quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

SEXO COM BANCO

Cronica publicada em O Estado do Maranhão,
jan 2009

SEXO COM BANCO


José Ewerton Neto, engenheiro, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com



“Ao invés de sexo em branco, sexo com banco!” poderia ser o slogan da mais recente modalidade sexual inventada pelos chineses. Isso mesmo, na madrugada de 7 de janeiro um morador de Hong-Kong, na ânsia de se livrar da solidão, adotou um banco de praça como parceira sexual, não conseguiu se livrar, depois, da “namorada” e teve de apelar para o corpo de bombeiros. É que a dita cuja não quis se desgarrar dele e prendeu seu órgão sexual em um de seus buracos. Donde se deduz que a inusitada parceira, além de ser de metal e cheia de furos, é original desde a aparência até os impulsos arrasadores e possessivos.
Inovações à parte, é curioso constatar como o sexo está ficando cada vez mais violento e bizarro. As 102 posições do kama-sutra já não bastam. para o apetite sexual da vida moderna. (Nem mesmo as 2000 variações que os big-brothers exibem, noite e dia para quem quiser se deliciar, adultos e crianças) Pouco tempo atrás, um americano foi preso por ter praticado sexo com uma bicicleta, o que deve fazer com que as mulheres sintam saudade dos tempos em que suas rivais pouco convencionais eram apenas vacas, porcas e galinhas. Tudo indica que coisa muito mais esquisita está para surgir.
Isso deve enchê-las de preocupação. Por que os homens estariam buscando formas cada vez mais extravagantes de substituí-las? No intuito, exclusivamente didático de ajudá-las nada como contrapor algumas das potenciais vantagens, de um banco de praça em relação a elas para que todos possam refletir, sem trauma, sobre o assunto.
1. Um banco não fala. Embora aparentemente de somenos, essa é
uma qualidade que deve ser muito apreciada numa relação . Um escritor muito famoso atribuiu, recentemente, a longevidade de seu casamento ao fato de que sua mulher fala um idioma diferente do seu, o que leva a concluir que a frase que diz que o silencio fez mais pelo fortalecimento das uniões do que milhões de declarações de amor, tem muito de sabedoria. Ora, o sexo com um banco de metal pode até ser doloroso mas uma coisa é certa: ao contrário das mulheres este não reclamará de nada. Nunca.
2. O furor sexual é latente. Pelo menos nesta edição o banco-
sexo portou-se com uma dedicação invejável. Ao invés do que acontece com algumas mulheres que ficam doidas para que o cara tire o seu rapidamente e caia fora, o banco deu uma demonstração de incontestável apego, ao tentar reter, em definitivo, o órgão sexual do parceiro. Se houve um super dimensionamento do amor – por parte do banco, e um sub dimensionamento do tamanho ( talvez pela fama ) por parte do chinês, isso não interessa. A verdade é que a tradicional jura de união “ até que a morte os separe” foi entendida à risca, sem precisar de contrato de casamento nem de benção de padre.
3. Não custa caro. Está claro que esta foi uma das razões pela qual
o chinês procurou um banco de praça para se satisfazer. Nestes dias de intensa crise financeira os homens têm de levar em consideração o custo benefício de todas as suas atividades, incluindo a sexual. E por falar em finanças, com os edificantes exemplos que se vê na mídia ( Luciana Jimenez, Galisteu e tantas outras) , quem duvida de que haja também um grande contigente de mulheres que gostariam - e muito - de fazer sexo com um banco? Desde que de outro tipo?
4. Fidelidade total. As mulheres revelaram-se, ultimamente, muito
infiéis. Recente pesquisa em que foram entrevistadas mostrou que 50 % delas admitem que traem, o que é muito, considerando o histórico e as teorias científicas da evolução que atribuem esse instinto natural apenas ao macho. Ora, um banco metálico cheio de furos tem a excepcional vantagem de não trair e de , sequer, pensar em trair. E ainda acompanha o amante ao hospital, dele só se separando quando arrancado - na marra..
5. Sexo seguro. Um banco de praça não transmite doenças e dispensa o uso de camisinhas. Não deixa de ser um benefício. Disse Woody Allen que a grande vantagem da masturbação é que o sujeito faz sexo com quem quer. Pois bem, o banco tem toda essa vantagem e ainda admite ser beijado e acariciado. Certo que o beijo acabará parecendo meio frio ou rígido, mas seria muito diferente dos beijos das tantas Brunas Surfistinhas, que beijam a três por quatro por aí?

sábado, 21 de novembro de 2009

OS CAMINHOS DA SABEDORIA

Texto publicado na seção Hoje é dia de...
O estado do Maranhão hoje, sábado, 21



OS CAMINHOS DA SABEDORIA

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Sabe-se da sabedoria das expressões populares. Tantas vezes, no entanto, as repetimos, automaticamente, sem nos preocuparmos em saber como e onde surgiram. Pesquisando suas origens e analisando-as sob a ótica atual percebemos como são tortuosos os caminhos da sabedoria!


1. O pior cego é aquele que não quer ver.
Tudo começou quando se realizou a primeira cirurgia de transplante de córnea, num aldeão chamado Angel, em Nimes, na França, 1647. Ao recuperar a visão, no entanto, Angel afirmou que preferia o mundo que imaginava antes, suplicando então para lhe arrancarem, de novo, a visão. Para ele, como para muita gente, o mundo que se imagina é muito melhor do que o que se vê.
“É por isso que existe tanta gente que gosta de novela. Na tela, o mundo parece melhor e, diante dela, os telespectadores não se importam em continuarem cegos para o resto da vida”.

2. A dar com o pau.
Muitos escravos africanos quando vinham de navio para cá, preferiam morrer de fome, recusando-se a comer. A sopa, com angu, era enfiada então pelas suas goelas com uma colher de pau.
“Os desvalidos nordestinos (equivalentes modernos dos escravos de ontem) já não se recusam a viver e têm direito até à bolsa-família. Seus escravizadores é que já não lhes dão com o pau, mas com a bolsa.”

3. Quem não tem cão caça com gato.
Trata-se de uma adulteração da expressão original, que dizia que quem não tem cão caça como gato, no sentido de sorrateiramente, matreiramente.
“O certo seria que, atualmente, usássemos as duas versões. Para pobre: quem não tem cão caça com gato; para rico: quem não tem cão caça como gato.”


4. Vá tomar banho.
Os índios, à vista do fedor que exalava dos brancos e suas vestes, os mandavam tomar banho, toda vez que chegavam perto da água.
“Hoje, os índios chegaram à conclusão de que nada disso adiantou. Embora tenham ensinado os brancos a tomarem banho, em compensação, não conseguiram lhes ensinar a não emporcalharem seus rios e suas praias.”

5. Dar com os burros n`água .
Na época da colonização os burros, que eram usados pelos tropeiros para carregar alimentos, perdiam-se nas enchentes e nos terrenos alagadiços.
“Hoje, qualquer chuva faz com que as grandes cidades fiquem intransitáveis, por falta de planejamento dos seus administradores. Donde se conclui que se na época da colonização os burros davam na água, hoje a água é que dá nos burros. (Os burros somos todos nós, que votamos em tanta gente incompetente.)

6. Para inglês ver.
Em 1830 a Inglaterra exigiu que o Brasil aprovasse leis que extinguissem o tráfico de escravos. O povo, então, dizia que as leis eram apenas para inglês ver.
“Hoje o que não falta é lei, para compensar as que não se cumprem. As de transito, por exemplo, cada vez mais rigorosas e inúteis, visam apenas a extorsão de seus cidadãos e já não são feitas para inglês ver, mas para brasileiros conferirem. No caso, os picaretas da administração pública, que conferem, cédula por cédula, o lucro obtido com a extorsão.

7. Pensando na morte da bezerra.
A expressão tem origem nas tradições hebraicas, quando os bezerros eram sacrificados pela religião. Um filho do rei Absalão tinha tanto apego a uma bezerra, que acabou morrendo também, o que gerou o dito popular.
“Hoje, as revistas especializadas afirmam que os homens que têm a sorte de encontrarem uma mulher que saiba executar, com talento, o pompoar ( popular bezerra), quando perdem a mulher ficam inconsoláveis e choram também, durante muito tempo, a morte da bezerra.

8. Eles que são brancos que se entendam.
No século dezoito um brasileiro, mulato e capitão, queixou-se de um igual ao seu superior, português, que respondeu: “Vocês que são pardos que se entendam”. O fato chegou ao vice-rei do Brasil Luis Vasconcelos que mandou prender, por isso, o oficial português. Ante a reação indignada do oficial Dom Luis respondeu: - Nós que somos brancos, cá nos entendemos.
“Antigamente, portanto, branco entendia branco, e preto entendia preto. Hoje, depois da invenção das cotas raciais na universidade, o branco tornou-se pardo e o pardo virou preto . Não se entendem nem brancos nem pretos, muito menos pardos, e nós, que nunca ligamos para isso, temos agora cores que nem nós mesmos entendemos.

9. Jurar de pés juntos.
Durante a Inquisição os réus eram obrigadas a ficar de pés juntos, amarrados, até confessarem seus supostos crimes.
“Hoje isso está cada vez mais difícil, principalmente para as mulheres. As do Big-Brother, por exemplo, já estão tão acostumadas a ficarem com as pernas abertas que não conseguem mais juntar os pés.

10. OK.
Expressão norte-americana que quer dizer 0 killed, ou seja, nenhum morto. Na Guerra de secessão norte-americana o gesto sinalizava que estava tudo bem, já que ninguém morrera.
“É como o pessoal do governo se refere ao apagão. A situação, para eles, está OK e assim vai continuar por muito tempo, porque ninguém morreu. Que o OK de Deus nos proteja!

sábado, 14 de novembro de 2009

SUPER CHICO

Texto publicado na seção Hoje é dia de...

