sábado, 30 de março de 2013

COMPLETANDO TIM MAIA


artigo publicado hoje na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão



Como se um cantor do tamanho de Tim Maia ( em todos os sentidos ) precisasse ser completado, principalmente depois da excelente biografia de Nelson Motta sobre ele. Já leram? Boa oportunidade de conhecer um pouco mais de um formidável cantor que por trás de sua decantada porralouquice tinha a postura irreverente decalcada de um inconformismo em relação às coisas absurdas do país em que vivia.  
E cujo talento para denunciá-las chegou ao ápice na sua mais famosa frase “O Brasil é um país em que puta goza, gigolô tem ciúme, traficante fuma maconha e comunista é de direita”. Querem  resumo  melhor que esse? A frase foi tão boa que,  anos depois,  o tempo demonstrou que faltava ainda dizer que:
                ... e em que o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara , escolhido por seus pares, é homofóbico e racista enquanto  o marginal número um do país Fernandinho Beira-Mar ( Será mesmo? O páreo é duro!) estuda teologia.
                ...e em que Carnaval na época, Carnaval fora de época, outros carnavais e tragédias decorrentes de enchentes são considerados pelos governantes desse país  eventos da mesma vulgaridade, tanto é assim que parecem fazer parte do calendário anual de eventos rotineiros. E todos eles  riem, batem palma, continuam sorrindo  e são reeleitos, com se nada tivessem a ver com isso.
                ...e em que na prova nacional para selecionar estudantes (ENEM) o hino do Palmeiras (colocado propositadamente por um estudante,  no meio da redação para avaliar  o nível dos examinadores) obteve  uma das melhores notas indicando que:  ou os examinadores sequer se dão ao trabalho de ler as provas, ou são palmeirenses. Ou que, na verdade mais crua, conseguem ser ainda mais ineptos do que os próprios estudantes.
                ...e em que as vítimas assassinadas por motivo torpe ou cruel só têm direito, pelas leis deste país, a regime fechado e único para toda a eternidade ( a tampa do caixão) enquanto seus assassinos têm direito a todo tipo de regime livre: semi-aberto, quase aberto, arreganhado , ou aberto total, indicando que este é um país cujas leis são feitas – como disse alguém -  por  bandidos e para bandidos.
                ... e em que leis cada vez mais rigorosíssimas, secas e ressequidas,  são inventadas a toda hora, nas  quais alguém que toma duas gotas de cerveja , se for pobre vai para a cadeia, já quem dirige irresponsavelmente e mata,  (como fez o filho Thor,  de Eike Batista ) sequer se apresenta na Justiça, desde que tenha pai  milionário. Aliás, nem precisava. Bastava ser rico.
                                                                    
                ...e em que governos não têm dinheiro para construir  hospitais , mas têm dinheiro para construir luxuosos estádios de futebol a preços exorbitantes e supervalorizados, que após a Copa do Mundo só servirão para moscas e dejetos de passarinhos. Ou seja, ao invés dos uniformes brancos de enfermeiras e médicos os doentes terão de se contentar, para sempre,  com o branco dos  elefantes  - brancos.
                ...e em que sob  pressão da opinião pública, deputados brasileiros abrem mão de três dos muitos salários (auxílio-paletó) que recebiam  mas , por debaixo dos panos, arrumam meios de compensar suas ‘perdas’ salariais, continuando a fazer a festa com o dinheiro público. Ou seja vai-se o auxílio-paletó, celebra-se o auxílio-cueca. Troca-se o salário a perder de vista pelo salário que ninguém avista.

                                                  
                ...e em que hospitais públicos são inaugurados  (como se deu no Ceará e foi denunciado pelo programa CQC) em grande pompa com shows de Axé-music  em que se paga 150 mil para Ivete Sangalo. Porém, mais de duas semanas após o Hospital não funciona e não recebe sequer um doente, dando a entender que este é um país, também,  em que axé virou remédio e cantor cura pneumonia.
                Etc. etc. etc.
                                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com
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sábado, 23 de março de 2013

" ESSE CARA " É O VLT


Artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado


Depois da repercussão da notícia de primeira página  do jornal de quarta-feira,  sobre o V.L.T. um de nossos repórteres teve a idéia de entrevistá-lo. De  início, ao vê-lo abandonado, maltratado  e em  completa ociosidade  o repórter confundiu-se . 
                - Escute, você é o V.L.T.?
                - Pensei que fosse, mas a verdade é que ando desconfiado que não seja mais. Certa época houve um ministro da república que dizia que não ‘era’ ministro, mas sim que ‘estava’ ministro. Comigo se dá o contrário. Não sou V.L.T, estou V.L.T., pelo menos, até que me permitam sair daqui.
                - Como estás, então, V.L.T?
                - Entregue ao tempo, às chuvas e trovoadas, ao cheiro de mangue, às baratas, enfim...
                - Por que tão amargurado, amigo?
                - Amargurado? Engano seu, jovem. Nada por aqui é amargo. Se você dissesse ‘salgado’, aí sim, eu confirmaria: do salitre da água do mar que me enferruja mais depressa do que eu jamais andei alguma vez na vida.
                - Viemos entrevistá-lo por causa da reportagem do jornal...
                - Então me diga, você  acha que fiquei bem na foto? Sobrou algo de minha antiga opulência? Quando aqui cheguei, há coisa de um ano, eu parecia “o cara”, desfilando feito Roberto Carlos num carro alegórico da Beija-Flor. Só que, ao invés de mulatas, quem dançava em torno de mim eram políticos e puxa-sacos.

