sábado, 7 de julho de 2012

CARLOS CACHOEIRA ETIQUETADO



artigo publicado hoje, sábado, na seção Hoje é dia de...
jornal o Estado do Maranhão, caderno Alternativo


Li esta semana neste jornal que um sujeito entendido em etiqueta proclamou que comer frango com o auxílio dos dedos fere a etiqueta. Ora, uma de minhas satisfações referentes ao ato de comer, quando me tornei adolescente, foi saber que justamente os mestres da etiqueta autorizavam comer frango com as mãos, como eu fazia quando criança. O que é, obviamente, muito mais prático e ninguém vai morrer por causa disso.
                        Apreciador de um bom frango grelhado acostumei-me, desde então, a comer a parte mais gostosa, para mim, que é a coxa, com as mãos, por uma razão muito simples, se for comer, com garfo e faca,  sinto que esta perde o sabor. Ora, direis, ‘estás a confundir o sabor com a facilidade de ingerir a  comida.’ Isso mesmo, e por que não? O que vem a ser ‘o sabor’? É apenas sentir o gosto que a comida possui ou fazer disso um ato de puro prazer, advindo da liberdade de se refestelar quando e do que jeito que melhor lhe convier? Respondam se forem capazes, senhores mestres da etiqueta!
                        Mestres da etiqueta! Eis aí algo que nunca consegui entender. Com o que, então, de repente, alguém que nunca soube de onde saiu: se é burro ou inteligente, gordo ou magro, argentino ou corintiano, mete-se a dar palpites na maneira de como devo sentir o sabor de uma comida - que ele não pagou para mim.  Dá para acreditar?
                        E, pior, faz disso uma forma de vida, ganha dinheiro à custa dessa suposta sapiência e a única coisa que existe para  referenda-lo é a informação de que deve ser rico. Sim, porque senão o dito cujo não freqüentaria restaurantes caros,  não estaria dando uma de papagaio de pirata nas fotos com celebridades e não acharia uma editora capaz  de publicar suas regras de ‘bem comer’ que ele aprendeu, sabe-se lá onde. E, principalmente, não acharia um batalhão de idiotas que somos todos nós, seres humanos, ávidos por sair atrás de qualquer um que nos imponha o cerceamento da nossa liberdade de pensar ou agir – ou de comer. “Liberdade, Liberdade!” como disse o poeta: “Como teus grilhões são mais pesados para o ser humano do que qualquer escravidão!”
                        Na edição desta semana da revista Veja li uma entrevista de um arquiteto, por sinal maranhense, na qual este se refere ao mega-corrupto, Carlos Cachoeira. O título da reportagem é “O Cachoeira é um homem muito fino” Fino? Tentei interpretar o conteúdo surpreendente do título, antes de começar a ler a reportagem e logo me veio a imagem do rotundo Cachoeira, muito mais para gordo do que para magro. Percebi que não era por aí. Lendo um pouco adiante foi fácil chegar à conclusão de que o arquiteto maranhense referia-se a uma suposta ‘finura’ do sujeito, mais ou menos do tipo ao qual se referem aqueles que pregam e distribuem regras de etiqueta. Esse ‘fino’ dele alude à elegante, social, chique, prendado etc. O que de pronto me levou, por ilação, a uma conclusão sui-generis. Ora, se alguém com o volume de atos de corrupção dos quais é acusado, como Cachoeira, é um homem fino, isso quer dizer que um sujeito honesto deva ser o quê, grosso? Pronto, acabamos de descobrir que mais da metade da população brasileira é grossa. Pelo menos enquanto ainda for honesta.

                                                                              

                        Finda a leitura é fácil constatar, um tanto amargamente,  que o “fino” do Cachoeira é do mesmo teor que o “gente bonita” de que fala a mídia  quando se refere à gente rica. Sim porque Cachoeira, embora seja acusado de corrupção, é rico por causa disso, portanto, não importa a sua educação,elegância, cultura, tornou-se gente fina ou ‘finíssima’ porque a posse do dinheiro traz esse outro poder: o de transformar um feio em bonito, um burro num intelectual, e um corrupto em fino. O que leva a acreditar que neste país surpreendente onde, ainda segundo Tim Maia: gigolô tem ciúme, puta goza, comunista é de direita e traficante fuma maconha, ainda cabe mais um: “E em que corrupto é fino”.
                        Em outras palavras: ser honesto neste país virou deselegância.

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sábado, 30 de junho de 2012

COLA JESUS, PARA PATRIMÔNIO HISTÓRICO E CULTURAL

artigo publicado hoje, sábado, na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão



A Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro acaba de aprovar projeto de lei do deputado Luis Martins (PDT) que confere à cachaça o status de Patrimônio Histórico e Cultural do Estado do Rio de Janeiro. O projeto foi aprovado sem discussão.

                        Pois é, quem diria... a cachaça agora vai virar Patrimônio Histórico e Cultural (PHC) do estado do Rio e ao que tudo indica será, em breve, nacional. Pensando bem, nada mais justo já que somos todos cachaceiros, não é mesmo, senhores deputados? Os ilustres parlamentares cariocas só esqueceram de lembrar também da ‘Bala Perdida’, esse patrimônio carioca, não tão perdido assim, que , para os lados das favelas do Rio e dos apartamentos luxuosos ao redor, sempre encontra um no caminho.
                        Por aqui o Tambor de Crioula já foi considerado PHC nacional. Parece-me que o Bumba-Boi está tentando, ou já conseguiu, e o Bloco Carnavalesco também. Neste Brasil em que tudo é festa e tudo é cultura e vice-versa, nada mais justo que o PHC entre como a cobertura do bolo da eterna festa da cultura. Nada como inserir novas sugestões:

1.            O Guaraná Jesus. Como falta imaginação para os nossos deputados! Enquanto os do Rio já elegeram a cachaça, como se esta fosse deles, por que será que, por aqui,  ninguém se lembrou da Jesus? Ninguém sabe até hoje se seu sabor é de canela, de álcool, de sorvete, de açúcar, ou se simplesmente tem sabor. Mas sabe-se perfeitamente que o Guaraná Jesus é um fenômeno genuinamente maranhense que nos causa mais orgulho do que, por exemplo, sermos  do Estado onde se falava o melhor português do Brasil ( alguém ainda se lembra disso?), tanto é assim que os aeroportos de ida dos turistas maranhenses são repletos de caixas e mais caixas de Jesus, como se esta fosse a nossa principal marca. Mas, nunca se viu alguém com um livro de um autor maranhense. Mandem brasa, senhores deputados!



