terça-feira, 26 de abril de 2016
TEM BUM-BUM NO PALÁCIO ( e outras notícias)
NOTÍCIAS DA SEMANA
1. Programado esta semana o envio de mais dez mil bois ( em pé ) via Porto do itaqui
rumo a Ásia
O Clube das Chifreiras do Maranhão está conclamando o apoio popular para uma manifestação pelas ruas de São Luis com o fim de acabar imediatamente com isso. Em nota pública o Clube teme que:
a) Se continuarem exportando tantos bois, o que será do Clube e das Chifreiras? Vão ter que trabalhar dobrado para encontrar mais cabeças onde colocar chifres.
b) A grana dos chifrudos acabará na mão das asiáticas.
c) Acham que o transporte dos bois em pé é uma crueldade. Por experiência própria sabem que o chifrudo prefere ficar deitado enquanto os outros deitam com suas mulheres.
2. Prefeitura do Rio briga com a Construtora que fez a ciclovia Tim Maia que desabou semana passada no Rio sob o impacto de uma ressaca das ondas do mar. Ambos se acusam mutuamente pela responsabilidade da tragédia.
Baseado no que acontece no Brasil tudo indica que a Justiça em breve encontrará o culpado.
TIM MAIA. Comentário explicativo dos engenheiros da perícia técnica.
"Os cálculos e o projeto estavam bem dimensionados e se alguma falha aconteceu foi do gordo Tim Maia. Acostumado a não cair com ressaca de cocaína, que é muito mais forte, não deveria tombado por causa de uma ressaca de água."
3. Ex Miss Bum-Bum , mulher do novo Ministro do Turismo, faz ensaio no gabinete do Ministro, no palácio da Alvorada.
Comentário dos analistas dos indicadores políticos e econômicos.
"Não resta dúvidas de que o Governo agora começa a Melhorar.
Se até agora era merda abundante pra todo lado, agora, pelo menos há uma bunda abundante na frente de tanta merda"
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sábado, 23 de abril de 2016
O MELHOR DE TODOS OS LIVROS
artigo publicado hoje, no jornal
o Estado do Maranhão
Jose Ewerton Neto, autor de O oficio de matar suicidas
Para isso
existem competições, torneios e copas: para escolher o melhor, entre os
melhores. Só existe um campeão indiscutível quando ninguém seria capaz de fazer
melhor que este.
Dia 23, comemora-se
o Dia Internacional do Livro (data de falecimento de dois grandes escritores Miguel
de Cervantes e William Shakespeare). Também
se celebra, este ano, o quarto
centenário do falecimento do autor de Don Quixote. Lembro de que dez anos atrás
cem consagrados escritores de diferentes países dedicaram-se a uma complicada
tarefa: escolher o melhor livro de todos os tempos. Difícil, não? Isso não se
resolve, como no futebol, com uma Liga dos Campeões. Aqui não há gol, não há
atacantes e nem juízes. Ana Karenina de ponta-esquerda? Madame Bovary de centroavante,
Capitu de goleira? Certamente, os “gols” de seus autores não seriam marcados
por eles, mas pelos seus personagens e os melhores seriam aqueles que muito
tempo depois da morte de seus criadores continuam
vivos na memória das sucessivas gerações de leitores que os perpetuam.
Nem precisa
dizer qual foi o escolhido.
Ele, o nosso velho conhecido, aquele que povoou os
melhores dias de nossa infância de riso e curiosidade, o amigo íntimo e
“abilolado” de todas as crianças, o cavaleiro da triste figura, o nobre fidalgo
Don Quixote de la Mancha. Sempre acompanhado do seu fiel escudeiro Sancho
Pança.
Quem nunca
leu o livro não sabe o que perdeu, mas isso não significa que jamais os tenha
visto. Um: Don Quixote, alto, magro, culto, idealista e sonhador, ansioso para
mostrar sua valentia, se for preciso, duelando até com moinhos de vento. Outro:
Sancho Pança, generoso e rotundo, ignorante, realista e pragmático, fiel ao seu
patrão a ponto de segui-lo em sua delirante epopeia no mundo da fantasia. Estão,
ambos, na nossa vizinhança, na escola, no trabalho (é só querer reconhece-los),
porém, principalmente, dentro de cada um de nós. Porque o que somos mais que um Don Quixote e
um Sancho Pança a se contraporem em nossa consciência dividida: uma parte que tenta
emoldurar o sentido da nossa vida transformando-a em momentos de ilusão, e uma outra,
que nos chama para a realidade nua e
crua?
