sábado, 8 de fevereiro de 2014

O MELHOR FILME QUE VI, NÃO ASSISTI




artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado


Qual o melhor filme? Os brutos também amam, O homem dos vales perdidos ou Shane? Na verdade, todos os três, já que se tratava do mesmo filme. Vá lá, a estas alturas os cinéfilos da ilha já relacionaram Shane, o faroeste que ganhou o Oscar em 1954, à sua versão brasileira de título Os Brutos Também Amam (aliás,  bem melhor que  o original), mas será que alguém, mesmo os bons cinéfilos, se lembram de O homem dos Vales Perdidos?

Pois foi com o título de O Homem dos Vales Perdidos que vi um dos  melhores filmes da minha vida - quiçá o melhor - sem sequer tê-lo assistido na tela. Explico: na época em que era pre-adolescente e lia tudo quanto era revista em quadrinhos, de Capricho a Tarzan, Fantasma a Cisco Kid, apareceu uma série de revistas de formato um pouco menor, publicadas por uma editora cujo nome era, se não me engano, Editormex, que reproduziam filmes, com fotos P&B.



                                     



As aventuras destas, claro, ganhavam das demais em maturidade e realismo,  o  que deslumbrava  as crianças como eu que, por essa época, faziam a transição das histórias em quadrinhos para os livros. Os títulos, por alguma razão, não eram os mesmos dos filmes, de forma que só algum tempo mais tarde percebi que as aventuras se referiam, de fato, a filmes famosos nas telas. Por exemplo, as aventuras de Tarzan eram reproduzidas com o título de Antar,  fosse com o ator John Weissmuller ou Gordon Scott. Mas foi,  sem dúvida, O homem dos Vales perdidos  - ou Os Brutos também Amam, ou Shane -  a que mais me  marcou a ponto de ainda hoje acreditar que não haverá filme  assistido no cinema capaz de reproduzir a emoção que a leitura dessa revista me causou,  o que me fez pedir à minha tia para conservá-la numa encadernação com outras cinco, num volume que reli várias vezes  e cujo extravio  hoje tanto me pesar me causa.
            Possivelmente, os felizardos que viram o filme no cinema ou na tevê puderam apreciá-lo de forma equivalente,  e devem ter saído com a impressão de um dos melhores faroestes de todos os tempos, o que não é pouco. Ali estão reproduzidos todos os sintomas típicos de sedução da saga peculiar aos  westerns ; a valentia, a luta do bem contra o mal, a batalha pela sobrevivência num ambiente inóspito só que, neste caso,  acrescidos dos mecanismos existenciais que o tornaram um faroeste único: a paixão de corações brutos, ‘que também amam’;  o extravasamento violento, mas surpreendentemente elegante,  dos sentimentos reprimidos e, sobretudo,  a maior de todas as liberdades que é a da juventude a derivar na idealização de um personagem de contos de fadas, tão real quanto possível: solitário,  misterioso e indestrutível. Enfim, o eterno  mito da valentia generosa, surgida sem onde nem pra onde, e sabe-se  lá porquê.                                                     
Todas essas nuances podem ser percebidas na tela, talvez, porém, quando reproduzidas em fotos sequenciais, como as que estiveram ao meu alcance, adquirem uma dimensão vários graus mais elevada, como se o efêmero das imagens na tela as impedisse de estratificar plenamente no coração do  receptor as sensações de obra de arte jamais concebida. Cenas memoráveis como as do enlevo adúltero da mãe do menino Joey, ao ser  contemplada pelo cavaleiro solitário, na penumbra. Ou o da face da maldade no expressivo rosto de  Jack Palance , ao liquidar num riso sardônico um pobre posseiro, concentram-se nas fotos e dela se apropriam, como se o fantasma do acontecido, (como um orgasmo ou algum outro tipo de êxtase)  pudesse perdurar através da foto infinitamente.



                                                 



            A motivação para escrever esta crônica me veio de um texto lido de Sérgio Augusto, dias atrás em o Estado de São Paulo, quando este se referiu a um livro escrito nos USA, no qual o autor se dava ao direito de fantasiar sobre os finais inconclusos de grandes filmes como Casablanca, ET e o próprio “Shane”. Mas, no caso deste último, a  qual se referia: o da tela, ou o da revista que li?



                                                   
                                                 


            Porque o do filme que vi, na revista, jamais poderia ter outro epílogo, ou continuação. Quando o menino Joey grita para as montanhas dos vales perdidos clamando por Shane! Shane!,  e o pistoleiro solitário desaparece no horizonte,  o que está indo embora não é um homem valente apenas, mas as esperanças da juventude repentinamente frustradas na idealização de um sonho irrealizável. Mais ou menos como descrito no célebre soneto As Pombas de Raimundo Correia quando, a reboque do fulgor da juventude os sonhos céleres voam, mas, como diz o verso final e todo mundo sabe,  ‘estes aos corações não voltam mais’.

