quinta-feira, 31 de março de 2011

POEMA SOBRE A MORTE DE ELIZABETH TAYLOR

A MORTE DE ELIZABETH TAYLOR Somente a morte e alguns azuis têm esse poder: o de fazer voarem os homens acima dos espíritos. Hoje também foi assim, quando LIZ TAYLOR morreu. Nós, seus fãs do passado já quase indiferentes, de repente, lembramos pela imprensa que seus olhos eram azuis, muito azuis e , sem saber porque, logo fomos possuidos de uma imensa pena do azul, de todo azul talvez porque alguma coisa indefinida e muito maior que o céu começasse a tombar sobre todos nós azul, muito azul.

domingo, 20 de março de 2011

SOBRE A CORRUPTOLOGIA

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O Estado do Maranhão, sábado

S

ASOBRE A CORRUPTOLOGIA

Jose Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com

A Corruptologia, conjunto de experiências brasileiras, que estuda a corrupção e suas variações, demorou a ser aceita como ciência. A primeira grande dificuldade, na época foi explicada pelo chamado Paradoxo de Eurico, um dos mais notáveis contestadores desses estudos: “Se nenhum ser humano é incorruptível, a Corruptologia não passa de um embuste, pois sempre repousa sob uma suspeita de corrupção”.

O enunciado do tal paradoxo, amplamente divulgado e debatido na comunidade científica, comprometeu sua implantação até que Eurico resolveu se calar em definitivo – segundo dizem, foi comprado por cinqüenta mil dólares. Orestes Trinta e Três (assim chamado porque, como Judas, cobrava trinta e três de comissão), paulista, pastor, ex-candidato a síndico de condomínio e a deputado, criador e divulgador dessa nova ciência anunciou, então, o famoso “Corolário do Teorema do Agulha”.

Diante da verdade bíblica que diz “É mais fácil um camelo passar por um buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino dos céus”, por ele tratada como um teorema, Orestes anunciou o seu corolário, complementando: “Menos no Brasil, porque por aqui até as agulhas são corrompidas.”

A infalibilidade dessa lei fez com que a nova Ciência superasse preconceitos, inclusive a de ser confundida com Politicologia. Orestes Trinta e Três mais uma vez teve de entrar em ação para concluir que a Politicologia nunca chegará a ser uma ciência , embora permaneça uma fonte inesgotável de estudos para a Corruptologia. E expôs, encerrando o assunto, a diferença fundamental entre as mesmas, baseando-se no postulado de Mal-uf, outro grande estudioso da matéria: “ Todo politicólogo é corrupto, mas nem todo corrupto é politicólogo”.

Seguem alguns princípios fundamentais:.

1. No Brasil todo corrupto fica rico.

Corolários:

1.1 Todo honesto morre pobre.

1.2 Pobreza e Honestidade, no Brasil, combinam com banco de escola. Riqueza e corrupção, com outro tipo de banco.

1.3 Quanto menos o corrupto vale, mais caro custa.

2. Corrupto no Brasil nunca fica atrás das grades

Corolários:

2.1 A não ser das grades de suas mansões.

2.2 A única cadeia com que corrupto convive, no Brasil, é cadeia de lojas.

2.3 Todo corrupto no Brasil está “acima” de qualquer suspeita. Para isso, primeiro compra um apartamento de cobertura, depois um avião.

3. Lavoisier aplicado à Corruptologia: “No Brasil nada se perde, nada se cria, tudo se transforma... em mensalão.

Corolários:

3.1 Newton aplicado à Corruptologia: “Grana atrai grana, na razão direta da impunidade dos canalhas e inversa do quadrado da honestidade dos seus ideais.

Como elogio ao trabalho árduo desenvolvido por Orestes deve-se, finalizando, acrescentar que ele, como todo grande estudioso, está constantemente atualizando-se. Eis que diante, da recente tragédia japonesa já anunciou, pela Internet, uma nova lei para a Corruptologia, por ele denominada Lei do Tsunami. www.corruptologiaorestes.com

“NENHUM PAÍS É MAIS DIGNO DE SUA TRAGÉDIA DO QUE AQUELE QUE CRIA SEU PRÓPRIO TSUNAMI. NO BRASIL SE CHAMA CORRUPÇÃO.”

quarta-feira, 9 de março de 2011

2 ou 3 vítimas do Trio Elétrico

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, sábado

2 ou 3 VÍTIMAS DO TRIO ELÉTRICO

ewerton.neto@hotmail.com

Não, não estamos falando da moça que caiu, poucos dias atrás, no Rio de Janeiro de cima de um trio elétrico, nem das mais de vinte eletrocutadas, não faz uma semana, no interior do Rio Grande do Sul, em torno de um. Estamos falando de vítimas mais amenas, carnavalescas.

