sábado, 17 de outubro de 2009

O NEGÓCIO É GREVAR

Artigo publicado na seção
Hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, sábado,18


O NEGÓCIO É GREVAR

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com




Pois é, fazer greve está na moda. Em menos de um mês já houve greve de correio, de médico, de bancário, de policial e... – nem tenho mais certeza - greve da Caema, o que levou um amigo meu a comentar: “E eu que pensei, olhando para as torneiras lá de casa, que a greve era da água!”
Tanta confusão se explica: são tantas as greves que nunca se sabe quando começa uma nem quando termina outra. Algumas, por não fazerem a menor diferença, outras porque como os funcionários passam mais tempo fazendo greve do que trabalhando, o normal é o estado de greve. Por exemplo: faz tanto tempo que o pessoal da Caixa está em greve que seus clientes já esqueceram de lidar com seres humanos. O dia em que ouvirem uma voz humana, por trás do dinheiro que estão recebendo, vão levar um susto e sair correndo. O que nos leva a recomendar calma, muita calma, porque está vindo mais por aí:

1. Greve de guardador de carro. Reivindicam equiparação salarial aos guardas de trânsito. Alegam que em matéria de arrumar confusão e perturbarem o trânsito, são muito melhores. Queixam-se do árduo trabalho de não fazerem nada o dia inteiro, o que, segundo eles, lhes têm causado dores nos olhos e transtorno bipolar. Pleiteiam correção monetária da atual Tabela de Xingamento, ou seja, querem poder xingar o cliente toda vez em que receberem menos de cinco reais – e, não menos de um real, como é hoje. Exigem a adoção de uma farda oficial que venha substituir suas flanelas velhas e sebosas por uma bandeirinha do Flamengo.
2. Greve de gigolô. Exigem aposentadoria especial por tempo de serviço. Alegam que são forçados a fazerem hora extra em condições insalubres: peles encarquilhadas, perfumes broxantes e botoxes pegajosos. Querem o devido reconhecimento da sociedade (através de carteira profissional de gigolô) para não terem que apelar aos costumeiros disfarces: personal trainings, modelos, ou guardas particulares. Advogam serviço de analista para dar conta dos casos mais desesperados como os de Suzana Vieira, por exemplo. Solicitam, por fim, acesso gratuito a remédios para ereção para que possam atender, sem constrangimento, à grande maioria das clientes.
3. Greve de Cordeiro de Trio Elétrico. Isso mesmo, os cordeiros (aqueles que seguram a corda nas axé-folias ) decidiram entrar em greve para exigir, de imediato, equipamentos de segurança. A saber: protetores de ouvido e óculos de segurança. Os primeiros, para não terem de escutar Bel, do Chiclete, berrando enquanto descem os Béis (pode confundir com decibés). Já, os óculos escuros, para que não sejam obrigados a assistir tanta mulher transando sem poder fazer nada.
1. Greve de vendedor de cedê pirata. Reivindicam, antes de tudo, o reconhecimento definitivo da profissão, a começar pelo nome. Nada de serem chamados de vendedores de cedê, pirateiros, ou outros semelhantes. Sugerem duas alternativas oficiais: Divulgadores de Som (o mais simples) ou Incentivadores da Cultura Popular a partir da Reprodução Sonora Desenfreada. (o preferido pelos sindicatos e pelos intelectuais do Ministério da Cultura). Caso não sejam atendidos ameaçam promover o colapso de 99,9999% de toda produção musical deste país: forró e funk. Já recolheram perto de quinhentas mil assinaturas de apoio, sendo mais da metade oriunda dos componentes das bandas de forró do Ceará.









domingo, 11 de outubro de 2009

A SEMANA EM SALTOS

artigo publicado na seção hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, sábado





A SEMANA EM SALTOS

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


E a semana, mais uma, foi-se aos saltos, como se vê.


1. Suzana em saltos.
“Nasci e fui criada em cima do salto”, disse Suzana Vieira, atriz global, brincando com a repórter, ao comentar sua coleção de 300 pares de sapatos, em lançamento de loja, no Rio.
De fato, Suzana gosta muito de saltos, tanto é assim que depois dos setenta, salta em cima de qualquer gigolô, com menos de trinta anos, que se atravesse em sua frente.

2. Decisão de morte.
“A morte precisou bater em minha porta para me ajudar com a minha decisão” proclamou Robbie Williams, músico, que se internou em 2007 em uma clínica de reabilitação de dependentes químicos.
Tá certo, Robbie! Mas, da próxima vez decida rapidamente, senão dona Morte, ao invés de bater na sua porta, vai fazer seu coração parar de bater.

3. Bebida é a solução!
“Ele bebe todo dia” disse a ex-namorada de Adriano, o imperador do Flamengo, referindo-se ao craque e reclamando do batalhão de mulheres-fruta que o atacante tanto gosta de atacar.
Como Adriano, sem treinar, vem carregando o time do Flamengo nas costas faz muito tempo, o técnico Andrade está pensando seriamente em acabar com qualquer tipo de treinamento. Além disso, vai pedir com urgência para mudarem o cardápio da concentração: barris de chope todo dia e muita fruta ( ou melhor, mulher-fruta).


4. Calcinha de miss.
A miss mundo de Cingapura, Ris Low foi presa depois de fraudar cartões de crédito e comprar dez mil reais em calcinhas. Segundo o jornal “Strait Times” a razão para isso é que a miss tem transtorno bipolar.
Parece que quando pobre rouba, é ladrão, mas, se, for rico vira bipolar. Deve ser por isso que os caras do mensalão nunca foram presos: seus médicos devem ter apresentado laudo de bipolaridade. Aliás, essa doença, tão contagiosa no meio político, voltou a se revelar esta semana. Bote bipolaridade na rapidez com que eles mudam de opinião! (Ou, melhor, de legendas).

5. O cascudo de Lula.
Depois da célebre eleição do Rio para sediar as olimpíadas de 2016, Lula ameaçou dar um cascudo nos atletas brasileiros, se não trouxerem pelo menos uma medalhinha de ouro.
Por medida de segurança e para que os atletas não corram o risco de levarem um cascudo de Lula o comitê organizador da próxima Olimpíada Carioca está tentando incluir a bala perdida como modalidade de esporte olímpico, já a partir de 2016. Como todos sabem, neste caso, o ouro brasileiro estaria garantido.

6. O time das setentonas.
Elza Soares, cantora e ex-amante do famoso driblador, Garrincha, levou um drible de um assaltante em pleno aeroporto de Congonhas. Junto do seu namorado de 40 anos e garantindo que ainda é uma “espoleta” na cama, Elsa, ao mesmo tempo em que ofereceu uma recompensa de cinco mil reais para quem devolvesse o seu lap-top, ainda aproveitou para dar conselhos: “Vão à luta, mulherada, porque quando papai do céu chamar já não vai dar tempo para nada.”
Muita gente se enganou pensando que Elza, com toda essa idade, estava se referindo ao todo poderoso papai do céu, mas a verdade é que - também com todo esse fogo - estava se referindo é ao saudoso Mané Garrincha, sabidamente um ex-predador e, certamente, doido para sair de sua inatividade no céu. É que, carinhosamente, ela, o chamava de papai.

7. Mais um bom de copo.
E o Diego Tardelli, companheiro de Adriano na seleção e na artilharia do campeonato, mostrou esta semana que também é um bom companheiro na arte de se exercitar com uma boa dose de álcool. O homem foi preso por uma blitze que executava, em plena Copacabana pré 2016, mais um episódio da famigerada Lei Seca.
A imprensa marrom já está dizendo que Lula, que gosta de um copo, mas gosta mais ainda de futebol, está providenciando para que a polícia trate de procurar bandido ao invés de perturbar quem bebe, mas faz muito gol. Assim como o humorista Millor Fernandes, que dizia que é preferível ser um alcoólatra famoso do que um alcoólico anônimo, Lula teria dito a um interlocutor privilegiado que prefere um craque fazendo gol morto de bêbado do que um caminhão de perna-pau indo pra missa.

8. Masturbação científica.
Recente pesquisa publicada em jornais e na Internet dá conta de que a prática da masturbação, que já sofreu uma série de preconceitos, está completamente reabilitada. Segundo a tal pesquisa se constantemente exercida serve como preventivo da próstata e tem efeitos medicinais incontestáveis.
Woody Allen, o cineasta e diretor de cinema norte-americano, precisa rever urgentemente, sua frase que dizia que “a grande vantagem da masturbação é a de que você transa com a mulher que você quer”. Como a masturbação científica acabou de provar essa é apenas uma de suas vantagens.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

DICIONÁRIO DA EVOLUÇÃO SEXUAL

cronica publicada sábado na seção
Hoje é dia de... O Estado do Maranhão







DICIONÁRIO DA EVOLUÇÃO SEXUAL

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com

Sempre com o intuito de esclarecer a população sobre um tema muito comentado, porém, pouco conhecido, recentemente foi lançado o Pequeno Dicionário da Evolução Sexual:

1. Adultério. Relações sexuais entre duas pessoas, pelo menos uma sendo casada com uma terceira.
Antigamente o adultério feminino era punido até com a morte, quando então tal atitude era considerada legítima defesa da honra. Hoje sua prática se tornou tão comum - e apreciada por ambas as partes - que passou a ser considerada fundamental para a continuação da união, após a lua-de-mel. Dia virá em que a ausência comprovada de adultério será punida com a morte.

2. Afrodisíaco. Tipo de substancia que produz ereções no
homem, aumentando-lhe e despertando-lhe o desejo sexual, relaxando-lhe as inibições e fortalecendo-lhes as glândulas com maior produção de sêmen.
Já houve época em que reis e príncipes gastavam rios de dinheiro na montagem de caravanas para saírem atrás de pó de chifre de rinoceronte. Hoje, admite-se que o poder é que é afrodisíaco, razão pela qual muitos homens gostam de desfilar com carros potentes e importados acreditando que às custas disso se tornarão objetos sexuais. Como isso não acontece na prática (a mulher apaixona-se pelo carro, mas não pelo homem) o sujeito passa a ter obsessão amorosa pelo próprio veículo, fantasiando sexualmente com o mesmo.

3. Amor platônico. Profunda afeição e amor entre duas pessoas, sem desejo sexual.
Antigamente o amor platônico principiava na adolescência, e só continuava platônico porque não havia tempo de passar para vulcânico ( os pombinhos ficavam velhos e já não havia mais tempo). Na vida atual o amor platônico extinguiu-se quase totalmente porque o amor vulcânico começa muito mais mais cedo ( doze anos para ele e dez para ela)

4. Bissexualidade. Ter desejo sexual por pessoas de ambos os sexos.
Já foi uma forma de relacionamento bastante condenada em
diferentes estágios da civilização. Hoje, pelo contrário, é considerada um tipo de aptidão fundamental para enriquecer o currículo de quem pretende se dar bem em algumas atividades bastante disputadas da vida moderna, como por exemplo, artista de novela ou participante de Big-Brother.

5. Castidade. Qualidade do casto ( que se abstêm de qualquer relação sexual)
Esta forma de sacrifício chegou a ser bastante comum na Idade Média exercida por monges ou pessoas ilustres que pretendiam atingir um elevado nível de espiritualidade. Hoje, tornou-se uma prática muito rara, sendo o caso mais conhecido, o de Kaká ( ex-jogador do Milan ) que, embora tenha se mantido fiel durante algum tempo, desistiu de praticá-la tão logo soube que teria de dormir em companhia de Ronaldinho Gaúcho, no mesmo quarto. Aliás, segundo o humorista Millor Fernandes de todas as aberrações sexuais humanas, essa é a mais estranha.

