sábado, 29 de agosto de 2009

NAPOLEÃO 2009

Publicação de sábado
da seção Hoje é dia de...
O Estado do Maranhão






NAPOLEÃO 2009

José Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com



De gênio para gênio. De Balzac para Napoleão Bonaparte. Honoré de Balzac, o genial romancista, autor de a Comédia Humana admirava tanto Napoleão que o considerava, além de um gênio da guerra e da política, um gênio literário. Daí que selecionou cuidadosamente os seus principais aforismos, cuja sabedoria, percebe-se, é eterna. Vejam como permanecem sábios até hoje se ligeiramente adaptados.

1. “O maior republicano é Jesus Cristo.”
Certo, embora com alguma alteração. O Jesus mais badalado
atualmente – o de Madonna - deve ser monarquista, pois como se deu bem uma coroa!

2. “O uniforme faz o homem.”
E o abadá, faz o quê do homem?

3. “ Os crimes coletivos não têm responsável.”
Verdade absoluta. O crime coletivo de se apreciar aberrações, como
o big-brother, não tem outro responsável além da própria natureza humana. Nem mesmo o eterno aprendiz de picareta, Pedro Bial, pode ser considerado responsável.


4. “As pessoas só acreditam no que é agradável acreditar.”
Talvez seja por isso que tem gente que acredita piamente que inundar seu carro, as avenidas e as praças, de decibéis a serviço da falta de educação é gostar de música “


5. “Um clube não suporta um chefe durável; ele precisa de um para cada
paixão.”
Certo, principalmente se o clube for de futebol e estiver caindo pelas
tabelas, como os cariocas. Estes trocam tanto de técnico que dia virá em que haverá um técnico para cada jogador e, no Flamengo, um para cada paixão de Adriano.

6. “A primeira das virtudes é a devoção à pátria.”
O brasileiro é tão virtuoso quanto a isso, que o melhor que
conseguiu inventar para demonstrar essa devoção é cantar hino nacional em tudo quanto é jogo de futebol.

7. “Cada momento perdido na juventude é uma chance de infortúnio no
Futuro.”
Deve ser por isso que nenhum pai brasileiro dá de presente um livro
para seu filho. Prefere investir no futuro das crianças levando-os para assistir Calcinha Preta.

8. “O amor é uma tolice feita a dois.”
Exato, mas a tolice aprimorou-se tanto que um casal já não é
suficiente. Precisa de mais três ou quatro; a três por quatro.

9. “Há tantas leis que não há ninguém isento de ser enforcado.”
Com certeza. No Brasil atual, por exemplo, sempre cabe mais uma
lei e ninguém está isento de ser encarcerado porque tomou um copo de cerveja, ou multado porque fumou um cigarro. Só os bandidos andam à solta.

10. “Na França admira-se apenas o impossível.”
A coisa melhorou. Além do impossível, hoje admira-se a Carla
Bruni.

11. “Uma bela mulher agrada os olhos, uma boa mulher agrada o coração;
uma é uma jóia, a outra um tesouro.”
Deve ser por isso que o insaciável médico das estrelas, Roger Ab-del-massih se transformou em Roger Ab-deu-amasso.

12. “As multidões precisam de festas estrepitosas, os tolos gostam do barulho, e a multidão é os tolos.”
Com o passar dos anos a burrice da multidão continuou a mesma,
mas conseguiu se aperfeiçoar, até chegar ao trio elétrico.

13. “Todo governo deve ver os homens apenas como massa.”
Mas que, de preferência, seja boa para uma pizza.

14. “Os jovens cumprem as revoluções que os velhos prepararam.”
Nessa época sim, atualmente, nem tanto. O jovem de hoje não faz
mais revolução, pois carece de rebeldia para isso. (Sua rebeldia atual só dá para bater em professor, gostar de forró e admirar Roberto Justus). Quanto aos velhos, a única revolução que ainda querem fazer é a de tentarem, em vão, ser jovens.

15. “A etiqueta é a prisão do rei.”
Hoje virou endividamento de rico ( com cartão de crédito ),
insolvência dos pobres e SPC dos miseráveis.”




segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Verdadeira História...

A VERDADEIRA HISTÓRIA DE TANTA COISA
publicado na seção hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, sábado passado

Jose Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com


Verdade? Quem quer saber da verdade? O ser humano não suporta a realidade e inventa tudo a respeito de tudo. Nada como dedicar um pouco de tempo para resgatar a verdade absoluta de tanta coisa:

1. Quem, na realidade, inventou o Big-Brother foi um norte-
americano chamado Charles Pick-Reta.. Garoto de programa e gigolô das ruas de São Francisco, Charles convidava todo sábado piranhas amigas para fazerem suruba no seu pequeno apartamento, acompanhadas de um monte de vagabundos como ele. Charles achava que não fazer nada era o melhor trabalho do mundo, mas mesmo assim, às vezes se enjoava disso.
Certo dia, o grupo resolveu juntar todas as suas economias (na realidade,
dos clientes e sem que estes soubessem) e se mandou para uma fazenda do México a fim de promoverem uma interminável e monumental suruba, com direito a muita conversa idiota e jogos mais idiotas ainda, nos intervalos. Despreocupados com o pudor, cedo perceberam que suas sessões eram visitadas por um monte de gente da pacata região: crianças, casais, prefeitos, religiosos etc. que, ao depararem com o total descaramento do grupo, começaram a se aproximar e a fazer muita festa.
Muito arguto, Charles logo percebeu que quanto mais estúpidos fossem os
diálogos e mais ardentes os jogos sexuais, maior o sucesso junto ao público, até que teve a inspiração de filmar as performances e vende-las para um famoso canal de televisão. Resultado: o Big-Brother tornou-se sucesso de público em todo canto do mundo. No Brasil, muita coisa foi aperfeiçoada - para pior -, como a presença do picareta amador Pedro Bial como animador, no lugar de Charles Pick- Reta.
Para a edição brasileira 2010 já restam pouquíssimas vagas. Quem estiver
disposto a praticar sexo ao vivo e a falar muita imbecilidade em disputa de um milhão de reais, precisa apressar-se.

2.Quem inventou a Lei ( as Leis em geral ) foi um filósofo da antiga Grécia
chamado Putão ( não confundir com Platão, o filósofo, nem com Plutão, o ex-planeta).
Plenamente convicto de que o homem eternamente se moverá pelo instinto e nunca pela razão Putão resolveu inventar algo capaz de alimentar a ilusão de que se poderia escrever algo capaz de regular as atitudes dos homens. O tempo passou, as leis se tornaram um monte de palavras desconexas que ninguém lê ou cumpre, mas, injustamente, o nome de Putão perdeu-se nos confins da História.
Um exemplo recente de ingratidão aconteceu após a implantação da lei Anti-fumo em São Paulo, quando José Serra, mesmo tendo obtido enorme lucro com a extorsão do dinheiro do contribuinte e a divulgação do seu nome nacionalmente, sequer fez menção ao grande Putão.

3. Quem inventou a felicidade foi um guru indiano cego chamado
Makopunakiba.que viveu alguns séculos antes de Cristo. Depois de 50 anos inteiramente dedicados à religião, sem jamais ter tido uma relação sexual, finalmente Makopu obteve o prazer, com a ajuda de uma discípula fiel, ajudada por uma cabra. (Na realidade, o intercurso sexual não aconteceu com a discípula, mas com a cabra, mas Makopu nunca soube disso, por ser cego). Tão entusiasmado ficou que resolveu chamar a isso de felicidade.
Desde então filósofos, religiosos e cientistas ao longo dos séculos tentaram
encontrar, em vão, uma definição precisa do que seja felicidade, esbarrando sempre na dificuldade, proveniente da ignorância, de que na própria origem da palavra está a essência de algo fugidio, e com curto prazo de validade.
Supervalorizada na vida moderna como algo palpável e duradouro
iniciou-se a busca frenética da felicidade, sem desconfiar de que na errônea interpretação do seu significado está o cerne de todos os males da humanidade. Ah, se todos soubessem que tudo começou com uma cabra, quantos suicídios teriam sido poupados! (E quanta péssima leitura de auto-ajuda teria sido evitada!).

4. Quem inventou a burocracia foi o diabo mesmo, embora os homens a tenham aperfeiçoado. Milhares de anos atrás, o diabo, prestes a ser demitido por Deus - por ter sido superado pelos homens na arte da maldade –, resolveu se vingar inventando a burocracia.
Sua autoria diabólica, no entanto, só recentemente foi descoberta. Isso aconteceu duas semanas atrás quando uma anciã de 65 anos tentou obter uma nova carteira de identidade no Shpopping do Cidadão do Reviver, curiosamente criado para evitar a burocracia. Mesmo tendo mostrado a cópia xérox da carteira, C.P.F e título de eleitor o burocrata lhe disse que isso era insuficiente. Teria que apresentar a sua certidão de casamento de quarenta anos atrás ou a de nascimento, de sessenta e cinco.
- Quer dizer que esta cópia que guardei da carteira de identidade não serve para nada?
- Não.
- Então, já que não tenho mais certidão de casamento nem de idade isso
significa que não tenho mais chances de ser alguém? Que desapareci em definitivo, mesmo ainda estando viva?
- Sem dúvida.
- Tanta burocracia parece coisa do diabo!
- Acertou.

sábado, 15 de agosto de 2009

DÁ-LHE SAUDADE

Artigo de hoje, sábado, 15 de Julho do jornal
O estado do Maranhão coluna Hoje é dia de


DÁ-LHE, SAUDADE!

