sábado, 26 de outubro de 2013

O ARROCHANEJO E OUTROS REINADOS



artigo publicado hoje na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal O estado do Maranhão, hoje, sábado



Quando se pensava que não podia haver coisa pior para se ouvir do que música sertaneja eis que apareceu sua evolução: o Sertanejo Universitário.  Quando se pensou que se chegara ao limite da catástrofe, não é que inventaram o Arrocha?

                                             

Esta semana, circulava em uma de nossas avenidas principais, quando deparei com a Lei de Murphy (só podia ser ela) à minha frente, num bizarro Back Door. O cartaz na traseira do ônibus anunciava: O rei do Arrochanejo se apresenta em São Luis. Um amigo, a  meu lado, perguntou: ARROCHANEJO, que diabo será isso? Eu lhe respondi, depois de trinta segundos de profunda reflexão “Não se preocupe: deve ser  a Lei de  Murphy ( aquela do porque tudo dá errado) aplicada à atual música brasileira. Anuncia-se assim : Por pior que seja um ritmo musical  logo estarão descobrindo outro pior”.
Ou seja, em matéria de criatividade negativa por aqui a turma se esmera  e um dos recursos mais utilizados é, justamente,  este: se não há como piorar duas coisas, por si já bastante ruinzinhas,  basta misturar as duas: o caldo que sair é para dar, vender,  comprar e se extasiar. Um exemplo sintomático dessa ‘inventividade’ acontece com os partidos políticos. São tantos e com tantas siglas, que às vezes dá pena do alfabeto, já que  as letras nunca parecem em número suficiente  para representá-los em suas totais inexpressividades. Mesmo assim, ainda conseguem fazer alianças entre si. Dá para acreditar?  É como se o nada se juntasse ao nada para gerar o abaixo de zero - se a matemática permitisse.
 Esse “misto quente tropical”  que, por incrível que pareça, quanto mais intragável é, mais gente surge para apreciá-lo, não acontece  apenas com os  gêneros musicais. Infelizmente, existe por aí um batalhão de misturas, igualmente férteis:  


                                                


A primeira delas, esta no campo futebolístico, é a FILIPEIRA. Mistura de Felipão com Parreira foi o mix ideal, engendrado pela CBF,  para espremer patriotismos de araque em tempos de Copa.  Unem-se a arrogância siderúrgica de Felipão com a boca murcha de Parreira para dar a impressão, finalmente,  de que em matéria  de futebol o céu está, de novo, ao nosso alcance. Claro que para o sucesso do sabor da mistura, seus criadores contam com  a pitadinha milagrosa de um craque excepcional , e Neymar está aí para isso.  Assim foi, com Parreira, quando Romário o salvou do fiasco nos USA. E com Felipão, idem, quando o boquirroto gaúcho teve de se socorrer do talento nordestino do execrado – pela crônica sulista – Rivaldo. O mesmo nordestino que ele humilhou e não quis receber no Palmeiras, tempos depois. O mesmo Palmeiras que ele treinava e que abandonou como um rato fujão, tão logo pressentiu o cheiro de rebaixamento. Haja  pois  talento dos craques e Deus brasileiro  para que o sabor intragável da Filipeira não nos impeça de ecoar o grito ‘Galvanizado’ entalado na nossa garganta: Brasiiillllllllllllllll!!!!!

                               
                                           
Outra oportunista mistura – pelo menos para um dos lados – poderia se chamar MARINACAMPOS. Atenção, nada de confundir com Marina dos Campos A combinação a que estamos nos referindo é de Marina Silva, egressa dos grotões  e heroína dos humildes com Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco. É a mistura dos olhos verdes do nascido em berço de ouro com os olhos negros da mulher mestiça, da ex- empregada doméstica,  que estudou por conta própria, com o filho de pai milionário que sempre teve o de bom e de melhor, da revolucionária com o burguês, da mulher de voz esganiçada  com a voz tonitruante do outro, do corpo franzino  com a opulenta barriga. Dizem que os opostos devem se atrair  para que haja um bom casamento, mas dizem que também que a corda só rebenta do lado mais fraco. Alguém duvida qual seja?

                                 
                                 

Vale a pena ainda lembrar a recente união de ROBERTO-CHICO-GIL-CAETANO-MILTON-ERASMO-e DJAVAN. Nesta, ao contrário das parcelas originais de baixa qualidade citadas acima, temos até uma boa matéria-prima. Chico, Caetano  Gil e Milton Nascimento são o que de melhor a MPB produziu  na segunda metade do século passado.  Mesmo assim, como todos sabem,  a coisa começou a desandar quando se misturou as partes, e o grupo resolveu ter voz uníssona a favor da censura. Um, que bradava contra a intolerância virou proibidor, o que fazia canções românticas, virou inquisidor, o revolucionário virou ditador, o delicado virou grosseiro e o carinhoso virou louco furioso. Hão de dizer que o problema, mais que atávico é da  natureza humana: não há rebeldia sem causa, da juventude, que resista às rebeldias contra as idéias libertárias, da velhice.
Sei não, mas acho que nesse caso o culpa vem  mesmo desse talento nacional para a fusão, com fim catastrófico.  Melhor não misturar.
                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com                                                                                                  http://www.joseewertonneto.blogspot.com

sábado, 19 de outubro de 2013

ADOLESCÊNCIA: SEU OURO E SEU LIXO



Artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal O estado do Maranhão, hoje, sábado

“Não existe mais juventude. Na pós-modernidade se passa direto de criança precoce para adulto retardado.”

