada-los.
                        Pelo sim, pelo não, nada como tirar essas dúvidas com ela própria,  Brasuca, a brasileirinha que todos conhecemos:  apanha dos maridos, tem mais de cinco filhos , adora um forró e vibra mais ainda com novela do que com viagem de moto-táxi (este sem querer). Cujo sonho maior não era ser uma mulher –bola, mas uma mulher...Melancia
                                                                       

                        - E então Brazuca? Você está feliz com a vitória?
                        - Acho que sim, nunca pensei que alguém um dia  fosse se lembrar de mim.
                        - E agora, quando pretende sair do sonho e cair na real?
                        - Bem que eu gostaria que caísse algum real em meu bolso, tenho cinco filhos para criar, mas não sei não...
                        - Pelo menos agora você será uma mulher famosa no mundo inteiro. Já se acostumou com o z no lugar do s?
                        - Com o z no lugar do s, sim, mas o que eu gostaria mesmo era de um gringo no lugar dos meus maridos.
                        - Por que, você podia explicar melhor?
                        - E precisa? A idéia que a gente tem é que gringo não bate em mulher, não chifra a gente e tem bastante dinheiro.
                        - Mudemos de assunto. Você já pensou em como vai treinar para se dar bem na copa?
                        - E por que você acha que eu fui escolhida? Ora, filho, sempre fui treinada nisso de  levar chute de homem a torto e a direito: de escanteio, de pênalti, de lateral é comigo mesma, portanto, não vou  estranhar.
                        - Quais o  seus planos, então, para o futuro?
                        - Futuro? Acho que a única coisa que vai valer mesmo a pena para mim é o show de abertura onde espero conhecer de perto Roberto Carlos, Galvão Bueno, o Cristo Redentor e a Carminha.  Quanto a mim... Quem duvida de que se o Brasil perder ninguém vai culpar o Neymar, nem  o Mano Menezes, muito menos a Presidenta, que têm muito dinheiro? A culpa será mais uma vez da pobre Brazuca. Quer apostar?

                                                                                  José Ewerton Neto
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com                                                                       http://www.joseewertonneto@blogspot.com

sábado, 8 de setembro de 2012

SE SÃO LUIS...




Se São Luiz fosse uma mulher 
ainda assim  seria uma ilha.  Vá lá, o poeta disse que nenhum ser humano é uma ilha, mas São Luis teria de ilha o que somente certas mulheres têm: o comportamento reservado e especial, a pose paradisíaca, a aura oceânica cercando-a por todos os lados como  se dela pudesse jorrar, de repente...uma fantasia amorosa. Já repararam na reverência que salta aos olhos de quem observa uma mulher-ilha se aproximar?
                        Sendo ilha (o que nem de longe significaria que fosse orgulhosa ou inacessível) teria forçosamente também os braços longos, que avançam em direção ao resto do mundo. Pois é, suas pontes seriam seus braços e que braços! Acordam abraçando o alvorecer como a uma criança, seguindo depois para o quotidiano  e o que vier.
                        Sua cabeça - e com certeza São Luis não seria uma dessas mulheres espevitadas e sem cabeça – teria tudo para ser a mesma do poeta Gonçalves Dias, pequenina lá do alto em sua praça, contemplando o mar e a poesia.
                        Seu coração, quer queiram quer não, teria de estar no centro. Como todo mundo sabe, existe uma turma de administradores arvorados a  seus donos, que tudo fazem para remover seu coração dali. Ora, mais que insensíveis são, sem dúvida, péssimos cirurgiões, pois o coração de uma cidade, como o de uma mulher-ilha, é ‘intransplantável’. Alguns anos atrás, a cidade foi atendida em uma cirurgia que lhe reabilitou o coração, numa operação muito propriamente chamada Reviver. Ultimamente, alguns de seus administradores tem tido a iniciativa de revitalizar certas ‘artérias’ que inflamam seu coração. Demoraram a aprender que não há porque maltratar o coração de uma mulher que precisa, ao contrário, ser tratado com muito carinho. Pode-se dizer que esse coração, apesar de tantos maus-tratos acumulados ao longo de sua vida, resistiu à passagem dos séculos  e resistirá à dos milênios.   
                  Seus olhos, claro, não se parecem nem um pouco com os semáforos e as barreiras eletrônicas que ficam espiando qualquer distração do cidadão, para calcar-lhes uma multa. (Isso se chama extorsão). Muito ao contrário, seus olhos são vigias noturnos de sua tranqüilidade: movem-se como os vaga-lumes, e dia claro, já estão nos raios de sol que descendo  do céu clareiam a vida da cidade e sua paisagem.
               Seus ouvidos continuam imunes a todas as perturbações que a velhice, se é que podemos falar assim, lhe impõe. Aprenderam a ouvir de tudo: forró, reggae, trovões nas tempestades, foguetes no Reveillon etc., mas nada lhe causa mais incômodo do que propaganda de político. É impressionante como estes, que dela se propõem a cuidar,  sejam os primeiros a não terem dó dos seus ouvidos.  Imperturbável, ela sequer se protege com fone de ouvido, espera pacientemente pelo som da maresia batendo nos arrecifes quando chega a madrugada e pronto, está disposta para um novo dia. Além de bela: heróica e elegante.
            Quanto a seus pés, prefere andar descalça. Isso para não tropeçar nos buracos que seus administradores lhe impõem. Um buraco ali, outro ali, ela se fere acolá, mas jamais perde a elegância. Para isso  tem as pernas grossas de tanto subir as ladeiras  que a levam do centro à Praia Grande, seu roteiro preferido.