O Estado do Maranhão, hoje, sábado



SUPER CHICO


José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Ao recorrer à expressão Super-Chico poderia estar fazendo menção ao Rio São Francisco que, depois de normalmente ser chamado grande Chico, agora, revigorado pelo PAC, segundo Lula, salvará o Nordeste. Porém - calma! -, por enquanto, ainda não há vez para ele. Em matéria de Super-Chico só poderíamos estar falando de outro: o Buarque de Holanda.
É ele que continua dando de dez. Além de ter vendido horrores com seu ultimo romance Leite Derramado (num país onde ninguém se derrama por um livro), já existe um outro, sobre a história de suas músicas, que dispara nas primeiras posições de venda. Como se não bastasse, em paralelo, a revista Rolling Stone escolheu a sua música Construção, como a melhor entre as cem melhores do cancioneiro popular brasileiro. Mais do que Carinhoso, de Pixinguinha – que ficou em segundo, mais do que Águas de Março, de Tom Jobim – que ficou em terceiro, e mais do que qualquer música de Noel Rosa que – pasmem! - só aparece em qüinquagésimo com a música Conversa de Botequim. Onde será que esconderam Três Apitos, Feitio de Oração, Ultimo Desejo, e tantas outras de Noel?
Lembro que me tornei ardoroso fã de Chico Buarque na minha adolescência quando, num programa chamado Esta Noite se Improvisa o ouvi cantar a música Feitiço da Vila, embora, então, gostasse mais da jovem guarda e dos Beatles, como quase todos de minha idade. Logo vim a saber, através do meu pai, violonista e profundo conhecedor de MPB, que esta era uma composição de Noel Rosa, um autor que até então não conhecia. Essa admiração se completou quando Chico, logo a seguir, compôs Quem te viu quem te vê, outro samba que se tornou, junto ao de Noel, meu favorito.
Recentemente, escrevi um especial no caderno Alternativo deste jornal, sobre a situação da literatura atual, em que a penúria de grandes ou anônimos escritores nacionais foi contraposta, em termos de sucesso, à glória exclusiva, total e incontestável de Chico Buarque, agora, não mais como compositor, mas como escritor. Com alguma surpresa, para mim, recebi várias manifestações de apoio e mensagens de congratulações sobre a matéria do texto e, numa mesa-redonda para estudantes do curso de Letras, da UFMA, fui questionado pela aparente ousadia de estar colocando em cheque um mito inquestionável como Chico Buarque.
A razão, agora me referindo ao desprezo da lista a um gênio do porte de Noel Rosa, parece estar justamente aí: na cada vez mais revigorada criação do Super-Chico: daquele que qualquer coisa que faça há de estar acima do bem e do mal, inclusive, de um talento como o de Noel Rosa, no caso, maior que o dele. No Brasil, parece dar-se o fenômeno do oito ou oitenta. Desprezam-se determinadas personalidades com a mesma facilidade com que se ignoram os defeitos de outras, em quem só se reconhecem virtudes. Como dizia Tim Maia, o Brasil é um estranho país onde puta goza, gigolô tem ciúme, traficante fuma maconha e comunista é de direita. Nestas circunstâncias, torna-se até natural que nele aconteça o que doravante deveria passar a se chamar a Lei de Chico: “Quer dar uma de intelectual e está difícil, ou então quer vender revista? Ora, é fácil: fale de Chico Buarque ou diga que leu seu livro”.
Tal exagero tem ilustração na recente biografia de Wilson Simonal (alguém se lembra dele?). Este, um cantor mulato e beiçola, nascido em Realengo teve, na época dos anos 70/80, sucesso em várias camadas sociais bem maior que o de Chico mas os meios de comunicação reservaram prontamente para ele um lugar desprezível no limbo da história, com a pecha de dedo-duro e possível agente do Dops –sem que nada disso tenha sido provado. O curioso é que, nas primeiras eleições convocadas pela “Revolução” sua conduta tenha sido, no mínimo, mais corajosa que a de Chico Buarque, quando manifestou abertamente seu voto contra o establishment , enquanto Chico, com toda a sua aura de herói que até hoje persiste, preferiu ficar em cima do muro dizendo: “A única coisa que tenho certeza é de que votarei na melhor música.”
Voltando às listas - razão desta reflexão -, afinal de contas, para que servem e o que querem dizer? Listas já elegeram Maradona como maior que Pelé e já tem gente dizendo por aí que Zico também foi, mas os sábios sempre acreditam que elas passarão e, ao fim, a verdade será salva pela história. Será? Quantas listas apressadas serão suficientes para diminuir a importância de um compositor como Noel Rosa, que também perdeu para Chico, recentemente, como maior compositor do século? Ao discutirmos esse assunto, um amigo lembrou que as preferências evoluem com a sucessão das novas gerações, tornando-se o xis da questão saber até que ponto a continuidade pode transforma-las num juízo de valor definitivo para a história.
Isso significa que, ainda estamos bem quando a grandeza de Noel Rosa é comprimida, mas a favor de Chico Buarque, cujo talento, embora inferior ao do mais arrebatador gênio da música popular brasileira - morto aos 26 anos com mais de 230 músicas registradas em seu nome - é também de um notável compositor; apesar dos exageros do Super-Chico. Pelo mesmo raciocínio, porém, as próximas gerações incorporarão os grandes sucessos atuais como referência da melhor música de todos os tempos e, provavelmente (e infelizmente) nestas poderão entrar Zezé di Camargo e Luciano, Ivete Sangalo, Bruno e Marrone... etc. Já pensou?

sábado, 7 de novembro de 2009

ALGUNS TIPOS DE VENENO LETAIS

cronica publicada na seção Hoje é dia de...
O estado do Maranhão, hoje, sábado, dia 5


ALGUNS TIPOS DE VENENOS LETAIS

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Por acaso o caro leitor sabe quais são os venenos mais letais que existem? Nestes dias de tsunamis, epidemias e catástrofes, nada como conhecê-los para melhor se prevenir:

1. Toxina Botulínica – (infecta-se através da inalação ou ingestão de água ou alimentos contaminados).
Dez mil vezes mais potente que os venenos de cobra, essa toxina age sobre o sistema neurológico, causando paralisia dos músculos respiratórios e morte. Curiosamente, em pequenas doses, essa substância é usada em tratamentos estéticos para amenizar rugas – é o famoso botox.

2. Toxina Big-Brotherlínica- ( a infecção surge através da visão, ininterrupta ou não, de programas do tipo reality-show).
Dez mil vezes mais potente do que o vazio causado pelo analfabetismo adulto, a toxina big-brotherlínica age sobre o que resta de neurônios inteligentes na mente do indivíduo incauto, impedindo-o de formular o raciocínio mais elementar. São conseqüências da ingestão desse veneno atitudes impensadas como: impulsos de se candidatar para participar do programa; exibir preferências por esse ou aquele exibicionista da tela; votar por telefone, ajudando as redes de televisão a enriquecerem às custas de sua própria doença.
Curiosamente, em pequenas doses, a toxina big-brotherlínica serve para enriquecer cafajestes e espertalhões, que, pragmaticamente, aprenderam a ingerir a dose certa do veneno, como o apresentador do programa Pedro Bial.

3. Toxina Tetânica (infecta-se através de contacto dos esporos da bactéria com ferimentos da pele).
Trata-se da toxina causadora do tétano, doença que ataca o sistema nervoso provocando espasmos musculares, dificuldade de deglutição, rigidez muscular do abdome e taquicardia. Estima-se que 300 mil pessoas se contaminem com o veneno, por ano, no mundo. – Desse total, metade morre.

4. Toxina Automovânica ( a infecção é adquirida pelo contacto e pelo uso de veículos de locomoção, denominados automóveis)
Trata-se de toxina relativamente moderna causadora do famoso stresse do trânsito, doença que ataca o sistema nervoso e causa múltiplos acidentes, seguidos de ferimento e morte. Embora inicialmente considerada salutar para o homem, a toxina automovânica adquiriu contornos de holocausto, sendo, atualmente uma das maiores causas de morte no mundo. Seus sintomas mais deletérios são: no caso do cidadão de classe baixa a dissipação de suas economias para adquirirem drogas (veículos) de custo muito superior às suas posses e, no caso das autoridades picaretas, a aquisição de carros importados com o dinheiro alheio - com o fim de exibição pura e simples. Estima-se que uma população maior do que a de uma grande guerra mundial esteja sendo seja exterminada por conta desse veneno.

5. Toxina Diftérica (infecta-se através de gotículas de saliva da fala ou do espirro de pessoas contaminadas).
O sujeito que se contamina com essa toxina pena um bocado com uma doença infecciosa aguda, a difteria, que atinge órgãos vitais , como coração, fígado e rins. Há vacina contra a difteria, mas a taxa de letalidade ainda é bastante alta, beirando os 20%.

6. Toxina Forróhistérica ( a infecção surge através do ouvido, quando se escuta ininterruptos sons de forró a altíssimos decibéis)
O sujeito que se contamina com essa doença perde por completo a noção do grotesco e da educação, provavelmente por ter seu ouvido danificado, passando a não ter complacência dos órgãos dos vizinhos: ouvido, fígado e rins. Até hoje não foi descoberta vacina contra a forróhisteria, já que não passa de um paliativo o recurso a outras histerias, como musica sertaneja e funk (cuja carga de letalidade compulsiva é quase semelhante)
Alguns cientistas acreditam que uma dose compacta e regular de
música erudita, como as de Bethoven, Chopin ou Villa-Lobos poderia fazer os atingidos se libertarem dos aspectos mais predatórios da doença Já os pessimistas acreditam que , ao contrário, em contacto com esse tipo de música os infectados passariam a apresentar ciclos cada vez mais furiosos de reação. A taxa de letalidade causada pelo forró eletrônico no Nordeste é alta atingindo cerca de 80 a 90% da população. No Ceará, chega a 100 %.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A IRA DOS CONTRA-DEUS

artigo publicado sábado na Seção Hoje é dia de..
Jornal O estado do Maranhão, 31.10.09


A IRA DOS CONTRA DEUS

“Deus é o único ser que para reinar nem precisaria existir”
Charles Baudelaire

José Ewerton Neto
Membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Eles estão com raiva de Deus. Primeiro foram os cientistas, capitaneados por Richard Dawkins. Escreveram livros execrando a figura divina e faturando muita grana com isso. Agora é a vez de José Saramago, o escritor português prêmio Nobel (o único da língua portuguesa). Qual a razão de tanta raiva? Procuramos entrevistar Deus para saber o que ele acha disso:

- Salve senhor Deus!
- Pode falar meu filho. Mas, prefiro que me chame de você. Sou simples, como o universo, embora a humanidade insista em tentar complicá-lo.
- O senhor, isto é, você, está a par do que vem acontecendo?
- Sim, sem precisar que me digam, porque, como você sabe, eu tudo ouço e tudo vejo. Primeiro soube do cientista que escreveu Deus, um delírio, depois soube de outro, mais outro... Agora o português, Saramago. Um diz que eu não existo; que não passo de um delírio, outro escreveu um romance para falar mal de mim. Ora, se eu sou um delírio, sou matéria de sonho, portanto tenho alguma serventia, não? E depois, esse escritor português, Saramago... Parece piada de português.
- Você leu seu romance Caim?
- Com toda essa eternidade pela frente, mesmo assim não vou perder meu tempo, embora tenha de sobra.
- Por quê? Você sofreria com as acusações?
- Não, não pelas acusações, que me são indiferentes. Nem pela argumentação, muito pobre, mas, justamente pela falta de talento e originalidade. O autor sequer é inteligente ao tomar imagens bíblicas, sabidamente simbólicas, para suportar suas acusações. Muito pouco para um intelectual desse porte. Isso me leva a acreditar no que foi dito por algum de vocês: que certos intelectuais gostam mesmo é de miséria.
- Você podia nos explicar melhor?
- Claro que sim. Existe miséria maior do que a daquele que atira contra a fé alheia? Que pode haver de mais sublime no universo do que a esperança e a fé? De que vale a vida sem estas? Nunca pedi a ninguém que tivesse fé em mim, sempre deixei a quem quer que fosse a liberdade de acreditar ou desacreditar. Aliás, nunca fiz questão da crença de ninguém. Se sou a verdade, não é preciso que o diga. Não foi assim que Cristo respondeu a Pilatos?
- Como você classificaria essa ira? Afinal de contas, pelo que sabemos, você nunca fez algum mal a eles, muito pelo contrário.
- Pois essa deve ser a razão do ódio. Eles não tem raiva de ditadores ou de terroristas, muito menos de bandidos ou estupradores, tampouco das ideologias ou das políticas desumanas, eles não vociferam contra os que fazem mal à humanidade, é mais cômodo para eles ostentarem raiva de mim.
- E justificam a raiva propagando a sua inexistência.
- Pois é, ficam irados justamente contra quem dizem não existir. Dá para entender? E se dizem sábios... O que mostra que o que existe mesmo nas suas mentes além de muita soberba, é um grande paradoxo.
- Que grande decepção, não é?
- De fato, essa humanidade me cansa. Dei inteligência à matéria inanimada para que muitos pudessem pensar e refletir sobre a beleza do universo e, daí, entenderem o exercício da vida como uma construção da fé, mas vejo que justamente os que estudaram um pouco mais, são os primeiros a esbravejar. Mostram apenas arrogância, pois tendo sido gratificados com a ventura de terem aprendido um pouco mais, não têm humildade suficiente para reconhecer o quanto todo conhecimento humano é ínfimo diante da criação, da grandeza e do fim do universo. Esquecem que alguém, muito mais sábio que eles, no passado dizia: quanto mais sei mas sei que nada sei.
- E agora, o que pretende fazer?
- Você quer dizer, para colocá-los no devido lugar? A palavra represália nunca existiu para mim. Jamais interferi nas coisas dos homens e vou continuar fazendo da mesma forma, contemplando-os de longe, como sempre. Talvez tire um breve cochilo de alguns milhões de anos até que essa civilização se extinga. Então, quem sabe, possibilite o aparecimento de outra raça mais generosa, que me traga mais satisfação. Como você sabe, planeta para isso é o que não falta, tempo e espaço também.
- Muito agradecido, pela entrevista, senhor Deus e queira perdoar-nos. Alguma recomendação final?
- Não fique bravo comigo e procure entender: cochilar dá muita preguiça e nada é mais cansativo do que não fazer nada, mas, creia, é muito melhor do que ler livros como esse, de José Saramago. Jamais faça essa besteira.



quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ESSA LITERATURA TÃO CHATA

Texto publicado no jornal
O estado do maranhão, especial
para o caderno Alternativo, domingo passado.