                                                                          
                - Você teve seus trinta segundos de fama  V.L.T. , sem dúvida. Pensando bem, algumas horinhas a mais. Mas, tudo isso passou. Como você se sente agora, fisicamente?
                - Dá para perceber, não é? Desnorteado, enferrujado, confuso, sem rumo e, pior que isso: sem trilhos.
                - O que aconteceu com seus trilhos?
                - Bem, na melhor das hipóteses o povo furtou. Na outra... Mas, isso é o de menos. O pior é que me levaram destino e rumo.
                - O que você espera, agora?
                - O que espero? Por ironia do destino estou igual a qualquer passageiro nesta cidade, esperando indefinidamente que surja um ônibus, um bonde, uma carroça, enfim... Qualquer coisa que passe por aqui e me leve. Quem sabe, um caminhão de sucata. 
                - Vejo que você está  muito descrente, V.L.T.
                - E não era pra estar? Não faço sequer jus ao meu nome, pois de leve não tenho nada, trilho não possuo e veículo, só se for para transportar moscas.  Deve ter sido por isso que os grafiteiros me marcaram ( assim como se ferra boi)  com um novo nome que você deve ter visto na foto:  SL8WYK 2009-infinito. Você sabe o que significa? Nem eu, mas esse infinito tem tudo a ver com o período de tempo em que vão me deixar por aqui. Isso se não me multarem por estar ocupando um espaço público, pois, como você sabe,  para multar eles são muito bons.
                - Como? Que absurdo, e quem pagará?...Afinal de contas, V.L.T, quem  é mesmo o seu dono?

                                                                         
                - Meu dono? Ou será que você quis dizer, meu pai? Ora, meu caro, sou igual àquele filho sem dono da Nega Maluca no samba antigo  de carnaval, passando de prefeito para prefeito , provavelmente até o  final dos tempo, escutando um falar pro outro:  “ Toma que o filho é teu!”. 
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sábado, 16 de março de 2013

FATALIDADES INFINITAS




Artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado



“ O infinito, na matemática, mal consegue disfarçar sua sina de impostor... “, do livro Cidade Aritmética

                O ser humano não suporta a realidade, dizia Henry James e a ciência sabe. Os sonhos, por exemplo, são artifícios que o cérebro humano  utiliza durante o sono para rearranjar a realidade,  aliviando-o da pressão cotidiana para adequar a mente para o dia seguinte.  O que muita gente não atentou ainda é sobre como as palavras se prestam  para isso - nem tanto por vontade própria, digamos assim.

                Um exemplo  disso é palavra ‘fatalidade’, que os brasileiros utilizam a seu bel prazer ,sempre que lhes convêm, de acordo com a repercussão  da tragédia. Fatalidade foi o horror de Santa Maria – já esquecida, como também a morte de 4 pessoas por um trio elétrico durante o carnaval em Santos e, há coisa de duas semanas,  a morte de um rapaz boliviano (  também já esquecida)  por um dos membros da Gaviões da Fiel: facção da torcida do Coríntians , time de futebol que se gaba de ter com seu “bando de loucos” a torcida mais fanática do Brasil.

     Irresponsabilidade, descaso e falta de respeito humano, foram termos pouco utilizados por aqueles que, administradores da situação, preferem se socorrer  da palavra fatalidade para esconder o quanto são capazes de ser mesquinhos e covardes. Como o presidente do Coríntians  que , ao invés de assumir a fatura que lhe cabia no triste episódio preferiu recorrer da sentença que limitava a ação de seus torcedores  ( já aliviada a estas alturas ) como se a morte de um jovem nada significasse e o clube pouco tivesse a ver com isso. Coube à CBF, tardiamente como sempre,  fazer o papel que caberia ao Coríntians  de promover  um futuro jogo com renda revertida para a família do rapaz cuja grande descaída, que lhe custou a vida,  foi a de não ter percebido  que, do outro lado do estádio havia marginais que se aprimoravam em se tornar “ um bando de loucos”  num país em que a mídia ( capitaneada pela Rede Globo cujo interesse comercial com o Coríntians passa do razoável ) concorre para transformar insanidade em virtude.
                                                     

                ‘Fatalidades’, disse o presidente, assim como também disse outro,  mais outro, enfim dezenas dirão na medida em que a irresponsabilidade grasse mais rápida do que o respeito humano . A palavra fatalidade – coitada! – se presta  também para isso como, afinal,  todas as palavras:  para serem usurpadas ao sabor da capacidade humana  ( e brasileira em especial )  de escamotear  a realidade.