Provavelmente,
deva estar na leveza da escrita desse autor, sem rebuscamento e pretensão, a grandeza desse romance que o torna singular
e único. As comparações são inevitáveis e tantos vão dizer – sem que se possa
contestar-lhes a escolha – que preferem ao Don Quixote de Cervantes, o Ulisses
de James Joyce, ou Em Busca do Tempo Perdido, de Proust. Ou autores como Thomas
Mann, Dostoievski ou o próprio Shakespeare. São livros elogiados igualmente
pelos críticos, etapas fundamentais na formação da cultura universal, mas neles
falta a dose de humor e a simplicidade
presentes em Don Quixote e é isso o que o distingue. O romance de Miguel de
Cervantes extrai da espontaneidade e da naturalidade, com o pressuposto de
contar uma história essencial, sem sofisticações ou jogo de palavras o que pode
haver de melhor na criação literária. Com isso consegue ser lido por todos mantendo
mesmo nas adaptações para crianças a exuberância de sua construção lúdica, a
emoção e o prazer de sedução. Daí ter sido escolhido com 50% a mais de votos
que qualquer outro dos 99 livros.
Miguel de
Cervantes, o grande campeão, merece todas as homenagens póstumas que lhe serão
prestadas nesse dia. Ninguém até hoje
foi capaz de fazer melhor
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
quinta-feira, 21 de abril de 2016
A BUNDA MAIS TRISTE DO MUNDO
e outras notícias do dia 21.04.2016:
1. Frase de Yoko Ono: Meu marido, John Lennon foi a única pessoa que me aguentou. É difícil um homem entender o que as mulheres estão pensando. A maioria deles nem escuta!
Quando pediram para explicar a frase Yoko
respondeu:
"Quando tiramos aquela foto nus, na década de 70
de costas para a capa do disco eu
pensei: "Puxa, minha bunda ainda é mais feia e triste que a sua." Sem
precisar que eu falasse, ele me deu beijo e sussurrou:
"Não tem problema. Eu tanto entendo como aguento.
Só assim saberão o quanto eu te amo"
2. 4 presos cavaram túnel e deixam presídio em Rosário.
Das duas uma: Ou a moda de Pedrinhas, em São Luis, chegou até Rosário, a 100 km de São Luis ou os túneis de Pedrinhas, (o que é mais provável) avançaram e chegaram na cadeia do município vizinho . Será que não são os mesmos presos?
3. Uma caixa contendo recordações de Rogério Ceni está sendo vendida na Amazon por R$ 2100,00 reais.
Comentário de Juca Bolo, dono de um bar no bairro do Angelim:
" Tudo isso? E ele não tinha parado de jogar futebol? Tem goleiro muito menos frangueiro que ele , aqui mesmo no Nordeste, que se compra por muito menos."
4. Vasco x Flamengo, em Manaus supera até Copa do Mundo.
Com ágio, filas e até procom para conseguir ingresso já bateu o recorde da copa
Comentário do mesmo Juca Bolo, no mesmo bar:
Vasco x Fluminense, domingo passado tinha mais de 35 mil pessoas e só com a camisa do Vasco. E ainda vem pesquisa de torcida no Brasil dizer que o Palmeiras tem mais torcedor no Brasil do que o Vasco. Vai ver que fazem essas pesquisas no Alianz Parque.
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quinta-feira, 14 de abril de 2016
ZIKA , DENGUE, CHIKUNGUNYA, H1N1
Artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão,
hoje, quinta-feira
Se você ainda não teve uma, caro leitor, em breve você será
convidado a se tornar hospedeiro de uma doença chamada de dengue, ou zika, ou chicungunya ou ...
Esta é a sua
grande certeza (talvez a única) que lhe garantem neste ano de dúvidas de 2016.
Quanto a saber qual delas lhe caberá, aí
é querer demais, não é? Dois diálogos abaixo, em circunstâncias tão extemporâneas quanto reais , explicitam melhor
esse estágio de sua triste sina, caro
leitor, expondo duas faces cruéis e tragicômicas dessa sua destinação de vítima,
como cidadão do Brasil e do Universo.
1.O DOENTE
EM CONSULTA
“O que é
mesmo que eu tenho, doutor?”