                                                                          

            Por fim, sua boca. Ah, sua boca, que não se parece nem um pouco com a de Angelina Jolie, ou de Carolina Dickman, e nem precisa! Parece-se isto sim com a da mulata faceira e sensual do grande escritor maranhense, e que se alimenta, além de beijos, de um bom  arroz de cuxá e peixe frito, no intervalo de um caranguejo e outro. Só não me pergunte onde, para não despertar ciúmes de donos de restaurantes. Aliás, essa mulher não é chegada a restaurantes pseudo-chiques do Calhau e adjacências. Já foi encontrada para os lados do Quebra-Pote, na Raposa, no Araçagi ou em qualquer lugar onde a poesia se misture com a comida. Já não se disse que o vinho é o prato intelectual da comida? Pois é, São Luis é o prato intelectual de qualquer restaurante da ilha, e, como o vinho, quanto mais velha melhor e mais saborosa para todo aquele que tenha o mínimo de refinamento cultural.
            Alguém a encontrou por aí? Por favor, dêem-lhe os parabéns por mim, e não se esqueçam de dizer-lhe que, mesmo quatrocentona, continua cada vez mais jovem e mais bela!

                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com
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sábado, 1 de setembro de 2012

JULIANA PAES GABRIELA X SONIA BRAGA GABRIELA




artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal o Estado do Maranhão



Juliana Paes x Sonia Braga. Se todo brasileiro gosta de novela   político parece gostar mais ainda. Repórteres do CQC foram entrevistar políticos em Brasília para investigar se eles se interessam mais por novela ou pelo Brasil. Alguém duvida da resposta? Do Brasil não querem saber, mas da Avenida Brasil...Todos sabiam da última de Carminha e  de quantos chifres tinha o Tufão etc., mas nenhum deles sabia citar os nomes dos  réus do processo do Mensalão.
                        - Zé Dirceu? Esse não era um jogador que jogava no Cruzeiro, no tempo de Tostão?
                        - Não, esse era outro Dirceu. O Dirceu Lopes
                        - Ah, sim, o Zé Dirceu... Acho que agora me lembro. Era o barbeiro preferido do Lula, não? O que ele fez ou deixou de fazer?
                        Alguns poucos se lembravam, vagamente, de quem era Zé Dirceu.
                        O que é muito compreensível. Por que um político (de verdade) se interessaria pelo julgamento do mensalão se ele já sabe, mais que ninguém, do resultado? Nas novelas, pelo menos, dá para se torcer por um final: previsível, mas ainda assim, um final. Já os julgamentos de políticos, como todos sabem,  tornaram-se  novelas de péssimo gosto: encenação,  atores pífios, e direção de reality show de segunda categoria esmeram-se para que as acusações se diluam no cotidiano do cidadão brasileiro, rumo à absolvição previamente anunciada. Cadeia, se houver, vai ser só para um passeio de fim de semana.