1. O Rei Momo.
De todas as bizarrias do carnaval o Rei Momo é a mais fácil de entender sob o ponto de vista da lógica carnavalesca, justamente porque não tem lógica. É uma extravagância, como o próprio carnaval, e pronto. Imagine um sujeito imenso, largura maior que a altura, vestido de rei feito um idiota, sorrindo feito um idiota, todo suado e abraçando uma mulata nos intervalos em que abraça outra mulata. Quer algo mais carnavalesco que isso? Um rei momo é tão carnavalesco que finge que está bêbado, e fica bêbado mesmo, meio que na base de um Fernando Pessoa, aplicado aos carnavais: “Finge tão completamente que chega a fingir...”
Outra é que ninguém o vê fora do carnaval. Onde mora? Alguém já o viu algum dia em sua rua, no futebol, ou na praia? Se sobrevivem, certamente não é trabalhando, porque ninguém neste mundo já foi colega de trabalho de um. O Rei Momo é tão integrado à sua sina carnavalesca que, por causa disso hiberna até Fevereiro. Só então resolve voltar à realidade, por 4 dias, como se quisesse lembrar: eu existo.
Portanto, se há alguém que representa o espírito carnavalesco esse alguém é o Rei Momo e, por isso, é difícil acreditar que um povo, que se diz gostar de carnaval, queira acabar com o mesmo. Mas é isso o que estão fazendo duas populações que adoram propagar que são o máximo em matéria de carnaval. Primeiro a de Salvador, agora a de Recife. No entendimento dos “especialistas” dessas plagas o Rei Momo tem que passar a ser magro, o que é o mesmo que imaginar que uma cachaça possa vir a ser light, ou uma escola de samba possa desfilar de terno e gravata.
Ora, e o que isso tem a ver com trio elétrico? - devem estar se perguntando os leitores. Respondendo a tão cruciante questão posso arriscar que, por coincidência ou não, tal impulso demolidor nasceu justamente nas cidades onde o trio elétrico nasceu e proliferou. Se a parafernália eletrônica conseguiu acabar com as marchinhas carnavalescas e obrigou o povo a brincar carnaval vestido de farda (abadá ) por que não acabaria também com o Rei Momo, tornando-o cada vez mais fino, até se extinguir completamente?
Alguém vai dizer que estou imaginando coisas, mas jamais vi um Rei Momo Gordo em cima de um trio elétrico, até mesmo porque isso seria inconcebível (o trio pode desabar, ou uma montanha de gordura pode cair em cima de alguém). Por outro lado, ninguém com um corpanzil desses pode sonhar em ter a mesma desenvoltura dos “saradões” que, em cima dos trios, balançam os quadris mais do que Ivete e Claudia Leite juntas, e rebolam como se tivessem levado um choque elétrico de alta tensão no rabo.
Para um Rei Momo Gordo isso seria impossível.

2. A Alegria.
Imagine o seu modesto radinho de pilha tocando no mais alto volume possível. Isso pode lhe irritar ou não, a depender do que você estiver fazendo. Mude para o som automotivo: desses que alguns estúpidos carregam nas avenidas e ligam num tom de espantar muriçoca quando estão calmos, e à carga total quando estão a fim de aparecer. Insuportável? Daí para cima e mais além. Ou você extermina o sujeito ou vai para casa, sendo mais conveniente, na maioria das vezes, ir para casa.
Agora imagine a potência desse som elevado trinta, quarenta, um milhão de vezes. Uma hecatombe? Uma tragédia? Também depende. Você pode ter ido até lá de livre e espontânea vontade, para brincar carnaval, por exemplo. Como fará, então, para suportar? Pulando, amigo, claro que pulando e gritando cada vez mais, até fazer de conta que está gostando. Ou seja, diante de um ataque desenfreado de decibéis a cem por hora você não tem outra alternativa a não ser dançar. Ou fingir que está dançando, tanto faz.
Alguns chamam isso de alegria. E pode até ser que seja, afinal de contas a cerveja cobra isso. Só não vão poder dizer é que essa seja a mesma alegria de quem escuta, com um som audível, uma marchinha de carnaval como Pierrot Apaixonado ou Anda Luzia, tocado por uma boa orquestra ou pelo coro embriagado de sua turma do Barril. Num ambiente onde é possível descobrir até sua ilusão de felicidade tornar-se palpável, sem correr o risco de vê-la , subitamente, ser pisoteada por um vândalo.
Certamente, o trio elétrico não vitimou a alegria, mas substituiu a vibração espontânea ( dos carnavais verdadeiros ) por uma outra, desenfreada e oportunista. Que pode até ser alegria, mas não é natural, e parece mais arrancada a fórceps. Como se extrai um dente.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

MORRA!

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, sábado

MORRA!

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com



Morra! Disse o prefeito de Manaus Amazonino Mendes a uma mulher da periferia que se recusava a sair do lugar onde ocupava, por não ter para onde ir. Morra! Diz o sujeito dirigindo uma camioneta, do tamanho de sua arrogância, quando vê à sua frente um desavisado pedestre. Morram! Pensam os homens do mensalão a respeito dos que lhes querem enquadrados nos rigores da lei. Morra! Disse o marginal carrasco – que continuou vivo –, ao decapitar o infeliz, condenado por crime sexual, numa cadeia de Pinheiro. Morra eu, morramos nós, enfim, morramos todos para bem de todos e felicidade geral da Nação.
O que não deixa de ser uma boa promessa, já que para lá vamos todos. Antecipar a morte, assumindo-a previamente, pensando bem, não vai mudar o espírito da coisa e, no fim de contas, os que têm o poder de ordenar aos outros que morram para que jamais os atrapalhem, já pensam assim há muito tempo.
Nada de nos iludir. Somos os mesmos animais dos primórdios, cada vez mais irracionais, lutando pela sobrevivência. A única diferença é que, no caso de alguns, a luta é para perpetuar suas cada vez mais desejadas mordomias. “99% dos homens são seres completamente irracionais” dizia um grande autor russo, “O que sobra, são aqueles que têm consciência disso.”1% ? Quanto otimismo! Será que o porcentual de racionais chega a isso, nos milhões que assistem ao Big-Brother?

