terça-feira, 28 de junho de 2011

SÓ MAIS UMA SAIDEIRA

artigo publicado no jornal

O estado do Maranhão, Seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo







Todo bêbado, aparentemente, sabe o que é uma saideira. Pelo menos, enquanto ainda está tomando a primeira delas. É óbvio que depois desta vem uma outra, mais outra, enfim dezenas... Apenas raia sanguínea e fresca a madrugada, como diria o poeta.
Nesses tempos de São João de poucos arraiais e muitos cornos; de poucos bois vivos, mas de muito boi morto (no espeto), a preço turístico, é mister tomar uma saideira, quando mais não seja até para prolongar a ilusão de que ainda se vê o mesmo São João de outrora.
Mas, o que é mesmo a saideira? Nada como recorrer às grandes definições científicas.

Definição Matemática: “A SAIDEIRA é a dízima periódica da Beberologia”

Química: “ A SAIDEIRA é o único líquido com teor de álcool – ainda - superior ao do bêbado.”

Biológica: “ A SAIDEIRA é a única tentativa evolutiva bem-sucedida do homem eternizar-se ( em cima de um copo). Enquanto não chega ao cemitério: sua saideira definitiva.”

Psicológica: “ A SAIDEIRA começa sendo a tentativa de satisfazer o ego, e termina sendo a tentativa desesperada de descobrir onde ele se meteu.”

Zoológica; “ A SAIDEIRA foi a maneira mais fácil que os homens encontraram para suas mulheres descobrirem o animal que se esconde dentro de cada um.”

Literária: “A SAIDEIRA é um combate, que os fracos abate, aos fortes, aos bravos, só pode exaltar”, de um bêbado recitando Gonçalves Dias, ou de G. Dias, bêbado.

Religiosa: “É um ato derradeiro de fé e esperança em encontrar um caminho de salvação, que não seja o de casa.”

Histórica: “É a declaração de Independência que, parecida com a do Brasil, começa com um fico (na mesa de bar) e termina com um saio (de casa).”

Médica: “É a diarréia do álcool, antecedendo a do alcoólatra.”

Estatística: “É um evento cuja probabilidade de se repetir é diretamente proporcional à promessa de nunca mais acontecer.”

Geográfica: “É uma ilha de copos e garrafas, cercada de idiotas por todos os lados.”

Econômica: “É a única inflação que não é paga a juros econômicos, nem reais, mas incalculáveis: JURO QUE NÃO BEBO MAIS.










segunda-feira, 20 de junho de 2011

O FIM DO ARRAIAL DO RENASCENÇA E...

artigo publicado na sessão Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, O estado do maranhão, sábado


O Arraial, que acabou, foi o do Renascença e, seu fim, não deixa de turvar a alegria pela chegada dos festejos de São João em São Luis. Mas, comecemos pelos E...

...E o terrorista está solto.
Cesare Battisti é o nome dele. É italiano, bandido, assassino e terrorista. Deixou quatro filhos órfãos, um dos quais paralítico, depois de assistir à morte cruel do pai. Estivesse em seu país, onde os bandidos pagam por seus crimes, já teria ido para a cadeia, depois de submetido a julgamento.
“ Mas no Brasil é diferente!” devem ter lhe soltado a pérola. E ele correu para cá. Devem ter lhe dito, entre outras coisas, que este é um país de bandidos para bandidos, como disse um grande historiador.
Dito e feito. O “magnânimo” ex-presidente Lula, antes de sair do Palácio da Alvorada, não esqueceu de, no último ato de seu governo, libertar o assassino. “Para não dar trabalho a Dilma”, disse ele, preferindo dar trabalho “à Consciência Nacional” - se é que isso existe.
O Superior Tribunal referendou seu ato, indicando que eles – os que decidem - devem ter pensando à vista de ministros que enriquecem da noite para o dia, Mensalão e Satiagrahas: “Um a mais não vai fazer diferença!”

...E depois do trem-bala do Vasco, o trem- dos- Municípios.
Pois é, lá vem o trem dos municípios. Completamente descarrilado, com quase 150. ( Dizem que logo depois virá o trem dos Maranhão(s): Maranhão do Sul, do Norte, do Leste, do Centro-Oeste, de cima e de baixo).
Bons tempos aqueles, nos idos dos anos setenta, em que se dizia no semanário carioca o Pasquim que cada vinte e quatro maranhenses, dois livros e uma folha de papel equivaliam a uma Academia de Letras.
Agora é diferente. No Maranhão atual, cada rua com três casas, uma Frontier (do futuro prefeito) e um quebra-molas, equivale a um município.

...E da Pesca aos Tubarões.
A ministra Ideli Salvatti, que era do Ministério da Pesca, foi pescada para ser guardiã dos interesses políticos do Governo. A presidenta deve ter concluído que a amiga deve estar bem preparada para isso, se aprendeu a lidar com tubarões.
Já o outro, o das Relações Institucionais foi convidado a tomar uma canoa e escolher entre encalhar num gabinete obscuro ou se afogar no rio do Ostracismo.
O pior é que o coitado nem leva no nome a única grande virtude de Ideli: “Salva-tti a ti mesmo!”

...E o Arraial agonizou e morreu.
Ao invés da morte do boi a morte do arraial. Quando regressei a São Luis descobri que o bairro do Renascença além de muitas vantagens, tinha uma outra: um arraial particular e único.Todas as brincadeiras peculiares ao período de São João e mais um ambiente familiar e muito próprio para crianças se divertirem sem se atropelarem com as multidões de adultos, cujo propósito, está longe de ser apenas o de apenas se deleitarem com o espírito do São João; com o que ele pode propiciar à imaginação em matéria do lúdico e da fantasia.
Acabou. Foi substituído pelo gigantismo dos demais, pelo espetaculoso, pelo carnavalesco. Onde o bonito não são as danças, o espírito junino e as músicas da terra mas o strip-tease moças e de pseudo-dançarinos, eternos candidatos a BBBs , exibindo corpos sarados por trás de uma expressão mongolóide e uma dança canhestra. Ouvi falar que o arraial do Renascença, de porte médio, foi preterido pelas entidades oficiais em favor daqueles onde a grande atração não são os folguedos, mas as multidões se multiplicando, para gáudio de gente se amontoando sobre gente.
A morte de um arraial é a morte do boi sem um final feliz, quando anuncia o que está se tornando uma praga: mais um carnaval fora de época. Desta vez em Junho.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

PARA QUE SERVE UM NAMORADO

artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão,
seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo, sábado



PARA QUE SERVE UM NAMORADO



ewerton.neto@hotmail.com




Quando perguntada sobre porque preferiu ficar solteira, uma famosa atriz norte-americana respondeu que a razão era muito simples: tinha três animais em casa que faziam tudo o que um homem faz e muito melhor: “um papagaio que só falava palavrão, um cachorro que só vivia latindo e um gato que só chegava em casa de madrugada”.
Ironias à parte, causa estranheza que, diante de suas mais recentes conquistas, as mulheres continuem tão carentes da ostentação de um namorado, e estabeleçam disputas veladas entre si, desfavoráveis para aquelas que não os possuem. Recente matéria neste jornal chega a ponto de sugerir conselhos para aquelas que estão solteiras como se ficar sozinha no Dia dos Namorados fosse um suplício pior do que o de namorar parceiros tão chatos e execráveis como Suzana Vieira - no caso deles, ou Dado Dolabela - no caso delas.
Ainda bem , para nós homens, que elas nunca se deram ao trabalho de perguntar para que serve, afinal de contas, um namorado?

1. Durante muito tempo, um namorado teve alguma utilidade para uma dama. A principal era como protetor, já que, nessa época, era essencial se juntar aos mais fortes. Afinal de contas, eram eles que, espertamente, ficavam com as armas. Crédulas, elas acreditavam até nas histórias de capa e espada – que eles mesmos inventavam – onde um valente e idealizado guerreiro era capaz de batalhar mundos e fundos por amor à sua donzela. (No fundo, eles podiam batalhar mundos, mas estavam mais preocupados era mesmo com o “fundo” delas).
Só depois da proteção vinham o sexo, o amor e a procriação. Lembremos que, nessa época, um namorado era a única alternativa possível já que não havia vibradores, concepção em laboratório e cenas de sexo explícito nas novelas e no BBBrasil. (Nem lesbianismo aplaudido, nem transexuais, nem drags, nem as mais de cinqüenta variações sexuais que hoje existem por aí). O único vibrador que elas conheciam, era o clitóris, mas nele não podiam mexer sob pena de apanhar dos próprios namorados que faziam questão de ignorar esse dispositivo tão natural ( Aliás, até hoje elas se queixam que não são tantos assim aqueles que o conhecem).
Assim, elas se diziam prontas para o amor embora não soubessem exatamente o que significava isso. O namorado, muito menos, mas todos faziam de conta que sim até que chegava o casamento quando a mulher, tão solidária quando sonhadora, tão romântica quanto dedicada, mas, principalmente, com medo de apanhar dizia para aquele que um dia foi seu namorado: “ Senhor, estou pronta para o amor, pode servir-se à vontade” O amor, portanto, durante séculos nunca passou disso e até hoje não se entende como ainda tenha tanta fama neste século. Deve ser por causa das músicas sertanejas.
O desenvolvimento tecnológico trouxe novas “luzes” para a relação amorosa e uma nova vantagem em ter namorado: alguém para trocar lâmpadas. Como todo mundo sabe as mulheres sempre foram inábeis para isso, já que em matéria de luz elas eram mais especialistas em dar à luz do que em acendê-las.. Além disso, por terem estatura mais baixa que os homens, não tinham acesso a lâmpadas, telhados e sótãos ( onde os maridos escondiam os presentinhos das amantes) etc . Hoje, mesmo essa vantagem acabou já que as mulheres cresceram e estão quase da mesma altura dos homens. Tanto subiram que já existe mulher até na presidência da república. Sem namorado, diga-se de passagem.