                2.  Em conversa recente com uma amiga escritora ela  (um tanto  decepcionada com o rumo metafísico  que a discussão estava tomando ) disse-me o que desde então me pareceu uma grande verdade:  “Chego à conclusão de que os seres humanos , incapazes de saber sequer o que são e, ao mesmo tempo incapazes de admitir isso, inventam palavras para solucionar momentaneamente suas dúvidas, a suprema ignorância e insignificância que lhes é inerente. Tomo como exemplo prático, a palavra infinito. Ora, alguém pode me explicar o que significa infinito? O que é a palavra infinito mais do que uma tentativa – vã – de conceber  o inexplicável?”

    Tive de concordar com ela, ao  mesmo tempo em que me lembrei das tantas palavras, irmãs da “fatalidade”, que são costumeiramente corrompidas pelos humanos : amor, eternidade, paixão, felicidade etc. Palavras que ninguém sabe definir exatamente o que significam, mas a quem todos recorrem porque se prestam para tudo.
                                                                         
                Quanto à palavra  infinito, recordo que esta  sempre me perturbou desde quando travei conhecimento com a Matemática e queria apreender o que havia por trás de uma fórmula que me dizia que o um dividido  por zero era igual a infinito. Confesso que dava tratos à bola para entender  como se poderia dividir algo por nada e ainda encontrar como resultado o infinito. Anos mais tarde, meio  que filosoficamente, cheguei  à  conclusão de que aplicada ao ser humano essa seria uma fórmula salvadora e poética que traduziria apoiada na lógica - forçada ou não - a medida do homem : ou seja,  a vida de um ser humano pode se tornar  infinita, a depender de como você a faz, mesmo  em seu próprio destino de acabar em nada.

                Bem ao contrário do que ostensivamente fazem a torto e a direito os espertalhões de sempre, como o presidente do Coríntians.  Pois,  como todo mundo sabe, nada existe de infinito em corromper palavras para se safar  de suas responsabilidades.
                                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com
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sábado, 9 de março de 2013

PAPA SIM, BRASILEIRO NÃO



artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado



Deus nos livre de um papa brasileiro. Para começar,  se sem Papa todo mundo já pensa  que Deus é brasileiro, como será depois desse dia? Deus passará a ser encontrado neste país   a  toda hora e em  cada esquina : seja comendo um cachorro-quente no Sousa ou participando de um pagode na casa do vizinho.

                E haja tratar de pedir sua ajudazinha o quanto antes e para tudo (contando para isso com a mediação providencial  de “gente da gente”). Seja para  declarar o imposto de renda, ou para incluir mais um filho na cesta básica. Mas, se algum pedido não for  atendido...Coitado de Deus, mas, principalmente...do novo papa.   
      
Este sim, não terá mais um minuto de paz sequer para desejar paz para os fiéis, já que levará mais tempo dando perdão do que orando. Porque gente necessitada disso neste país é o que não falta. Logo estarão na fila do perdão:  mensaleiros, goleiros de times de futebol  acusados de assassinato, ministros, periguetes, artistas de tevê, ex Big-Brothers,  perdedores de pênalti  e guardadores de carro.  A onda de crimes neste país aumentará  para valer porque, claro, o perdão divino nunca esteve  tão à mão. Os políticos passarão a roubar mais ainda porque será fácil dizer diante de uma propina: “De troco  passa uma grana que seja no mínimo suficiente para que eu possa ir à  Roma com toda minha família num jato particular. Lá peço perdão ao papa,  que é parente de um cardeal que me deve um favorzinho, e todos os meus pecados estarão resolvidos.”  
                                                                 
                                                        
                E a relação com a mídia? Será um inferno no céu (sem trocadilhos) para o pobre papa.  De saída, no primeiro carnaval após ser empossado já  será escolhido como enredo de uma grande escola de samba do Rio e, lógico,  convidado para desfilar no sambódromo em cima de um carro-alegórico. Isso depois de ter feito uma ponta em um capítulo de Salve Jorge. Em sua homenagem, ao longo do ano, serão compostas músicas e mais músicas uma das quais adaptada de  a Ave-Maria , de Shubert, em ritmo de reggae gravada por Ivete Sangalo em cima de um trio elétrico.

                Após alguns meses como papa, logo aparecerá um escritor brasileiro,  até então desconhecido, para escrever a sua biografia. E descobrirá que Carlinhos Cachoeira esteve envolvido na sua eleição e está cobrando uma baita grana do Vaticano para permanecer calado. Um grande diretor de novelas da TV Globo   se adiantará para pleitear ajuda da Lei Rouanet para fazer um filme baseado na obra. Enquanto isso, em Roma, causará sensação internacional  uma imensa fila de brasileiros em frente ao Vaticano . Só que, ao invés de ser uma fila para pedir a benção papal, será de brasileiros querendo ser santos. De Zé Dirceu a Bruna Surfistinha – que virou religiosa.  

                                                                       

Antecipando-se a um debate nacional cada vez mais acirrado os governadores  do Nordeste exigirão em praça pública a distribuição equitativa dos royalties – ops, dos santos. De padre Cícero a Tancredo Neves os políticos exigirão que isso seja feito sem discriminação contra os estados mais pobres. E, principalmente, que isso seja feito  a  toque de caixa. O governador do Ceará  berrará , no domingão do Faustão,  que caso Padre Cícero não seja santificado em dois dias, prescindirá da mediação do papa e falará direto com Deus.