Adolescente ou aborrecente? Nenhum dos dois, segundo psicólogos britânicos especializados no tratamento de jovens. Ado-recente: é assim que essa nova geração de cientistas talvez devesse chamar a este adolescente pós-moderno que dura, agora, até os vinte e cinco anos. Segundo Antrobus “os avanços da Neurociência mostram que o desenvolvimento da mente não para em determinada idade  e vai além do que se pensava, provavelmente, até os vinte e cinco anos”.

Já pensou se essa nova classificação chega aqui no Brasil, onde a lei já protege assassinos pós-graduados em crueldade, sob a camuflagem da adolescência? Se hoje em dia o que mais existe é barbado de dezesseis anos matando à vontade, logo  vai aparecer marmanjo de vinte e cinco esquartejando ou estuprando e, depois,  saindo direto do crime para uma sessão de mama no peito da mãezona.

A vantagem é que não haverá mais terceira idade, nem quarta. Se a adolescência topa nos vinte e cinco a juventude irá de vinte e cinco a cinqüenta, e a adulta de 50 até a morte. Velhice pra quê? Já que ninguém quer mais ser velho  acabe-se com a velhice. Como se toda idade, por mais radiante que seja,  não tivesse além de seu ouro, o seu lixo:

1.O lixo da Infância: A criança que só quer ser adulta; O pai que só quer ser criança; os concursos de miss infantis; a Xuxa; o cachorro-quente; o dengo excessivo; a má educação disfarçada de hiper-atividade; a implicância da supermãe com os filhos quietos.

O ouro da infância: O riso de felicidade que brota das pequenas coisas, espontâneo e sem cálculo.

                                                       

2.O lixo da Adolescência/Juventude: A espinha no rosto; o frio na espinha; A vontade de transgredir transformada em grosseria; a doença do celular; o forró; o sertanejo universitário; o desprezo pelas coisas sábias sob a desculpa de ultrapassadas.

O luxo: O deslumbramento do primeiro amor; a esperança; a música; Os Beatles; o  One Direction; O Apanhador no campo de centeio; a rebeldia ‘sem causa’; a ânsia de  liberdade oriunda da rebeldia sem causa (que só existe na juventude).


3.O lixo da Velhice: O Alzheimer; o plano de saúde; a aposentadoria, as rugas.

                                           

O luxo: O desapego pelo que não tem tanto valor assim; A descoberta ( quando chega) de que a juventude é uma conquista da maturidade. “Jean Cocteau”
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A adolescência: seu ouro e seu lixo

sábado, 12 de outubro de 2013

LÚCIFER SOB INVESTIGAÇÃO



artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão,
hoje, sábado, dia 12

“ A maior arrogância do homem não é considerar-se á  imagem e semelhança de Deus, mas imaginar que o diabo  pode ser pior do que ele.” Do livro O Infinito em minhas mãos.

Muita gente pensa que Lúcifer é o mesmo que Satanás. Talvez porque nunca  leu a Bíblia, o suficiente, para saber como ambos surgiram. Basta  lembrar, no entanto, do que lá está escrito para constatarmos  que se faz urgente uma reavaliação.  Pelo menos à luz da modernidade.

1.”De acordo com a Bíblia, no segundo dia da criação, Deus criou o céu e, nesse mesmo dia, surgiram os anjos, mas o que mais impressionava pela beleza era Lúcifer”.

Portanto, Lúcifer, se vivesse hoje, seria  uma espécie de pop-star , sem culpa de sua própria beleza alucinante ( se anjos já são bonitos, imagine um que impressionava!) . Como ninguém até agora descobriu qual é o sexo dos anjos,  ele deveria ser uma mistura de Brad Pitt com Gisele Bundchen, Carolina Dieckmann  e Suzana Vieira (esta para sua futura versão dragão, como veremos ). Para muitos entendidos ele  era um querubim e um mensageiro do céu, mas o certo é que, para isso, não precisava ser tão bonito. Uma falha divina?  

                                      

2.”O pecado de Lúcifer foi ter deixado sua beleza e sua alta posição na hierarquia do céu subirem à sua cabeça e, no sexto dia,  ter recusado a ordem de Deus de louvar sua nova criação, O HOMEM, feito à sua imagem e semelhança”.

Ora, se nos dias atuais, até a posição de puxa-saco oficial na hierarquia de qualquer repartição pública faz subir  à cabeça, imagine alguém  sendo  anjo, bonito e, ainda,preferido de Deus. A vaidade não sobe só à cabeça, mas  à lua!
Quanto à sua recusa em obedecer a ordem de Deus para louvar o homem... Será que  depois de tantas atrocidades já cometidas pelo mesmo, alguém duvida de que Lúcifer estava mais do que certo em repudiá-lo?  

3.”Orgulhoso, Lúcifer quis formar um reino acima de Deus e convenceu um terço dos anjos a segui-lo. Para isso se transformou num dragão de sete cabeças e dez chifres”.