ESSA LITERATURA TÃO CHATA!

“Em geral, acreditem, os escritores não recebem a palavra nem mesmo nas cerimônias em que são premiados.” Rodrigo Lacerda, escritor e editor da revista Serrote.


Jose Ewerton Neto, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com




Chico Buarque disse que escrever é uma chatice.
Chico Buarque, compositor e cantor famoso também é hoje o mais disputado escritor nacional, o mais badalado pela imprensa, pelos críticos, pelos professores de literatura, pelas revistas literárias. Sua presença foi disputadíssima na última Flip (Feira do livro de Parati) causando a evasão de público das outras atrações literárias da feira em paralelo à sua apresentação, Se considerarmos que o outro escritor brasileiro best-seller, Paulo Coelho, é certamente mais um mago que um escritor, não é de estranhar que, para muitos brasileiros, Chico Buarque seja mesmo, atualmente, o maior escritor nacional.
No entanto, escrever, para ele, é uma chatice. E olha que quando quer escrever as páginas de seus romances , exige-se o conforto de viajar para Paris a fim de lá se refugiar por alguns meses, em seu apartamento, com o único propósito de escrever um romance. Antes de escrever as páginas do seu último livro Leite Derramado, a Cia. das Letras, sua editora, já havia encomendado várias edições , e múltiplas resenhas de críticos já se acumulavam nas revistas e nos cadernos literários, enfim, o seu trabalho “tão chato” tem compensação garantida, pelo menos em termos de grana e badalação.
Se escrever, para ele, é uma chatice imagine o que não deveria ser para os outros escritores deste país. Estes escrevem livros sem sequer saber se serão publicados, que dirá se serão vendidos; a maioria não têm apartamentos em sua própria cidade, que dirá em Paris. Podem contar com o quê, a não ser com a dádiva de uma benevolente imaginação, para se inspirarem e continuarem o “ofício da esperança”, que, em última análise, é o ofício de todo escritor?
Se, até mesmo quando, depois de árdua competição, sucede de ganharem um concurso - como acontece aqui em São Luis -, para receber o prêmio são aconselhados pelos próprios mentores do concurso a correrem para a justiça sob pena de jamais o receber? Isso nos leva a refletir: por que será que esses escritores não param de escrever, se seus talentos, mesmo quando reconhecidos, são tão espezinhados, inclusive pelo próprio poder público, que os estimulou? Será que entre o ato de escrever e a odisséia previamente anunciada de suas lutas existe um sentimento mais profundo de realização - e prazer - que a imaginação de Chico Buarque não consegue alcançar pelas facilidades obtidas em sua trajetória?
Millor Fernandes, o humorista, dizia que a maior vontade do intelectual é de ser rico, e a do rico é ser intelectual. Chico Buarque que, em sua época de juventude, egresso de família rica e intelectual, tornou-se um dos melhores compositores de uma geração talentosa e especial, hoje, muito mais rico, goza de uma gloriosa e justa reputação que, no entanto, o supervaloriza em tudo o que faz. A fama que adquiriu como compositor e cantor parece tê-lo blindado das análises literárias mais profundas, a ponto de serem raríssimas as críticas que apontam para a sua falta de imaginação literária, que o faz elaborar romances à reboque de temas já utilizados por escritores consagrados. Parecendo ter dado como encerrada a sua missão como compositor de M.P.B. para decepção de seus inúmeros fãs (entre os quais me incluo), há muito tempo que o marasmo tomou conta de sua produção musical. É compreensível e quase natural, portanto, que de acordo com o seu passado reluzente, seja tocado, também, pela visão da mosca azul, peculiar a todo rico, segundo o humorista: a de querer ser, também, um escritor.
Com um detalhe adicional: para ser coerente com esse passado, a Chico Buarque não basta apenas ser um bom escritor, exige-se que seja “um grande” escritor. Dessa exigência (peculiar à estrutura midiática que fomenta a aura criada em torno dos mitos modernos) tomam parte: editores, fãs, professores, críticos e leitores em geral, a maioria de forma inconsciente , inclusive, talvez, ele próprio. Por isso, deu-se ao direito de tornar-se arrogante, como a seu respeito denunciou a escritora norte-americana Edna ò Brien quando o acusou, durante a Flip, de não passar de um embuste, além de demonstrar pouco conhecimento da literatura. Deu-se ao direito também de, ao se referir com desprezo ao ato de escrever, nos oferecer um mote para chamar a atenção sobre o que se passa com a literatura nacional, tão combalida e desprezada, que é forçada a aceitar como o seu escritor de ponta justamente aquele para quem o ato de escrever não passa de uma chatice.
Ora, se o ato de escrever é uma chatice para seu maior representante não seria esse o testemunho pungente que faltava para avalizar a comprovação de que para a maioria dos brasileiros a literatura não passa mesmo de uma grande chatice? Pois não é isso o que se vê? A literatura é uma chatice para o presidente da República, para governadores, para professores, para estudantes e para o brasileiro comum, que jamais substitui uma mínima parcela de seu prazer de escutar forró a altíssimos decibéis, por um segundo de contemplação das páginas de um livro, por melhor que ele seja - e por mais riqueza que contenha. Ao contrário do que acontece em outros países onde nos terminais de metrô, praças e aeroportos comumente vê-se alguém concentrado na leitura de um livro, como é raro observar-se isso neste país!
Como é chato, ler um livro – dizem as crianças! Como é chato ler um livro dizem os estudantes universitários! Como é chato selecionar um livro de um autor fora do circuito preconcebido das editoras – dizem os professores de literatura, como é chato resenhar o livro de um escritor que não tenha apelo na mídia - dizem os raros críticos literários deste Brasil... Como é chato ter de pagar premio para quem venceu um concurso de literatura, não é mesmo, secretários de cultura, desta Atenas Brasileira? Como é chata, muito chata essa literatura!
Mais chata ainda do que essa perturbação inerente à literatura em si, só mesmo a obrigação de “ter de engoli-la”, não é mesmo? Quando forçado a referir-se ao hábito da leitura, nosso presidente Lula assim se referiu: “Ler é muito chato, mas é como se exercitar numa esteira, no começo é ruim, mas depois a gente se acostuma.” Assim também, para os que estão nos postos chaves desta nação, inclusive na área cultural, haja ter de suportar a sua incômoda presença! ( Porque por mais poderoso que alguém se julgue, tem consciência de que, ao tentar ignora-la, destitui-se daquilo que mais preza à raça humana: a distinção dos outros animais, o que só é possível em plenitude através dela, da literatura, e de sua capacidade, de induzir à reflexão.)
Disse um escritor norte-americano que a única vantagem de ser escritor é a de que ninguém o chama de burro por ganhar tão pouco. Se muitos escritores ás custas de penúria e talento ganharam esse privilégio, por outro lado os bem afortunados sabem perfeitamente que esse dom jamais lhes será accessível como benesse natural do poder. Precisam recorrer, em alguma circunstância, ao que a literatura tenha de simbologia espúria para salvar as aparências e torna-la complemento da própria vaidade. Tão boa é essa literatura que até para isso ela se presta! - quando corrompida. A abordagem da façanha literária passa a ser feita então não pelo que ela tem de mais prazerosa, que é o exercício de sua leitura, mas pelo espocar de flashes contaminados pelas explosões festivas nas comemorações midiáticas: não os milhares de livros extraordinários que estão à espera de serem lidos, mas a vaidade de poder propagar: “Tenho em minha estante um livro de Chico Buarque, adorei o livro de Roberto Justus , sou fã das histórias para crianças de Gabriel, o Pensador”, numa jornada onde a satisfação não é com o conteúdo do livro mas com a ostentação de uma aproximação virtual com qualquer personalidade badalada pela mídia.
Tal distorção que contamina o próprio ambiente literário faz com que não se concebam eventos literários de qualquer espécie (feiras, concursos, comemorações, palestras etc.) sem a obrigatória presença de alguém do ramo musical que sirva de referência e locomotiva para chamamento de público, sob pena de se esvaziarem os assentos e as repercussões nas edições dos jornais. Sem outra alternativa, a isso se submetem os verdadeiros escritores, alguns consagrados, aceitando tornarem-se , meros coadjuvantes das celebridades pseudo-literárias. Foi assim, que anos atrás foi concedido o premio de melhor livro do ano à Budapeste, de Chico Buarque, no mesmo ano em que concorria O Silencio do Delator de Jose Neumanne (de concepção e sutilezas literárias muitas vezes mais ricas) apenas para que fosse satisfeita a regra atual segundo a qual se fazem concursos não para premiar e divulgar os escritores, mas, ao contrário, premiam-se escritores para divulgar os concursos.
Num momento em que uma pesquisa nacional com jovens universitários elege Roberto Justus e sua cosmética performance de pseudo-empreendedor como o modelo de referência a ser almejado em suas vidas e em que milhões de pessoas “twittam” pela internet à cata de fuçar o cotidiano de celebridades como Ivete Sangalo, Angélica, Sandy e etc. para se regalarem com pérolas como estas: “Vou tomar banho que eu to fun”, Ivete Sangalo ou “Não ofereci pq era o ultimo pote na geladeira! Ahahaha”, Sandy, já nem causa surpresa que, esteja sendo anunciado como grande atração da próxima feira de livros de São Luis, não um escritor, mas o cantor baiano Chico César, que aqui autografará um áudio-livro (?)
Isso porque a chatice, essa monumental chatice da literatura, tem de ser evitada a qualquer custo, portanto devem estar certas as autoridades quando, para garantirem a satisfação do público presente, transformam a literatura numa alegoria ambulante para desfilarem cantores que possam trazer retorno ao capital investido, sabidamente tão escasso. Um grande escritor, não tão famoso quanto Chico Buarque, um dia definiu o chato como aquele que te rouba a solidão sem te fazer companhia. Talvez não seja o caso do (bom) compositor musical Chico César, mas, certamente, não é o da literatura que, ao contrário do que pensam muitos mandatários, sempre fez da solidão a melhor companhia do mundo. A respeito dela e de sua eterna - e prazerosa – sedução, já que estamos falando também de MPB, não custa lembrar da lição do velho Lupicínio: “Esses moços, pobres moços, ah se soubessem o que eu sei...”





sábado, 17 de outubro de 2009

O NEGÓCIO É GREVAR

Artigo publicado na seção
Hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, sábado,18