                        2. Mas a disputa ‘anunciada’ acima era entre Juliana Paes e Sonia Braga, e não Mensalão x Novelas. Nesta, há mais gente do que se pensa; motoristas de táxi, estudantes, donas de casa, papagaios e ursinhos de pelúcia empenhados em dar a sua sincera opinião. Afinal de contas, ser Gabriela não é para qualquer uma.
                        Como o ser humano é, por natureza, saudosista ( todo nascimento de alguém é um ato de nostalgia em que o bebê já nasce chorando de saudade da barriga da mãe ) Sonia Braga parece estar levando uma pequena vantagem. É que Juliana não consegue disfarçar, apesar da exuberância e sensualidade, que  já adentrou naquela faixa, de vinte e cinco aos trinta, que  são os ‘dez’ anos que mais custam a passar para uma mulher.  Se quiséssemos nos aprofundar, no entanto, o mais lógico seria que chegássemos a um empate técnico. Senão vejamos.
                        1. Beleza. Neste quesito eu, por exemplo, acho que sou mais a Sonia, embora  Juliana não seja – nem de longe! - de se jogar fora. Quer dizer, eu mesmo não sei. Quem sabe eu seja mais a Sonia por dentro (embora nunca vá saber, infelizmente), enquanto a Juliana é melhor por fora. Aliás, as duas se parecem tanto que Jorge Amado, hoje no céu, deve estar arrependido de não ter feito Gabrielas gêmeas.Uma pro turco e outra para ele - que me perdoe a Zélia Gatai.

                                                                      

                        2. Altura. Parece que Juliana é mais alta, mas será que isso é mesmo uma vantagem? Se é melhor para  trepar no telhado, como Gabriela gosta, deve ser bem pior para subir em árvores ou para dançar no meio da rua como ela também gosta. Igualmente, deve ser bem pior para dar uma escapada sem ser vista como ela gosta mais ainda.  

                                                                 

                        3. Sensualidade. Acredito que neste quesito Juliana ganhe por alguns milionésimos de diferença, não é mesmo? Provavelmente, a diferença deva estar está nos olhos de Juliana Paes “de ressaca parecendo uma epilepsia do mar” como disse de Capitu seu autor Machado de Assis. O escritor carioca falou isso se referindo a Capitu, mas deve tê-lo feito pensando também em Gabriela, de Jorge, o que evidencia, sem dúvida, um adúlterio intelectual, mas perfeitamente compreensível dado o que suas heroínas eram.
                        4. Gabrielismo. Qualidade de ser Gabriela. Já li o livro há tanto tempo que já não sei perfeitamente o que significa ‘ser Gabriela’, mas acho que deve ser uma coisa assim, meio baiana, do tipo “fingir tão completamente, que chega a fingir que é inocente  do desejo que faz os  homens sentirem”. Nessa história de Gabrielismo talvez facilite, (recorrendo mais uma vez a Machado) se dissermos  que Gabrielismo é aquilo que uma Capitu seria se tivesse nascido na Bahia, ao invés de no Rio.         
                        Portanto, é difícil evitar o empate embora  muita gente ache que não há como Sonia não ter sido mais Gabriela do que a Juliana está sendo, até mesmo porque, na época de Sonia ainda não havia sido inventado o Viagra. Ora, não era qualquer uma que seria capaz de fazer aqueles embolorados coronéis  transarem tanto num capítulo só. Era preciso ser muito Gabriela para isso!
                        Enfim, empate técnico, que há de soar para as duas como o título daquele filmezinho tão antigo:
                        “Matemática zero, amor dez.”                                                                                                                                                     ewerton.neto@hotmail.com                                                                      http://www.joseewertonneto.blogspot.com

sábado, 25 de agosto de 2012

O BRASIL VAI CHEGAR LÁ




artigo publicado hoje, sábado, na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão


