sábado, 6 de fevereiro de 2010

ATRÁS DA BOLSA-BANDIDO

Texto publicado ontem, sábado,
seção Hoje é dia de...

ATRÁS DA BOLSA-BANDIDO


José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com



Para um estrangeiro, aqui residente há pouco tempo, nosso país poderia ser interpretado como o país das meias: o lugar onde alguns governantes enfiam o dinheiro roubado dos eleitores. Poderia ser também o país das cuecas (pelo mesmo motivo), mas poderia também ser chamado, preferencialmente, o pais das bolsas. É que, por aqui, de um tempo para cá, tem bolsa para tudo. Depois da bolsa família, já surgiu a bolsa-cultura, a bolsa-olímpiada, a bolsa-copa e, por último, o que nem todo mundo está sabendo, a bolsa-marginal. Vejamos como funciona e como você pode se candidatar a uma..

1. Primeiro, crie um pouco de coragem. Basta um pouquinho, afinal de contas, roubar é um ato muito corriqueiro por aqui e dá muito status, principalmente se o ladrão for um homem importante. (O povo brasileiro, já deu para perceber, não liga muito para esse negócio de honestidade e quanto mais é roubado, mais aprecia o político que lhe assalta)
Se você não teve tanta sorte assim, mas tem talento para a marginalidade, fique sabendo que pode contar agora com a ajuda do governo para lhe dar uma força. Com um tantinho só de coragem (que em outros paises talvez chamassem de canalhice) vá em frente.
2. Ataque o primeiro desprevenido que aparecer e roube o que ele tiver. Não precisa temer sua reação. Após seu primeiro gesto de ataque, ele já estará consciente do que se trata e, acostumado, nem fará ocorrência policial. Pegue sua grana e vá embora, tranquilamente, lembrando de que esse é apenas o primeiro passo para candidatar-se ao direito de ter sua tão ansiada bolsa-bandido.
3. Depois de já ter assaltado uns cinqüenta você estará cada vez mais perto de conseguir essa dádiva tão generosa do governo para vagabundos como você. A merda é que ainda não lhe prenderam, (polícia por aqui não foi feita para prender ladrão , mas para multar, lembre-se disso) mas não desista , vá fundo, assalte mais um, mais outro...
4. Até chegar o dia de sua grande inspiração. Escolha alguém quepoderá ser uma velhinha, um aposentado, ou uma criança, que você queira violentar. Quando algum deles reagir meta-lhe uma bala, cometa qualquer atrocidade, seja perverso, mas, desta vez, se aperfeiçoe no escândalo, e não fuja. Quer queiram quer não desta vez eles vão ter de te prender.
6. Pronto, você agora é um assassino reconhecido, está preso e terá
direito à sua tão esperada bolsa. Foi mais fácil do que você pensava, não foi? Não importa que exista por aí um defunto assassinado por você, uma família destruída, parentes revoltados... Isso é o de menos: para o governo e para as leis desse país a vítima é você, ao invés daqueles que foram brutalizados. Pode fazer agora o seu melhor ar de coitado mas se, por acaso não quiser, não se preocupe: o direito que você adquiriu por ter cometido um crime é seu, ninguém poderá tirar.
7. Agora é só correr para o abraço. Na cadeia, com alimentação de graça
e sem trabalhar, você automaticamente fará jus a uma bolsa que vai sustentar seus dependentes pelo tempo em que ficar preso. Já tinha visto grana mais fácil? São mais de setecentos reais por dependente, R$ 752,12 garantidos por lei, conforme consta em mensagem que corre na Internet, site apontado www.previdenciasocial.gov.br. Mais do que uma empregada doméstica, mais do que um comerciário, mais do que um lavrador, ou milhões de brasileiros que se acabam nas filas da previdência. Quer recompensa melhor pelo crime que você cometeu?
8. Se a burocracia aporrinhar, não esquente, talvez demore um pouco,
mas sai. Afinal de contas, é para defender os seus direitos de marginal que existem as leis brasileiras devidamente aprovadas por aqueles a quem você deu seu voto de confiança. Elas sempre estarão do seu lado, qualquer empecilho basta chamar seu advogado, porque você roubou, você matou, você fez muito por esse país. Você não passa de um bandido mas seus direitos jamais serão contestados porque , como já disse alguém há muito tempo, “este é um pais feito por bandidos, para facilitar a vida de bandidos.”

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

PARA NUNCA MAIS ESCUTAR

Texto publicado na seção Hoje é dia de...
sábado, O estado do Maranhão

PARA NUNCA MAIS ESCUTAR


José Ewerton Neto, membro da AML.

ewerton.neto@hotmail.com



Lembro da frase de um grande escritor que dizia: “Quando falares cuida para que tuas palavras sejam melhores que o teu silêncio.” Se isso já não era fácil quando havia mais respeito ao silêncio alheio, imagine hoje em que se fala o que der na telha, por conta da impressão de que o barulho é a maior propaganda de si mesmo. Tem muito mentecapto por aí que, por não ter o que dizer, acha que pode substituir o seu vazio intelectual por uma caixa de som, como se pudesse falar através dela.
Uma prova de desrespeito ao próprio silêncio é o que dizem as ditas celebridades. Falam tanto e tão mal, que suas palavras reverberam como os decibéis de um trio elétrico de terceira categoria. Eis algumas delas, ainda do ano passado, como tentativa de exorcizar o que não deve ser dito no ano em curso.

“Vou passar do baile funk para o cemitério”, Susana Vieira.
Você está coberta de razão, Susana. Como você já morreu há muito tempo (embora não saiba), nem vai fazer diferença.

“Achava que ela era uma chata, daquelas metidas e afetadas”, Otaviano Costa sobre a mulher “capa da playboy” Flavia Alessandra, antes de conhece-la.
Grande Otaviano! Você quer dizer que, desde que isso não afete as metidas, pouca importa que ela seja uma chata, certo?

“Ronaldo não se recorda e, a princípio, nega ser o pai do menino.” Amir Bocaiúva, advogado de Ronaldo, o fenômeno, no processo de investigação de paternidade movido pela mãe de um garoto de 4 anos, em Cingapura.
Caro advogado, seria melhor usar outro argumento, já que em matéria de negar, o fenômeno dá de dez a zero em São Pedro, que só negou Cristo três vezes. De algum tempo para cá ele nega que transou com travestis, nega que fez lipo, nega que “abirobou” na Copa da França e nega que simulou uma contusão no ultimo jogo Coríntians x Fla para prejudicar o rival paulista, São Paulo. Para piorar nega até fogo, segundo Susana Werner e Milene, suas ex-companheiras.

“Se me perguntarem se sou bi, vou brincar e responder que sou penta.”
Preta Gil, cantora(?) sobre sua orientação sexual.
Alguma inspiração flamenguista, Preta Gil? Depois do ultimo campeonato o Fla oscila do penta , segundo os pernambucanos ao hexa, segundo os cariocas e ninguém sabe o certo, nem a CBF, nem a FIFA. Não seria melhor passar logo direto para o octa?

“Max é viciado nele mesmo. (...) Ele é um produto. As caretas são sempre as mesmas e isso não é à toa. Enquanto o produto vender, para que mudar?” Francine Paia ex bbb, sobre o seu namorado Max Porto, ex bbb.
A grande diferença, cara Francine, é que o picareta do Max ganhou muito dinheiro para ficar viciado nele mesmo. Pior são os telespectadores idiotas que se viciam nos que são viciados neles mesmos( os BBBs) e, ao invés de pagamento, recebem em troca o sorriso abestalhado do Pedro Bial.

“Não fiquei assustada com a diferença de idade. Fiquei assustada com a paixão.” Zezé Polessa atriz de 55 anos sobre o seu relacionamento com o ator Ricardo Nunes, 22 anos mais novo.
Já o teu namoradinho, Zezé, não ficou assustado com tua paixão, mas com a diferença de idade; principalmente quando te viu nua.

“Às vezes acho que sou do lado errado, da cor errada. Eu devia ser mulata.”Luma de Oliveira
Não bote a culpa na cor, Luma. Quem preferiu ficar do lado de um bombeiro do que do homem mais rico do Brasil(Eike Batista) , foi você. Provavelmente, uma sombra tolheu tua visão na hora da escolha. Mas, será que isso tem a ver com mulatice, ou com escuridão total?.

“ Eu sou um ser humano normal como qualquer outro, mas as pessoas não me acham.” Roberto Justus, empresário e apresentador, ao desmentir sua imagem de homem sofisticado.
Não seja modesto, Roberto. Para sermos justos (ou justus) as pessoas só não te acham normal porque você, é muito mais chato do que qualquer pessoa normal. Enfim, você é tão especial que consegue sofisticar a própria chatice, não é mesmo?

“Queria ser gay, mas não consegui.” Fernanda Young.
Com essa Fernanda Young está inaugurando mais um tipo de variação sexual além das cinqüenta que já existem. Caetano Veloso, por exemplo, já deu inúmeras pistas de que seja do grupo e existe indicação de muito mais gente seguindo pela mesma cartilha. Ainda não dá para encher um caminhão, mas um trio elétrico, com certeza.

“Elas são de malíssimo gosto, sem nada na cabeça e feias”, Theo Becker, do reality-show A fazenda, sobre as suas colegas de programa.
Que elas não têm nada na cabeça e são feias isso todo mundo já sabia, Theo. O que não se sabia era que o malíssimo gosto delas era muito pior do que o teu em relação à língua portuguesa.

“Quando ainda me restava um mínimo de consciência eu mesma me internava. Mas quando babava no chão era Roberto quem tomava a dianteira.” Rita Lee, sobre a época em que usou drogas.
Explica essa história direito, Rita. Se ele tomava a dianteira, a traseira ficava com quem?

“Um dia, se Deus quiser, serei também pastor”, Kaká, jogador de futebol
Torça para que Deus não queira, Kaká até mesmo porque se seu desejo se tornar realidade você se tornará o primeiro milionário a se tornar pastor. Normalmente acontece o contrário. No começo são mortos de fome, depois é que ficam ricos.




sábado, 30 de janeiro de 2010

PARA NUNCA MAIS ESCUTAR

Texto publicado no jornal O estado do Maranhão,
seção Hoje é dia de...hoje, sábado.




PARA NUNCA MAIS ESCUTAR


José Ewerton Neto, membro da AML.

ewerton.neto@hotmail.com



Lembro da frase de um grande escritor que dizia: “Quando falares cuida para que tuas palavras sejam melhores que o teu silêncio.” Se isso já não era fácil quando havia mais respeito ao silêncio alheio, imagine hoje em que se fala o que der na telha, por conta da impressão de que o barulho é a maior propaganda de si mesmo. Tem muito mentecapto por aí que, por não ter o que dizer, acha que pode substituir o seu vazio intelectual por uma caixa de som, como se pudesse falar através dela.
Uma prova de desrespeito ao próprio silêncio é o que dizem as ditas celebridades. Falam tanto e tão mal, que suas palavras reverberam como os decibéis de um trio elétrico de terceira categoria. Eis algumas delas, ainda do ano passado, como tentativa de exorcizar o que não deve ser dito no ano em curso.

“Vou passar do baile funk para o cemitério”, Susana Vieira.
Você está coberta de razão, Susana. Como você já morreu há muito tempo (embora não saiba), nem vai fazer diferença.