            Verdade que formar um reino acima de Deus era muita pretensão, mas o problema a essas alturas, para Lúcifer, era o de conceber a tal companhia humana. “Dizem-me com quem andas e te direi quem és”  deve ter pensado . Um detalhe a mais é que com dez chifres em cima de cada uma de suas sete cabeças é impossível tomar a decisão correta, como  qualquer corno sabe disso até hoje,


                                                


4.”O exército dos rebeldes não conseguiu vencer os celestiais, comandados pelo Arcanjo Miguel que saiu para a batalha com um efetivo de 70% dos anjos.Os perdedores foram considerados anjos caídos e passaram a arder no fogo por toda a eternidade. Só então Lúcifer foi transformado em Satã”.

Em qualquer julgamento imparcial que hoje se faça, a luta inglória de Lúcifer, deveria ser  considerada, no mínimo ,como heróica. Lutando contra a maioria por uma causa justa ( a não aceitação dos humanos, como raça preferida de Deus ), e com derrota pré-anunciada Lúcifer foi, sem dúvida, um guerreiro idealista. E  o que é pior:  sem poder sequer recorrer ao Supremo, como hoje em dia pode fazer  qualquer mensaleiro.   

                                             


5.”Lúcifer, agora Satã,  partiu para a vingança jurando destruir a raça humana. Como manteve o poder de mudar de aparência, às vezes aparece como serpente. Foi usando essa camuflagem que ofereceu a árvore da vida à Eva ”.

Perdido por um, perdido por mil, deve ter pensado Lúcifer, agora Satanás. O mal já estava feito, só lhe restando continuar sua sina como símbolo do mal. Aliás,  nada me tira da cabeça que a maior raiva de Lúcifer não foi ter perdido a batalha, mas sim ter sido obrigado a trocar um nome original,  tão bonito como Lúcifer, para o de Satanás, cumprindo assim uma sina pra lá de desgraçada.
Enfim, à luz da modernidade,  uma diferença de avaliação deve ser feita,  se não para resgatar Lúcifer, pelo menos para compreendê-lo. Se nós, humanos,  milhares de anos depois que nasceu Abel, o primeiro,  acabamos de nos premiar esta semana com um Nobel ( de física) por termos sido  capazes de descobrir uma mera partícula de Deus, nada explica porque razão nos recusamos a descobri-lo em plenitude, como ele gostaria,   ao longo desses quatrocentos milhares de anos.

                                   
Lúcifer sob investigação


E  pensar que isso sempre esteve  ao nosso alcance!
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domingo, 6 de outubro de 2013

DE DILMA PARA OBAMA



artigo publicado na seção Hoje é dia de....
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, sábado


“DISSE A ELE QUE DEPOIS QUE A PASTA DE DENTE SAI DO DENTIFRÍCIO DIFICILMENTE VOLTA. ELE ME RESPONDEU QUE FARIA TODO ESFORÇO POLÍTICO PARA QUE ESSA PASTA DE DENTES, PELO MENOS, NÃO FICASSE SOLTA POR AÍ, E VOLTASSE PARA DENTRO DO DENTIFRÍCIO”, Dilma Roussef, presidente do Brasil, relatando parte de sua recente conversa com o presidente dos USA."

Para você ver, caríssimo leitor, o que rola por aí em reuniões de ministérios e conversas de presidentes. Anos atrás,  na era Collor, de triste memória,  fomos surpreendidos  com os bilhetinhos de amor que eram enviados, sob a mesa e entre coxas, de um ministro para outro.Então, era o ministro Bernardo Carvalho que os enviava para Zélia Cardoso de Melo,Ministra da Economia, enquanto discutiam o destino de nosso dinheiro. Vinte anos após, o incrível papo acima foi travado, semana passada, entre a nossa presidente Dilma e o todo poderoso Obama,presidente dos USA. Segundo ela, o diálogo foi para discutirem sobre a espionagem que os USA andaram fazendo por aqui.
Ora, se para falar de espionagem o assunto era pasta de dente saindo de dentro de uma bisnaga, já pensou se fosse para tratar de uma possível guerra entre as partes? Vai ver que falariam  de um  consolo sexual saindo de dentro de uma lata. 
Algumas hipóteses surgem para explicar o que pode estar oculto por trás de tanto apuro de ‘linguagem presidencial’.
1.Hipótese realística-surreal.

                                              

Dilma Roussef  talvez tenha aproximado sua face muito próximo da de Obama,  o que pode ter denunciado algum súbito mal-hálito com o que tratou de justificar-se de imediato. Obama , educadamente, reagiu dizendo que reconhece o problema da ‘rebeldia da pasta’, e deve tê-la consolado prometendo não divulgar o episódio. Daí o “ vou fazer tudo para que a pasta não fique solta por aí e volte para dentro da bisnaga”. O que, em linguagem não- presidencial deve significar: vou ficar com o bico calado.

2.Hipótese corrupto-política.

                                    
                                 


Dilma teria se apressado (diante de tudo o que os gringos espionaram - e que ainda não mostraram) em justificar tanta bandalheira nacional, explicando-lhe que no meio que convive - e que administra, ‘tudo que sai, nunca mais volta’, pedindo-lhe compreensão para isso. Referia-se, claro,  a dinheiro. Obama, desconsolado,  escolheu uma forma sub-reptícia de dizer-lhe que iria fazer um esforço nessa direção, mas que, de fato, não acreditava que alguém um dia pudesse resolver seu problema. Talvez Dilma devesse lhe ter dito, em linguagem não-presidencial novamente,  que a única pasta que a maioria dos políticos brasileiros entendem  - e gostam -  é aquela cheia de dinheiro.