2. Restou, ao fim, a única e derradeira vantagem: como objeto de ostentação. Um namorado hoje não passa disso, para a nova mulher, a Lady Gaga do século XXI: um adorno como qualquer outro, com a desvantagem comparativa em relação a uma fitinha do senhor do Bonfim – por exemplo - que da fitinha se espera um milagre, enquanto que, de um namorado, sabe-se de antemão que jamais vai sair nada. As poucas que se iludiram um dia acreditando que um namorado servia, também, para leva-las a show de forró já desistiram de acreditar nisso: quando elas conseguem suportar o show é difícil suportar o namorado, e vice-versa
Sem contar último e definitivo risco: o de que, contrariamente a todas as previsões, um dia ele possa se tornar um marido. Nada como um marido do lado, no futuro, para mostrar o quanto pode sair tão trágica essa história de contar vantagem, no dia dos namorados, por estar ao lado de um.

domingo, 5 de junho de 2011

A ULTIMA DO BOM PORTUGUES

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...

O Estado do Maranhão, sábado

A ÚLTIMA DO BOM PORTUGUÊS

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com

Lembram daquela do português? A de que houve um dia um “melhor português do Brasil” e era, justamente, falado no Maranhão? Pois é, está virando piada. Primeiro, porque ninguém está nem aí para essa tal de tradição histórica de falar bem e, segundo, porque, como querem os gramáticos do Ministério da Educação, sequer se precisa mais falar um bom português.

Tudo já foi dito sobre essa discussão, portanto “lá vem a lua saindo, redonda como um botão, se ela virar coalhada nóis come”, como dizia o caboclo. Melhor negócio é sair atrás desse português que, a muito custo descobri, cansado, depauperado e, algo revoltado, em um cantinho qualquer da Praia Grande.

- Ainda estás em São Luis, bom português?

- Aos trancos e barrancos.

- Mais trancos ou mais barrancos?

- Tantos trancos que nem ligo mais para os barrancos. Por exemplo, o de você me chamar de bom português, quando fui, indiscutivelmente e durante muito tempo, o melhor português do Brasil.

- Oh, desculpe. Mas os trancos têm vindo da parte de quem?

- Ora, de quem deveria zelar por mim, dos órgãos oficiais, dos planos culturais, das escolas, dos próprios professores que se recusam a admitir que eu ainda existo, que fui parte do que se chamou Atenas Brasileira, enfim que ainda estou aqui.

- Você se queixa, então que a nova geração não o conhece?

- Não só não me conhece, como está completamente indiferente a mim. Em matéria de português eles prestam muito mais atenção ao português - pra lá de chato! - da tevê, que anda comendo uma atriz da outra, nas novelas e fora delas.

- Ouvi dizer que você está a ponto de desistir de tudo e ir embora.

- Ir embora? Como, se não tenho alternativa? Outrora, era bem recebido em toda parte. Toda vez que um maranhense visitava outro estado, as pessoas de lá diziam logo: “Já ouvi falar em tua terra. É lá que mora o melhor português do Brasil.” Hoje é mais fácil que perguntem: “ Maranhão? Não é a Jamaica Brasileira”?

- Isso sugere que não te adaptaste aos novos tempos.

- Recuso-me a isso. Se adaptar significa falar as besteiras que falam Faustão, Luciana Gimenez e o ex-presidente Lula, estou fora. O idioma deles eu não consigo entender. Aliás, dá para acreditar no que estão tentando fazer?

( Desde o início da entrevista evitava tocar no assunto para não entristece-lo, mas, agora, não havia outro jeito)

- Sei, existe uma turma de idiotas que está propondo que se ensine o português errado nas escolas.

- Ouvi falar disso, claro, mas essas coisas não me entristecem mais. Faz muito tempo que a televisão é a melhor cartilha do mundo para ensinar besteira e sacanagem para crianças e ninguém jamais se importou com isso. Estava falando de coisa muito pior.

- Pior?

- Sim, pior é o que estão tentando fazer no quarto centenário desta nossa cidade Segundo ouvi falar contrataram uma escola de samba do Rio e nela vai ter lugar (ala) para tudo: para bumba-boi, para tambor de crioula, para Alcione, para o Beco da Bosta e até para reggae, só não vai ter lugar para lembrarem de mim: aquele que foi durante muito tempo o melhor português do Brasil.

(Temi pelo pior, ao perceber sua tristeza. Evitei lembrar que ele, de fato, talvez já nem existisse, era quase uma sombra, apenas uma lembrança)

- Talvez reconsiderem isso, Melhor Português. Não fique assim, tenha esperança!

- Sei o que estás pensando, amigo, mas... Não se preocupe, não corro o menor risco de morrer na sua frente de depressão, infarto, ou apoplexia. Sinto-me resignado e calmo, embora sem vontade de viver e resistir. Eu não saberia continuar a viver num país em que as pessoas fazem questão de não serem mais burras, não só porque o dia tem apenas vinte e quatro horas, mas, agora também, porque o alfabeto só tem 23 letras.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

IPTU NELES!

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão, seção

Hoje é dia de...Caderno Alternativo, sábado


IPTU NELES!

ewerton.neto@hotmail.com




É difícil entender a lógica pela qual um cidadão honesto e bom pagador, de repente, não mais que de repente, se veja obrigado a pagar um imposto multiplicado por 3, 4, ou 50 , sem que nada tenha acontecido para justificar tal fato.
Como a obrigação de todo cronista é tentar entender o inexplicável. busquemos encontrar a tão indecifrável razão.

1. Deu a doida no IPTU.
Certo, números, à primeira vista, são incapazes de, por si, ficarem loucos, mas desvarios e erros humanos, costumam estar por trás de suas incongruências. Fórmulas mal empregadas, equações manipuladas, programas - de computadores - mal executados e lá se vai a boa e velha matemática ser estuprada mais uma vez. Vai ver que o que aconteceu foi isso: à mercê de algum louco, deu a louca no IPTU.

2. Culpa de ser “metido a nobre” (sem saber).
Imagine um cidadão que, por algum motivo, acabe morando em bairro tido em São Luis como nobre ( a nobreza ninguém sabe onde está , talvez nos buracos das avenidas, que têm brasão, história e descendência ). Ora, se esse cidadão até hoje não construiu uma mansão condizente com o metro quadrado que ocupa, pela lógica dos tecnocratas, deve ser penalizado por isso. Se não tem dinheiro, isso não interessa, vai ter que pagar pelo que deveria ter e não tem. Portanto, IPTU neles!

3. Uma imposição do crescimento.
A rigor, do ponto de vista da evolução dos itens de crescimento urbano em São Luis, não existe razão para que a taxa do IPTU não seja gigantesca, monumental, avassaladora, absurda e estratosférica!. Afinal de contas, se os buracos de rua são, os rombos orçamentários, idem, e as filas de trânsito também, por que não o IPTU? Se o caos é gigantesco não existe razão nenhuma para que o imposto não seja também. Portanto, IPTU neles!

4. São Luis quatrocentos anos.
Na véspera dos quatrocentos anos da cidade, e sempre com o intuito de preservar a memória dessa celebração, nada como premiar o pobre cidadão com um aumento de imposto do qual ele não vai esquecer nos próximos cem anos. IPTU neles!

5. Culpa pelo costume.
O sanluisense acostumou-se desde cedo (não há outro jeito) com semáforos eternamente apagados, ausência de guarda nas situações de emergência, e carros particulares fazendo lotação irregularmente. Se nunca abriu a boca para reclamar, não vai ser desta vez que o fará. Todos os seus direitos, portanto, prescreveram por inanição. IPTU neles!


6. Igualdade Social às avessas.
Toda administração brasileira pós-Lula, hoje imita sua mania – que virou obrigação - de fazer média com a classe mais pobre, com o fim de angariar votos. Ora, alguém tem que pagar por isso - desde que não sejam os cofres da administração pública...(nem os mensaleiros, nem os corruptos denunciados pelo Ministério Público, nem que os que aumentam seus ganhos vinte vezes em menos de dois meses, como o ministro Pallocci). Nada a ver com redistribuição de renda, mas, simplesmente: esmola com o dinheiro alheio. IPTU neles!.