2.              A corrupção. Não sejamos tão pretensiosos assim, esta é nacional. Onde encontrar fenômeno cultural brasileiro mais enraizado do que este, num país em que tudo nasce corrompido: da água ( que vinda do poço e é vendida como mineral) à cachoeira que jorra no Congresso? Até os bebês já nascem corrompidos, porque são adquiridos pelas mães no vizinho, sem que o marido saiba. Certo, alguém há de dizer que a corrupção não pode ser escolhida como brasileira porque existe em todo lugar, já que é intrínseca à natureza humana.
                        Vá lá, mas nunca em outro país do mundo a corrupção é tão aceita, tão desejada e tão festejada. Em nenhum lugar do mundo os acusados de corrupção são tão idolatrados como no Brasil (recentemente, os abraços de Lula, nosso venerado ex-presidente, em Paulo Maluf são provas eloqüentes disso etc.etc.etc.). Que se torne logo, portanto, um PHC nacional reconhecido universalmente, nem que para isso se torne necessário corromper algum jurado. O que, aliás, para nós, seria tão fácil.

                        3. O grito de Gol de Galvão Bueno. Existe som mais cultural e tipicamente nacional do que o grito de gol de Galvão Bueno? Em tudo esse som estridente revela, como nenhum outro, a alma brasileira. A cafagestada, o patriotismo de araque, o jogar para a torcida, o oportunismo - de um farsante em favor de uma grana milionária. Responda depressa, caro leitor. O que lhe arrepia mais em termos de simbolismo patriótico: o Hino Nacional ou o grito de gol de Galvão Bueno? Ora, claro que é o grito do locutor da Globo: interminável, agourento, insuportável, mas capaz de aliviar todas as mágoas nacionais. Que se eternize, então, esse som como símbolo de até onde pode chegar a riqueza da diversidade cultural brasileira.

4.                      O horror à literatura. Seria esse título o mais indicado para introduzir esse fenômeno cultural tipicamente maranhense dos dias atuais, como nosso patrimônio histórico cultural?  Nossa terra já foi o lugar onde outrora se falou o melhor  português do Brasil e foi também o lugar  considerado Atenas Brasileira. Hoje é um lugar onde seus universitários lêem menos de um livro por ano e em que Feiras de Livro apresentam cantores como principais atrações, porque senão ninguém vai. ( Vide Chico César, Imperatriz, Feira do Livro). Em que se dilaceram concursos literários tradicionais  e em que os autores premiados têm de ir à Justiça para receber os prêmios que lhes foram outorgados.
                        “Toda mutação  cultural generalizada deveria merecer tornar-se também Patrimônio Histórico e Cultural”, principalmente numa festa em que todo mundo pensa que deve caber todo mundo. Avante, senhores deputados!

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sábado, 23 de junho de 2012

VIAGRA EM FALTA

artigo publicado hoje, sábado, na sessão
Hoje é dia de...Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão



Houve um tempo em que não havia Viagra. Como será que a rapaziada  resolvia a parada? Vá lá! Uns davam um trabalho danado para as mulheres, outros xingavam  a natureza, uns se matavam, enquanto outros...recorriam aos afrodisíacos.
            Afrodisíaco? Alguém ainda sabe o que é isso? Antes que algum “politicamente correto” me acuse de racista com esse negócio de afro lembro que houve um tempo em que estes foram a  grande solução. A única, aliás, mas já faz tempo. Ultimamente, porém, tem marmanjo abusando tanto das pílulas  “salvadoras” que esquece de que esse tipo de remédio mostra o pau  mas nem sempre mata a cobra, se houver ausência de libido, o que está fazendo muito médico aconselhar a volta imediata aos afrodisíacos. Por via das dúvidas...

1.                 Aspargo. É um dos mais antigos exemplares do gênero e atuava de conformidade com a Lei da Semelhança Erótica, segundo a qual as comidas parecidas com os órgãos sexuais  possuem o poder de despertá-los. (Por falar nisso, por onde andarão os maracujás-pênis dos sítios de Ribamar que fizeram tanto sucesso há um ano atrás? Será que foi mais uma espécie fadada à extinção porque a oferta foi menor do que a procura?).



2.                   Cantárida. É uma mosquinha que seca e moída provoca uma irritaçãozinha nos dutos, aumenta o fluxo de sangue e daí... O milagre. Portanto, caro amigo, se você estiver em uma mesa da Litorânea com uma ‘gata selvagem’, tenha paciência estratégica e não reclame das moscas que por lá proliferam. Ao contrário, verifique se uma delas é a dita cuja e execute a cantárida...Ou melhor, a cantada. . 

3.                 Chifre de Rinoceronte.Usado em forma de pó, seu consumo foi responsável pela quase extinção da raça, tantos foram os animais mortos pela deschifração. Parece ter sido essa a primeira e a última vez na história da humanidade em que o chifre resolvia o problema do chifrudo.