“Achava que ela era uma chata, daquelas metidas e afetadas”, Otaviano Costa sobre a mulher “capa da playboy” Flavia Alessandra, antes de conhece-la.
Grande Otaviano! Você quer dizer que, desde que isso não afete as metidas, pouca importa que ela seja uma chata, certo?

“Ronaldo não se recorda e, a princípio, nega ser o pai do menino.” Amir Bocaiúva, advogado de Ronaldo, o fenômeno, no processo de investigação de paternidade movido pela mãe de um garoto de 4 anos, em Cingapura.
Caro advogado, seria melhor usar outro argumento, já que em matéria de negar, o fenômeno dá de dez a zero em São Pedro, que só negou Cristo três vezes. De algum tempo para cá ele nega que transou com travestis, nega que fez lipo, nega que “abirobou” na Copa da França e nega que simulou uma contusão no ultimo jogo Coríntians x Fla para prejudicar o rival paulista, São Paulo. Para piorar nega até fogo, segundo Susana Werner e Milene, suas ex-companheiras.

“Se me perguntarem se sou bi, vou brincar e responder que sou penta.”
Preta Gil, cantora(?) sobre sua orientação sexual.
Alguma inspiração flamenguista, Preta Gil? Depois do ultimo campeonato o Fla oscila do penta , segundo os pernambucanos ao hexa, segundo os cariocas e ninguém sabe o certo, nem a CBF, nem a FIFA. Não seria melhor passar logo direto para o octa?

“Max é viciado nele mesmo. (...) Ele é um produto. As caretas são sempre as mesmas e isso não é à toa. Enquanto o produto vender, para que mudar?” Francine Paia ex bbb, sobre o seu namorado Max Porto, ex bbb.
A grande diferença, cara Francine, é que o picareta do Max ganhou muito dinheiro para ficar viciado nele mesmo. Pior são os telespectadores idiotas que se viciam nos que são viciados neles mesmos( os BBBs) e, ao invés de pagamento, recebem em troca o sorriso abestalhado do Pedro Bial.

“Não fiquei assustada com a diferença de idade. Fiquei assustada com a paixão.” Zezé Polessa atriz de 55 anos sobre o seu relacionamento com o ator Ricardo Nunes, 22 anos mais novo.
Já o teu namoradinho, Zezé, não ficou assustado com tua paixão, mas com a diferença de idade; principalmente quando te viu nua.

“Às vezes acho que sou do lado errado, da cor errada. Eu devia ser mulata.”
Não bote a culpa na cor, Luma. Quem preferiu ficar do lado de um bombeiro do que do homem mais rico do Brasil(Eike Batista) , foi você. Provavelmente, uma sombra tolheu tua visão na hora da escolha. Mas, será que isso tem a ver com mulatice, ou com escuridão total?.

“ Eu sou um ser humano normal como qualquer outro, mas as pessoas não me acham.” Roberto Justus, empresário e apresentador, ao desmentir sua imagem de homem sofisticado.
Não seja modesto, Roberto. Para sermos justos (ou justus) as pessoas só não te acham normal porque você, é muito mais chato do que qualquer pessoa normal. Enfim, você é tão especial que consegue sofisticar a própria chatice, não é mesmo?

“Queria ser gay, mas não consegui.” Fernanda Young.
Com essa Fernanda Young está inaugurando mais um tipo de variação sexual além das cinqüenta que já existem. Caetano Veloso, por exemplo, já deu inúmeras pistas de que seja do grupo e existe indicação de muito mais gente seguindo pela mesma cartilha. Ainda não dá para encher um caminhão, mas um trio elétrico, com certeza.

“Elas são de malíssimo gosto, sem nada na cabeça e feias”, Theo Becker, do reality-show A fazenda, sobre as suas colegas de programa.
Que elas não têm nada na cabeça e são feias isso todo mundo já sabia, Theo. O que não se sabia era que o malíssimo gosto delas era muito pior do que o teu em relação à língua portuguesa.

“Quando ainda me restava um mínimo de consciência eu mesma me internava. Mas quando babava no chão era Roberto quem tomava a dianteira.” Rita Lee, sobre a época em que usou drogas.
Explica essa história direito, Rita. Se ele tomava a dianteira, a traseira ficava com quem?

“Um dia, se Deus quiser, serei também pastor”, Kaká, jogador de futebol
Torça para que Deus não queira, Kaká até mesmo porque se seu desejo se tornar realidade você se tornará o primeiro milionário a se tornar pastor. Normalmente acontece o contrário. No começo são mortos de fome, depois é que ficam ricos.




sábado, 23 de janeiro de 2010

PERFIL DE BIG-BROTHER

Texto de hoje é dia de...

O Estado do Maranhão, sábado, 23

PERFIL DE BIG-BROTHER

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com

“Quer conhecer analgésico melhor que a felicidade? A idiotice, não é? A idiotice é vital. Ser meio idiota é legal para ser feliz.” Ana Maria Braga.



Prepare-se, você foi escolhido. Calma, não fique nervoso, a rede de televisão não sabe ainda que você é idiota, portanto, está apenas experimentando-o. Quem vai mostrar e provar isso é você que, daqui a alguns dias, estará pegando um telefone e ligando para votar em uma pessoa que nunca viu mais gordo, que nada tem para oferecer, menos ainda para dizer e muito menos ainda para mostrar.
Você pensa que estará fazendo isso porque não tem o que fazer, mas sabe que essa não é a única verdade. Você sabe perfeitamente que só um idiota perde o seu tempo com gente mais idiota ainda, mas... Quer saber mesmo a verdade? – você já nem se importa com isso. Durante toda sua vida lhe fizeram de idiota: políticos que escondem seu dinheiro nas meias, cartolas que armam resultados de jogos para favorecer times de maior torcida, departamentos de trânsito que lhe cobram multas extorsivas. Você então pensa que ser idiota um pouco mais um pouco menos, já nem faz diferença.
Eles também (os big-brothers) fazem de conta que são apenas exibicionistas, mas tem coisa pior por trás: são ignorantes, aproveitadores, grotescos, parvos e humanos, demasiadamente humanos, enfim. Você poderia tentar ser diferente deles mas você não quer, você já não têm mais ânimo, nem vontade. Você já pensou um dia em ler um livro, em aprimorar seu possível talento musical, mas qual, você prefere ser assim mesmo, alienado e bobo. Na verdade, toda essa estupidez generalizada (que faz com que tanta gente almeje se tornar boneco de circo de um picadeiro que tem um pilantra como animador, chamado Pedro Bial); na verdade isso o atrai, e, no fundo, você é doido para ser um deles, não é mesmo?
E é para ajudá-lo – se você for realmente fã do BBB - que estamos lhe entregando o perfil dos Big-Brothers dessa edição, todos tão parecidos. Vá lá: escolha um, tanto faz.


Alex: O advogado de São Paulo tem 36 anos e chegou ao programa dizendo que não gosta de quem tem duas caras. Tradução: ele só gosta de quem tem mais de duas revistas Caras, que ele sempre achou o máximo em matéria de literatura.

Ana Marcela: A estudante de Recife tem 25 anos e define-se como uma gargalhada, em um site de relacionamentos. Tradução: Ana Marcela acabou de descobrir um talento próprio: sabe se definir. Quando diz que é uma gargalhada está falando sério. Sua diferença para Pedro Bial, o animador pseudo-intelectual, é que a gargalhada dele caçoa dos telespectadores, a dela, ri de si mesma.

Anamara: É policial militar, natural de Juazeiro, BA. Deve apostar na sensualidade para conquistar fãs no programa e já disse que no sexo, gosta até de apanhar. Tradução: Anamara dá voz de prisão a torto e a direito, mas só libera quando apanha. (De cacete ou cassetete?)

Carlos: conhecido como Kadu, é personal trainner, trabalha em uma badalada academia carioca e tem visual sarado. Tradução: Kadu precisa ter visual sarado porque sua penúria mental nunca sara. Por isso tem um sonho na vida: dedicar-se a ser ex-big-brother no futuro. E vai conseguir porque não há remédio que sare vocação tão contundente!

Claudia: moradora de Ribeirão Preto, 28 anos, tem uma agencia especializada em recepção e serviços, e potencial para ser uma Grazzi Massafera. Tradução: o potencial de Claudia é tão grande que vai passar direto para Suzana Vieira sem precisar fazer estágio em Graziela Massafera. Por isso já está saindo à caça do primeiro gigolô que aparecer. A casa está cheia. .

Dicesar: maquiador, atua como dragqueen na noite paulista com o codinome Dimmi Keer. Tradução: Dicesar é de César ( o imperador de Roma) a quantos Brutos imperarem no caminho. E jamais dirá: “Até tu Brutus?”


Elieser: 25 anos, modelo e engenheiro agrônomo em Maringá, foi mister Ecologia e define-se como bom de pegada. Tradução: como um bom animal pré-histórico, no físico e, principalmente, no conteúdo do cérebro, sua pegada é, de fato, bastante parecida com a de um mastodonte.


Tessália: publicitária de Curitiba, tem 22 anos. Apresenta-se como Twitess. Está solteira e terá de administrar a saudade da filha. Tradução: Tessália não devia se preocupar tanto com isso A filha aprendeu depressa o que significa a mãe ser Twitess, por isso entende, perfeitamente, seu sacrifício de abandoná-la para se enfiar numa casa de orgias sexuais públicas com um bando de retardados. Nem faz questão de saudade.


sábado, 16 de janeiro de 2010

A VIDA E A MORTE DO PONTO G

texto publicado na seção hoje é dia de...
Jornal O estado do maranhão, hoje, sábado, 15


A VIDA E A MORTE DO PONTO G


JOSE EWERTON NETO, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com


O Ponto G foi descoberto ( eu disse inventado, ou descoberto?) por um sujeito chamado Ernst Graffenberg nos idos dos anos 50. Naquela época os tabus sexuais ainda estavam por serem demolidos e a maioria das mulheres ainda pensava que era fundamental para chegar ao prazer que este fosse compartilhado exclusivamente com homens e não com mulheres, cães, gatos, vibradores, metrosexuais, enfim , as muitas variações de sexo que existem na Internet, no BBB e que proliferam no nosso mundo moderno.

( Até hoje não se sabe exatamente porque Graffenberg se preocupou tanto com isso. Passados tantos anos algumas hipóteses surgiram para explicar sua obsessão:

1. Conforme sugerido em 1976 por Shere Hite, intelectual do movimento feminista, a descoberta do ponto G não teria passado de um complô machista com a intenção de retardar a conscientização feminina de que o homem só serve para a procriação e olhe lá...[sabe-se que os bancos de sêmen que proliferam por aí prescindem da presença masculina no ato sexual]. Quanto ao prazer, o buraco é mais embaixo e Graffenberg não passaria de laranja de mais uma manipulação dos machos, com intenção de subjugar as mulheres, matando a cobra, mas não mostrando o pau, ou melhor moatrando o pau, mas não mostrando o ponto.
2. A segunda hipótese, menos mafiosa, sugere que Ernst , sendo pouco
atraente, queria aumentar suas chances com as mulheres. Na impossibilidade de atraí-las pelo método convencional, ofereceu-se como pesquisador e conseguiu, a aquiescência das mesmas, ganhando a chance de conhece-las de forma íntima e profunda ( na verdadeira acepção da palavra ).
O certo é que milhares de mulheres passaram pelo consultório de Graffenberg enquanto ele caçava o ponto G de cada uma. Um fato que corrobora para confirmar essa hipótese é o de que, ao contrário dos demais experimentos científicos cuja pesquisa usa animais como cobaias, no seu, Enrst resolveu partir logo para as mulheres. Ou seja , jamais passou pela sua cabeça a idéia de descobrir, preventivamente, onde estava o ponto G das ratazanas.
Qualquer que seja a hipótese correta, a verdade é que Enrst Graffenberg morreu feliz por ter imortalizado o seu nome. Antes de partir ele teria dito a célebre frase: “ Se Avogadro imortalizou-se por ter dado seu nome a um número amalucado, Fourier a uma série que pouca gente entende, e Alzheimer a uma doença, morro orgulhoso por ter dado o meu nome a um ponto que pertencerá eternamente à intimidade das mulheres. E, principalmente, por tê-lo colocado lá dentro.”)