O NEGÓCIO É GREVAR

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com




Pois é, fazer greve está na moda. Em menos de um mês já houve greve de correio, de médico, de bancário, de policial e... – nem tenho mais certeza - greve da Caema, o que levou um amigo meu a comentar: “E eu que pensei, olhando para as torneiras lá de casa, que a greve era da água!”
Tanta confusão se explica: são tantas as greves que nunca se sabe quando começa uma nem quando termina outra. Algumas, por não fazerem a menor diferença, outras porque como os funcionários passam mais tempo fazendo greve do que trabalhando, o normal é o estado de greve. Por exemplo: faz tanto tempo que o pessoal da Caixa está em greve que seus clientes já esqueceram de lidar com seres humanos. O dia em que ouvirem uma voz humana, por trás do dinheiro que estão recebendo, vão levar um susto e sair correndo. O que nos leva a recomendar calma, muita calma, porque está vindo mais por aí:

1. Greve de guardador de carro. Reivindicam equiparação salarial aos guardas de trânsito. Alegam que em matéria de arrumar confusão e perturbarem o trânsito, são muito melhores. Queixam-se do árduo trabalho de não fazerem nada o dia inteiro, o que, segundo eles, lhes têm causado dores nos olhos e transtorno bipolar. Pleiteiam correção monetária da atual Tabela de Xingamento, ou seja, querem poder xingar o cliente toda vez em que receberem menos de cinco reais – e, não menos de um real, como é hoje. Exigem a adoção de uma farda oficial que venha substituir suas flanelas velhas e sebosas por uma bandeirinha do Flamengo.
2. Greve de gigolô. Exigem aposentadoria especial por tempo de serviço. Alegam que são forçados a fazerem hora extra em condições insalubres: peles encarquilhadas, perfumes broxantes e botoxes pegajosos. Querem o devido reconhecimento da sociedade (através de carteira profissional de gigolô) para não terem que apelar aos costumeiros disfarces: personal trainings, modelos, ou guardas particulares. Advogam serviço de analista para dar conta dos casos mais desesperados como os de Suzana Vieira, por exemplo. Solicitam, por fim, acesso gratuito a remédios para ereção para que possam atender, sem constrangimento, à grande maioria das clientes.
3. Greve de Cordeiro de Trio Elétrico. Isso mesmo, os cordeiros (aqueles que seguram a corda nas axé-folias ) decidiram entrar em greve para exigir, de imediato, equipamentos de segurança. A saber: protetores de ouvido e óculos de segurança. Os primeiros, para não terem de escutar Bel, do Chiclete, berrando enquanto descem os Béis (pode confundir com decibés). Já, os óculos escuros, para que não sejam obrigados a assistir tanta mulher transando sem poder fazer nada.
1. Greve de vendedor de cedê pirata. Reivindicam, antes de tudo, o reconhecimento definitivo da profissão, a começar pelo nome. Nada de serem chamados de vendedores de cedê, pirateiros, ou outros semelhantes. Sugerem duas alternativas oficiais: Divulgadores de Som (o mais simples) ou Incentivadores da Cultura Popular a partir da Reprodução Sonora Desenfreada. (o preferido pelos sindicatos e pelos intelectuais do Ministério da Cultura). Caso não sejam atendidos ameaçam promover o colapso de 99,9999% de toda produção musical deste país: forró e funk. Já recolheram perto de quinhentas mil assinaturas de apoio, sendo mais da metade oriunda dos componentes das bandas de forró do Ceará.









domingo, 11 de outubro de 2009

A SEMANA EM SALTOS

artigo publicado na seção hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, sábado





A SEMANA EM SALTOS

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


E a semana, mais uma, foi-se aos saltos, como se vê.


1. Suzana em saltos.
“Nasci e fui criada em cima do salto”, disse Suzana Vieira, atriz global, brincando com a repórter, ao comentar sua coleção de 300 pares de sapatos, em lançamento de loja, no Rio.
De fato, Suzana gosta muito de saltos, tanto é assim que depois dos setenta, salta em cima de qualquer gigolô, com menos de trinta anos, que se atravesse em sua frente.

2. Decisão de morte.
“A morte precisou bater em minha porta para me ajudar com a minha decisão” proclamou Robbie Williams, músico, que se internou em 2007 em uma clínica de reabilitação de dependentes químicos.
Tá certo, Robbie! Mas, da próxima vez decida rapidamente, senão dona Morte, ao invés de bater na sua porta, vai fazer seu coração parar de bater.

3. Bebida é a solução!
“Ele bebe todo dia” disse a ex-namorada de Adriano, o imperador do Flamengo, referindo-se ao craque e reclamando do batalhão de mulheres-fruta que o atacante tanto gosta de atacar.
Como Adriano, sem treinar, vem carregando o time do Flamengo nas costas faz muito tempo, o técnico Andrade está pensando seriamente em acabar com qualquer tipo de treinamento. Além disso, vai pedir com urgência para mudarem o cardápio da concentração: barris de chope todo dia e muita fruta ( ou melhor, mulher-fruta).


4. Calcinha de miss.
A miss mundo de Cingapura, Ris Low foi presa depois de fraudar cartões de crédito e comprar dez mil reais em calcinhas. Segundo o jornal “Strait Times” a razão para isso é que a miss tem transtorno bipolar.
Parece que quando pobre rouba, é ladrão, mas, se, for rico vira bipolar. Deve ser por isso que os caras do mensalão nunca foram presos: seus médicos devem ter apresentado laudo de bipolaridade. Aliás, essa doença, tão contagiosa no meio político, voltou a se revelar esta semana. Bote bipolaridade na rapidez com que eles mudam de opinião! (Ou, melhor, de legendas).

5. O cascudo de Lula.
Depois da célebre eleição do Rio para sediar as olimpíadas de 2016, Lula ameaçou dar um cascudo nos atletas brasileiros, se não trouxerem pelo menos uma medalhinha de ouro.
Por medida de segurança e para que os atletas não corram o risco de levarem um cascudo de Lula o comitê organizador da próxima Olimpíada Carioca está tentando incluir a bala perdida como modalidade de esporte olímpico, já a partir de 2016. Como todos sabem, neste caso, o ouro brasileiro estaria garantido.

6. O time das setentonas.
Elza Soares, cantora e ex-amante do famoso driblador, Garrincha, levou um drible de um assaltante em pleno aeroporto de Congonhas. Junto do seu namorado de 40 anos e garantindo que ainda é uma “espoleta” na cama, Elsa, ao mesmo tempo em que ofereceu uma recompensa de cinco mil reais para quem devolvesse o seu lap-top, ainda aproveitou para dar conselhos: “Vão à luta, mulherada, porque quando papai do céu chamar já não vai dar tempo para nada.”
Muita gente se enganou pensando que Elza, com toda essa idade, estava se referindo ao todo poderoso papai do céu, mas a verdade é que - também com todo esse fogo - estava se referindo é ao saudoso Mané Garrincha, sabidamente um ex-predador e, certamente, doido para sair de sua inatividade no céu. É que, carinhosamente, ela, o chamava de papai.

7. Mais um bom de copo.
E o Diego Tardelli, companheiro de Adriano na seleção e na artilharia do campeonato, mostrou esta semana que também é um bom companheiro na arte de se exercitar com uma boa dose de álcool. O homem foi preso por uma blitze que executava, em plena Copacabana pré 2016, mais um episódio da famigerada Lei Seca.
A imprensa marrom já está dizendo que Lula, que gosta de um copo, mas gosta mais ainda de futebol, está providenciando para que a polícia trate de procurar bandido ao invés de perturbar quem bebe, mas faz muito gol. Assim como o humorista Millor Fernandes, que dizia que é preferível ser um alcoólatra famoso do que um alcoólico anônimo, Lula teria dito a um interlocutor privilegiado que prefere um craque fazendo gol morto de bêbado do que um caminhão de perna-pau indo pra missa.

8. Masturbação científica.
Recente pesquisa publicada em jornais e na Internet dá conta de que a prática da masturbação, que já sofreu uma série de preconceitos, está completamente reabilitada. Segundo a tal pesquisa se constantemente exercida serve como preventivo da próstata e tem efeitos medicinais incontestáveis.
Woody Allen, o cineasta e diretor de cinema norte-americano, precisa rever urgentemente, sua frase que dizia que “a grande vantagem da masturbação é a de que você transa com a mulher que você quer”. Como a masturbação científica acabou de provar essa é apenas uma de suas vantagens.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

DICIONÁRIO DA EVOLUÇÃO SEXUAL

cronica publicada sábado na seção
Hoje é dia de... O Estado do Maranhão







DICIONÁRIO DA EVOLUÇÃO SEXUAL

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com

Sempre com o intuito de esclarecer a população sobre um tema muito comentado, porém, pouco conhecido, recentemente foi lançado o Pequeno Dicionário da Evolução Sexual:

1. Adultério. Relações sexuais entre duas pessoas, pelo menos uma sendo casada com uma terceira.
Antigamente o adultério feminino era punido até com a morte, quando então tal atitude era considerada legítima defesa da honra. Hoje sua prática se tornou tão comum - e apreciada por ambas as partes - que passou a ser considerada fundamental para a continuação da união, após a lua-de-mel. Dia virá em que a ausência comprovada de adultério será punida com a morte.

2. Afrodisíaco. Tipo de substancia que produz ereções no
homem, aumentando-lhe e despertando-lhe o desejo sexual, relaxando-lhe as inibições e fortalecendo-lhes as glândulas com maior produção de sêmen.
Já houve época em que reis e príncipes gastavam rios de dinheiro na montagem de caravanas para saírem atrás de pó de chifre de rinoceronte. Hoje, admite-se que o poder é que é afrodisíaco, razão pela qual muitos homens gostam de desfilar com carros potentes e importados acreditando que às custas disso se tornarão objetos sexuais. Como isso não acontece na prática (a mulher apaixona-se pelo carro, mas não pelo homem) o sujeito passa a ter obsessão amorosa pelo próprio veículo, fantasiando sexualmente com o mesmo.

3. Amor platônico. Profunda afeição e amor entre duas pessoas, sem desejo sexual.
Antigamente o amor platônico principiava na adolescência, e só continuava platônico porque não havia tempo de passar para vulcânico ( os pombinhos ficavam velhos e já não havia mais tempo). Na vida atual o amor platônico extinguiu-se quase totalmente porque o amor vulcânico começa muito mais mais cedo ( doze anos para ele e dez para ela)

4. Bissexualidade. Ter desejo sexual por pessoas de ambos os sexos.
Já foi uma forma de relacionamento bastante condenada em
diferentes estágios da civilização. Hoje, pelo contrário, é considerada um tipo de aptidão fundamental para enriquecer o currículo de quem pretende se dar bem em algumas atividades bastante disputadas da vida moderna, como por exemplo, artista de novela ou participante de Big-Brother.

5. Castidade. Qualidade do casto ( que se abstêm de qualquer relação sexual)
Esta forma de sacrifício chegou a ser bastante comum na Idade Média exercida por monges ou pessoas ilustres que pretendiam atingir um elevado nível de espiritualidade. Hoje, tornou-se uma prática muito rara, sendo o caso mais conhecido, o de Kaká ( ex-jogador do Milan ) que, embora tenha se mantido fiel durante algum tempo, desistiu de praticá-la tão logo soube que teria de dormir em companhia de Ronaldinho Gaúcho, no mesmo quarto. Aliás, segundo o humorista Millor Fernandes de todas as aberrações sexuais humanas, essa é a mais estranha.

6. Clitóris. Pequeno órgão de 0,5 a 2,5 centímetros que desempenha papel da maior importância no prazer e no orgasmo da mulher.
Durante muito tempo permaneceu ignorado pela maioria dos homens que nunca fizeram questão de descobri-lo, obedecendo a um impulso egoísta de busca individual do prazer. Com as mais recentes descobertas da medicina e da ciência sua importância para o prazer feminino veio à tona, mas acabou perdendo terreno para o ponto G como objeto de caça masculina . Resultado: muitas mulheres que viraram lésbicas justificam a preferência dizendo que se os homens já não conseguiam achar um que aparece de vez em quando, que dirá outro, que fica escondido.