                                          

3.Hipótese Erótica-Sexual

Sabedora de que foi espionada por Obama (quiçá em trajes íntimos), Dilma teria liberado seus impulsos e se insinuado para o gringo, usando uma metáfora provocante e carregada de ambiguidades. De acordo com esta hipótese, a “pasta de dente saindo do dentifrício que dificilmente volta” seria uma alusão ao não regresso de Obama à companhia  de Michelle depois de ele ter-lhe espionado por dias e dias.  ( De fato,  Obama não parece mesmo  com uma bisnaga?)

                                                  

                Pego de súbito em falso, Obama não teve outro recurso senão contemporizar e sutilmente deve ter respondido que faria tudo para que a pasta de dente voltasse para dentro, ou seja, no caso, ao próprio lar. Donde a pergunta que não quer calar:  “Poderia a visão do que conseguiu espionar de Dilma, tê-lo feito decidir-se   a correr imediatamente de volta para casa?” Ou para o dentifrício, em linguagem presidencial?
                                                                                                                             ewerton.neto@hotmail.com

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sábado, 28 de setembro de 2013

O TORCEDOR-COMEMORAÇÃO



artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão

Para Mauro César Pereira, do ESPN,  um dos mais lúcidos jornalistas esportivos deste país,  a maioria dos que se dizem torcedores no Brasil não são verdadeiros torcedores, ou seja, não gostam, de fato, de seus times. Do que eles gostam é comemoração. Assim, quando percebem a chance de comemorar se mandam para os estádios, quando seus  times vão mal, deles fogem.
Esse é um dos mitos do futebol brasileiro – o de que o brasileiro gosta tanto assim de futebol. Se isso fosse verdade os estádios não estariam vazios, enquanto shows  de músicas de baixa qualidade, forró e sertanejo universitário,  estão sempre cheios.  Outro mito que por aqui predominou durante longo tempo é o de que temos os melhores jogadores do mundo. Ora, nem vamos longe, a grande quantidade de craques que nascem ali bem perto, na Argentina já é um desmentido disso, desde que consideremos a comparação proporcional  à população. Ou   seja,  na terra dos ‘hermanos’, - que já deu Di Stefano, Maradona e , agora, Messi -  a quantidade de gênios de futebol,  per capita,  infelizmente, é maior que a nossa.
Mas o tal Torcedor-Comemoração do Mauro César não é o único a predominar  nessa imensa variedade de tipos . Existem outros:

1.O Torcedor “Joana vai com as Marias que vão com as outras”.


                                         


É aquele que ao distinguir em campo 22 pessoas correndo atrás de uma bola, não sabe direito para que é aquilo, mas se empolga além da conta com a camisa de um dos times,  desde que a tal camisa seja a mais vista em todo lugar. Ou seja, o cara não conhece futebol , mas conhece a camisa, e é com essa que ele vai. Admira não o time, mas a torcida, não o futebol, mas a sensação, para ele empolgante,  de ser uma “Joana vai com a Maria que vai com as outras”. De algum tempo para cá passou a depender fundamentalmente da direção que a Rede Globo dá às suas preferências. Como a rede privilegia os times de maior torcida, o torcedor Joana...   dentro de sua camisa e da frente da tevê não se arreda,  jurando para todo mundo que gosta mais do seu  time do que da própria mãe. Coitada , só sofre menos do que mãe de juiz!

2.O torcedor irado.

É aquele fanático por futebol, cujo humor não muda, quer o time ganhe ou perca. Na verdade,  os filhos desconfiam de que o que ele quer mesmo é um motivo para bater na mãe deles quando chega em casa. Se o time perde fica puto, se o time empata fica alucinado, e se o time ganha é porque o ladrão do juiz fez com  que seu time ganhasse só de cinco a um, ao invés de cinco a zero, como queria.
É por isso que sua sofrida esposa já  tem vizinhas aconselhando-a  a voltar a lhe botar uns chifres enquanto ele vai para o futebol. Num instante, dizem, volta a sorrir.

                                              

3.O Torcedor flutuante.


É aquele que torce sempre pelo time que estiver  ganhando sem se preocupar com qual  seja a tradição do time ou suas realizações. Porém, se o time escolhido  se dana para  perder corre logo a fim de outro.  O torcedor flutuante, por definição, circula por vários times deste Brasil, mas, se aninha melhor com a camisa do São Paulo. A razão, óbvia,  é o fato de o time ter ganho, na  década de noventa,  a fama de time vencedor e, de quebra, a de que  é o mais rico. Como dinheiro compra tudo neste país até torcedor verdadeiro, o torcedor-flutuante, sempre calculista,  raciocina, com alguma razão,  que time que tem mais dinheiro para comprar jogadores tem muito mais chance de sair vencedor ,  portanto, corre para as enquetes  para proclamar sua preferência . Dá para acreditar no que as pesquisas dizem por aí: que o São Paulo tenha hoje mais torcedores em todo o Brasil do que Vasco e Palmeiras? Pode até ser, mas,  pode-se confiar no que diz um  torcedor-flutuante?


                                     

4.O torcedor Exterminador do Futuro - do Futebol.