É fácil imaginar o quanto às mulheres da época vibraram ( mesmo não dispondo ainda de bons vibradores ) com a notícia. Suas chances de prazer aumentavam em 70% e muitas esposas vislumbraram, de imediato, a possibilidade salvadora de não precisarem correr para o banheiro e recorrer aos clitóris, tão logo os maridos barrigudões saíssem de cima delas.

Alguém duvida que surgiu daí a revolução dos costumes que sacudiu a década seguinte? Como se sabe, logo elas inventaram a mini-saia, a tanga minúscula e o top-less. Claro, porque valia a pena, de novo, atraírem os homens, para ajudá-las a encontrar o dito cujo. Que começou a ser caçado, muito mais do que, décadas depois, Osama Bin Laden. O problema é que, assim como Osama, o desgraçado nunca deu jeito de aparecer.

Durante muito tempo elas continuaram fingindo, condicionadas pela pressão masculina, até que começaram a desistir da idéia por volta dos anos noventa. Desistiam, diga-se de passagem, não dele, mas dos maridos. E dos companheiros, e dos namorados, e dos homens. “Ora, se o ponto G existe mas ninguém descobre, então de quem é a culpa? Só pode ser desse cara que está comigo!” Donde provavelmente deve ter se originado o mais espetacular holocausto nas relações familiares que se tem notícia desde Sodoma e Gomorra, e que deu no que deu: mulheres para um lado, homens para outro e sexo para todo lado, inclusive das cabeças das criancinhas que não têm nada a ver com isso.

(Algo de muito curioso nessa história é que nenhum estudo sexológico ou social concedeu até agora ao ponto G sua posição como verdadeiro transformador dos costumes da vida pós-moderna. Temos de reconhecer a dificuldade: como colocar o ponto G no seu devido lugar se ninguém sabe qual é ?)

O certo é que, semana passada, tentaram dar um ponto final no ponto G. Andréa Burri ( que é burri, mas não tem nada de burra) comandou uma pesquisa no King`s College de Londres com mais de mil e oitocentas gêmeas, antes de anunciar sua inexistência, tendo o cuidado de acrescentar. “No entanto, nenhuma conclusão definitiva pode ser tirada e essa pesquisa precisa ser replicada com métodos mais refinados.”

No que concorda a interpretação sábia de uma de suas colegas que participou da pesquisa, menos como cientista e mais pela sua enorme experiência de vida. Segundo ela o ponto G, de fato, estaria morto, mas não enterrado; jamais desaparecerá do imaginário feminino e, nos últimos anos, mudou apenas de lugar. Se antes estava na vagina das mulheres agora está, com certeza, nas suas mãos , desde que elas carreguem um cartão de crédito. O orgasmo, finalmente alcançado, é só uma questão do que e do quanto este permitirá comprar.

sábado, 9 de janeiro de 2010

O VIBRADOR ENTRA EM AÇÃO

artigo publicado em O Estado do Maranhão,
seção Hoje é dia de...

O VIBRADOR EM AÇÃO

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com




E o 2010 acabou chegando com mais estranheza do que tem direito.
Primeiro, a escolha de Ronaldo, o fenômeno, como uma das dez pessoas mais confiáveis do país (como uma nação pode confiar num sujeito que não sabe a diferença de um travesti para uma mulher?). Depois, o que aconteceu esta semana, aqui mesmo, em São Luis: o assaltante Dentinho resolveu inovar e partiu para uma nova modalidade de instrumento de persuasão criminosa.
Dentinho assaltou uma mulher chamada Janice Minervina com um pênis de borracha (ou vibrador, como queiram) de 28cm x 18 cm. Dizem os autos da delegacia policial que Janice, quando passeava na Lagoa da Jansen, ao sentir o “cano” da arma em suas costas entregou de imediato a bolsa que trazia a tiracolo e chamou a polícia. Fica para a imaginação do leitor tentar chegar a uma conclusão satisfatória a respeito da hipótese levantada por alguns repórteres policiais: a de que se o vibrador tivesse sido endereçado para outro local do corpo da vítima a sua reação teria sido outra.
Como toda sanluizense já foi roubada pelo menos uma vez nesta cidade ( nem que seja de um inocente celular) nada como pesquisar o que elas acham dessa nova modalidade de assalto, de acordo com a profissão que exercem.

Hortênsia – Professora de matemática do ensino médio. Mora na Cohab:
“Prefiro esta. Pelo menos o diâmetro da arma é maior e, sendo mais grosso e viril, os ângulos de sua conformação são mais suaves e, dessa forma, sua imagem é menos aterradora ”.

Elenaura – Psicóloga, mora no São Francisco e tem um consultório num Shopping:
“Psicologicamente, esta deixa um trauma de menor impacto na mente
feminina. Algumas mulheres, de personalidade mais forte, terão chances até de fantasiar suas futuras emoções.”

Dra. Etiene - Clinica geral, mora no centro e atende no Maiobão:
“O efeito colateral é menos prejudicial. Pelo fato de ser de borracha,
não fere e pode até deixar uma sensação agradável no corpo. Tenho certeza pessoal e científica de que este que é mil vezes preferível a um objeto cortante, um punhal, por exemplo.”

Domingas - Comerciante, mora no Lira e trabalha nas feiras móveis, vendendo verduras. “ Tem mais chance de se fazer um bom negócio. As mulheres poderiam
sugerir a troca de suas bolsas pelo vibrador; ou então dos celulares.”

Hilda Franchesini - “Mineira, mora no Calhau.. Freqüentadora assídua da páginas sociais, é perua profissional e tem uma clínica de rejuvenescimento nas horas vagas:
“Nada contra, só acho que o vibrador tem de ter qualidade. As mulheres
só deveriam entregar os seus pertences se comprovada a etiqueta do bicho. Teria de ser comprovadamente chique, meu filho! ”

Nanasara - Estudante de filosofia, é também cantora de banda de bumba-pop da ilha, se apresenta na região do Turu e adjacências:
“Como dizia Platão, ou , possivelmente Aristóteles, como todo ato sexual
é uma forma de assalto daquilo que você ainda precisa completar em si mesmo, as vibrações do viver quando interrompidas por um gesto, precisam de simbolismo vivo para continuarem. No caso, um vibrador é muito mais eficiente para isso do que um revólver.”

Serena Campos – Estudante, desistiu do vestibular convencional há dez anos, quando decidiu seguir a profissão de candidata ao big-brother. Já publicou um livro de poesias chamado As razões do coração,
“Acho que, no caso desse tipo de assalto, as razões secretas do coração passam a vibrar mais intensamente...e de outras partes, também.”

Lucília Ernestina - Advogada criminalista, mora na Cidade Operária e faz
pos-graduação em salto-triplo – para fugir dos assaltantes.
“Esta nova modalidade de assalto precisa ser incluída urgentemente numa nova categoria dos códigos do direito criminalista, cuja hipótese vai contribuir para amenizar a pena do infrator. Ou seja, a de que o objeto do crime por parte do algoz pode ser confundido com o objeto de desejo da vítima.”

Cecília Regina, enfermeira, mora na Madre Deus.
“ Só acho que o assaltante, após ter apavorado a vítima com o vibrador, deveria ser condenado a acalmá-la depois com o mesmo objeto, para que as enfermarias dos hospitais não fiquem lotadas de mulheres à beira de um ataque de nervos.”

Soliege Brito, 35 anos – Formada em educação física, pratica vários
tipos de disputa, físicas ou não: judô, capoeira, basquete, lutas marciais, divórcios, etc. Praticamente mora na Lagoa da Jansen, onde faz cooper 23 horas por dia.
“ Bem , por razões sentimentais só posso dizer que vou direto para a delegacia, agora que já sei com quem está o vibrador de estimação que eu perdi.”


sábado, 2 de janeiro de 2010

CONTRATO DE FIM DE ANO

Artigo de hoje, sábado de O estado do Maranhão,
seção hoje é dia de...


CONTRATO DE FIM-DE-ANO

Jose Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com




Já que os seres humanos insistem em tratá-los como a seres vivos, capazes de fazer e acontecer, faz algum tempo que os anos novos, preventivamente, assinam em presença de Deus, um contrato de prestação de serviços de 365 dias. Eis, recentemente assinado, e em primeira mão, o de 2010:

1. O ano de 2010 compromete-se a fazer de conta que acredita que os excessos e as aberrações que os humanos cometerão, logo após sua chegada, são em sua homenagem, e não mero pretexto para dar vazão aos seus instintos etílicos. Idem promete não atrapalhar o reveillon, deixando-os se comportarem, mais uma vez, como se a mera passagem de um segundo - em tudo semelhante a infinitos outros - tenha algum significado especial ou seja capaz de mudar o que quer que seja.

2. O ano de 2010 promete trabalhar todos os dias do ano, chova ou faça sol, independente de ser feriado ou dia útil, mesmo contrariando interesses de baianos e cariocas, de políticos que só trabalham três dias por mês, ou de jogadores de futebol que só jogam um dia por semana e ainda se acham no direito de se considerarem cansados.

3. O ano de 2010 exime-se, peremptoriamente, das conseqüências que lhe serão atribuídas por conta de uma obrigatoriedade anual. Por exemplo, lembra que o Imposto de Renda, o IPVA, o IPTU, e as promessas e juras de emagrecer, são invenções incrustadas em uma necessidade que têm mais a ver com a cobiça e as obsessões dos homens, do que com a passagem corriqueira dos anos através dos tempos.

4. O ano de 2010 compromete-se a mandar a quantidade de água necessária que os homens venham a precisar. No entanto, lembra de que não o fará da exata forma que querem. (Ou seja, se a quantidade de água e vento enviada virar uma tempestade, ou um tsunami, em São Paulo ou em Santa Catarina, a responsabilidade não será sua, mas de quem nunca soube se prevenir a contento)

5. O ano de 2010 compromete-se a realizar a Copa do Mundo, mas avisa que não privilegiará essa ou aquela nação por conta de rezarem ou de dizerem, por exemplo, que “Deus é brasileiro”, como faz o Brasil. Lembra que a vitória dependerá, como sempre, de quem fizer mais gol, do juiz que roubar mais, ou de quem escolher seus melhores. Em resumo, não aceitará que tragédias coletivas ( tipo choro e ranger de dentes na Avenida Paulista ou em Copacabana ) lhe sejam atribuídas por conta de quem preferiu técnicos ruins( Dunga ) a jogadores bons ( Ronaldinho Gaúcho)

6. O ano de 2010 compromete-se a agir conforme reza seu contrato. Ou seja, simplesmente passará através da eternidade, e será indiferente a previsões e expectativas. Em resumo, jamais dará mais um minuto para um e menos para outro, mais rugas para uns e menos para outros, como pretendem certos arrogantes. Como a atriz Susana Vieira que exigiu da imprensa compreensão para suas atitudes “conforme a aparência, e não a idade”. Certamente, por nunca ter tido tempo suficiente (nem anos) para se enxergar em frente a um espelho.