6. Clitóris. Pequeno órgão de 0,5 a 2,5 centímetros que desempenha papel da maior importância no prazer e no orgasmo da mulher.
Durante muito tempo permaneceu ignorado pela maioria dos homens que nunca fizeram questão de descobri-lo, obedecendo a um impulso egoísta de busca individual do prazer. Com as mais recentes descobertas da medicina e da ciência sua importância para o prazer feminino veio à tona, mas acabou perdendo terreno para o ponto G como objeto de caça masculina . Resultado: muitas mulheres que viraram lésbicas justificam a preferência dizendo que se os homens já não conseguiam achar um que aparece de vez em quando, que dirá outro, que fica escondido.

7. Consolo. Um pênis artificial feito de plástico, borracha ou madeira.
Embora nos tempos rústicos fosse até de madeira, hoje os consolos sexuais preferidos pelas mulheres evoluíram para formatos os mais estranhos e complexos, sendo, a maioria deles, ausente por completo das vitrines das lojas pornôs.
Segundo a Internet, uma população de mulheres equivalente a de uma cidade inteira prefere como consolo um retrato do José Mayer. Já, segundo um amigo meu, que é caminhoneiro, aquelas que se satisfazem plenamente com uma nota de cinqüenta enche muito mais que uma frota de caminhão.

8. Doenças Venéreas. Doenças contagiosas que são transmitidas durante as relações sexuais. As mais comuns são a sífilis e a gonorréia.
Essas doenças chegaram a matar muita gente na época em que não havia antibióticos. Com a evolução da ciência e com os devidos cuidados, tornaram-se doenças controláveis - se ficar só nisso. Portanto, se for apenas a primeira vez, dizem os médicos que não há motivo para pânico: a vida também não passa de uma doença mortal, transmitida pela via sexual.

9. Hímen. Membrana mucosa fina que cobre a abertura vaginal. Como normalmente é rompida pelo pênis por ocasião da primeira relação sexual, existe o mito de que as mulheres sem hímen não são mais virgens.
Ao hímen, realmente, era mais fácil resistir na época que havia amor à primeira vista. Como rapidamente chegou-se a época do amor que ninguém avista, nada se avista. Inclusive, o próprio.
.
10.Espéculo. Instrumento de plástico usado para separar as paredes da vagina durante o exame médico da vagina e do colo do útero.
Sendo de plástico, tal aparelho é relativamente moderno e, como era de se esperar, de desconhecimento geral da maioria dos homens. Portanto, nada de confundir espéculo com espetáculo, embora as palavras sejam muito parecidas. Mas, se o exame em questão for da Juliana Paz será que o nome continua sendo espéculo? Ou será espe-tá-culo?

11.Espermatozóide. A célula móvel sexual masculina produzida nos testículos. Quando um cai na vagina, usa a sua cauda comprida para viajar na direção do útero, à procura de um óvulo para fertilizar.
Decididamente – e não poderia ser de outra forma - desta vez a coisa não evoluiu muito com o passar dos anos a não ser na quantidade de homens que, dizendo-se metrosexuais ( David Beckam, Cristiano Ronaldo e Chiquinho Scarpa) passaram a reconhecer e admirar a própria cauda.

12.Gigolô. Homem geralmente bem aparentado, que vive ás custas de uma mulher.
Em tempos não muito remotos era muito comum a convivência – e sobrevivência desse tipo - com mulheres do mundo da prostituição. Agora ser gigolô virou moda no mundo dos artistas e celebridades da televisão. Tem gente que faz coleção, não é mesmo Suzana Vieira?

13. Fetichista. Pessoa que se sente mais excitada sexualmente por parte do corpo de uma outra pessoa do que pela própria pessoa.
Segundo as pesquisas de opinião, a grande maioria das mulheres modernas tornaram-se fetichistas. E a parte do corpo do homem que elas mais apreciam é a carteira.

14. Óvulo. O ovo produzido pelos ovários. Tem geralmente 1/100 centímetro de diâmetro.
Como o espermatozóide é muito menor, e mede 1/300
centímetro, está explicado ( com 9 meses de antecedência ) a atração
dos machos pelas mulheres altas. Haja salto alto!

15.Ejaculação prematura. Ocorre quando um homem chega ao orgasmo antes que ele próprio e sua parceira assim o desejem.
Trata-se de mais uma conseqüência da ansiedade moderna, o que vem proporcionando incontroláveis expressões de ejaculação prematura, em público. Algumas mais conhecidas: Lula quando recebe ordens de Hugo Chávez; Galvão Bueno quando Ronaldo fenômeno faz um gol; deputados quando conseguem aprovar mais oito mil vereadores.













segunda-feira, 28 de setembro de 2009

TWITTAR, VERBO IRRACINAL

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Jornal O Estado do Maranhão, sábado passado





TWITTAR, VERBO IRRACIONAL


José Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com



Twittar, verbo irracional, conjuga-se assim:
Eu twitto
Tu twittas
Ele twitta
Nós twittamos
Vós twittais
Eles twittam
Uma possível tradução, para quem não sabe, seria:
Eu sou bobo
Tu és idiota
Ele nos faz de idiota
Nós não temos o que pensar
Vós gostais de perder tempo
Eles não têm o que fazer
Provavelmente algum leitor, já me corrigindo, dirá que não existe, na classificação gramatical, verbo irracional. Que existe, sim, verbos transitivos e intransitivos, verbos de ligação, verbos irregulares etc. mas verbo irracional, não.
De fato, temos que concordar. Ao invés de verbos irracionais seria mais correto dizer que existem atitudes irracionais, mas o que teria isso a ver com o verbo, ou a ação de twittar?
Tentemos entender, já que eu também não sabia perfeitamente o que era, tinha apenas uma vaga idéia, quando que me dispus a ler uma reportagem da revista Época. Através dela fiquei sabendo que twittar, grosseiramente, é tomar contacto através de uma ferramenta da Internet com mensagens enviadas a torto e a direito (mais a torto do que a direito) por celebridades sobre suas vidas. Donde surgiu a primeira dúvida: “Que interesse pode ter alguém, minimamente racional, por detalhes cotidianos da vida de uma pessoa, seja celebridade ou não?”
Bem, uma razoável explicação seria a de que o dia a dia dessa tal celebridade fosse pleno de eventos inusitados, recheado de emoções, enfim, guardasse algo fora do comum para despertar curiosidade. Ou então que essa pessoa, possuidora de singular sabedoria fosse capaz de exprimir, através de mensagens, frases de conteúdo edificante para quem se dispusesse a lê-las, assim justificando a perda de tempo. Mas parece que a coisa não é bem por aí, a julgar pelas frases exibidas na reportagem e que são continuamente enviadas por esses “grandes personagens”:
Ivete Sangalo: “Gente amada, vou tomar um banho senão o corpo se acostuma com o fedô, ahahahahah.vou tomar meu bainho pra ficar xero”
Sandy: “A coceira nos braços já passou, sim, obrigada! Sempre acontece isso qdo. eu tomo sol (mesmo q por pouco tempo)...
Preta Gil: “Não tenho nojo do vômito do meu cachorrinho,
como nunca tive do cocô do meu filho”
Angélica: “Chutei um móvel no quarto voltando do banheiro de madrugada...kkkkkkkkkkridículo!!!”
Donde surge a segunda pergunta: “Que interesse pode ter alguém por banalidades cotidianas provenientes de gente tão insípida?” ou ainda: “Será que ao tornar-se celebridade, o indivíduo automaticamente assume o dom de se transformar num manancial de asneiras?”
Porém, - acreditem! - o pasmo sequer chegara ainda ao seu clímax! A reportagem dá conta, a seguir, de que cada uma dessas celebridades têm milhares de seguidores. (Seguidores são aqueles que twittam). Isso mesmo, eles são milhares, e bote milhares nisso: Luciano Huck tem 850 mil, Ivete tem 270 mil, Angélica duzentos mil, Preta Gil cem mil etc. Portanto, uma população muito maior que a de uma cidade como São Luis se presta para isso: fuçar porcarias da insossa vida de gente mais insossa ainda.
Vamos repetir: tem gente que ao invés de ler um livro, tomar um chope, escutar uma música, aprender a tocar um instrumento musical, regar o jardim, pintar ou esculpir, olhar o pôr-do-sol, estudar ou namorar prefere twittar. Eles preferem twittar.
O que me fez imediatamente recordar a frase de um escritor norte-americano que dizia: “99 % dos seres humanos são seres completamente irracionais, o restante são aqueles que têm consciência disso.” Assim, á semelhança das distrações por demais conhecidas: Big-Brother, A fazenda, o Faustão, etc., exemplos em que a pulsão coletiva de toda uma sociedade pelo que há de mais mesquinho, age em contracorrente com qualquer resquício do senso inteligente de que tanto nos orgulhamos, é fácil chegar à conclusão de que, de fato, a ação de twittar, nada mais é que humana, demasiadamente humana, como dizia Nietzche.
Fica, portanto, explicada a razão pela qual o verbo twittar talvez seja realmente um verbo irracional, embora profundamente humano. Para quem faz parte do um por cento acima citado pelo escritor, mas está a fim de tornar-se menos racional e mais humano, conjuga-se assim:
Eu twitto
Tu twittas
Ele twitta
Nós twittamos
Vós twittais
.................


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...O Estado do Maranhão, ultimo sábado