“Você acabou
de dizer. Febre, dor de cabeça, dor no corpo, coceira, inquietação e...”
“Acho que
disso eu já sabia. Queria saber era a origem da doença e o que devo fazer para ficar bom.”
“Bem, como
médico posso dizer com absoluta confiança e 99,5 % de certeza, primeiro de que você foi picado por um mosquito e segundo
que esse mosquito lhe causou ou Dengue, ou Zika, ou Chicungunya, ou ( taí o 0,5
% de incerteza ) uma H1N1.”
‘ “Mas...”
“Mas o quê?”
“O remédio
que você vai me receitar não deveria ter direção certa? A pontaria do mesmo não
deveria ser pelo menos igual a do mosquito que me ferrou? Como vou poder me aplicar
um remédio se o senhor não sabe
exatamente o que eu tenho?”
“Bem, se
você não se deu ao trabalho de identificar o mosquito que lhe vitimou: seu
endereço, C.P.F, motivação, carteira de
ferrador etc. a medicina não pode fazer nada. Vou lhe receitar um Tylenol, que
dá pra todo tipo de febre e você vai ter de esperar calmamente.”
“Calmamente?
E se as dores continuarem?”
“Não se preocupe.
Logo saberemos se estamos no melhor caminho.”
“De que
jeito? Não consigo entender.”
“Se você não
morrer até lá.”
2. REUNIÃO
NO CÉU. DEUS E SEU AGENTE PARA ASSUNTOS EXPEDITOS (São Expedito)
“Bom Deus,
sua onipotência não acha que já estaria na hora de exterminar de vez os
humanos? Milhões de anos se passaram e não tivemos muito progresso com essa
turma.”
“Humanos? Quem
são???!!Não me lembro deles.”
“Estou me
referindo aos humanos, também chamados terráqueos. Aqueles que vivem num
planetinha chamado Terra, ao redor de um sistema de quinta categoria que chamam
Solar e numa galáxia vagabunda de nome até bonito: a Via Látea.”
“Ah, sim,
agora me lembro. Aqueles que se consideram à minha imagem e semelhança e que
tantos e tantos anos depois que lhes pus no mundo não conseguiram exterminar
inimigos como mosquitos, centenas de vezes menores que eles. E que de tão
imundos não se livram do próprio lixo? Uma lástima!”
“E então?
Mando providenciar um asteroide para
acabar logo com eles? A verdade é que temos milhões de seres muito mais
inteligentes para nos preocupar em todo o Universo. Precisamos definitivamente resolver
esse nosso problema de termos de nos
lembrar de espécies que nem deveriam mais existir.”
“Não
precisa, não desperdicemos asteroides. Vamos deixa-los com seus lixos e mosquitos.
Logo serão exterminados por eles.”
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
quinta-feira, 7 de abril de 2016
LAVA JATO X CORRUPÇÃO A JATO
artigo publicado hoje no jornal
o Estado do Maranhão
BATALHAS DA
ERA DO JATO E LAVA-JATO
Jose Ewerton
Neto, autor de O oficio de matar suicidas
“Se você conhece o inimigo e conhece a si mesmo, não precisa
temer o resultado de cem batalhas. Se você se conhece, mas não conhece o inimigo, para cada vitória ganha
sofrerá também uma derrota. Se você não conhece nem o inimigo nem a si mesmo,
perderá todas as batalhas...” Sun Tsu
Na epígrafe acima retirada do livro
A arte da Guerra, parece estar o grande problema: não nos damos conta de
quantas batalhas nos envolvem e nos levam de roldão. Bons tempos aqueles em que
as batalhas mais comuns neste Brasil eram do tipo Vasco x Flamengo; Modernos x Antiquados,
Direita x Esquerda etc. Hoje as guerras são mais sutis, plenas de nuances
obscuras, quase imperceptíveis em suas sutilezas: em seus cadáveres, seus
mortos e feridos com consequências imprevisíveis.
LAVA-JATO X
CORRUPÇÃO A JATO. No Brasil sempre foi assim: a corrupção mais rápida que a
justiça. Toda tentativa de chegar junto, quase sempre foi em vão. Quando a
corrupção ia de carruagem, a justiça chegava de pangaré, quando ia de trem, a
justiça ia a cavalo.