                                                                                  Jose Ewerton Neto                                                                http://www.joseewertonneto.blogspot.com

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

O MAIOR INVENTO HUMANO



artigo publicado sábado, seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão

Tem gente que acha que o maior invento humano foi o avião, outros a roda ( de onde tudo começou). Meu pai – com toda razão – dizia que era a eletricidade, mas já tem gente achando que foram as redes sociais. Basta perguntar  para os cantores de sucesso do momento Anitta ou para o Naldo o que eles seriam sem elas.
Sei não, mas sem querer puxar a sardinha para a minha profissão de engenheiro,  acho que foi a média. Não, nada a ver com a classe que todos nós fingíamos pertencer antes de Lula, mas a média matemática propriamente dita, aquele cálculo meio besta no qual dividimos a soma de eventos associados a cada participante de um conjunto pela sua população e, com cujo resultado pretende-se, como num passe de mágica, representar o conjunto.


                                            


Genial, dirão alguns, pura embromação matemática diriam os  estudiosos , mas pensando bem, o que seria de nós e do nosso futuro se não fosse a média? Só ela nos permite a mais doce ilusão, que é aquela fundamentada em cálculos para lhe dar credibilidade. Só assim acessamos uma esperança legitimada provisoriamente substituindo as mentiram que nos empurram a três por quatro.
Quando a presidenta Dilma Roussef chega até Davos e diz que graças aos governos PT o  brasileiro , em média, está muito mais rico, não há como contestar, da mesma forma que na piada clássica um sujeito com a cabeça no congelador e o os pés na fogueira na média está no melhor dos mundos. E haja estatística para concluir que se o brasileiro, às custas da bolsa-família e outras bolsas – na média está mais rico , estará também ( desta vez sem precisar de cálculos) muito mais feliz na média. E então, é ou não é a média, uma invenção para trazer felicidade?


                                            


Historicamente, ninguém sabe quem descobriu a média, mas , provavelmente, Deus já a conhecia. Quando expulsou Eva do paraíso depois de botar uma serpente com uma maçã para atrair o bobo do Adão, induzindo-o ao pecado, estava na verdade apenas consertando o mal feito, fazendo média com o julgamento que mais tarde se faria dele, para que jamais se sentisse culpado por ter criado, num momento de descuido a raça humana.  Séculos mais tarde tentou se redimir pela voz de seu filho Jesus Cristo quando este vociferou contra ela: “ prefiro os quentes ou frios, porque os mornos, eu os vomitarei”. Infelizmente já era tarde demais . Ela já se tinha instalado confortavelmente nos mais recalcitrantes neurônios da mente humana. Pilatos a usou quando lavou as mãos do seu sangue justo e, Jesus, talvez porque soubesse que nada mais havia a fazer, poupou-se de chamá-lo de medíocre. Deixou que a história o fizesse.
Anos mais tarde,  os matemáticos, sempre atrasados, para corrigir a aberração criada, desenvolveram a estatística e tentaram consertá-la ( à média) inventando um tal de desvio-padrão para determinar  se essa média era confiável ou não. Eram tão descrentes disso que para corrigir um desvio conceberam  um  outro .  Quem iria acreditar numa grandeza com esse nome? Desnecessário dizer que não pegou popularmente e a média continuou sendo usada a torto e a direito para bem de todos e felicidade geral da nação. O que  pretendia , na realidade,  dizer Pedro I com seu famoso grito de independência ou morte? Que não queria independência nem morte, mas sim que, na média que o Brasil continuasse  o mesmo de sempre , um país de governantes medianos e  de soluções intermediárias.


                                                


Hoje ninguém pode prescindir da média. Embora a intuição popular saiba que ela é pouco confiável e, em consequência, chame qualquer sujeito incapaz de mediano, ninguém tem    defesa contra aqueles que sabem usá-la corretamente, ou seja que saibam fazer média. A maioria dos lugares  de destaque da sociedade estão ocupadas por medíocres, mas que sabem fazer média.

Enfim, já que tudo é média desde o café com leite com que iniciamos o dia até a hora em que re-mediados dormimos , só nos resta aplaudir essa invenção que se não salva a humanidade pelo menos nos permite suportar a existência sabendo que , ao fim de tudo, todo ser humano não passa de alguém que sem saber de onde veio e nem para onde vai, tira a média disso e, em consequência vive, ou seja, tira férias  do nada que sempre foi antes de nascer. E que voltará a ser.  

sábado, 25 de janeiro de 2014

TORNOZELEIRA NELES!




artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão


A idéia elementar, evoluída  há séculos para bem da sociedade,  de que bandido tem que permanecer na cadeia, neste país encontra enorme dificuldade em se concretizar. Se por um lado, faltam cadeias em todo o território nacional, por incúria administrativa, sobram idéias para suprir essa falha, sempre inspiradas no jeitinho brasileiro de que “se não dá para resolver o essencial, tratemos de amenizar o drama” que é o mesmo de dizer  “já que existe tanto bandido nas ruas,  um a mais um a menos  não vai fazer diferença”. Ou seja, como sempre  as vítimas que se explodam.