2. No fundo, desejar a morte alheia sempre foi uma forma espontânea de autodefesa competitiva, bem a gosto dos nossos instintos, quando lutávamos contra animais mais poderosos nas savanas. Milhares de anos após a coisa continua igual, só muda o alvo. Todo aquele que mete a mão no dinheiro público seja aceitando que receba salário muito acima do que seria ético e justo, seja usurpando valores destinados a comunidades carentes está antecipando, ou, mais do que isso, desejando a morte de muita gente.
Ou dá para acreditar que quando um sujeito mete a mão em montanhas de dinheiro destinado a hospitais e escolas, não está sabendo que com isso, condena centenas de seres humanos a morrer mais cedo? Que morram! Esse é o pensamento vigente e muito consciente, apesar de irracional, na mente desses senhores, quer sejam capazes de ir à igreja rezar ou não, de pedir perdão ou não, de terno e gravata ou não, com discursos empolados ou não. Justamente porque, selvagens de gravata, para que a própria morte seja adiada e, temporariamente, esquecida, a morte dos outros não faz diferença.
Sendo assim, o sr. Amazonino Mendes, prefeito de Manaus, não precisa pedir perdão, nem justificar-se - como tentou fazer - ou sequer se desculpar. Apenas externou um pensamento humano, (demasiadamente humano, como diria Nietzche), corriqueiro, e até banal, de quem não conseguiu às custas de reflexão, leitura e/ou espírito humanitário adquirido, domar seus instintos de besta fera que, 300 mil anos após Neandertal, ainda são predominantes no gênero humano. Como diria Hemingway em seu Por quem os sinos dobram, para desejar a morte alheia não precisa sequer pedi-la, ou clamá-la, basta ser indiferente a ela.
Pobres dos desejados à morte: eles não podem pretender que o Sr Amazonino Mendes um dia leia John Donne, ou sequer entenda suas palavras:

“Nenhum homem é uma ilha, isolado em si mesmo; todo homem é um pedaço do continente, uma parte da terra firme. Se um torrão de terra for levado pelo mar, a Europa fica diminuída, como se fosse um promontório, como se fosse o solar dos teus amigos ou o teu próprio; a morte de qualquer homem me diminui, porque sou parte do gênero humano, e por isso não me perguntes por quem os sinos dobram; eles dobram por ti”.


segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

FRASE DO DIA

frase da segunda:

" O segredo da criatividade é sabe como esconder as fontes."

sábado, 19 de fevereiro de 2011

A LIBIDO DA MULHER SANLUIZENSE

Artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão,
seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo

A LIBIDO DA MULHER SANLUIZENSE

José Ewerton Neto



Uma revista semanal deu-se ao trabalho de pesquisar a quantas anda a libido das sanluizenses. Eis alguns dos tipos encontrados:

1. Dependente: “Preciso de sexo para suportar as pressões do cotidiano”.
Catarina, 22 anos, estuda computação, trabalha numa loja de shopping e se diz modelo. Tal é o estresse causado pelas pressões do dia a dia que Catarina (Kathy para as amigas ) confessa para todo mundo, inclusive para o padre - com quem teve um caso-, que só se alivia com sexo. A avó, com quem morava desde criança, não aceitou o remédio que ela usa para baixar a pressão e a expulsou de casa. Uma semana atrás Kathy descobriu, pesarosa, que vai ter que se mudar do seu apartamento porque quem não agüentou a pressão do sexo foi a parede do quarto, que desabou.

2. Erótica: “Só me sinto ligada emocionalmente a pessoas que tenham comportamento sexual muito passional”.
Dalila, profa. de educação física, 25 anos, mora no João Paulo. Nunca confessou a ninguém, mas desconfia que essa estranha fixação significa que, na prática, gosta mesmo é de apanhar. Tudo começou na adolescência quando “apanhava” pra valer dos livros de matemática, mas achava mais interessante levar uns tapas dos meninos de rua, com os quais jogava futebol. Ultimamente anda muito frustrada porque, segundo suas próprias palavras “Se está difícil encontrar homem de verdade, um que saiba bater é muito mais difícil ”.

3. Por Direito: “Mereço ter minhas necessidades sexuais satisfeitas sempre que estou numa relação estável”.
Erolena, advogada, mora no Calhau, 37 anos, casada. Para ter exata noção dos seus direitos – sexuais inclusive - formou-se em Direito, mas se equivocou ao casar com um advogado para se garantir. Há duas semanas iniciou um processo de separação que corre o risco de emperrar porque quem está dizendo agora que não tem suas necessidades sexuais satisfeitas é ele. O problema é que o porteiro do prédio – a quem ela recorria para suprir suas carências– supria as do marido também. Resultado: agora passam as noites estudando as leis para saber quem leva a melhor (com a lei e com o porteiro) e por isso a coisa vai mal, muito mal...

4.Reativa: “Minha satisfação sexual vem apenas do prazer que dou ao meu parceiro ou parceira”.
Vercília, 45 anos, tem um brechó, mora no Cohatrac. Só goza se ver os outros gozarem. Confessa que sempre foi assim desde adolescente, na época não podia ver um rapaz comendo pitomba. Hoje, oje, diz que tem prazer até quando vê Lula chorar e, flamenguista, também não pode ver Ronaldinho Gaúcho fazer um gol e sair dançando, que tem orgasmos compulsivos. A coisa complicou para o seu lado porque o gigolô que ela arrumou há cerca de dois anos lhe avisou que só tem prazer quando ela libera o cartão de crédito para ele. O pior é que o cara só aceita de Prime Internacional para cima.