7. Consolo. Um pênis artificial feito de plástico, borracha ou madeira.
Embora nos tempos rústicos fosse até de madeira, hoje os consolos sexuais preferidos pelas mulheres evoluíram para formatos os mais estranhos e complexos, sendo, a maioria deles, ausente por completo das vitrines das lojas pornôs.
Segundo a Internet, uma população de mulheres equivalente a de uma cidade inteira prefere como consolo um retrato do José Mayer. Já, segundo um amigo meu, que é caminhoneiro, aquelas que se satisfazem plenamente com uma nota de cinqüenta enche muito mais que uma frota de caminhão.

8. Doenças Venéreas. Doenças contagiosas que são transmitidas durante as relações sexuais. As mais comuns são a sífilis e a gonorréia.
Essas doenças chegaram a matar muita gente na época em que não havia antibióticos. Com a evolução da ciência e com os devidos cuidados, tornaram-se doenças controláveis - se ficar só nisso. Portanto, se for apenas a primeira vez, dizem os médicos que não há motivo para pânico: a vida também não passa de uma doença mortal, transmitida pela via sexual.

9. Hímen. Membrana mucosa fina que cobre a abertura vaginal. Como normalmente é rompida pelo pênis por ocasião da primeira relação sexual, existe o mito de que as mulheres sem hímen não são mais virgens.
Ao hímen, realmente, era mais fácil resistir na época que havia amor à primeira vista. Como rapidamente chegou-se a época do amor que ninguém avista, nada se avista. Inclusive, o próprio.
.
10.Espéculo. Instrumento de plástico usado para separar as paredes da vagina durante o exame médico da vagina e do colo do útero.
Sendo de plástico, tal aparelho é relativamente moderno e, como era de se esperar, de desconhecimento geral da maioria dos homens. Portanto, nada de confundir espéculo com espetáculo, embora as palavras sejam muito parecidas. Mas, se o exame em questão for da Juliana Paz será que o nome continua sendo espéculo? Ou será espe-tá-culo?

11.Espermatozóide. A célula móvel sexual masculina produzida nos testículos. Quando um cai na vagina, usa a sua cauda comprida para viajar na direção do útero, à procura de um óvulo para fertilizar.
Decididamente – e não poderia ser de outra forma - desta vez a coisa não evoluiu muito com o passar dos anos a não ser na quantidade de homens que, dizendo-se metrosexuais ( David Beckam, Cristiano Ronaldo e Chiquinho Scarpa) passaram a reconhecer e admirar a própria cauda.

12.Gigolô. Homem geralmente bem aparentado, que vive ás custas de uma mulher.
Em tempos não muito remotos era muito comum a convivência – e sobrevivência desse tipo - com mulheres do mundo da prostituição. Agora ser gigolô virou moda no mundo dos artistas e celebridades da televisão. Tem gente que faz coleção, não é mesmo Suzana Vieira?

13. Fetichista. Pessoa que se sente mais excitada sexualmente por parte do corpo de uma outra pessoa do que pela própria pessoa.
Segundo as pesquisas de opinião, a grande maioria das mulheres modernas tornaram-se fetichistas. E a parte do corpo do homem que elas mais apreciam é a carteira.

14. Óvulo. O ovo produzido pelos ovários. Tem geralmente 1/100 centímetro de diâmetro.
Como o espermatozóide é muito menor, e mede 1/300
centímetro, está explicado ( com 9 meses de antecedência ) a atração
dos machos pelas mulheres altas. Haja salto alto!

15.Ejaculação prematura. Ocorre quando um homem chega ao orgasmo antes que ele próprio e sua parceira assim o desejem.
Trata-se de mais uma conseqüência da ansiedade moderna, o que vem proporcionando incontroláveis expressões de ejaculação prematura, em público. Algumas mais conhecidas: Lula quando recebe ordens de Hugo Chávez; Galvão Bueno quando Ronaldo fenômeno faz um gol; deputados quando conseguem aprovar mais oito mil vereadores.













segunda-feira, 28 de setembro de 2009

TWITTAR, VERBO IRRACINAL

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Jornal O Estado do Maranhão, sábado passado





TWITTAR, VERBO IRRACIONAL


José Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com



Twittar, verbo irracional, conjuga-se assim:
Eu twitto
Tu twittas
Ele twitta
Nós twittamos
Vós twittais
Eles twittam
Uma possível tradução, para quem não sabe, seria:
Eu sou bobo
Tu és idiota
Ele nos faz de idiota
Nós não temos o que pensar
Vós gostais de perder tempo
Eles não têm o que fazer
Provavelmente algum leitor, já me corrigindo, dirá que não existe, na classificação gramatical, verbo irracional. Que existe, sim, verbos transitivos e intransitivos, verbos de ligação, verbos irregulares etc. mas verbo irracional, não.
De fato, temos que concordar. Ao invés de verbos irracionais seria mais correto dizer que existem atitudes irracionais, mas o que teria isso a ver com o verbo, ou a ação de twittar?
Tentemos entender, já que eu também não sabia perfeitamente o que era, tinha apenas uma vaga idéia, quando que me dispus a ler uma reportagem da revista Época. Através dela fiquei sabendo que twittar, grosseiramente, é tomar contacto através de uma ferramenta da Internet com mensagens enviadas a torto e a direito (mais a torto do que a direito) por celebridades sobre suas vidas. Donde surgiu a primeira dúvida: “Que interesse pode ter alguém, minimamente racional, por detalhes cotidianos da vida de uma pessoa, seja celebridade ou não?”
Bem, uma razoável explicação seria a de que o dia a dia dessa tal celebridade fosse pleno de eventos inusitados, recheado de emoções, enfim, guardasse algo fora do comum para despertar curiosidade. Ou então que essa pessoa, possuidora de singular sabedoria fosse capaz de exprimir, através de mensagens, frases de conteúdo edificante para quem se dispusesse a lê-las, assim justificando a perda de tempo. Mas parece que a coisa não é bem por aí, a julgar pelas frases exibidas na reportagem e que são continuamente enviadas por esses “grandes personagens”:
Ivete Sangalo: “Gente amada, vou tomar um banho senão o corpo se acostuma com o fedô, ahahahahah.vou tomar meu bainho pra ficar xero”
Sandy: “A coceira nos braços já passou, sim, obrigada! Sempre acontece isso qdo. eu tomo sol (mesmo q por pouco tempo)...
Preta Gil: “Não tenho nojo do vômito do meu cachorrinho,
como nunca tive do cocô do meu filho”
Angélica: “Chutei um móvel no quarto voltando do banheiro de madrugada...kkkkkkkkkkridículo!!!”
Donde surge a segunda pergunta: “Que interesse pode ter alguém por banalidades cotidianas provenientes de gente tão insípida?” ou ainda: “Será que ao tornar-se celebridade, o indivíduo automaticamente assume o dom de se transformar num manancial de asneiras?”
Porém, - acreditem! - o pasmo sequer chegara ainda ao seu clímax! A reportagem dá conta, a seguir, de que cada uma dessas celebridades têm milhares de seguidores. (Seguidores são aqueles que twittam). Isso mesmo, eles são milhares, e bote milhares nisso: Luciano Huck tem 850 mil, Ivete tem 270 mil, Angélica duzentos mil, Preta Gil cem mil etc. Portanto, uma população muito maior que a de uma cidade como São Luis se presta para isso: fuçar porcarias da insossa vida de gente mais insossa ainda.
Vamos repetir: tem gente que ao invés de ler um livro, tomar um chope, escutar uma música, aprender a tocar um instrumento musical, regar o jardim, pintar ou esculpir, olhar o pôr-do-sol, estudar ou namorar prefere twittar. Eles preferem twittar.
O que me fez imediatamente recordar a frase de um escritor norte-americano que dizia: “99 % dos seres humanos são seres completamente irracionais, o restante são aqueles que têm consciência disso.” Assim, á semelhança das distrações por demais conhecidas: Big-Brother, A fazenda, o Faustão, etc., exemplos em que a pulsão coletiva de toda uma sociedade pelo que há de mais mesquinho, age em contracorrente com qualquer resquício do senso inteligente de que tanto nos orgulhamos, é fácil chegar à conclusão de que, de fato, a ação de twittar, nada mais é que humana, demasiadamente humana, como dizia Nietzche.
Fica, portanto, explicada a razão pela qual o verbo twittar talvez seja realmente um verbo irracional, embora profundamente humano. Para quem faz parte do um por cento acima citado pelo escritor, mas está a fim de tornar-se menos racional e mais humano, conjuga-se assim:
Eu twitto
Tu twittas
Ele twitta
Nós twittamos
Vós twittais
.................


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...O Estado do Maranhão, ultimo sábado

AUTO-ESTIMA EM ALTA

Jose Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com




A auto-estima nunca esteve tão em alta. Em sua reportagem de capa, semana passada, a Revista Isto É, enumera infinitas razões pelas quais o cultivo da auto-estima tornou-se essencial para o bem-estar do homem contemporâneo. Desconfiado da minha, resolvi procura-la, para termos uma conversa importante e definitiva.
- Ei, minha auto-estima, o que está fazendo aí?
- Ora, estou rezando por você.
- Mas, de joelhos?
- Claro, para que minhas preces por você sejam mais bem atendidas.
- Tudo bem, agradeço, mas, pense bem, você não pode ficar nessa posição. Pelo que sei uma boa auto-estima tem que ficar sempre de pé, alta, vibrante, e não de joelhos. Vamos lá, levante-se!
- OK, mas não preciso que você me dê ordens, minha ajuda tem que ser natural e não forçada.
- Penso que não sou eu que tenho de ajudá-la, e sim você a mim. Você é que é minha auto-estima e não o contrário.
- Sei perfeitamente disso, mas sem você não posso fazer nada. Por isso estou a ponto de desistir, pois desconfio que você seja um caso perdido.
- Peraí! Se eu tiver sempre que resolver sozinho as minhas coisas, para que me serve uma auto-estima?
- Quem tem de responder a isso é você, não eu. Faço a minha parte, se você não faz a sua, rezo e peço a Deus.
- O que eu deveria fazer, então?
- Ora, tudo o que os livros de auto-ajuda mandam fazer: você tem que se olhar no espelho todo dia e dizer: “Sou o mais bonito, o mais inteligente, o mais capaz; tem de vibrar quando vê cocô de cachorro no meio da praça; tem que acreditar no pré-sal e no Dunga; cantar o Hino Nacional no campo de futebol e no banheiro; tem que deixar de ouvir o Adágio de Albinoni, que é muito triste, e sair dançando forró toda vez que um idiota passar com seu carro de som a mil decibéis; tem de rezar uma ave-maria para todo motoqueiro que te xingar no trânsito; tem de parar de ler a Bíblia e passar a ler Paulo Coelho; tem de sair dando pulo por causa dos oito mil...
- Oito mil? Você está ficando maluca, nunca ganhei oito mil.
- Ganhou sim, todo brasileiro acabou de ganhar oito mil vereadores.
- Oito mil vereadores? E o que vou ganhar com isso? Como terei de pagar uma conta que não pedi esse é mais um motivo para ficar estressado, você não acha?
- Perfeitamente, isso todo mundo todo mundo sabe , mas quem deseja o benefício da auto-estima tem de ver em toda tragédia uma fonte de otimismo, enfim, tem que acreditar que tudo que surge é para o seu próprio bem.
- Isso significa então que para nos ajudarmos devo
acreditar cada vez mais nas mentiras que nos contam, não é mesmo ?
- Claro, mas quem disse que isso é difícil? Não tem gente que acredita em papai-noel e no Hugo Chávez? Não tem gente que adora o Roberto Justus? Não tem gente que vibra com as imbecilidades do big-brother? Não tem gente que fica radiante com o final feliz de Caminho das Índias?
- Não sei se conseguirei...Esse negócio de olhar para o espelho e dizer que sou mais bonito que o Brad Pitt. E se o espelho não acreditar? Além do mais, ando com uma gastrite.
- É pegar ou largar. Até eu mesma já ando com uma vontade
enorme de partir para outra. Às vezes acho que seria preferível tentar ser bandeirinha de jogo de futebol. Já estão aceitando o sexo feminino.
- Ora, não fique assim... Não suporto vê-la desse jeito. A
verdade é que sempre tive muita simpatia por você, embora discorde de seus métodos, digamos assim. De qualquer forma acho que vou fazer o que você mandou. Por onde começo?
- Comece por acreditar que eu existo.
- Como? Não estou entendendo.
- Isso mesmo! Comece por acreditar que eu, de fato, existo e que todo esse negócio de auto-estima não passa de pura embromação: que não é conversa de revista para vender livro; de psicanalista para tomar seu dinheiro; de celebridade quando não tem o que fazer e de cabeleireiro de perua quando falta assunto.
- Deus do céu, pelo amor de Deus não repita isso! Por favor, jamais confirme que você é uma ilusão. Juro que eu sempre desconfiei, mas mesmo que eu não acredite eu quero acreditar. Por favor!
- Bem, isso não deixa de ser um bom começo já que todo ser humano prefere ser infeliz com uma ilusão do que feliz com a sua verdade.
- Puxa vida! Ainda bem que ao fim desse diálogo estamos nos entendendo. Imagino que agora as coisas começarão a melhorar e não vejo a hora de sair pro abraço. Mas... O que foi isso agora? O que está fazendo?
- Me ajoelhando. Por quê?
- Ora, depois de tudo o que conversamos pensei que você jamais iria fazer isso novamente. Por que se ajoelhou de novo?
- Não se preocupe, não estou rezando mais por você. Sinto que você é daqueles que não precisam da alta da auto-estima para se virar. Desta vez estou rezando é por mim. E por todas as auto-estimas do mundo.