Pois é partindo daí, desse jeitinho brasileiro,  que surgem as mais ‘brilhantes’ idéias para aliviar o problema, desde  penas alternativas para soltar bandidos  a até, por último, colocar tornozeleiras  nos pés dos ditos cujos para identificá-los, deixando-os à solta. Como se fizesse diferença, para alguém que vai  morrer, ser queimado por um marginal com ou sem tornozeleira. 

Já que precisa ser assim: Tornozeleira neles!,  mas não custa prever o que resta acontecer.

1.Como são tantos os bandidos neste país e tão poucas as cadeias  não é exagero acreditar que logo passaríamos a ter uma ‘inflação’ de tornozeleiras por aí muito maior do que aquela dos tempos de Collor de Mello. Em dois, três ou cinco anos no máximo, a tornozeleira passaria a ser um acessório de moda mais comum do que tatuagem, por exemplo. E haja marmanjo entrando de tornozeleira em fila de loteria, em churrascos de fim de semana, em festa de aniversário ou em missa de sétimo dia.

                                       

A turma das redes sociais e dos rolezinhos, sempre ávida por novidades, disputaria entre si para ver quem circularia com  a tornozeleira mais bonita e os concursos de modelo dos shopping-centers brindariam não mais a magrinha menos feinha, mas aquela com a tornozeleira mais vistosa.   

2. Haveria tanta tornozeleira pra tudo quanto é lado que os bandidos comuns ficariam irreconhecíveis, destacando-se, porém, quem tivesse tornozeleira de grife, ou seja, original da cadeia, ao invés da imitação adquirida em qualquer esquina. Este, logo assumiria seu prestígio: seria disputado por um monte de mulher em qualquer balada e seria o mais respeitado pelas gangues. Enfim, o marginal de respeito já sairia da cadeia  direto para o estrelato, digamos assim,   sendo fácil imaginar seu sucesso ao chegar em casa e , principalmente, ao ser festejado pela turma do bairro. “Tá vendo essa tornozeleira, mãe? Essa  ganhei matando e estuprando gente na cadeia, não é tornozeleira pirata que vagabundo compra de qualquer  china.”.


                                 
           


Para poder diferenciar um bandido chique, tipo político corrupto (mensalão e adjacências) teriam de ser  confeccionadas tornozeleiras especiais.  Neste caso, o bandido chique, antes mesmo de ser condenado, e sem precisar passar sequer uma noite na cadeia, receberia a tornozeleira em casa, levada por uma comitiva de figurões. Não é difícil  imaginar também o que poderia acontecer com o dono de uma tornozeleira dessas, ao ser interceptado na avenida, em sua Hilux, por um pobre guarda desavisado.
- Documentos, por favor!- diz o guarda.
- Você não sabe com quem está falando.
-  Desculpe, por acaso você é algum político?
- Melhor que isso. Não apenas sou  político, como tenho tornozeleira.
-Como?? – o guarda hesita.


                                           


- Tá vendo esta aqui em meu pé?
- Uma tornozeleira, mas....
- Nem mas nem meio mas, presta mais atenção!
-Estou confirmando, é sim: Tornozeleira  Especial! Oh, por favor, desculpe senhor, queira me desculpar, não me leve a mal, sou apenas  um pobre soldado!
E assim por diante. Mas se essa é a solução: Tornozeleira, neles!
                                                               ewerton.neto@hotmail.com                                                                                                                  http://www.joseewertonneto.blogspot.com

sábado, 18 de janeiro de 2014

FUTEBOL X MITOS DO FUTEBOL




artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje sábado


Dentre as publicações previstas para este ano,  a reboque da Copa de 2014  no Brasil, uma delas é o Guia Politicamente Incorreto do Futebol, como  já ocorreu com a História do Brasil e outros. Como se sabe, essas edições tentam desmitificar lendas e histórias que se criaram em torno de personagens, fatos etc. Como apreciador do futebol  bem jogado confesso que estou curioso pelo conteúdo do  livro, permitindo-me nesta crônica, antecipar temas futebolísticos que foram,  a meu ver, sedimentados erroneamente no imaginário popular.   (Será que estarão no livro?)

1.A “fantástica” (?)seleção de 1982.