7. O ano de 2010 compromete-se a enviar luz e calor no mesmo volume de sempre, apesar das previsões em contrário. Mas lembra que isso será insuficiente para iluminar os buracos-negros em que se transformarão as mentes, cada vez mais obscurecidas por programas como o Big-Brother, já anunciado. Exige, portanto, que ninguém o responsabilize por novos apagões, de origem psíquica.

8. O ano 2010 compromete-se a ficar até o final de sua jornada sem perda de seu entusiasmo. Mas, insiste em confirmar que não fará horas-extras, jamais admitindo que lhe aconteçam coisas como as que aconteceram ao ano de 1968 que virou, muito tempo depois, O ano que não terminou.
Como encerrará seu trabalho no último segundo do ano, avisa que quem quiser prender seu corrupto que o faça no dia e na hora certa. Assim sendo, não permitirá que se diga depois que José Roberto Arruda escapou para 2010, através do tempo e da falta de memória, quando a história confirmará, que se isso se der, será pela absoluta falta de vergonha de toda uma nação condescendente.

sábado, 26 de dezembro de 2009

2009 e a palavra que não terminou

Texto publicado hoje, sábado, na seção
hoje é dia de... O estado do Maranhão

2009 E A PALAVRA QUE NÃO TERMINOU



Jose Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com




Zuenir Ventura escreveu o livro 1968, o ano que não terminou. Que palavra melhor representaria o ano de 2009. Qual seria a palavra do ano?
Ora, as palavras que não terminaram (que ficarão na memória) dependem de cada um. No aspecto pessoal a palavra de 2009 que jamais terminará talvez se chame Literatura. Foi através dela que cheguei à Academia Maranhense de Letras, em 24 de Abril deste ano, para ocupar a vaga da cadeira 11, que pertencia ao poeta Manoel Caetano Bandeira de Mello e cujo patrono foi João Francisco Lisboa. Essa grande honra talvez não caiba numa palavra.
Pude conhecer de perto, então, a efervescência das idéias que culminaram nas vitoriosas realizações culturais que ocorreram durante todo o transcorrer do ano de 2008, em que se comemorou o centenário da Academia. Os ecos desses eventos, aliás, reverberam até hoje com a publicação, esta semana, do livro comemorativo do Centenário da Academia. Este livro, cuja publicação está coincidindo com o crepúsculo do mandato do atual presidente Lino Moreira, juntamente com a reedição recente do Dicionário de César Marques (frutos de um portentoso trabalho de pesquisa e revisão executado por Jomar Moraes), junto com outras realizações, vêm confirmar o dinamismo da administração de Lino Moreira que proporcionou aos cidadãos maranhenses, uma profícua série de acontecimentos à altura da grandiosidade e significação da data.

Quanto ao geral, a cada mês a sua palavra
Em janeiro, demissão. Pois é, o ano-negro após crise acabou melhor do que se esperava, menos para os 25 franceses que se suicidaram, depois de demitidos pela France Telecom. Meses mais tarde, em Dezembro, Leila Lopes, ex-atriz da Globo, também resolveu demitir-se da vida, partindo, segundo suas palavras em busca de Deus. A bela ex-professorinha Global suicidou-se aos cinqüenta anos, ainda muito bonita. Tudo indica que o deus que tanto ela queria encontrar estava muito longe do deus Global: tão semelhante ao deus do Lucro, da France Telecom, e tão indiferente às carências e expectativas de um ser humano.

Em fevereiro, fraude
E a advogada Paula Oliveira resolveu aprontar para cima das autoridades suíças simulando um aborto e um seqüestro, para conseguir grana. Enganou muita gente até ter descoberta sua fraude pela polícia. Como em Brasília fraude é o que não falta chega-se à conclusão que a menina escolheu mal o palco e deveria urgentemente fazer um aprendizado em Brasília com as autoridades governamentais. Mais especificamente, com o governador José Roberto Arruda. Que lhe ensinaria depressa como escapar da polícia.


Em Junho, acidente.
O termo acidente remonta ao latim accidens, entis “o que sucede”, particípio presente de accidere, “cair”. Como dizia Graham Greene “existe uma casca de banana por trás de toda grande tragédia”. Seis meses depois do acidente com o avião da Air France ainda não se descobriu a caixa-preta e muito menos a casca de banana, pois não convêm descobrir onde é que ela estava.

Em Maio, gripe.
A epidemia passou de gripe suína para gripe A por respeito aos porcos. Isso leva a acreditar que se ainda não contaminou todo o alfabeto foi por causa da reforma ortográfica - que não se lembrou de vacinar as três letras que chegaram


Em Setembro, marolinha.
No fim do ano passado Lula foi muito criticado, pela oposição, por ter chamado de marolinha à crise global. Já em Setembro, o jornal Le Monde, derramou-se em elogios ao nosso presidente atribuindo-lhe uma visão correta e antecipada do cenário econômico. Ora, como o nosso presidente anda acertando tudo, os oposicionistas que tanto o criticaram por ter dito que o povo estava na merda, logo estarão todos lhe aplaudindo . Com os dedos cheios de merda.

Em outubro, olimpíada.
E acabaram sacramentando as Olimpíadas no Rio, em 2016, apenas dois anos após à Copa de 2014, também no Brasil. Se os baianos já andam dizendo que vão enforcar o 2015 (imprensado entre dois feriadões) um dilema surge: cercados de olimpíadas e copas do mundo por todos os lados, para onde irão as balas perdidas? Alguém duvida que vão acabar se instalando nos lombos dos cidadãos dos estados que não tiveram a sorte de participar da festa?.

Em novembro, expulsão.
Por ter usado um minivestido rosa, , Geisy Arruda, foi expulsa da Uniban de São Bernardo do Campo, onde cursava turismo. Sua culpa foi ter atiçado a tara dos estudantes universitários. È por essas e outras que Suzana Vieira, Maitê Proença, Marília Gabriela e outras peruas sessentonas que adoram garotões - mas estão longe de atiçar a tara de quem quer que seja - resolveram adotar o rosa como farda oficial.

Em dezembro, retrospectiva.
Incorporada no jargão da mídia com o sentido de balanço dos acontecimentos, retrospectiva tem registro em português desde 1899 como “relato dos fatos” e “exposição das obras de um artista”. Virou uma das palavras-símbolos do fim do ano, uma sugestão de retomada da memória cujo sentido de revisão foi acentuada no português brasileiro por via norte-americana, de onde nos chegou retrospection ( usada no inglês desde 1674) por via francesa restrospection (desde 1839).
Esta é mais uma delas, feita às pressas, mas não a ponto de esquecer de desejar a todos os leitores um feliz ano-novo.


segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

E O PALAVRÃO VIROU PALAVRINHA

Artigo de sábado de O estado do Maranhão,
seção Hoje é dia de...


E O PALAVRÃO VIROU PALAVRINHA

“ Eu quero saber se o povo está na merda e quero tirar o povo da merda
em que se encontra”
Lula, presidente do Brasil

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com




Como deve ter sido longa a trajetória da merda até chegar à boca de um presidente da república! Porém, calma, senhores, não queiram imaginar dejetos evoluindo ao longo dos séculos para chegar aos lábios de um ser humano importante. Até porque se existe algo imune à passagem do tempo deve ser ela, a merda. Provavelmente, continuará a mesma para sempre, quem sabe para nos lembrar o quanto seremos eternamente associados à imundície. Mas não estava falando do objeto físico e sim da palavra. E esta, quer queiramos ou não, evoluiu e muito.

Sim, porque antigamente a palavra merda era considerada um termo tão chulo que beirava a obscenidade pronunciá-la em celebrações e eventos públicos. Nessa época, , prezava-se o linguajar culto, aquele que ao sair da boca de alguém diferenciava uma pessoa importante do comum dos mortais. Digamos que, era inadmissível que alguém, escolhido por uma nação para dirigi-la, pronunciasse um palavrão num evento. Era vergonhoso, acintoso, imoral!
Depois da fala espontânea e recente do nosso presidente, em São Luis, ficou fácil concluir que os palavrões evoluíram e muito. Se antes eram restritos ao linguajar das cozinhas, dos porões e das alcovas, agora se mostram abertamente nos salões. Não precisam mais se esconder através de metáforas e eufemismos, e expõem uma verdade incontestável: o palavrão não existe mais, virou palavrinha. Se alguém duvida, basta pensar em alguns.

Porra: Será mesmo que algum dia, estas letras cinco letras significaram apenas esperma? Hoje, como todos sabem, essa expressão serve para tudo: adjetivo, pronome e substantivo ( tem gente que prefere ser chamado de porra, ao invés do próprio nome). Serve também como ponto de exclamação, vírgula, e até como figura de linguajem indefinida ( aquela que você pronuncia numa conversa como se fosse um resmungo, e que tanto serve para substituir um pensamento como para evocar o que não se tem para dizer):
“- Porra!”
“ “O que foi mesmo que você disse?”
“- Porra!”
“Puxa vida! Ainda bem, que existe alguém sempre prestando atenção à conversa para, no fim, fim sintetizar tudo de forma tão maravilhosa!”

Sacana: Um dia foi sinônimo de cafajeste, calhorda, safado e por aí vai. Sua chegada ao reino dos xingamentos deu-se para substituir a acusação de canalha, já que a conhecida expressão, mostrava-se incapaz de traduzi-los com perfeição. O contínuo aprimoramento deles, dos canalhas, fez com que, por sua vez, o termo sacana hoje não passe hoje de um elogio, quase sempre afetuoso. Como o das mulheres, que adoram elogiar seus ex-namorados chamando-os, carinhosamente, de sacanas, enquanto choram:
“Só sei que para mim ele sempre foi um grande sacana, principalmente na cama!”
O que significa que ela continuará por muito tempo apaixonada pelo dito cujo.

Filho da puta. Esse tipo de xingamento já levou muita gente à morte. Hoje, já não tem o menor resquício da conotação ofensiva que tinha, mesmo porque o objeto da ofensa - a puta – está sendo cada vez mais exaltado pela mídia e pela sociedade. Todos admiram as putas: de Bruna Surfistinha ( que virou best-seller e depois filme ) às do Big-Brother. Tanta admiração faz com que, incentivadas pelas mães, a maioria das meninas comece o aprendizado da profissão desde cedo, assistindo programas infantis de Xuxa ou imitando os rebolados eróticos das dançarinas de forró.