7. Uma adaptação cultural.
Nada como adaptar os símbolos mais queridos de nossa tradição cultural aos tempos do novo século: tecnologia de comunicação, globalização, internet etc. Haja talento, então, para recriar o poema mais famoso do nosso ilustre e querido poeta, Gonçalves Dias, adaptando-o á realidade atual Ao invés de: “Minha terra tem palmeiras onde canta o sabiá, as aves que aqui gorjeiam não gorjeiam como lá”, que tal?
Minha terra tem palmeiras
Onde canta o sabiá,
E IPTU nas alturas
( mais elevadas que as palmeiras)
Que ninguém pode pagar.

terça-feira, 24 de maio de 2011

REI É REI, PLEBEU É PLEBEU, BANDIDO É BANDIDO.


ewerton.neto@hotmail.com




1. Para que o esperto exista, é necessário que exista também um otário, é a “lei da esperteza”. Assim também só existem reis porque existem plebeus. No mundo globalizado de hoje em que são insignificantes as diferenças de aparência e comportamento humano, seria válido corrigir: “porque existe gente que gosta de ser plebeu” ou, mais exatamente, “pessoas que precisam de reis para adorar”.
Isso explica porque tanta gente, que vive se queixando do ritmo acelerado da vida cotidiana, tenha se sujeitado, semana retrasada, a prestar tanta atenção a um fato corriqueiro, ou seja: a união de dois mortais, príncipes ou não. Que a mídia disso se ocupe tentando extrair alguma vibração das sensaborias corriqueiras de uma celebração comum, até entende-se, mas a submissão atordoante de toda uma população mundial a esse fato, sem que ninguém tenha se dado conta de sua insignificância é que causa estupefação. Ora, que significa um príncipe e seu casamento, principalmente para um povo que nada tem a ver com isso, como o brasileiro?


2. Talvez porque essa seja mais uma das incoerências, tão características do gênero humano: a de transferir o sentimento de sua insignificância para a idolatria de outro. Quando as diferentes raças humanas criaram seus deuses, segundo os cientistas, a mitificação de um ser superior, abstrato, incorpóreo e absoluto surgiu exatamente para suprir esse tipo de carência, mas, e no caso da adoração a seres humanos iguais, onde e como surgiu?
Recorrendo à teoria da evolução talvez descobríssemos que essa dependência se originou quando éramos animais selvagens e lutávamos nas savanas para sobreviver, direcionada àquele que fosse mais forte fisicamente, para que nos amparasse e protegesse. Essa admiração - e submissão - do mais fraco pelo mais forte, evoluiu ao longo de milênios até se fincar no líder, aquele capaz de conduzir um grupo à subsistência. O líder transformou-se, milênios após, nos reis da era cristã, até chegar aos de hoje, que não governam mas perpetuam os símbolos de nossa reverência imemorial.
Não é à toa que – na falta de reis – os inventamos. Xuxa á rainha dos baixinhos, Pelé é o rei do futebol, Roberto Carlos é o rei da música. Luan Santana é rei sabe-se lá de quê. O culto desenfreado dos brasileiros à celebridades insípidas como os atores das telenovelas e os cantores de terceira categoria , ao fim, não passa disso: da falta de reis a quem adorar.


3. Tanta avalanche dessa aura (de reis e reinados) nos pegou desprevenidos quando, simultaneamente, surgiu, do outro lado do Globo, outro rei onde depositar nossa adoração . O jornal New York Times ao mesmo tempo em que publicava em primeira página o beijo do príncipe em sua graciosa princesa, expunha abaixo da imagem – como se tratasse do mesmo fenômeno - a notícia da morte de Osama Bin Laden.
Outro rei? Sim, o tratamento póstumo dado a Osama pelas comunidades muçulmanas passou a ser digno de grandes heróis e mártires, enfim de deuses ou reis. Pouca gente, porém, percebeu que a reportagem citada, ao relacionar acontecimentos tão díspares, em essência revelava iguais faces da mesma moeda: enquanto o Ocidente se curvava para idolatrar o casamento de dois bobos comuns, o Oriente patrocinava a elevação de um terrorista cruel à categoria de herói. .
Pois que tipo de nobreza pode ser atribuída a um homem que manda matar inocentes, covardemente? Cada horda humana escolhe o rei que quer, quando quer e quando precisa, é essa a sina desse monstro sem rosto e sem cérebro denominado povo. Que um aconteça no ocidente festivo e rico e outro no oriente pobre e carente, nada disfarça a extraordinária semelhança desses fatos no âmago de sua densidade real . Brancos e louros, tatuados feito palhaços, perdendo noites de sono para assistirem a um mero enlace matrimonial, são da mesma natureza dos párias orientais, castigados pelo fanatismo e pela ignorância, transformando sanguinários em heróis.
Reis, de fato, não são reis, mas meras projeções de uma carência coletiva cuja aspiração é ter direito a cinco segundos de fama, terroristas jamais serão heróis, mas covardes traiçoeiros que executam milhares à custa de suicidas. Só a gigantesca e eterna massa de iludidos (seja no Oriente ou no Ocidente) é a mesma em todo lugar.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

AS INÉDITAS REVELAÇÕES DO CENSO

Divulgados os dados do último censo realizado em 2010, pouca coisa chegou à maioria da população brasileira. Corrigindo essa falha eis alguns resultados, um tanto quanto inéditos:

1. Brasília é a capital que tem menos mendigos nas ruas. Em compensação é a que tem mais milionário pedindo dinheiro.

2. Cada vez se lê menos literatura no Brasil. No último censo a leitura preferida do brasileiro, no Sul do país era o catálogo telefônico e no Nordeste o classificado de empregos. Devido aos engarrafamentos a leitura preferida dos brasileiros, em todos os estados, passou a ser a de out-doors .

3. O censo constatou que o crescimento do número de marginais no Rio de Janeiro aumentou tanto que o Cristo Redentor , está levantando os braços, um grau e meio a cada década que passa.

4. O fluxo migratório – do Brasil para o exterior – retrocedeu na presente década. Atualmente, há muito maior volume de brasileiros que retornam ao Brasil, sendo que noventa e cinco por cento deles são jogadores de futebol em fim de carreira.

5. A profissão que mais cresce, no Brasil depende do lugar de origem. No Maranhão é a de guardador de carros, na Bahia é a de cordeiro de trio elétrico, no Ceará é a de cantor de forró, no Rio de Janeiro a de atiradores de bala perdida e em São Paulo a de ex-Big-Brothers.

6. A religião católica continua perdendo muitos adeptos para outras religiões como a espírita, mas a perda maior foi para as religiões flamenguista e corintiana. A flamenguista, como todos sabem tem por Deus Ronaldinho Gaúcho ou Vanderlei Luxemburgo, e a corintiana Ronaldo, o fenômeno.

7. Ao contrário do que se poderia pensar, a capital brasileira que tem mais buracos de rua deixou de ser São Luis. A cidade maranhense, que durante décadas foi a primeira nessa modalidade hoje só é campeã – absoluta - em ruas dentro de buracos.

8. São Paulo não tem tanto japonês como se imaginava! Detectou-se que a quantidade de gente com olho miúdo não tem nada a ver com a genética, mas sim com a evolução. É que todo paulista acaba ficando parecido com japonês de tanto espiar pelo buraco da fechadura ou pelo olho mágico, para ver a cara do assaltante.

9. O Censo comprovou, como alguns suspeitavam, que existem três espécies em extinção no Brasil: Árvores, índios e leitores.

10. A diferença de altura entre homens e mulheres está diminuindo em Alagoas (terra do aquilo roxo). Tem muito cabra da peste que deixou de usar salto alto porque caiu de moda.

11. A corrente migratória Nordeste x Sul está cada vez mais equilibrada, o que fez a população nordestina aumentar, proporcionalmente. Décadas atrás de cada três peões que o Nordeste mandava para São Paulo nenhum voltava. Hoje, para cada peão que o Nordeste exporta, em troca recebe dois marginais .

12. O ensino à distancia, graças aos esforços do Governo Federal, se tornou a principal fonte de aprendizado nacional Tanto é assim que a maior parte das profissionais do sexo aprende sem sair de casa, assistindo novelas e o BBBrasil.

13. O Ceará, embora continue sendo o Estado do país com maior concentração de cabeça-chata, agora é o primeiro, também, em mente-chata. É que, ao contrário de antigamente quando o cearense tinha a cabeça-chata porque quando nascia a mãe batia com a mão em sua cabeça dizendo “meu filho quando crescer vai para São Paulo” agora ela diz “ meu filho quando crescer vai ser cantor de forró”

sexta-feira, 6 de maio de 2011

ESCOLHA A CATÁSTROFE

artigo publicado no jornal O estado do Maranhão, seção
Hoje é dia de, caderno Alternativo



Tem gente que morre de medo do fim do mundo. Tive um colega de faculdade que dizia que o fim de todo mundo, coletivamente, com data e hora marcada, até que não seria tão ruim assim: “o pior é ter de ir desacompanhado, sempre”. Baseado no que se vê, todo dia por aí, acrescento que o pior mesmo vai ser agüentar o que nos espera. Escolha a catástrofe:

1. Daqui a 30 anos, os atuais 200 EX-BBB`s se transformarão em mais de cinco mil. Haverá um na tevê, outro no ministério da cultura, uma na capa de sua revista pornô e outro candidato a presidente da República. A profissão de Ex Big-Brother, será reconhecida e disputadíssima. As escolas se especializarão na profissão, sendo uma das matérias mais importantes do currículo a de “como tornar-se uma prostituta, fazendo de conta que é atriz ”. Livros de Bruna Surfistinha serão adotados como complemento curricular.