4.                 Chocolate. Como todos sabem, o  cacau contêm uma endorfina, que o sangue do ser humano libera quando se apaixona. Consta que Montezuma, o rei dos astecas, tomava diariamente cinqüenta xícaras de chocolate para dar expediente com suas 600 concubinas. Portanto, amigo, você já tomou seu Toddy hoje? Certo, todo mundo sabe que você não é nenhum Montezuma, mas, montenuma, pelo menos.

5.                 Ginko-Biloba. Não fique impressionado com o nome efeminado que lembra boiola, etc. O efeito é o inverso. Esta venerável árvore vem sendo usada há mais de 500 anos para estimular a circulação sanguínea, já que, sendo um vasodilatador, é uma espécie de viagrazinho natural. Por causa dos efeitos colaterais só precisa ter cuidado para não ingeri-lo em excesso, porque, senão, o vaso que você vai ter que dilatar será o do banheiro.

6.                 Inteligência. Durante muito tempo chegou-se a acreditar que os burros eram melhores de cama, daí se justificando a idolatria de certas mulheres por bobalhões como Luan Santana, Fábio Júnior, ou os paspalhões do BBBrasil. Só que a guru  sexual Dra. Ruth Westheimer uma das maiores autoridades no assunto nos  USA, afirma de pés juntos ( e as coxas abertas) que o órgão sexual mais importante está na cabeça. Já se sabia disso há muito tempo, mas a novidade é que ela referiu-se à de cima. Dizem, por exemplo, que Einstein era insaciável, embora ainda encontrasse tempo para desenvolver a Teoria da Relatividade e tocar violino. Vai ser gênio e bom de cama assim na velocidade da luz!

7.                 Kava-Kava. De acordo com o cardiologista Stephen Sinatra, especialista em medicina natural, a Kava-Kava, da família das pimentas, produz em efeito relaxante que diminui a ansiedade quanto ao desempenho sexual. Portanto, amiga, se você é um ‘pimentinha’ e o seu namorado não está dando conta do recado peça auxílio a uma amiga de fé e faça-o engolir, de imediato, uma Kava-Kava. Mostre o buraco que ele vai Kavar-Kavar até encontrar.

8.                 Ostras. Dizem que Casanova, o maior conquistador da História já começava o seu quotidiano com uma  prato cheio de ostras e a elas deve sua fama de garanhão que lhe rendeu inúmeras mulheres. Casou-se,  claro, mas não durou muito com uma só. A explicação foi pouco convincente para os dias que correm: “Desculpe, minha amada, gosto de você, mas não posso esquecer as outras!” Ou teria dito ‘ostras’?
                                                             
9.                 Vinho. Mais uma vez a história da dilatação dos vasos sanguíneos, na qual o vinho é um mestre. Um outro mestre, da poesia ( que para algumas mulheres sensíveis ainda é o melhor afrodisíaco) o escritor Manoel Bandeira, parecia saber disso quando escreveu: “ Se perguntares que mais queres, além de versos e mulheres. Vinho! Vinho é que é o meu fraco! Evoé, Baco!”

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sábado, 16 de junho de 2012

OS SUPER HERÓIS ( e seus poderes )


artigo publicado hoje, na seção Hoje é dia de...
Caderno alternativo, jornal o Estado do Maranhão


                                    Todo mundo teve, em sua infância e adolescência, um super-herói. O de minha simpatia era o Zorro (não o das histórias em quadrinhos, mas o do romance A marca do Zorro do Johnston McCulley, que reli três ou quatro vezes.) Mas gostava também de Tarzan, Cisco Kid e do Fantasma. Não entendia muito bem o Flash Gordon.
            Mas, não é que estão descobrindo coisas desse pessoal que, na época, não estavam ao alcance da imaginação das crianças que os liam? Pois é, acabam de comprovar o que muita gente já desconfiava: o Batman é gay, Robin é seu caso  e quem confirmou isso foi seu próprio criador. Revelada, assim, a identidade secreta  dos super-heróis ( na base do “não existe herói  tão super que ‘super-e’  seus sentimentos ocultos”), ouso revelar , agora, o que pouca gente, por sua vez, desconfiava: os mais  famosos super-heróis tem equivalentes brasileiros. Senão, vejamos:

1.      O PROFESSOR X. Principais poderes: Sendo o maior telepata do universo, pode ler, influenciar e controlar a mente de qualquer pessoa ao redor, além de projetar sua consciência – da vítima – para fora do corpo.
            Versão Brasileira: Zé Dirceu, também chamado o Mestre Zé. Domina com extrema facilidade a mente de qualquer petista ao redor, o que significa controlar também a mente de todos aqueles que não são petistas, mas querem ficar à sombra do poder. Jamais projetou, contudo, a consciência de suas vítimas para fora do corpo, até porque nunca soube exatamente o que seja isso.

2.                 WOLVERINE.. Principais poderes: Dotado de poderoso fator de cura (seu corpo se recupera de qualquer doença), praticamente não envelhece. Tem sentidos aguçados como o de um animal selvagem e de cada uma de suas mãos  projetam-se três garras.
Versão Brasileira: Lula, também chamado Lula-lelé-rine. Tem poderoso fator de cura, como recentemente comprovado. Envelhece pouco, tanto é assim  que ninguém sabe ao certo a sua idade. Possui os sentidos tão aguçados na “selvageria” dos interesses políticos que consegue controlar desde “cobras criadas” a “tucanos ensandecidos”. Suas mãos só não conseguem projetar mais garras porque lhes falta um dedo.