segunda-feira, 14 de setembro de 2009

UM RIO EM SÃO LUIS

Artigo publicado na seção Hoje em dia
de O estado do maranhão, sábado passado


UM RIO EM SÃO LUIS

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com





Não, não estamos falando do Rio Anil ou do Rio Bacanga, mas do Rio de Janeiro, Fevereiro e Março, como dizia Gilberto Gil. Basta refletir um pouco para constatar que as duas cidades se encontram em muitos pontos
Comecemos pelos times de futebol. Se os do Rio começaram a ter especial atração pela segunda divisão, os daqui começaram a ter pela terceira. Pelas cores rubro-negras o Moto teria tudo para ser o Flamengo daqui (como se parecem no futebol que têm jogado, com a vantagem de que, para isso, o Moto nem precisa de imperador). Neste caso, o Sampaio Correia seria o Vasco e o Maranhão o Fluminense, justamente porque O Maranhão ninguém sabe mais se existe, enquanto que o outro - o Fluminense - está se esforçando para isso.
O Rio, como todos sabem, tem como cartão-postal a estátua do Cristo Redentor. Já, São Luis, tem sua equivalente na estátua de Gonçalves Dias. Os dois contemplam o mar lá de cima; um como nosso salvador, o outro, como nosso grande poeta.
Em termos de praias, a do Olho D`Água tem tudo para ser a nossa Copacabana , como, aliás, já foi chamada. Parecem-se desde a poluição, passando pelos “points” e invasões: lá, de morros, aqui de terrenos. O declínio do Olho D`Agua como referência da “juventude dourada” aconteceu quase ao mesmo tempo da outra. Hoje, a tal “gente bonita” parece se concentrar mais na praias do Caolho e Calhau, que seriam as nossas Ipanema e Leblon. O Araçagi, então, seria a Barra da Tijuca, inclusive porque a cidade está se esticando práquelas bandas à semelhança do que aconteceu no Rio. Lá, os arrastões, por aqui o Manzuá.
A Ponta d`Areia com a sua proximidade do centro, e pela poluição visual e arquitetônica, seria equivalente à do Flamengo (ou do Botafogo) com a diferença de que, no Rio, os prédios têm a educação de ficar do outro lado da Avenida. Em São Luis, como todos sabem, ficam por cima da areia, quase invadindo o oceano. (Aliás, como existe em Fortaleza uma praia chamada do Futuro, o mais certo seria mudar o nome da Ponta D`Areia para Praia do Passado, porque um dia já foi ponta e agora não passa de uma pontinha d`água, cercada de edifícios por todos os lados)
Quanto aos bairros, enquanto os do Rio têm nomes exóticos e sonoramente bonitos, como Flamengo, Copacabana, Ipanema, Tijuca, os daqui têm nome de gente, João Paulo, Pantaleão e Filipinho. Se lá tem Santa Teresa aqui tem o Anjo da Guarda. Se lá tem Nossa Senhora de Copacabana aqui vive a Madre Deus (não seria a mesma?). São Cristóvão e Jardim América existem lá e cá. O que no Rio é um estádio de futebol, Maracanã, por aqui virou bairro e o que lá é bairro (Castelo) por aqui virou estádio de futebol.
Poucas são as capitais que se dão ao luxo de invadir suas marés com caminhões de terras, e por aí se vê que até nisso se equivalem. No Rio fica o Aterro do Flamengo, onde construíram um túmulo para homenagear o soldado desconhecido, mas que hoje teria muito mais utilidade se homenageasse os que morrem de bala perdida. Por sua vez São Luis também tem o seu aterro, igualmente grandioso: o do Bacanga. Embora o daqui não tenha túmulo, o que existe de idéia enterrada para tentarem descobrir nele alguma serventia não está escrito!
De santo padroeiro as duas cidades estão bem servidas, embora São Luis leve uma pequena vantagem. Enquanto o único padroeiro do Rio é o que deu nome à cidade: São Sebastião, nossa cidade, tem São Luis, seu santo fundador, e, de quebra, São José de Ribamar. Como a violência carioca está chegando rapidamente por aqui em breve nosso santo protetor terá que pedir ajuda à vasta experiência de São Sebastião: primeiro com flechas, agora com balas.
Se o Rio tem o samba, São Luis tem o bumba-boi. Se o Rio teve Nelson Cavaquinho, São Luis teve João do Vale. Para o pianista Artur Moreira Lima, o violonista Turíbio Santos, para a sambista Beth Carvalho a igualmente sambista Alcione. Para Machado de Assis, Aluízio Azevedo, e para Nelson Rodrigues, Artur Azevedo. Até para as tendências musicais de início-de-século há equivalências, desta vez terríveis: lá, o funk, aqui o forró eletrônico.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

POR ONDE ANDARÁ BELCHIOR

POR ONDE ANDARÁ BELCHIOR

texto publicado na seção Hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, ultimo sábado

O que estaria fazendo numa fazenda Belchior, finalmente encontrado, em Tacuarembó, no Uruguai?
Ora, isso não tem muito a ver com sua antiga profissão de cantor e parece mais coisa de Brizola e João Goulart, que nos idos dos anos 60 gostavam de dar uma de fugitivos por aquelas bandas. Belchior é de uma geração posterior a deles, quando ainda se acreditava em comunismo, não como uma ideologia política, mas sim como um ritmo musical. Tanto é assim que Caetano Veloso cantava Soy loco por ti América e Belchior Sou apenas um rapaz latino-americano, enquanto tomavam uísque em Copacabana. Nessa época Che Guevara ainda era tido como um revolucionário e só anos depois é que passou a ser mais conhecido como excelente modelo de camisa de camelô, com o qual granjeou fama.
O raciocínio óbvio é acreditar que Belchior, cheio de dívidas, teria feito um contrato com a Globo para aparecer já que, como todos sabem, nada melhor para isso do que desaparecer. A mídia comprova: muita gente, de que ninguém mais fala, morre de vontade de morrer para voltar a ser comentado. Só assim, ganha novamente as páginas dos jornais e seu enterro sai na revista Caras, com um monte de convidado Vip de óculos escuros. Suzana Vieira, por exemplo, só para aparecer, três anos atrás se apaixonou por um gigolô de 35, mas o coitado morreu. Ávida pelo sucesso ela não desistiu e resolveu repetir a dose com outro de 25. Tem gente dizendo que esse ela não vai precisar matar porque vai morrer antes.
Provavelmente Belchior também pensou nisso (em se matar) mas deve ter sido dissuadido pela ex-mulher, argumentando que nunca viu um suicida com um bigode daquele tamanho.
Sem alternativa, a única saída para Belchior deve ter sido mesmo apelar para a Globo. Dizem que ele devia mais de dezoito mil reais em estacionamentos o que prova que seus shows já não conseguiam fazer sucesso nem em estacionamentos. Também devia aluguéis de apartamentos e pensão de ex-mulheres o que, convenhamos, é razão mais que suficiente para se mandar no rumo da praia de Itapipoca, no Ceará, dependendo do calor e do preço do tira-gosto de rapadura. Essa é a versão do seu sobrinho, o que comprova que a história continua muito nebulosa, mas o certo é que a confirmação de que estaria mesmo no Uruguai vem desfazer de vez soluções muito mais românticas do seu paradeiro e que eram dadas como quase certas pela polícia:
A primeira hipótese é a de que, na verdade, Belchior é o verdadeiro pai do filho de Michael Jackson - que está sendo atribuído a Macaulay Culkin. Michael teria escutado pela Internet uma das canções de Belchior e ficado impressionado com o verso que diz: “Um rapaz alegre, que canta e requebra é demais”. Segundo essa versão, entusiasmado, Michael o teria contratado para trabalhar em seu rancho com a função de divertir e assustar as crianças com seu imenso bigode e teria, por último, sido seu substituto no caixão, durante o primeiro funeral.
Uma segunda hipótese, também romântica, é a de que Belchior teria fugido para tentar traduzir a Divina Comédia, de Dante. Como Dante já teve outras traduções em Português a iniciativa de Belchior só tem uma explicação: estaria tentando traduzi-la para o Cearês ou o Lulês, a pedido do próprio presidente da República. O problema é que, de passagem por São Luis, teria sido preso pela operação Manzuá por causa de seu bigode cheio de farelos de farofa, quando foi confundido com um hippie qualquer. Belchior teria desistido imediatamente de traduzir O Inferno de Dante e começado a compor O inferno no Manzuá, de Belchior.
Qualquer que seja a verdade uma coisa é certa: nenhuma música sua em época alguma sejam As paralelas, Medo de Avião ou Rapaz latino-americano fez tanto sucesso quanto Por onde andará Belchior. Só falta um compositor.


sábado, 29 de agosto de 2009

NAPOLEÃO 2009

Publicação de sábado
da seção Hoje é dia de...
O Estado do Maranhão






NAPOLEÃO 2009

José Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com



De gênio para gênio. De Balzac para Napoleão Bonaparte. Honoré de Balzac, o genial romancista, autor de a Comédia Humana admirava tanto Napoleão que o considerava, além de um gênio da guerra e da política, um gênio literário. Daí que selecionou cuidadosamente os seus principais aforismos, cuja sabedoria, percebe-se, é eterna. Vejam como permanecem sábios até hoje se ligeiramente adaptados.

1. “O maior republicano é Jesus Cristo.”
Certo, embora com alguma alteração. O Jesus mais badalado
atualmente – o de Madonna - deve ser monarquista, pois como se deu bem uma coroa!

2. “O uniforme faz o homem.”
E o abadá, faz o quê do homem?