Ora, aceitando-se que os palavrões não tenham autonomia para se desenvolver à revelia dos homens, é fácil deduzir, fechando a questão acima, que se os palavrões viraram palavrinhas não foi porque, de fato, evoluíram, mas porque a humanidade tornou-se muito pior em termos de ética e moral. Que palavrão seria capaz de se encaixar num governador que mete dinheiro público nas meias e cuecas e depois vai agradecer a Deus? E que, ao contrário do que fazem alguns de seus iguais no Japão (que envergonhados, suicidam-se) quer mais é se perpetuar no poder?

Por mais que alguém se esforce para encontrar um palavrão que nele se aplique, será difícil encontrar no linguajar mais chulo ou rasteiro de nossa língua, um só que caiba em José Roberto Arruda e seus asseclas. Donde se conclui que se o brasileiro evoluiu positivamente em conhecimento técnico e científico, deu para trás em termos de caráter e dignidade pessoal. É triste, mas novos palavrões precisam ser urgentemente inventados!

sábado, 12 de dezembro de 2009

FELICIDADE INTERNA BRUTA

FELICIDADE INTERNA BRUTA
artigo publicado, hoje, sábado, na seção Hoje é dia de...
o Estado do Maranhão



José Ewerton Neto, membro da AML

Jose Ewerton Neto@hotmail.com





Recente reportagem da Revista Isto é dá conta de que empresas e governos, preocupados com o nível de satisfação de seus cidadãos brevemente estarão utilizando métodos científicos para medirem a Felicidade Interna Bruta de seus empregados e cidadãos. Antes de receber o seu FIB (certificado de felicidade) acho melhor precaver-se, leitor.
De antemão solicito que jamais façam isso comigo e adianto que meu estado de felicidade aumentaria muito se algum representante do governo, simplesmente, ordenasse aos seus guardas de trânsito que deixassem de enviar multas fantasmas a torto e a direito, e que aprendessem a fazer coisa mais útil no trânsito, além de apontar uma cadernetinha em nossa direção com a única intenção de multar, multar, multar.
E depois, a felicidade é um sentimento muito complexo, para ser medido não é mesmo? É de se esperar que, ao invés de medirem a nossa felicidade interna bruta, logo estejam medindo, com a brutalidade que lhes é peculiar, a nossa desilusão interna – e externa. Medir a felicidade de quem quer que seja, como já disseram os filósofos, sempre foi uma brutalidade. Mas o que é mesmo felicidade?
Lembro de que, em determinada ocasião, uma repórter perguntou a um escritor se este era feliz. Ele respondeu: “Depende; no seu conceito de felicidade, eu sou, mas no meu, não considero. Mas de uma coisa você pode ficar certa: prefiro mil vezes ser infeliz com a minha felicidade, do que maravilhosamente feliz na sua. Deu para entender? Felicidades existem lá e cá, cada um tem a que merece proporcional às suas mediocridades, mas qual delas os Governos estariam propensos a medir? Vejamos algumas mais conhecidas:

A Felicidade Idiota: É a daquele que se acha na obrigação de propagar a sua felicidade como se fosse um adorno, enfim, que acredita piamente que a felicidade pode ser ostentada como se fosse uma jóia. É a felicidade de Suzana Vieira, Hebe Camargo e de mais um punhado de celebridades, cuja ostentação de felicidade parece estar incluída nas cláusulas contratuais, para deleite de platéias ávidas por uma compensação para a tibieza de seus projetos de vida.

A Felicidade Epidêmica. É a felicidade dos que se contaminam facilmente com o
frenesi da massa popular, como se tivessem sido picados pela “doença da multidão” que, nesta época do ano, principalmente no reveillon , se transforma em “felicidade obrigatória”. São aqueles que passam a vida pulando de show para show de forró acreditando piamente que, pelo fato de se “divertirem pra valer” são donatários de toda felicidade do mundo. Tão incompreensivelmente felizes se acham que nem se dão conta do quanto são carentes e tristes, ao dependerem da felicidade dos outros para legitimar as suas.

A Felicidade Oportunista: É a de alguns governantes e líderes empresariais que utilizam uma “felicidade de fachada” para moldar temperamentos e obter lucro pessoal. Não é à toa que toda essa onda de otimismo cosmético e desenfreado tenha surgido nas empresas norte-americanas de meados do século passado quando os patrões queriam que seus empregados se transformassem em robotizados personagens de um sistema que não lhes desse tempo de refletir sobre sua condição sub-humana e sem perspectiva. É a felicidade dos que propagam o melhor dos mundos – desde que este não permita questionamentos aos seus projetos de ambição pessoal. Mais ou menos como a felicidade de José Roberto Arruda e seus asseclas, enfiando dinheiro nas meias e rezando em seguida para agradecer a Deus. Alguém já tinha visto antes tanta “felicidade”?

A Felicidade Verdadeira. É a que eu espero que você esteja sentindo agora, caro leitor, admitindo que o simples fato de ter boa saúde e memória fértil (segundo Ingmar Bergman) e, ainda por cima, estar tendo tempo para ler e meditar sobre isso, seja razão mais do que suficiente para ser feliz.

sábado, 5 de dezembro de 2009

CONFRATERNIZAÇÕES

Texto publicado no jornal
O estado do maranhão, sábado,
seção Hoje é dia de...


CONFRATERNIZAÇÕES DE FIM DE ANO

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com






Paira nesta época do ano, uma motivação diferente. As empresas e as organizações, através de festinhas de confraternização, tentam capitalizar esse espírito para promover a união entre seus funcionários. Tudo corre num ambiente de perfeita harmonia. (pelo menos nos cinco minutos iniciais):

1. No início, todos se cumprimentam e sorriem. Ouve-se uma gracinha aqui, outra ali, sobre futebol e a barriga proeminente de alguém. O comedimento ainda é a regra e os gordos ainda não viraram obesos.

2. As primeiras rodadas de cerveja percorrem as mesas com uma velocidade que vai de Barichello para Ayrton Sena em poucos minutos. A secretária particular do presidente, Geysiane, vulgo Geisybrega, que estava de dieta e se apresentou alguns quilos mais magra, já está no décimo copo.

3. Os garçons, jovens e educados, tratam todo mundo de senhor. Celso Bomdelíngua que assumiu recentemente a coordenadoria de fiscalização das Horas Super-Extras, quer saber, a altos brados, porque antigamente só traziam garçonetes boazudas e agora inventaram de trazer rapazes. “Só pode ser idéia do Mike Tyson”, diz. Mike, cujo nome de batismo é Francenildo, tem 1,90m de altura por dois de largura, faz capoeira e é chefe do Departamento de Segurança e Patrimônio, nesse exato momento se abraça com um dos garçons. Celso insiste: “Eu não disse?”

4. Um ligeiro contratempo fez com que a carne demore a ser servida. Quando desponta, a picanha é disputada no tapa. Juca Montanha avança em direção ao primeiro corte que voa em cima da mesa sem sequer perceber a mão que, um segundo antes, disputava o mesmo naco, e que, por acaso, é da esposa do seu chefe. Enquanto isso, agoniza pelo chão, a décima grade de cerveja.

5. Nesse momento adentram o recinto, rebolando, cinco estagiárias, recém-contratadas. Juca Montanha inicia o aplauso. Urros entusiasmados se sucedem, em meio aos gritos de “gostosas”. As esposas não entendem muito bem a razão, mas batem palmas. Tudo é levado na brincadeira. Os garçons já não chamam ninguém de senhor e já tem até um que chama Sizolete, a autoritária chefa de Recursos Humanos - e coordenadora do evento, de minha gata.

6. Montanha, cada vez mais inspirado, vai de mesa em mesa. Diz a um circunspeto senhor, do lado do qual o presidente não se arreda , que sua neta é muito bonita. Este responde que esta não é sua neta, mas esposa. Ante o constrangimento geral, já que o ancião é um político influente, alguém lembra de convocar Toninho Radiola, o mais antigo funcionário da empresa, para apresentar seu som. Feliz da vida, Radiola avança com sua parafernália, a reboque de um fusca caindo aos pedaços (que conseguiu comprar, a prestação, com seu premio de trabalhador mais antigo.) As mulheres começam a rebolar ao som de forró. Churrasco e cerveja continuam vazando no balde.

7. Em meio a algazarra geral alguém grita que precisa ler uma “mensagem” da Organização. Trata-se do presidente, mas ninguém o escuta. Enfurecido, ele sai tropeçando em garrafas e na cabeça do seu filho, Diego, de dois anos, que escorregou do colo de sua esposa e agora está dormindo no chão. Finalmente, consegue alcançar o som e o desliga. Ouve-se uma sonora vaia. “Quem começou a vaia?”, vocifera Mike Tyson, voltando a assumir as suas funções de protetor do patrimônio e macho-man.

8. O presidente inicia a leitura da mensagem e diz: “Para conseguir o melhor desempenho do seu motor flex é necessário testar a relação ideal álcool-gasolina...”. Ninguém entende. Alguém lhe sussurra: “presidente, o senhor deve estar lendo o manual do seu carro”. O político, experiente, pega o microfone e discursa: “Trata-se de uma mensagem de otimismo em gotas, como a do livro de auto ajuda”. Todos aplaudem, emocionados. Alguém berra: “E por falar em gotas, cadê a cerveja, já acabou?”Irritado, o presidente manda um bilhete para Sizolete avisando que se a cerveja não aparecer em menos de quinze minutos amanhã estará demitida”.

9. Enquanto a cerveja não chega os ânimos se exaltam Um incidente acaba de acontecer no banheiro quando a mulher de um funcionário chama uma das estagiárias de piranha. No meio de garrafas voando para tudo quanto é lado um dedo passa rente a racha da bunda da espevitada mulher do Gerente Financeiro. Desconfiada de que a dedada não foi de propósito, ela desaba a chorar. Pragmática, Geysibrega se oferece para fazer um espetáculo de dança do ventre, para acalmar os ânimos. Todos agora vibram, e as estagiárias, com uma disposição que nunca tiveram antes para o trabalho, se dispõem a ajuda-la.