Que não me queiram mal os juristas que a culpa não é deles: não é que a justiça ande devagar, a corrupção é que nesta terra sempre foi acelerada. Mesmo hoje, que a justiça anda mais célere, na base do lava-jato, o que se teme mais uma vez é que os corruptos, viajando de jato, acabem levando a melhor. Sim, porque , segundo a imprensa, Dilma (que adora um jatinho) começou a correr, acelerada atrás dos votos de políticos que, tendo o rabo preso, não querem nem ouvir falar de lava-jato por temerem ser os próximos. Será que essa batalha já tem vencedor anunciado?
Que não me queiram mal os juristas que a culpa não é deles: não é que a justiça ande devagar, a corrupção é que nesta terra sempre foi acelerada. Mesmo hoje, que a justiça anda mais célere, na base do lava-jato, o que se teme mais uma vez é que os corruptos, viajando de jato, acabem levando a melhor. Sim, porque , segundo a imprensa, Dilma (que adora um jatinho) começou a correr, acelerada atrás dos votos de políticos que, tendo o rabo preso, não querem nem ouvir falar de lava-jato por temerem ser os próximos. Será que essa batalha já tem vencedor anunciado?
CHICO NOVO X
CHICO ANTIGO. Essa batalha talvez ficasse melhor entendida se fosse nominada O que Chico
dizia x O que Chico faz. Nada a ver com o Chico da novela, estamos falando é do
outro, o Buarque de Holanda.
A batalha só começou porque (repentinamente?) os
Chicos passaram a não se dar bem um com o outro, o Chico de antes com o Chico
de agora. Qual deles vencerá, hein? O Chico de antes defendia os pobres, o de
hoje defende a corrupção. O Chico de antes era contra a ditadura, o de hoje é a favor da dita cuja. Chico era contra os
militares (pelo menos da boca pra fora), hoje Chico é contra os procuradores da
justiça (da boca pra dentro, com o indefectível uísque importado). Chico que um
dia foi o Buarque de Holanda do Brasil hoje virou só da Holanda mesmo.
CAEMA X
PREFEITURA DE SÃO LUIS. Essa batalha é maranhense e foi intensamente noticiada
pela imprensa de alguns dias para cá. A Prefeitura manda tapar buracos em uma
avenida, a Caema manda fazer buracos na mesma avenida. Se a Prefeitura os cria,
a Caema finge que não olha, mas se a Prefeitura tapa, a Caema esburaca.
A
batalha (ou o jogo) bastante criativo, parece
ser pela preservação da espécie vulgarmente conhecida como buracóides. Admitindo
que os buracóides sejam animaizinhos que nascem, crescem, vivem e se reproduzem como todos os outros animais, deles
se diferenciam porque , ao contrário deles, se perpetuam. Dizem que existem
razões políticas por detrás dessa batalha. Será? Ou será que a verdade oculta
está dentro de um buraco? Também pode ser.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
sábado, 2 de abril de 2016
CRUYFF E A MAGIA DO FUTEBOL
artigo publicado quinta-feira no jornal
o Estado do Maranhão
Jose Ewerton Neto, autor de O oficio de matar suicidas
Coisa de louco? Os caras se mexiam em
blocos triangulares, retangulares, piramidais e quantas figuras geométricas
mais fossem possíveis criar em torno de uma bola. Atônitos estavam eu, a plateia que me acompanhava à frente de uma
televisão, e o time da Argentina que, no
estádio, levava gol em cima de gol.
Ninguém
jamais havia visto coisa parecida em matéria de futebol. Não é que os onze, vestidos
na cor laranja, fossem sequer fantásticos.
(Fantásticos foram os brasileiros, 4
anos antes). O que havia de fantástica ali era a organização coletiva de um
time executando diferentes funções sem posição pré-determinada, uma espécie “Um
por todos e todos por um”. Quem executava esse ‘concerto’ era a Holanda, que se sagrou vice-campeã da Copa de
1974.Poucos se deram conta que ali se iniciava uma revolução na concepção da
prática do futebol tradicional, a mais importante, e, talvez, a última.