3. “ Os crimes coletivos não têm responsável.”
Verdade absoluta. O crime coletivo de se apreciar aberrações, como
o big-brother, não tem outro responsável além da própria natureza humana. Nem mesmo o eterno aprendiz de picareta, Pedro Bial, pode ser considerado responsável.


4. “As pessoas só acreditam no que é agradável acreditar.”
Talvez seja por isso que tem gente que acredita piamente que inundar seu carro, as avenidas e as praças, de decibéis a serviço da falta de educação é gostar de música “


5. “Um clube não suporta um chefe durável; ele precisa de um para cada
paixão.”
Certo, principalmente se o clube for de futebol e estiver caindo pelas
tabelas, como os cariocas. Estes trocam tanto de técnico que dia virá em que haverá um técnico para cada jogador e, no Flamengo, um para cada paixão de Adriano.

6. “A primeira das virtudes é a devoção à pátria.”
O brasileiro é tão virtuoso quanto a isso, que o melhor que
conseguiu inventar para demonstrar essa devoção é cantar hino nacional em tudo quanto é jogo de futebol.

7. “Cada momento perdido na juventude é uma chance de infortúnio no
Futuro.”
Deve ser por isso que nenhum pai brasileiro dá de presente um livro
para seu filho. Prefere investir no futuro das crianças levando-os para assistir Calcinha Preta.

8. “O amor é uma tolice feita a dois.”
Exato, mas a tolice aprimorou-se tanto que um casal já não é
suficiente. Precisa de mais três ou quatro; a três por quatro.

9. “Há tantas leis que não há ninguém isento de ser enforcado.”
Com certeza. No Brasil atual, por exemplo, sempre cabe mais uma
lei e ninguém está isento de ser encarcerado porque tomou um copo de cerveja, ou multado porque fumou um cigarro. Só os bandidos andam à solta.

10. “Na França admira-se apenas o impossível.”
A coisa melhorou. Além do impossível, hoje admira-se a Carla
Bruni.

11. “Uma bela mulher agrada os olhos, uma boa mulher agrada o coração;
uma é uma jóia, a outra um tesouro.”
Deve ser por isso que o insaciável médico das estrelas, Roger Ab-del-massih se transformou em Roger Ab-deu-amasso.

12. “As multidões precisam de festas estrepitosas, os tolos gostam do barulho, e a multidão é os tolos.”
Com o passar dos anos a burrice da multidão continuou a mesma,
mas conseguiu se aperfeiçoar, até chegar ao trio elétrico.

13. “Todo governo deve ver os homens apenas como massa.”
Mas que, de preferência, seja boa para uma pizza.

14. “Os jovens cumprem as revoluções que os velhos prepararam.”
Nessa época sim, atualmente, nem tanto. O jovem de hoje não faz
mais revolução, pois carece de rebeldia para isso. (Sua rebeldia atual só dá para bater em professor, gostar de forró e admirar Roberto Justus). Quanto aos velhos, a única revolução que ainda querem fazer é a de tentarem, em vão, ser jovens.

15. “A etiqueta é a prisão do rei.”
Hoje virou endividamento de rico ( com cartão de crédito ),
insolvência dos pobres e SPC dos miseráveis.”




segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Verdadeira História...

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE TANTA COISA
publicado na seção hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, sábado passado

Jose Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com


Verdade? Quem quer saber da verdade? O ser humano não suporta a realidade e inventa tudo a respeito de tudo. Nada como dedicar um pouco de tempo para resgatar a verdade absoluta de tanta coisa:

1. Quem, na realidade, inventou o Big-Brother foi um norte-
americano chamado Charles Pick-Reta.. Garoto de programa e gigolô das ruas de São Francisco, Charles convidava todo sábado piranhas amigas para fazerem suruba no seu pequeno apartamento, acompanhadas de um monte de vagabundos como ele. Charles achava que não fazer nada era o melhor trabalho do mundo, mas mesmo assim, às vezes se enjoava disso.
Certo dia, o grupo resolveu juntar todas as suas economias (na realidade,
dos clientes e sem que estes soubessem) e se mandou para uma fazenda do México a fim de promoverem uma interminável e monumental suruba, com direito a muita conversa idiota e jogos mais idiotas ainda, nos intervalos. Despreocupados com o pudor, cedo perceberam que suas sessões eram visitadas por um monte de gente da pacata região: crianças, casais, prefeitos, religiosos etc. que, ao depararem com o total descaramento do grupo, começaram a se aproximar e a fazer muita festa.
Muito arguto, Charles logo percebeu que quanto mais estúpidos fossem os
diálogos e mais ardentes os jogos sexuais, maior o sucesso junto ao público, até que teve a inspiração de filmar as performances e vende-las para um famoso canal de televisão. Resultado: o Big-Brother tornou-se sucesso de público em todo canto do mundo. No Brasil, muita coisa foi aperfeiçoada - para pior -, como a presença do picareta amador Pedro Bial como animador, no lugar de Charles Pick- Reta.
Para a edição brasileira 2010 já restam pouquíssimas vagas. Quem estiver
disposto a praticar sexo ao vivo e a falar muita imbecilidade em disputa de um milhão de reais, precisa apressar-se.

2.Quem inventou a Lei ( as Leis em geral ) foi um filósofo da antiga Grécia
chamado Putão ( não confundir com Platão, o filósofo, nem com Plutão, o ex-planeta).
Plenamente convicto de que o homem eternamente se moverá pelo instinto e nunca pela razão Putão resolveu inventar algo capaz de alimentar a ilusão de que se poderia escrever algo capaz de regular as atitudes dos homens. O tempo passou, as leis se tornaram um monte de palavras desconexas que ninguém lê ou cumpre, mas, injustamente, o nome de Putão perdeu-se nos confins da História.
Um exemplo recente de ingratidão aconteceu após a implantação da lei Anti-fumo em São Paulo, quando José Serra, mesmo tendo obtido enorme lucro com a extorsão do dinheiro do contribuinte e a divulgação do seu nome nacionalmente, sequer fez menção ao grande Putão.

3. Quem inventou a felicidade foi um guru indiano cego chamado
Makopunakiba.que viveu alguns séculos antes de Cristo. Depois de 50 anos inteiramente dedicados à religião, sem jamais ter tido uma relação sexual, finalmente Makopu obteve o prazer, com a ajuda de uma discípula fiel, ajudada por uma cabra. (Na realidade, o intercurso sexual não aconteceu com a discípula, mas com a cabra, mas Makopu nunca soube disso, por ser cego). Tão entusiasmado ficou que resolveu chamar a isso de felicidade.
Desde então filósofos, religiosos e cientistas ao longo dos séculos tentaram
encontrar, em vão, uma definição precisa do que seja felicidade, esbarrando sempre na dificuldade, proveniente da ignorância, de que na própria origem da palavra está a essência de algo fugidio, e com curto prazo de validade.
Supervalorizada na vida moderna como algo palpável e duradouro
iniciou-se a busca frenética da felicidade, sem desconfiar de que na errônea interpretação do seu significado está o cerne de todos os males da humanidade. Ah, se todos soubessem que tudo começou com uma cabra, quantos suicídios teriam sido poupados! (E quanta péssima leitura de auto-ajuda teria sido evitada!).

4. Quem inventou a burocracia foi o diabo mesmo, embora os homens a tenham aperfeiçoado. Milhares de anos atrás, o diabo, prestes a ser demitido por Deus - por ter sido superado pelos homens na arte da maldade –, resolveu se vingar inventando a burocracia.
Sua autoria diabólica, no entanto, só recentemente foi descoberta. Isso aconteceu duas semanas atrás quando uma anciã de 65 anos tentou obter uma nova carteira de identidade no Shpopping do Cidadão do Reviver, curiosamente criado para evitar a burocracia. Mesmo tendo mostrado a cópia xérox da carteira, C.P.F e título de eleitor o burocrata lhe disse que isso era insuficiente. Teria que apresentar a sua certidão de casamento de quarenta anos atrás ou a de nascimento, de sessenta e cinco.
- Quer dizer que esta cópia que guardei da carteira de identidade não serve para nada?
- Não.
- Então, já que não tenho mais certidão de casamento nem de idade isso
significa que não tenho mais chances de ser alguém? Que desapareci em definitivo, mesmo ainda estando viva?
- Sem dúvida.
- Tanta burocracia parece coisa do diabo!
- Acertou.

sábado, 15 de agosto de 2009

DÁ-LHE SAUDADE

Artigo de hoje, sábado, 15 de Julho do jornal
O estado do Maranhão coluna Hoje é dia de


DÁ-LHE, SAUDADE!

Jose Ewerton Neto, membro da AML.

ewerton.neto@hotmail.com




Que saudade é uma palavra que só existe na língua portuguesa, muita gente sabe. E que expressa um sentimento que mais gente ainda é incapaz de traduzir, quase todo mundo sabe. Só não sabia é que ela foi escolhida em 2004, numa pesquisa com mil tradutores de todo o mundo, como o sétimo vocábulo mais intraduzível do planeta.
Só o sétimo? Calma, leitores, que não estava em jogo a sua beleza mas a sua tradução impossível, não a sua sedução, mas a sua verdade oculta. Esta não foi uma disputa entre países, mas entre suas simbologias universais. Para efeito de comparação, nada como lembrar das palavras que chegaram à primazia.
A campeã foi a palavra Ilunga, dialeto do Congo que significa perdoar uma ofensa uma vez, depois a segunda e, nunca, uma terceira. Ora, por que terceira? Por que não a quarta, ou a quinta? Quem perdoa a primeira e a segunda, perdoa até a milésima, não é assim que fazem os brasileiros com seus políticos? Portanto, tudo indica que essa palavra só não encontra equivalente em outro idioma, pela absoluta falta de necessidade de se pronunciada.
Em segundo lugar ficou a palavra Shlimazl, em iídiche, que significa aquele que tem uma má sorte crônica. Ué, e isso não é a mesma coisa que azarado? Ou terá evoluído para Botafogo, o time que quando o juiz não rouba contra, seus zagueiros fazem as vezes de? De qualquer forma, o que não falta é tradução – e fácil - para a mesma.
E em terceiro ficou Radioukacz (em polonês) que significa pessoa que trabalhou como telégrafo para os movimentos de resistência no lado soviético da cortina de ferro. Ufa!, A palavra é tão difícil de traduzir quanto inútil para qualquer outra nação deste planeta e dos confins de qualquer outro lugar do universo!
Donde se conclui facilmente que sim, que a nossa “saudade” foi mesmo passada para trás. Os juizes a subestimaram, levando-se em conta que a beleza mais profunda de qualquer coisa implica na sua difícil tradução; em outras palavras, no seu mistério. Quer queiram quer não, estava em jogo também o que cada palavra tem de especial. Só para dar um exemplo, basta lembrar que de mulheres bonitas hoje o mundo está cheio (Giseles Bundchens, Carolinas Dieckmans e mais um batalhão interminável de modelos, cada uma cara de um c...da outra) mas, nelas não se encontra a chama sutil e intraduzível da beleza misteriosa, que seja capaz de marcar além de uma apreciação meramente física. Esta não é privilégio das “gentes bonitas” das colunas sociais e, sequer do universo das celebridades, onde é raro ser encontrada da mesma forma com que reluzia - no passado - no rosto para lá de marcante de uma Sofia Loren, por exemplo. Hoje, se permite cintilar, vez por outra, em algumas aparições fugazes de Angelina Jolie, Juliete Binoche.ou Isabelle Adjani, para citar apenas celebridades..
Assim como ocorre com a verdade da beleza humana, também o que atrai na palavra saudade é o fato de transmitir de forma avassaladora (não encontrei outro termo mais apropriado) um sentimento intraduzível, que nenhuma frase, nenhum período, nenhum romance seria capaz de expressar. Que os franceses tentam traduzir por regret – que não é saudade, mas pesar –, e os ingleses como miss - que está mais para sentir falta - e que só alguns poetas, em instantes raros de inspiração ousaram interpretar, provavelmente comprimidos por sua presença como Fernando Pessoa em seu poema: “Saudades, só portugueses conseguem senti-las bem. Porque têm essa palavra para dizer que as têm.”
Dá-lhe, então, até o fim (sem piedade de nossos corações), saudade!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Os pais estão no ponto

Cronica publicada sábado passado na coluna Hoje é dia de
Jornal O Estado do Maranhão


OS PAIS ESTÃO NO PONTO


Jose Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Os pais estão no ponto. Ponto de quê? – pode perguntar-se o leitor. Ponto de receber o presente do dia de amanhã, ponto de ônibus, ou a ponto de um ataque de nervos, como as mulheres de Almodóvar? Nem uma coisa, nem outra, os pais ultra-modernos, em eterna crise de identidade, estão a ponto de serem definidos melhor pelas pontuações gramaticais, as únicas ainda capazes disso. Vamos a elas:

Pai Ponto de Exclamação: É aquele que esbanja otimismo e livro de auto-ajuda. Diz que se cerca do bom e do melhor para o futuro dos filhos. Anda sempre com um sinal de positivo a tiracolo, além do celular e do bucho. Achando-se pessoalmente insignificante vive montado num carro grande, para poder ser admirado à vontade. Adora dizer “Como meu carro é lindo e potente!”, ou ainda “Como minha esposa é tão ativa que trabalha em equipe, todo dia, depois do expediente!” Tanta exclamação contagiosa, desperta igual admiração dos demais: “ Que perfeito chifrudo! Suruba também é trabalho em equipe!”