É aquele para quem não  basta sentir-se um exterminador do futuro, como o personagem de Arnold Shwarzenegger , mas que almeja ainda mais: exterminar  o futebol , o futuro do futebol e o que vier. Na verdade, não torce por time algum, mas pela perspectiva de trucidar o outro, desde este que seja mais fraco. Valentão? Na verdade trata-se de um covardão que apenas torce por um time para que, se escorando num grupo de bestalhões, possa  compor sua própria fantasia de valente. Adora que  digam que é gavião, fanático, louco, fiel, e dedicadíssimo ao seu time e assim comporta-se para que a mídia, ao exaltar de forma dúbia o seu tresloucado amor,  esconda dos outros o que de fato é.

                                      

5.O torcedor multi-time.


É aquele que torce por uma saraivada  de times mais um. Um em São Luis, outro em São Paulo, um no Rio, um em BH,  e outro no Recife. Antes mesmo da recente transmissão  dos jogos europeus na tevê fechada já torcia por times da Espanha, Itália e Inglaterra.  Agora, com a vitória recente do Bayern de Munique na Champions League ,  se impôs a obrigação de ter que escolher também um na Alemanha, o Bayern, claro. Pois o negócio dele é permanecer com a empolgação de torcer por um time vitorioso em algum lugar deste planeta. 
Com a confirmação do Qatar como sede da próxima Copa do Mundo, tá doido para ‘Qatar’ um por lá. Será que  antes disso não vai acabar torcendo por um de Marte?

                                                                              ewerton.neto@hotmail.com
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sábado, 21 de setembro de 2013

MASTURBAÇÃO: PELA LEGALIZAÇÃO URGENTE!


artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje,
sábado

Quando se pensa que tudo já estava resolvido sobre o projeto de legalização da profissão de domésticas  eis que, volta e meia, o assunto volta à tona nos  telejornais: desemprego para um lado , custos impraticáveis para o outro, o que faz surgir a indagação: se é tão complicado assim, porque não deixar as partes se entenderem, como sempre? Para que tanta lei em cima de lei?
Já que a sanha regulatória do governo PT é tão atuante ‘em defesa dos  direitos dos mais fracos e oprimidos’ que tal lembrar-lhes  de mais algumas profissões marginalizadas,  para que tenham mais com o que se preocupar?
                                  

1.Masturbação profissional.
Recente notícia divulgada esta semana dá conta de que a China acaba de regulamentar a profissão de masturbadora profissional para obtenção de sêmen (vulgo punheteira). Ou seja, enquanto em outros países dá-se uma revista pornográfica para que o cliente se excite, na China, as mulheres têm de encarar  o batente , ao que parece, suando muito para obter o ‘produto’. Antecipando-se à insatisfação das trabalhadoras  o governo regularizou-lhes  a atividade oficializando  um salário equivalente a três mil e quinhentos reais.  Levou em consideração:
 O salário. Uma mulher  tem eficiência  reconhecida muito maior do que uma revista pornográfica ( já pensou se o cliente recebe a edição da Hortênsia?),  portanto a profissional não pode  depender da boa-vontade do marmanjo para receber o que tem direito. Ora, se os homens ( No Brasil,  na China, ou em Alfa Centauro)  são tão caras-de-pau a ponto de relutarem em pagar por uma transa consumada , que dirá por uma masturbação. Nada mais justo que o Governo tome a si essa tarefa.
O grau de risco. O grau de risco foi considerado, por lá,  de nível 4  ( o máximo é cinco) levando-se em consideração a repetição cansativa do gesto, o  que pode causar danos irreversíveis . (obs. Nem foi considerada  a hipótese de a mulher ficar cega em decorrência da força do jato, como aconteceu recentemente nos USA, após uma relação de sexo oral). No Brasil, além desse, há de se considerar outros riscos como os de que o sujeito - prestes a gozar – queira estuprar a profissional,  bater na mesma ou xingá-la de vagabunda , como é tão corriqueiro por aqui e faz tanto sucesso nos bailes funk.  Ou seja, o grau de risco no Brasil é mais elevado, o que implica em dizer que o salário deveria  ser três vezes maior.

                                      


2.A profissão de ex-BBB.
Já são mais de dez mil os ex-BBB  que vagam por aí, sem rumo definido e sem carteira assinada. Impõe-se a regulamentação imediata da profissão  para que estes profissionais  (embora vagabundos por talento e vocação) não se confundam com os mesmos,  e não  se tornem mais prejudiciais ainda à sociedade.  
O salário. O salário terá que ser digno, afinal de contas não é fácil ter ficado  enjaulado numa casa,  ou ter de agüentar o Pedro Bial , além de outros sacrifícios. È sempre bom lembrar que para alguém ser escolhido para o programa e conseqüentemente para  ser, no futuro, em ex BBB,  não basta ser burro, tem que parecer burro. E, quanto às mulheres, caso não consigam posar nuas para as revistas, de que vão viver?                                    

3.Gigolô de Perua.
A profissão de gigolô de perua jamais foi regulamentada neste país, embora sejam  muitos os que vivem disso. Das periferias às telas da tevê, na vida real das celebridades ou na ficção,  é só que se vê. A regulamentação imediata dessa profissão se faz, portanto,  impositiva para que se evite, assim como acontece com a droga,  as distorções oriundas do submundo dessas relações.
Salário. Embora a maioria dos profissionais ganhe rios de dinheiro diretamente das contratantes (as peruas) a profissão ainda não é regulamentada, o que faz com que estas tenham que recorrer a artifícios para justificar que o trabalho exercido pelos gigolôs sejam tão bem remunerados. Assim elas dizem  que um é mágico, outro jogador de futebol e outro analista de mercado, sem tornar explícito - para o imposto de renda - que mágica e que mercado são esses  e com que bola (talvez duas ?) jogam.
O grau de risco. Embora muita gente considere o contrário, por conta da sombra e água fresca que são o principal ambiente  de trabalho desses empregados, o grau de risco é alto. Quer desespero maior do que acordar de madrugada e ter que encarar uma perua  da Globo, sem photoshop? E ainda por cima ser intimado a cumprir suas obrigações profissionais?