Como todo mundo sabe, apesar do oba-oba, foi muito pífia a participação brasileira em mais uma olimpíada. Ficamos pra lá do vigésimo lugar no cômputo das medalhas conquistadas, a maioria nos esportes com bola. Ou seja, sem bola o brasileiro não ganhou quase nada, o que, aliás, está muito coerente com a vocação nacional de almejar sempre ‘ganhar uma bolada sem fazer nada’, como comprova a infinidade de candidatos picaretas que, saídos sabe-se lá de onde, percorrem as ruas da cidade atrás de votos nesta época de eleição.
                        Isso sem considerar mais um bronze ganho pelo Brasil.  A nossa atleta-presidente Dilma Roussef ganhou o título de terceira mulher mais poderosa do mundo segundo a revista Forbes , perdendo apenas para Hillary Clinton, dos USA, e Ângela Merkel, da Alemanha.
                        Para que ela se torne mais poderosa ainda e na próxima possa levar o ouro, sugerimos algumas ligeiras modificações nas modalidades olímpicas. Quem sabe assim o Brasil chegue lá.  

1.      Salto com Vara. Bastaria passar de salto ‘com’ vara para salto ‘na’ vara. Como as brasileiras sempre se gabaram de serem  boas nisso, o ouro logo estaria em nossas mãos. Basta lembrar que, além do elevado potencial, temos atletas consagradas, como as peruas da tevê brasileira. Para estas, como todo mundo sabe, basta botar um gigolô jovem na frente que viram campeãs, também, em salto triplo.
2.                 Revezamento 4x100. Temos bem mais que quatro especialistas em revezamento em busca de cem, mas alguns são mais perfeitos. Se não estiverem presos até lá (o que ninguém acredita) Delúbio Soares, Marcos Valério, José Dirceu e José Genoíno, terão a vasta experiência em mensalões  para garantir que se darão bem. Lembrando que o cem, no caso, é de milhares de dólares.
3.                 Tiro ao não-Alvo. Popularmente  chamado de  bala perdida é um dos esportes mais praticados no Brasil e tende a ser difundido ainda mais. Em nenhum outro lugar do mundo existem atletas tão talentosos em ‘acertar’ uma bala perdida como no Brasil. No Rio de Janeiro, sede da próxima olimpíada, então, nem se fala.!


                                                


4.                 Taekwondo. Traduzido do japonês ao pé-da-letra o Trazqueeudou é um esporte muito praticado em todo o território nacional pelas mulheres,  depois de intensamente divulgado pelas redes de televisão a partir de programas educativos como novelas e BBBrasil. Um detalhe nos enche de esperança em encontrar uma super-atleta: em nenhum outro lugar, mesmo nas antigas zonas de prostituição, o Traz-que-eu-dou é praticado tão bem como no Big Brother Brasil.
5.                 Corrida com Barreira. No Brasil, qualquer rua que se preze, de dois em dois quilômetros tem uma barreira eletrônica, o que torna qualquer brasileiro, minimamente considerado motorista de um veículo, um  especialista nesse esporte.
6.                 Natação, 200 m borboleta. Bastaria que fosse adaptado para natação 200m com muriçoca. Assim, se tornariam especialistas todos os brasileiros das populações nordestinas ribeirinhas dos rios, no final do ano. Se nosso comitê olímpico pretendesse descobrir um grande atleta era só esperar pela época das chuvas.  
7.                 Arremesso de disco. Bastaria que nos permitissem  escolher o disco. Qualquer disco de forró ou de música sertaneja entregue a um atleta com ouvido um pouco mais apurado já seria o suficiente para nos dar a vitória no arremessamento.