40 anos
depois desse episódio, semana passada, eis que morre Johan Cruyff que se tornou
símbolo dessa equipe, justamente por ser aquele que estava mais perto do genial,
mas sem chegar a sê-lo (Sim, porque ser gênio
é para pouquíssimos: Pelé, Garrincha, Maradona e, agora, Lionel Messi). Nesses 40
anos toda a evolução futebolística acontecida
foi, de uma forma ou de outra, consequência dessa, num esporte cuja maior
sedução para as plateias não está a reboque de aprimoramentos científicos de
capacitação física , mas sim na capacidade de um mais fraco vir a ganhar do mais
forte, para delírio e satisfação de desvalidos e marginalizados. Somente no futebol poderiam ter sido gênios atletas aleijados como Garrincha ou baixotes atarracados
como Diego Maradona.
Pois Johan
Cruyff encarnou e simbolizou o que pode ser feito em termos de organização
tática para o atingimento da vitória, com plasticidade e beleza, mesmo sem as jogadas típicas dos talentosos.
A
interpretação do que estava ocorrendo, porém, uma encruzilhada com apenas duas
opções de entendimento, viria a ter consequências salutares para uns (os
europeus), e desastrosas para nós, brasileiros.
Enquanto os cinturas duras europeus enxergaram no
aprimoramento tático a forma de superarem suas limitações de talento, técnicos
brasileiros vindos do Rio Grande Sul, especialmente depois do fracasso
brasileiro na copa de 1982, aproveitaram para tomar conta da ‘intelligentsia’
futebolística nacional, inserindo a
filosofia do futebol de resultados oriunda desse estado: de vitórias obtidas à
custa de pancadaria, com ênfase na tão famosa garra gaúcha, para esconder um
futebol de brutamontes. Foram expoentes nessa disseminação o tosco Felipão e o
limitado Dunga (desde quando jogador). Castrou-se paulatinamente o surgimento de jogadores notáveis
e partiu-se rumo ao maior fracasso do futebol brasileiro em todos os tempos; perder de 7 a 1 em sua
própria casa.
Se fossem
menos arrogantes esses técnicos teriam buscado aprender com o próprio Cruyff que, considerando-se
um admirador do futebol brasileiro, lamentava que num
país onde nascem tantos talentos, se praticasse, hoje, um futebol sem beleza e
sem vitórias. Então, esses obtusos senhores parodiariam a famosa frase de Che
Guevara ensinando, por sua vez, aos seus jogadores: “Hay que endurecerse, pero sin
‘perder a ternura e a beleza do futebol’ jamais”.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
segunda-feira, 28 de março de 2016
TRÂNSITO LOUCO ( OU MELHOR, MANÍACO)
artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão,
VERAS, O TRANSIMANÍACO
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão,
VERAS, O TRANSIMANÍACO
Veras nunca soube – e talvez jamais saiba – que se transformou num transimaníaco. Que diabo é isso? Vá lá, a síndrome que se apossou de Veras ainda não foi reconhecida pela ciência médica, mas Veras (isso a gente tem certeza) é uma vítima notória das obsessões do trânsito. Transimaníaco, pois, é um neologismo que tenta nomear o aparente desvario humano diante dessas obsessões.
Tudo começou quando Veras, que é motorista de táxi, tornou-se especialista num jogo que ele mesmo deve ter inventado: adivinhar a causa do próximo e indefectível engarrafamento: “Esse tem cara de que foi uma moto. ” Ou “claro que é gente da prefeitura, querendo mostrar que estão trabalhando” ou “ uma carroça”, “atropelamento de pedestre”, “dono da rua esquecido no celular, dentro do carro”, etc. etc. Sua ‘brilhante’ ideia deve ter começado como uma forma de passar o tempo diante dos engarrafamentos , para se distrair sozinho , até que...
Soube disso quando coisa de dois meses atrás combinei com ele uma corrida até o aeroporto. Avisei-o: “Vá pela Africanos, para chegarmos mais depressa.” “Nada disso, vamos pela Jerônimo de Albuquerque, sei o que eu tô fazendo.” Estranhei mas não disse nada, afinal, o ‘especialista’ era ele. Como era de se esperar deparamos com um puta de um engarrafamento. Estranhamente, seu estado de euforia prevalecia sobre minha chateação. De repente, ordenou: “Vamos apostar” “Como, apostar o quê?” “Aposto que é guarda fazendo blitz” “Não posso acreditar , a uma hora dessas, nessa avenida ” Ele fez que não ouviu: “Se for guarda fazendo blitz você me paga a corrida em dobro, se a causa for qualquer outra coisa você não me pagará nada.” Devo confessar que até eu fiquei ansioso para ver que bicho ia dar.