                                           


Sem contar a imponderabilidade do futuro incerto. Afinal de contas, como elas mesmas dizem umas da outras; “Fulana de tal? Essa já morreu e não sabe.”      

                                                               ewerton.neto@hotmail.com                                                                                                   http://www.joseewertonneto.blogspot.comMASTURBAÇÃO: pela legalização urgente!

sábado, 14 de setembro de 2013

SÃO LUIS 400 + 1: PEQUENO GUIA DE ESCOLHAS




Artigo publicado domingo , dia 8, no suplemento especial
do jornal o Estado do Maranhão em homenagem aos 401 anos
da cidade de São Luis


                                             
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1.Shopping-center  x  Centro.
Prefira o centro: maltratado, cheio de flanelinhas e camelôs, esburacado ou não, prefira o centro. Shopping-centers se dão bem com patricinhas, peruas sem rumo e buxudões sem destino. Uma hora no centro histórico da cidade vale por vinte anos em qualquer shopping-center  - esse condomínio de prisioneiros do ar-condicionado e do vazio comunitário.   (Sei que o IPHAN está anunciando a doação de milhões para melhorar o centro da cidade. OK, mas que ninguém esqueça que o centro da cidade sempre valeu e valerá muito mais que uma fotografia para turista) .
2.Sampaio Correia x Flamengo.
Prefira o Sampaio Correia.  Lembre-se de que o Sampaio foi o único time  do mundo campeão de três divisões nacionais. E, se ainda faltarem razões, além do fato de ser um time da terra,  lembre-se de que  a todo-poderosa Rede Globo, a entidade que controla o futebol brasileiro ( e, conseqüentemente, os juízes de futebol, a CBF  e a exaltação comprada) não está nem aí para o Sampaio Correia, o glorioso time do calção cáqui com nome de um avião - para poder vencer “e voar” como os pássaros.  


                                        


                3.Carroça x Hilux.
Tenha paciência, incomode-se com a lerdeza do trânsito, mas jamais  xingue  o carroceiro, muito menos um animal tão humilde e paciente como o  jumento. Se tiver que xingar,  xingue  as jamantas importadas  que no trânsito complicado da cidade se movem – que vergonha! - mais devagar ainda que as carroças E, por outra, lembre-se de que  o jumento que dirige a carroça é menos burro do que o jumento que dirige a Hilux , pois o que dirige a camioneta não tem  inteligência sequer suficiente para perceber que carrões desse porte não são apropriados para as ruelas estreitas desta cidade e seus pequenos estacionamentos, mas  sim para auto-estradas.
                4.Cupuaçu x Craviola.
Difícil escolha porque ambas as frutas são uma delícia:  misture ambas no suco:, seu prazer aumentará. Mas, se você for um inovador  vá mais adiante: acrescente bacuri.


                              

5.Juçara x Açaí.
Juçara, sempre juçara, mas não com tapioca de Pará,  mas com farinha d’água. Acrescente camarão seco, peixe- frito, ou o que mais for. A juçara ( embora seja a mesma coisa ) é muito melhor do que o açaí porque já vem com fundo musical de nome de mulher.
6.Estátua de poeta x estátua de político (ou de heróis).
Fique com as estátuas de poetas: o risco é menor de se perder tempo  admirando  o que não deve. Prefira, entre todas,  a de Gonçalves Dias, altaneira, na aprazível Praça dos Remédios. Montado no mar dá de dez a zero na do Duque de Caxias, montado num cavalo, no bairro do João Paulo.

                                     