                                       



Sem dúvida, era muito boa essa seleção brasileira de 1982, que tinha Zico, Falcão e Sócrates, mas, teria sido mesmo essa seleção tão fantástica assim?  Causa espécie ainda hoje que, nas costumeiras discussões futebolísticas, alguns apressadinhos surjam para concluir que essa seleção foi a melhor de todos os tempos, sobrepujando – pasmem! – a de 1970 ou a de 1958. Baseiam-se no fato de que, ao assistirem filmes dos jogos dessas épocas, estranhem o futebol praticado pela seleção de 1970, cadenciado e lento para os padrões atuais, escusando-se de  atentar para a excepcional qualidade técnica dos jogadores de então, o que é independente do estilo de jogo.

 Quando colocam a seleção de 1982 em nível superior à de 1970, certamente não se deram ao trabalho sequer de ver (ou rever) o jogo Itália x Brasil de 82, que eliminou o Brasil e causou comoção nacional. Nessa época, ninguém admitia que a seleção brasileira, com tantos craques, viesse a perder para a Itália, uma seleção que não vinha bem na Copa, esquecendo-se, contudo, de observar que, do lado de lá, havia também uma grande seleção, como comprova o jogo repassado pela ESPN, Brasil na série “Os grandes jogos da Copa”. Revendo a partida chega-se facilmente à conclusão de que foi criado no Brasil o mito de uma seleção invencível,  (que teria perdido unicamente por descuido, ou para ela mesma) o que não se comprova no jogo. Ao contrário, com uma atuação impecável a Itália sobrepujou o Brasil, na bola, e não por causa de uma falha fortuita de Toninho Cerezo, como faz parte do mito.


                                               

Enfim,  a seleção de 1982, mesmo sendo boa, ficou longe de atingir o ápice daquela  de 1970 e qualquer comparação com a mesma só é admissível para neófitos ou brincalhões: não só pela maior qualidade   técnica dos jogadores de 70 (havia não só um rei, Pelé, como todo um  principiado) como em termos de resultados práticos: a classificação  do Brasil na Copa de 1982 foi uma das piores de uma seleção brasileira em todos os tempos.

2.O  escrete canarinho, quase sempre muito melhor , foi  injustiçado e  “roubado”(?) muitas vezes.
Desde quando a transmissão era radiofônica criou-se o mito de que os árbitros tinham uma predisposição de prejudicar o Brasil nas Copas, o que nem de longe condiz com a realidade.
 Pelo contrário, a seleção brasileira foi beneficiada muito mais do que  prejudicada. Pouca  gente( mesmo os mais antigos) sabem desse detalhe, mas na Copa de 1962 ( que eu escutei pelo rádio, morando em Guimarães)a Espanha foi tão clamorosamente espoliada no jogo contra o Brasil, que é difícil acreditar na honestidade do juiz desse jogo, de especial tragicidade e emoção, e fundamental para que o Brasil viesse a ganhar a Copa.
O Brasil havia perdido Pelé, contundido, e dependia de Amarildo ( um novato) para enfrentar a famosa  seleção da Espanha, com base no Real Madrid, que tinha  Puskas ,  Di Stefano ( que não jogou) e outros estrangeiros repatriados. Pois o árduo resultado final de 2 x 1  saiu não apenas às custas do talento de Amarildo e da esperteza de Nilton Santos, que deu um passo à frente e se antecipou ao pênalti que havia cometido e que nos desgraçaria. Houve mais, muito mais. A Espanha teve um gol de Puskas,  magnífico, diga-se de passagem, cuja anulação corresponde a uma das decisões mais descaradas que se tem notícia em matéria de futebol. O placar ‘moral’ seria,  portanto,  Espanha 3 x 2 ( quando  o empate já classificaria a Espanha).


                                                
Felizmente que assim aconteceu, digo hoje, e que o juiz roubou a “Fúria”,  porque senão teria roubado, por sua vez, uma das maiores alegrias que um garoto teve na infância, no caso eu, a sair gritando de alegria pela praça Luis Domingues com demais torcedores , adultos e crianças, após a reação gloriosa de um  Brasil que começara jogando muito mal  e perdendo, apesar dos arroubos patrióticos do narrador .

Com a chegada  da televisão,  outros “enganos” vieram a acontecer para eliminar de vez o mito criado, pelos narradores de futebol, de que os juízes faziam tudo para prejudicar o Brasil. Muito pelo contrário, fizeram  ‘tudo’ para dar uma mãozinha ao Brasil . Desde o lance de um pênalti claríssimo não marcado contra a França na Copa de 1986, ( o Brasil viria a perder nos pênaltis) até o gol de mão de Luis Fabiano , na Copa recente, a história está repleta de lances assim e essa história de que o ‘Brasil  é prejudicado  em Copas’, não passa de uma grande invenção dos Galvões Buenos, da vida ,que fazem do seu desmesurado patriotismo de araque uma forma de ganhar dinheiro fácil.  