Jose Ewerton Neto, membro da AML.

ewerton.neto@hotmail.com




Que saudade é uma palavra que só existe na língua portuguesa, muita gente sabe. E que expressa um sentimento que mais gente ainda é incapaz de traduzir, quase todo mundo sabe. Só não sabia é que ela foi escolhida em 2004, numa pesquisa com mil tradutores de todo o mundo, como o sétimo vocábulo mais intraduzível do planeta.
Só o sétimo? Calma, leitores, que não estava em jogo a sua beleza mas a sua tradução impossível, não a sua sedução, mas a sua verdade oculta. Esta não foi uma disputa entre países, mas entre suas simbologias universais. Para efeito de comparação, nada como lembrar das palavras que chegaram à primazia.
A campeã foi a palavra Ilunga, dialeto do Congo que significa perdoar uma ofensa uma vez, depois a segunda e, nunca, uma terceira. Ora, por que terceira? Por que não a quarta, ou a quinta? Quem perdoa a primeira e a segunda, perdoa até a milésima, não é assim que fazem os brasileiros com seus políticos? Portanto, tudo indica que essa palavra só não encontra equivalente em outro idioma, pela absoluta falta de necessidade de se pronunciada.
Em segundo lugar ficou a palavra Shlimazl, em iídiche, que significa aquele que tem uma má sorte crônica. Ué, e isso não é a mesma coisa que azarado? Ou terá evoluído para Botafogo, o time que quando o juiz não rouba contra, seus zagueiros fazem as vezes de? De qualquer forma, o que não falta é tradução – e fácil - para a mesma.
E em terceiro ficou Radioukacz (em polonês) que significa pessoa que trabalhou como telégrafo para os movimentos de resistência no lado soviético da cortina de ferro. Ufa!, A palavra é tão difícil de traduzir quanto inútil para qualquer outra nação deste planeta e dos confins de qualquer outro lugar do universo!
Donde se conclui facilmente que sim, que a nossa “saudade” foi mesmo passada para trás. Os juizes a subestimaram, levando-se em conta que a beleza mais profunda de qualquer coisa implica na sua difícil tradução; em outras palavras, no seu mistério. Quer queiram quer não, estava em jogo também o que cada palavra tem de especial. Só para dar um exemplo, basta lembrar que de mulheres bonitas hoje o mundo está cheio (Giseles Bundchens, Carolinas Dieckmans e mais um batalhão interminável de modelos, cada uma cara de um c...da outra) mas, nelas não se encontra a chama sutil e intraduzível da beleza misteriosa, que seja capaz de marcar além de uma apreciação meramente física. Esta não é privilégio das “gentes bonitas” das colunas sociais e, sequer do universo das celebridades, onde é raro ser encontrada da mesma forma com que reluzia - no passado - no rosto para lá de marcante de uma Sofia Loren, por exemplo. Hoje, se permite cintilar, vez por outra, em algumas aparições fugazes de Angelina Jolie, Juliete Binoche.ou Isabelle Adjani, para citar apenas celebridades..
Assim como ocorre com a verdade da beleza humana, também o que atrai na palavra saudade é o fato de transmitir de forma avassaladora (não encontrei outro termo mais apropriado) um sentimento intraduzível, que nenhuma frase, nenhum período, nenhum romance seria capaz de expressar. Que os franceses tentam traduzir por regret – que não é saudade, mas pesar –, e os ingleses como miss - que está mais para sentir falta - e que só alguns poetas, em instantes raros de inspiração ousaram interpretar, provavelmente comprimidos por sua presença como Fernando Pessoa em seu poema: “Saudades, só portugueses conseguem senti-las bem. Porque têm essa palavra para dizer que as têm.”
Dá-lhe, então, até o fim (sem piedade de nossos corações), saudade!

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Os pais estão no ponto

Cronica publicada sábado passado na coluna Hoje é dia de
Jornal O Estado do Maranhão


OS PAIS ESTÃO NO PONTO


Jose Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Os pais estão no ponto. Ponto de quê? – pode perguntar-se o leitor. Ponto de receber o presente do dia de amanhã, ponto de ônibus, ou a ponto de um ataque de nervos, como as mulheres de Almodóvar? Nem uma coisa, nem outra, os pais ultra-modernos, em eterna crise de identidade, estão a ponto de serem definidos melhor pelas pontuações gramaticais, as únicas ainda capazes disso. Vamos a elas:

Pai Ponto de Exclamação: É aquele que esbanja otimismo e livro de auto-ajuda. Diz que se cerca do bom e do melhor para o futuro dos filhos. Anda sempre com um sinal de positivo a tiracolo, além do celular e do bucho. Achando-se pessoalmente insignificante vive montado num carro grande, para poder ser admirado à vontade. Adora dizer “Como meu carro é lindo e potente!”, ou ainda “Como minha esposa é tão ativa que trabalha em equipe, todo dia, depois do expediente!” Tanta exclamação contagiosa, desperta igual admiração dos demais: “ Que perfeito chifrudo! Suruba também é trabalho em equipe!”

Pai Ponto Final: É aquele que adora fechar a questão em torno de qualquer assunto polêmico dentro de sua casa. Como do tipo: “Vou esconder a chave do carro até que apareça a minha revista de sacanagem” ou “ Se não disserem quem mexeu na minha caixa de remedinho azul, amanhã mesmo saio desta casa.” Até que, ante o descrédito geral, emite a sentença: “Esta é a minha última palavra, e ponto final.” Todos fingem que concordam até que, meia hora depois, ao sentir falta do seu aparelho de barbear, começa o próximo capítulo.

Pai Reticências. É aquele que deixa tudo no ar a começar pelas cuecas e pelas contas de água e luz. Seu ar indefinido é uma estratégia de resistência para dar tempo ao tempo. Fleumático, foge das definições cotidianas e de reticência em reticência vai levando a vida, até que se aproveita de mais uma delas para escapar dentro da noite veloz.

Pai vírgula. É aquele que vive fazendo de tudo para que perdure o período que está vivendo, qualquer que seja este. O que lhe interessa é companhia, sabe-se lá de quê. É aquele que, nas festas, vive oferecendo atenções para entretenimento geral, sempre lembrando que ainda está por vir a saideira. Para não ficar só é capaz até de participar de passeata de sem-terra. Abandonado pelos filhos que, há muito tempo, preferiram a Internet, deu para levar seu vira-lata para passear na praça. Acaba ficando velho antes do tempo, sem se dar conta de que se tornou apenas uma vírgula no discurso da família e um ponto e vírgula na sentença dos outros.

Pai dois pontos. É aquele que sempre que bebe ou tem alguma contrariedade, chama toda a família, dá uma parada solene e depois deságua um rio de reclamações. Só termina de falar quando percebe que todo mundo foi-se embora e a esposa – ainda bem que tem uma esposa compreensiva –, diz compungida: “Desculpe, filho é que você passou do ponto mais uma vez.”

Pai Ponto de Interrogação. É aquele que quer saber tudo que acontece dentro de casa: quem telefonou, para qual o time torce o namorado da empregada e até se a nova chefe de sua mulher usa bigode. De tanto perguntar nem percebe que hoje em dia ninguém lhe pergunta mais nada, sequer se aquele berro horroroso que se ouviu na noite passada e que durou três horas foi por causa de mais um ataque de estômago.

Pai Entre Aspas. É aquele que faz tudo para se destacar no seio da família e na vizinhança. Desde tocar foguete no meio da rua quando o Flamengo ganha do Friburguense até escutar Márcio Greyck a altos decibéis, de madrugada, para que todo mundo saiba que tem um aparelho de conversão de elepê. Pior é quando tenta puxar a patroa para dançar forró e quase quebra as cadeiras (as da sala e a sua). Se alguém confundir o pai entre aspas, com o entre caspas, não faz muita diferença.

Pai Entre Parênteses. É aquele que precisa ser traduzido para os outros, exaustivamente explicado, senão ninguém entende. A esposa vive repetindo; “Não ligue, meu filho, seu pai é assim mesmo”, ou então, sua mãe, compreensiva: “Ele sempre foi assim desde criança, difícil de entender.” E passa o resto da vida incompreendido até que, por fim, a morte lhe permite um desagravo quando algum parente, pesaroso, afinal diz: “Tinha um gênio incompreensível, mas foi o melhor pai que um filho poderia ter.” Confortado, finalmente, sai da escravidão do entre parênteses para a liberdade de entre as tábuas de um caixão.

Pai Travessão. É aquele que passa o dia rindo das travessuras do filho - que
ninguém consegue mais suportar, a não ser o cachorro da família ( assim mesmo porque é de pelúcia). E diz embasbacado: “Você acha que houve um dia na humanidade um moleque tão travesso como o meu? Também pudera, puxou pro pai, porque ele é um travessinho, e eu um travessão”.

Pai Asterisco. É aquele que nenhum sinal o define ou identifica. O Correio não o encontra, nem a polícia, muito menos as súplicas da mãe e os berros do bebê, de quase um ano. É aquele pai especialista em mandar esperma sem assinatura para o reino das vaginas vindouras e que some tão depressa da vida das mulheres, quanto maior for a disposição delas de doar-lhe um lar. É o sujeito oculto de qualquer oração, inclusive a da mãe da criança, desesperada, um dia antes de ir batalhar nas varas de família: “Meu Deus, fazei com que alguém encontre esse canalha, para que possa fazer o teste de DNA”.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

BONS TEMPOS AQUELES

Cronica publicada na coluna Hoje é dia de, ultimo sábado
no jornal O estado do Maranhão


BONS TEMPOS AQUELES!