7.Praia do Olho DÁgua x Ponta D’areia.
A outrora belíssima praia da Ponta D’areia , por culpa da especulação imobiliária – sob o aval do Poder Público - virou uma pequena porção de água salgada cercada de edifícios por todos os lados. Por sua vez,  a pequena porção de água salgada, agora está cercada de dejetos por todos os lados ( vindo dos edifícios). Quanto ao Olho D´`Agua...
Quer saber? Prefira a Praia Grande: tem mulher, tem bebida, comida, pouca roupa  - a depender do que você deseja -,   e tem a vantagem de que não tem praia. E nem edifícios horrorosos para enfear  a paisagem.  
8.João Paulo x Felipinho.
Os dois são gente boa. Eles e mais o Sampaio Correia são os caras mais conhecidos desta cidade. E as gentes que moram neles, idem.
9.Atenas Brasileira x Jamaica Brasileira.
Que me perdoe o Bob Marley (de quem gosto muito), mas prefira a Atenas.  A Atenas Brasileira tinha Aluisio Azevedo e Gonçalves Dias e agora tem Ferreira Gullar, José Chagas, Nauro Machado, Cassas e Ronaldo Costa Fernandes. A Jamaica Brasileira, por sua vez: muito passado, pouco presente, pouco futuro  Até a Tribo de Jah, ‘jah’ se mandou.
10.Academias de samba x Academias de Letras. 
São Luis já foi, nos anos setenta, para cada doze maranhenses, uma academia de letras, não é mesmo,  Pasquim?  Vá lá, a coisa não era bem assim ( o jornal estava ironizando) , mas o samba jamais fez por esta terra o que fizeram as letras. “Podem me prender, podem me bater, que eu não mudo de opinião”, de cima de um livro eu não saio não – como já dizia o samba carioca.
11.Ribamar x Cauã. Prefira o nome do seu do seu  avô ou do seu bisavô para colocar no seu filho, senhora, não vá atrás de nome de artista da  Globo. Nem se deixe influenciar por humoristas de segunda categoria como Tom Cavalcanti, que, estupidamente, deu ao nome uma conotação ‘racista’ de nordestino porque ele próprio não dá valor a sua origem e a si mesmo.  Ribamar é um belo nome, antes de nordestino,  maranhense, o último que nos sobrou. E  que para ser bonito nem precisa do milagre do santo.
12.Arroz de Cuxá x Arroz de Parida x Arroz de Codorna x Arroz de Capote. Prefira sempre o que tiver Arroz, o Arroz, o Arroz! Comida  de maranhense sem arroz é como um outro tipo de comida, sem carinho preliminar. Se o grande poeta pernambucano  Manoel Bandeira dizia: “ Se perguntares que mais queres, além de versos e mulheres: Vinho, vinho é que é meu fraco, acrescente o arroz na festa e nos versos. Se fica menos poético,  porém, fica muito mais gostoso.  


                                             


13.Sol x Chuva.
Sol, muito sol. De manhã, de tarde e, se possível, de noite. Agradeça todo o dia a Deus por morar numa terra onde  o sol não cobra aluguel e nem precisa de decreto da presidente para oferecer desconto de sua luz. E tenha pena, muita pena, dos bobalhões desta terra que, ao visitar o exterior,  ou mesmo o Sul do país, não podem olhar um floco de neve que começam a chorar de emoção. Coitados! Quando vão descobrir que não há beleza de neve ( que para os europeus não passa de uma incômoda lama) que se compare a um minúsculo raio de sol do crepúsculo, visto da ponte do São Francisco ou da Bandeira Tribuzzi?
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sábado, 7 de setembro de 2013

IMITAÇÃO PARA DAR, VENDER E USAR





artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo, jornal
o Estado do Maranhão, hoje, sábado


Tudo que se faz e se vê no mundo não passa de uma grande imitação (satélite imitando satélite, planeta imitando planeta e gente imitando gente), o que faz desconfiar que o nosso universo  começou tentando imitar um outro, não foi muito feliz e deu no que deu. Daí essa imensa paciência de Deus com os que tentam imitá-lo: primeiro FHC, depois Lula e agora Dilma. O todo-poderoso deve pensar assim: “ Deixa que me imitem, pior fui eu que nem tive essa chance.”


                                   


1.Ao longo da evolução humana, na luta pela sobrevivência, o macaco foi imitando o seu parceiro mais inteligente até chegar ao ser humano atual. Tudo deveria caminhar nessa seqüência positiva entre marchas e contramarchas, até que, provavelmente, lá pelo ano  2500 ( os números são imprecisos) tivéssemos uma raça quase perfeita. Acontece que o pior se deu e,  de algum tempo para cá ( mais ou menos uns trinta anos) ao invés de os seres humanos continuarem  imitando os mais inteligentes, deram para imitar os mais burros – e o pior é que passaram a se considerar  felizes com isso.
                É um tal de  tanto se imitar coisa ruim que,  no Brasil, Roberto Justus, o homem do cabelo engomado e casamenteiro oficial da revista Caras,  virou objeto de aspiração da maioria dos estudantes universitários, conforme recente pesquisa;  e Anitta ( com dois t) virou referência das mulheres por esse Brasil afora. ( Dizem que já tem mãe botando três t no nome da filha para esta ficar mais parecida com a funkeira e três vezes mais periguete).

                                                               

   
Causa estranheza que, apesar disso, os cientistas, sempre atentos aos fenômenos que causem desequilíbrio na ordem  natural da evolução humana, ainda não tenham atentado para pensar nessa  situação limitante e catastrófica. Aonde iremos parar? Seguramente, um retrocesso civilizatório já se anuncia quando vemos gente do BBBrasil agindo como primitivos macacos em jaulas postas para visitação nos shopping-centers. Ou quando torcedores da  Gaviões da Fiel estão  sempre prontos a atacar seus semelhantes a qualquer hora e em qualquer lugar,  como uma horda de chimpanzés enfurecidos.
Tanto livro de auto-ajuda  para despertar a auto-estima, tanta procura do eu...Para que isso adiantou? O eu de todo mundo parece estar mais perdido do que virgindade em baile funk, doido para encontrar outro eu onde escapar de si, nem que seja através da  imitação mais paupérrima e  vil. .  Tempos atrás a revista Veja publicou uma reportagem em que as mulheres queriam porque queriam se parecer com Angelina Jolie, incluindo nessa leva até atrizes consagradas com Megan Fox. Esta semana vários  jornais da ilha publicaram a reportagem de um simpático garoto muito talentoso, que mora no bairro da Liberdade, cuja imitação de um repórter da Globo, o fez “bombar” na Internet. Ou seja, ao invés de se estimular o talento do garoto, se privilegia  e se propaga , principalmente,  seu dom de imitar.
Não seria por isso que os rostos das mulheres globais estão ficando cada vez mais padronizados, sendo cada vez mais raro encontrar entre as celebridades de quinze segundos um rosto marcante, como havia no passado, em cima do pescoço de  Sofia Loren, ou Ava Gardner, por exemplo?  Provavelmente porque, na ânsia de imitação,  o que se procura são rostos semelhantes  onde esconder  uma  potencial beleza constrangida, e não a personalidade ( essa que não se consegue imitar ) e que dá brilho e formosura  à imagem do rosto. 