AUTO-ESTIMA EM ALTA

Jose Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com




A auto-estima nunca esteve tão em alta. Em sua reportagem de capa, semana passada, a Revista Isto É, enumera infinitas razões pelas quais o cultivo da auto-estima tornou-se essencial para o bem-estar do homem contemporâneo. Desconfiado da minha, resolvi procura-la, para termos uma conversa importante e definitiva.
- Ei, minha auto-estima, o que está fazendo aí?
- Ora, estou rezando por você.
- Mas, de joelhos?
- Claro, para que minhas preces por você sejam mais bem atendidas.
- Tudo bem, agradeço, mas, pense bem, você não pode ficar nessa posição. Pelo que sei uma boa auto-estima tem que ficar sempre de pé, alta, vibrante, e não de joelhos. Vamos lá, levante-se!
- OK, mas não preciso que você me dê ordens, minha ajuda tem que ser natural e não forçada.
- Penso que não sou eu que tenho de ajudá-la, e sim você a mim. Você é que é minha auto-estima e não o contrário.
- Sei perfeitamente disso, mas sem você não posso fazer nada. Por isso estou a ponto de desistir, pois desconfio que você seja um caso perdido.
- Peraí! Se eu tiver sempre que resolver sozinho as minhas coisas, para que me serve uma auto-estima?
- Quem tem de responder a isso é você, não eu. Faço a minha parte, se você não faz a sua, rezo e peço a Deus.
- O que eu deveria fazer, então?
- Ora, tudo o que os livros de auto-ajuda mandam fazer: você tem que se olhar no espelho todo dia e dizer: “Sou o mais bonito, o mais inteligente, o mais capaz; tem de vibrar quando vê cocô de cachorro no meio da praça; tem que acreditar no pré-sal e no Dunga; cantar o Hino Nacional no campo de futebol e no banheiro; tem que deixar de ouvir o Adágio de Albinoni, que é muito triste, e sair dançando forró toda vez que um idiota passar com seu carro de som a mil decibéis; tem de rezar uma ave-maria para todo motoqueiro que te xingar no trânsito; tem de parar de ler a Bíblia e passar a ler Paulo Coelho; tem de sair dando pulo por causa dos oito mil...
- Oito mil? Você está ficando maluca, nunca ganhei oito mil.
- Ganhou sim, todo brasileiro acabou de ganhar oito mil vereadores.
- Oito mil vereadores? E o que vou ganhar com isso? Como terei de pagar uma conta que não pedi esse é mais um motivo para ficar estressado, você não acha?
- Perfeitamente, isso todo mundo todo mundo sabe , mas quem deseja o benefício da auto-estima tem de ver em toda tragédia uma fonte de otimismo, enfim, tem que acreditar que tudo que surge é para o seu próprio bem.
- Isso significa então que para nos ajudarmos devo
acreditar cada vez mais nas mentiras que nos contam, não é mesmo ?
- Claro, mas quem disse que isso é difícil? Não tem gente que acredita em papai-noel e no Hugo Chávez? Não tem gente que adora o Roberto Justus? Não tem gente que vibra com as imbecilidades do big-brother? Não tem gente que fica radiante com o final feliz de Caminho das Índias?
- Não sei se conseguirei...Esse negócio de olhar para o espelho e dizer que sou mais bonito que o Brad Pitt. E se o espelho não acreditar? Além do mais, ando com uma gastrite.
- É pegar ou largar. Até eu mesma já ando com uma vontade
enorme de partir para outra. Às vezes acho que seria preferível tentar ser bandeirinha de jogo de futebol. Já estão aceitando o sexo feminino.
- Ora, não fique assim... Não suporto vê-la desse jeito. A
verdade é que sempre tive muita simpatia por você, embora discorde de seus métodos, digamos assim. De qualquer forma acho que vou fazer o que você mandou. Por onde começo?
- Comece por acreditar que eu existo.
- Como? Não estou entendendo.
- Isso mesmo! Comece por acreditar que eu, de fato, existo e que todo esse negócio de auto-estima não passa de pura embromação: que não é conversa de revista para vender livro; de psicanalista para tomar seu dinheiro; de celebridade quando não tem o que fazer e de cabeleireiro de perua quando falta assunto.
- Deus do céu, pelo amor de Deus não repita isso! Por favor, jamais confirme que você é uma ilusão. Juro que eu sempre desconfiei, mas mesmo que eu não acredite eu quero acreditar. Por favor!
- Bem, isso não deixa de ser um bom começo já que todo ser humano prefere ser infeliz com uma ilusão do que feliz com a sua verdade.
- Puxa vida! Ainda bem que ao fim desse diálogo estamos nos entendendo. Imagino que agora as coisas começarão a melhorar e não vejo a hora de sair pro abraço. Mas... O que foi isso agora? O que está fazendo?
- Me ajoelhando. Por quê?
- Ora, depois de tudo o que conversamos pensei que você jamais iria fazer isso novamente. Por que se ajoelhou de novo?
- Não se preocupe, não estou rezando mais por você. Sinto que você é daqueles que não precisam da alta da auto-estima para se virar. Desta vez estou rezando é por mim. E por todas as auto-estimas do mundo.




segunda-feira, 14 de setembro de 2009

UM RIO EM SÃO LUIS

Artigo publicado na seção Hoje em dia
de O estado do maranhão, sábado passado


UM RIO EM SÃO LUIS

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com





Não, não estamos falando do Rio Anil ou do Rio Bacanga, mas do Rio de Janeiro, Fevereiro e Março, como dizia Gilberto Gil. Basta refletir um pouco para constatar que as duas cidades se encontram em muitos pontos
Comecemos pelos times de futebol. Se os do Rio começaram a ter especial atração pela segunda divisão, os daqui começaram a ter pela terceira. Pelas cores rubro-negras o Moto teria tudo para ser o Flamengo daqui (como se parecem no futebol que têm jogado, com a vantagem de que, para isso, o Moto nem precisa de imperador). Neste caso, o Sampaio Correia seria o Vasco e o Maranhão o Fluminense, justamente porque O Maranhão ninguém sabe mais se existe, enquanto que o outro - o Fluminense - está se esforçando para isso.
O Rio, como todos sabem, tem como cartão-postal a estátua do Cristo Redentor. Já, São Luis, tem sua equivalente na estátua de Gonçalves Dias. Os dois contemplam o mar lá de cima; um como nosso salvador, o outro, como nosso grande poeta.
Em termos de praias, a do Olho D`Água tem tudo para ser a nossa Copacabana , como, aliás, já foi chamada. Parecem-se desde a poluição, passando pelos “points” e invasões: lá, de morros, aqui de terrenos. O declínio do Olho D`Agua como referência da “juventude dourada” aconteceu quase ao mesmo tempo da outra. Hoje, a tal “gente bonita” parece se concentrar mais na praias do Caolho e Calhau, que seriam as nossas Ipanema e Leblon. O Araçagi, então, seria a Barra da Tijuca, inclusive porque a cidade está se esticando práquelas bandas à semelhança do que aconteceu no Rio. Lá, os arrastões, por aqui o Manzuá.
A Ponta d`Areia com a sua proximidade do centro, e pela poluição visual e arquitetônica, seria equivalente à do Flamengo (ou do Botafogo) com a diferença de que, no Rio, os prédios têm a educação de ficar do outro lado da Avenida. Em São Luis, como todos sabem, ficam por cima da areia, quase invadindo o oceano. (Aliás, como existe em Fortaleza uma praia chamada do Futuro, o mais certo seria mudar o nome da Ponta D`Areia para Praia do Passado, porque um dia já foi ponta e agora não passa de uma pontinha d`água, cercada de edifícios por todos os lados)
Quanto aos bairros, enquanto os do Rio têm nomes exóticos e sonoramente bonitos, como Flamengo, Copacabana, Ipanema, Tijuca, os daqui têm nome de gente, João Paulo, Pantaleão e Filipinho. Se lá tem Santa Teresa aqui tem o Anjo da Guarda. Se lá tem Nossa Senhora de Copacabana aqui vive a Madre Deus (não seria a mesma?). São Cristóvão e Jardim América existem lá e cá. O que no Rio é um estádio de futebol, Maracanã, por aqui virou bairro e o que lá é bairro (Castelo) por aqui virou estádio de futebol.
Poucas são as capitais que se dão ao luxo de invadir suas marés com caminhões de terras, e por aí se vê que até nisso se equivalem. No Rio fica o Aterro do Flamengo, onde construíram um túmulo para homenagear o soldado desconhecido, mas que hoje teria muito mais utilidade se homenageasse os que morrem de bala perdida. Por sua vez São Luis também tem o seu aterro, igualmente grandioso: o do Bacanga. Embora o daqui não tenha túmulo, o que existe de idéia enterrada para tentarem descobrir nele alguma serventia não está escrito!
De santo padroeiro as duas cidades estão bem servidas, embora São Luis leve uma pequena vantagem. Enquanto o único padroeiro do Rio é o que deu nome à cidade: São Sebastião, nossa cidade, tem São Luis, seu santo fundador, e, de quebra, São José de Ribamar. Como a violência carioca está chegando rapidamente por aqui em breve nosso santo protetor terá que pedir ajuda à vasta experiência de São Sebastião: primeiro com flechas, agora com balas.
Se o Rio tem o samba, São Luis tem o bumba-boi. Se o Rio teve Nelson Cavaquinho, São Luis teve João do Vale. Para o pianista Artur Moreira Lima, o violonista Turíbio Santos, para a sambista Beth Carvalho a igualmente sambista Alcione. Para Machado de Assis, Aluízio Azevedo, e para Nelson Rodrigues, Artur Azevedo. Até para as tendências musicais de início-de-século há equivalências, desta vez terríveis: lá, o funk, aqui o forró eletrônico.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

POR ONDE ANDARÁ BELCHIOR

POR ONDE ANDARÁ BELCHIOR

texto publicado na seção Hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, ultimo sábado

O que estaria fazendo numa fazenda Belchior, finalmente encontrado, em Tacuarembó, no Uruguai?
Ora, isso não tem muito a ver com sua antiga profissão de cantor e parece mais coisa de Brizola e João Goulart, que nos idos dos anos 60 gostavam de dar uma de fugitivos por aquelas bandas. Belchior é de uma geração posterior a deles, quando ainda se acreditava em comunismo, não como uma ideologia política, mas sim como um ritmo musical. Tanto é assim que Caetano Veloso cantava Soy loco por ti América e Belchior Sou apenas um rapaz latino-americano, enquanto tomavam uísque em Copacabana. Nessa época Che Guevara ainda era tido como um revolucionário e só anos depois é que passou a ser mais conhecido como excelente modelo de camisa de camelô, com o qual granjeou fama.
O raciocínio óbvio é acreditar que Belchior, cheio de dívidas, teria feito um contrato com a Globo para aparecer já que, como todos sabem, nada melhor para isso do que desaparecer. A mídia comprova: muita gente, de que ninguém mais fala, morre de vontade de morrer para voltar a ser comentado. Só assim, ganha novamente as páginas dos jornais e seu enterro sai na revista Caras, com um monte de convidado Vip de óculos escuros. Suzana Vieira, por exemplo, só para aparecer, três anos atrás se apaixonou por um gigolô de 35, mas o coitado morreu. Ávida pelo sucesso ela não desistiu e resolveu repetir a dose com outro de 25. Tem gente dizendo que esse ela não vai precisar matar porque vai morrer antes.
Provavelmente Belchior também pensou nisso (em se matar) mas deve ter sido dissuadido pela ex-mulher, argumentando que nunca viu um suicida com um bigode daquele tamanho.
Sem alternativa, a única saída para Belchior deve ter sido mesmo apelar para a Globo. Dizem que ele devia mais de dezoito mil reais em estacionamentos o que prova que seus shows já não conseguiam fazer sucesso nem em estacionamentos. Também devia aluguéis de apartamentos e pensão de ex-mulheres o que, convenhamos, é razão mais que suficiente para se mandar no rumo da praia de Itapipoca, no Ceará, dependendo do calor e do preço do tira-gosto de rapadura. Essa é a versão do seu sobrinho, o que comprova que a história continua muito nebulosa, mas o certo é que a confirmação de que estaria mesmo no Uruguai vem desfazer de vez soluções muito mais românticas do seu paradeiro e que eram dadas como quase certas pela polícia:
A primeira hipótese é a de que, na verdade, Belchior é o verdadeiro pai do filho de Michael Jackson - que está sendo atribuído a Macaulay Culkin. Michael teria escutado pela Internet uma das canções de Belchior e ficado impressionado com o verso que diz: “Um rapaz alegre, que canta e requebra é demais”. Segundo essa versão, entusiasmado, Michael o teria contratado para trabalhar em seu rancho com a função de divertir e assustar as crianças com seu imenso bigode e teria, por último, sido seu substituto no caixão, durante o primeiro funeral.
Uma segunda hipótese, também romântica, é a de que Belchior teria fugido para tentar traduzir a Divina Comédia, de Dante. Como Dante já teve outras traduções em Português a iniciativa de Belchior só tem uma explicação: estaria tentando traduzi-la para o Cearês ou o Lulês, a pedido do próprio presidente da República. O problema é que, de passagem por São Luis, teria sido preso pela operação Manzuá por causa de seu bigode cheio de farelos de farofa, quando foi confundido com um hippie qualquer. Belchior teria desistido imediatamente de traduzir O Inferno de Dante e começado a compor O inferno no Manzuá, de Belchior.
Qualquer que seja a verdade uma coisa é certa: nenhuma música sua em época alguma sejam As paralelas, Medo de Avião ou Rapaz latino-americano fez tanto sucesso quanto Por onde andará Belchior. Só falta um compositor.


sábado, 29 de agosto de 2009

NAPOLEÃO 2009

Publicação de sábado
da seção Hoje é dia de...
O Estado do Maranhão






NAPOLEÃO 2009

José Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com



De gênio para gênio. De Balzac para Napoleão Bonaparte. Honoré de Balzac, o genial romancista, autor de a Comédia Humana admirava tanto Napoleão que o considerava, além de um gênio da guerra e da política, um gênio literário. Daí que selecionou cuidadosamente os seus principais aforismos, cuja sabedoria, percebe-se, é eterna. Vejam como permanecem sábios até hoje se ligeiramente adaptados.