José Ewerton Neto, membro da AML
ewerton.neto@hotmail.com


Existe um livro chamado O Poder do Agora, que está fazendo muito sucesso. Certo, ninguém deve contestar o autor do livro em sua mensagem de que o importante é viver o momento presente. Mas, os bons tempos, os muito melhores tempos serão sempre aqueles, como provam os fatos recentes:



1 Fani Pacheco, ex-bbb, vai virar escritora e lançar o livro Diário secreto de uma ex-bbb, e nele vai expor segredos de sua intimidade, inclusive o de que é bi-sexual. Donde se conclui que quem quiser ser escritor, hoje em dia, se for homem, primeiro tem que ser cantor (Chico Buarque, Gabriel Pensador etc.); já se for mulher primeiro vai ter que dar um bocado ( Bruna Surfistinha, ex-BBBs etc.)
Millor, o humorista, dizia que a maior vontade do escritor era ser rico, e a do rico era virar escritor.
Bons tempos aqueles em que era só vontade de rico!

2. Fenômeno, Imperador e Fabuloso. Dá a primeira impressão de que se trata do herói grego Alexandre da Macedônia, mas, na verdade, trata-se de um trio: Ronaldo, o do Coríntians, Adriano, o do Flamengo e, Fabiano, o do Milan. O que será que eles têm em comum para que o nome de batismo lhes seja insuficiente? Futebol não pode ser, já que Garrincha era muito melhor que eles e era simplesmente Garrincha. Não será porque o corintiano confunde mulher com travesti, e o do Flamengo confunde dia de comer fruta (digo, mulher-fruta) com dia de feriado no trabalho?
Bons tempos aqueles em que jogador de futebol não era fenômeno, nem imperador, nem fabuloso, mas se preocupava também em jogar bola!

3. Um casal francês foi vítima de assalto na Praia Ponta d`Areia à vista da população ao redor, que não teve como reagir. Estavam hospedados na Pousada Colonial, do centro e deles foram roubados celulares, câmera digital, dinheiro e a chave do cofre do hotel. Uma pergunta: faltou alguém do hotel para lhes avisar que São Luis não é Paris, ou eles não entendiam mesmo nada de português e do Brasil atual?
Bons tempos aqueles em que São Luis não tinha turistas, mas, em compensação, também não tinha tanto ladrão!

4. A torcida do Flamengo ficou p... da vida porque Ronaldo, o Fenômeno andou espalhando que a maior torcida do Brasil é a do Coríntians. Pobre torcida do Flamengo! O time não cansa de apanhar em todo campeonato brasileiro e ainda vem o fenômeno mexer com a única satisfação que lhes resta.
Bons tempos aqueles de Zico e cia, Roberto Dinamite, Jairzinho, Romário, Paulo César caju e etc. em que os times cariocas brigavam para ter o melhor time do Brasil e não para ter a maior torcida!

5. Nicolas Sarkozy, o presidente da França, passou mal durante um exercício que estava fazendo com a primeira-dama Carla Bruni, tendo sido levado de imediato para o hospital. Tudo indica que, a fim de passar muito bem Sarkozy acabou passando mal, e ao invés de ir para sua cama de casal bem acompanhado acabou tendo de ir para uma cama de hospital.
Bons tempos aqueles, em que quem fazia os presidentes franceses não dormirem, ao invés da primeira dama era Brigite Bardot, e em que os exercícios sexuais eram solitários, porém mais inofensivos!

6. O corredor Felipe Massa já está fora de perigo após ter levado o impacto de uma mola do carro de Barichello que, ao contrário, do que ocorre normalmente com este, estava em alta velocidade. Como as leis da física podem ser cruéis lá se foi massa contra o Massa.
Bons tempos aqueles em que no carro de Barichello tudo andava devagar, inclusive as molas!

7. Renata Frisson, a Mulher Melão planeja o início da carreira política para o próximo ano, depois de ganhar o título de rainha dos taxistas, seus prováveis eleitores.
Dá para explicar que tipo de evolução fez com que as mulheres passassem a ser chamadas de frutas (meu melão, minha melancia, etc), ao invés de flores ( minha rosa, minha flor) como eram chamadas antigamente?
Como disse um taxista: “Bons tempos aqueles em que se podia chamar uma mulher de flor e o perfume do amor durava muito. Hoje, quando se chama uma mulher de fruta, o amor já vem estragado!”

8. Caetano Veloso, o cantor, resolveu aparecer nu num documentário, motivando o seguinte comentário de sua ex-mulher, Paula Levigne: “Caetano é bem-dotado. O que é bonito é para ser mostrado! ”
As mulheres ficaram sem entender e devem estar achando que bons tempos eram aqueles em que os bem-dotados faziam bom uso dos seus dotes.

9. Dados do IBGE revelam que 96% dos brasileiros jamais foram a museus e 78% jamais assistiu a um espetáculo de dança. Nossa media de livros lidos é de 0,7 por pessoa. Talvez seja em vista disso que está sendo anunciado o vale-cultura. A idéia é a de que seja dado um crédito de 50 reais a serem gastos com produtos culturais pela população mais pobre. Vale perguntar: como tudo neste país é cultura será que o vale vai dar direito também a comprar uma cachacinha quando o povão estiver assistindo a um forrozão do calcinha-preta?
Bons tempos aqueles em que a cultura valia tanto que não precisava de vale! E em que os escritores ganhadores de prêmios na cidade que se intitula A Atenas Brasileira, não eram a aconselhados a irem às barras dos tribunais para receberem os prêmios que lhes devem.

terça-feira, 28 de julho de 2009

OS CÃES NOS VENCERAM

Artigo publicado no jornal O Estdo do Maranhão, sabado passado


OS CÃES NOS VENCERAM


ewerton.neto@hotmail.com
artigo publicado na coluna Hoje é dia de, Estado do Maranhão, sábado



Um dos maiores orgulhos da raça humana é a crença de que, por ter sobrevivido até hoje, o homem é superior e distinto das demais espécies. Engano crasso, pois aí estão outros animais que sobreviveram melhor aos séculos como ratos, mosquitos e... cachorros. Poucos duvidam que, depois que a raça humana se for, restarão para sempre os indefectíveis mosquitos, ratos e baratas. E os cachorros, sobreviverão? Não interessa, o que importa é que hoje vivem muito melhor que os seres humanos conforme mostra recente reportagem da revista Veja, desta semana. Eis alguns breves tópicos dessa trajetória vitoriosa:

1. Os cães eram lobos há muitos anos. Ninguém sabe como é
que se adaptaram à convivência humana. Provavelmente, logo viram que a proximidade lhes era providencial para ganhar comida, cama e roupa lavada em troca de um servicinho aqui, outro ali. Se com isso perderam características como a intrepidez natural, de animais selvagens, em compensação as substituíram pelo arsenal de qualidades oportunistas dos seres humanos: dissimulação, vaidade, covardia e... Eis que sobreviveram e estão aí até hoje. Enquanto isso, seus ancestrais, os lobos...

2. Os cães levaram uma grande vantagem, ao longo dos
séculos, com essa história de melhor amigo do homem. Ora, se os humanos jamais praticaram e entenderam esse negócio de amizade, cedo haveria de surgir um vácuo de carência afetiva, onde colocariam a primeira raça que deles se aproximasse. O fato de que, vez por outra, atitudes caninas de lealdade sejam registradas e louvadas, não seria apenas porque estas sejam tão raras no gênero humano? Por outro lado, quantas e quantas vezes crianças e velhinhas não foram trucidadas por cães? Que história é essa de melhor amigo? Isso mais parece história para boi dormir, ou melhor, para cachorro cochilar. Na poltrona do papai.

3. Igualmente muito espertos, jamais quiseram aprender a
linguagem humana. Cedo aprenderam que a origem de todos os problemas humanos nasceu com a linguagem: casamentos que não sobrevivem, amizades que não duram, leis que não funcionam etc. tudo por causa do excesso de palavras. Daí que se até hoje os cães latem, isso é para que os seres humanos jamais saibam o que estão pensando, demonstrando assim que se especializaram ao longo dos séculos em usar a incompreensão e o silêncio em proveito próprio. Com isso se tornaram melhores filhos, melhores amigos e até melhores amantes que os seres humanos. Não é isso mesmo, peruas carentes?

4. Eternamente empolgados consigo mesmos eis que, completados 40 anos da conquista da lua (?), os homens se esqueceram de que quem primeiro saiu da órbita terrestre não foi um homem, o russo Gagarin, mas a cachorrinha Laika, hoje esquecida e injustiçada. A diferença é que os cachorros, mais sábios, nunca mais se prestaram a aventuras inúteis, enquanto os homens continuaram insistindo com elas, gastando rios de dinheiro para encontrarem pedaços de rochas, mais devastadas que as do sertão do Ceará. Cães, aliás, sempre foram muito mais pragmáticos: a única viagem em que embarcam, sem lucro à vista, é a do próprio enterro.

5. Hoje os cachorros gozam de privilégios que os humanos não têm. Existe 1 pet-shop para cada conjunto de 1200 cães, enquanto o número de farmácias é de uma para cada 2600 humanos. Cães desfilam de um lado para outro em carrinhos de bebês, vão para cabeleireiro, dormem no sofá de analistas e dia virá em que a grande preocupação da comunidade científica será tentar descobrir onde é que fica o ponto G das cadelas. Outra grande diferença se refere à assistência médica. Enquanto as carteirinhas dos planos de saúde dos humanos não dão direito a nada, um cão é atendido rapidamente em clínicas especializadas sem que seja preciso apresentar sequer carteira de identidade.