                                           

Assim o que não falta é mito, como aquele que se criou de que o Brasileiro já nasce com o talento nato para o futebol ( o que é uma deslavada invenção se compararmos à quantidade de grandes craques nascidos na Argentina , proporcionalmente à população); como também o de que gostamos tanto assim de futebol  ( se isso é verdade porque os estádios ficam vazios?), etc. Ou seja, se é para ser politicamente incorreto , assunto existe, mas deixemos para o livro que terá muito mais espaço, ainda mais que  se refere, acho , ao futebol do planeta todo.
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sábado, 11 de janeiro de 2014

APRENDA A SER BONITO



artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão, hoje, sábado

Dá para acreditar?  Esta semana os jornais anunciaram  para crianças (?), jovens e adultos a oportunidade de participar do 1º. Seminário Miss e Mister Brasil a ser realizado no dia 25 deste. “ O evento tem como objetivo orientar o público sobre o ‘universo’ dos concursos de beleza, bem como mostrar ‘caminhos’ a quem se interessar por este campo”.
Ou seja,  beleza agora se aprende,  a custo de 150 reais por pessoa. Por que não dar as caras por lá, caro leitor, já que é tão relativamente barato  ficar bonito,  nesse local mágico onde se prometem  ‘esclarecimentos sobre imagem, comportamento, etiqueta e tudo o mais que é necessário para participar desses eventos?’

                                            


Num primeiro momento, não custa imaginar as perguntas que devem povoar  a mente dessas belezas sonhadoras, na hora de pleitear uma graninha do pai ou da mãe,  para dar esse primeiro passo em direção ao sucesso:
- Pai, preciso de cento e cinqüenta  para participar de um seminário.
- Cento e cinqüenta? Para participar de quê mesmo?
-De um seminário... Uma espécie de curso
-Curso de quê?
-De beleza.
- Beleza? Com essa cara? E será que eles não ensinam também como trocar de bunda?

Dá para  imaginar também, numa segunda etapa,  as inevitáveis perguntas que farão parte do contexto das palestras:
1. -Senhora palestrante, sou muito baixinha, você acha que isso pode atrapalhar meu futuro artístico?
-Talvez sim, mas não desista. Procure um bom sapateiro, pode ser que ele dê um jeito.

2.- Senhor,  a beleza é mesmo essencial para que uma pessoa se dê bem?
- Beleza nem tanto, mas sorte sim. Não vê Gisele Bund-a-chen? Falta bunda completa, até no sobrenome, mas isso não impede que ganhe rios de dinheiro!


                                    

3.- Além de altura e muita burrice natural, o que vocês consideram essencial para a gente  se dar bem nos concursos?
- Bem, na maioria dos casos, como no seu, é necessário fazer  algumas plásticas no rosto, na coxa, nos seios, nas nádegas, nos braços, no cotovelo e no joelho, mas não se esqueça  dos ossos.
-Dos ossos?
-Claro minha filha. Caso você morra anoréxica, poderá realizar finalmente seu sonho, ganhando  o concurso de caveira mais bonita.


                                        


Ao final do seminário, sob o entusiasmo geral:

4.- O que vocês instrutores nos aconselham para continuarmos a nos especializar  nessa arte de ‘se dar bem’, explorando nossa beleza? Existe algum curso de pós-graduação, disponível?
-Devem existir vários por aí, sim, querida  mas nenhum supera  o BBBrasil. Bastam  duas horas em frente a TV, para você aprender quase tudo o que é necessário:  de ignorância à periguetagem, de oportunismo à falta de pudor,  enfim, praticamente tudo que uma boa miss,  ambiciosa como deve ser, necessita.

5.- Alguém falou durante o seminário em... aprimoramento intelectual. Na verdade, a maioria aqui, tem uma imensa  dificuldade quanto a isso. Não gostamos  de ler.
-Não se preocupe querida, o coroa cheio da grana em quem você vai depositar suas esperanças de futuro, a depender do seu desempenho sexual, nem vai querer saber se você leu o Kama-Sutra, muito menos Shakespeare.   

Enfim, o que não vai faltar é oportunidade para dar vazão a tanto potencial de beleza reunido. Além disso, a leitora candidata a miss terá  oportunidade  de travar conhecimento com muita perua encarquilhada , com quem , na pior das hipóteses,  aprenderá a sorrir para a coluna social, sob o peso de um quilo de botox em cada canto da boca.