10. Sizolete, de repente emburrada, diz que aquilo nunca foi dança do ventre, mas strip-tease e, conclama o restante das mulheres a irem embora. Os maridos aplaudem a idéia. Um bilhete circula de mão em mão, endereçado a uma das estagiárias, com um número de celular desconhecido. Neste exato momento chega no colo da mulher do presidente, que enrubesce e levanta os olhos, furibunda, para o marido. Desesperado, este grita: “Estão me sacaneando, isso não vai acabar assim!Cadê o Mike Tyson?” Todos temem pelo que possa acontecer , mas a cerveja chega nesse instante para o bem de todos e felicidade geral da nação.
Alguém fala em Lei Seca. Todo mundo ri da piada.



quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

SEXO COM BANCO

Cronica publicada em O Estado do Maranhão,
jan 2009

SEXO COM BANCO


José Ewerton Neto, engenheiro, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com



“Ao invés de sexo em branco, sexo com banco!” poderia ser o slogan da mais recente modalidade sexual inventada pelos chineses. Isso mesmo, na madrugada de 7 de janeiro um morador de Hong-Kong, na ânsia de se livrar da solidão, adotou um banco de praça como parceira sexual, não conseguiu se livrar, depois, da “namorada” e teve de apelar para o corpo de bombeiros. É que a dita cuja não quis se desgarrar dele e prendeu seu órgão sexual em um de seus buracos. Donde se deduz que a inusitada parceira, além de ser de metal e cheia de furos, é original desde a aparência até os impulsos arrasadores e possessivos.
Inovações à parte, é curioso constatar como o sexo está ficando cada vez mais violento e bizarro. As 102 posições do kama-sutra já não bastam. para o apetite sexual da vida moderna. (Nem mesmo as 2000 variações que os big-brothers exibem, noite e dia para quem quiser se deliciar, adultos e crianças) Pouco tempo atrás, um americano foi preso por ter praticado sexo com uma bicicleta, o que deve fazer com que as mulheres sintam saudade dos tempos em que suas rivais pouco convencionais eram apenas vacas, porcas e galinhas. Tudo indica que coisa muito mais esquisita está para surgir.
Isso deve enchê-las de preocupação. Por que os homens estariam buscando formas cada vez mais extravagantes de substituí-las? No intuito, exclusivamente didático de ajudá-las nada como contrapor algumas das potenciais vantagens, de um banco de praça em relação a elas para que todos possam refletir, sem trauma, sobre o assunto.
1. Um banco não fala. Embora aparentemente de somenos, essa é
uma qualidade que deve ser muito apreciada numa relação . Um escritor muito famoso atribuiu, recentemente, a longevidade de seu casamento ao fato de que sua mulher fala um idioma diferente do seu, o que leva a concluir que a frase que diz que o silencio fez mais pelo fortalecimento das uniões do que milhões de declarações de amor, tem muito de sabedoria. Ora, o sexo com um banco de metal pode até ser doloroso mas uma coisa é certa: ao contrário das mulheres este não reclamará de nada. Nunca.
2. O furor sexual é latente. Pelo menos nesta edição o banco-
sexo portou-se com uma dedicação invejável. Ao invés do que acontece com algumas mulheres que ficam doidas para que o cara tire o seu rapidamente e caia fora, o banco deu uma demonstração de incontestável apego, ao tentar reter, em definitivo, o órgão sexual do parceiro. Se houve um super dimensionamento do amor – por parte do banco, e um sub dimensionamento do tamanho ( talvez pela fama ) por parte do chinês, isso não interessa. A verdade é que a tradicional jura de união “ até que a morte os separe” foi entendida à risca, sem precisar de contrato de casamento nem de benção de padre.
3. Não custa caro. Está claro que esta foi uma das razões pela qual
o chinês procurou um banco de praça para se satisfazer. Nestes dias de intensa crise financeira os homens têm de levar em consideração o custo benefício de todas as suas atividades, incluindo a sexual. E por falar em finanças, com os edificantes exemplos que se vê na mídia ( Luciana Jimenez, Galisteu e tantas outras) , quem duvida de que haja também um grande contigente de mulheres que gostariam - e muito - de fazer sexo com um banco? Desde que de outro tipo?
4. Fidelidade total. As mulheres revelaram-se, ultimamente, muito
infiéis. Recente pesquisa em que foram entrevistadas mostrou que 50 % delas admitem que traem, o que é muito, considerando o histórico e as teorias científicas da evolução que atribuem esse instinto natural apenas ao macho. Ora, um banco metálico cheio de furos tem a excepcional vantagem de não trair e de , sequer, pensar em trair. E ainda acompanha o amante ao hospital, dele só se separando quando arrancado - na marra..
5. Sexo seguro. Um banco de praça não transmite doenças e dispensa o uso de camisinhas. Não deixa de ser um benefício. Disse Woody Allen que a grande vantagem da masturbação é que o sujeito faz sexo com quem quer. Pois bem, o banco tem toda essa vantagem e ainda admite ser beijado e acariciado. Certo que o beijo acabará parecendo meio frio ou rígido, mas seria muito diferente dos beijos das tantas Brunas Surfistinhas, que beijam a três por quatro por aí?

sábado, 21 de novembro de 2009

OS CAMINHOS DA SABEDORIA

Texto publicado na seção Hoje é dia de...
O estado do Maranhão hoje, sábado, 21



OS CAMINHOS DA SABEDORIA

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Sabe-se da sabedoria das expressões populares. Tantas vezes, no entanto, as repetimos, automaticamente, sem nos preocuparmos em saber como e onde surgiram. Pesquisando suas origens e analisando-as sob a ótica atual percebemos como são tortuosos os caminhos da sabedoria!


1. O pior cego é aquele que não quer ver.
Tudo começou quando se realizou a primeira cirurgia de transplante de córnea, num aldeão chamado Angel, em Nimes, na França, 1647. Ao recuperar a visão, no entanto, Angel afirmou que preferia o mundo que imaginava antes, suplicando então para lhe arrancarem, de novo, a visão. Para ele, como para muita gente, o mundo que se imagina é muito melhor do que o que se vê.
“É por isso que existe tanta gente que gosta de novela. Na tela, o mundo parece melhor e, diante dela, os telespectadores não se importam em continuarem cegos para o resto da vida”.

2. A dar com o pau.
Muitos escravos africanos quando vinham de navio para cá, preferiam morrer de fome, recusando-se a comer. A sopa, com angu, era enfiada então pelas suas goelas com uma colher de pau.
“Os desvalidos nordestinos (equivalentes modernos dos escravos de ontem) já não se recusam a viver e têm direito até à bolsa-família. Seus escravizadores é que já não lhes dão com o pau, mas com a bolsa.”

3. Quem não tem cão caça com gato.
Trata-se de uma adulteração da expressão original, que dizia que quem não tem cão caça como gato, no sentido de sorrateiramente, matreiramente.
“O certo seria que, atualmente, usássemos as duas versões. Para pobre: quem não tem cão caça com gato; para rico: quem não tem cão caça como gato.”


4. Vá tomar banho.
Os índios, à vista do fedor que exalava dos brancos e suas vestes, os mandavam tomar banho, toda vez que chegavam perto da água.
“Hoje, os índios chegaram à conclusão de que nada disso adiantou. Embora tenham ensinado os brancos a tomarem banho, em compensação, não conseguiram lhes ensinar a não emporcalharem seus rios e suas praias.”

5. Dar com os burros n`água .
Na época da colonização os burros, que eram usados pelos tropeiros para carregar alimentos, perdiam-se nas enchentes e nos terrenos alagadiços.
“Hoje, qualquer chuva faz com que as grandes cidades fiquem intransitáveis, por falta de planejamento dos seus administradores. Donde se conclui que se na época da colonização os burros davam na água, hoje a água é que dá nos burros. (Os burros somos todos nós, que votamos em tanta gente incompetente.)

6. Para inglês ver.
Em 1830 a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que extinguissem o tráfico de escravos. O povo, então, dizia que as leis eram apenas para inglês ver.
“Hoje o que não falta é lei, para compensar as que não se cumprem. As de transito, por exemplo, cada vez mais rigorosas e inúteis, visam apenas a extorsão de seus cidadãos e já não são feitas para inglês ver, mas para brasileiros conferirem. No caso, os picaretas da administração pública, que conferem, cédula por cédula, o lucro obtido com a extorsão.

7. Pensando na morte da bezerra.
A expressão tem origem nas tradições hebraicas, quando os bezerros eram sacrificados pela religião. Um filho do rei Absalão tinha tanto apego a uma bezerra, que acabou morrendo também, o que gerou o dito popular.
“Hoje, as revistas especializadas afirmam que os homens que têm a sorte de encontrarem uma mulher que saiba executar, com talento, o pompoar ( popular bezerra), quando perdem a mulher ficam inconsoláveis e choram também, durante muito tempo, a morte da bezerra.

8. Eles que são brancos que se entendam.
No século dezoito um brasileiro, mulato e capitão, queixou-se de um igual ao seu superior, português, que respondeu: “Vocês que são pardos que se entendam”. O fato chegou ao vice-rei do Brasil Luis Vasconcelos que mandou prender, por isso, o oficial português. Ante a reação indignada do oficial Dom Luis respondeu: - Nós que somos brancos, cá nos entendemos.
“Antigamente, portanto, branco entendia branco, e preto entendia preto. Hoje, depois da invenção das cotas raciais na universidade, o branco tornou-se pardo e o pardo virou preto . Não se entendem nem brancos nem pretos, muito menos pardos, e nós, que nunca ligamos para isso, temos agora cores que nem nós mesmos entendemos.

9. Jurar de pés juntos.
Durante a Inquisição os réus eram obrigadas a ficar de pés juntos, amarrados, até confessarem seus supostos crimes.
“Hoje isso está cada vez mais difícil, principalmente para as mulheres. As do Big-Brother, por exemplo, já estão tão acostumadas a ficarem com as pernas abertas que não conseguem mais juntar os pés.

10. OK.
Expressão norte-americana que quer dizer 0 killed, ou seja, nenhum morto. Na Guerra de secessão norte-americana o gesto sinalizava que estava tudo bem, já que ninguém morrera.
“É como o pessoal do governo se refere ao apagão. A situação, para eles, está OK e assim vai continuar por muito tempo, porque ninguém morreu. Que o OK de Deus nos proteja!

sábado, 14 de novembro de 2009

SUPER CHICO

Texto publicado na seção Hoje é dia de...