6. Nada porém é mais emblemático da vitória dos cães do que
o cocô. Enquanto os humanos têm nojo das próprias fezes e, quando vêem um igual defecando na rua, chamam a polícia e lhe atiram pedras, quando se trata de um cão, riem, fazem gracinhas e só faltam cantar parabéns para cada monturo que aparece. Seus donos fazem fila para assisti-los defecar nas praças, com o mesmo prazer que estivessem assistindo ao show do funeral de Michael Jackson. Quando os animais terminam, lá permanecem as fezes, enfeitando os caminhos como se fossem flores ao nível do chão. Ninguém limpa, ninguém acha que isso seja falta de educação; o que nos leva a uma curiosidade final. Será que se ao invés, o cachorro é que fosse o dono e levasse o humano para passear, não saberiam ter a educação de limpar seus dejetos?
Possivelmente não, embora isso pudesse ter acontecido muito tempo atrás, quando os cães ainda tinham educação. Agora é tarde, eles já aprenderam com os seres humanos.

domingo, 26 de julho de 2009

Os cães nos venceram





OS CÃES NOS VENCERAM


ewerton.neto@hotmail.com
artigo publicado na coluna Hoje é dia de, Estado do Maranhão, sábado



Um dos maiores orgulhos da raça humana é a crença de que, por ter sobrevivido até hoje, o homem é superior e distinto das demais espécies. Engano crasso, pois aí estão outros animais que sobreviveram melhor aos séculos como ratos, mosquitos e... cachorros. Poucos duvidam que, depois que a raça humana se for, restarão para sempre os indefectíveis mosquitos, ratos e baratas. E os cachorros, sobreviverão? Não interessa, o que importa é que hoje vivem muito melhor que os seres humanos conforme mostra recente reportagem da revista Veja, desta semana. Eis alguns breves tópicos dessa trajetória vitoriosa:

1. Os cães eram lobos há muitos anos. Ninguém sabe como é
que se adaptaram à convivência humana. Provavelmente, logo viram que a proximidade lhes era providencial para ganhar comida, cama e roupa lavada em troca de um servicinho aqui, outro ali. Se com isso perderam características como a intrepidez natural, de animais selvagens, em compensação as substituíram pelo arsenal de qualidades oportunistas dos seres humanos: dissimulação, vaidade, covardia e... Eis que sobreviveram e estão aí até hoje. Enquanto isso, seus ancestrais, os lobos...

2. Os cães levaram uma grande vantagem, ao longo dos
séculos, com essa história de melhor amigo do homem. Ora, se os humanos jamais praticaram e entenderam esse negócio de amizade, cedo haveria de surgir um vácuo de carência afetiva, onde colocariam a primeira raça que deles se aproximasse. O fato de que, vez por outra, atitudes caninas de lealdade sejam registradas e louvadas, não seria apenas porque estas sejam tão raras no gênero humano? Por outro lado, quantas e quantas vezes crianças e velhinhas não foram trucidadas por cães? Que história é essa de melhor amigo? Isso mais parece história para boi dormir, ou melhor, para cachorro cochilar. Na poltrona do papai.

3. Igualmente muito espertos, jamais quiseram aprender a
linguagem humana. Cedo aprenderam que a origem de todos os problemas humanos nasceu com a linguagem: casamentos que não sobrevivem, amizades que não duram, leis que não funcionam etc. tudo por causa do excesso de palavras. Daí que se até hoje os cães latem, isso é para que os seres humanos jamais saibam o que estão pensando, demonstrando assim que se especializaram ao longo dos séculos em usar a incompreensão e o silêncio em proveito próprio. Com isso se tornaram melhores filhos, melhores amigos e até melhores amantes que os seres humanos. Não é isso mesmo, peruas carentes?

4. Eternamente empolgados consigo mesmos eis que, completados 40 anos da conquista da lua (?), os homens se esqueceram de que quem primeiro saiu da órbita terrestre não foi um homem, o russo Gagarin, mas a cachorrinha Laika, hoje esquecida e injustiçada. A diferença é que os cachorros, mais sábios, nunca mais se prestaram a aventuras inúteis, enquanto os homens continuaram insistindo com elas, gastando rios de dinheiro para encontrarem pedaços de rochas, mais devastadas que as do sertão do Ceará. Cães, aliás, sempre foram muito mais pragmáticos: a única viagem em que embarcam, sem lucro à vista, é a do próprio enterro.

5. Hoje os cachorros gozam de privilégios que os humanos não têm. Existe 1 pet-shop para cada conjunto de 1200 cães, enquanto o número de farmácias é de uma para cada 2600 humanos. Cães desfilam de um lado para outro em carrinhos de bebês, vão para cabeleireiro, dormem no sofá de analistas e dia virá em que a grande preocupação da comunidade científica será tentar descobrir onde é que fica o ponto G das cadelas. Outra grande diferença se refere à assistência médica. Enquanto as carteirinhas dos planos de saúde dos humanos não dão direito a nada, um cão é atendido rapidamente em clínicas especializadas sem que seja preciso apresentar sequer carteira de identidade.

6. Nada porém é mais emblemático da vitória dos cães do que
o cocô. Enquanto os humanos têm nojo das próprias fezes e, quando vêem um igual defecando na rua, chamam a polícia e lhe atiram pedras, quando se trata de um cão, riem, fazem gracinhas e só faltam cantar parabéns para cada monturo que aparece. Seus donos fazem fila para assisti-los defecar nas praças, com o mesmo prazer que estivessem assistindo ao show do funeral de Michael Jackson. Quando os animais terminam, lá permanecem as fezes, enfeitando os caminhos como se fossem flores ao nível do chão. Ninguém limpa, ninguém acha que isso seja falta de educação; o que nos leva a uma curiosidade final. Será que se ao invés, o cachorro é que fosse o dono e levasse o humano para passear, não saberiam ter a educação de limpar seus dejetos?
Possivelmente não, embora isso pudesse ter acontecido muito tempo atrás, quando os cães ainda tinham educação. Agora é tarde, eles já aprenderam com os seres humanos.

terça-feira, 21 de julho de 2009

Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão, ultimo sabado

SOBREVIVENTES DOS PENSIONATOS

José Ewerton Neto, engenheiro, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com




São eles: jovens, lutadores, intrépidos. Antigamente moravam em repúblicas, hoje moram em pensionatos. As repúblicas eram mais fechadas: clubes de Luluzinha e Bolinha, os pensionatos de hoje são abertos, permitem a convivência dos sexos. Antigamente os das repúblicas queriam mudar o mundo, mas o sonho acabou, disse John Lennon, e os do pensionato, hoje, mais pragmáticos, só querem o justo sucesso, encarando os reveses da vida com muito humor e ironia. Usando um pouco dessa verve , que lhes é tão característica, destacamos alguns dos seus tipos mais comuns:


Rafinha, 22, estudante de fisioterapia. Diz que gostava mesmo era de fitoterapia, mas acabou confundindo-se e fazendo vestibular para fisioterapia. É considerado a alegria da casa, principalmente no fim do mês, porque é o único que ainda tem grana para emprestar para a turma. Vive trocando a pronuncia das palavras. E-mail, pronuncia eu meio, e Google pronuncia gagogo. Os outros desconfiam que isso não passa de uma estratégia para não dar a impressão de que seu português é ruim assim mesmo Além de trocar palavras troca também namoradas, chaveiros de times de futebol e cedês piratas. Ultimamente, anda na fase de tentar trocar suas respostas nas provas, com quem não for muito esperto.
De onde veio: da barriga de sua mãe
Apelido: Rafael
Despesas mensais: 700 da faculdade mais 400 com jogos de qualquer espécie, mas o que mais aprecia é jogar suas apostilas no lixo. O dinheiro do pensionato, empresta a juros.

Patricia, 25, estudante de psicologia. Considera-se a musa do pensionato, desde que foi eleita numa eleição indireta, apenas com a presença de sua colega de quarto. Na eleição direta, com a presença da maioria, ao invés de musa foi eleita a me-usa. De personalidade conflitante, tem horror a ser considerada Patricinha, a ponto de pedir para ser chamada Teresinha mesmo tendo o nome de Patrícia. Instável, sabe brigar, pelos seus direitos e reivindica a três por quatro o direito de poder usar calcinhas alheias. Voluntariosa, sabe armar um barraco com mais perfeição do que consegue ligar um liquidificador. Cozinha tão bem que deixa todo mundo com água na boca, já que o melhor das refeições que prepara é a água que distribui depois. Não sabe concluir uma frase sem que use o “doido” ou “doida” e como também não sabe iniciar uma frase sem que use o “doido” ou “doida” todo mundo, acha que, no fundo, ela quer ser psicóloga para descobrir o que existe no meio do que não diz.
De onde veio: Da praia ( sempre)
Apelido: Patê: Pa de patrícia e tê de Teresinha.

Celina, 22 é estudante de direito. Jamais passa despercebida, porque seu principal meio de comunicação é um grito. Quando fica rouca de tanto gritar ás vezes pede emprestado o grito da colega. De manhã, aproveita o canto do galo ou o latido do cachorro da vizinha. Solitária, já tentou por várias vezes namorar pela internet mas gritou tanto que assustou o cara do outro lado. Gosta de ouvir música de fossa e forró. Seu professor de Direito Constitucional lhe explicou que o que há de comum entre os dois ritmos é a referência à merda: o primeiro no nome, o segundo na qualidade.
Despesas mensais; 800 da faculdade, 400 do pensionato e alguns pensamentos.
Tempo de pensionato. Faz tanto tempo que tem a impressão de que está virando pos-graduada em pensionato.

Luana, 33, estudante de odontologia. Resolveu entrar na faculdade de Odontologia na esperança de um dia conseguir tirar um aparelho dentário, que carrega desde o tempo de criança (desconfia que era de sua mãe) Muito carente chora até quando lê bula de remédio que, juntamente com O Alquimista, de Paulo Coelho, é o seu romance predileto. Morre de saudade da família, do namorado e, às vezes, até das namoradas do mesmo. Quando existem sessões de vídeo na casa e passa filme de terror, ela se lembra de sua primeira aula prática extraindo um dente, grita tanto que vira a atriz principal.
Apelido: (bebê de proveta, por causa do tamanho). Explica que até hoje sua caligrafia é péssima, por ser tão baixinha que nunca conseguiu escrever uma letra maiúscula.
Despesas mensais: mil reais da faculdade, mais pensionato, mais o que paga para um rapaz de 18 anos - um flanelinha, que ela gratifica para fingir que é seu namorado e lhe levar para show de forró e Vale Festejar.