                                              
                                                                



Porém, se você não tiver toda essa grana para gastar, não for tão  ambicioso(a)  ou  imediatista,  e quiser se espelhar, de fato, numa mulher bonita , leia o livro Sophia, vivendo ou amando, editora Nórdica, 232 pg. Se você não ficar mais bonita ( afinal,  Sophia Loren já nasceu com esse dom e não precisou de aprendizado para ganhar concurso de miss), você terá aprendido uma bela lição de vida e elegância. Uma boa leitura, queira acreditar, às vezes vale tanto, ou mais, que uma aula de beleza.
                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

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sábado, 4 de janeiro de 2014

FELIZ MASTURBAÇÃO, PAZ E ALEGRIA




artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado

“O ser humano é apenas a soma de suas ilusões”, sentenciou  Henry James e poucas vezes essa verdade surge  tão contundente quanto nos desejos de final  de ano,   enviados  de uma pessoa para outra. Ao desejarem paz e isso, paz e  aquilo, parece até que no afã de se livrarem da obrigação de encontrarem uma solução para o que desejar ao próximo,  as pessoas se socorrem da palavra Paz, sem sequer atentarem ao que ela significa. Pois...
Será mesmo que existe paz ainda possível hoje em dia? E, sinceramente, será que, de fato, as pessoas realmente desejam paz uns aos outros? Se o desejam, por que são tão obsessivas com sons nas alturas; por que  são tão seduzidas por gritarias e espetáculos barulhentos; por que buzinam sem motivo algum,  e xingam em altos brados por motivo fútil? E, por outro lado, onde ainda é possível encontrar-se um lugar onde exista paz? A própria travessia do ano, patrocinada pelos governantes, é quase sempre uma exaltação ao barulho infernal e de baixa qualidade, para  ser tragado em altos goles  ou  seja  lá como for. E a felicidade, tão buscada e desejada, essa mais parece uma mosca fora do lugar, escorraçada de um confuso banquete de mendigos. 

                                              
                                            

Sendo esta  tal da Paz, tão irrealizável , por que não aprendermos a ser mais  pragmáticos , a partir de agora, começando  a desejar, uns aos outros, coisas exeqüíveis que sejam, com o devido respaldo da ciência, tidas como benéficas?
Como sexo, por exemplo. Para começar, o sexo está cada vez mais exaltado como essencial. Como se faltassem outros motivos, é só chegar o início do ano que começam a proliferar nos jornais, e na Internet, listas que não acabam mais,  propagando as inúmeras vantagens de se praticar sexo, agora não mais em nome do prazer, mas em nome da saúde e do bem-estar. E, dentre as  suas ‘infinitas’ variações que se inventam a cada dia, eis que desponta, triunfal ,a velha e popular masturbação, com sua conhecida praticidade acrescida, agora, de seu enorme benefício  à saúde.


                                           



Pois se para Woody Allen, o  escritor norte-americano,  “A grande vantagem da masturbação é  a de que você pode transar  com a mulher que você quer”  - e isso não é coisa que se despreze -, queira saber, caro leitor,  que  existe ainda uma longa lista de benefícios proporcionados  pela mesma no campo da saúde.  Anthony Santella, cientista da saúde pública da Universidade de Sydney, na Austrália descobriu em novo estudo que o auto-prazer pode afastar doenças como cistite, depressão, diabetes e câncer. Para as mulheres, especificamente, a masturbação, além disso,  pode ajudar a prevenir infecções no colo do útero e no trato urinário. Enfim, tudo isso como se não bastasse o que todo mundo já sabe por experiência própria: pequeno espaço, custo mínimo, não-obrigatoriedade de parceiro etc. que a tornam universalmente concretizável  pela maioria dos homens (94%) e 85 % das mulheres ( o que deve ser entendido como algo acima de  99% , já que muitas, com o pudor cultural de não desagradar aos homens,   ainda hesitam em confirmá-la)


                                               

Portanto,  ao desejar Feliz Masturbação a seja lá quem for, o leitor amigo(a)  estará desejando uma das soluções mais benfazejas  que um ser humano pode desejar a outro, inclusive -, a bem da verdade-, acrescida do lucro de poder omitir a palavra Paz, tão fora de moda,  já que uma está embutida na outra. Pois, como também indagou  outro humorista:  “Pode existir no mundo paz maior do que aquela que  reina nos cinco segundos  que sucedem a uma masturbação bem realizada?”


                             



Talvez no outro mundo, mas até agora ninguém voltou  para contar.
                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com
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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

O PRESENTE DO PAPAI NOEL DE CADA UM



artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão

Que história é essa de que não existe Papai Noel? Cada um tem o Papai Noel que merece, com a  esperanças e os desejos de cada um e, principalmente, com os presentes que a cada um cabe.

1.Neymar. Ganhou um par  de  chifres de Bruna  -a Marquesine. Parece ter ficado inspiradíssimo  com a dádiva, tanto é assim que passou a  enfiar  gols como nunca, enquanto fazia proliferar  no seu twitter frases filosóficas de corno apaixonado. Tanta evolução fez com  que Parreira e Felipão a dupla de técnicos broncos da  C.B.F. (que para se darem bem dependem do craque)  esteja pensando seriamente em suplicar  à fogosa atriz da Globo  que guarde a plantação  de chifres, que tem entre as coxas, para o próximo verão, ou seja, para durante a Copa.