O Estado do Maranhão, hoje, sábado



SUPER CHICO


José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Ao recorrer à expressão Super-Chico poderia estar fazendo menção ao Rio São Francisco que, depois de normalmente ser chamado grande Chico, agora, revigorado pelo PAC, segundo Lula, salvará o Nordeste. Porém - calma! -, por enquanto, ainda não há vez para ele. Em matéria de Super-Chico só poderíamos estar falando de outro: o Buarque de Holanda.
É ele que continua dando de dez. Além de ter vendido horrores com seu ultimo romance Leite Derramado (num país onde ninguém se derrama por um livro), já existe um outro, sobre a história de suas músicas, que dispara nas primeiras posições de venda. Como se não bastasse, em paralelo, a revista Rolling Stone escolheu a sua música Construção, como a melhor entre as cem melhores do cancioneiro popular brasileiro. Mais do que Carinhoso, de Pixinguinha – que ficou em segundo, mais do que Águas de Março, de Tom Jobim – que ficou em terceiro, e mais do que qualquer música de Noel Rosa que – pasmem! - só aparece em qüinquagésimo com a música Conversa de Botequim. Onde será que esconderam Três Apitos, Feitio de Oração, Ultimo Desejo, e tantas outras de Noel?
Lembro que me tornei ardoroso fã de Chico Buarque na minha adolescência quando, num programa chamado Esta Noite se Improvisa o ouvi cantar a música Feitiço da Vila, embora, então, gostasse mais da jovem guarda e dos Beatles, como quase todos de minha idade. Logo vim a saber, através do meu pai, violonista e profundo conhecedor de MPB, que esta era uma composição de Noel Rosa, um autor que até então não conhecia. Essa admiração se completou quando Chico, logo a seguir, compôs Quem te viu quem te vê, outro samba que se tornou, junto ao de Noel, meu favorito.
Recentemente, escrevi um especial no caderno Alternativo deste jornal, sobre a situação da literatura atual, em que a penúria de grandes ou anônimos escritores nacionais foi contraposta, em termos de sucesso, à glória exclusiva, total e incontestável de Chico Buarque, agora, não mais como compositor, mas como escritor. Com alguma surpresa, para mim, recebi várias manifestações de apoio e mensagens de congratulações sobre a matéria do texto e, numa mesa-redonda para estudantes do curso de Letras, da UFMA, fui questionado pela aparente ousadia de estar colocando em cheque um mito inquestionável como Chico Buarque.
A razão, agora me referindo ao desprezo da lista a um gênio do porte de Noel Rosa, parece estar justamente aí: na cada vez mais revigorada criação do Super-Chico: daquele que qualquer coisa que faça há de estar acima do bem e do mal, inclusive, de um talento como o de Noel Rosa, no caso, maior que o dele. No Brasil, parece dar-se o fenômeno do oito ou oitenta. Desprezam-se determinadas personalidades com a mesma facilidade com que se ignoram os defeitos de outras, em quem só se reconhecem virtudes. Como dizia Tim Maia, o Brasil é um estranho país onde puta goza, gigolô tem ciúme, traficante fuma maconha e comunista é de direita. Nestas circunstâncias, torna-se até natural que nele aconteça o que doravante deveria passar a se chamar a Lei de Chico: “Quer dar uma de intelectual e está difícil, ou então quer vender revista? Ora, é fácil: fale de Chico Buarque ou diga que leu seu livro”.
Tal exagero tem ilustração na recente biografia de Wilson Simonal (alguém se lembra dele?). Este, um cantor mulato e beiçola, nascido em Realengo teve, na época dos anos 70/80, sucesso em várias camadas sociais bem maior que o de Chico mas os meios de comunicação reservaram prontamente para ele um lugar desprezível no limbo da história, com a pecha de dedo-duro e possível agente do Dops –sem que nada disso tenha sido provado. O curioso é que, nas primeiras eleições convocadas pela “Revolução” sua conduta tenha sido, no mínimo, mais corajosa que a de Chico Buarque, quando manifestou abertamente seu voto contra o establishment , enquanto Chico, com toda a sua aura de herói que até hoje persiste, preferiu ficar em cima do muro dizendo: “A única coisa que tenho certeza é de que votarei na melhor música.”
Voltando às listas - razão desta reflexão -, afinal de contas, para que servem e o que querem dizer? Listas já elegeram Maradona como maior que Pelé e já tem gente dizendo por aí que Zico também foi, mas os sábios sempre acreditam que elas passarão e, ao fim, a verdade será salva pela história. Será? Quantas listas apressadas serão suficientes para diminuir a importância de um compositor como Noel Rosa, que também perdeu para Chico, recentemente, como maior compositor do século? Ao discutirmos esse assunto, um amigo lembrou que as preferências evoluem com a sucessão das novas gerações, tornando-se o xis da questão saber até que ponto a continuidade pode transforma-las num juízo de valor definitivo para a história.
Isso significa que, ainda estamos bem quando a grandeza de Noel Rosa é comprimida, mas a favor de Chico Buarque, cujo talento, embora inferior ao do mais arrebatador gênio da música popular brasileira - morto aos 26 anos com mais de 230 músicas registradas em seu nome - é também de um notável compositor; apesar dos exageros do Super-Chico. Pelo mesmo raciocínio, porém, as próximas gerações incorporarão os grandes sucessos atuais como referência da melhor música de todos os tempos e, provavelmente (e infelizmente) nestas poderão entrar Zezé di Camargo e Luciano, Ivete Sangalo, Bruno e Marrone... etc. Já pensou?

sábado, 7 de novembro de 2009

ALGUNS TIPOS DE VENENO LETAIS

cronica publicada na seção Hoje é dia de...
O estado do Maranhão, hoje, sábado, dia 5


ALGUNS TIPOS DE VENENOS LETAIS

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Por acaso o caro leitor sabe quais são os venenos mais letais que existem? Nestes dias de tsunamis, epidemias e catástrofes, nada como conhecê-los para melhor se prevenir:

1. Toxina Botulínica – (infecta-se através da inalação ou ingestão de água ou alimentos contaminados).
Dez mil vezes mais potente que os venenos de cobra, essa toxina age sobre o sistema neurológico, causando paralisia dos músculos respiratórios e morte. Curiosamente, em pequenas doses, essa substância é usada em tratamentos estéticos para amenizar rugas – é o famoso botox.

2. Toxina Big-Brotherlínica- ( a infecção surge através da visão, ininterrupta ou não, de programas do tipo reality-show).
Dez mil vezes mais potente do que o vazio causado pelo analfabetismo adulto, a toxina big-brotherlínica age sobre o que resta de neurônios inteligentes na mente do indivíduo incauto, impedindo-o de formular o raciocínio mais elementar. São conseqüências da ingestão desse veneno atitudes impensadas como: impulsos de se candidatar para participar do programa; exibir preferências por esse ou aquele exibicionista da tela; votar por telefone, ajudando as redes de televisão a enriquecerem às custas de sua própria doença.
Curiosamente, em pequenas doses, a toxina big-brotherlínica serve para enriquecer cafajestes e espertalhões, que, pragmaticamente, aprenderam a ingerir a dose certa do veneno, como o apresentador do programa Pedro Bial.

3. Toxina Tetânica (infecta-se através de contacto dos esporos da bactéria com ferimentos da pele).
Trata-se da toxina causadora do tétano, doença que ataca o sistema nervoso provocando espasmos musculares, dificuldade de deglutição, rigidez muscular do abdome e taquicardia. Estima-se que 300 mil pessoas se contaminem com o veneno, por ano, no mundo. – Desse total, metade morre.

4. Toxina Automovânica ( a infecção é adquirida pelo contacto e pelo uso de veículos de locomoção, denominados automóveis)
Trata-se de toxina relativamente moderna causadora do famoso stresse do trânsito, doença que ataca o sistema nervoso e causa múltiplos acidentes, seguidos de ferimento e morte. Embora inicialmente considerada salutar para o homem, a toxina automovânica adquiriu contornos de holocausto, sendo, atualmente uma das maiores causas de morte no mundo. Seus sintomas mais deletérios são: no caso do cidadão de classe baixa a dissipação de suas economias para adquirirem drogas (veículos) de custo muito superior às suas posses e, no caso das autoridades picaretas, a aquisição de carros importados com o dinheiro alheio - com o fim de exibição pura e simples. Estima-se que uma população maior do que a de uma grande guerra mundial esteja sendo seja exterminada por conta desse veneno.

5. Toxina Diftérica (infecta-se através de gotículas de saliva da fala ou do espirro de pessoas contaminadas).
O sujeito que se contamina com essa toxina pena um bocado com uma doença infecciosa aguda, a difteria, que atinge órgãos vitais , como coração, fígado e rins. Há vacina contra a difteria, mas a taxa de letalidade ainda é bastante alta, beirando os 20%.

6. Toxina Forróhistérica ( a infecção surge através do ouvido, quando se escuta ininterruptos sons de forró a altíssimos decibéis)
O sujeito que se contamina com essa doença perde por completo a noção do grotesco e da educação, provavelmente por ter seu ouvido danificado, passando a não ter complacência dos órgãos dos vizinhos: ouvido, fígado e rins. Até hoje não foi descoberta vacina contra a forróhisteria, já que não passa de um paliativo o recurso a outras histerias, como musica sertaneja e funk (cuja carga de letalidade compulsiva é quase semelhante)
Alguns cientistas acreditam que uma dose compacta e regular de
música erudita, como as de Bethoven, Chopin ou Villa-Lobos poderia fazer os atingidos se libertarem dos aspectos mais predatórios da doença Já os pessimistas acreditam que , ao contrário, em contacto com esse tipo de música os infectados passariam a apresentar ciclos cada vez mais furiosos de reação. A taxa de letalidade causada pelo forró eletrônico no Nordeste é alta atingindo cerca de 80 a 90% da população. No Ceará, chega a 100 %.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A IRA DOS CONTRA-DEUS

artigo publicado sábado na Seção Hoje é dia de..
Jornal O estado do Maranhão, 31.10.09


A IRA DOS CONTRA DEUS

“Deus é o único ser que para reinar nem precisaria existir”
Charles Baudelaire

José Ewerton Neto
Membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Eles estão com raiva de Deus. Primeiro foram os cientistas, capitaneados por Richard Dawkins. Escreveram livros execrando a figura divina e faturando muita grana com isso. Agora é a vez de José Saramago, o escritor português prêmio Nobel (o único da língua portuguesa). Qual a razão de tanta raiva? Procuramos entrevistar Deus para saber o que ele acha disso:

- Salve senhor Deus!
- Pode falar meu filho. Mas, prefiro que me chame de você. Sou simples, como o universo, embora a humanidade insista em tentar complicá-lo.
- O senhor, isto é, você, está a par do que vem acontecendo?
- Sim, sem precisar que me digam, porque, como você sabe, eu tudo ouço e tudo vejo. Primeiro soube do cientista que escreveu Deus, um delírio, depois soube de outro, mais outro... Agora o português, Saramago. Um diz que eu não existo; que não passo de um delírio, outro escreveu um romance para falar mal de mim. Ora, se eu sou um delírio, sou matéria de sonho, portanto tenho alguma serventia, não? E depois, esse escritor português, Saramago... Parece piada de português.
- Você leu seu romance Caim?
- Com toda essa eternidade pela frente, mesmo assim não vou perder meu tempo, embora tenha de sobra.
- Por quê? Você sofreria com as acusações?
- Não, não pelas acusações, que me são indiferentes. Nem pela argumentação, muito pobre, mas, justamente pela falta de talento e originalidade. O autor sequer é inteligente ao tomar imagens bíblicas, sabidamente simbólicas, para suportar suas acusações. Muito pouco para um intelectual desse porte. Isso me leva a acreditar no que foi dito por algum de vocês: que certos intelectuais gostam mesmo é de miséria.
- Você podia nos explicar melhor?
- Claro que sim. Existe miséria maior do que a daquele que atira contra a fé alheia? Que pode haver de mais sublime no universo do que a esperança e a fé? De que vale a vida sem estas? Nunca pedi a ninguém que tivesse fé em mim, sempre deixei a quem quer que fosse a liberdade de acreditar ou desacreditar. Aliás, nunca fiz questão da crença de ninguém. Se sou a verdade, não é preciso que o diga. Não foi assim que Cristo respondeu a Pilatos?
- Como você classificaria essa ira? Afinal de contas, pelo que sabemos, você nunca fez algum mal a eles, muito pelo contrário.
- Pois essa deve ser a razão do ódio. Eles não tem raiva de ditadores ou de terroristas, muito menos de bandidos ou estupradores, tampouco das ideologias ou das políticas desumanas, eles não vociferam contra os que fazem mal à humanidade, é mais cômodo para eles ostentarem raiva de mim.
- E justificam a raiva propagando a sua inexistência.
- Pois é, ficam irados justamente contra quem dizem não existir. Dá para entender? E se dizem sábios... O que mostra que o que existe mesmo nas suas mentes além de muita soberba, é um grande paradoxo.
- Que grande decepção, não é?
- De fato, essa humanidade me cansa. Dei inteligência à matéria inanimada para que muitos pudessem pensar e refletir sobre a beleza do universo e, daí, entenderem o exercício da vida como uma construção da fé, mas vejo que justamente os que estudaram um pouco mais, são os primeiros a esbravejar. Mostram apenas arrogância, pois tendo sido gratificados com a ventura de terem aprendido um pouco mais, não têm humildade suficiente para reconhecer o quanto todo conhecimento humano é ínfimo diante da criação, da grandeza e do fim do universo. Esquecem que alguém, muito mais sábio que eles, no passado dizia: quanto mais sei mas sei que nada sei.
- E agora, o que pretende fazer?
- Você quer dizer, para colocá-los no devido lugar? A palavra represália nunca existiu para mim. Jamais interferi nas coisas dos homens e vou continuar fazendo da mesma forma, contemplando-os de longe, como sempre. Talvez tire um breve cochilo de alguns milhões de anos até que essa civilização se extinga. Então, quem sabe, possibilite o aparecimento de outra raça mais generosa, que me traga mais satisfação. Como você sabe, planeta para isso é o que não falta, tempo e espaço também.
- Muito agradecido, pela entrevista, senhor Deus e queira perdoar-nos. Alguma recomendação final?
- Não fique bravo comigo e procure entender: cochilar dá muita preguiça e nada é mais cansativo do que não fazer nada, mas, creia, é muito melhor do que ler livros como esse, de José Saramago. Jamais faça essa besteira.



quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ESSA LITERATURA TÃO CHATA

Texto publicado no jornal
O estado do maranhão, especial
para o caderno Alternativo, domingo passado.