                O pior de tudo é que sequer  renunciar como fez Bento XVI,  o papa brasileiro poderá fazer. É que será perseguido pela lembrança implacável da anterior renúncia de Janio Quadros com o qual será inevitavelmente comparado. Pensará então que talvez seja preferível se suicidar.

                Mas,  como  suicidas não merecem o  céu pelas leis da igreja...Melhor  jamais ser eleito.
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sábado, 2 de março de 2013

OS REAIS VENCEDORES DO OSCAR



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caderno Alternativo, hoje, sábado


Sequer  durou  uma semana para se descobrir que os reais vencedores do Oscar estão no Brasil. Vejamos.

1.MELHOR MIXAGEM DE SOM: Os Miseráveis. Lá como cá, embora, por aqui,  a mixagem seja  do som de panela vazia com o feijão chiando  no fogão, tendo por fundo musical a cantoria do xingamento no barraco vizinho.

                2.MELHOR CURTA DE DOCUMENTÁRIO. Inocente. Com o filho de Eike Batista, Thor. O rapaz  a duzentos por hora, num carrão importado, matou um pobre ciclista. Apesar das provas evidentes, a Justiça do Rio na decisão mais rápida que se tem notícia (certamente inspirada na velocidade do rapaz)  declarou inocente o ‘pobre’ playboyzinho. No Brasil, como se sabe, lei seca é para pinguço pobre, a lei ressequida é para os ricos e a lei nenhuma para os milionários.

3.MELHOR ROTEIRO ORIGINAL. Ao invés de Django livre, Carlos Cachoeira livre. O roteiro, que nada tem de original neste Brasil, onde os envolvidos em falcatruas  acabam se dando bem,  teve, mais uma vez, um final paradisíaco – este sim original - quando a Cachoeira foi se refrescar  nas águas da praia de uma estação chique de veraneio,   para curar o estresse.



4.MELHOR ATOR. Assim como Jennifer Lawrence em O Lado bom da Vida,  por aqui Ricardo Teixeira também em  O lado bom da vida, mas o certo seria O lado ótimo da vida. Teixeira, ex-diretor da CBF por uma eternidade e  especialista em pilantragens nacionais e internacionais ,  depois de acusado de receber propina se mudou para uma mansão em Miami, rodeado de carros importados, piscinas e barcos. Eita, vida brasileira tão boa! (mas só para acusados de crimes).

5.MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO. Ao invés de Paperman, a animação da Gaviões da Fiel, no estádio do Pacaembu para ver o jogo do Coríntians com o Milionários da Colômbia. A animação foi tão curta que nem deu tempo de entrar no estádio.

                                                         

6.MELHOR ATOR COADJUVANTE. Bruno Pedroso, em O namorado de Suzana Vieira. Como o moço representa bem seu primeiro  – e único -  papel na vida!

7.MELHOR EFEITO VISUAL. Por lá, as Aventuras de Pi, por aqui as  Aventuras de dois Pi, como também pode ser chamada a redondíssima – e opulenta - bunda de Valesca Poposuda (uma esfera completa) lutando bravamente na avenida do Sambódromo contra o suor e a celulite. 

8.MELHOR ROTEIRO ADAPTADO.  A transposição do Rio São Francisco, com roteiro do ex-presidente Lula. Foi adaptado da famosa história bíblica dos Dez Mandamentos quando Moisés, a mando divino, afastou as águas do Mar Vermelho para que os judeus pudessem fugir dos egípcios. Na versão atual Lula, o novo Moisés,  imbuído da onipotência típica dos deuses dá ordem para que  as águas do rio São Francisco se transfiram de um lugar para o outro.

9.MELHOR ANIMAÇÃO. Valente.  Com José Genoíno. Enquanto por  lá  o vencedor foi Valente por aqui o vencedor foi na verdade um Valentão. Ao responder com agressividade  aos repórteres que lhe perguntaram como estava se sentindo ao se instalar na cadeira de deputado, Genoíno ainda teve tempo de ficar animadíssimo com a grana que vai passar a receber!

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sábado, 23 de fevereiro de 2013

JAMAIS BEIJE PARA SE DESCULPAR



Artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal o Estado do Maranhão, sábado



Ainda bem que o Dia dos Namorados no Brasil acontece depois do Dia dos Namorados dos USA e os brasileiros podem se precaver. Notícia do jornal norte-americano Chicago Tribune dá conta de que o namorado de Eliane Cook, de 51 anos,  tentou dar fim à briga entre os dois, esse dia, com um beijo de amor romântico, mas nem teve tempo de ter surpresa.  Antes disso, um pedaço de sua língua caiu no chão, decepada pela mulher.  O homem, apavorado, ligou para o serviço de emergência com o fragmento de língua em seu poder, mas não houve jeito de implantá-lo: vai ter que ficar com meia língua. Menos mal que esse pedaço de língua perdida não lhe prejudicou  a fala e ele vai poder xingar a mulher, à vontade, o resto da vida.
A namorada no xilindró e o parceiro sem língua não é exatamente o fim que se espera de uma comemoração do Dia dos Namorados, mas, para os brasileiros, pode  trazer  uma lição: jamais beije para pedir desculpa, principalmente se você tem 47 anos ( caso do moço) e costuma sair com outra namorada algumas horas antes . Vai ver que o amor  tem mesmo sabor e as mulheres , sempre muito sensíveis, detectam-no pela aridez da língua masculina , percebendo quando esta sofreu alguma erosão feminina estranha , o que lhes dá um incontrolável impulso de arrancá-la.