                        E assim por diante, mas se houverem restrições do COI para as adaptações acima citadas, que tal lutar para introduzir novas modalidades, desta vez  inspiradas nos políticos maranhenses em época de eleição? .


                                                                            

1.                 Segurar pau de bandeira. Nenhuma modalidade esportiva em qualquer época foi tão rica na exibição de até onde pode chegar a resistência humana. Basta observar o batalhão de mulheres que atlética – e heroicamente se dispõem a segurar pau de bandeira de propaganda política em cima das pontes para constatar que aqui se mede: paciência, perseverança, resistência ao sol, ao suor, á fome, ao baixo salário e ao vento poluído, mais que suficientes para reconhecer que essa modalidade original,  mais rica até que o decatlo, tem tudo para  ser introduzido como um esporte olímpico por excelência, a ser vencido pelas abnegadas brasileiras.                     
                        Como diria o escritor: “As nordestinas são, antes de tudo, fortes!”                                                                                        ewerton.neto@hotmail.com
                                                           http://www.joseewertonneto.blogspot.com

domingo, 19 de agosto de 2012

JUVENTUDE?



artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o estado do Maranhão, ontem,
sábado




“Esse é juventude” foi um dos slogans que ficou na minha memória, dos tantos que vi por aí de candidatos apregoando a sua juventude como atributo para conseguir o voto do eleitor. Ao lado do slogan, a foto do sujeito, aparentemente jovem, adicionada certamente - para consumo visual do público - dos efeitos rejuvenescedores das técnicas do photoshop.
                        Esses reclames se repetem à exaustão; ou no som torturante dos carros ou nas fotos coladas nas chaparias dos veículos, feito nuvens de muriçocas - dessas que passaram a infestar nossas casas, estimuladas pelo calor do verão.  “ Juventude e experiência”, “Juventude e competência”, “ Jovem e trabalhador” , “Juventude a seu serviço” etc. etc. A diferença, para pior, é que aos mosquitos se pode espantar com inseticida, enquanto que não há arma capaz de nos proteger desse ‘ataque avassalador de juventude’. O que provocou, dias atrás, o comentário mordaz de um conhecido, motorista de táxi: “Pelo visto, desta vez não teremos uma câmara de vereadores, mas uma creche”.
                        Donde se conclui que, pelo visto,  o simples fato de alguém ser jovem,  de repente, passou a credenciá-lo para ser votado, quando ao que se sabe o que deveria credencia-lo seriam suas realizações ou suas idéias. Alguma  explicação para isso? Qual a razão para a ostentação obsessiva de uma fase comum da existência, como se isso fosse um atributo?  Talvez a explicação passe   pela cultura atual de busca desenfreada da ‘eterna juventude’ , valorizada pela mídia com fins consumistas (conforme denunciado pelo filósofo francês Gilles Lipovetsky , nas páginas da revista Isto É desta semana)  ou talvez a explicação seja muito mais simplista: a parvoíce de um eleitorado bronco que se reflete no seu ato de votar em alguém  apenas porque este exibe um retratinho de adolescente, de sorriso abobalhado. O que faz recordar, muito a propósito a frase do escritor russo: “Até a mais radiante juventude,quando num balcão de negócios, transforma-se rapidamente em troco vagabundo e envelhecido.”
                        Esses candidatos e seus potenciais  eleitores,  parecem saber muito pouco de juventude. Quem sabe, consigam aprender um pouco mais:

                              

" A juventude é uma conquista da maturidade.” Jean Cocteau

" Existe muita gente que confunde curtir a juventude
com  juventude curta "


" A liberdade é uma ilusão da juventude.
A juventude é uma liberdade da  ilusão."


" A juventude é aquela fase maravilhosa da vida
que você só vive em plenitude, depois que
descobre que ela passou."


" A juventude é uma festa para a qual todos
são convidados, mas poucos entram, porque
termina cedo demais para os jovens
e começa tarde demais para os velhos".