Rosiris, 24, estudante de engenharia. Já tinha na bagagem experiência em pensionato, quando morava em Teresina. Sua mala é tão grande que tem gente que desconfia que ao tentar trazer o pensionato junto, descobriu sua vocação de engenharia. Acredita que toda experiência é válida pelo amadurecimento pessoal, por isso prefere frutas maduras, filmes maduros, professores maduros, e um coroa maduro - para que a sua juventude seja menos dura. É a mais descolada da casa, vive se soltando de si; as amigas, desesperadas, tentam cola-la de volta mas não tem jeito: só vários dias depois que passa a ressaca. Fã de Norah Jones teve de deseducar seus ouvidos para poder encarar as forrós e os reggaes, tão disputados pelo resto da turma. Acabou deseducando também os dedos dos pés que raramente vêm um desodorante e os das mãos, que costumam avançar em busca de melecas - no nariz dos outros.
De onde veio: lembra-se vagamente que estava num berço de hospital
Tempo de pensionato: dois invernos, quatro verões e Vocês verão!

Alvadina, 24, É a CDF oficial do pensionato e o CPF também, já que ela costuma empresta-lo como objeto de utilidade pública pois é única da casa ( e da rua) cujo nome não está no SPC. Faz duas faculdades Arquitetura e Administração, mas acha que não vai conseguir passar em nenhuma, porque até hoje não soube administrar o tempo para arquitetar uma vingança contra quem lhe chama de Dina-ssaura. Chega sempre de noite varada de fome e, às vezes, de vara mesmo. Sua ânsia de estudar é tão grande que coleciona frases de Lairton dos Teclados, notas baixas em matemática e editais de concursos, o ultimo dos quais o da Raposa, onde passou dois dias na fila para se inscrever no concurso de merendeira.
De onde veio: do Piauí
Apelido: Dinas-saura
Despesas: do Pensionato, mais despesas sociais, mais despesas de concursos.

Fernando, 23 estudante de medicina. Divide o tempo entre a faculdade, a namorada, o violão e o trabalho – não oficial - de guardador de carro na Praia Grande. De lá tira o dinheiro para pagar a faculdade no fim do mês. Dá que sobra. Considerado o mais preguiçoso da casa não vai até a esquina a pé, porque a preguiça não deixa. Ele explica que isso são ossos do ofício, porque para trabalhar e estudar não precisa arredar o pé. (Embora seja péssimo em Anatomia, ele diz que desse tipo de osso ele entende.) Quando está cansado começa tocar violão, para que todos saiam de casa e ele possa dormir tranqüilo.
Apelido: Milionário
Despesas: Neste fim de ano compra um carro. Já comprou até a carteira de motorista, com o cartão de crédito da Íbis CA

Ligia, 19. estudante de enfermagem.
É a mais calada da casa por isso tem gente que anda querendo usar a sua boca para que esta não perca o prazo de validade. Quando, raramente, abre a mesma solta pérolas do tipo: sou louca por dinheiro! Ou seja, custa tanto a falar que quando fala a frase já vem vencida, usada e abusada. Já teve vontade de explodir quando queria estudar e os outros não deixavam, mas ficou com medo do barulho passar a ser mais requisitado do que o som de axé do som de Rosiris. Tem uma tosse crônica, que ela diz que é sotaque do Ceará.
De onde veio: do Ceará, ou melhor, de uma banda de forró
Despesas mensais: o pensionato, a faculdade, mais o que ela escuta de graça.
Apelido. Os outros nunca perderam tempo em colocar porque, como ela não fala, nem vale a pena ficar chateada.

sábado, 11 de julho de 2009

A LINGUA DO SANTO

Artigo publicado no Jornal O estado do maranhão, neste sábado,


A LÍNGUA DO SANTO


José Ewerton Neto, membro da AML, autor Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com


Muita gente fala sobre o culto religioso afro-brasileiro sem ter conhecimento de causa e pronuncia certas palavras sem saber ao certo o que significam. Num esforço de tornar esse significado mais accessível eis uma modesta tentativa de entende-las, adaptando-as ao nosso cotidiano.



1. Amaci. Banho de ervas sagradas, usado para purificação.
Eis aí o que deve estar faltando para grande parte dos políticos brasileiros, sempre tão contestados. Antes de tomar posse todos deveriam praticar um amaci. Haja erva!

2. Axé. Energia vital. Força espiritual da natureza.
O que têm a ver com isso o ritmo baiano denominado axé? Em vez de energia vital, energia elétrica, em vez de força espiritual, força em decibéis. Em vez de uma dupla (energia vital e força espiritual) um trio elétrico. Não deveria ser Axé-music, mas Ache-música.

3. Agô. Licença, permissão, perdão. Ex. “Agô, meu pai!”
Dizem que a turma do PT está doida para adaptar-se à língua do santo como forma de melhor exaltar Lula, mais ou menos como era reverenciado ACM na Bahia. “Agô, presidente Lula, nosso pai!”

4. Bori: Ritos para o fortalecimento espiritual da cabeça (ori ) de uma pessoa, por meio de oferecimento de alimentos Ex. “Dar comida ao ori.”
A bolsa-família, portanto, não passa de uma espécie de Bori, do governo Lula para o povo. Deu tão certo, (não só espiritualmente) que o povo ficou de cabeça feita para o resto da vida.

5. Corpo fechado. Proteção contra inimigos e má sorte, obtida por meio de rituais como a abertura de pequenas incisões na pele, em que pós mágicos são inseridos.
A maioria das atrizes da tevê vive dizendo que têm o corpo fechado contra as intrigas das concorrentes e da imprensa. Pois é, quanto mais corpo fechado, mais abrem as pernas.

6. Descarrego. Ritos ( banhos, passes , oferendas etc.) para afastar as energias negativas e abrir os caminhos de uma pessoa.
O descarrego de Dunga, técnico do Brasil, tem dois nomes: mediocridade ( dos demais times ) e Luis Fabiano.

7. Equede. Cargo do candomblé reservado às mulheres que não entram em transe. Uma de suas funções é auxiliar os membros do terreiro quando incorporados.
Suzana Vieira e Ana Maria Braga acham que poderiam ser equedes. Elas juram que só entram em transe quando vêm rapazinhos cafajestes, com idade para serem seus netos.

8. Encosto. Perturbações atribuídas aos maus espíritos ou a energias negativas.
Os técnicos Muricy Ramalho e Vanderlei Luxemburgo, depois de demitidos correram para a imprensa para jurar que ficaram assim por causa de um encosto. Querem fazer acreditar que seus fracassos nada têm a ver com o fato de serem dois incompetentes, disfarçados de sumidades.

10. Odara. Bonito, saudável, equilibrado, ereto, duro e grande.
Caetano Veloso fez uma música com esse nome. Com certeza, não se inspirou em si mesmo.

8. Obsessão. Perturbação de origem espiritual.
Toda obsessão tem origem difícil. A obsessão de Lula pelo Coríntians a ponto de fretar um avião para papagaiar os jogadores do time depois de uma modesta conquista (menosprezando assim todos os demais times brasileiros) talvez seja apenas uma obsessão meio boba, de origem espiritual. Será? Nem assim se explica.

11. Ponto Riscado. Desenho ou digrama feito pela entidade espiritual no chão do terreiro contendo os símbolos que a identificam.
As autoridades francesas que, até agora, não deram resposta sobre a causa da queda do Air Bus ( e nem vão dar) deveriam se mancar e pedir a ajuda de um pai de santo, para substituir a parafernália dos seus computadores de bordo por um ponto riscado. Ficaria muito mais seguro.
12. Orixá. Nome genérico das divindades usado no terreiro de rito nagô ou queto.
Como no Brasil todo mundo se julga ou é tratado como divindade ( de Ronaldo fenômeno a Ivete Sangalo, passando por Paulo Coelho e qualquer BBB) está explicado porque no terreiro Brasil as únicas divindades que não faturam com isso são os orixás.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

UM CONTRATO PARA MICHAEL(JOHN E ELVIS)


UM CONTRATO PARA MICHAEL (JOHN e ELVIS)



“De todos os mecanismos de fuga a morte é o mais eficaz.” H.L.Mencken



José Ewerton Neto, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com




Em algum momento, morte e vida parecem estabelecer um contrato em relação ao futuro de alguns seres humanos. Como se a vida dissesse : “Quero que estes sejam meus e suas trajetórias sejam fulgurantes” e a morte concordasse, mas impondo suas condições: “Tudo bem, mas assim que começar a decadência, eu os arranco para mim.” Assim, nesses seres especiais, escolhidos em meio à horda humana vão se conjugar talento, fama, dinheiro, solidão, stress, decadência e morte precoce. Ou será apenas por coincidência que Elvis Presley, John Lennon e Michael Jackson, os símbolos máximos da música pop e da juventude moderna, tenham tido trajetórias de vida tão parecidas?


Talvez, mas como se pareceram desde o início! Infância conturbada (recente biografia de John sugere que ele tinha relação incestuosa, não resolvida, com a mãe, e o menino Jackson sofria com os estupros que seu pai praticava com uma de suas irmãs), juventude arrebatadora à reboque de talento precoce, vida adulta transbordante de drogas, amores insatisfeitos, e fama, muita fama. A montanha de dinheiro surge como conseqüência e não como principal objetivo. Afinal de contas, o móvel de suas vidas é a fama e o brilho: a consciência do próprio talento não os deixam raciocinar com a mente chã dos carreiristas de multinacionais e órgãos públicos. Alguém há de ponderar que os Beatles ainda não morreram todos e que John não tombou de overdose, mas foi assassinado.