                                                                 
                                               

Outras da Semana:

1. Vereador  sanluizense levantou na Câmara Municipal discussão acerca das prestações de contas dos ex-gestores, que ainda não foram julgados pelo parlamento municipal e cujo atraso pode ser medido em anos-luz: desde 97.
Segundo um observador a oportunidade  de tão estratosférica  análise baseia-se no seguinte: Só mesmo aproveitando a presença de um Astro ( de Ogum) como presidente da Câmara,  para analisar os efeitos de tão formidável Buraco Negro.

2. Pela primeira vez foram exumados para estudo  os restos mortais de Dom Pedro I. Os exames revelam fatos até então desconhecidos como,  por exemplo, as quatro costelas fraturadas do imperador que mostram que ele vivia caindo das carruagens que ele mesmo dirigia. “Se  vivesse hoje seria um playboyzinho pilotando uma Harley Davidson”, diz o historiador Paolo Rezutti.
Ora, se tendo sido um playboyzinho a dirigir carruagens Dom Pedro I, mesmo assim, preferiu proclamar a Independência do Brasil em cima de uma jumenta, como a proclamaria se vivesse hoje? Pelo andar da “carruagem” em cima de um fusca velho.

                                                 

3. Bruxismo  afeta boa parte da população brasileira. Portanto, mais esta que você não sabia: o bruxismo, que tanto nos atinge, é uma doença que causa dores nos músculos faciais ou no pescoço, causados pelo ranger ou apertar de dentes durante o sono.
Pelo menos, não tem a ver com Bruxa-ísmo, essa doença de nome tão parecido  e bem mais arrasadora, que afeta algumas de nossas celebridades globais como Suzana Vieira, Ana Maria Braga etc. Conseqüentemente, todos nós. E que se distingue da primeira  porque quem é atacado com o ranger de dentes não são as doentes, mas o telespectador quando as contempla e, apavorado,  não consegue controlar a raiva.

4. A grande presença de cantores sertanejos no Carnaval de Salvador mostrou que o Axé-Music perdeu fôlego. “Sob raras exceções os artistas locais que faziam shows para cem mil pessoas agora se apresentam para públicos bem menores”, segundo a revista Isto É.
Ai que saudades do Axé (ops, da Bahia), como dizia o eterno Caymmi. Donde se cria mais uma Lei de Murphy (aquela do tudo dá errado)  desta vez aplicada a atual música popular brasileira atual. “Por pior que sejam as músicas de um ritmo, sempre serão sucedidas, na preferência popular, por outras piores ainda”. Da mesma forma que pior que um BBBrasil só um ex-BBB, e pior do que um ex-BBB, só um ex-BBB de volta. 

5.  Esta saiu da boca de Rita Lee, nossa grande cantora: “ Como não posso comprar felicidade, eu compro chocolate, que dá no mesmo.”
A sempiterna - mas nem um pouco terna Rita - mais uma vez está coberta de razão. Com a vantagem de que chocolate tem prazo de validade. A felicidade, nem isso.

6.  E esta é de Otto, cantor. “Eu faço sexo com o público em meus shows. Por isso tiro a camisa, não é coisa pensada. É como sexo. Eu seduzo e sou seduzido.”
Portanto amiga, não faça como Alessandra Negrini ex-namorada do cantor ( e de mais uns cinqüenta): pense duas vezes antes de ir a um show do “incorrigível sedutor”. Senão, por mais longe do palco que esteja,  você acabará sendo estuprada.

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sábado, 16 de fevereiro de 2013

O CARNAVAL AGORA É QUE VAI COMEÇAR



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Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje, sábado




Isso mesmo, leitor, nem pense que houve erro de revisão. Hoje, terceiro dia depois da quarta-feira de cinzas, o carnaval agora é que está começando. Afinal de contas, esse é o país do carnaval. Senão, vejamos:
1. Blocos. Blocos não são exclusividades dos dias de Carnaval, muito pelo contrário. Na Assembléia Legislativa do nosso Estado, por exemplo, a julgar pelo que repete a imprensa,  o que não falta é bloco. Bloco disso, bloco daquilo e, como se isso não fosse suficiente, ainda tem Bloquinho e Blocão. Só falta criarem o Monobloco.  

                                                 

2. Entrudo. O entrudo, que pouca gente ainda chama assim, é aquela brincadeira carnavalesca de origem portuguesa em que se joga farinha, água e pó, nos outros.  Com o tempo evoluiu para Entratudo e, como todo mundo sabe,  isso é o que não falta o  resto do ano no do brasileiro onde tudo entra, ao gosto dos seus representantes: multas extorsivas, Leis ‘ressequidas’, mensalão, IPVA, custo de vida,  etc. etc.