5. Desconectada: “Sexo não faz parte de minhas preocupações. É mais fácil aliviar o desejo recorrendo à masturbação”.
Priscila, 28 anos, diplomada em segurança do trabalho, mora no Centro. Diz que aprendeu a se masturbar durante o curso. Não porque a masturbação fizesse parte do currículo (proteção sexual) mas porque não conseguia prestar atenção às aulas. Daí para a frente, os outros desejos ficaram para trás, mas não tanto assim... Defendeu, no seu artigo de pós-graduação a tese de que a grande vantagem da masturbação é que você transa e goza com o homem – ou a mulher - que você quer, sem correr risco.
6. Compulsiva: “Tenho dificuldade de me excitar e ter prazer se não criar uma situação ou usar objetos específicos”.
Marta, 32 anos, professora do ensino médio, mora no São Francisco. Tudo teria começado com um lápis. Pensou, na época, que era apenas uma coceira que dava na ponta do dedo. Lembra que a coisa ficava ainda mais excitante quando havia um quadro-negro por perto, razão porque tentou namorar um negão, até descobrir que não tinha a nada a ver. Consultou revistas, macumbeiro e cartomante antes de procurar um psiquiatra que lhe sugeriu, como solução, um dos maracujás-pênis do sítio de Dona Maria, em Ribamar.

7. Desinteressada: “Para mim não faria qualquer diferença se eu nunca fizesse sexo na vida”.
Lucinda, 25 anos, professora de inglês mora no Turu. É tão desinteressada que, às vezes, ensina tricô aos alunos, pensando que é inglês. Os alunos adoram. De tão desligada, outro dia, quando estava fazendo cooper, caminhou tanto que esqueceu o caminho de volta. Resolveu ficar por lá mesmo e se casou, embora o marido não ficasse sabendo. Voltou, mas, por falta do que fazer, ficou vagando num shopping da ilha por mais de uma semana. Não estranhou porque descobriu que metade da população que circula pelos shoppings também faz a mesma coisa. Parece conformada com sua sina de nunca fazer sexo na vida. Otimista, diz que depois disso, quem sabe...


segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

HIDRAMIX FOI AOS USA

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...,
Caderno Alternativo, jornal O estado do Maranhão, sábado

HIDRAMIX FOI AOS USA

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com





1. Sol-Hidramix Riosraios Paraíso Diforças Almeixeixas Hinfinito é de Chapadinha e mora em São Mateus onde é dono de uma borracharia. Passou para a literatura através de Nelin Vieira, publicitário e escritor que, num furo de jornalismo literário, identificou o tragicômico por trás do seu extravagante nome e o transformou em personagem de um conto do seu livro “O centésimo emprego de Seu Lelé Bristol”. Mereceu também uma crônica do escritor José Sarney, uma incursão no recente livro de Bruno Azevedo “ O Monstro Souza” e foi objeto de uma artigo de pós-graduação deste cronista, no curso de jornalismo cultural da UFMA, intitulado “ A invenção de nomes próprios : algo mais do que um costume. Será Arte?”
O que talvez seja pouco para sua intenção de, através do nome inventado, desraigar-se da sua sina de borracheiro associada às amarras do seu nome de batismo, (tão comum) de João de Deus.
Mas, quem é mesmo Hidramix, um nome ou um personagem? Ou, indo mais longe: um nome, qualquer nome, é apenas uma palavra ou muito mais que isso: quase um personagem? O que existe entre um nome e uma pessoa?
Certamente, não apenas uma palavra ou um mero símbolo de identificação. Não há como duvidar que o destino de muitas pessoas, consagradas ou não, foi influenciado pelo nome adotado. Quem discorda de que Pelé jamais teria sido o maior de todos se houvesse conservado o seu nome de batismo, Edson? E que dizer de Hitler, cujo nome original era Schicklgruber? E Ferreira Gullar, e tantos outros?

2. Na verdade, ninguém até agora foi capaz de dimensionar o poder exercido por um nome na montagem do destino de alguém. Alguns livros de numerologia chegam a fórmulas nem sempre convincentes, mas psicanalistas e filósofos em artigos recentes sugerem que o poder da linguagem vai muito além, influenciando até a conduta generalizada de um povo. Como se daria isso? Antecipando-se no inconsciente das pessoas, a partir de condicionamentos trazido pela linguagem, a resoluções de natureza psíquica.
O teor de meu artigo, acima citado, ( http://www.cambiassu.ufma.br) chama a atenção para a possibilidade artística da invenção de nomes próprios, insurgindo-se também contra a forma depreciativa com que os especialistas da literatura e da linguajem se referem à prática popular de inventar nomes próprios, associando-a sempre ao ridículo e ao grotesco. Provavelmente, por ser uma prática mais comum nas classes desvalidas O preconceito torna-se evidente quando, em contraponto, a criação de neologismos, na literatura, é alçada à condição de supra-sumo da arte. Esquecem que nos estratos sociais mais carentes – como no caso de Hidramix - a tentativa de invenção do próprio nome, extrapola todo o drama de um indivíduo, em seu afã de sobrepor-se, através da originalidade, à sua própria condição humana. O que, em última análise, é objeto implícito de toda arte.

3. Recente artigo da revista Veja faz um apanhado dos nomes que estão em voga para meninas a partir de 2010 no Brasil : Julia, Sofhia, Isabella, Maria Eduarda e Giovanna onde esboça-se, claramente, a intenção de diferenciação. (Atenção aos l, n, h, a mais, no nome). Diz a revista: As celebridades escolhem sempre para seus filhos nomes que não sejam “populares”. Quando Maria, João e etc. eram nomes de “pobres” elas os rechaçavam e preferiam nomes “americanizados” como Jenniffer e Jéssica. Quando estes grassaram na população voltaram aos nomes bíblicos. Esse comportamento, tão idiota e sub-intelectual, quanto o do “falso-rico” da província que faz uma viagem ao exterior e, na volta, corre para as colunas sociais dos jornais com suas fotografias - realça , contudo, o quanto de esperança de destino se transfere para um filho através do nome, independente da classe social.
Na mesma reportagem a revista cita que agora se tornou moda para as celebridades norte-americanas a escolha de nomes únicos para os filhos - portanto, inventados - atitudes que o psicólogo Jean Twenge chama de “epidemia de narcisismo”. Como todos começaram a imitá-los pode-se dizer que, por lá, o costume se generaliza num caminho inverso ao nosso.
Sendo padrão de nossa sempre subdesenvolvida vaidade imitar tudo o que vem de fora, de repente, não mais que de repente, a “loucura” de Hidramix será promovida a “narcisismo” também aqui no Brasil e passaremos a ter milhares de Hidramix nos nomes de batismo dos nossos filhos. E João de Deus, borracheiro de São Mateus - aquele que queria ter um nome - terá, finalmente, pelo menos durante algum tempo, a glória que sempre sonhou.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O QUE DÁ PRA CHORAR DÁ PARA RIR