"Hoje em dia não existe  mais juventude. A maioria passa diretamente
de criança precoce para adulto retardado"


"A juventude não é um  período de tempo, uma estação,
uma época para pessoas de pouca idade, mas um encontro, independente da idade, de alguém com seu próprio deslumbramento".

                                                           ewerton.neto@hotmail.com                                                                                                    http://www.joseewertonneto.blogspot.com

sábado, 11 de agosto de 2012

O MELHOR PRESENTE PARA UM PAI



artigo publicado hoje, sábado, na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão



A equipe de reportagem entrevistou algumas pessoas procurando saber qual o presente que os filhos estavam comprando para seus pais e o que lhes dariam, se pudessem.

            1. Pablo, 17, mora na Cidade Operária. Comprou-lhe uma gravata. Daria, se pudesse, uma periguete para ele parar de encher o saco da sua namoradinha de 15 anos, Keyla, que ele apelidou de Calú, dizendo-lhe piadinhas sem graça, e querendo se insinuar. (Calú – epa!, Keyla – vive ameaçando lhe deixar porque já não agüenta mais).   


            2. Marlon, 12 anos, mora na Cohab. Comprou-lhe uma camisa do Flamengo. Daria se pudesse o time inteiro do Flamengo, inclusive o Cáceres – que está chegando do Paraguai e um Cárcere (este do goleiro Bruno) para que o   pai, que se embebeda toda vez que o time perde, não ameace mais lhe expulsar de casa por não querer estudar. 

                                                                             

            . 3. Franco Júnior, 14 anos, mora no Felipinho. Comprou-lhe um depósito portátil de uísque. Daria se pudesse um alambique completo para ele parar de mexer no seu notebook, toda vez que está bêbado. O que acontece a cada dois dias.     

            4. Surama, 18, mora no Anjo da Guarda. Comprou-lhe  um ursinho de pelúcia cor-de-rosa. Daria, se pudesse, ao pai que é cabeleireiro uma assinatura do Jornal do Anjo da Guarda, para ele aprender como vai ‘sair na foto’ se continuar a dar em cima do namorado de sua colega, Sharlene, que é traficante perigoso e não gosta, nem um pouco, desse assédio.  

            5. Técio, 11, mora no São Francisco. Comprou-lhe um time de botão. Se ele não perceber a indireta daria se pudesse um time de futebol de marmanjos para ele tomar conta e parar de se meter a técnico do time de futebol júnior do bairro, onde joga e que se chama Demolidores F.C.  Isso quando não entende de querer jogar na ponta-esquerda




            6. Vadinho, 18 anos, mora no Centro. Comprou-lhe um cedê pirata da Jovem Guarda. Daria se pudesse um baita som de carro para que ele passasse a escutar muito longe de casa esse tal de Márcio Greyck, que ninguém agüenta mais ouvir dentro de casa quando ele está ‘consertando’ alguma coisa, todo sábado pela manhã. .

            7. Baron, 20 anos. Mora no Jardim América. Comprou-lhe um relógio paraguaio. Daria se pudesse, uma casa em Jacaré dos Homens nas Alagoas, ou na Conchinchina, para que ele fosse embora de vez e os deixassem (ele, sua mãe e o amante dela) em paz para sempre.  Com a casa, naturalmente.

            8. Maicom, 9 anos, mora no São Francisco. Comprou-lhe uma agenda. Daria se pudesse uma coleção de revistas Playboy para que ele não fique fuçando suas revistinhas de  sacanagem que o professor de matemática  do colégio onde estuda, lhe empresta,  de vê em quando.

            9. Cristana, 18 anos, mora no Calhau. Comprou-lhe uma garrafa de vinho tinto (adquirido por sua mãe). Daria se pudesse, uma adega de vinhos importados se ele prometesse nunca mais lhe abraçar com seu insuportável mau hálito de álcool quando quer se exibir para os amigos. Pois sabe muito bem que ele não conhece vinho algum e gosta mesmo é de emborcar, disfarçadamente, uma boa caninha do engenho.