2. Daqui a 30 anos todas as MINORIAS terão direito a cotas especiais , menos os heterossexuais, que estarão aguardando uma mudança na constituição para serem reconhecidos como tais. Haverá cotas nas universidades para pretos, índios, gordos, tatuados, carecas e sararás. Se você chamar alguém de gordo irá para a cadeia. (Mas se você colocar em sua carteira de identidade que é escritor terá de pedir perdão em público).

3. Daqui a 30 anos o PT continuará no poder. ZÉ DIRCEU, herói da luta contra a ditadura, será pranteado como herói nacional, depois de morto. Será decretado luto oficial por três anos e o dia de sua morte passará a ser feriado nacional.

4. Daqui a 30 anos, RONALDO, o fenômeno, será considerado o maior jogador de futebol que já houve no Brasil - maior ainda do que Pelé. A imprensa e os torcedores falarão com saudade de 2002, último ano em que o Brasil ganhou uma Copa do Mundo, e recordarão , com tristeza, do ano em que o Brasil perdeu a copa em pleno Maracanã. Mas não estarão se referindo ao “maracanazzo” de 1950, quando perdemos para o Uruguai, mas ao de 2014, quando perdemos, em pleno Maracanã, para a Argentina.


5. Daqui a 30 anos haverá mais CARRO do que gente. Pessoas sairão para comprar uma pizza e só voltarão meses depois, devido a engarrafamentos. Alguns nunca mais voltarão. A grande maioria população brasileira será nômade porque viverá no próprio carro. O divertimento preferido dessa imensa população em trânsito, ao invés de contar os buracos, como se faz hoje São Luis, será o de contar acidentes e cadáveres de motociclistas nas estradas.

6. Daqui a 30 anos IVETE SANGALO será considerada a maior cantora do passado e o axé será considerado internacionalmente o ritmo nacional por excelência. Sambas, só serão executados em missa . O ritmo predominante nas paradas será uma mistura de axé-forró-música-sertaneja –buzina-de-carro e latido-de cachorra-no-cio. Luan Santana será recebido pelo presidente da República para ser agraciado com uma medalha de honra ao mérito pelo tanto que fez pela música popular brasileira e Fiuk Jr. filho de Fiuk e neto de Fábio Junior, comporá uma canção em homenagem ao Brasil, inspirada na Aquarela do Brasil.

7. Daqui a 30 anos a COCAÍNA que hoje é transportada em ovos de páscoa e ursinhos de pelúcia, será consumida livremente e enfeitará os bolos confeitados, nas festinhas de aniversário de criança. Os pais e os meninos, devidamente eufóricos e excitados, cantarão Parabéns a Você, não para o aniversariante , mas para a cocaína.

8. Daqui a 30 anos, para poder pagar o SEMANÃO ( evolução aperfeiçoada do mensalão ) e o salário dos deputados ( que terão reajustes anuais de 400% acima da inflação, legitimados por lei) as multas e os impostos que hoje são abusivos, serão extorsivos. Será criado o imposto sobre o ar que se respira e quem espirrar em público pagará multa pelo excesso de ar utilizado.

9. Daqui a 30 anos, a BALA PERDIDA será considerada o mais popular anestésico nacional de efeito imediato. Finalmente oficializada, continuará fazendo parte do kit bolsa-família, distribuída gratuitamente à população e incentivada pelo governo.

Quem tem medo do fim do mundo?

domingo, 24 de abril de 2011

BULLYNG PARA TODO LADO



BULLYNG PARA TODO LADO

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com




Depois de bala para todo lado, bullyng para todo lado. De repente, só se fala em bullyng, todos são especialistas em bullyng, todos são testemunhas de bullyng, todos são vítimas de bullyng.
Dá até a impressão de que em breve todo mundo vai ter razão em sair matando a três por quatro, só porque foi chamado de “orelhudo” ou de “baleia” nas escolas. Também, pudera!, com um nome bonito desses até eu ando desconfiado. Vai ver que ter sido apelidado de “cultura” , nos tempos de ginásio, só porque eu sabia citar, de cor, as 7 maravilhas do mundo antigo, não passava de bullyng. Deveria, então, vítima tardia, estar pensando seriamente em comprar um revólver para me vingar. A questão é: de quem?
Eis o que me parece o grande problema das potenciais vítimas de bullyng. Para quem endereçar a ira se, de uma forma ou de outra, a maioria dos seres humanos – e não só os desvalidos - estão condenados a sofrer humilhações a vida inteira? O que se verifica, na prática, é a reação equivocada das possíveis vítimas, sempre em direção ao alvo errado. Não apenas dos que chegam às últimas conseqüências como o “monstro” de Realengo, mas, por exemplo ( numa situação que está virando rotina em São Luis) daqueles que, para reclamar de suas condições adversas, atravancam ruas e avenidas prejudicando quem nada tem a ver com isso. Ora, se aqueles a quem colocamos no poder permitem que vivamos em condições humilhantes porque devemos nos vingar de outras vítimas, que nada tem a ver com isso?
O mais lógico, seria fazer com que a represália a uma injustiça prejudicasse aqueles que nos fazem penar, e tão somente eles. Claro que a idéia de vingança com as próprias mãos é indefensável, mas nunca é demais lembrar que o bullyng tem largura e comprimento muito mais longo do que os bancos de escola. Eis algumas de suas faces:

BULLYNG TIPO 1: É o bullyng como imaginamos à primeira vista, mesmo que não saibamos a exata tradução: um apelido aqui, outro ali, uma gozação mais forte, uma intenção de deixar alguém em desvantagem, típica do sempre feroz relacionamento humano (continuamos com os mesmos instintos de quando éramos animais selvagens, lembremos disso).

BULLYNG TIPO 2: É o bullyng disfarçado, mas que todo mundo aceita como sendo inerente às relações sociais ou às organizações onde se trabalha. É o assédio sexual que sofrem as mulheres, é a imposição de ser revistado na saída do trabalho como se fosse um ladrão, é ser tratado profissionalmente como um moleque de recados, é puxar o saco do seu chefe, escancaradamente. Esse é o pior tipo do bullyng tipo 2. É aquele que você impõe a si próprio, humilhando-se em troca de um salário melhor e pagando o preço da própria desonra.

BULLYNG TIPO 3: É o bullyng imposto a toda uma coletividade, a um povo. Que você tende a interpretar como sendo típico do poder, esquecido de que são homens iguais a você que fazem isso. É ter de aceitar mensalões, prefeitos que roubam milhões, compram fazendas e aviões e continuam prefeitos, é ter de aceitar impostos absurdos, multas extorsivas, guardas de trânsito mal educados...É se obrigar a ter por ídolos idiotas do BBBrasil e a gostar do Faustão.

Ou seja, se você quer ter razões para sair matando não é por falta de bullyng. Se você não se revolta é porque, graças a Deus, aprendeu a ter paciência e adquiriu pensamento cristão. Ou será que somos todos masoquistas?

segunda-feira, 18 de abril de 2011




O MEDO DE PERDER O CELULAR José Ewerton Neto ewerton.neto@hotmail.com


Acredite se quiser. Tem gente que ao invés de ter medo dos políticos que lhes roubam – ou de acordar tendo uma fantasia sexual com a Suzana Vieira – tem medo de perder o celular. Isso tem nome, chama-se Namofobia e está ficando cada vez mais comum. Segundo a revista Psique, Namofobia é a angustia atribuída à ausência do celular, o que pode causar ansiedade e depressão. Pessoas que sofrem desse medo sentem-se rejeitadas quando ninguém lhes telefona e enfrentam síndromes de abstinência quando estão sem o aparelho. Portanto, já vai longe o tempo em que o medo fundamental do ser humano era o medo da morte que, segundo os especialistas, estaria por trás de todos os outros. Se, hoje em dia, esse medo continua de tocaia, ninguém parece ligar muito para isso, indicando que o ser humano sofisticou-se até em matéria de medo. O velho e tradicional medo da morte, ficou ultrapassado, caiu de moda, não dá mais Ibope. ( Já existe mulher queixando-se de depressão e se suicidando até por não conseguir abrir, sozinha , uma lata de sardinha). Para se ter uma idéia do que anda acontecendo, eis algumas fobias ainda não catalogadas:


MEDO DE SILÊNCIO. Pesquisas científicas recentes dão conta de que mais da metade da humanidade sente verdadeiro pavor a qualquer situação de silêncio. Mas não estamos falando do silêncio tradicional, beirando o absoluto, estamos falando de qualquer coisa abaixo de cento e trinta decibéis que é o barulho da turbina de um avião a jato ou o emitido por Galvão Bueno, histérico, gritando gol. Qualquer coisa abaixo disso hoje deixa o doente em polvorosa, desnorteado, apavorado, explicando-se assim a compulsão que esses psicopatas têm de transformarem seus carros em trios elétricos ambulantes. A vida só tem sentido para eles se houver barulho, gritaria, berro. Difícil descobrir com precisão quando e onde começa a fobia, mas, segundo um estudioso, é difícil acreditar que pessoas aparentemente normais, que permaneçam mais de meia hora assistindo a um show de forró, ouvindo as mesmas músicas repetitivas com um som estridente e de dar em doido, possam sair do ambiente com os ouvidos, os nervos – e a inteligência – completamente intactos. O mesmo estudioso sugeriu, para reabilitá-los, tentar reeducar seus ouvidos para o som de música clássica, mas, reconhece que o perigo de que aconteça algo pior é concreto: diante de qualquer som de boa qualidade o viciado pode ter a compulsão de se suicidar, ou sair matando o primeiro que aparecer.