artigo publicado na seção Hoje é dia de...,
cadeno Alterantivo, jornal O Estado do Maranhão,
sábado

O QUE DÁ PARA CHORAR DÁ PARA RIR


José Ewerton Neto


ewerton.neto@hotmail.com





“O que dá para rir dá para chorar”, é um aforismo antigo que virou canção em meados dos anos oitenta, num samba de autoria de Billy Blanco. Nessa época, ninguém imaginava que a medicina um dia recomendaria que, por questões de saúde, todo mundo risse muito mais, o que nos levou, com o perdão do autor, a atualizar acima o referido refrão.
“Rir é uma das cinco formas de evitar doenças cardíacas” diz a diretora do Instituto do coração do Hospital Presbiteriano de Nova Yorque, Holly Anderson. Ou seja, se já não bastasse tanto riso descabido, idiota e oportunista, que a gente tem que agüentar em gente como Galvão Bueno, Suzana Vieira, e Faustão agora você vai ter de aprimorar o seu, sob pena de ter um ataque cardíaco.
Pensando em sua saúde, caro leitor, eis algumas sugestões que lhe serão muito úteis se você estiver encontrando dificuldades para rir durante as vinte e quatro horas de seu dia brasileiro.

1. Ria do aumento que se deram os deputados.
Você tem certeza mesmo de que não dá para morrer de rir? Certo, pensando bem você não vai ter benefício algum com isso, ao contrário você é que vai pagar a festa. Mas existe algo mais engraçado do que ver gente gorda, com saúde e com dinheiro gargalhando muito? Se você, com pragmatismo, se lembrar de que agora rir é imperativo, dá até para descobrir algo de patriótico nessa sua missão de se contagiar com tanta alegria, principalmente quando a maioria deles está rindo às suas custas. Toda cara de pau é acintosa, mas pode se tornar engraçada, não é mesmo? (Agora que chegou o Tiririca, então...)
Vá pela sua saúde. Sorria.

2. Ria da sorte de Ronaldinho Gaúcho e do Fenômeno.
Motivo para rir é que não falta quando você se lembra da sorte que têm esses dois, que além de trabalharem pouco, são seus grandes ídolos. O primeiro joga uma vez por mês e ganha um milhão e meio. Isso deve dar uns quinhentos mil por cada gol. Ou uns duzentos mil por cada quilo a mais de banha. O outro, que andava na reserva no Milan, foi contratado, para freqüentar as baladas e as “balas” da noite carioca, vestido de vermelho e preto. A única diferença entre ambos é que o Gaúcho sendo possuidor de um sorriso tão bizarro que chega a ser engraçado já lhe facilita as coisas em busca do seu. Nunca foi tão fácil sorrir, não é mesmo?

3. Ria dos buracos de rua.
Claro, você não deve rir das enchentes invernais, pois seria muito cruel com as vítimas. Mas, pela sua saúde, você pode encontrar motivos de riso na própria desventura. Se você mora em São Luis, por exemplo, já reparou como não existe coisa mais engraçada do que os buracos de rua? Mexem-se tanto que parecem até protagonistas de um filme de desenho animado. Num segundo estão à sua direita , no outro à esquerda...Se você passa um minuto sem vê-los, pode acreditar que tem um embaixo de seu carro. Ou em cima. E sempre com as caras mais engraçadas possíveis: um se parece que o político X, outro com o administrador Y, outro com um guarda de trânsito, outro com o Pedro Bial. O único que não se parece com ninguém foi aquele com cara de vulcão que lhe engoliu - junto com seu carro-, outro dia na avenida dos Africanos e você nem teve tempo de ver direito. Não é engraçado mesmo?

4. Ria de você mesmo.
Se você assiste ao BBB, tem bolsa-família, teve aumento de IPTU, olhou os maracujás-pênis que dão no sítio de Dona Maria, e mesmo assim não consegue sorrir, creia, tem alguma coisa errada com você, amigo e só lhe resta uma saída. Vá para o espelho e ria desse que você está vendo à sua frente. Reparou como você é engraçado e nunca tinha atentado para isso? Dá até para lembrar da música do Billy:
“O que dá para rir dá para chorar
Problema de peso e medida
Questão de hora e lugar
Mas tudo são coisas da vida”...
Ele quase tinha razão, não é mesmo?





sábado, 29 de janeiro de 2011

MARACUJÁS "AO PÊNIS "

MARACUJÁS “AO PÊNIS”

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com



1. Na ilha de São Luis já não se fazem mais maracujás como antigamente.
O maracujá, fruta que todos conhecem, agora deu para aparecer com um formato, digamos, surrealista, para não dizer outra coisa. (Aliás, bem mais que surrealista já que nem a fértil imaginação de Salvador Dali conceberia pênis pendurados em maracujazeiros). Pois, acreditem ou não, são dessa forma todos os maracujás que dão no sítio de Dona Maria Rodrigues na cidade de São José de Ribamar.
Como era de se esperar, desde que eles começaram a brotar Dona Maria não teve mais um minuto de paz. É gente de tudo quanto é lado querendo espiar suas frutas “indecentes”. Depois de tanta repercussão, inclusive nacional, Dona Maria já está pensando em cobrar ingresso tantas são as visitas de gatinhas e coroas ansiosas por conhecer os “José Mayer do pomar”, certas de que, pelo tamanho e vigor, esse tipo de maracujá só pode ser macho . Algumas hipóteses surgiram, tanto como explicação como solução para o futuro desses frutos, aparentemente tão rebeldes quanto a ilha onde se instalaram.