1. “O maior republicano é Jesus Cristo.”
Certo, embora com alguma alteração. O Jesus mais badalado
atualmente – o de Madonna - deve ser monarquista, pois como se deu bem uma coroa!

2. “O uniforme faz o homem.”
E o abadá, faz o quê do homem?

3. “ Os crimes coletivos não têm responsável.”
Verdade absoluta. O crime coletivo de se apreciar aberrações, como
o big-brother, não tem outro responsável além da própria natureza humana. Nem mesmo o eterno aprendiz de picareta, Pedro Bial, pode ser considerado responsável.


4. “As pessoas só acreditam no que é agradável acreditar.”
Talvez seja por isso que tem gente que acredita piamente que inundar seu carro, as avenidas e as praças, de decibéis a serviço da falta de educação é gostar de música “


5. “Um clube não suporta um chefe durável; ele precisa de um para cada
paixão.”
Certo, principalmente se o clube for de futebol e estiver caindo pelas
tabelas, como os cariocas. Estes trocam tanto de técnico que dia virá em que haverá um técnico para cada jogador e, no Flamengo, um para cada paixão de Adriano.

6. “A primeira das virtudes é a devoção à pátria.”
O brasileiro é tão virtuoso quanto a isso, que o melhor que
conseguiu inventar para demonstrar essa devoção é cantar hino nacional em tudo quanto é jogo de futebol.

7. “Cada momento perdido na juventude é uma chance de infortúnio no
Futuro.”
Deve ser por isso que nenhum pai brasileiro dá de presente um livro
para seu filho. Prefere investir no futuro das crianças levando-os para assistir Calcinha Preta.

8. “O amor é uma tolice feita a dois.”
Exato, mas a tolice aprimorou-se tanto que um casal já não é
suficiente. Precisa de mais três ou quatro; a três por quatro.

9. “Há tantas leis que não há ninguém isento de ser enforcado.”
Com certeza. No Brasil atual, por exemplo, sempre cabe mais uma
lei e ninguém está isento de ser encarcerado porque tomou um copo de cerveja, ou multado porque fumou um cigarro. Só os bandidos andam à solta.

10. “Na França admira-se apenas o impossível.”
A coisa melhorou. Além do impossível, hoje admira-se a Carla
Bruni.

11. “Uma bela mulher agrada os olhos, uma boa mulher agrada o coração;
uma é uma jóia, a outra um tesouro.”
Deve ser por isso que o insaciável médico das estrelas, Roger Ab-del-massih se transformou em Roger Ab-deu-amasso.

12. “As multidões precisam de festas estrepitosas, os tolos gostam do barulho, e a multidão é os tolos.”
Com o passar dos anos a burrice da multidão continuou a mesma,
mas conseguiu se aperfeiçoar, até chegar ao trio elétrico.

13. “Todo governo deve ver os homens apenas como massa.”
Mas que, de preferência, seja boa para uma pizza.

14. “Os jovens cumprem as revoluções que os velhos prepararam.”
Nessa época sim, atualmente, nem tanto. O jovem de hoje não faz
mais revolução, pois carece de rebeldia para isso. (Sua rebeldia atual só dá para bater em professor, gostar de forró e admirar Roberto Justus). Quanto aos velhos, a única revolução que ainda querem fazer é a de tentarem, em vão, ser jovens.

15. “A etiqueta é a prisão do rei.”
Hoje virou endividamento de rico ( com cartão de crédito ),
insolvência dos pobres e SPC dos miseráveis.”




segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Verdadeira História...

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE TANTA COISA
publicado na seção hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, sábado passado

Jose Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com


Verdade? Quem quer saber da verdade? O ser humano não suporta a realidade e inventa tudo a respeito de tudo. Nada como dedicar um pouco de tempo para resgatar a verdade absoluta de tanta coisa:

1. Quem, na realidade, inventou o Big-Brother foi um norte-
americano chamado Charles Pick-Reta.. Garoto de programa e gigolô das ruas de São Francisco, Charles convidava todo sábado piranhas amigas para fazerem suruba no seu pequeno apartamento, acompanhadas de um monte de vagabundos como ele. Charles achava que não fazer nada era o melhor trabalho do mundo, mas mesmo assim, às vezes se enjoava disso.
Certo dia, o grupo resolveu juntar todas as suas economias (na realidade,
dos clientes e sem que estes soubessem) e se mandou para uma fazenda do México a fim de promoverem uma interminável e monumental suruba, com direito a muita conversa idiota e jogos mais idiotas ainda, nos intervalos. Despreocupados com o pudor, cedo perceberam que suas sessões eram visitadas por um monte de gente da pacata região: crianças, casais, prefeitos, religiosos etc. que, ao depararem com o total descaramento do grupo, começaram a se aproximar e a fazer muita festa.
Muito arguto, Charles logo percebeu que quanto mais estúpidos fossem os
diálogos e mais ardentes os jogos sexuais, maior o sucesso junto ao público, até que teve a inspiração de filmar as performances e vende-las para um famoso canal de televisão. Resultado: o Big-Brother tornou-se sucesso de público em todo canto do mundo. No Brasil, muita coisa foi aperfeiçoada - para pior -, como a presença do picareta amador Pedro Bial como animador, no lugar de Charles Pick- Reta.
Para a edição brasileira 2010 já restam pouquíssimas vagas. Quem estiver
disposto a praticar sexo ao vivo e a falar muita imbecilidade em disputa de um milhão de reais, precisa apressar-se.

2.Quem inventou a Lei ( as Leis em geral ) foi um filósofo da antiga Grécia
chamado Putão ( não confundir com Platão, o filósofo, nem com Plutão, o ex-planeta).
Plenamente convicto de que o homem eternamente se moverá pelo instinto e nunca pela razão Putão resolveu inventar algo capaz de alimentar a ilusão de que se poderia escrever algo capaz de regular as atitudes dos homens. O tempo passou, as leis se tornaram um monte de palavras desconexas que ninguém lê ou cumpre, mas, injustamente, o nome de Putão perdeu-se nos confins da História.
Um exemplo recente de ingratidão aconteceu após a implantação da lei Anti-fumo em São Paulo, quando José Serra, mesmo tendo obtido enorme lucro com a extorsão do dinheiro do contribuinte e a divulgação do seu nome nacionalmente, sequer fez menção ao grande Putão.

3. Quem inventou a felicidade foi um guru indiano cego chamado
Makopunakiba.que viveu alguns séculos antes de Cristo. Depois de 50 anos inteiramente dedicados à religião, sem jamais ter tido uma relação sexual, finalmente Makopu obteve o prazer, com a ajuda de uma discípula fiel, ajudada por uma cabra. (Na realidade, o intercurso sexual não aconteceu com a discípula, mas com a cabra, mas Makopu nunca soube disso, por ser cego). Tão entusiasmado ficou que resolveu chamar a isso de felicidade.
Desde então filósofos, religiosos e cientistas ao longo dos séculos tentaram
encontrar, em vão, uma definição precisa do que seja felicidade, esbarrando sempre na dificuldade, proveniente da ignorância, de que na própria origem da palavra está a essência de algo fugidio, e com curto prazo de validade.
Supervalorizada na vida moderna como algo palpável e duradouro
iniciou-se a busca frenética da felicidade, sem desconfiar de que na errônea interpretação do seu significado está o cerne de todos os males da humanidade. Ah, se todos soubessem que tudo começou com uma cabra, quantos suicídios teriam sido poupados! (E quanta péssima leitura de auto-ajuda teria sido evitada!).

4. Quem inventou a burocracia foi o diabo mesmo, embora os homens a tenham aperfeiçoado. Milhares de anos atrás, o diabo, prestes a ser demitido por Deus - por ter sido superado pelos homens na arte da maldade –, resolveu se vingar inventando a burocracia.
Sua autoria diabólica, no entanto, só recentemente foi descoberta. Isso aconteceu duas semanas atrás quando uma anciã de 65 anos tentou obter uma nova carteira de identidade no Shpopping do Cidadão do Reviver, curiosamente criado para evitar a burocracia. Mesmo tendo mostrado a cópia xérox da carteira, C.P.F e título de eleitor o burocrata lhe disse que isso era insuficiente. Teria que apresentar a sua certidão de casamento de quarenta anos atrás ou a de nascimento, de sessenta e cinco.
- Quer dizer que esta cópia que guardei da carteira de identidade não serve para nada?
- Não.
- Então, já que não tenho mais certidão de casamento nem de idade isso
significa que não tenho mais chances de ser alguém? Que desapareci em definitivo, mesmo ainda estando viva?
- Sem dúvida.
- Tanta burocracia parece coisa do diabo!
- Acertou.

sábado, 15 de agosto de 2009

DÁ-LHE SAUDADE

Artigo de hoje, sábado, 15 de Julho do jornal
O estado do Maranhão coluna Hoje é dia de


DÁ-LHE, SAUDADE!

Jose Ewerton Neto, membro da AML.

ewerton.neto@hotmail.com




Que saudade é uma palavra que só existe na língua portuguesa, muita gente sabe. E que expressa um sentimento que mais gente ainda é incapaz de traduzir, quase todo mundo sabe. Só não sabia é que ela foi escolhida em 2004, numa pesquisa com mil tradutores de todo o mundo, como o sétimo vocábulo mais intraduzível do planeta.
Só o sétimo? Calma, leitores, que não estava em jogo a sua beleza mas a sua tradução impossível, não a sua sedução, mas a sua verdade oculta. Esta não foi uma disputa entre países, mas entre suas simbologias universais. Para efeito de comparação, nada como lembrar das palavras que chegaram à primazia.
A campeã foi a palavra Ilunga, dialeto do Congo que significa perdoar uma ofensa uma vez, depois a segunda e, nunca, uma terceira. Ora, por que terceira? Por que não a quarta, ou a quinta? Quem perdoa a primeira e a segunda, perdoa até a milésima, não é assim que fazem os brasileiros com seus políticos? Portanto, tudo indica que essa palavra só não encontra equivalente em outro idioma, pela absoluta falta de necessidade de se pronunciada.
Em segundo lugar ficou a palavra Shlimazl, em iídiche, que significa aquele que tem uma má sorte crônica. Ué, e isso não é a mesma coisa que azarado? Ou terá evoluído para Botafogo, o time que quando o juiz não rouba contra, seus zagueiros fazem as vezes de? De qualquer forma, o que não falta é tradução – e fácil - para a mesma.
E em terceiro ficou Radioukacz (em polonês) que significa pessoa que trabalhou como telégrafo para os movimentos de resistência no lado soviético da cortina de ferro. Ufa!, A palavra é tão difícil de traduzir quanto inútil para qualquer outra nação deste planeta e dos confins de qualquer outro lugar do universo!
Donde se conclui facilmente que sim, que a nossa “saudade” foi mesmo passada para trás. Os juizes a subestimaram, levando-se em conta que a beleza mais profunda de qualquer coisa implica na sua difícil tradução; em outras palavras, no seu mistério. Quer queiram quer não, estava em jogo também o que cada palavra tem de especial. Só para dar um exemplo, basta lembrar que de mulheres bonitas hoje o mundo está cheio (Giseles Bundchens, Carolinas Dieckmans e mais um batalhão interminável de modelos, cada uma cara de um c...da outra) mas, nelas não se encontra a chama sutil e intraduzível da beleza misteriosa, que seja capaz de marcar além de uma apreciação meramente física. Esta não é privilégio das “gentes bonitas” das colunas sociais e, sequer do universo das celebridades, onde é raro ser encontrada da mesma forma com que reluzia - no passado - no rosto para lá de marcante de uma Sofia Loren, por exemplo. Hoje, se permite cintilar, vez por outra, em algumas aparições fugazes de Angelina Jolie, Juliete Binoche.ou Isabelle Adjani, para citar apenas celebridades..
Assim como ocorre com a verdade da beleza humana, também o que atrai na palavra saudade é o fato de transmitir de forma avassaladora (não encontrei outro termo mais apropriado) um sentimento intraduzível, que nenhuma frase, nenhum período, nenhum romance seria capaz de expressar. Que os franceses tentam traduzir por regret – que não é saudade, mas pesar –, e os ingleses como miss - que está mais para sentir falta - e que só alguns poetas, em instantes raros de inspiração ousaram interpretar, provavelmente comprimidos por sua presença como Fernando Pessoa em seu poema: “Saudades, só portugueses conseguem senti-las bem. Porque têm essa palavra para dizer que as têm.”
Dá-lhe, então, até o fim (sem piedade de nossos corações), saudade!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Os pais estão no ponto