                                           

Obs. O parceiro de Bruna,  o ator Artur Aguiar fez tanto sucesso com a ação chifreira que já foi contratado pela firma de promoções e propaganda de Cláudia Leite. Te  cuida Márcio Pedreira! (marido da espevitada baiana).

2.Dilma Roussef. Ganhou de Papai Noel um kit moto-anti-infração: uma moto incrementada e mais um dispositivo anti-espionagem de barreiras eletrônicas, para que a presidenta possa sumir a trezentos por hora pelas madrugadas sem ser aporrinhada com multas. Quanto ao que ela anda atrás ( será um namorado?) , ficou para o próximo Papai-Noel.

3. Elias Kalil (Presidente do Atlético Mineiro) : Ganhou uma zebra legítima , para ser instalada no bairro do Horto e servir de inspiração para que próximos atleticanos não sejam tentados a venderem suas economias para assistirem desfiles de zebras em Marrocos.
Obs.Dizem que a zebra é tão eficiente que reage dando coice na testa. Ou seja, produz  galos em série..

4.Renan Calheiros. (Presidente do Senado) Ganhou uma peruca permanente para que não precise usar aviões da FAB para fazer implantes em sua careca, em Recife. Obs. Se a peruca não resolver seu problema até o ano que vem, a oposição, ao invés de um avião, a lhe ser doado pelo Senado ( sempre generoso com os seus), pretende lhe doar um boné da TAM.  Que tal?

                                           

5.Bairro do Tirirical. Ganhou de presente de Papai Noel um V.L.T. , para que, em breve, disponha do aeroporto mais rico  do país em depósito de sucata, pois já possui aviões que não voam e, agora, possuirá trens sem trilhos. Como o bairro já tem  direito a lixão e urubus sobrevoando a região, a idéia do Papai  Noel é que os urubus se distraiam com o trem que não anda  e não perturbem mais os aviões.

6.Daniela Mercury. Ano passado ganhou uma boneca Barbie de presente. Este ano Papai Noel foi tão generoso que lhe deu uma mulher de presente, chamada Malu. Esta, fala, come , conversa, faz sexo e até casa. Só não se sabe é quanto tempo vai agüentar suas músicas.

                                  


7.Papa Francisco. Ganhou de presente do time do San Lorenzo,  o time pelo qual torce, a taça do campeonato argentino. Mas, peraí...Se como dizem os hermanos : “Não acredito em milagres , mas que existem, existem”, afinal de contas, o papa recebeu o  presente ou foi ele quem deu?  

8.Reginaldo Rossi. Ganhou de presente de Papai Noel  uma recepção de coros de anjos, no céu,  cantando “Garçom”.
Obs. Dizem as más línguas ( ou boas?) que a festa foi, na realidade,  numa boate, lá pros lados do purgatório, onde o que não faltava era anjo corno e bêbado. Mas Deus não se importou com isso, muito pelo contrário.  
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quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

O EDIFÍCIO


Seção Poesia da quinta e sexta ( do livro Cidade Aritmética)

O EDIFÍCIO










O--------EDIFICIO-CRESCIDO
-COM-CONCRETO-NAS-ASA
S-LEVANTADO-COM-METAL
NOS-OLHOS-AÍ-FICA-POSTU
RA-PESADA-DENSIDADE-DE-
PÁSSAROS-DE-PEDRA-E-FLO
RES-PÁLIDAS-SUANDO-PELO
-RÍGIDO-PEITO-DO-DIA-VER
TICAL-ASSIM-PARA-ASSSIM-
FICA-GRITO-SÚBITO-DE-VID
RO-EXCITANDO-SE-A-GOLPE
DE-SOL-FAZENDO-SE-RISCO-
DE-ABISMO-NO-ETERNO-IN
STANTE-DO-AZUL-CORAÇÃO
-SEM-RITMO-PERDIDO-DESA
FINADO-NA-FESTA-DAS-NU-
VENS-SORRISO-DE-ESPAÇO-
VINGADO-UM-PÁSSARO-PO

USA-BREVE-NA----------------MARQUISE

sábado, 21 de dezembro de 2013

A PORTUGUESA ESTUPRADA (E O TRISTE FUTEBOL!)



artigo publicado hoje na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão,
hoje, sábado

Quando a mídia esportiva divulgou que o Fluminense ameaçava tirar os pontos, ganhos em campo pela Portuguesa Desportos,  para poder continuar na primeira divisão, duvidei  que isso fosse dar em alguma coisa. “Eles não chegarão a tanto.” pensei, referindo-me aos juízes do  STJD.Ontem  após  divulgado o resultado do julgamento a conclusão foi outra: “ Pois não é que eles chegaram?”