                                       
     


IMITAÇÃO PARA DAR, VENDER E USAR
2.É o flanelinha tentando imitar o motorista do carrão, este tentando imitar o dono da mansão e  este, por sua vez,  tentando imitar o pseudo- intelectual Gabriel Chalita ( a maior vontade do intelectual é ser rico e a do rico é ser intelectual, como dizia Millor). Nessa obsessão de imitar, imita-se tanto e tão mal, que se imita até a si mesmo ( a face mais corrompida de si) como fazem aberrações pobres de talento como Gusttavo Lima, Luan Santana etc.  Já vai muito longe o tempo em que houve um homem como São Francisco de Assis, que se propôs a imitar Jesus Cristo e se realizou com isso. Claro, isso dá muito trabalho e a cruz deve doer  pra caramba!

                                          


Imitar Jesus Cristo e sua lição de humildade virou nos dias atuais coisa para santo. Vale mais a pena imitar o Donadon,  e o futuro da humanidade que se exploda.  Quando vejo uma deslumbrada mãe levando sua filha para um concurso de modelos infantis, forçando-a a simular precocemente a magreza, os trejeitos e o sorriso de quem chupou limão de modelos robotizadas e sem rosto, pouca alternativa resta a não lhe estimular mais ainda dizendo:
- Vá fundo,  ela é meio feinha, mas isso não será obstáculo pelo que vejo das modelos profissionais. Um dia ela  conseguirá. Afinal de contas, os esqueletos se parecem  todos,  ao final.  

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sábado, 31 de agosto de 2013

MAIS (MÉDICOS) DEMAIS E MENOS, DE MENOS




artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal  O estado do Maranhão, hoje, sábado


A colunista Rute de Aquino, da revista Época, na sua coluna da semana passada e num interessante tirocínio propôs que o programa da presidenta Dilma de Mais Médicos fosse substituído por um novo programa: Menos políticos; menos ministros, menos senadores, menos deputados, menos vereadores etc. Assim, com a economia decorrente disso  se resolveria boa parte da escassez financeira que originou o Mais  Médicos.
Pegando carona em sua observação, basta refletir um pouquinho para chegar-se à conclusão de que o que está  fazendo falta é o menos, num país em que cada vez mais todo mundo quer ser mais, quer ter mais e, como se não bastasse , ainda quer ser o melhor.
 Por exemplo: que tal pensar em MENOS APORRINHAÇÃO PARA O CIDADÃO?  Por que será que um ancião aposentado e doente, tem que sair de sua casa, como há um mês  atrás, para provar, com cadeira de rodas e doença,  que está vivo a um governo que vive desconfiando de que ele está morto? Que tal menos crueldade?


                                                 


E, por outra, porque será que todo cidadão neste país, em pleno século XXI,  tem que ser obrigado a votar? Ora, acreditar que votar é ato de grande patriotismo faz parte do mesmo argumento canalha (“O patriotismo é o último refúgio dos canalhas”, Samuel Johnson) que entende como ato de patriotismo cantar hino nacional em tudo quanto é jogo de futebol.  Por que obrigar um trabalhador honesto a ir para uma instituição enfrentar uma fila para recadastrar seu título, sob pena de ter seus direitos de cidadão usurpados, se a opção dele for, justamente, não participar disso? Quem é mais patriota: aquele que vota deliberadamente num corrupto reconhecido  ou aquele que não se submete a essa possibilidade de erro? Que tal menos aporrinhação obrigatória?
Se ainda existe alguém que duvida de que neste país não existe mais ‘demais’, basta  lembrar de alguns:
1.Mais torto do que cigarro de pinguço..
2.Mais desprezado  do que minuto de silêncio.
            3.Mais  valentão do que torcedor da Gaviões da Fiel.
4.Mais emporcalhado do que twitter de celebridade.
5.Mais comportado do que cabeleira de Roberto Justus


                                                   


.
6.Mais sem roupa  do que futuro de ex-BBB
7.Mais camuflado do que ruga de artista .
8.Mais falso do que sorriso de aeromoça.
9.Mais despencado do que ação de Eike Batista.  
10.Mais parado do que relógio de praça.
11.Mais liso do que bunda de neném.
12.Mais chato do que reunião de condomínio .
13.Mais imundo do que sabão de flanelinha.
14.Mais vazio do que cabeça de BBB.
15.Mais agitado do que bunda de funkeira.
16.Mais duro do que bunda de estátua.


                                           


17.Mais folgado do que gigolô de perua (da Globo).
18.Mais descarado do que condenação de mensaleiro.
19.Mais enterrado do que fio dental em bumbum de passista


                                        



20. Mais temido do que celulite em bunda de modelo.

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