Cronica publicada sábado passado na coluna Hoje é dia de
Jornal O Estado do Maranhão


OS PAIS ESTÃO NO PONTO


Jose Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Os pais estão no ponto. Ponto de quê? – pode perguntar-se o leitor. Ponto de receber o presente do dia de amanhã, ponto de ônibus, ou a ponto de um ataque de nervos, como as mulheres de Almodóvar? Nem uma coisa, nem outra, os pais ultra-modernos, em eterna crise de identidade, estão a ponto de serem definidos melhor pelas pontuações gramaticais, as únicas ainda capazes disso. Vamos a elas:

Pai Ponto de Exclamação: É aquele que esbanja otimismo e livro de auto-ajuda. Diz que se cerca do bom e do melhor para o futuro dos filhos. Anda sempre com um sinal de positivo a tiracolo, além do celular e do bucho. Achando-se pessoalmente insignificante vive montado num carro grande, para poder ser admirado à vontade. Adora dizer “Como meu carro é lindo e potente!”, ou ainda “Como minha esposa é tão ativa que trabalha em equipe, todo dia, depois do expediente!” Tanta exclamação contagiosa, desperta igual admiração dos demais: “ Que perfeito chifrudo! Suruba também é trabalho em equipe!”

Pai Ponto Final: É aquele que adora fechar a questão em torno de qualquer assunto polêmico dentro de sua casa. Como do tipo: “Vou esconder a chave do carro até que apareça a minha revista de sacanagem” ou “ Se não disserem quem mexeu na minha caixa de remedinho azul, amanhã mesmo saio desta casa.” Até que, ante o descrédito geral, emite a sentença: “Esta é a minha última palavra, e ponto final.” Todos fingem que concordam até que, meia hora depois, ao sentir falta do seu aparelho de barbear, começa o próximo capítulo.

Pai Reticências. É aquele que deixa tudo no ar a começar pelas cuecas e pelas contas de água e luz. Seu ar indefinido é uma estratégia de resistência para dar tempo ao tempo. Fleumático, foge das definições cotidianas e de reticência em reticência vai levando a vida, até que se aproveita de mais uma delas para escapar dentro da noite veloz.

Pai vírgula. É aquele que vive fazendo de tudo para que perdure o período que está vivendo, qualquer que seja este. O que lhe interessa é companhia, sabe-se lá de quê. É aquele que, nas festas, vive oferecendo atenções para entretenimento geral, sempre lembrando que ainda está por vir a saideira. Para não ficar só é capaz até de participar de passeata de sem-terra. Abandonado pelos filhos que, há muito tempo, preferiram a Internet, deu para levar seu vira-lata para passear na praça. Acaba ficando velho antes do tempo, sem se dar conta de que se tornou apenas uma vírgula no discurso da família e um ponto e vírgula na sentença dos outros.

Pai dois pontos. É aquele que sempre que bebe ou tem alguma contrariedade, chama toda a família, dá uma parada solene e depois deságua um rio de reclamações. Só termina de falar quando percebe que todo mundo foi-se embora e a esposa – ainda bem que tem uma esposa compreensiva –, diz compungida: “Desculpe, filho é que você passou do ponto mais uma vez.”

Pai Ponto de Interrogação. É aquele que quer saber tudo que acontece dentro de casa: quem telefonou, para qual o time torce o namorado da empregada e até se a nova chefe de sua mulher usa bigode. De tanto perguntar nem percebe que hoje em dia ninguém lhe pergunta mais nada, sequer se aquele berro horroroso que se ouviu na noite passada e que durou três horas foi por causa de mais um ataque de estômago.

Pai Entre Aspas. É aquele que faz tudo para se destacar no seio da família e na vizinhança. Desde tocar foguete no meio da rua quando o Flamengo ganha do Friburguense até escutar Márcio Greyck a altos decibéis, de madrugada, para que todo mundo saiba que tem um aparelho de conversão de elepê. Pior é quando tenta puxar a patroa para dançar forró e quase quebra as cadeiras (as da sala e a sua). Se alguém confundir o pai entre aspas, com o entre caspas, não faz muita diferença.

Pai Entre Parênteses. É aquele que precisa ser traduzido para os outros, exaustivamente explicado, senão ninguém entende. A esposa vive repetindo; “Não ligue, meu filho, seu pai é assim mesmo”, ou então, sua mãe, compreensiva: “Ele sempre foi assim desde criança, difícil de entender.” E passa o resto da vida incompreendido até que, por fim, a morte lhe permite um desagravo quando algum parente, pesaroso, afinal diz: “Tinha um gênio incompreensível, mas foi o melhor pai que um filho poderia ter.” Confortado, finalmente, sai da escravidão do entre parênteses para a liberdade de entre as tábuas de um caixão.

Pai Travessão. É aquele que passa o dia rindo das travessuras do filho - que
ninguém consegue mais suportar, a não ser o cachorro da família ( assim mesmo porque é de pelúcia). E diz embasbacado: “Você acha que houve um dia na humanidade um moleque tão travesso como o meu? Também pudera, puxou pro pai, porque ele é um travessinho, e eu um travessão”.

Pai Asterisco. É aquele que nenhum sinal o define ou identifica. O Correio não o encontra, nem a polícia, muito menos as súplicas da mãe e os berros do bebê, de quase um ano. É aquele pai especialista em mandar esperma sem assinatura para o reino das vaginas vindouras e que some tão depressa da vida das mulheres, quanto maior for a disposição delas de doar-lhe um lar. É o sujeito oculto de qualquer oração, inclusive a da mãe da criança, desesperada, um dia antes de ir batalhar nas varas de família: “Meu Deus, fazei com que alguém encontre esse canalha, para que possa fazer o teste de DNA”.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

BONS TEMPOS AQUELES

Cronica publicada na coluna Hoje é dia de, ultimo sábado
no jornal O estado do Maranhão


BONS TEMPOS AQUELES!


José Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com


Existe um livro chamado O Poder do Agora, que está fazendo muito sucesso. Certo, ninguém deve contestar o autor do livro em sua mensagem de que o importante é viver o momento presente. Mas, os bons tempos, os muito melhores tempos serão sempre aqueles, como provam os fatos recentes:



1 Fani Pacheco, ex-bbb, vai virar escritora e lançar o livro Diário secreto de uma ex-bbb, e nele vai expor segredos de sua intimidade, inclusive o de que é bi-sexual. Donde se conclui que quem quiser ser escritor, hoje em dia, se for homem, primeiro tem que ser cantor (Chico Buarque, Gabriel Pensador etc.); já se for mulher primeiro vai ter que dar um bocado ( Bruna Surfistinha, ex-BBBs etc.)
Millor, o humorista, dizia que a maior vontade do escritor era ser rico, e a do rico era virar escritor.
Bons tempos aqueles em que era só vontade de rico!

2. Fenômeno, Imperador e Fabuloso. Dá a primeira impressão de que se trata do herói grego Alexandre da Macedônia, mas, na verdade, trata-se de um trio: Ronaldo, o do Coríntians, Adriano, o do Flamengo e, Fabiano, o do Milan. O que será que eles têm em comum para que o nome de batismo lhes seja insuficiente? Futebol não pode ser, já que Garrincha era muito melhor que eles e era simplesmente Garrincha. Não será porque o corintiano confunde mulher com travesti, e o do Flamengo confunde dia de comer fruta (digo, mulher-fruta) com dia de feriado no trabalho?
Bons tempos aqueles em que jogador de futebol não era fenômeno, nem imperador, nem fabuloso, mas se preocupava também em jogar bola!

3. Um casal francês foi vítima de assalto na Praia Ponta d`Areia à vista da população ao redor, que não teve como reagir. Estavam hospedados na Pousada Colonial, do centro e deles foram roubados celulares, câmera digital, dinheiro e a chave do cofre do hotel. Uma pergunta: faltou alguém do hotel para lhes avisar que São Luis não é Paris, ou eles não entendiam mesmo nada de português e do Brasil atual?
Bons tempos aqueles em que São Luis não tinha turistas, mas, em compensação, também não tinha tanto ladrão!

4. A torcida do Flamengo ficou p... da vida porque Ronaldo, o Fenômeno andou espalhando que a maior torcida do Brasil é a do Coríntians. Pobre torcida do Flamengo! O time não cansa de apanhar em todo campeonato brasileiro e ainda vem o fenômeno mexer com a única satisfação que lhes resta.
Bons tempos aqueles de Zico e cia, Roberto Dinamite, Jairzinho, Romário, Paulo César caju e etc. em que os times cariocas brigavam para ter o melhor time do Brasil e não para ter a maior torcida!

5. Nicolas Sarkozy, o presidente da França, passou mal durante um exercício que estava fazendo com a primeira-dama Carla Bruni, tendo sido levado de imediato para o hospital. Tudo indica que, a fim de passar muito bem Sarkozy acabou passando mal, e ao invés de ir para sua cama de casal bem acompanhado acabou tendo de ir para uma cama de hospital.
Bons tempos aqueles, em que quem fazia os presidentes franceses não dormirem, ao invés da primeira dama era Brigite Bardot, e em que os exercícios sexuais eram solitários, porém mais inofensivos!

6. O corredor Felipe Massa já está fora de perigo após ter levado o impacto de uma mola do carro de Barichello que, ao contrário, do que ocorre normalmente com este, estava em alta velocidade. Como as leis da física podem ser cruéis lá se foi massa contra o Massa.
Bons tempos aqueles em que no carro de Barichello tudo andava devagar, inclusive as molas!