Era uma blitz mesmo. Ele vibrou como se estivesse comemorando um gol do Sampaio, nosso time. A coisa só desandou quando fui pagar a corrida e ele me contestou: “Tá faltando mais grana, a corrida foi em dobro” “Como é que é?”, retruquei abismado. Ele, com a maior cara-de-pau: “Você vai pagar em dobro, fizemos uma aposta e você perdeu” “Que diabo de aposta, Veras, pensei que fosse brincadeira.” “Brincadeira? Passa já a grana, compadre, apostas, apostas, amigos à parte” Enquanto discutíamos, o risco de perder o vôo aumentava. Paguei uma corrida e meia alegando falta de dinheiro, o que não era mentira, e ele saiu bufando, cantando pneus e me xingando.
Cerca de um mês depois, com meu carro na oficina e sem ter a quem recorrer, liguei para Veras. Quem atendeu foi a esposa. Agoniada, ela me informou que Veras aparecera com o carro batido, graças a um acidente provocado por ele mesmo. Candidamente Veras lhe explicara ao chegar em casa, sem o carro, que provocara um engarrafamento na avenida, frustrado porque passara duas horas sem que tivesse havido um só acidente e ele precisava se divertir. Dá pra acreditar? Diante do seu nervosismo disse-lhe que tinha um amigo psicanalista, Túlio, e que, provavelmente ele iria nos indicar um rumo a seguir.
Antes mesmo que procurasse Túlio o encontrei, por coincidência, no Shopping Tropical. Chamei-o para um chope rápido ele aceitou e começamos a bater papo. Contei-lhe sobre Veras e ele nem se espantou com isso: “Acredite, o trânsito é mesmo coisa de louco, tem gente muito pior” “Quer dizer então que nem adianta o Veras te procurar, que isso nem chega a ser doença e que não existe remédio?” “Que doença, amigo, o sujeito hoje em dia para ser considerado louco só se for louco de pedra , e quer saber de uma coisa? Eu mesmo, quando estou no trânsito a coisa que mais me dá prazer é tentar adivinhar o que está travando o fluxo, adiante. E não sou só eu. Ou você nunca reparou que depois de horas num engarrafamento todos param diante do acidente e ficam contemplando o que aconteceu, como se não tivessem o que fazer? É uma forma legal de se distrair. Talvez, a única”.
Olhei para Túlio tentando descobrir se detectava algum sinal de psicopatia em sua face. Desisti. Tudo parecia normal em suas atitudes quando nos despedimos. “Tá de carro?”, ele perguntou” “Não, tá na oficina” “Vai pra onde?” “Tô indo pra Cohab” “Ora, te dou uma carona, vamos pela Jeronimo de Albuquerque. O celular informa que faz duas horas que o trânsito por lá flui normalmente ” “Opa, ainda bem!”, disse, agora animado para pegar a carona. “ Não, não se trata disso, é que...Se faz duas horas sem acidente, pelo que se conhece dessa avenida, nos próximos quinze minutos tem tudo para pintar um engarrafamento daqueles. Já pensou que barato? Poderemos apostar sobre a causa e nem vamos sentir o tempo passar. “
Dei meia volta, fiz de conta que lembrara algo urgente, Inventei uma desculpa e fui embora: iria de táxi, de ônibus, de carroça ou até andando, se fosse o caso. Já pensou se eu começasse também a gostar da coisa?
Resolvi tomar mais um chope enquanto me acalmava. Pelo menos por algum tempo, enquanto durou o efeito do álcool, parei de ver em todo mundo que por ali circulava, um transimaníaco.
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quinta-feira, 24 de março de 2016
O LATIM DO LAVA JATO
artigo publicado hoje, no jornal
O Estado do Maranhão
Se os acusados do lava-jato soubessem latim nem precisariam ter
apelado para palavras como acarajé e outros códigos. Ninguém ia entender mesmo
e ainda passaria uma impressão de erudição bem melhor que os “Vão tomar no
c...” que fizeram a festa das gravações. Vejamos como o latim, bem
empregado, cairia melhor em muitas das
situações em que eles se meteram.
1.”Ad
libitum”, significa “À vontade”. Podia ter sido dito pelos executivos da OAS à Lula e sua família diante do badalado
Sítio de Guarujá: “O sítio é todo seu,
Lula. Ad libitum!”