Enganam-se; pois os Beatles já estavam mortos desde que se fragmentaram (o sonho acabou, dissera John e ele sabia melhor que ninguém que a vida acaba quando o sonho acaba). Sua morte, por mãos estranhas, apenas incorporou o trágico para emoldurar o tédio de quem não suportaria a decadência no rumo do homem comum, ao aceitar, como válvula de escape para suas indagações artísticas e existenciais, a convivência com uma artista vulgar e sem brilho como Yoko Ono. Como se a morte - do contrato acima - tentasse preservar o ídolo, transformando-o em mito, para que ele não aportasse à velhice anódina e quotidiana, própria dos que envelhecem à deriva de um brilho que já não há, como tantos artistas – só para lembrar os do ramo musical brasileiro- Caetano Veloso, Chico Buarque, Milton Nascimento e outros. Noel Rosa, outro que morreu cedo, claro, é de outra estirpe.


O apogeu desses três músicos, a ponto de terem se transformado em lendas, não teve raízes apenas no talento, mas no fato de incorporarem, em determinado instante de suas vidas, a tradução das aspirações de jovens cuja “rebeldia sem causa”, inerente ao universo de perspectivas conflitantes num universo cada vez mais inseguro, escolhe na música e no comportamento de seus ídolos, o escoadouro para seus horizontes limitados. Elvis Presley, o primeiro, encarnou com seus requebros e sua música sedutora, a promessa visual dessas realizações. John Lennon (os Beatles), inspirado no primeiro, projetou a fugaz possibilidade de um universo novo, contestador e realizável; e Michael, Jackson, embora perdido nas elucubrações de um novo poder; o midiático, num mundo já fragmentado e sem ilusões, mesmo assim era o sobrevivente da eterna utopia, a referência ainda possível para milhões de adolescentes do mundo todo.


Sem dúvida, foi apenas com os Beatles que as aspirações juvenis ao longo de todas as épocas ganharam o status de uma revolução. Através deles e de suas músicas inaugurou-se o tempo em que o espírito jovem e sua inquietação, começaram a pairar sobre outras necessidades sociais – uma avalanche vaga como o conceito da juventude, que, no entanto, sobreviveu por mais de uma década e deixou marcas para sempre. É fácil perceber, contudo, que em termos mundiais, pouco se poderá esperar para o futuro de novos ídolos com a mesma força aglutinadora de seus anseios. Muito da melhor da arte estaria perdido sem juventude perdida, como o comprovaram, Rimbaud, Caravaggio, James Dean, Marlon Brando, os escritores beats e outros tantos, mas nada surge mais perdido nas gerações atuais que a incapacidade de descobrir os tesouros dessa perdição, pois “A juventude não passa de uma ilusão que os jovens perdem de propósito, em troca da ilusão futura de que a tiveram um dia.”


Um sintoma dessa decadência - da rebeldia jovem no sentido criativo - se verifica aqui mesmo, no Brasil, onde o predomínio da música de forró eletrônico e de pagodes cosméticos, muito mais que extratos de uma pobreza musical avassaladora , denotam uma juventude que não consegue mais extrair de sua rebeldia natural um dom, e que resume, na ostentação de uma mediocridade musical em altíssimos decibéis, uma apatia típica de desiludidos.


O que sucedeu, após o fim de Jackson, foi do mesmo teor para todos, como se viu à exaustão depois da morte deste: fãs lacrimejantes, declarações de amor, recorrência a frases feitas, na boca de gente que pouco têm a ver com o ambiente artístico, como presidentes e autoridades. Uma epidemia tão pouco convincente de compaixão, beirando a histeria, que nos leva à pergunta intuitiva “Precisava tudo isso?”, mas de onde não se consegue bloquear, contudo, um sentimento real e inexplicável de pesar, que nos invade como um surto de melodia plangente em nosso sangue, mesmo que não os aceitemos como ídolos.


É que, independente da geração a que pertencemos, não somos arrebatados pelos personagens, mas pelas suas músicas. Elas é que nos incorporaram e não o vice-versa. E, ao escutá-las mais uma vez, resgatando inopinadamente um pedaço de nossa memória que ainda queríamos vivo, somos possuídos pelo impulso de reverenciar com nossa tristeza e comoção, conscientemente ou não, aqueles que tornaram possível isso e que já não estão mais.
O CÉU É A CHAPINHA


José Ewerton Neto, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?
ewerton.neto@hotmail.com



Alguns anos atrás muitas queriam ser louras. Podia não ser por causa dos homens, mas era, pelo menos, pelo efeito que se supõe que vá causar em alguém, quem sabe no cachorrinho da vizinha ou no gato de estimação. O cabelo tinha que ser louro, os dentes, o sorriso, a sobrancelha e até a mente.

Foi a época em que se deu o surto da loura burra, denunciada pela música. Quando perceberam que estavam indo longe demais e que seus neurônios, já poucos, estavam diminuindo mais ainda, as crioulas louras resolveram dar para trás (favor não confundir) e a onda refreou um pouco. Ser loura estava dando muito trabalho e, como estava difícil a uma sarará se destacar num mundo repleto de louras, viram que o lucro era pequeno, já que gastavam muita tinta, perdiam muitos namorados e ainda passavam por burras.

A solução para essa eterna ânsia de inconformismo, nunca refreado, com o que Deus deu a cada uma, surgiu recentemente com um dispositivo denominado chapinha. Sim, chapinha, um nomezinho até faceiro, tão vulgar e nada mágico, no diminutivo, como elas carinhosamente gostam, e com uma promessa irresistível: tornar seus cabelos muito lisos, mais lisos do que bunda de estátua, ou melhor, mais lisos do que a bolsa de muitas.

De que se trata mesmo? De uma nova geringonça tecnológica, que pode até se apresentar no formato ameno que elas desejam, mas que, no fundo, não passa de uma corruptela do ferro elétrico, pronta para executar, a ferro e fogo - e elétrons muito revoltados - a tarefa de distender todas as moléculas de seus cabelos espessos, até torna-los lisos. Uma expressão da força física da natureza, domada a serviço do improviso humano, ou melhor, das mulheres. Estatística recente mostrou que em cada 100 mulheres 90 já fizeram chapinha, 5 querem fazer , 4 morrem de vontade de fazer e uma já morreu fazendo. Alguma razão para tanta preferência? Conjeturemos ao redor de algumas:

1. Ânsia de mudança. Todo mundo quer mudar, é da natureza humana estar sempre inconformada com o que quer que seja e, sabendo-se que a única coisa que pode ser alterada no corpo são os cabelos, nada como uma chapinha. Quem tem cabelo pinchaim passa para duro, quem tem duro passa para esticado, quem tem esticado passa para massacrado, quem tem massacrado passa para liso, quem tem liso passa para flutuante e quem tem flutuante passa para aéreo. Aéreo, na realidade, não passa de um eufemismo, para não ficarem ofendidas com o vulgar careca.

2. Dá menos trabalho. Claro que deve haver um forte impulso sado- masoquista na atitude de alguém que cede os seus adorados cabelos para serem esmagados por uma resistência elétrica a mais de 100 graus. Porém, por mais doloroso que isso pareça, é sempre bom lembrar que qualquer outras alteração que se deseje no corpo demanda uma série de penalidades, muito mais torturantes e caras. As mulheres se conformam, fantasiando que comprimir o seu cabelo num chapa quente é uma sensação tão agradável quanto a que deve sentir um saco de estopa, quando engomado por um ferro elétrico, mas tudo bem. Algumas são capazes de jurar que dá até para sentir uma gostosa brisa refrescante.

3. Está na moda. Nenhuma mulher, de verdade, deixa de se incomodar com uma pergunta do tipo: “O que você está esperando para experimentar?” Que equivale a dizer: “Como você é fora de moda!” Por isso, a sensação de ir a uma festa sem chapinha é a mesma de estar usando um manjado marido, numa balada promovida por estudantes. Ou tomando chá verde quando as amigas já estão na décima dose de caipirinha. Sem contar que muito melhor que o resultado da chapinha é a expectativa. Ficarei com a cara da Vitória Beckam ou da Taís Araújo? Ou, sendo pessimista, da Suzana Vieira ou do Clodovil? Nesse ambiente, de profunda insegurança, basta observar o olhar de admiração do seu chefe para uma estagiária recém-contratada para concluir pesarosa: “Só foi contratada por causa da chapinha.”

Se, como dizia Oscar Wilde, não existe pecado maior que o tédio, a chapinha no cabelo é o movimento mais ao alcance delas, na vida atual, para não pecar. Contra o tédio da realidade, contra as injustiças do mundo e contra a própria incoerência de desejar ser preta na hora da cota do vestibular, mas preferir ter o cabelo liso, na hora de se exibir.

Mais importante do que a constituição, as discussões infindáveis sobre o aborto, o aquecimento global e sobre qual foi a causa da queda do avião da Air-France, ter uma chapinha à vista, para elas, é a solução universal para tudo e mais alguma coisa, porque uma mulher sem chapinha pode até ter o céu no firmamento, mas não na cabeça.


quarta-feira, 24 de junho de 2009

NOTICIAS DA SEMANA



A MOSCA AZUL DE OBAMA

José Ewerton Neto, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com



A semana correu, mais uma vez, plena de campeonatos, de estilos e de moscas. A de Obama que, nem era tão azul assim, como a de Machado de Assis, teve um fim trágico e fica para o final.