3.                 ÁQUA-MAN ( o rei dos sete-mares). Principais poderes:  Além de respirar em baixo d’água e controlar mentalmente seres marinhos, possui super-força, enorme velocidade e resistência física incomparável.
Versão Brasileira: Carlinhos Cachoeira, também chamado Cachoeira-Pinga-Pinga. Não respira tão bem em baixo d’água como, sobretudo, em ambientes putrefatos (gabinetes estatais que exalam corrupção). Controla mentalmente os seres mais inimagináveis da política, a custo de muita grana. Possui resistência física invejável, o que lhe dá a capacidade de permanecer em completo silêncio por horas e horas, dias e dias, meses e meses, sem estar morto.


                                          


4. MULHER-MARAVILHA. Principais poderes: Além de força e agilidade a mulher-maravilha tem o poder de se comunicar com animais e voar a grandes velocidades. Possui o inquebrantável laço-da-verdade, que força qualquer vítima a falar a verdade.
            Versão Brasileira: Xuxa, também chamada Xuxa- a Maravilhosa. Possui notável agilidade, especialmente em cenas de sexo com parceiros infantis. Tem o poder se comunicar ‘às mil maravilhas’, tanto com os baixinhos - nos palcos da tevê-, como com seus pais, na própria alcova. Possui o laço-da-mentira, que faz todo mundo acreditar nas mentiras que conta (Por exemplo, todo mundo acreditou que ela foi estuprada na infância, quando, ao contrário, ela é que estuprava garotos, em filmes pornôs).

5.                 SUPER-HOMEM. Principais poderes: Em sua origem era à prova de balas, podia dar grandes saltos e corria mais rápido que uma locomotiva, mas era muito frágil diante uma kriptonita . Seus poderes foram diminuídos por seus próprios criadores a partir de 2006.
Versão brasileira: Ronaldinho Gaúcho, também chamado o Super-Dentuço. Quando chegou ao Flamengo, idolatrado por sua grande torcida, parecia à prova de balas, inclusive as perdidas, tão comuns no Rio. Mas dava grandes saltos e corria mais que uma locomotiva atrás de uma ‘perdida’, ou seja, de uma Maria–Chuteira. Aos poucos seus poderes foram diminuindo, mas continua frágil diante de uma...
N.B. (A kriptonita da fraqueza do Super-Dentuço é um pouco diferente daquela do Super-Homem, embora tenha pronúncia final algo parecida. Como abandonou o Mengão e foi parar no Atlético Mineiro parece que ele não se deu muito bem com a ‘Kriptonita’ de Patrícia Amorim, presidenta do Fla.)  Ou vice-versa.
                                                     

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sábado, 9 de junho de 2012

O NAMORADO IDEAL



artigo publicado hoje, sábado, na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão

                          Próximo ao Dia dos Namorados e, principalmente, no entorno do dia em que Vênus ( o planeta que simboliza a feminilidade)  ficou entre o Sol e a Terra, num evento que só acontece quatro vezes a cada 243 anos, eis, de presente para todas, um Guia do Namorado Ideal. Quem sabe, enviado por Vênus:

                        1. O namorado ideal nos dias de hoje nem precisa ter ideal, porque assim seria querer exigir demais do rapaz (como eles se consideram desde que tenham menos de cinqüenta anos)
                        Precisa ter cabeça, tronco e membros, como todo ser humano, mas cuja prioridade não seja necessariamente nessa ordem. (Vá lá que, por causa dessa maldita cabeça, o sujeito pense: isso dará uma dor de cabeça danada para uma eventual parceira). É fácil chegar a essa conclusão: se pensar o sujeito poderá gostar de ler, se gostar de ler, gostará  de refletir, se gostar de refletir chegará a vez de questionar e assim por diante. O que, possivelmente, impedirá que a parceira se dedique às atividades que mais gosta na vida: ver novela de tevê,  torcer para o BBBrasil, ver show de forró, ir para shopping bater pernas ou postar asneiras no facebook, etc. Já pensou que tragédia? Enfim, um namorado que tenha cabeça, definitivamente, não faz a cabeça delas.
                        Quanto a tronco e membros, a  coisa soa um pouquinho diferente. O membro pode até não estar na medida certa (cada uma tem o seu tamanho ideal) mas tem o dever de funcionar, pelo menos uma vez por semana, para poder ser capaz de lhe gerar um bebê. Isso é muito importante para a mulher atual. Ela precisa de um pequenino ser saído de suas entranhas para poder exibir para as amigas como se fosse um boneco ou um ursinho de pelúcia especial que fala, e, principalmente, para que os avós possam cuidar deles.  Quanto  ao tronco do sujeito, que tal ser avantajado como o de um orangotango? Isso adianta para nada na vida real mas  dá um  certo Ibope  quando é preciso empurrar os outros para garantir um lugar na fila do show de forró, ou quando for preciso intimidar o flanelinha que insiste em cobrar dez.  
                        Afora isso... Pensando bem, para felicidade geral da Nação Namorados não existem grandes exigências, hoje, para um companheiro ideal. Não precisa ser romântico, apaixonado, dedicado, sequer cavalheiro – que diabo é isso? - ,  muito menos fiel. “A fidelidade é tão cansativa quanto chata”, garante a maioria delas. O grande inconveniente dessa característica, outrora tão decantada por elas mesmas, é que a recíproca teria que ser verdadeira. Ora, existe coisa mais aterrorizante do que um namorado que fique pegando no pé da parceira, exigindo que ela seja só sua?