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domingo, 5 de agosto de 2012

UM A-B-C BEM HUMORADO





O A-B-C BEM HUMORADO DE SÃO LUÍS (4)



                                                                                             
           
            Para que ficar mal-humorado com as musiquinhas de propaganda política que começaram a infernizar nossos ouvidos a partir de Agosto? Com certeza, essas não entraram A-Gosto e a coisa vai piorar ainda mais com o horário eleitoral gratuito.
            Para compensar segue, em sua quarta edição, o A-B-C BEM HUMORADO DE SÃO LUÍS, sempre na “cola” dos livros sobre expressões idiomáticas maranhenses de J.R.Martins e José Neres.                                   
                       


            1.Vender Toicinho – Expressão usada quando parte da combinação ou anágua aparecia debaixo da saia. Ficou definitivamente fora de moda depois que o toicinho “hoje mais conhecido como cofrinho” passou a surgir, ao vivo, ao invés de por baixo da anágua, por cima das calças de cós baixo das maranhenses espevitadas.

            2.Vender cocada – Acompanhar casal de namorados, segurar velas. A evolução dos costumes está fazendo com que gradativamente a expressão esteja mudando para vender coca. (Há muito tempo que deixou de ser entediante  acompanhar casais de mauricinhos e patricinhas depois das baladas : nada como um pouco de coca...ína para a suruba ser completa!)

            3.Um cu de boi – Confusão generalizada; algo muito difícil de entender. Tudo teria começado quando era muito comum, após o chifre, a confusão. Se já havia o boi e o chifre só faltava a confusão, ou melhor , o cu  do boi.  

                                                                        

            4.Tomar gosto – Dirigir-se a alguém desrespeitosamente. As meninas de hoje já não ligam muito para isso. Quando alguém toma gosto, elas gostam tanto que até sugerem o sabor: “Quer de cupuaçu ou de murici?”

            5.Tirar o pé do lodo - Subir na vida, lograr êxito em alguma coisa. Como comprovam os fatos para os lados do Congresso Nacional, por lá, tira-se o pé do lodo  mas a cachoeira fica.




            6.Só quer ser. Diz-se da pessoa que quer ser mais que as outras. Versão popular maranhense do dilema existencial britânico,  ‘ser ou não ser’ de Shakespeare. À exceção dos corruptos e agiotas da terra que mandam matar e roubam mas não querem ser o que são, por aqui, todo mundo que só quer ser,  não é.

            7.Tirar do cu com gancho – Conseguir algo com muita dificuldade. Parece que hoje em dia a coisa já não está tão difícil assim, de forma que a versão vice-versa da expressão anda mais realista.  

                                                                        

            8.Quero ser pira de cachorro. Expressão cada vez mais em desuso e que era empregada antigamente para reforçar a verdade de certas afirmações. Dizem que, literalmente,  hoje tem cachorrinho de  madame que está passando muito melhor do que funcionário público maranhense, após a transferência  do Hospital do Ipem para a cidade Operária. Vale mais a pena ser pira de cachorro.

            9.Pedir pepeú – Pedir clemência. Teria evoluído como uma corruptela da expressão pedir papel. Diarréia sem papel (higiênico ou qualquer outro)  é fogo!

            10.Necas de pitibiriba. Negativo, sem nada, absolutamente não. Difícil descobrir de onde teria surgido inspiração para tal expressão, onde se conseguiu extrair o máximo universal da negatividade do nada. Exemplo prático: “Descobriram a Partícula de Deus? Necas de pitiriba” E estamos conversados...                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com
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quarta-feira, 1 de agosto de 2012