1. Ramires, o acelerado. O novo fenômeno da seleção do Dunga que
deu de 4 no Uruguai e de 3 na Itália é o meio-campo Ramires que se sobressai pela velocidade. Ele explica que corre tanto assim porque aprendeu, desde criança, a correr para não apanhar da sua avó. ( Eta avó patriota!)
Por falar nisso, o que andava fazendo a avó do Barichello, que não agiu assim, quando ele era criança?

2. Tragédia no ar. Mais um piloto morreu, em pleno ar, semana passada, dirigindo um avião. Nada aconteceu, felizmente, com tripulantes e passageiros, ao contrário do que ocorreu com as vítimas do fatídico vôo da da Air-France. Tudo indica que a tão decantada tecnologia moderna aplicada a aviação obedece à seguinte lei: “Ser humano pode dar pane que ninguém morre, já computador; se romper um fiozinho....”

3. Manzuá em ação. E a operação Manzuá (?) continua em ação fechando bares e mais bares, além de quiosques, nesta capital. Ao mesmo tempo, os jornais denunciam que ninguém pode mais ficar tranqüilo no retorno mais agitado da cidade que é o de São Francisco, sem o risco de ser assaltado. Se existe irregularidade tudo bem, mas uma primeira explicação que os mentores dessas operações poderiam dar à comunidade é a que se refere ao título das mesmas. Satiagrahas, manzuá, o que significam? Puxa vida, para quê tanto nome complicado? Se não explicarem logo muita gente vai acabar pensando que manzuá quer dizer o seguinte: policial para fechar bar sempre tem aos montes, mas não para prender bandido.

4. Boa de torpedo. Uma adolescente de 15 anos, Kate Moore, ganhou, nos USA, 50 mil dólares, num campeonato para enviar torpedos, com olhos fechados. Como se sabe, americano, mesmo em crise, a coisa que mais aprecia é premiar competições estúpidas. Temos de reconhecer, no entanto que, essa não prejudica ninguém, ao contrário do Brasil, em que a única competição possível relativa a celular nessa faixa de idade é a de quem teve o seu celular roubado mais vezes. Que tal enviar a idéia para o Faustão? Se fosse oficializada, muita gatinha da ilha estaria prestes a ganhar cinquentão.

5. Bom de avião Um pesquisador Cosme Degenear deu-se ao trabalho de pesquisar e publicar um livro apenas para provar que Santos Dumont, o pai da aviação, não era homossexual, ao contrário do que insistem em propagar. A grande dificuldade (não relatada) da pesquisa, certamente foi a de tentar identificar Santos Dumont numa parada gay, já que nessa época elas não existiam. Quanto às provas, ele afirma categoricamente que Santos Dumont sobrevoava muitas vezes a casa da dançarina Cléo Merode, que foi amante do rei da Bélgica. Pelo retrato da moça, como se vê na reportagem, de uma coisa a gente pode ficar certo: Santos Dumont em cima ou em baixo, não conseguia ficar longe de um avião.

6. De 90 para 150 milhões. E, de repente, não mais que de repente os afrodescendentes (que agora não são mais negros nem pretos) passarão de 90 para 150 milhões. Nada a ver com o aumento desenfreado da atividade sexual, mas com a mudança dos questionários que serão utilizados nos próximos censos sobre a raça. Donde se deduz que um bom questionário e um bom sistema de cotas faz mais pela mudança de raça do que a evolução das espécies. Pobre Darwin! Com toda sua genialidade, jamais teria previsto isso, coitado!

7. O dicionário de Gilmar Mendes. “Temos no Brasil um dicionário de abusos de autoridades que vai de A a Z”, disse Gilmar Mendes comentando a mobilização de promotores que discordam do projeto de Paulo Maluf, que propõe sanções a autores de ações públicas ineptas. Portanto, a acreditar em Gilmar, o abuso das autoridades não é maior não só porque o dia só tem 24 horas, mas porque o nosso alfabeto só tem (por enquanto) vinte e três letras.

8. O estilo de Obama Barack Obama provou mesmo que é o homem mais estiloso do mundo, ao ser escolhido numa pesquisa em que desbancou gente fina como Brad Pitt. Dias depois, em plena entrevista à rede CNBC da Casa Branca, pediu silêncio ao entrevistador e fez a palma direita de sua mão desabar sobre a esquerda , fulminando a pobre mosca que o perturbava. (Isso é que é ter estilo!) Dizem que o que tem de perua deslumbrada nesta cidade, treinando na cozinha de sua casa para poder matar pelo menos uma mosca na próxima festa de “gente bonita”, não está escrito.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

PRECAVENHAM-SE, GAROTAS



Cronica publicada em O Estado do Maranhão, seção Hoje é dia de, há um mes atras


FIQUEM ESPERTAS, GAROTAS!

Jose Ewerton Neto, engenheiro, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?
ewerton.neto@hotmail.com




Para as garotas que gostam de curtir a vida adoidado é sempre bom lembrar que por mais especialistas que sejam em fazer um bom uso dos seus buracos, o buraco é mais embaixo. E, infelizmente, pode ser aquele que é para sempre.
Mais um caso aconteceu semana passada, agora em Imperatriz, somando-se aos tantos que já vêm ocorrendo, na Ilha, de alguns anos para cá. Normalmente, a coisa se dá assim: a garota conhece um coroa e vai para um motel. Ele, interessado em provar que ainda está mais vivo do que nunca, e ela em demonstrar que já é muito viva. De repente, pimba! O coração do velho ( nessa hora qualquer coroa é promovido a velho e velho a defunto) não agüenta e ele cai para sempre. Bote sufoco nisso! Se explicar todos os detalhes para a polícia já é constrangedor, imagine para os netos do dito cujo!
Seguem algumas recomendações, sempre oportunas:
1. Exija o check-up antes. Isso mesmo, além da camisinha, radiografias;
além de presentinhos, documentos que possam comprovar a idade certa do indivíduo - eles costumam mentir. Desconfie de qualquer palavreado romântico. Se o sujeito vier com o papo de que “Meu coração bate mais forte quando te vê” desconfie. Isso pode ser muito, muito perigoso.
2. Fuja dos grupos de risco. Entenda-se, homens com mais de quarenta anos. A
partir dessa idade suas chances de copular com um cadáver aumentam na razão direta das tentativas em vão do pobre coitado. Não se impressione com a aparência. Hoje qualquer injeçãozinha de botox faz misérias no rosto de um homem “maduro”. É muito mais seguro avaliar pela papada do pescoço.
3. Seja pragmática. Se seu problema for simplesmente a busca de prazer e o tempo para chegar até ele, faça então como Suzana Vieira: troque um de cinqüenta por dois de vinte e cinco. Ou então como Madonna, fique com três, de dezessete. Se os rapazes não derem conta do recado, o que é muito comum, não se envergonhe e aceite o assédio daquela sua antiga colega, de jaqueta, da qual há muito você desconfia. Ainda que você não se considere piranha, supõe-se que seu conhecimento do ramo aquático seja mais do que suficiente para saber que um peixe pode até morrer pela boca, mas ela não.
4. Nunca dê mais de uma. Contenha-se, fique fria, assista a um filme pornô, dê asas à imaginação e procure satisfazer-se com apenas uma. A partir da segunda suas chances de alcançar um inesquecível orgasmo avançam na mesma proporção que as dele de tornar-se um olvidado cadáver. Mesmo que este se anuncie de “morte” na cama, nada compensa um morto instalado entre suas pernas, já que a sua primeira providência, pós-morte, será a de fazer de conta que sua nova cama é você. Se ele insistir, tente faze-lo perceber que um caixão de defunto custa muito mais caro do que uma cama de motel.
5. Fique de olho bem aberto. Embora os olhos fechados possam estimular as fantasias, a partir de agora, mantê-los bem abertos, passa a ser uma questão de segurança. Não bastam os ouvidos atentos, porque os gritos e sussurros que sinalizam o prazer são também, por uma cruel ironia, os mesmos sons que denunciam a morte próxima. Somente os olhos bem abertos poderão lhe avisar quando os do parceiro estão prestes a passar de uma breve fantasia no céu para uma longa estadia no inferno – ou purgatório.
5. Não vá de carro pequeno. Evite carrinhos pequenos tipo corsa, gol etc. De moto, nem pensar. Um carro desse tamanho jamais dará para ocultar um defunto estirado no banco traseiro. É sempre bom lembrar de que o ex-parceiro, agora cadáver, estará mais duro do que esteve o seu órgão há poucos minutos. (Não será por causa disso que tem tanto coroa rodando por aí, de carro grande, em ruas tão estreitas?) Se você tiver chances de adentrar o motel numa ambulância isso seria o ideal, pela segurança , conforto e praticidade. Além do mais, se o pior acontecer, será muito melhor dar uma de enfermeira do que de tarada.
6. Seja uma enfermeira em potencial. Mesmo que você jamais vá se especializar em enfermaria, conheça, pelo menos, os rudimentos da profissão. Controle de pressão, de batimentos cardíacos, de palidez no rosto e de efeitos colaterais de viagra, são itens agora essenciais para sua sobrevivência. Especialize-se em primeiros socorros Use de toda a experiência que você já tem com o uso da boca para aprimorar-se também num boca-a-boca salvador . Aprimore-se sempre, tendo sempre em mente que a diferença de uma amante para uma enfermeira pode ser menor do que você pensa: uma ganha para aplicar injeção, a outra para receber.
Claro que existem, além destas, muitas outras precauções, que uma garota big-brother e antenada como você ( só ambição e prazer ) deve estar “careca” de saber, mas, acreditamos que estas sejam as essenciais para o seu futuro. Nada como adaptar para si um famoso slogan do passado: “Não faça do seu parceiro uma vítima, a arma poderá ser você.”