Pai Ponto Final: É aquele que adora fechar a questão em torno de qualquer assunto polêmico dentro de sua casa. Como do tipo: “Vou esconder a chave do carro até que apareça a minha revista de sacanagem” ou “ Se não disserem quem mexeu na minha caixa de remedinho azul, amanhã mesmo saio desta casa.” Até que, ante o descrédito geral, emite a sentença: “Esta é a minha última palavra, e ponto final.” Todos fingem que concordam até que, meia hora depois, ao sentir falta do seu aparelho de barbear, começa o próximo capítulo.

Pai Reticências. É aquele que deixa tudo no ar a começar pelas cuecas e pelas contas de água e luz. Seu ar indefinido é uma estratégia de resistência para dar tempo ao tempo. Fleumático, foge das definições cotidianas e de reticência em reticência vai levando a vida, até que se aproveita de mais uma delas para escapar dentro da noite veloz.

Pai vírgula. É aquele que vive fazendo de tudo para que perdure o período que está vivendo, qualquer que seja este. O que lhe interessa é companhia, sabe-se lá de quê. É aquele que, nas festas, vive oferecendo atenções para entretenimento geral, sempre lembrando que ainda está por vir a saideira. Para não ficar só é capaz até de participar de passeata de sem-terra. Abandonado pelos filhos que, há muito tempo, preferiram a Internet, deu para levar seu vira-lata para passear na praça. Acaba ficando velho antes do tempo, sem se dar conta de que se tornou apenas uma vírgula no discurso da família e um ponto e vírgula na sentença dos outros.

Pai dois pontos. É aquele que sempre que bebe ou tem alguma contrariedade, chama toda a família, dá uma parada solene e depois deságua um rio de reclamações. Só termina de falar quando percebe que todo mundo foi-se embora e a esposa – ainda bem que tem uma esposa compreensiva –, diz compungida: “Desculpe, filho é que você passou do ponto mais uma vez.”

Pai Ponto de Interrogação. É aquele que quer saber tudo que acontece dentro de casa: quem telefonou, para qual o time torce o namorado da empregada e até se a nova chefe de sua mulher usa bigode. De tanto perguntar nem percebe que hoje em dia ninguém lhe pergunta mais nada, sequer se aquele berro horroroso que se ouviu na noite passada e que durou três horas foi por causa de mais um ataque de estômago.

Pai Entre Aspas. É aquele que faz tudo para se destacar no seio da família e na vizinhança. Desde tocar foguete no meio da rua quando o Flamengo ganha do Friburguense até escutar Márcio Greyck a altos decibéis, de madrugada, para que todo mundo saiba que tem um aparelho de conversão de elepê. Pior é quando tenta puxar a patroa para dançar forró e quase quebra as cadeiras (as da sala e a sua). Se alguém confundir o pai entre aspas, com o entre caspas, não faz muita diferença.

Pai Entre Parênteses. É aquele que precisa ser traduzido para os outros, exaustivamente explicado, senão ninguém entende. A esposa vive repetindo; “Não ligue, meu filho, seu pai é assim mesmo”, ou então, sua mãe, compreensiva: “Ele sempre foi assim desde criança, difícil de entender.” E passa o resto da vida incompreendido até que, por fim, a morte lhe permite um desagravo quando algum parente, pesaroso, afinal diz: “Tinha um gênio incompreensível, mas foi o melhor pai que um filho poderia ter.” Confortado, finalmente, sai da escravidão do entre parênteses para a liberdade de entre as tábuas de um caixão.

Pai Travessão. É aquele que passa o dia rindo das travessuras do filho - que
ninguém consegue mais suportar, a não ser o cachorro da família ( assim mesmo porque é de pelúcia). E diz embasbacado: “Você acha que houve um dia na humanidade um moleque tão travesso como o meu? Também pudera, puxou pro pai, porque ele é um travessinho, e eu um travessão”.

Pai Asterisco. É aquele que nenhum sinal o define ou identifica. O Correio não o encontra, nem a polícia, muito menos as súplicas da mãe e os berros do bebê, de quase um ano. É aquele pai especialista em mandar esperma sem assinatura para o reino das vaginas vindouras e que some tão depressa da vida das mulheres, quanto maior for a disposição delas de doar-lhe um lar. É o sujeito oculto de qualquer oração, inclusive a da mãe da criança, desesperada, um dia antes de ir batalhar nas varas de família: “Meu Deus, fazei com que alguém encontre esse canalha, para que possa fazer o teste de DNA”.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

BONS TEMPOS AQUELES

Cronica publicada na coluna Hoje é dia de, ultimo sábado
no jornal O estado do Maranhão


BONS TEMPOS AQUELES!


José Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com


Existe um livro chamado O Poder do Agora, que está fazendo muito sucesso. Certo, ninguém deve contestar o autor do livro em sua mensagem de que o importante é viver o momento presente. Mas, os bons tempos, os muito melhores tempos serão sempre aqueles, como provam os fatos recentes:



1 Fani Pacheco, ex-bbb, vai virar escritora e lançar o livro Diário secreto de uma ex-bbb, e nele vai expor segredos de sua intimidade, inclusive o de que é bi-sexual. Donde se conclui que quem quiser ser escritor, hoje em dia, se for homem, primeiro tem que ser cantor (Chico Buarque, Gabriel Pensador etc.); já se for mulher primeiro vai ter que dar um bocado ( Bruna Surfistinha, ex-BBBs etc.)
Millor, o humorista, dizia que a maior vontade do escritor era ser rico, e a do rico era virar escritor.
Bons tempos aqueles em que era só vontade de rico!

2. Fenômeno, Imperador e Fabuloso. Dá a primeira impressão de que se trata do herói grego Alexandre da Macedônia, mas, na verdade, trata-se de um trio: Ronaldo, o do Coríntians, Adriano, o do Flamengo e, Fabiano, o do Milan. O que será que eles têm em comum para que o nome de batismo lhes seja insuficiente? Futebol não pode ser, já que Garrincha era muito melhor que eles e era simplesmente Garrincha. Não será porque o corintiano confunde mulher com travesti, e o do Flamengo confunde dia de comer fruta (digo, mulher-fruta) com dia de feriado no trabalho?
Bons tempos aqueles em que jogador de futebol não era fenômeno, nem imperador, nem fabuloso, mas se preocupava também em jogar bola!

3. Um casal francês foi vítima de assalto na Praia Ponta d`Areia à vista da população ao redor, que não teve como reagir. Estavam hospedados na Pousada Colonial, do centro e deles foram roubados celulares, câmera digital, dinheiro e a chave do cofre do hotel. Uma pergunta: faltou alguém do hotel para lhes avisar que São Luis não é Paris, ou eles não entendiam mesmo nada de português e do Brasil atual?
Bons tempos aqueles em que São Luis não tinha turistas, mas, em compensação, também não tinha tanto ladrão!

4. A torcida do Flamengo ficou p... da vida porque Ronaldo, o Fenômeno andou espalhando que a maior torcida do Brasil é a do Coríntians. Pobre torcida do Flamengo! O time não cansa de apanhar em todo campeonato brasileiro e ainda vem o fenômeno mexer com a única satisfação que lhes resta.
Bons tempos aqueles de Zico e cia, Roberto Dinamite, Jairzinho, Romário, Paulo César caju e etc. em que os times cariocas brigavam para ter o melhor time do Brasil e não para ter a maior torcida!

5. Nicolas Sarkozy, o presidente da França, passou mal durante um exercício que estava fazendo com a primeira-dama Carla Bruni, tendo sido levado de imediato para o hospital. Tudo indica que, a fim de passar muito bem Sarkozy acabou passando mal, e ao invés de ir para sua cama de casal bem acompanhado acabou tendo de ir para uma cama de hospital.
Bons tempos aqueles, em que quem fazia os presidentes franceses não dormirem, ao invés da primeira dama era Brigite Bardot, e em que os exercícios sexuais eram solitários, porém mais inofensivos!

6. O corredor Felipe Massa já está fora de perigo após ter levado o impacto de uma mola do carro de Barichello que, ao contrário, do que ocorre normalmente com este, estava em alta velocidade. Como as leis da física podem ser cruéis lá se foi massa contra o Massa.
Bons tempos aqueles em que no carro de Barichello tudo andava devagar, inclusive as molas!

7. Renata Frisson, a Mulher Melão planeja o início da carreira política para o próximo ano, depois de ganhar o título de rainha dos taxistas, seus prováveis eleitores.
Dá para explicar que tipo de evolução fez com que as mulheres passassem a ser chamadas de frutas (meu melão, minha melancia, etc), ao invés de flores ( minha rosa, minha flor) como eram chamadas antigamente?
Como disse um taxista: “Bons tempos aqueles em que se podia chamar uma mulher de flor e o perfume do amor durava muito. Hoje, quando se chama uma mulher de fruta, o amor já vem estragado!”

8. Caetano Veloso, o cantor, resolveu aparecer nu num documentário, motivando o seguinte comentário de sua ex-mulher, Paula Levigne: “Caetano é bem-dotado. O que é bonito é para ser mostrado! ”
As mulheres ficaram sem entender e devem estar achando que bons tempos eram aqueles em que os bem-dotados faziam bom uso dos seus dotes.

9. Dados do IBGE revelam que 96% dos brasileiros jamais foram a museus e 78% jamais assistiu a um espetáculo de dança. Nossa media de livros lidos é de 0,7 por pessoa. Talvez seja em vista disso que está sendo anunciado o vale-cultura. A idéia é a de que seja dado um crédito de 50 reais a serem gastos com produtos culturais pela população mais pobre. Vale perguntar: como tudo neste país é cultura será que o vale vai dar direito também a comprar uma cachacinha quando o povão estiver assistindo a um forrozão do calcinha-preta?
Bons tempos aqueles em que a cultura valia tanto que não precisava de vale! E em que os escritores ganhadores de prêmios na cidade que se intitula A Atenas Brasileira, não eram a aconselhados a irem às barras dos tribunais para receberem os prêmios que lhes devem.