7. Renata Frisson, a Mulher Melão planeja o início da carreira política para o próximo ano, depois de ganhar o título de rainha dos taxistas, seus prováveis eleitores.
Dá para explicar que tipo de evolução fez com que as mulheres passassem a ser chamadas de frutas (meu melão, minha melancia, etc), ao invés de flores ( minha rosa, minha flor) como eram chamadas antigamente?
Como disse um taxista: “Bons tempos aqueles em que se podia chamar uma mulher de flor e o perfume do amor durava muito. Hoje, quando se chama uma mulher de fruta, o amor já vem estragado!”

8. Caetano Veloso, o cantor, resolveu aparecer nu num documentário, motivando o seguinte comentário de sua ex-mulher, Paula Levigne: “Caetano é bem-dotado. O que é bonito é para ser mostrado! ”
As mulheres ficaram sem entender e devem estar achando que bons tempos eram aqueles em que os bem-dotados faziam bom uso dos seus dotes.

9. Dados do IBGE revelam que 96% dos brasileiros jamais foram a museus e 78% jamais assistiu a um espetáculo de dança. Nossa media de livros lidos é de 0,7 por pessoa. Talvez seja em vista disso que está sendo anunciado o vale-cultura. A idéia é a de que seja dado um crédito de 50 reais a serem gastos com produtos culturais pela população mais pobre. Vale perguntar: como tudo neste país é cultura será que o vale vai dar direito também a comprar uma cachacinha quando o povão estiver assistindo a um forrozão do calcinha-preta?
Bons tempos aqueles em que a cultura valia tanto que não precisava de vale! E em que os escritores ganhadores de prêmios na cidade que se intitula A Atenas Brasileira, não eram a aconselhados a irem às barras dos tribunais para receberem os prêmios que lhes devem.

terça-feira, 28 de julho de 2009

OS CÃES NOS VENCERAM

Artigo publicado no jornal O Estdo do Maranhão, sabado passado


OS CÃES NOS VENCERAM


ewerton.neto@hotmail.com
artigo publicado na coluna Hoje é dia de, Estado do Maranhão, sábado



Um dos maiores orgulhos da raça humana é a crença de que, por ter sobrevivido até hoje, o homem é superior e distinto das demais espécies. Engano crasso, pois aí estão outros animais que sobreviveram melhor aos séculos como ratos, mosquitos e... cachorros. Poucos duvidam que, depois que a raça humana se for, restarão para sempre os indefectíveis mosquitos, ratos e baratas. E os cachorros, sobreviverão? Não interessa, o que importa é que hoje vivem muito melhor que os seres humanos conforme mostra recente reportagem da revista Veja, desta semana. Eis alguns breves tópicos dessa trajetória vitoriosa:

1. Os cães eram lobos há muitos anos. Ninguém sabe como é
que se adaptaram à convivência humana. Provavelmente, logo viram que a proximidade lhes era providencial para ganhar comida, cama e roupa lavada em troca de um servicinho aqui, outro ali. Se com isso perderam características como a intrepidez natural, de animais selvagens, em compensação as substituíram pelo arsenal de qualidades oportunistas dos seres humanos: dissimulação, vaidade, covardia e... Eis que sobreviveram e estão aí até hoje. Enquanto isso, seus ancestrais, os lobos...

2. Os cães levaram uma grande vantagem, ao longo dos
séculos, com essa história de melhor amigo do homem. Ora, se os humanos jamais praticaram e entenderam esse negócio de amizade, cedo haveria de surgir um vácuo de carência afetiva, onde colocariam a primeira raça que deles se aproximasse. O fato de que, vez por outra, atitudes caninas de lealdade sejam registradas e louvadas, não seria apenas porque estas sejam tão raras no gênero humano? Por outro lado, quantas e quantas vezes crianças e velhinhas não foram trucidadas por cães? Que história é essa de melhor amigo? Isso mais parece história para boi dormir, ou melhor, para cachorro cochilar. Na poltrona do papai.

3. Igualmente muito espertos, jamais quiseram aprender a
linguagem humana. Cedo aprenderam que a origem de todos os problemas humanos nasceu com a linguagem: casamentos que não sobrevivem, amizades que não duram, leis que não funcionam etc. tudo por causa do excesso de palavras. Daí que se até hoje os cães latem, isso é para que os seres humanos jamais saibam o que estão pensando, demonstrando assim que se especializaram ao longo dos séculos em usar a incompreensão e o silêncio em proveito próprio. Com isso se tornaram melhores filhos, melhores amigos e até melhores amantes que os seres humanos. Não é isso mesmo, peruas carentes?

4. Eternamente empolgados consigo mesmos eis que, completados 40 anos da conquista da lua (?), os homens se esqueceram de que quem primeiro saiu da órbita terrestre não foi um homem, o russo Gagarin, mas a cachorrinha Laika, hoje esquecida e injustiçada. A diferença é que os cachorros, mais sábios, nunca mais se prestaram a aventuras inúteis, enquanto os homens continuaram insistindo com elas, gastando rios de dinheiro para encontrarem pedaços de rochas, mais devastadas que as do sertão do Ceará. Cães, aliás, sempre foram muito mais pragmáticos: a única viagem em que embarcam, sem lucro à vista, é a do próprio enterro.

5. Hoje os cachorros gozam de privilégios que os humanos não têm. Existe 1 pet-shop para cada conjunto de 1200 cães, enquanto o número de farmácias é de uma para cada 2600 humanos. Cães desfilam de um lado para outro em carrinhos de bebês, vão para cabeleireiro, dormem no sofá de analistas e dia virá em que a grande preocupação da comunidade científica será tentar descobrir onde é que fica o ponto G das cadelas. Outra grande diferença se refere à assistência médica. Enquanto as carteirinhas dos planos de saúde dos humanos não dão direito a nada, um cão é atendido rapidamente em clínicas especializadas sem que seja preciso apresentar sequer carteira de identidade.

6. Nada porém é mais emblemático da vitória dos cães do que
o cocô. Enquanto os humanos têm nojo das próprias fezes e, quando vêem um igual defecando na rua, chamam a polícia e lhe atiram pedras, quando se trata de um cão, riem, fazem gracinhas e só faltam cantar parabéns para cada monturo que aparece. Seus donos fazem fila para assisti-los defecar nas praças, com o mesmo prazer que estivessem assistindo ao show do funeral de Michael Jackson. Quando os animais terminam, lá permanecem as fezes, enfeitando os caminhos como se fossem flores ao nível do chão. Ninguém limpa, ninguém acha que isso seja falta de educação; o que nos leva a uma curiosidade final. Será que se ao invés, o cachorro é que fosse o dono e levasse o humano para passear, não saberiam ter a educação de limpar seus dejetos?
Possivelmente não, embora isso pudesse ter acontecido muito tempo atrás, quando os cães ainda tinham educação. Agora é tarde, eles já aprenderam com os seres humanos.

domingo, 26 de julho de 2009

Os cães nos venceram





OS CÃES NOS VENCERAM


ewerton.neto@hotmail.com
artigo publicado na coluna Hoje é dia de, Estado do Maranhão, sábado



Um dos maiores orgulhos da raça humana é a crença de que, por ter sobrevivido até hoje, o homem é superior e distinto das demais espécies. Engano crasso, pois aí estão outros animais que sobreviveram melhor aos séculos como ratos, mosquitos e... cachorros. Poucos duvidam que, depois que a raça humana se for, restarão para sempre os indefectíveis mosquitos, ratos e baratas. E os cachorros, sobreviverão? Não interessa, o que importa é que hoje vivem muito melhor que os seres humanos conforme mostra recente reportagem da revista Veja, desta semana. Eis alguns breves tópicos dessa trajetória vitoriosa:

1. Os cães eram lobos há muitos anos. Ninguém sabe como é
que se adaptaram à convivência humana. Provavelmente, logo viram que a proximidade lhes era providencial para ganhar comida, cama e roupa lavada em troca de um servicinho aqui, outro ali. Se com isso perderam características como a intrepidez natural, de animais selvagens, em compensação as substituíram pelo arsenal de qualidades oportunistas dos seres humanos: dissimulação, vaidade, covardia e... Eis que sobreviveram e estão aí até hoje. Enquanto isso, seus ancestrais, os lobos...

2. Os cães levaram uma grande vantagem, ao longo dos
séculos, com essa história de melhor amigo do homem. Ora, se os humanos jamais praticaram e entenderam esse negócio de amizade, cedo haveria de surgir um vácuo de carência afetiva, onde colocariam a primeira raça que deles se aproximasse. O fato de que, vez por outra, atitudes caninas de lealdade sejam registradas e louvadas, não seria apenas porque estas sejam tão raras no gênero humano? Por outro lado, quantas e quantas vezes crianças e velhinhas não foram trucidadas por cães? Que história é essa de melhor amigo? Isso mais parece história para boi dormir, ou melhor, para cachorro cochilar. Na poltrona do papai.

3. Igualmente muito espertos, jamais quiseram aprender a
linguagem humana. Cedo aprenderam que a origem de todos os problemas humanos nasceu com a linguagem: casamentos que não sobrevivem, amizades que não duram, leis que não funcionam etc. tudo por causa do excesso de palavras. Daí que se até hoje os cães latem, isso é para que os seres humanos jamais saibam o que estão pensando, demonstrando assim que se especializaram ao longo dos séculos em usar a incompreensão e o silêncio em proveito próprio. Com isso se tornaram melhores filhos, melhores amigos e até melhores amantes que os seres humanos. Não é isso mesmo, peruas carentes?

4. Eternamente empolgados consigo mesmos eis que, completados 40 anos da conquista da lua (?), os homens se esqueceram de que quem primeiro saiu da órbita terrestre não foi um homem, o russo Gagarin, mas a cachorrinha Laika, hoje esquecida e injustiçada. A diferença é que os cachorros, mais sábios, nunca mais se prestaram a aventuras inúteis, enquanto os homens continuaram insistindo com elas, gastando rios de dinheiro para encontrarem pedaços de rochas, mais devastadas que as do sertão do Ceará. Cães, aliás, sempre foram muito mais pragmáticos: a única viagem em que embarcam, sem lucro à vista, é a do próprio enterro.

5. Hoje os cachorros gozam de privilégios que os humanos não têm. Existe 1 pet-shop para cada conjunto de 1200 cães, enquanto o número de farmácias é de uma para cada 2600 humanos. Cães desfilam de um lado para outro em carrinhos de bebês, vão para cabeleireiro, dormem no sofá de analistas e dia virá em que a grande preocupação da comunidade científica será tentar descobrir onde é que fica o ponto G das cadelas. Outra grande diferença se refere à assistência médica. Enquanto as carteirinhas dos planos de saúde dos humanos não dão direito a nada, um cão é atendido rapidamente em clínicas especializadas sem que seja preciso apresentar sequer carteira de identidade.