                                                                        

                        Sequer precisa ser elegante. Elegância para quê? Um sujeito pode ter mal-hálito, roncar, suar, bufar, rosnar pornografias, berrar mais alto que a parafernália de som do próprio carro, que isso é irrelevante para uma namorada moderna. A elegância de um  homem, como todas sabem, não está na mente e na postura do sujeito, mas um pouco mais distante: no bolso, no carro, ou onde esses dois se encontram, que é na conta bancária do dito cujo. Afinal de contas, o dinheiro compra tudo até amor verdadeiro, como dizia Nelson Rodrigues ou na pior das hipóteses, crédito de celular para colocar as mensagens de amor de mentirinha, que elas precisam enviar para fingir que amam. 
                        Dito isso, fiquem tranqüilas nesse dia, garotas! Se você já tem um, por pior que este lhe pareça, fique certa de que já está perto de um namorado ideal. E se você não tem, que tal desistir da idéia, a tempo,  ou, se fizer muita questão, investir no primeiro calhorda que aparecer? Afinal de contas, como respondeu a atriz norte-americana, quando indagada  porque  nunca quis se casar: “ Porque tenho três animais em minha casa que fazem tudo o que um homem poderia fazer e muito melhor: Um papagaio que só fala palavrão, um cão que vive rosnando, e um gato que só chega em casa de madrugada.”  
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domingo, 3 de junho de 2012

O RETRATO FALADO


O RETRATO FALADO (DAS EXPRESSÕES MARANHENSES)

artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo.
jornal O estado do Maranhão, ontem, sábado





Uma foto de primeira página percorreu as primeiras páginas de todos os jornais desta capital: o retrato falado do assassino do saudoso jornalista Décio Sá. Numa época em que tanta gente, cujas palavras jorram de suas bocas como “cachoeiras” , de repente, fazem uso do direito de permanecer em silêncio (vide CPI) , não é de estranhar que um retrato tenha demorado tanto a ‘falar’.                        O curioso é que o retrato é daqueles que dão a impressão de que a gente  conhece o sujeito de algum lugar. Tenho uma amiga que insinuou que caso o dito cujo usasse cabelo mohicano seria a cara do Neymar. Já uma outra foi mais longe e disse que namorou  com o cara. Ainda bem – disse ela -  que me arrependi, a tempo. Eu lhe perguntei: “Tem certeza?” Ele respondeu: “Claro que não, mas se nem a polícia tem...”
                        Já que os retratos falados estão na moda , nada como apresentar a terceira versão de mais um retrato falado das expressões mais comuns desta cidade. Ou seja,  se não for exatamente assim, é só fazer de conta que é.

                                                                




1. Radiola. Equipamento de som  de grande porte e potência sonora, utilizado por empresas especializadas em apresentações de reggae.
            Equivalente maranhense do trio elétrico baiano, quando para o reggae. Registre-se que o Bumba-Boi, o ritmo típico maranhense por excelência, ainda não evoluiu para Bumboiola (Bumba mais radiola). Mas, pelo andar da carruagem, plumas e paetês, e “garotões saradões” esse dia não está longe. Bumboiola =  Bumba, radiola e mais alguma coisa ).

2. Quizilha. Arrelia provocada pelo atrito de objetos como isopor, o riscar do giz no quadro-negro, etc.
            Poeticamente falando, não deixa de ser uma quizilha divina o riscar de um relâmpago, no firmamento, visto da ponte Bandeira Tribuzzi anunciando a chuva.

3. Rabo-de-arraia Manobra executada com a bicicleta, em que se aciona apenas o freio dianteiro, provocando uma derrapagem brusca e intencional, de forma parecida com o que se faz nos automóveis, e tem o nome de cavalo-de-pau.    Normalmente, faz rabo-de-arraia quem não tem apego ao próprio rabo. Já quem faz cavalo de pau, não passa de um cavalo, mesmo.

4. Rau- Cabelo pixaim ( geralmente diz-se com o gesto de mão fechada).
            Difícil encontrar hoje em dia, já que perdeu a batalha contra a chapinha. Mas o cabelo, que é bom, foi para o Ralo. Ou seja, o rau foi para o ralo.

5. Reinar. Ímpetos de cometer alguma coisa, geralmente uma imprudência.
            Tudo teria começado com os que reinavam por aqui nos tempos do império e mandavam e desmandavam. Hoje ficou para os que  pensam que mandam, e que não são poucos, a julgar pelo que se vê no trânsito. Imprudência é com eles mesmos, certo, meu Rei?

6. Remanchear. ( corruptela de remanchar), delongar, retardar, atrasar.
            A expressão teria se iniciado quando alguém, de propósito, manchava um documento com o  interesse de atrasar  um processo. Um exemplo atual de  remancheamento: O Mensalão.

7. Rola-Bosta Bezouro que transforma fezes  em pequenas esferas  e as empurra para suas tocas.
            Ou seja, os rola-bostas da rede Globo  se inspiraram nesse tipo de besouro para  criar o BBBrasil

8. Sabão, prática de homossexualismo entre as mulheres.
            No começo, por aqui só havia dois tipos: sabão em pó e sabão em barra. Evidentemente, eles se sofisticaram, se diversificaram e evoluíram para sabão com pó (com cocaína) e sabão com barra ( na academia de ginástica)

9.Sambacu brincadeira de mau gosto que consiste em uma pessoa segurar a outra pelas pernas enquanto a outra o faz pelos braços, sacudindo-o com violência e deixando-lhe arrastar os fundilhos no chão.
            Nem precisa explicar quem samba.

10. Seco (a) – Estar seco, Desejar alguma coisa.
            Partiu de um fundo irônico. Como todo mundo sabe  quando elas desejam ficam, ao invés, molhadinhas.

11. Sendeira – Mulher abandonada pelo marido.
            A expressão teria nascido de uma corruptela da expressão ‘sem eira, nem beira’, porque é assim que a mulher ficava nessa situação. Hoje, como todo mundo sabe, quando a mulher se separa do marido fica com o amante e ainda fica com o dinheiro.