3. Escola de Samba. As escolas de verdade não estão ao alcance da maioria do povo. Nestas se paga desde livro até papel higiênico. Qualquer  dia, na lista de material escolar  vão aparecer calcinhas e cuecas - para os donos das escolas. (Tem uma escola de inglês pros lados do Calhau que inventou até uma caríssima caneta que fala inglês – ou seja, o aluno nunca vai sair falando inglês, mas pode deixar que  a caneta vai falar por ele.). Enquanto isso, nas escolas que  o governo oferece  o aluno tem que ser muito valente para não “sambar” diante dos traficantes e pedófilos. Quer escola de samba melhor do que essas?

4. Assalto. O assalto é aquela antiga brincadeira carnavalesca em que um grupo de mascarados irrompia na casa de algum aniversariante para comer e beber do que houvesse. Ora, assalto faz tão parte do dia a dia do brasileiro que já nem se chama mais de assalto ao ato corriqueiro de ter a carteira surripiada por um ladrão – isso se tornou participação ‘conjunta’ pela sobrevivência.  Assalto de verdade são os cinco meses de trabalho de cada trabalhador  sugados pelo governo por conta do imposto de renda e repassados  para os corruptos dos mensalões, etc.  nos meses restantes.  

5. Máscara. Enquanto o povo costuma usar máscara apenas durante os cinco dias da folia, os poderosos usam-na o resto do ano para melhor desempenhar a profissão de aumentar os próprios salários; seja à custa das leis que eles mesmos inventam seja através de propinas recebidas. Na hora de apertar a mão do povo para pedir voto, alguns retiram a máscara, outros já nem se dão a esse trabalho.

                                                        

6. Trio Elétrico. Bons tempos aqueles, coisa de cinqüenta anos atrás, em que um trio elétrico era um trio formado por uma corrente elétrica - vá lá! - constituída por um baiano meio idiota pulando,  cinco mulatas rebolando em cima de um caminhão e trinta mil fardados de abadá em curto-circuito. E que só se eletrificava no carnaval. Hoje, como todos sabem,  o trio evoluiu tanto que   já existe até o xixi-elétrico, trio que se move às custas da energia proveniente  da urina depositada nos vasos públicos da prefeitura ( Bloco Afro-Reggae que desfilou no Rio). Pelo andar da carruagem teremos em breve o cocô- elétrico, para cuja garantia bastarão as músicas que cantam.

7. Serpentina. De fato, depois do Carnaval não se vê mais serpentina para tudo quanto é lado. Em compensação o que não falta é serpente pronta para dar o bote no bolso do trabalhador honesto: se você escapa das cobras criadas que são os guardadores de carro se defronta com as cascavéis do serviço público. 

8. Rei Momo. Rei Momo para o resto do ano é o que não falta. Segundo Ruth de Aquino, colunista da revista Època,  o Rei Momo do Brasil este ano vai ser o Rei-Nan Calheiros. Deve ter razão pelas características semelhantes: Rei-Nan é gordinho como todo Rei Momo tem que ser (segundo Mônica, amante do senador,  em seu livro, Renan é um “docinho, meigo e meio gordinho); gosta muito de Carnaval (ainda segundo ela “Rei-Nan queria pular o carnaval de rua em sua companhia, na Bahia). Por fim, como todo Rei Momo,  ninguém sabe que diabos faz o resto do ano. Ou sabe?
                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com

sábado, 9 de fevereiro de 2013

ESPOSA,AMANTE, MONICA OU VERÔNICA?



Artigo publicado hoje, sábado, na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão


Esposa, amante, Monica, Veronica...Faz diferença? Para Renan Calheiros, atual presidente do Senado e envolvido com as  duas, ninguém sabe exatamente. Portanto,  não é de estranhar que para o senador e líder do Governo Eduardo Braga, também não. Tanto é assim que ao se dispor a cumprimentar a esposa do recém-eleito Renan na galeria do Congresso, após a eleição deste, assim  se expressou: “
- Parabéns, dona Mônica.. [silêncio] Ops, desculpe-me. Parabéns, Dona Verônica.
Nada deveria haver de cômico ou de trágico nesse episódio se Mônica não fosse Verônica  e, ao invés de amante, esposa.  O que motivou a seguir,  o comentário  ressentido  da ofendida, assim que o líder do Governo se foi, ressabiado.
- Você viu? Ele trocou o meu nome...Mas é fácil trocar o nome...A gente tem que tocar a vida, né?
Seria trágico se não fosse cômico!