2.”Alea
jacta est”, significa “A sorte está lançada.”, e foi dita por Julio Cesar,
imperador de Roma. Emprega-se quando se está diante de uma empreitada
imprevisível. Dilma poderia ter usado essa expressão, antes de propor o
ministério da Casa Civil à Lula, ao que este bem poderia ter respondido: “Se a
sorte está lançada, a jararaca está pronta para abocanhá-la.”
3.”Cogito
ergo sun”, significa “Penso, logo existo.” É a frase mais famosa do filósofo
francês René Descartes na qual se confirma a existência a partir do ato de
pensar. Os advogados de Dilma, aliás, já estariam pensando em utilizar essa
máxima se a presidenta, mais tarde, for condenada. O argumento é: “Se quem
pensa, existe, então quem não pensa,
como Dilma, não existe” e, portanto, jurídica e filosoficamente, ela não
poderia ser condenada.
4.”Errare
humanum est”, significa “Errar é humano”. Com tantos erros cometidos nesse
episódio, causa espécie que ainda não
tenha aparecido alguém para se socorrer com essa frase, que cairia muito bem, por exemplo, na boca de
Aécio Neves. Aécio é o próximo alvo da Lava Jato e poderia tentar se justificar
dessa forma, se não fosse tão convencido, como, aliás, seus parceiros tucanos
como FHC.
5. "Ex
Abrupto” significa “De forma súbita, inesperada” É o que muita gente corrupta pensa
do juiz Sérgio Moro, que, para eles, teria surgido vindo não se sabe bem de onde.
“Juizinho Ex abrupto!”, é o que essa turma diria se soubesse latim, mas, como
não sabe, prefere xingá-lo de “juizinho
do interior”. Mas, claro, prefeririam que ao invés de Ex abrupto Sergio Moro
passasse a ser, simplesmente, Ex- Juiz Sergio Moro,
6."Ex nihilo
nihil fit”, significa “Nada sai do nada”. Essa expressão filosófica subentende
que tudo do Universo saiu de alguma outra parte. Por exemplo, se aparece vapor
é porque havia água, se há fumaça é porque algo se queimou. Como Lula disse, em
alto e bom som, que é o único capaz de incendiar o Brasil, então os acusadores que
se preparem. Se algo acontecer “Ex nihilo nihil”, certo Lula?
7."In vino
veritas”, significa “ No vinho está a verdade”, e sugere que sob o efeito do
álcool as grandes verdades são reveladas. Se Lula anda dizendo que não falou o
que falou não teria sido uma boa ideia, para a turma do lava-jato, ter feito o teste do bafômetro?
8."Ecce
homo”, significa “Eis o homem”, e a frase, irônica, foi dita por Pilatos antes
de entregar Jesus Cristo para os judeus.
Dizem as más línguas que foi usando
essas palavras que Lula apresentou Dilma como sua candidata à presidência e Dilma
adoraria retribui-la apresentando Lula como o novo presidente do Brasil. Lula,
que já foi “Eis o cara!” na boca de Barack Obama, aceitaria de bom grado a
evolução comparativa já que se considera o brasileiro mais honesto deste país. Jesus
Cristo, humilde perto dele, dizia pecar noventa e nove vezes.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
quinta-feira, 17 de março de 2016
O ANTIGO CINE EDEN ( e a contadora de filmes)
Artigo publicado hoje, quinta-feira, no jornal
O Estado do Maranhão
Lojas Marisa, Rua Grande. Basta adentrar o interior da loja
para perceber, no ambiente, a emanação de algo diferente que paira através da
visão dos detalhes arquitetônicos singulares, escadas e plataformas.
Sublimado em
meio a recordações, o homem pergunta à vendedora: “Você sabia que aqui houve um
cinema?”, “Sim, eu sei.”, ela responde. Talvez ele aguardasse uma resposta
menos óbvia, correspondendo ao deslumbramento que sentia. Ele continua: “Quantas
vezes estive aqui, na adolescência, para
ver grandes filmes e grandes artistas: Pistoleiros do entardecer, Ben-Hur; Burt Lancaster, Marlon Brando, Sofia
Loren...Você conhece Sofia Loren? “Não, não sei quem é...” O homem decepciona-se,
mas logo entende que é compreensível que ela não sinta nenhum orgulho especial
por trabalhar numa loja onde viveram tantas belezas, destinos, histórias,
sonhos e ilusões. Entrando em empatia
com suas recordações a moça compartilha: “Olhe, ali estão as fotografias dessa
época!”