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DOS PORCOS

Cronica publicada no jornal O Estado do Maranhão, seção Hoje é dia de

sábado retrasado

DECLARAÇÃO DOS DIREITOS DOS PORCOS

José Ewerton Neto, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?

ewerton.neto@hotmail.com


Logo depois da proliferação da gripe suína, surgiu em diversos locais da grande imprensa uma Declaração dos Direitos dos Porcos. Alguém viu? Quem conseguiu ler percebeu que esse manifesto, muito mais que uma declaração, é um libelo contra a injustiça sofrida, ao longo dos anos, por essa raça . (Para os que não conseguiram encontra-la e gostariam de conhecer o conteúdo da mesma aconselha-se observar com bastante atenção - e algum carinho - para o olhar de um humilde porco.) Eis um breve resumo:


1. Todo porco tem o direito de não ter sua raça associada à doenças contagiosas, epidemias, pandemias e quantas mias pela frente os humanos inventarem, lembrando que a única espécie de animal que deve gostar disso, porque mia, é gato e não porco.

2. Todo porco gostaria que, em definitivo, evitassem usar sua raça como símbolo de tudo quanto é porcaria que existe no mundo, lembrando que por mais sujo que um porco possa vir a ser nenhum deles jamais gostou de imundícies como o Big-Brother.

3. Todo porco gostaria de lembrar que não chafurda na lama porque gosta, mas por uma imposição da natureza, para refrescar suas glândulas, ao contrário dos homens, que chafurdam nas lamas da corrupção, à troco de qualquer centavo.

4. Desde que já é tratado e destratado como porco, ignorado como porco e assassinado por ser porco, todo porco gostaria de pedir aos seres humanos que façam o mesmo com seus restos mortais, não se permitindo regalarem-se com sua carne em churrascos e recepções, lembrando que se um porco é sujo e desprezível, suas carnes assim deveriam ser consideradas também.

5. Todo porco avisa que nenhum deles jamais deixou de gostar de suas fêmeas por causa de suas gorduras, ao contrário do que fazem os homens com suas mulheres. Lembrando que, se Deus as dotou de gorduras para melhor cumprirem sua função reprodutiva, isso é que deveria ser levado em conta como referência para a beleza, e não a magreza, que as escraviza para que alguns espertalhões enriqueçam, vendendo ilusão em nome da beleza.

6. Todo porco gostaria de saber a razão de estar tão definitivamente excluído da vida moderna e das poucas coisas boas que esta pode proporcionar a um animal. Também gostaria de saber porque a raça humana tem direcionado seus escassos afetos para outros tipos de animais como cães, gatos, cavalos e papagaios. E, gostaria de pleitear já que está tão na moda, que fossem instituídas cotas em favor de sua raça também, possibilitando-lhe o acesso a avenidas, parques, praias e parques de diversão. (Aliás, por que será mesmo que nenhum ser humano jamais perguntou a um porco se ele prefere, de verdade, um chiqueiro a um salão de cabeleireiro?)

7. Todo porco gostaria de lembrar em definitivo que pança não é pecado, banha não é doença e gordura não é crime. E que embora viva e chafurde no lixo um porco jamais seria capaz de se “lixar para seus semelhantes” como disse publicamente um certo deputado defensor do código de ética, mais porco do que todo porco e muito humano, demasiadamente humano, como diria o mais famoso dos seus filósofos: Nietzche.

8. Todo porco gostaria de saber por que nunca se fazem romances e filmes tendo como tema um porco como herói. Pois se cães são temas de best-sellers e gatos aparecem em programas de televisão com tanto sucesso, qual a razão de tanta discriminação contra os porcos? Por que um cachorro pode ter nome de gente, se chamar Marley e ser herói de filme, enquanto só sobra para um porco ser chamado de porco o resto de sua vida?

9. Para finalizar, todo porco gostaria de lembrar da frase definitiva de Winston Churchill (que era, aliás, saudável, inteligente, gordo e sincero, como um porco):
“Os gatos olham para o ser humano de cima para baixo, os cães de baixo para cima, só os porcos nos olham diretamente, fixos nos olhos.”
E de enfatizar que isso só acontece porque – (e todo porco espera que de hoje em diante nenhum ser humano jamais tenha dúvidas disso) - um porco sabe, e conhece perfeitamente, aquele que é seu igual.

O DEUS INTERNET

O DEUS INTERNET ( artigo do jornal O Estado do Maranhão, seção Hoje é dia de ( aos sábados)


Jose Ewerton Neto, membro da AML, autor de Ei, você conhece Alexander Guaracy?




ewerton.neto@hotmail.com




Você pode fazer o que quiser na Internet, a Internet pode fazer o que quiser de você. Décadas atrás, quando Deus ainda não era tão execrado pelos cientistas, dizia-se o mesmo em relação a ele. Tudo indica que o mundo atual move-se em direção a preferir a Internet como o novo Deus, ou pelo menos uma nova espécie de deus.
No começo, usava-se a Internet apenas como um tipo de pombo-correio da vida moderna até que ela se tornou, pouco a pouco, a referência para tudo e mais alguma coisa. Desnecessário listar o que já pode se fazer nela: sexo, pedofilia, música, fuxico, exposição, operação bancária, jogos e..Semana passada, no entanto, surpreendi-me com mais algumas. A primeira delas: a venda de hóstia pela Internet. Ou seja, o corpo de Deus já pode ser adquirido pela rede, como não mais o Deus total, absoluto, mas em pedacinhos, para consumo.
Na mesma edição do jornal, deparei-me com outra, um
concurso de poesia cujo premio é de nove mil reais. Nada tão corriqueiro, não é mesmo? De fato, mas em se tratando de poesia, trazendo uma bizarra surpresa: a decisão do concurso não dependerá de uma análise de escritores ou especialistas, mas de um julgamento baseado na avaliação dos internautas. Dos internautas? Isso mesmo, as coitadas das poesias ficarão à mercê dos mesmos julgadores que outro dia chegaram à brilhante conclusão de que Ronaldo Fenômeno foi melhor do que Pelé. O que seria de Gonçalves Dias, se ele vivesse hoje? Finalmente, ainda na mesma edição do jornal, a informação de que a partir de agora você pode ter a sua própria televisão na Internet. Como se fosse um Silvio Santos.
Mais do que surpreendente, há algo de patético na percepção de
que, se antigamente você não podia se desgarrar da frente de uma televisão, a partir de agora você vai poder tira-la de si . Pois é, você é uma televisão e não sabia. Refletindo bem, nada mais natural: a Internet e a televisão são irmãs siamesas em seus propósitos de produzirem ilusão em benefício do maior prazer de todo ser humano, que é o de fugir, a qualquer custo, de sua própria realidade. Não é de estranhar que se entrelacem no objetivo comum de promoverem o escapismo diante da fragilidade mental da maioria dos espectadores. Como Susan Boyle.
Todos lembram do episódio: a moça inglesa, pobre, desengonçada e feia, de repente foi alçada, através de um programa de calouros, à condição de celebridade. O mundo inteiro se deslumbrou com a moça, num frenesi que só encerrou quando os mentores do programa decidiram que dela não mais precisavam, porque o objetivo maior do programa, que era a audiência, havia sido atingido. Tendo cumprido o seu pungente - e grotesco papel – Susan podia agora ser reduzida ao que sempre fora: uma caçadora de sonhos, só que, a partir de agora, premiada com uma psicopatia, decorrente da frustração de ter tido seu sonho massacrado, justamente por aqueles que o venderam.
Fato equivalente aconteceu anos atrás, aqui mesmo, em São Luis. Para participar do programa Se vira nos trinta um pobre homem da periferia de São Luis, esforçou-se tanto em praticar estripulias que acabou se matando. Desta vez, o causador virtual de sua morte, o apresentador Faustão, idealizador domingueiro de patacoadas para deleite de pobres de espírito, sequer tomou conhecimento do caso. Ora, para quê? A vida perdida do rapaz pertencia a um mundo diferente do seu, cuja ocupação mais salutar em benefício da sociedade é a de contar as cédulas do seu salário astronômico de 5 milhões de reais.
Em recente artigo a respeito da menina Maysa e do efeito
transgressor (em sua infância) dos manipuladores de imagem escreveu Ivana Bentes ao caderno Mais, da Folha de São Paulo: “ Nós, telespectadores somos a matéria-prima em diferentes sentidos.... Somos nós que emprestamos nosso tempo, nossa subjetividade e nosso imaginário para criar valor na tevê. Ou seja, o que a mídia vende não é a publicidade – somos nós mesmos.” Sabendo-se que todo ser humano é indefeso diante de um elogio, o elogio da mediocridade como se vê em tantos programas como o Big-Brother, Faustão e tantos outros, faz parte de um jogo previamente inserido no que poderia se chamar de religião midiática para que seres humanos sejam cada vez mais e continuamente iludidos por gente boçal, porém muito esperta.
Deus é pop, exibe a capa da Época, e tenta comprovar isso
com frases com as da diaconisa Julia: “Deus está bombando”, ou da existência de redes de relacionamentos como a intitulada “ Mais Deus, menos religião” que, criada por Rafael Lins, de 19 anos, já tem mais de seis mil participantes. Isso sugere que já não existem mais divindades absolutas, e o Deus atual depende, para sua sobrevivência, menos da fé do que das elucubrações à solta na rede, onde cada um pode, a qualquer instante, inventar o seu próprio Deus.
Os cientistas atuais vociferam contra a existência de Deus e ao proclamarem: “Não existe mais Deus”, devem estar com a razão. O céu e o inferno já não estão além . O inferno, que para Jean Paul Sartre era os outros, agora é você mesmo, seu medo de ficar só, sua incapacidade de gostar de si, de ler seus livros ou cultivar seu talento pessoal. Já o céu, ora, o céu são quinze segundos de fama e poder.
Corramos, pois, para o paraíso: a Internet e a televisão nos esperam e a corrida nem é tão longa assim!