6. Nada porém é mais emblemático da vitória dos cães do que
o cocô. Enquanto os humanos têm nojo das próprias fezes e, quando vêem um igual defecando na rua, chamam a polícia e lhe atiram pedras, quando se trata de um cão, riem, fazem gracinhas e só faltam cantar parabéns para cada monturo que aparece. Seus donos fazem fila para assisti-los defecar nas praças, com o mesmo prazer que estivessem assistindo ao show do funeral de Michael Jackson. Quando os animais terminam, lá permanecem as fezes, enfeitando os caminhos como se fossem flores ao nível do chão. Ninguém limpa, ninguém acha que isso seja falta de educação; o que nos leva a uma curiosidade final. Será que se ao invés, o cachorro é que fosse o dono e levasse o humano para passear, não saberiam ter a educação de limpar seus dejetos?
Possivelmente não, embora isso pudesse ter acontecido muito tempo atrás, quando os cães ainda tinham educação. Agora é tarde, eles já aprenderam com os seres humanos.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão, ultimo sabado

SOBREVIVENTES DOS PENSIONATOS

José Ewerton Neto, engenheiro, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com




São eles: jovens, lutadores, intrépidos. Antigamente moravam em repúblicas, hoje moram em pensionatos. As repúblicas eram mais fechadas: clubes de Luluzinha e Bolinha, os pensionatos de hoje são abertos, permitem a convivência dos sexos. Antigamente os das repúblicas queriam mudar o mundo, mas o sonho acabou, disse John Lennon, e os do pensionato, hoje, mais pragmáticos, só querem o justo sucesso, encarando os reveses da vida com muito humor e ironia. Usando um pouco dessa verve , que lhes é tão característica, destacamos alguns dos seus tipos mais comuns:


Rafinha, 22, estudante de fisioterapia. Diz que gostava mesmo era de fitoterapia, mas acabou confundindo-se e fazendo vestibular para fisioterapia. É considerado a alegria da casa, principalmente no fim do mês, porque é o único que ainda tem grana para emprestar para a turma. Vive trocando a pronuncia das palavras. E-mail, pronuncia eu meio, e Google pronuncia gagogo. Os outros desconfiam que isso não passa de uma estratégia para não dar a impressão de que seu português é ruim assim mesmo Além de trocar palavras troca também namoradas, chaveiros de times de futebol e cedês piratas. Ultimamente, anda na fase de tentar trocar suas respostas nas provas, com quem não for muito esperto.
De onde veio: da barriga de sua mãe
Apelido: Rafael
Despesas mensais: 700 da faculdade mais 400 com jogos de qualquer espécie, mas o que mais aprecia é jogar suas apostilas no lixo. O dinheiro do pensionato, empresta a juros.

Patricia, 25, estudante de psicologia. Considera-se a musa do pensionato, desde que foi eleita numa eleição indireta, apenas com a presença de sua colega de quarto. Na eleição direta, com a presença da maioria, ao invés de musa foi eleita a me-usa. De personalidade conflitante, tem horror a ser considerada Patricinha, a ponto de pedir para ser chamada Teresinha mesmo tendo o nome de Patrícia. Instável, sabe brigar, pelos seus direitos e reivindica a três por quatro o direito de poder usar calcinhas alheias. Voluntariosa, sabe armar um barraco com mais perfeição do que consegue ligar um liquidificador. Cozinha tão bem que deixa todo mundo com água na boca, já que o melhor das refeições que prepara é a água que distribui depois. Não sabe concluir uma frase sem que use o “doido” ou “doida” e como também não sabe iniciar uma frase sem que use o “doido” ou “doida” todo mundo, acha que, no fundo, ela quer ser psicóloga para descobrir o que existe no meio do que não diz.
De onde veio: Da praia ( sempre)
Apelido: Patê: Pa de patrícia e tê de Teresinha.

Celina, 22 é estudante de direito. Jamais passa despercebida, porque seu principal meio de comunicação é um grito. Quando fica rouca de tanto gritar ás vezes pede emprestado o grito da colega. De manhã, aproveita o canto do galo ou o latido do cachorro da vizinha. Solitária, já tentou por várias vezes namorar pela internet mas gritou tanto que assustou o cara do outro lado. Gosta de ouvir música de fossa e forró. Seu professor de Direito Constitucional lhe explicou que o que há de comum entre os dois ritmos é a referência à merda: o primeiro no nome, o segundo na qualidade.
Despesas mensais; 800 da faculdade, 400 do pensionato e alguns pensamentos.
Tempo de pensionato. Faz tanto tempo que tem a impressão de que está virando pos-graduada em pensionato.

Luana, 33, estudante de odontologia. Resolveu entrar na faculdade de Odontologia na esperança de um dia conseguir tirar um aparelho dentário, que carrega desde o tempo de criança (desconfia que era de sua mãe) Muito carente chora até quando lê bula de remédio que, juntamente com O Alquimista, de Paulo Coelho, é o seu romance predileto. Morre de saudade da família, do namorado e, às vezes, até das namoradas do mesmo. Quando existem sessões de vídeo na casa e passa filme de terror, ela se lembra de sua primeira aula prática extraindo um dente, grita tanto que vira a atriz principal.
Apelido: (bebê de proveta, por causa do tamanho). Explica que até hoje sua caligrafia é péssima, por ser tão baixinha que nunca conseguiu escrever uma letra maiúscula.
Despesas mensais: mil reais da faculdade, mais pensionato, mais o que paga para um rapaz de 18 anos - um flanelinha, que ela gratifica para fingir que é seu namorado e lhe levar para show de forró e Vale Festejar.

Rosiris, 24, estudante de engenharia. Já tinha na bagagem experiência em pensionato, quando morava em Teresina. Sua mala é tão grande que tem gente que desconfia que ao tentar trazer o pensionato junto, descobriu sua vocação de engenharia. Acredita que toda experiência é válida pelo amadurecimento pessoal, por isso prefere frutas maduras, filmes maduros, professores maduros, e um coroa maduro - para que a sua juventude seja menos dura. É a mais descolada da casa, vive se soltando de si; as amigas, desesperadas, tentam cola-la de volta mas não tem jeito: só vários dias depois que passa a ressaca. Fã de Norah Jones teve de deseducar seus ouvidos para poder encarar as forrós e os reggaes, tão disputados pelo resto da turma. Acabou deseducando também os dedos dos pés que raramente vêm um desodorante e os das mãos, que costumam avançar em busca de melecas - no nariz dos outros.
De onde veio: lembra-se vagamente que estava num berço de hospital
Tempo de pensionato: dois invernos, quatro verões e Vocês verão!

Alvadina, 24, É a CDF oficial do pensionato e o CPF também, já que ela costuma empresta-lo como objeto de utilidade pública pois é única da casa ( e da rua) cujo nome não está no SPC. Faz duas faculdades Arquitetura e Administração, mas acha que não vai conseguir passar em nenhuma, porque até hoje não soube administrar o tempo para arquitetar uma vingança contra quem lhe chama de Dina-ssaura. Chega sempre de noite varada de fome e, às vezes, de vara mesmo. Sua ânsia de estudar é tão grande que coleciona frases de Lairton dos Teclados, notas baixas em matemática e editais de concursos, o ultimo dos quais o da Raposa, onde passou dois dias na fila para se inscrever no concurso de merendeira.
De onde veio: do Piauí
Apelido: Dinas-saura
Despesas: do Pensionato, mais despesas sociais, mais despesas de concursos.

Fernando, 23 estudante de medicina. Divide o tempo entre a faculdade, a namorada, o violão e o trabalho – não oficial - de guardador de carro na Praia Grande. De lá tira o dinheiro para pagar a faculdade no fim do mês. Dá que sobra. Considerado o mais preguiçoso da casa não vai até a esquina a pé, porque a preguiça não deixa. Ele explica que isso são ossos do ofício, porque para trabalhar e estudar não precisa arredar o pé. (Embora seja péssimo em Anatomia, ele diz que desse tipo de osso ele entende.) Quando está cansado começa tocar violão, para que todos saiam de casa e ele possa dormir tranqüilo.
Apelido: Milionário
Despesas: Neste fim de ano compra um carro. Já comprou até a carteira de motorista, com o cartão de crédito da Íbis CA

Ligia, 19. estudante de enfermagem.
É a mais calada da casa por isso tem gente que anda querendo usar a sua boca para que esta não perca o prazo de validade. Quando, raramente, abre a mesma solta pérolas do tipo: sou louca por dinheiro! Ou seja, custa tanto a falar que quando fala a frase já vem vencida, usada e abusada. Já teve vontade de explodir quando queria estudar e os outros não deixavam, mas ficou com medo do barulho passar a ser mais requisitado do que o som de axé do som de Rosiris. Tem uma tosse crônica, que ela diz que é sotaque do Ceará.
De onde veio: do Ceará, ou melhor, de uma banda de forró
Despesas mensais: o pensionato, a faculdade, mais o que ela escuta de graça.
Apelido. Os outros nunca perderam tempo em colocar porque, como ela não fala, nem vale a pena ficar chateada.

sábado, 11 de julho de 2009

A LINGUA DO SANTO

Artigo publicado no Jornal O estado do maranhão, neste sábado,


A LÍNGUA DO SANTO


José Ewerton Neto, membro da AML, autor Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com


Muita gente fala sobre o culto religioso afro-brasileiro sem ter conhecimento de causa e pronuncia certas palavras sem saber ao certo o que significam. Num esforço de tornar esse significado mais accessível eis uma modesta tentativa de entende-las, adaptando-as ao nosso cotidiano.



1. Amaci. Banho de ervas sagradas, usado para purificação.
Eis aí o que deve estar faltando para grande parte dos políticos brasileiros, sempre tão contestados. Antes de tomar posse todos deveriam praticar um amaci. Haja erva!

2. Axé. Energia vital. Força espiritual da natureza.
O que têm a ver com isso o ritmo baiano denominado axé? Em vez de energia vital, energia elétrica, em vez de força espiritual, força em decibéis. Em vez de uma dupla (energia vital e força espiritual) um trio elétrico. Não deveria ser Axé-music, mas Ache-música.

3. Agô. Licença, permissão, perdão. Ex. “Agô, meu pai!”
Dizem que a turma do PT está doida para adaptar-se à língua do santo como forma de melhor exaltar Lula, mais ou menos como era reverenciado ACM na Bahia. “Agô, presidente Lula, nosso pai!”

4. Bori: Ritos para o fortalecimento espiritual da cabeça (ori ) de uma pessoa, por meio de oferecimento de alimentos Ex. “Dar comida ao ori.”
A bolsa-família, portanto, não passa de uma espécie de Bori, do governo Lula para o povo. Deu tão certo, (não só espiritualmente) que o povo ficou de cabeça feita para o resto da vida.

5. Corpo fechado. Proteção contra inimigos e má sorte, obtida por meio de rituais como a abertura de pequenas incisões na pele, em que pós mágicos são inseridos.
A maioria das atrizes da tevê vive dizendo que têm o corpo fechado contra as intrigas das concorrentes e da imprensa. Pois é, quanto mais corpo fechado, mais abrem as pernas.

6. Descarrego. Ritos ( banhos, passes , oferendas etc.) para afastar as energias negativas e abrir os caminhos de uma pessoa.
O descarrego de Dunga, técnico do Brasil, tem dois nomes: mediocridade ( dos demais times ) e Luis Fabiano.

7. Equede. Cargo do candomblé reservado às mulheres que não entram em transe. Uma de suas funções é auxiliar os membros do terreiro quando incorporados.
Suzana Vieira e Ana Maria Braga acham que poderiam ser equedes. Elas juram que só entram em transe quando vêm rapazinhos cafajestes, com idade para serem seus netos.

8. Encosto. Perturbações atribuídas aos maus espíritos ou a energias negativas.
Os técnicos Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo, depois de demitidos correram para a imprensa para jurar que ficaram assim por causa de um encosto. Querem fazer acreditar que seus fracassos nada têm a ver com o fato de serem dois incompetentes, disfarçados de sumidades.

10. Odara. Bonito, saudável, equilibrado, ereto, duro e grande.
Caetano Veloso fez uma música com esse nome. Com certeza, não se inspirou em si mesmo.

8. Obsessão. Perturbação de origem espiritual.
Toda obsessão tem origem difícil. A obsessão de Lula pelo Coríntians a ponto de fretar um avião para papagaiar os jogadores do time depois de uma modesta conquista (menosprezando assim todos os demais times brasileiros) talvez seja apenas uma obsessão meio boba, de origem espiritual. Será? Nem assim se explica.