De fato, em
relevo junto a parede, pode-se ver grandes fotos da época em que a loja era um
cinema. O homem transporta-se novamente para o passado e percebe que jamais
conseguiria transmitir, à moça, as tantas emoções que ele e tanta gente
sentiram. Para isso, no mínimo, ele
precisaria ser um bom contador de histórias.
2.A Contadora de Filmes, romance do
chileno Hernan Letelier , caiu no meu Kindle há cerca de quinze dias, apenas
porque estava em oferta, já que eu não tinha referência alguma da obra. Assim que
li o primeiro parágrafo, revelou-se um dos melhores livros já lidos por mim sobre
a sedução da sétima arte, melhor até do que o badalado (e bom) Clube do Filme.
Um breve resumo da história:
“Num vilarejo
dos rincões Andinos, do Chile, a única diversão da população miserável são as
sessões cinematográficas de um improvisado cinema, em condições precárias de
projeção. Uma garota de 13 anos, ao assistir as sessões e transmiti-las para o pai, inválido, logo descobre
um inusitado talento que, aos poucos, se
propaga para a vizinhança. Ela consegue entreter pequenas plateias, graças ao
seu talento de atriz e, logo, sua
interpretação narrada dos filmes por ela assistidos se tornam sessões tão concorridas
quanto as do cinema, possibilitando a inválidos e aos que não têm dinheiro para
pagar a bilheteria, ter acesso ao maravilhoso mundo dos filmes. Tão talentosa é
a garota, e tão perfeita e eloquente a
sua identificação com a arte que transmite, que se torna a grande atração
paralela da cidadezinha.
Infelizmente,
porém, com a súbita chegada da primeira televisão ao povoado, seu sucesso
esvaece acompanhando a derrota das sessões cinematográficas. Precocemente, seus
sonhos de atriz desmoronam acompanhando a sua derrocada física como mulher, de
novo perdida num deserto de emoções, futuros e esperanças”.
A Contadora de filmes surgiu-me, assim, um
inesperado, belo e cativante texto sobre a sedução da arte cinematográfica,
jamais vista em outro romance.
Só almejaria
possuir um tantinho do talento da Contadora
de Filmes, de Letelier, para conseguir reproduzir à vendedora das Lojas
Marisa
um pouco das emoções que um dia foram capazes de sentir aqueles que - no
mesmo local onde ela trabalha hoje-, frequentaram, um dia, a plateia do Cine
Éden em todo o seu apogeu.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
segunda-feira, 14 de março de 2016
O FIM DE DILMA
Desta vez é definitivo: Quando a playboy parou de ser circular começou o fim de Dilma.
Na ocasião, Preocupada com mais essa má notícia Dilma Roussef chamou seus ministros para enfileirar lhes a seguinte lista de preocupações:
1.Como ficaria a situação das milhares de EX_BBBs do sexo feminino que ficarão desempregados?
2.Como ficariam os fornecedores de botox, demais preenchimentos, peelings, tratamentos estéticos, etc. etc. agora que as peruas encarquilhadas da Globo ( tipo Maitê Proença, Claudia Raia, Suzana Vieira etc. não mais precisarão desses produtos para posar para a Play?
3.Como seriam evacuados agora os mananciais de esperma de coroas e criancinhas, masculinas que através de punhetas davam vazão às suas fantasias e tinham por onde jorrar? Que acontecerá agora?
( Teme-se por um potencial aumento de casos de estupro em todo o país).
4. Quando poderá ser vista, afinal, Sandy nua como um dia pudemos ver Lidia Brondi? Não
só de bolsa-família vive a ilusão do homem - e da mulher - brasileira.
A presidenta exigiu providências para salvar o Brasil. Caso não fosse atendida, ameaçou
posar nua em qualquer edição pirata da revista Playboy, mesmo de origem paraguaia.
posar nua em qualquer edição pirata da revista Playboy, mesmo de origem paraguaia.
Diante de sua disposição Eduardo Cunha iniciou imediatamente o processo de impeachment da presidenta, mesmo correndo o risco de perder o mandato.
Uma introdução a mim mesmo em 1200 caracteres:
Dez livros e sessenta juventudes fiéis ao seu autor.
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