12. Sigrosa. Masturbação masculina
            Teria se originado de  uma junção das palavras silêncio com gloriosa, da época em que para executar isso era necessário recolhimento e silêncio. Nos tempos atuais o barulho não atrapalha. Ao contrário,  virou opção de relaxamento (preparando-se para o que vem depois) nos desfiles de trios elétricos. Com o som nas alturas e debaixo dos abadares.
                                                                                  ewerton.neto@hotmail.com
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domingo, 27 de maio de 2012

O PAÍS DA CORRUPÇÃO ( ATÉ TIRA-TEIMA)


artigo publicado sábado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão




Todo ser humano é potencialmente um corrupto. Certamente, se já pudessem manipular grana, alguns dos milhões de espermatozóides preteridos na corrida para o óvulo, em busca da vida, comprariam de bom grado a vaga que lhes permitiriam  não morrer em seguida.
            Terá sido sempre assim, na luta pela sobrevivência, sendo a vida, como os cientistas sabem, a grande “obsessão” de qualquer organismo celular. Corromper-se para sobreviver é apenas mais um imperativo da condição humana, entendo-se como corrupção, neste caso, qualquer ação que, tirando proveito de uma situação ou do ambiente, permita a preservação da existência. “O gene é egoísta”, como diz o cientista Richard Dawkins em um de seus livros.

           
            2. Instintivo sim, porém não concebível; explicável, mas não justificável. Se todos os instintos animalescos que sentimos não pudessem ser debelados não teríamos chegado ao estágio atual de civilização, onde seres convivem sob um conjunto de normas selecionadas para compor uma sociedade razoavelmente ética.
            A inteligência humana foi capaz de elaborar códigos de conduta, cujo benefício em termos da melhoria nas relações humanas se  sedimentaram , ao longo dos anos, naquilo que chamamos consciência, de forma tal que o uso de artifícios condenáveis como a corrupção, embora instintivo, deveria repercutir como abominável em pleno século XXI . Ou seja, seres incapazes de controlar a própria cobiça, deveriam causar muito mais repugnância que lagartos, ratos,  baratas e cascavéis
            No entanto, não é o que se vê no cotidiano desse país em que vivemos. Nada mais sintomático de uma sociedade complacente que a ausência de revolta diante do que foi exibido esta semana, na Tevê, durante a atual CPI . Nesta, Carlinhos Cachoeira, acusado de corrupção sob um vendaval de provas contundentes, negava-se a responder a qualquer pergunta fazendo de seu silêncio uma ato de deboche a toda uma nação. E quem estava lá para  defendê-lo como advogado, fazendo-lhe parceria nessa ostentação de achincalhe ? O Sr.  Tomás Bastos, ex-ministro da República.
            Repito! Um ex-ministro da república não tem pejo em manifestar solidariedade a um corrupto. Seria cômico se não fosse trágico; desprezível, se não fosse asqueroso.

                                                                      

            3. Semana passada, durante o jogo de futebol Vasco da Gama x Coríntians, o juiz anulou um gol do time carioca, alegando impedimento e causando revolta nos jogadores prejudicados.. De pronto, a rede Globo de televisão exibiu em cadeia nacional  o Tira-Teima do lance ( dispositivo que se propõe a eliminar as dúvidas existentes ). Surpreendentemente - para quem estava assistindo à partida-, o Tira-Teima confirmou a atitude do juiz, validando a decisão do árbitro.
            Acontece que, mais tarde, o Canal Fox reproduziu o mesmo lance, congelando-o um a dois segundos antes do vídeo exibido pela Globo– portanto, de forma mais precisa, e chegando à conclusão oposta: o atacante estava legitimamente em condições de fazer o gol e o time carioca foi prejudicado pela interpretação do árbitro.
            Ou seja, a Rede Globo foi, no mínimo, tendenciosa. Como todo mundo sabe, a todo-poderosa emissora de televisão privilegia os times de máxima torcida - nos quais investe mais dinheiro, o que permite chegar-se a uma conclusão: O Tira-Teima da rede, tido até então como a última palavra em termos de análise dos lances de futebol, não passa de um mecanismo capaz de ser viciado pelos interesses da emissora.
            Triste país em que até os Tira-Teimas são corrompidos!

                                               ewerton.neto@hotmail.com                                                                                                          http://www.joseewertonneto@blogspot.com
    

quinta-feira, 24 de maio de 2012

O FIM DO MUNDO ( OU PIOR)




Tem gente que morre de medo do fim do mundo. Tive  um colega de faculdade que dizia que o fim de todo mundo, coletivamente, com data e hora marcada,  até que não seria tão ruim assim: “o pior é ter de ir desacompanhado, sempre”.  Baseado no que se vê, todo dia por aí, acrescento  que o pior mesmo vai ser agüentar o que nos espera. Escolha a catástrofe:

1.                 Daqui a 30 anos, os atuais 200 EX-BBB`s se transformarão em mais de cinco mil. Haverá um na tevê, outro no ministério da  cultura, uma na capa de sua revista pornô e outro candidato a presidente da República. A profissão de Ex Big-Brother, será  reconhecida e disputadíssima. As escolas se especializarão na profissão, sendo uma das matérias mais importantes do currículo a de “como tornar-se uma prostituta, fazendo de conta que é atriz ”.  Livros de Bruna Surfistinha serão  adotados como complemento curricular.

2.                  Daqui a 30 anos todas as MINORIAS terão direito a cotas especiais , menos os heterossexuais, que estarão aguardando uma mudança na constituição para serem reconhecidos como tais. Haverá cotas nas universidades para pretos, índios, gordos, tatuados, carecas e sararás. Se você chamar alguém de gordo  irá para a cadeia. (Mas se você colocar em sua carteira de identidade que é escritor terá de pedir perdão em público).
                  