                                                        

                2. A merda feita, podemos imaginar no instante seguinte - admitindo que o senador tenha um tanto de pudor, o que nem sempre é razoável supor - o constrangimento deste ao buscar ajuda para sua  aflição. Esse alguém  teria tudo para ser   a própria esposa (nessas horas sempre os maridos se lembram delas).
                - Querida, você nem sabe a merda que fiz. Nem sei onde meto a cara.
                - O que foi desta vez Dudu ? (ela deve chamá-lo  assim, carinhosamente)
                - Fui lá dar um abraço de cumprimentos na amante do Renan.
                - E daí? Acho que fez muito bem, mas...
                O senador,  de tão aflito  nem escuta o “mas”
                -  Acontece  que não era a amante, era a mulher.  Ops, que estou dizendo? Era a mulher, não a amante, agora tenho certeza.
                - Como? Dudu você está doido? Afinal de contas, você foi cumprimentar a mulher ou a amante?
                - Meu Deus, que confusão? Você acredita que chamei a esposa do cara de Mônica?
                - Dudu, que se passa com  você? Será que você resolve os problemas do país da mesma forma que confunde mulher com amante? A esposa,  ao que eu saiba é Verônica. A amante é que é Mônica. Sempre soube que você faz merda quando bebe  Dudu, vejo agora que até quando não bebe.
                - Mônica, Verônica, Verônica, Mônica, que culpa tenho eu? Puxa vida, não vejo problema algum em que um parlamentar  tenha uma, duas , três amantes, mas porque tem de escolher  justamente uma  com quase o mesmo nome da esposa? Desse jeito tem tudo para dar em merda. Sabe de uma coisa, já estou arrependido de ter votado nesse cara!
                - O que foi mesmo que você disse quanto a ter duas , três amantes, Dudu? É isso mesmo que você pensa? Vamos lá, quero ouvir mais uma vez!

                                                                     

3. O que a gente não daria para retroceder um segundo no tempo, não é mesmo Senador? Acontece que as palavras nos traem, basta ler a reportagem da revista Superinteressante desta semana sobre as artes do inconsciente, sobrepujando a nossa tão decantada racionalidade. O nosso consciente – pobre de nós!- representa apenas 5% do nosso cérebro, o resto é inconsciente.
Que tal mandar a revista para a esposa do Renan, senador? Vá lá que ela lhe perdoe a gafe e um dia queira lhe ver mais gordo.  
                                                                                              ewerton.neto@hotmail.com
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sábado, 2 de fevereiro de 2013

UMA TRAGÉDIA (EM NOME DA ALEGRIA)


Artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal o Estado do Maranhão, hoje,
sábado



“ Existe uma casca de banana por perto de toda grande tragédia”. Graham Greene
               
Se existe sempre uma casca de banana por trás de toda grande tragédia, em quantas cascas de banana escorregou o país (pois essa tragédia é, sobretudo, brasileira)  para se chegar a um epílogo tão cruel e desolador como o que se abateu sobre a cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul?
Entre tantas não deveria  estar o fato de, coincidentemente, tal tragédia ter acontecido em um evento que tinha por principal motivação, a alegria. Essa alegria  propalada, esfuziante, incontida e, tantas vezes obsessiva,  que julgamos essencial  e da qual tanto nos gabamos, como uma qualidade invejável do caráter brasileiro. Os estudantes mortos estavam naquele ambiente perigoso festejando a ‘alegria’; o conjunto de idiotas intitulados  de banda musical usavam fogos de artifício para melhor festejar a ‘alegria’. Ao mesmo tempo  os empresários da casa se aproveitavam para ficar ricos às custas da ‘alegria’ e os governantes, indiferentes como sempre   a tudo, consentiam e nada preveniram porque apenas permitiam a  ‘alegria’.
A mesma alegria que esteve presente também  numa outra boate, mineira, em 2001, quando em circunstâncias semelhantes,  seis  pessoas morreram.  Poucos se lembram disso, como eu.  Claro, não houve na ocasião as mesmas manifestações generalizadas dos governantes, como agora, forçados a serem guindados, ao papel que sempre deveriam exercer: de vigilantes do bem-estar e da vida daqueles que os elegeram;  a imprensa não deu destaque equivalente, não houve clamor público, nem velas acesas, nem a mídia cobrou das autoridades soluções para que jamais neste país houvesse outra tragédia semelhante, como clamou no início da semana (mais de dez anos atrasada) a presidente Dilma.  Teria tal tragédia sido tão rapidamente esquecida  porque ‘apenas’ seis pessoas morreram?  Quantas vidas, então, são necessárias sucumbir neste país para que não se diluam nessa alegria contagiante de um povo, tão alegremente irresponsável, que permanece cego diante da indiferença dos representantes que escolhe,  mais preocupados em usar o poder para, ao invés ( como recentemente noticiado),  aumentar seus próprios salários?
                                                  

Nada foi tão sintomático dessa desfaçatez em nome da continuidade da alegria do que a atitude do governador do Rio Grande Sul,  Tarso Genro,vociferando em altos brados e exigindo punição rigorosa para os responsáveis pela tragédia. Punição rigorosa para quem mesmo, cara- pálida? Ele, certamente, nunca leu na Bíblia o conselho cristão de ‘jamais apontar o cisco para o olho do vizinho, quando o seu está sujo’.  Como disse um criminalista em entrevista  a William Waack, repórter da Globo : “Antes de qualquer acusação, o governador deveria era pedir desculpas ao povo, exigir uma investigação minuciosa das responsabilidades, não só de empresários e músicos inconseqüentes, mas de todas as autoridades envolvidas. Em outro país que se preze,  o prefeito já deveria ter sofrido impeachment, como aconteceu em Buenos Aires, Argentina, em 2004” Ou seja, no epicentro da tragédia o Governador do Rio Grande do Sul  não se peja em inaugurar  e pisar em nova casca de banana, sugerindo que 235 vítimas podem não ter sido suficientes.
Mas o Carnaval vem aí, o logotipo oficial da Copa já foi anunciado com muito estardalhaço, o Grêmio Porto Alegrense acaba de vencer em Porto Alegre (tão perto do local da tragédia!) um time do Equador provocando o delírio entusiasmado de sua torcida e as notícias sobre as vítimas cada vez mais arrefecem no noticiário nacional, substituídas pela alegria carnavalesca, essa sim, brasileiramente obrigatória, se propagando de um canto a outro do país. 22 cidades do Rio Grande do Sul cancelaram seus carnavais em respeito à memória dos mortos, mas a maioria não o fez provavelmente porque ‘respeitar’ o Carnaval deve ser mais importante.
                                                             