11. Ponto Riscado. Desenho ou digrama feito pela entidade espiritual no chão do terreiro contendo os símbolos que a identificam.
As autoridades francesas que, até agora, não deram resposta sobre a causa da queda do Air Bus ( e nem vão dar) deveriam se mancar e pedir a ajuda de um pai de santo, para substituir a parafernália dos seus computadores de bordo por um ponto riscado. Ficaria muito mais seguro.
12. Orixá. Nome genérico das divindades usado no terreiro de rito nagô ou queto.
Como no Brasil todo mundo se julga ou é tratado como divindade ( de Ronaldo fenômeno a Ivete Sangalo, passando por Paulo Coelho e qualquer BBB) está explicado porque no terreiro Brasil as únicas divindades que não faturam com isso são os orixás.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

UM CONTRATO PARA MICHAEL(JOHN E ELVIS)


UM CONTRATO PARA MICHAEL (JOHN e ELVIS)



“De todos os mecanismos de fuga a morte é o mais eficaz.” H.L.Mencken



José Ewerton Neto, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com




Em algum momento, morte e vida parecem estabelecer um contrato em relação ao futuro de alguns seres humanos. Como se a vida dissesse : “Quero que estes sejam meus e suas trajetórias sejam fulgurantes” e a morte concordasse, mas impondo suas condições: “Tudo bem, mas assim que começar a decadência, eu os arranco para mim.” Assim, nesses seres especiais, escolhidos em meio à horda humana vão se conjugar talento, fama, dinheiro, solidão, stress, decadência e morte precoce. Ou será apenas por coincidência que Elvis Presley, John Lennon e Michael Jackson, os símbolos máximos da música pop e da juventude moderna, tenham tido trajetórias de vida tão parecidas?


Talvez, mas como se pareceram desde o início! Infância conturbada (recente biografia de John sugere que ele tinha relação incestuosa, não resolvida, com a mãe, e o menino Jackson sofria com os estupros que seu pai praticava com uma de suas irmãs), juventude arrebatadora à reboque de talento precoce, vida adulta transbordante de drogas, amores insatisfeitos, e fama, muita fama. A montanha de dinheiro surge como conseqüência e não como principal objetivo. Afinal de contas, o móvel de suas vidas é a fama e o brilho: a consciência do próprio talento não os deixam raciocinar com a mente chã dos carreiristas de multinacionais e órgãos públicos. Alguém há de ponderar que os Beatles ainda não morreram todos e que John não tombou de overdose, mas foi assassinado.


Enganam-se; pois os Beatles já estavam mortos desde que se fragmentaram (o sonho acabou, dissera John e ele sabia melhor que ninguém que a vida acaba quando o sonho acaba). Sua morte, por mãos estranhas, apenas incorporou o trágico para emoldurar o tédio de quem não suportaria a decadência no rumo do homem comum, ao aceitar, como válvula de escape para suas indagações artísticas e existenciais, a convivência com uma artista vulgar e sem brilho como Yoko Ono. Como se a morte - do contrato acima - tentasse preservar o ídolo, transformando-o em mito, para que ele não aportasse à velhice anódina e quotidiana, própria dos que envelhecem à deriva de um brilho que já não há, como tantos artistas – só para lembrar os do ramo musical brasileiro- Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento e outros. Noel Rosa, outro que morreu cedo, claro, é de outra estirpe.


O apogeu desses três músicos, a ponto de terem se transformado em lendas, não teve raízes apenas no talento, mas no fato de incorporarem, em determinado instante de suas vidas, a tradução das aspirações de jovens cuja “rebeldia sem causa”, inerente ao universo de perspectivas conflitantes num universo cada vez mais inseguro, escolhe na música e no comportamento de seus ídolos, o escoadouro para seus horizontes limitados. Elvis Presley, o primeiro, encarnou com seus requebros e sua música sedutora, a promessa visual dessas realizações. John Lennon (os Beatles), inspirado no primeiro, projetou a fugaz possibilidade de um universo novo, contestador e realizável; e Michael, Jackson, embora perdido nas elucubrações de um novo poder; o midiático, num mundo já fragmentado e sem ilusões, mesmo assim era o sobrevivente da eterna utopia, a referência ainda possível para milhões de adolescentes do mundo todo.


Sem dúvida, foi apenas com os Beatles que as aspirações juvenis ao longo de todas as épocas ganharam o status de uma revolução. Através deles e de suas músicas inaugurou-se o tempo em que o espírito jovem e sua inquietação, começaram a pairar sobre outras necessidades sociais – uma avalanche vaga como o conceito da juventude, que, no entanto, sobreviveu por mais de uma década e deixou marcas para sempre. É fácil perceber, contudo, que em termos mundiais, pouco se poderá esperar para o futuro de novos ídolos com a mesma força aglutinadora de seus anseios. Muito da melhor da arte estaria perdido sem juventude perdida, como o comprovaram, Rimbaud, Caravaggio, James Dean, Marlon Brando, os escritores beats e outros tantos, mas nada surge mais perdido nas gerações atuais que a incapacidade de descobrir os tesouros dessa perdição, pois “A juventude não passa de uma ilusão que os jovens perdem de propósito, em troca da ilusão futura de que a tiveram um dia.”


Um sintoma dessa decadência - da rebeldia jovem no sentido criativo - se verifica aqui mesmo, no Brasil, onde o predomínio da música de forró eletrônico e de pagodes cosméticos, muito mais que extratos de uma pobreza musical avassaladora , denotam uma juventude que não consegue mais extrair de sua rebeldia natural um dom, e que resume, na ostentação de uma mediocridade musical em altíssimos decibéis, uma apatia típica de desiludidos.


O que sucedeu, após o fim de Jackson, foi do mesmo teor para todos, como se viu à exaustão depois da morte deste: fãs lacrimejantes, declarações de amor, recorrência a frases feitas, na boca de gente que pouco têm a ver com o ambiente artístico, como presidentes e autoridades. Uma epidemia tão pouco convincente de compaixão, beirando a histeria, que nos leva à pergunta intuitiva “Precisava tudo isso?”, mas de onde não se consegue bloquear, contudo, um sentimento real e inexplicável de pesar, que nos invade como um surto de melodia plangente em nosso sangue, mesmo que não os aceitemos como ídolos.


É que, independente da geração a que pertencemos, não somos arrebatados pelos personagens, mas pelas suas músicas. Elas é que nos incorporaram e não o vice-versa. E, ao escutá-las mais uma vez, resgatando inopinadamente um pedaço de nossa memória que ainda queríamos vivo, somos possuídos pelo impulso de reverenciar com nossa tristeza e comoção, conscientemente ou não, aqueles que tornaram possível isso e que já não estão mais.
O CÉU É A CHAPINHA


José Ewerton Neto, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?
ewerton.neto@hotmail.com



Alguns anos atrás muitas queriam ser louras. Podia não ser por causa dos homens, mas era, pelo menos, pelo efeito que se supõe que vá causar em alguém, quem sabe no cachorrinho da vizinha ou no gato de estimação. O cabelo tinha que ser louro, os dentes, o sorriso, a sobrancelha e até a mente.

Foi a época em que se deu o surto da loura burra, denunciada pela música. Quando perceberam que estavam indo longe demais e que seus neurônios, já poucos, estavam diminuindo mais ainda, as crioulas louras resolveram dar para trás (favor não confundir) e a onda refreou um pouco. Ser loura estava dando muito trabalho e, como estava difícil a uma sarará se destacar num mundo repleto de louras, viram que o lucro era pequeno, já que gastavam muita tinta, perdiam muitos namorados e ainda passavam por burras.

A solução para essa eterna ânsia de inconformismo, nunca refreado, com o que Deus deu a cada uma, surgiu recentemente com um dispositivo denominado chapinha. Sim, chapinha, um nomezinho até faceiro, tão vulgar e nada mágico, no diminutivo, como elas carinhosamente gostam, e com uma promessa irresistível: tornar seus cabelos muito lisos, mais lisos do que bunda de estátua, ou melhor, mais lisos do que a bolsa de muitas.

De que se trata mesmo? De uma nova geringonça tecnológica, que pode até se apresentar no formato ameno que elas desejam, mas que, no fundo, não passa de uma corruptela do ferro elétrico, pronta para executar, a ferro e fogo - e elétrons muito revoltados - a tarefa de distender todas as moléculas de seus cabelos espessos, até torna-los lisos. Uma expressão da força física da natureza, domada a serviço do improviso humano, ou melhor, das mulheres. Estatística recente mostrou que em cada 100 mulheres 90 já fizeram chapinha, 5 querem fazer , 4 morrem de vontade de fazer e uma já morreu fazendo. Alguma razão para tanta preferência? Conjeturemos ao redor de algumas:

1. Ânsia de mudança. Todo mundo quer mudar, é da natureza humana estar sempre inconformada com o que quer que seja e, sabendo-se que a única coisa que pode ser alterada no corpo são os cabelos, nada como uma chapinha. Quem tem cabelo pinchaim passa para duro, quem tem duro passa para esticado, quem tem esticado passa para massacrado, quem tem massacrado passa para liso, quem tem liso passa para flutuante e quem tem flutuante passa para aéreo. Aéreo, na realidade, não passa de um eufemismo, para não ficarem ofendidas com o vulgar careca.

2. Dá menos trabalho. Claro que deve haver um forte impulso sado- masoquista na atitude de alguém que cede os seus adorados cabelos para serem esmagados por uma resistência elétrica a mais de 100 graus. Porém, por mais doloroso que isso pareça, é sempre bom lembrar que qualquer outras alteração que se deseje no corpo demanda uma série de penalidades, muito mais torturantes e caras. As mulheres se conformam, fantasiando que comprimir o seu cabelo num chapa quente é uma sensação tão agradável quanto a que deve sentir um saco de estopa, quando engomado por um ferro elétrico, mas tudo bem. Algumas são capazes de jurar que dá até para sentir uma gostosa brisa refrescante.

3. Está na moda. Nenhuma mulher, de verdade, deixa de se incomodar com uma pergunta do tipo: “O que você está esperando para experimentar?” Que equivale a dizer: “Como você é fora de moda!” Por isso, a sensação de ir a uma festa sem chapinha é a mesma de estar usando um manjado marido, numa balada promovida por estudantes. Ou tomando chá verde quando as amigas já estão na décima dose de caipirinha. Sem contar que muito melhor que o resultado da chapinha é a expectativa. Ficarei com a cara da Vitória Beckam ou da Taís Araújo? Ou, sendo pessimista, da Suzana Vieira ou do Clodovil? Nesse ambiente, de profunda insegurança, basta observar o olhar de admiração do seu chefe para uma estagiária recém-contratada para concluir pesarosa: “Só foi contratada por causa da chapinha.”

Se, como dizia Oscar Wilde, não existe pecado maior que o tédio, a chapinha no cabelo é o movimento mais ao alcance delas, na vida atual, para não pecar. Contra o tédio da realidade, contra as injustiças do mundo e contra a própria incoerência de desejar ser preta na hora da cota do vestibular, mas preferir ter o cabelo liso, na hora de se exibir.

Mais importante do que a constituição, as discussões infindáveis sobre o aborto, o aquecimento global e sobre qual foi a causa da queda do avião da Air-France, ter uma chapinha à vista, para elas, é a solução universal para tudo e mais alguma coisa, porque uma mulher sem chapinha pode até ter o céu no firmamento, mas não na cabeça.