3.                 Daqui a 30 anos o PT continuará no poder. ZÉ DIRCEU, herói da luta contra a ditadura, será pranteado como herói nacional, depois de morto. Será decretado luto oficial por três anos e o dia de sua morte passará a ser feriado nacional.
                  
4.                Daqui a 30 anos, RONALDO, o fenômeno, será considerado o maior jogador de futebol que já houve no Brasil - maior ainda do que Pelé. A imprensa e os torcedores falarão com saudade de 2002,  último ano em que o Brasil ganhou uma Copa do Mundo, e recordarão , com tristeza, do ano em que o Brasil perdeu a copa em pleno Maracanã. Mas não estarão se referindo ao “maracanazzo” de 1950, quando perdemos para o Uruguai, mas ao de 2014, quando perdemos, em pleno Maracanã, para a Argentina.


5.                 Daqui a 30 anos haverá mais CARRO do que gente. Pessoas sairão para comprar uma pizza e só voltarão meses depois, devido a engarrafamentos.  Alguns nunca mais voltarão. A grande maioria população brasileira será nômade porque viverá no próprio carro. O divertimento preferido dessa imensa população em trânsito, ao invés de contar os buracos,  como se faz hoje  São Luis,  será o de contar acidentes e cadáveres de motociclistas nas estradas.

                                     

6.                 Daqui a 30 anos IVETE SANGALO será considerada a maior cantora do passado e o axé será considerado internacionalmente o ritmo nacional por excelência.  Sambas, só serão executados em missa . O ritmo predominante nas paradas será uma mistura de axé-forró-música-sertaneja –buzina-de-carro e latido-de cachorra-no-cio. Luan Santana será recebido pelo presidente da República para ser agraciado com uma medalha de honra ao mérito pelo tanto que fez pela música popular brasileira e Fiuk Jr. filho de Fiuk e neto de Fábio Junior,  comporá uma canção em homenagem ao Brasil, inspirada na Aquarela do Brasil.
                  
7.                 Daqui a 30 anos a COCAÍNA que hoje é transportada em ovos de páscoa e ursinhos de pelúcia, será consumida livremente  e enfeitará os bolos confeitados,  nas festinhas de aniversário de criança. Os pais e os meninos, devidamente eufóricos e excitados, cantarão Parabéns a Você,  não para o aniversariante , mas para a cocaína.
                  
8.                 Daqui a 30 anos,  para poder pagar o SEMANÃO ( evolução aperfeiçoada do mensalão )  e o salário dos deputados ( que terão  reajustes anuais de 400% acima da inflação, legitimados por lei)  as multas e os impostos que hoje são abusivos, serão extorsivos. Será criado o imposto sobre o ar que se respira e quem espirrar em público pagará multa pelo excesso de ar utilizado.

9.                 Daqui a 30 anos, a BALA PERDIDA será considerada  o mais popular anestésico nacional de efeito imediato. Finalmente oficializada, continuará fazendo parte do kit bolsa-família, distribuída  gratuitamente à população  e incentivada pelo governo.

                   Quem tem medo do fim do mundo? 

sábado, 12 de maio de 2012

A CENA MAIS BELA

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
O estado do Maranhão, hoje, sábado



                                                                                



            Todo brasileiro, mais cedo ou mais tarde, dá uma de entendedor de futebol ou de cinema. Por isso, peço que me perdoem a ousadia de tentar selecionar a mais  bela cena dos filmes que já assisti sem ser crítico de arte ou especialista no assunto.
            Já vi cenas antológicas em cinema, algumas muito conhecidas e compartilhadas com o deslumbramento da maioria, outras, nem tanto, por isso julgo que seja necessário explicar antes de tudo o que, para mim, seria uma bela cena.
            Uma bela cena, certamente, não seria motivada pela paisagem ( porque aí seria fotografia); uma bela frase ( porque aí seria poesia) uma bela mulher ( porque aí seria vida), nem mesmo a junção dessas motivações, porque aí seria apenas o belo, simplesmente. Uma bela cena, sempre difícil de definir, seria aquela que transcendesse a percepção de beleza propriamente dita e que nos remetesse, através da emoção, à sensação de que existe um intraduzível algo mais, um sentimento que extravasasse o aprisionamento aos limites da condição humana para tanger algo de mais além e sublime. 
            A meu ver nenhuma memorável cena de filme, sempre mencionadas pelos críticos e admiradores (a corrida de bigas do filme Bem-Hur, a despedida do E.T. no filme do mesmo nome, etc. etc.) supera em tocante representatividade  a cena fundamental – para mim – passada  no excelente filme do diretor polonês Roman Polanski “ O Bebê de Rosemary” vivida pela atriz Mia Farrow. Tento resumir:


                                                                   

            “A mãe, grávida, tenta livrar seu filho da terrível sina que reservaram para ele: tornar-se a reencarnação do próprio Satanás. De início, a revelação surge como uma pequena suspeita que, aos poucos, vai se avolumando numa seqüência aterrorizante. Ela se descobre vítima de uma conspiração em que estão envolvidas justamente as pessoas em quem ela mais confia e que poderiam ajudá-la. Seus vizinhos, seus amigos, seu médico e, por fim, seu próprio marido e pai da criança. Aniquilada e enfraquecida pela progressão da gravidez, ela se vê cada vez mais impotente para confrontar a dolorosa confirmação da suspeita que a atordoa. Ao final, enfraquecida, tomba no meio da rua e entra em trabalho de parto. Ao despertar, escuta o som do grito de uma criança em meio à noite de trevas. Percebe que é a voz de seu filho, seu primeiro filho. Trôpega e esperançosa caminha até o berço. Com dificuldade dele se acerca até que, quando levanta o véu que o cobre , sofre um impacto. Lá não está uma criança, mas uma horripilante figura: um monstro, uma mistura de lobo e gato; o Satanás. Não pode evitar um gesto de horror enquanto contempla a figura hedionda que se agita e chora no berço clamando pelo seu aconchego de mãe. Apesar de tudo, é seu filho, então, inconsciente e débil, mas seguindo seu impulso toma a decisão. Vence o sentimento de repulsa, segura o pequeno monstro como a qualquer bebê frágil e o  embala. Canta uma canção de ninar que perdura por muito tempo depois em nossos ouvidos como um emblema da vitória da mãe, do sentimento de mãe contra todo o horror que possa existir no destino humano e nos mistérios entre o céu e a terra.”        
            Nesta véspera do Dia das Mães, ao recordar esta cena, recorro ao  talento do cineasta Roman Polanski para homenagear o amor materno: o único capaz de transcender a tudo: desde o mal que existe dentro e fora de nós mesmos, até o silêncio pungente - de ausência - que perdura no coração daqueles que já não as têm.    