2. A origem. Admitindo a “alteração genética no aparelho reprodutor”, sugerida pelos cientistas para explicar a mutação, uma suspeita é a de que os maracujás tenham sofrido sexualmente a influencia da televisão. É que no sítio de Dona Maria a televisão fica próxima das árvores e os frutos não devem ter ficado imunes à tanta pornografia que a tevê irradia e propaga pelo ar. Aliás, a dona do maracujazeiro já suspeitava disso há algum tempo porque na época do BBB, à vista de tanta piranha se oferecendo, os maracujás intumesciam como se estivessem excitados.

3. O futuro. Com tanto investidor querendo comprar o sítio, Dona Maria está decidida a consolidar algumas expectativas de teor libidinoso. O que se especula é que os maracujás possam ter ótima serventia como objeto de prazer, baseado na informação de que três em cada dez mulheres que já contemplaram os frutos afirmaram ter tido fantasia sexual com os mesmos. Ao mesmo tempo, camelôs e donos de frutarias da cidade, já acusaram um excepcional aumento na venda de maracujás. A pergunta, portanto, soa muito óbvia: por que não transformar o sítio numa espécie de motel temático, onde as frutas penduradas serviriam ao mesmo tempo de contemplação lúdica e excitante sexual? De quebra, seria também o primeiro motel do mundo a oferecer às clientes, deliciosos pratos de tira-gostos com “Maracujás ao Pênis”.

4. A incerteza. Apesar de tanta expectativa positiva o que Dona Maria teme, e ninguém até hoje foi capaz de lhe confirmar, é se os frutos continuarão penianos por muito tempo ou se foi isso foi apenas uma doideira provisória que deu nas frutas. (Será que não tiveram um ligeiro surto de humanidade e não estão esperando apenas o carnaval para se divertirem ao ar livre, fantasiados de pênis?) Se assim for, passado o carnaval, adeus maracujás e adeus grana. Um outro temor é o de que, toda essa onda passe e no final Dona Maria fique sem o lucro merecido. Afinal de contas, tem-se de reconhecer que maracujá em formato de pênis é um fenômeno insólito, mas possível de acontecer. O vice-versa é que seria extraordinário, ou até mesmo impossível.
Pelo menos, até hoje. Mas na ilha rebelde ninguém sabe...

sábado, 22 de janeiro de 2011

UMA TRAGÉDIA FAMILIAR

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alterantivo, jornal O estado do Maranhão, sábado

UMA TRAGÉDIA FAMILIAR


José Ewerton Neto,

ewerton.neto@hotmail.com





1. Responda depressa: quem tem mais cara de idiota, Boninho, o diretor do Big-Brother ou Pedro Bial, o bobo da corte do mesmo programa? Páreo duro, não é mesmo? Principalmente, sabendo-se que, como dizia Millor, o grande problema do idiota perfeito é que ele está sempre prestes a aprimorar sua perfeição.
Alcançado isso, no caso dos dois, essa perfeição se materializa quando ambos, ainda conseguem dar uma de espertos, justamente porque sabem manipular, a favor, outro grande postulado da Idiotice: “Qualquer idiota pode dar uma de esperto: basta encontrar alguém mais idiota ainda.” No caso, os milhões de telespectadores que se deliciam com a monumental fábrica de asneiras que eles inventaram para ganhar dinheiro.
Dois idiotas inventando, 25 participando e milhões assistindo só podia dar numa grande família. Pois é isso mesmo o que surge a todo começo de ano: mais impiedosa do que as taxas de IPTU e IPVA e mais brasileira que as enchentes invernais, rompe em nossos lares a tragédia familiar mais conhecida como Big-Brother- Brasil. Ou, sendo mais preciso: Big-Brothers na infância, porque, na maturidade, são todos Ex-Big-Brothers. E, daí, por toda a eternidade.
Se cada família tem o nome que merece, nenhuma conjunção com o próprio nome alcança tanta plenitude de realização genética quanto a denominação de Ex.-Big-Brothers para todos eles. Pois parece que para isso existem e para isso se dedicam: serem Ex. Ex- da vontade de se dar bem a qualquer custo, Ex- da falta de objetivos na vida, Ex- da ânsia de se negarem um projeto de realização pessoal em troca da exposição de qualquer indignidade moral em troca de alguns reais.