MEDO DE LIVRO. Muito mais gente do que se pensa – e não só o nosso ex-presidente Lula – tem verdadeiro pavor de livro, esse objeto outrora tão útil e tão simpático, que hoje os ricos usam para enfeitar a estante e os pobres para calçar a geladeira. Esse tipo de pânico pode acontecer, de forma inesperada, em qualquer lugar: nas ruas, nas casas, nas filas de loteria, mas, principalmente, nas escolas e universidades. Lá, o livro é cada vez mais visto como um monstro apavorante e assustador. Os primeiros sintomas da doença se manifestam como uma pequena inquietação toda vez que alguém fala em leitura, quando se está despreocupado, por exemplo, assistindo ao programa do Faustão. Daí até chegar a ponto de ser possuído pela obsessão de queimar estantes e bibliotecas é um passo. ( Uma das alunas de uma faculdade maranhense, que foi entrevistada em estado lastimável, confessou que tudo começou com um ponto e vírgula. Algumas semanas mais tarde, sem saber porquê, já não podia ver um sinal de reticências na página de um livro ou num quadro-negro que tinha vontade de sair correndo). O fato é que já existe cientista justificando a atual violência nas escolas e o famoso bullyng” como sendo, nada mais nada menos, que o reflexo desse terror. O que fazer agora? – atormentam-se os pedagogos. Como eliminar de vez o livro do processo de aprendizagem? Uma das idéias ( originárias do Ministério da Cultura – o mesmo que aprovou a doação de mais de um milhão para Maria Betânia fazer um blog ) é a de se passar a ensinar as matérias curriculares, entremeadas com letras e de forró ou funk: os alunos dançando e rebolando, enquanto o professor-cantor berra palavras, números e fórmulas. O método pode soar surpreendente, mas do jeito que as coisas andam, quem sabe...

sábado, 9 de abril de 2011

QUANDO NADA É IMPORTANTE

Se o que dizem as pessoas tivesse alguma importância o que seria de nós? Melhor não escuta-las, ou não traduzir o que dizem. 1. “Eu não tenho medo da morte. Tenho medo da desonra.” José de Alencar, ex-vice-presidente, em suas ultimas entrevistas. Certo, José de Alencar, mas você não quis reconhecer a sua própria filha ( só o fez na justiça ) e ainda chamou a mãe da garota de prostituta. Uma questão de morte ou de desonra? 2. “Podem inventar tudo. Mas é impossível separar nossas trajetórias. Não significa, entretanto, que somos a mesma pessoa.” A presidente Dilma, referindo-se ao ex-presidente Lula. Resumindo: trajetória é PT, mesma pessoa é Mensalão. Foi isso o que você quis dizer, presidenta? 3. “O mundial já é amanhã, mas os brasileiros pensam que será depois de amanhã.” Joseph Blatter, presidente da FIFA. Não se preocupe em entender , Blatter, já que você não é brasileiro. Na hora em que começarem a fazer as obras a toque de caixa e sem licitação, você entenderá como essa turma pensa, E MUITO, no amanhã de suas famílias. E no depois de amanhã. E na eternidade. 4. “Eu agora estou feliz”, Pato, craque do Milan, sobre seu namoro com a filha do primeiro ministro italiano Silvio Berlusconi. Deve ser por isso que Ganso já deu um pontapé no Santos e está doido para ir curtir essa felicidade toda na Itália. (Depois dizem que bicho não pensa.) 5. “Nem de direita, nem de centro, nem de esquerda” Gilberto Kassab, prefeito de São Paulo, falando da linha doutrinária do seu recém-fundado partido.” Mais ou menos como a maioria, não é Kassab? Nem de direita, nem de centro, nem de esquerda... Mas do bolso. 6. “Eu adoro sentir que sou uma garota de alguém. Adoraria ser amarrada e espancada. Mas, sem chicotes e correntes, prefiro usar as mãos.” Rihana, cantora. (Seu namorado está em regime de liberdade condicional por bater nela.) É isso aí, Rihanna. Se Mike Tysson tivesse te conhecido, na época, não teria ficado em cana por estupro. Bastaria ter te procurado. 7. “Tinha muito o que pensar, então viajei para o Peru. E sabe porque não vou à Europa, nessas circunstâncias? Porque lá tudo funciona, já estou acostumado. Mas, no Peru? Nada funciona, nada.” Mathew Mc Counaghey, ator norte-americano casado com uma brasileira. Mathew esteve no Brasil há muito pouco tempo, o que mostra que os norte-americanos não perdem a mania de confundir o Brasil com outros paises da América do Sul. Ô raça, que não aprende mesmo Geografia! 8. “Na república islâmica do Irã, não há.” Ali Akbar, chefe de imprensa do governo do Irã, garantindo que não há gays em seu país. Pela Lei da Ocultação da Realidade, dá para desconfiar que eles existem, pelo menos na Chefia de imprensa do governo, certo Akbar? 9. “O Fluminense foi um sonho de verão”, técnico Muricy Ramalho, após demitir-se do clube, alegando falta de estrutura. Um sonho de verão que rendeu muita grana para o técnico e que foi abandonado covardemente, quando a canoa começou a fazer água. Como ele saiu para ganhar setecentos mil no Santos, o melhor time do Brasil em termos de craques, agora mesmo é que o sonho vai começar. Quanto à estrutura... Ora, ficar conferindo grana enquanto os craques fazem os gols, não carece de estrutura, não é mesmo, Muricy? José Ewerton Neto ewerton.neto@hotmail.com

segunda-feira, 4 de abril de 2011

A BELEZA MORRE

A BELEZA MORRE Mas, o que é a beleza? Certamente não é o que se apregoa nos out-doors e na fala de colunistas sociais e agitadores midiáticos quando querem promover algum evento. Basta olhar as fotografias dessas celebrações, repletas de coroas buxudos, peruas encarquilhadas e jovens de rosto padronizado e anódino para se ter uma idéia do quanto o conceito de beleza vulgarizou-se. “Gente bonita”, eles insistem em propagar. Mas, onde? Elizabeth Taylor, atriz britânica morta na semana passada aos setenta e nove anos, construiu o mito de sua formosura numa época em que boniteza não era, como hoje, accessível a todas, nem palavra fácil na boca de todo mundo. Constituiu, com a italiana Sofia Loren e a francesa Brigite Bardot nas décadas de sessenta e setenta, um painel de mulheres sedutoras tão fora do padrão convencional - mesmo no ambiente cinematográfico, tão concorrido - que causa estranheza que, passados tantos anos, pouca gente tenha surgido, capaz de ombrear-lhes em atração, personalidade e estilo. Hoje, de BBBs a jogadores de futebol, de Brunas Surfistinhas a Suzanas Vieiras, todos se consideram bonitos, talvez porque botoxes e aplicações cirúrgicas estão aí mesmo, para fornecer-lhes essa doce ilusão. Como resultado disso, o que se vê, são expressões caricatas de harmonia estética eclipsando-se aqui e ali, enquanto se corrompe o conceito da sedução, justamente porque a beleza verdadeira precisa muito mais que um rosto medianamente bonito e de um corpo sarado, para instalar seu reinado. Possivelmente, o mito criado em torno das três aconteceu porque a beleza de cada uma, mesmo visceral, lhes era um adendo ao que representavam além de simplesmente atrizes: mulheres diferenciadas pelo magnetismo, inteligência ou personalidade. (Mesmo Brigite, a menos talentosa das três, personificou, com brilho incomum e, talvez, inconsciente, uma antecipação ao fenômeno Beatles, quando tornou-se o estuário das aspirações libertárias e sexuais de uma juventude feminina, então reprimida. A sua beleza , estonteantemente juvenil foi a arma utilizada para expor o embrião desse tipo de transgressão, que tanto chocou o puritanismo da época.) Tão dissociada da beleza unicamente física, por sua vez, estava a beleza de Liz Taylor, que seu eterno apaixonado , o ator Richard Burton , igualmente talentoso e que, como ela, foi indicado ao Oscar pelo filme Quem tem medo de Viginia Wolf? comentou, numa das primeiras vezes em que a viu : “ Ela transmite uma sensação de perigo...É um dos poucos seres seletos que não são atores segundo nossos padrões, mas, quando postos na tela, emanam alguma coisa que, com franqueza, não compreendo...É uma moça bonita, sem dúvida. Tem olhos maravilhosos, queixo duplo, seios excessivamente desenvolvidos e pernas meio curtas”... Ora, pernas curtas, seios exagerados e queixo duplo, são aberrações físicas que nada têm a ver com beleza, certo? Mas, ela “Emanava alguma coisa que, com franqueza, não compreendo”...Portanto, o mistério, essencial a qualquer beleza que se preze. Quem diria isso de Gisele Bundchen? Ou de Ivete Sangalo? Ou de Adriane Galisteu e mais de cinqüenta e tantos modelos que se vê todo dia, na tevê, insistentemente paupérrimos, da beleza transitória atual? “A beleza é apenas a promessa da felicidade” disse um dia, de forma algo cruel, Montagne. Elizabeth Taylor em algum momento de sua juventude compreendeu isso, o que a fez tornar-se mais bela que tantas e permitiu que sobrevivesse à beleza física: aquela que, simplesmente, morre.