        
                                               ewerton.neto@hotmail.com
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sábado, 5 de maio de 2012

ENTRE O PROVINCIANISMO E O CAOS


artigo publicado, hoje, sábado,
na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo, jornal O Estado do Maranhão


400 anos, mais de um milhão de habitantes. Com essa idade e essa população já era tempo de a cidade almejar ser incluída na categoria metrópole. O que lhe falta? Recursos  tem para isso: tamanho, beleza natural, recursos financeiros. Mas, ao que tudo indica, lhe custa desgarrar-se do espírito de província associado ao caos urbano, que reina em toda metrópole que não se cuida.
            Teria uma coisa a ver com outra: essa incapacidade de superar o caos anunciado pelo crescimento e que se manifesta na desordem do trânsito e na falta de segurança, cada vez maior? O dilema ser ou não ser metrópole, eis a questão, no caso sanluizense, parece esbarrar além da carência histórica de bons planejadores em sua administração, nas atitudes comezinhas de sua sociedade, transparentes até nos aspectos mais vulgares do cotidiano. Vejamos algumas dessas manifestações:

1.                 Existe algo mais provinciano do que a mania, tão corriqueira em nossa  sociedade dita “vip”,  de, depois de acomodarem seus traseiros em aviões de rota internacional – muitas vezes na classe econômica –, assim que chegam por aqui, correrem  para as colunas sociais dos jornais a fim de colocarem suas fotos em locais e praças manjadíssimas dos Estados Unidos e da Europa – América Latina também serve - como se tivessem aterrissado  num planeta distante,  de outra galáxia?
            O mais grotesco nessa história é o sorriso orgulhoso e embevecido dessas pessoas, crentes de que estão realizando um grande feito quando, em metrópoles de fato, isso há muito tempo deixou de ser notícia, de tão banal que é. (Como todos sabem, em tempos de globalização qualquer trabalhador de empresa multinacional  viaja cinco a dez vezes por ano ao exterior, sem que as páginas dos jornais se abarrotem de fotos de suas empreitadas).
            Houve tempo em que se  considerava chique, por aqui, viajar para o Rio de Janeiro.  Ridicularizava-se, então,  a maneira de falar puxando pelo s,  imitando os cariocas, que era empregada pelos nossos exibicionistas assim que  voltavam de lá. Tudo leva a crer que serão necessários mais 400 anos para que os daqui possam aprender que fariam  muito melhor se registrassem, para deleite de si mesmos e de sua futura memória,  as belezas naturais maranhenses: as dunas de Barreirinhas, as praias dos Lençóis e do Saçoitá etc.,  que, inclusive, fazem  o deslumbramento de estrangeiros, cuja finalidade turística principal é se divertir e não se exibir.  


                                                                         

2.                 Outra mania tacanha da terrinha é a badalação em torno de um grande local/acontecimento que, obrigatoriamente, tem de estar repleto de gente. Quando acontece de a mídia privilegiar um  local desses, para lá corre todo mundo, como uma horda que não tem o que fazer nem o que pensar. (Sobra até para inauguração de shopping-center!). Lá estarão por dias e dias  as mesmas pessoas, os mesmos rostos, a mesma disposição em torno de uma badalação cada vez mais insípida até que o falso prazer se esvaece por excesso e inanição. O evento é logo substituído por outro, depois outro, sempre um só. A medida de sucesso empregada, ao contrário da  performance de um eventual artista; do ambiente agradável ou da paisagem desfrutada é sempre a “o volume de gente que estava presente”. Tal coisa, típica de cidadezinha, jamais acontece numa verdadeira metrópole quando existe diversidade de opções e multiplicidade de critérios, personalidades e avaliações.

3.                   Outro vício incapaz de desgarrar-se de uma cidade em seus opulentos quatrocentos anos é a de se taxar, com extrema facilidade, personalidades variadas em diferentes atividades como “ Os melhores da cidade”. Assim é que fulano de tal é o melhor cantor de São Luis, Beltrano é o melhor fotógrafo, cicrana  tem o melhor salão de beleza, e outra o melhor vinho . No ramo de medicina então a coisa chega a ser tragicômica. Doutor X é o melhor cardiologista, doutor Y é o melhor ginecologista e a  Doutora Z a melhor “colocadora de botox” da ilha. O pior é que eles mesmos acabam acreditando nisso e haja preço exorbitante na fuça do paciente!
                        Outro dia fui estacionar  o carro no centro da cidade e um guardador de carro se apresentou: “Sou Boca de Chuveiro, o melhor guardador de carro da cidade, portanto...” e apresentou-me um simulacro de tíquete de estacionamento,  arrancado de um pedaço velho de caixa de papelão. Sem permitir que desconfiasse que eu duvidasse de si, por segurança, o cumprimentei: “Meus parabéns”, e puxei as três pilas que me exigia. De adiantamento.