ESSA LITERATURA TÃO CHATA!

“Em geral, acreditem, os escritores não recebem a palavra nem mesmo nas cerimônias em que são premiados.” Rodrigo Lacerda, escritor e editor da revista Serrote.


Jose Ewerton Neto, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com




Chico Buarque disse que escrever é uma chatice.
Chico Buarque, compositor e cantor famoso também é hoje o mais disputado escritor nacional, o mais badalado pela imprensa, pelos críticos, pelos professores de literatura, pelas revistas literárias. Sua presença foi disputadíssima na última Flip (Feira do livro de Parati) causando a evasão de público das outras atrações literárias da feira em paralelo à sua apresentação, Se considerarmos que o outro escritor brasileiro best-seller, Paulo Coelho, é certamente mais um mago que um escritor, não é de estranhar que, para muitos brasileiros, Chico Buarque seja mesmo, atualmente, o maior escritor nacional.
No entanto, escrever, para ele, é uma chatice. E olha que quando quer escrever as páginas de seus romances , exige-se o conforto de viajar para Paris a fim de lá se refugiar por alguns meses, em seu apartamento, com o único propósito de escrever um romance. Antes de escrever as páginas do seu último livro Leite Derramado, a Cia. das Letras, sua editora, já havia encomendado várias edições , e múltiplas resenhas de críticos já se acumulavam nas revistas e nos cadernos literários, enfim, o seu trabalho “tão chato” tem compensação garantida, pelo menos em termos de grana e badalação.
Se escrever, para ele, é uma chatice imagine o que não deveria ser para os outros escritores deste país. Estes escrevem livros sem sequer saber se serão publicados, que dirá se serão vendidos; a maioria não têm apartamentos em sua própria cidade, que dirá em Paris. Podem contar com o quê, a não ser com a dádiva de uma benevolente imaginação, para se inspirarem e continuarem o “ofício da esperança”, que, em última análise, é o ofício de todo escritor?
Se, até mesmo quando, depois de árdua competição, sucede de ganharem um concurso - como acontece aqui em São Luis -, para receber o prêmio são aconselhados pelos próprios mentores do concurso a correrem para a justiça sob pena de jamais o receber? Isso nos leva a refletir: por que será que esses escritores não param de escrever, se seus talentos, mesmo quando reconhecidos, são tão espezinhados, inclusive pelo próprio poder público, que os estimulou? Será que entre o ato de escrever e a odisséia previamente anunciada de suas lutas existe um sentimento mais profundo de realização - e prazer - que a imaginação de Chico Buarque não consegue alcançar pelas facilidades obtidas em sua trajetória?
Millor Fernandes, o humorista, dizia que a maior vontade do intelectual é de ser rico, e a do rico é ser intelectual. Chico Buarque que, em sua época de juventude, egresso de família rica e intelectual, tornou-se um dos melhores compositores de uma geração talentosa e especial, hoje, muito mais rico, goza de uma gloriosa e justa reputação que, no entanto, o supervaloriza em tudo o que faz. A fama que adquiriu como compositor e cantor parece tê-lo blindado das análises literárias mais profundas, a ponto de serem raríssimas as críticas que apontam para a sua falta de imaginação literária, que o faz elaborar romances à reboque de temas já utilizados por escritores consagrados. Parecendo ter dado como encerrada a sua missão como compositor de M.P.B. para decepção de seus inúmeros fãs (entre os quais me incluo), há muito tempo que o marasmo tomou conta de sua produção musical. É compreensível e quase natural, portanto, que de acordo com o seu passado reluzente, seja tocado, também, pela visão da mosca azul, peculiar a todo rico, segundo o humorista: a de querer ser, também, um escritor.
Com um detalhe adicional: para ser coerente com esse passado, a Chico Buarque não basta apenas ser um bom escritor, exige-se que seja “um grande” escritor. Dessa exigência (peculiar à estrutura midiática que fomenta a aura criada em torno dos mitos modernos) tomam parte: editores, fãs, professores, críticos e leitores em geral, a maioria de forma inconsciente , inclusive, talvez, ele próprio. Por isso, deu-se ao direito de tornar-se arrogante, como a seu respeito denunciou a escritora norte-americana Edna ò Brien quando o acusou, durante a Flip, de não passar de um embuste, além de demonstrar pouco conhecimento da literatura. Deu-se ao direito também de, ao se referir com desprezo ao ato de escrever, nos oferecer um mote para chamar a atenção sobre o que se passa com a literatura nacional, tão combalida e desprezada, que é forçada a aceitar como o seu escritor de ponta justamente aquele para quem o ato de escrever não passa de uma chatice.
Ora, se o ato de escrever é uma chatice para seu maior representante não seria esse o testemunho pungente que faltava para avalizar a comprovação de que para a maioria dos brasileiros a literatura não passa mesmo de uma grande chatice? Pois não é isso o que se vê? A literatura é uma chatice para o presidente da República, para governadores, para professores, para estudantes e para o brasileiro comum, que jamais substitui uma mínima parcela de seu prazer de escutar forró a altíssimos decibéis, por um segundo de contemplação das páginas de um livro, por melhor que ele seja - e por mais riqueza que contenha. Ao contrário do que acontece em outros países onde nos terminais de metrô, praças e aeroportos comumente vê-se alguém concentrado na leitura de um livro, como é raro observar-se isso neste país!
Como é chato, ler um livro – dizem as crianças! Como é chato ler um livro dizem os estudantes universitários! Como é chato selecionar um livro de um autor fora do circuito preconcebido das editoras – dizem os professores de literatura, como é chato resenhar o livro de um escritor que não tenha apelo na mídia - dizem os raros críticos literários deste Brasil... Como é chato ter de pagar premio para quem venceu um concurso de literatura, não é mesmo, secretários de cultura, desta Atenas Brasileira? Como é chata, muito chata essa literatura!
Mais chata ainda do que essa perturbação inerente à literatura em si, só mesmo a obrigação de “ter de engoli-la”, não é mesmo? Quando forçado a referir-se ao hábito da leitura, nosso presidente Lula assim se referiu: “Ler é muito chato, mas é como se exercitar numa esteira, no começo é ruim, mas depois a gente se acostuma.” Assim também, para os que estão nos postos chaves desta nação, inclusive na área cultural, haja ter de suportar a sua incômoda presença! ( Porque por mais poderoso que alguém se julgue, tem consciência de que, ao tentar ignora-la, destitui-se daquilo que mais preza à raça humana: a distinção dos outros animais, o que só é possível em plenitude através dela, da literatura, e de sua capacidade, de induzir à reflexão.)
Disse um escritor norte-americano que a única vantagem de ser escritor é a de que ninguém o chama de burro por ganhar tão pouco. Se muitos escritores ás custas de penúria e talento ganharam esse privilégio, por outro lado os bem afortunados sabem perfeitamente que esse dom jamais lhes será accessível como benesse natural do poder. Precisam recorrer, em alguma circunstância, ao que a literatura tenha de simbologia espúria para salvar as aparências e torna-la complemento da própria vaidade. Tão boa é essa literatura que até para isso ela se presta! - quando corrompida. A abordagem da façanha literária passa a ser feita então não pelo que ela tem de mais prazerosa, que é o exercício de sua leitura, mas pelo espocar de flashes contaminados pelas explosões festivas nas comemorações midiáticas: não os milhares de livros extraordinários que estão à espera de serem lidos, mas a vaidade de poder propagar: “Tenho em minha estante um livro de Chico Buarque, adorei o livro de Roberto Justus , sou fã das histórias para crianças de Gabriel, o Pensador”, numa jornada onde a satisfação não é com o conteúdo do livro mas com a ostentação de uma aproximação virtual com qualquer personalidade badalada pela mídia.
Tal distorção que contamina o próprio ambiente literário faz com que não se concebam eventos literários de qualquer espécie (feiras, concursos, comemorações, palestras etc.) sem a obrigatória presença de alguém do ramo musical que sirva de referência e locomotiva para chamamento de público, sob pena de se esvaziarem os assentos e as repercussões nas edições dos jornais. Sem outra alternativa, a isso se submetem os verdadeiros escritores, alguns consagrados, aceitando tornarem-se , meros coadjuvantes das celebridades pseudo-literárias. Foi assim, que anos atrás foi concedido o premio de melhor livro do ano à Budapeste, de Chico Buarque, no mesmo ano em que concorria O Silencio do Delator de Jose Neumanne (de concepção e sutilezas literárias muitas vezes mais ricas) apenas para que fosse satisfeita a regra atual segundo a qual se fazem concursos não para premiar e divulgar os escritores, mas, ao contrário, premiam-se escritores para divulgar os concursos.
Num momento em que uma pesquisa nacional com jovens universitários elege Roberto Justus e sua cosmética performance de pseudo-empreendedor como o modelo de referência a ser almejado em suas vidas e em que milhões de pessoas “twittam” pela internet à cata de fuçar o cotidiano de celebridades como Ivete Sangalo, Angélica, Sandy e etc. para se regalarem com pérolas como estas: “Vou tomar banho que eu to fun”, Ivete Sangalo ou “Não ofereci pq era o ultimo pote na geladeira! Ahahaha”, Sandy, já nem causa surpresa que, esteja sendo anunciado como grande atração da próxima feira de livros de São Luis, não um escritor, mas o cantor baiano Chico César, que aqui autografará um áudio-livro (?)
Isso porque a chatice, essa monumental chatice da literatura, tem de ser evitada a qualquer custo, portanto devem estar certas as autoridades quando, para garantirem a satisfação do público presente, transformam a literatura numa alegoria ambulante para desfilarem cantores que possam trazer retorno ao capital investido, sabidamente tão escasso. Um grande escritor, não tão famoso quanto Chico Buarque, um dia definiu o chato como aquele que te rouba a solidão sem te fazer companhia. Talvez não seja o caso do (bom) compositor musical Chico César, mas, certamente, não é o da literatura que, ao contrário do que pensam muitos mandatários, sempre fez da solidão a melhor companhia do mundo. A respeito dela e de sua eterna - e prazerosa – sedução, já que estamos falando também de MPB, não custa lembrar da lição do velho Lupicínio: “Esses moços, pobres moços, ah se soubessem o que eu sei...”