quinta-feira, 31 de março de 2011

POEMA SOBRE A MORTE DE ELIZABETH TAYLOR

A MORTE DE ELIZABETH TAYLOR Somente a morte e alguns azuis têm esse poder: o de fazer voarem os homens acima dos espíritos. Hoje também foi assim, quando LIZ TAYLOR morreu. Nós, seus fãs do passado já quase indiferentes, de repente, lembramos pela imprensa que seus olhos eram azuis, muito azuis e , sem saber porque, logo fomos possuidos de uma imensa pena do azul, de todo azul talvez porque alguma coisa indefinida e muito maior que o céu começasse a tombar sobre todos nós azul, muito azul.

domingo, 20 de março de 2011

SOBRE A CORRUPTOLOGIA

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O Estado do Maranhão, sábado

S

ASOBRE A CORRUPTOLOGIA

Jose Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com

A Corruptologia, conjunto de experiências brasileiras, que estuda a corrupção e suas variações, demorou a ser aceita como ciência. A primeira grande dificuldade, na época foi explicada pelo chamado Paradoxo de Eurico, um dos mais notáveis contestadores desses estudos: “Se nenhum ser humano é incorruptível, a Corruptologia não passa de um embuste, pois sempre repousa sob uma suspeita de corrupção”.

O enunciado do tal paradoxo, amplamente divulgado e debatido na comunidade científica, comprometeu sua implantação até que Eurico resolveu se calar em definitivo – segundo dizem, foi comprado por cinqüenta mil dólares. Orestes Trinta e Três (assim chamado porque, como Judas, cobrava trinta e três de comissão), paulista, pastor, ex-candidato a síndico de condomínio e a deputado, criador e divulgador dessa nova ciência anunciou, então, o famoso “Corolário do Teorema do Agulha”.

Diante da verdade bíblica que diz “É mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”, por ele tratada como um teorema, Orestes anunciou o seu corolário, complementando: “Menos no Brasil, porque por aqui até as agulhas são corrompidas.”

A infalibilidade dessa lei fez com que a nova Ciência superasse preconceitos, inclusive a de ser confundida com Politicologia. Orestes Trinta e Três mais uma vez teve de entrar em ação para concluir que a Politicologia nunca chegará a ser uma ciência , embora permaneça uma fonte inesgotável de estudos para a Corruptologia. E expôs, encerrando o assunto, a diferença fundamental entre as mesmas, baseando-se no postulado de Mal-uf, outro grande estudioso da matéria: “ Todo politicólogo é corrupto, mas nem todo corrupto é politicólogo”.

Seguem alguns princípios fundamentais:.

1. No Brasil todo corrupto fica rico.

Corolários:

1.1 Todo honesto morre pobre.

1.2 Pobreza e Honestidade, no Brasil, combinam com banco de escola. Riqueza e corrupção, com outro tipo de banco.

1.3 Quanto menos o corrupto vale, mais caro custa.

2. Corrupto no Brasil nunca fica atrás das grades

Corolários:

2.1 A não ser das grades de suas mansões.

2.2 A única cadeia com que corrupto convive, no Brasil, é cadeia de lojas.

2.3 Todo corrupto no Brasil está “acima” de qualquer suspeita. Para isso, primeiro compra um apartamento de cobertura, depois um avião.

3. Lavoisier aplicado à Corruptologia: “No Brasil nada se perde, nada se cria, tudo se transforma... em mensalão.

Corolários:

3.1 Newton aplicado à Corruptologia: “Grana atrai grana, na razão direta da impunidade dos canalhas e inversa do quadrado da honestidade dos seus ideais.

Como elogio ao trabalho árduo desenvolvido por Orestes deve-se, finalizando, acrescentar que ele, como todo grande estudioso, está constantemente atualizando-se. Eis que diante, da recente tragédia japonesa já anunciou, pela Internet, uma nova lei para a Corruptologia, por ele denominada Lei do Tsunami. www.corruptologiaorestes.com

“NENHUM PAÍS É MAIS DIGNO DE SUA TRAGÉDIA DO QUE AQUELE QUE CRIA SEU PRÓPRIO TSUNAMI. NO BRASIL SE CHAMA CORRUPÇÃO.”

quarta-feira, 9 de março de 2011

2 ou 3 vítimas do Trio Elétrico

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, sábado

2 ou 3 VÍTIMAS DO TRIO ELÉTRICO

ewerton.neto@hotmail.com

Não, não estamos falando da moça que caiu, poucos dias atrás, no Rio de Janeiro de cima de um trio elétrico, nem das mais de vinte eletrocutadas, não faz uma semana, no interior do Rio Grande do Sul, em torno de um. Estamos falando de vítimas mais amenas, carnavalescas.

1. O Rei Momo.
De todas as bizarrias do carnaval o Rei Momo é a mais fácil de entender sob o ponto de vista da lógica carnavalesca, justamente porque não tem lógica. É uma extravagância, como o próprio carnaval, e pronto. Imagine um sujeito imenso, largura maior que a altura, vestido de rei feito um idiota, sorrindo feito um idiota, todo suado e abraçando uma mulata nos intervalos em que abraça outra mulata. Quer algo mais carnavalesco que isso? Um rei momo é tão carnavalesco que finge que está bêbado, e fica bêbado mesmo, meio que na base de um Fernando Pessoa, aplicado aos carnavais: “Finge tão completamente que chega a fingir...”
Outra é que ninguém o vê fora do carnaval. Onde mora? Alguém já o viu algum dia em sua rua, no futebol, ou na praia? Se sobrevivem, certamente não é trabalhando, porque ninguém neste mundo já foi colega de trabalho de um. O Rei Momo é tão integrado à sua sina carnavalesca que, por causa disso hiberna até Fevereiro. Só então resolve voltar à realidade, por 4 dias, como se quisesse lembrar: eu existo.
Portanto, se há alguém que representa o espírito carnavalesco esse alguém é o Rei Momo e, por isso, é difícil acreditar que um povo, que se diz gostar de carnaval, queira acabar com o mesmo. Mas é isso o que estão fazendo duas populações que adoram propagar que são o máximo em matéria de carnaval. Primeiro a de Salvador, agora a de Recife. No entendimento dos “especialistas” dessas plagas o Rei Momo tem que passar a ser magro, o que é o mesmo que imaginar que uma cachaça possa vir a ser light, ou uma escola de samba possa desfilar de terno e gravata.
Ora, e o que isso tem a ver com trio elétrico? - devem estar se perguntando os leitores. Respondendo a tão cruciante questão posso arriscar que, por coincidência ou não, tal impulso demolidor nasceu justamente nas cidades onde o trio elétrico nasceu e proliferou. Se a parafernália eletrônica conseguiu acabar com as marchinhas carnavalescas e obrigou o povo a brincar carnaval vestido de farda (abadá ) por que não acabaria também com o Rei Momo, tornando-o cada vez mais fino, até se extinguir completamente?
Alguém vai dizer que estou imaginando coisas, mas jamais vi um Rei Momo Gordo em cima de um trio elétrico, até mesmo porque isso seria inconcebível (o trio pode desabar, ou uma montanha de gordura pode cair em cima de alguém). Por outro lado, ninguém com um corpanzil desses pode sonhar em ter a mesma desenvoltura dos “saradões” que, em cima dos trios, balançam os quadris mais do que Ivete e Claudia Leite juntas, e rebolam como se tivessem levado um choque elétrico de alta tensão no rabo.
Para um Rei Momo Gordo isso seria impossível.

2. A Alegria.
Imagine o seu modesto radinho de pilha tocando no mais alto volume possível. Isso pode lhe irritar ou não, a depender do que você estiver fazendo. Mude para o som automotivo: desses que alguns estúpidos carregam nas avenidas e ligam num tom de espantar muriçoca quando estão calmos, e à carga total quando estão a fim de aparecer. Insuportável? Daí para cima e mais além. Ou você extermina o sujeito ou vai para casa, sendo mais conveniente, na maioria das vezes, ir para casa.
Agora imagine a potência desse som elevado trinta, quarenta, um milhão de vezes. Uma hecatombe? Uma tragédia? Também depende. Você pode ter ido até lá de livre e espontânea vontade, para brincar carnaval, por exemplo. Como fará, então, para suportar? Pulando, amigo, claro que pulando e gritando cada vez mais, até fazer de conta que está gostando. Ou seja, diante de um ataque desenfreado de decibéis a cem por hora você não tem outra alternativa a não ser dançar. Ou fingir que está dançando, tanto faz.
Alguns chamam isso de alegria. E pode até ser que seja, afinal de contas a cerveja cobra isso. Só não vão poder dizer é que essa seja a mesma alegria de quem escuta, com um som audível, uma marchinha de carnaval como Pierrot Apaixonado ou Anda Luzia, tocado por uma boa orquestra ou pelo coro embriagado de sua turma do Barril. Num ambiente onde é possível descobrir até sua ilusão de felicidade tornar-se palpável, sem correr o risco de vê-la , subitamente, ser pisoteada por um vândalo.
Certamente, o trio elétrico não vitimou a alegria, mas substituiu a vibração espontânea ( dos carnavais verdadeiros ) por uma outra, desenfreada e oportunista. Que pode até ser alegria, mas não é natural, e parece mais arrancada a fórceps. Como se extrai um dente.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

MORRA!