2. Coisas de família! Mas o que existe de mais arrasador nessa história é que, sem se dar conta, quer queira quer não, a grande família invade sua casa sem pedir licença - e nela se instala. Você poderia, talvez, reagir. Para se defender, conta até com um botão de televisão. Bem que você tenta, vira o botão trezentos e sessenta graus e mais um para encontrar algo que o salve, mas você se depara, nos outros canais, com imagens igualmente torpes: Ratinho, Luciana Gimenez, etc. Claro, você poderia optar por alternativas mais radicais, sair de casa, quem sabe, já que você não gosta de ler nem de estudar; de aprender música, nem se fala. Quem sabe expulsa-los, já que você acaba de constatar que eles se comportam não mais como idiotas, mas como maníacos pervertidos.
Pois quando não estão falando besteira estão trepando, não têm pudor nem vergonha, e fazem isso sem constrangimento, diante das criancinhas que os assistem. Coitadas, ingenuamente pensam que eles são apenas “brothers” ou seja, adultos companheiros. Você se assusta com a farsa, mas fica inerte, passivo. São seus filhos e você sabe que deveria ter asco de si por permitir que esses indivíduos invadam sua própria casa para poluir as mentes de seus filhos. Mas, você não faz nada, você não consegue mais reagir... Como se estivesse algemado.
Como escravo? Não, não como um escravo, o buraco é mais embaixo, na verdade você já foi cooptado, abduzido, contaminado, você já está fazendo parte dessa numerosa família.
E isso é o que ela tem de pior. Você sabe que essa família não passa de uma grande tragédia, mas já nem pode reagir porque faz parte dela.



domingo, 16 de janeiro de 2011

BELEZA NÃO É PARA QUALQUER UM

Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão, seção
Hoje é dia de...sábado, caderno Alternativo


BELEZA NÃO É PARA QUALQUER UM

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com



1. Não se sabe como, um norte-americano chamado Ronald Tornambe encontrou um jeito de calcular a beleza de um ser humano. Não satisfeito com isso achou de propagar seu feito através de um livro chamado a Fórmula do Cálculo da Beleza. E, de lá se saiu com um tal de Quociente de Beleza. Diga-se, de passagem, que o cara não é matemático, nem cientista, muito menos lunático, mas cirurgião plástico.
A revista Veja, sempre carente de novidades, deu crédito ao sujeito e, exibindo em reportagem de capa, considerações sobre sua façanha, haja classificar a beleza de celebridades como Tânia Khalil, Paulo Zulu, Ana Hickman, Claudia Leite etc. Pelos seus cálculos Ana Hickman seria a campeã, deixando para trás a graciosa axé-forrozeira Cláudia Leite. Eu, que prefiro a segunda em matéria beleza, procurei me aprofundar no texto para avaliar se o fato de cantar porcarias fez a baiana perder pontos. Parece que sim, a julgar pelo quesito “estilo” em que Ana Hickman deu de 46 a 29 (quase o dobro) na Claudinha. Portanto, garotinhas bobinhas e eternas candidatas a modelo de shopping-center, se querem ser belas, de verdade, vão tratando de colocar seus cedezinhos de forró no lixo.
Ou será que não foi só o forró? Não sei por que cargas dágua no quesito denominado genética Ana continuou matando a pau: teve 112 pontos contra 103 de Claudia que, por sua vez, empatou com Carolina Ferraz. Ora, se Claudinha empatou com Carolina é fácil deduzir que, pela lógica, deveria ser considerada então mais bela que Hickman, pois Carolina Ferraz, incontestavelmente, dá de dez a zero na gaúcha. Ou será que a matemática da beleza não funciona igual as outras e se x é igual a y que é igual a z , x não é igual a z? Ou será, também, que o fato de ser loura natural, no caso de Ana, ao invés de Cláudia ( que é morena), conta mais pontos na matemática do gringo nesse nosso país de cafuzos - que gostam de se proteger com leis raciais mas não aceitam seus próprios focinhos?


2. Confesso que, a essas alturas, fiquei ansiando pela presença da indefectível Suzana Vieira na competição para que, servindo de referencia, tornasse mais confiável a confusa escala. Certo, porque, confirmado seu coeficiente de beleza negativo, o índice do gringo se revestiria de um mínimo de coerência. (Que beleza, senão negativa, pode possuir uma perua de 70 anos, como Suzana, que se acha o máximo em estilo e beleza, mas depende de um gigolô debaixo do braço para poder aparecer ?)
Para aumentar a confusão, no final da reportagem, a revista oferecia um questionário onde o leitor poderia avaliar sua própria beleza. Dentre a miríade de perguntas havia desde as misteriosas ( qual o formato do seu corpo?); científicas ( qual a sua tendência de ganhar massa muscular?); metafísicas ( os olhos são os elementos mais marcantes do seu rosto?); até as filosóficas (qual a sua opinião sobre pessoas obcecadas por aparência?). Ou seja, mais de cinqüenta perguntas que seriam facilmente substituíveis por uma breve olhada no espelho. Ou será que ninguém mais é capaz de se olhar num espelho, hoje em dia, para avaliar o grau de sua feiúra?
Ah, os espelhos... Não é a toa que Jorge Luis Borges tinha fascinação pelos espelhos e, ao mesmo tempo, por labirintos. Pois que grande labirinto é, para qualquer ser humano, a sua própria contemplação! Se as pessoas se olhassem num espelho, o que não seria economizado em cirurgias plásticas, produtos embelezadores, e remédios! No mínimo, as pessoas aprenderiam que “a beleza é apenas a promessa da felicidade”, como dizia Montagne.
E quanto ao Sr. Ronald Tonambe, quantas páginas de idiotice seriam poupadas se, ao invés de propagar seu índice inconcebível, exibisse três ou quatro fotografias da - excelente - atriz italiana Sofia Loren, quando jovem, acrescentada de um conselho: “Minha filha, não fique triste se você jamais conseguir a beleza pois se houve poucas que quase a conseguiram: uma delas foi esta.”

sábado, 8 de janeiro de 2011

A ARTE DE CRIAR MINISTÉRIOS

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
do caderno Alternativo, hoje , sábado