Em nome dessa  ‘alegria brasileira contagiante’ é necessário esquecer, o mais rapidamente possível, os cadáveres, mas nem precisava tanto empenho para isso porque,  como dizia Pablo Neruda em um de seus poemas: “Os ossos? Os ossos esquecem.”
                                                                              ewerton.neto@hotmail.com
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sábado, 26 de janeiro de 2013

ORGASMO FEMININO - O QUE VOCÊ NÃO SABE



artigo publicado na seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo,
jornal o Estado do Maranhão


Ah, se todo mundo que fala de sexo entendesse do que fala! Então não haveria tanta gente perdendo seu tempo para aprender, diante de um aparelho de tevê, como se faz sexo grupal ao vivo e em cores em programas idiotas como o BBBrasil.  Para esse público e também aos mal-informados é sempre oportuno lembrar que:

1.Mulher demora muito mais. Com 10ml de sangue ‘bombeado’ um homem já fica excitado. Já o complexo órgão sexual feminino precisa de 200ml, ou seja,  vinte vezes mais.
“Ora, se um homem pode esperar meia hora para que uma mulher saia de casa, por que não pode esperar duas horas para que essa  mesma mulher tenha seu justo orgasmo? Acontece é que a maior parte dos homens  de hoje ao invés de se aprimorarem na  arte de ‘bombear’ para agradar suas mulheres  preferem ficar ‘bombados’  - para agradar outros homens.  Dá pra acreditar?”

2.Manter os pés aquecidos aumenta as chances de orgasmo. Apesar de parecer esquisito é isso que mostra uma pesquisa da Universidade de Groningen, na Holanda. Segundo os resultados do levantamento, manter os pés enfiados em uma meia aumenta em 30 % as chances de chegar lá.
“Embora  transar com uma mulher de meia possa diminuir o tesão do seu parceiro, existem variações possíveis: pedir-lhe que faça uma massagem com óleo aquecedor, acender um fósforo em baixo do pé, andar de bicicleta antes. Se mesmo assim você não chegar lá, não seja pé-frio: caia fora antes”.  

                                                            


3. O orgasmo retarda as dores.  Além de aliviar dores de cabeça, reumáticas, e menstruais, reduzem o estresse e favorecem o metabolismo Até a pele fica mais viçosa porque melhora a circulação sanguínea.
“Ou seja, a Medicina descobriu, um tanto tardiamente, que o orgasmo é a penicilina do século XXI, ou seja, dá jeito pra tudo (já tem especialista receitando orgasmo até para dor de dente).   Nesse caso, todo cuidado é pouco. Se você é mulher e seu dentista for  homem, cuidado! – a danada da broca perfurando sua gengiva pode ser uma insinuação.”

4. Quando mais educação tiver a mulher, menos chances para o orgasmo. Estudo realizado na Alemanha concluiu que 62 % das entrevistadas com nível superior tem dificuldades em obter o orgasmo contra 38% das menos cultas.
“O resultado dessa pesquisa jamais deveria  ser propagado às tantas brasileiras que já estão lendo muito menos, lotando show de dupla sertaneja e assistindo muita novela. A bem do futuro deste país, deveria ser  melhor ser uma intelectual  à caça do Ponto G do que uma ‘loura burra’ que goza com todas as letras do alfabeto.  Ou não?”


                                                        



5. Mulheres têm mais orgasmos com homens ricos. De acordo com estudo britânico da Universidade de Newcastle, o dinheiro é um fator que influencia  o orgasmo. Aparentemente, sem preocupações de saber com vão as contas, as mulheres se entregam mais espontaneamente ao sexo.
“Ou seja, a famosa frase de Nelson Rodrigues  que quarenta anos atrás dizia que ‘Dinheiro compra tudo até amor verdadeiro’, não perdeu a validade, evoluiu e  se tornou:  ‘Dinheiro compra tudo, até orgasmo verdadeiro.’”

6.Um orgasmo pode gerar uma descarga elétrica de 244 milivolts. Durante o orgasmo as paredes da vagina liberam energia com suas contrações musculares involuntárias.
“Portanto, bastam cinco mulheres tendo orgasmo ao mesmo tempo para acender uma lâmpada. Isso deve explicar  porque as autoridades energéticas deste país insistem em dizer que não vai haver apagão este ano, mesmo com os reservatórios dos açudes em baixa. Devem estar contando com a suruba coletiva do carnaval para repor o nível energético de suas torres de transmissão”.  
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