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, sábado

MORRA!

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com



Morra! Disse o prefeito de Manaus Amazonino Mendes a uma mulher da periferia que se recusava a sair do lugar onde ocupava, por não ter para onde ir. Morra! Diz o sujeito dirigindo uma camioneta, do tamanho de sua arrogância, quando vê à sua frente um desavisado pedestre. Morram! Pensam os homens do mensalão a respeito dos que lhes querem enquadrados nos rigores da lei. Morra! Disse o marginal carrasco – que continuou vivo –, ao decapitar o infeliz, condenado por crime sexual, numa cadeia de Pinheiro. Morra eu, morramos nós, enfim, morramos todos para bem de todos e felicidade geral da Nação.
O que não deixa de ser uma boa promessa, já que para lá vamos todos. Antecipar a morte, assumindo-a previamente, pensando bem, não vai mudar o espírito da coisa e, no fim de contas, os que têm o poder de ordenar aos outros que morram para que jamais os atrapalhem, já pensam assim há muito tempo.
Nada de nos iludir. Somos os mesmos animais dos primórdios, cada vez mais irracionais, lutando pela sobrevivência. A única diferença é que, no caso de alguns, a luta é para perpetuar suas cada vez mais desejadas mordomias. “99% dos homens são seres completamente irracionais” dizia um grande autor russo, “O que sobra, são aqueles que têm consciência disso.”1% ? Quanto otimismo! Será que o porcentual de racionais chega a isso, nos milhões que assistem ao Big-Brother?

2. No fundo, desejar a morte alheia sempre foi uma forma espontânea de autodefesa competitiva, bem a gosto dos nossos instintos, quando lutávamos contra animais mais poderosos nas savanas. Milhares de anos após a coisa continua igual, só muda o alvo. Todo aquele que mete a mão no dinheiro público seja aceitando que receba salário muito acima do que seria ético e justo, seja usurpando valores destinados a comunidades carentes está antecipando, ou, mais do que isso, desejando a morte de muita gente.
Ou dá para acreditar que quando um sujeito mete a mão em montanhas de dinheiro destinado a hospitais e escolas, não está sabendo que com isso, condena centenas de seres humanos a morrer mais cedo? Que morram! Esse é o pensamento vigente e muito consciente, apesar de irracional, na mente desses senhores, quer sejam capazes de ir à igreja rezar ou não, de pedir perdão ou não, de terno e gravata ou não, com discursos empolados ou não. Justamente porque, selvagens de gravata, para que a própria morte seja adiada e, temporariamente, esquecida, a morte dos outros não faz diferença.
Sendo assim, o sr. Amazonino Mendes, prefeito de Manaus, não precisa pedir perdão, nem justificar-se - como tentou fazer - ou sequer se desculpar. Apenas externou um pensamento humano, (demasiadamente humano, como diria Nietzche), corriqueiro, e até banal, de quem não conseguiu às custas de reflexão, leitura e/ou espírito humanitário adquirido, domar seus instintos de besta fera que, 300 mil anos após Neandertal, ainda são predominantes no gênero humano. Como diria Hemingway em seu Por quem os sinos dobram, para desejar a morte alheia não precisa sequer pedi-la, ou clamá-la, basta ser indiferente a ela.
Pobres dos desejados à morte: eles não podem pretender que o Sr Amazonino Mendes um dia leia John Donne, ou sequer entenda suas palavras:

“Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano, e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

FRASE DO DIA

frase da segunda:

" O segredo da criatividade é sabe como esconder as fontes."

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A LIBIDO DA MULHER SANLUIZENSE

Artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão,
seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo

A LIBIDO DA MULHER SANLUIZENSE

José Ewerton Neto



Uma revista semanal deu-se ao trabalho de pesquisar a quantas anda a libido das sanluizenses. Eis alguns dos tipos encontrados:

1. Dependente: “Preciso de sexo para suportar as pressões do cotidiano”.
Catarina, 22 anos, estuda computação, trabalha numa loja de shopping e se diz modelo. Tal é o estresse causado pelas pressões do dia a dia que Catarina (Kathy para as amigas ) confessa para todo mundo, inclusive para o padre - com quem teve um caso-, que só se alivia com sexo. A avó, com quem morava desde criança, não aceitou o remédio que ela usa para baixar a pressão e a expulsou de casa. Uma semana atrás Kathy descobriu, pesarosa, que vai ter que se mudar do seu apartamento porque quem não agüentou a pressão do sexo foi a parede do quarto, que desabou.

2. Erótica: “Só me sinto ligada emocionalmente a pessoas que tenham comportamento sexual muito passional”.
Dalila, profa. de educação física, 25 anos, mora no João Paulo. Nunca confessou a ninguém, mas desconfia que essa estranha fixação significa que, na prática, gosta mesmo é de apanhar. Tudo começou na adolescência quando “apanhava” pra valer dos livros de matemática, mas achava mais interessante levar uns tapas dos meninos de rua, com os quais jogava futebol. Ultimamente anda muito frustrada porque, segundo suas próprias palavras “Se está difícil encontrar homem de verdade, um que saiba bater é muito mais difícil ”.

3. Por Direito: “Mereço ter minhas necessidades sexuais satisfeitas sempre que estou numa relação estável”.
Erolena, advogada, mora no Calhau, 37 anos, casada. Para ter exata noção dos seus direitos – sexuais inclusive - formou-se em Direito, mas se equivocou ao casar com um advogado para se garantir. Há duas semanas iniciou um processo de separação que corre o risco de emperrar porque quem está dizendo agora que não tem suas necessidades sexuais satisfeitas é ele. O problema é que o porteiro do prédio – a quem ela recorria para suprir suas carências– supria as do marido também. Resultado: agora passam as noites estudando as leis para saber quem leva a melhor (com a lei e com o porteiro) e por isso a coisa vai mal, muito mal...

4.Reativa: “Minha satisfação sexual vem apenas do prazer que dou ao meu parceiro ou parceira”.
Vercília, 45 anos, tem um brechó, mora no Cohatrac. Só goza se ver os outros gozarem. Confessa que sempre foi assim desde adolescente, na época não podia ver um rapaz comendo pitomba. Hoje, oje, diz que tem prazer até quando vê Lula chorar e, flamenguista, também não pode ver Ronaldinho Gaúcho fazer um gol e sair dançando, que tem orgasmos compulsivos. A coisa complicou para o seu lado porque o gigolô que ela arrumou há cerca de dois anos lhe avisou que só tem prazer quando ela libera o cartão de crédito para ele. O pior é que o cara só aceita de Prime Internacional para cima.

5. Desconectada: “Sexo não faz parte de minhas preocupações. É mais fácil aliviar o desejo recorrendo à masturbação”.
Priscila, 28 anos, diplomada em segurança do trabalho, mora no Centro. Diz que aprendeu a se masturbar durante o curso. Não porque a masturbação fizesse parte do currículo (proteção sexual) mas porque não conseguia prestar atenção às aulas. Daí para a frente, os outros desejos ficaram para trás, mas não tanto assim... Defendeu, no seu artigo de pós-graduação a tese de que a grande vantagem da masturbação é que você transa e goza com o homem – ou a mulher - que você quer, sem correr risco.
6. Compulsiva: “Tenho dificuldade de me excitar e ter prazer se não criar uma situação ou usar objetos específicos”.
Marta, 32 anos, professora do ensino médio, mora no São Francisco. Tudo teria começado com um lápis. Pensou, na época, que era apenas uma coceira que dava na ponta do dedo. Lembra que a coisa ficava ainda mais excitante quando havia um quadro-negro por perto, razão porque tentou namorar um negão, até descobrir que não tinha a nada a ver. Consultou revistas, macumbeiro e cartomante antes de procurar um psiquiatra que lhe sugeriu, como solução, um dos maracujás-pênis do sítio de Dona Maria, em Ribamar.

7. Desinteressada: “Para mim não faria qualquer diferença se eu nunca fizesse sexo na vida”.
Lucinda, 25 anos, professora de inglês mora no Turu. É tão desinteressada que, às vezes, ensina tricô aos alunos, pensando que é inglês. Os alunos adoram. De tão desligada, outro dia, quando estava fazendo cooper, caminhou tanto que esqueceu o caminho de volta. Resolveu ficar por lá mesmo e se casou, embora o marido não ficasse sabendo. Voltou, mas, por falta do que fazer, ficou vagando num shopping da ilha por mais de uma semana. Não estranhou porque descobriu que metade da população que circula pelos shoppings também faz a mesma coisa. Parece conformada com sua sina de nunca fazer sexo na vida. Otimista, diz que depois disso, quem sabe...