O errado, na realidade, fora eu na minha primeira impressão, já que estamos no Brasil. Disso havia esquecido momentaneamente ( talvez por achar que o futebol ,  pelo menos o futebol, tivesse mantido a inocência de antes e fosse imune a esse tipo de coisa). Mas, esse era um raciocínio errôneo. O mais lógico, claro,  seria  esperar  que o futebol , também, já tivesse sido contaminado pela onda de corrupção e politicagem que impera em todos os níveis da sociedade brasileira. Nada mais normal, profundamente normal  aliás, hoje em dia, que um time mais rico - e protegido pela CBF ( como tantos já diziam e, que, agora, só resta acreditar)  tentasse se beneficiar usando uma artimanha escusa às custas da  desgraça  da ‘pequena’ Portuguesa Desportos.

                                                
                                                  

Pequena sim, mas, nem por isso menos gloriosa. Meses atrás escrevi uma crônica, neste caderno, a respeito da Portuguesa Desportos quando dizia que vejo muito mais valor e legitimidade em um  torcedor da Portuguesa de Desportos do que nos de maiores torcidas. Estes,  em grande parte, são  “Marias vão com  as outras”,  meros repetidores dos efeitos manipulativos da grande mídia , efeitos estes que estão por trás dos interesses comerciais que passaram a existir desde quando as redes de televisão passaram a “construir torcedores”, após  investirem dinheiro   em alguns times,  em desfavor de outros.
Entre estes, os que pouco recebem,  está a Portuguesa Desportos. Quem duvida de que,  se fosse detentora de um grande investimento,  esta jamais seria alijada, do jeito que foi? Tanta desfaçatez camuflada numa hipocrisia de legalidade e justiça nos faz pensar que as tais teorias da conspiração não são tão conspiratórias assim e que, o povo  aumenta, mas não inventa , quando tece razões ocultas por trás da campanha vitoriosa de alguns times  privilegiados. Ora, “O dinheiro que se investe é o único animal selvagem que quanto mais lerdo e gordo sai de casa mais quer voltar correndo,  e muito mais gordo”  não é assim a Lei do Mercado?

                                              

Tempos atrás um amigo meu, que é palmeirense, insinuou que, por trás  do rebaixamento ano passado do seu time haveria toda uma estratégia de desmoralização e ‘enxugamento’ progressivo  de torcedores dessa camisa,  para evitar que esta continuasse rivalizando  nas competições com o Coríntians , o preferido paulista da Rede Globo em seus investimentos. Pela mesma razão o Vasco da Gama, do Rio, sofreria o mesmo tipo de aniquilamento ( entendendo-se como aniquilamento a propaganda sub-reptícia e desairosa para anulá-lo como agremiação desportiva e sugar seu poder de sedução e competição) , de forma a haver apenas duas potências futebolísticas no país, justamente aquelas em que a rede mais investe.  Demorei  a aceitar tal idéia porque isso representaria o desencanto com uma das poucas coisas  pelas quais ainda se encontra prazer em se extasiar diante de um canal de tevê, ou seja, uma partida de futebol jogada apenas no gramado. Os fatos, porém, agora expostos nessa bizarra decisão do STJD, como também, por exemplo,  na absurda e extrema dificuldade do time carioca  no decorrer deste ano  em conseguir um mero atestado liberatório na justiça para saldar suas dívidas, se sucedem para dar razão ao amigo, e demonstrar que no Brasil existe  alguma coisa entre o futebol e o resultado, além da mera disputa de 22 jogadores por uma bola para colocá-la na rede adversária. 
Preferiria que assim não fosse, que todas as teorias da conspiração não existissem e, principalmente,  que jamais se comprovassem,  para não macular a pureza  da beleza de um bom futebol,  do qual já tanto me empolguei,  ao ver,  pessoalmente,  jogadores como Pelé, Maradona, Zico, Dirceu Lopes e Romário. Como preferiria também que a lembrança do  que já escrevi da Portuguesa de Desportos, uma agremiação  pela qual nutro imensa simpatia,  ficasse apenas no que escrevi  e não nestas frases de decepção e desgosto.

                                                   


E que a degradação do futebol  como esporte exclusivamente lúdico  , hoje conspurcado  por interesses financeiros se sobrepondo a disputa puramente técnica entre dois times,  jamais se anunciasse , como se anuncia  previa e infelizmente , a vitória antecipada do Brasil em mais uma Copa: A DE OPERÁRIOS MORTOS EM ELEFANTES BRANCOS construídos com dinheiro público. (Já se foram cinco vidas humanas).
Se a desfaçatez dessa gente ( os que liberam e constroem estádios e lucram com os mesmos) continuar no mesmo ritmo,  arrisca haver em breve, quando se iniciar a Copa, um morto para cada vitória em potencial do Brasil nessa Copa. Só Deus, então, poderia salvar nosso país dessa mancha irreparável: A vitória de um time,  seja ele qual for, mesmo a seleção brasileira, é muito ínfima  para   valer a perda de uma única vida. 
                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

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