QUASE





UMA INTRODUÇÃO À TEORIA DO QUASE                                                                          

                       
                                   Esta semana, na SBPC, o cientista israelense  Daniel Schetman apresentou o estudo pelo qual recebeu o Prêmio Nobel de Química de 2011: a descoberta dos quase-cristais , que revolucionou o conceito dos químicos sobre os materiais sólidos. Ele disse: “ Ao longo da vida utilizamos uma série de produtos e objetos que têm os quase-cristais como base de sua matéria e nem percebemos isso”. Ou seja, sendo otimistas, somos quase e nem percebemos. O que, um pouco menos, significa: “Quase somos e nada mais.”
                                   Quando dias atrás, a descoberta da partícula de Deus, ou o bóson de Higgs sacudiu a comunidade científica no mundo inteiro, quem duvida de que estávamos simplesmente diante de uma quase-descoberta? De algo que apenas insinua e que não se resolverá nunca porque sempre haverá  algo mais a ser descoberto? O que só faz ganhar corpo cada vez mais A Teoria do Quase...  
                       
                                   Porque em tudo que existe na vida existe um quase, e esse quase – nunca reconhecido-  é a lei maior do universo, a única verdade que existe e que jamais surgirá em sua plenitude porque...existe o quase. O que, afinal de contas, apenas comprova a teoria.
                        O quase está por trás de qualquer gesto: de qualquer atitude, de qualquer pensamento. Tudo na vida é quase. Quase sonhamos, quase  prosseguimos, quase que a minha amiga ganhou no show do milhão, quase que a Xuxa era bonita, quase que meu amigo me conseguia um grande emprego, quase que a boazuda da farmácia me deu bola, 
quase que somos felizes, quase que está começando mais uma teoria estapafúrdia etc.etc.  Mentira? “Não existe caminho para a felicidade, a felicidade é o caminho.” já dizia o especialista Dalai Lama. Portanto, a felicidade e tudo que se almeja e deseja na vida é um quase e quem propaga isso como fácil é um bobo ou um impostor. Quando supomos que  atingimos a felicidade ela acaba e é isso que justifica a vida: o quase possui-la, nunca em definitivo. Ainda bem que existe o quase, pois é o que dá sentido à vida. A rigor, a bem da verdade, deveríamos ser mais contundentes em sempre responder de acordo com a verdade.
-                                                                    Qual é o seu nome?
-                                                                    Quase João da Silva.
-                                                                    Como???
-                     Quase , porque nunca haverá um João da Silva completo, se existem tantos por aí ,  se vou morrer um dia e se ninguém sabe quem eu sou e o que eu quero, além de meu relógio e o barbeiro da esquina.
                        E aí por diante. Um casal jamais deveria dizer sim a seu par. Ao invés, na hora de declarar seu amor deveria dizer quase sim porque é apenas isso que pode prometer: uma quase dedicação, uma quase renúncia, um quase amor, pois se existe uma série de sofrimentos investidos no amor, em nome de sua própria identidade ninguém pode ser capaz de um amor total e absoluto.
                        Einstein já havia quase provado isso com a sua Teoria da Relatividade que deveria se chamar teoria do quase. Ora, se como disse ele o tempo e o espaço são relativos,   - e tudo que se considera sólido são apenas ‘quases’ -  que dirá da vida que nada mais é do que espaço, tempo e luz? Não precisaria ser físico para chegar à mesma conclusão, provoca a teoria. Se o ser humano passa 1/3 do seu tempo dormindo e, portanto, quase-morto, tem na melhor das hipóteses, por definição uma quase vida. Alguém dirá que se a vida é um quase, a morte, ao contrário é total,  absoluta...mas, quem garante? Ainda que não acreditemos na vida após, ninguém pode garantir nada, nesse caso, nunca seremos mortos, mas quase-mortos.
                        Pensando bem, de total mesmo na vida, só a idéia de idiota que os políticos têm de seus eleitores. Se  eles acreditam que podem aporrinhar o dia inteiro os ouvidos de todo mundo com músicas estúpidas, carreatas e passeatas,  e ainda assim, estes serão capazes de votar nos mais aporrinhadores, isso não seria  coisa para quase-idiota, mas para idiota total. Quase-loucos, defende  a Teoria.  

                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com
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