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

HIDRAMIX FOI AOS USA

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...,
Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão, sábado

HIDRAMIX FOI AOS USA

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com





1. Sol-Hidramix Riosraios Paraíso Diforças Almeixeixas Hinfinito é de Chapadinha e mora em São Mateus onde é dono de uma borracharia. Passou para a literatura através de Nelin Vieira, publicitário e escritor que, num furo de jornalismo literário, identificou o tragicômico por trás do seu extravagante nome e o transformou em personagem de um conto do seu livro “O centésimo emprego de Seu Lelé Bristol”. Mereceu também uma crônica do escritor José Sarney, uma incursão no recente livro de Bruno Azevedo “ O Monstro Souza” e foi objeto de uma artigo de pós-graduação deste cronista, no curso de jornalismo cultural da UFMA, intitulado “ A invenção de nomes próprios : algo mais do que um costume. Será Arte?”
O que talvez seja pouco para sua intenção de, através do nome inventado, desraigar-se da sua sina de borracheiro associada às amarras do seu nome de batismo, (tão comum) de João de Deus.
Mas, quem é mesmo Hidramix, um nome ou um personagem? Ou, indo mais longe: um nome, qualquer nome, é apenas uma palavra ou muito mais que isso: quase um personagem? O que existe entre um nome e uma pessoa?
Certamente, não apenas uma palavra ou um mero símbolo de identificação. Não há como duvidar que o destino de muitas pessoas, consagradas ou não, foi influenciado pelo nome adotado. Quem discorda de que Pelé jamais teria sido o maior de todos se houvesse conservado o seu nome de batismo, Edson? E que dizer de Hitler, cujo nome original era Schicklgruber? E Ferreira Gullar, e tantos outros?

2. Na verdade, ninguém até agora foi capaz de dimensionar o poder exercido por um nome na montagem do destino de alguém. Alguns livros de numerologia chegam a fórmulas nem sempre convincentes, mas psicanalistas e filósofos em artigos recentes sugerem que o poder da linguagem vai muito além, influenciando até a conduta generalizada de um povo. Como se daria isso? Antecipando-se no inconsciente das pessoas, a partir de condicionamentos trazido pela linguagem, a resoluções de natureza psíquica.
O teor de meu artigo, acima citado, ( http://www.cambiassu.ufma.br) chama a atenção para a possibilidade artística da invenção de nomes próprios, insurgindo-se também contra a forma depreciativa com que os especialistas da literatura e da linguajem se referem à prática popular de inventar nomes próprios, associando-a sempre ao ridículo e ao grotesco. Provavelmente, por ser uma prática mais comum nas classes desvalidas O preconceito torna-se evidente quando, em contraponto, a criação de neologismos, na literatura, é alçada à condição de supra-sumo da arte. Esquecem que nos estratos sociais mais carentes – como no caso de Hidramix - a tentativa de invenção do próprio nome, extrapola todo o drama de um indivíduo, em seu afã de sobrepor-se, através da originalidade, à sua própria condição humana. O que, em última análise, é objeto implícito de toda arte.

3. Recente artigo da revista Veja faz um apanhado dos nomes que estão em voga para meninas a partir de 2010 no Brasil : Julia, Sofhia, Isabella, Maria Eduarda e Giovanna onde esboça-se, claramente, a intenção de diferenciação. (Atenção aos l, n, h, a mais, no nome). Diz a revista: As celebridades escolhem sempre para seus filhos nomes que não sejam “populares”. Quando Maria, João e etc. eram nomes de “pobres” elas os rechaçavam e preferiam nomes “americanizados” como Jenniffer e Jéssica. Quando estes grassaram na população voltaram aos nomes bíblicos. Esse comportamento, tão idiota e sub-intelectual, quanto o do “falso-rico” da província que faz uma viagem ao exterior e, na volta, corre para as colunas sociais dos jornais com suas fotografias - realça , contudo, o quanto de esperança de destino se transfere para um filho através do nome, independente da classe social.
Na mesma reportagem a revista cita que agora se tornou moda para as celebridades norte-americanas a escolha de nomes únicos para os filhos - portanto, inventados - atitudes que o psicólogo Jean Twenge chama de “epidemia de narcisismo”. Como todos começaram a imitá-los pode-se dizer que, por lá, o costume se generaliza num caminho inverso ao nosso.
Sendo padrão de nossa sempre subdesenvolvida vaidade imitar tudo o que vem de fora, de repente, não mais que de repente, a “loucura” de Hidramix será promovida a “narcisismo” também aqui no Brasil e passaremos a ter milhares de Hidramix nos nomes de batismo dos nossos filhos. E João de Deus, borracheiro de São Mateus - aquele que queria ter um nome - terá, finalmente, pelo menos durante algum tempo, a glória que sempre sonhou.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O QUE DÁ PRA CHORAR DÁ PARA RIR

artigo publicado na seção Hoje é dia de...,
cadeno Alterantivo, jornal O Estado do Maranhão,
sábado

O QUE DÁ PARA CHORAR DÁ PARA RIR


José Ewerton Neto


ewerton.neto@hotmail.com





“O que dá para rir dá para chorar”, é um aforismo antigo que virou canção em meados dos anos oitenta, num samba de autoria de Billy Blanco. Nessa época, ninguém imaginava que a medicina um dia recomendaria que, por questões de saúde, todo mundo risse muito mais, o que nos levou, com o perdão do autor, a atualizar acima o referido refrão.
“Rir é uma das cinco formas de evitar doenças cardíacas” diz a diretora do Instituto do coração do Hospital Presbiteriano de Nova Yorque, Holly Anderson. Ou seja, se já não bastasse tanto riso descabido, idiota e oportunista, que a gente tem que agüentar em gente como Galvão Bueno, Suzana Vieira, e Faustão agora você vai ter de aprimorar o seu, sob pena de ter um ataque cardíaco.
Pensando em sua saúde, caro leitor, eis algumas sugestões que lhe serão muito úteis se você estiver encontrando dificuldades para rir durante as vinte e quatro horas de seu dia brasileiro.

1. Ria do aumento que se deram os deputados.
Você tem certeza mesmo de que não dá para morrer de rir? Certo, pensando bem você não vai ter benefício algum com isso, ao contrário você é que vai pagar a festa. Mas existe algo mais engraçado do que ver gente gorda, com saúde e com dinheiro gargalhando muito? Se você, com pragmatismo, se lembrar de que agora rir é imperativo, dá até para descobrir algo de patriótico nessa sua missão de se contagiar com tanta alegria, principalmente quando a maioria deles está rindo às suas custas. Toda cara de pau é acintosa, mas pode se tornar engraçada, não é mesmo? (Agora que chegou o Tiririca, então...)
Vá pela sua saúde. Sorria.

2. Ria da sorte de Ronaldinho Gaúcho e do Fenômeno.
Motivo para rir é que não falta quando você se lembra da sorte que têm esses dois, que além de trabalharem pouco, são seus grandes ídolos. O primeiro joga uma vez por mês e ganha um milhão e meio. Isso deve dar uns quinhentos mil por cada gol. Ou uns duzentos mil por cada quilo a mais de banha. O outro, que andava na reserva no Milan, foi contratado, para freqüentar as baladas e as “balas” da noite carioca, vestido de vermelho e preto. A única diferença entre ambos é que o Gaúcho sendo possuidor de um sorriso tão bizarro que chega a ser engraçado já lhe facilita as coisas em busca do seu. Nunca foi tão fácil sorrir, não é mesmo?

3. Ria dos buracos de rua.
Claro, você não deve rir das enchentes invernais, pois seria muito cruel com as vítimas. Mas, pela sua saúde, você pode encontrar motivos de riso na própria desventura. Se você mora em São Luis, por exemplo, já reparou como não existe coisa mais engraçada do que os buracos de rua? Mexem-se tanto que parecem até protagonistas de um filme de desenho animado. Num segundo estão à sua direita , no outro à esquerda...Se você passa um minuto sem vê-los, pode acreditar que tem um embaixo de seu carro. Ou em cima. E sempre com as caras mais engraçadas possíveis: um se parece que o político X, outro com o administrador Y, outro com um guarda de trânsito, outro com o Pedro Bial. O único que não se parece com ninguém foi aquele com cara de vulcão que lhe engoliu - junto com seu carro-, outro dia na avenida dos Africanos e você nem teve tempo de ver direito. Não é engraçado mesmo?

4. Ria de você mesmo.
Se você assiste ao BBB, tem bolsa-família, teve aumento de IPTU, olhou os maracujás-pênis que dão no sítio de Dona Maria, e mesmo assim não consegue sorrir, creia, tem alguma coisa errada com você, amigo e só lhe resta uma saída. Vá para o espelho e ria desse que você está vendo à sua frente. Reparou como você é engraçado e nunca tinha atentado para isso? Dá até para lembrar da música do Billy:
“O que dá para rir dá para chorar
Problema de peso e medida
Questão de hora e lugar
Mas tudo são coisas da vida”...
Ele quase tinha razão, não é mesmo?