A ARTE DE CRIAR MINISTÉRIOS


José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


1. Ninguém entende a necessidade de tanto ministério. Tudo leva a crer que os ministérios são criados, mais ou menos assim:
A presidente, já de saco cheio, põe-se a discutir com seus homens de confiança os nomes para o ministério. No caso (como ela mesmo fala), com seus três porquinhos. Um deles diz:
- Os caras do PC do W continuam aporrinhando muito.
- O que esses imbecis pretendem?
- Um ministério para eles, claro.
- Ora, já dei ministro para tudo que é partido, de tudo quanto é letra do alfabeto. O que eles querem? Que eu invente mais uma letra?
- Eles querem um ministério de qualquer jeito.
- Quantos já existem por aí?
- Acho que trinta e sete.
- Tem certeza?
- Até duas horas atrás eram trinta e seis, lembra? A gente acabou de criar mais um para agradar o PC do Y.
- Qual?
- O ministério de Política para Mulheres.
- Política para mulheres? Quem foi capaz de inventar essa asneira?
- A senhora mesma, presidente. Oh, desculpe, presidenta, esqueci que a senhora prefere ser chamada presidenta. Pois eu juro que foi a senhora mesma, dá para recordar?
- Ah, sim. Mas o ministro escolhido, ao menos foi mulher?
- Sim, foi a Iriny Lopes, lembra?
- Pois então, está resolvida a nossa questão.
- Como? A senhora podia explicar melhor?
- Que tal criarmos mais um ministério: o de Política para Homens? Com isso criaríamos mais um cargo e a turma do PC do W, finalmente calaria a boca.
- Uma brilhante idéia, presidenta, mas tem um inconveniente. O único nome, de nossa confiança que existe no PC do W não pode assumir um ministério com esse nome.
- Por quê?
- Ele é gay declarado. A senhora esqueceu?
...E, assim, evitou-se mais um ministério: o de Política para Homens.


2. O principal problema para quem vai assumir um ministério desses, destinado a ser engolido por outro mais forte, deve ser o de saber o que vai ter de fazer lá. O Governo já deveria ter pensado num manual. Isso mesmo, só um manual para Ministros sem Ministérios solucionaria esse drama, já que poderia explicar, em detalhes, tudo o que o sujeito tem a fazer (na verdade, não fazer) para dar a impressão de que está fazendo alguma coisa.
Uma ministra da igualdade racial, por exemplo, vai levar pelo menos uns dois anos para descobrir o que é de sua alçada e não da Justiça, já que igualdade racial sempre foi um problema de Justiça. O pior é que, depois de descobrir isso vai levar mais dois anos (o resto do seu mandato) para descobrir também o que é de sua alçada e não dos Direitos Humanos, já que igualdade racial, sempre foi uma questão de direitos humanos.
Só mesmo um manual!

3. São tantos os ministérios que a presidenta vai passar seus quatro anos de mandato sem falar com vários ministros. Um belo dia, esquecida completamente deles, será surpreendida.
- Sra. Presidenta, morreu a ministra
- Deus do céu, que ministra?
- A das Comunicações Institucionais.
- Comunicações Institucionais? Que diabo é isso?
- Até hoje ninguém sabe. Nem ela. Mas foi criado para resolver aquele problema da divisão de cargos. Lembra? Já havia um ministro da Segurança Institucional e outro das Relações Institucionais. Na época chegamos à conclusão de que Institucional é uma palavra que serve para tudo e que seria capaz de socorrer a gente em mais esse caso. Então criamos a Comunicação Institucional para ela.
- E quem era a mulher que estava nesse ministério? Diga-me logo, por favor?
- Oh, meu Deus, não é que acabei de esquecer?
- Mande hastear a bandeira, ministro, mande hastear. E divulgue imediatamente o luto oficial. De cinco dias, não. Bote trinta, em memória dessa coitada, de quem nem a gente lembra o nome.

domingo, 2 de janeiro de 2011

AS PALAVRAS DE 2010

texto publicado na seção Hoje é dia de..
O Estado do Maranhão, sábado


2010 e suas palavras

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com



1.Dezembro: “Cesto de Bondades” Foi assim que Patrícia Amorim, presidente do Flamengo se referiu ao anúncio da C.B.F., que confirmou o melhor time brasileiro de todos os tempos, o Santos como, também, o maior campeão brasileiro de todos os tempos. Os títulos de campeões brasileiros, confirmados, foram: Palmeiras 10, São Paulo, 6, Flamengo 5, Vasco e Corintians 4.
O que causa estranheza foi a expressão de deboche, demonstrando que ou ela entende muito de cestos ou pouco de bondades ou vice-versa. Ora, que bondade existe em se reconhecer os títulos de quem o conquistou, com méritos? Que há de errado em que o melhor time seja também o maior campeão?
Tendemos entender. A sra. Patrícia é de uma época recente, em que o campeão não necessariamente é o melhor. Por se ater a recentes conquistas de times como o São Paulo, e o Internacional cuja envergadura de melhor time do mundo não resiste a uma análise desprovida dos arroubos apaixonados de um torcedor, ela tem dificuldades de entender ( porque não conhece futebol) que já existiram times que, além de melhores eram também os campeões, times que, enfim, não precisavam de títulos - para serem os legítimos e admirados “campeões”.
Ela ignora que o Santos só não ganhou mais títulos porque não quis, quando, desistindo de disputar a Libertadores da América preferiu se dedicar a conquistas futebolísticas que lhe trouxessem maior retorno financeiro. Para o Santos que era uma máquina de fazer gols, admirada em todos os rincões da Terra, ser o melhor time do mundo de forma inconteste, era mais importante do que os títulos pelos quais se digladiam hoje diretores, cuja trajetória internacional de seus times jamais deixará de ser mediana, perto da alcançada por um time que teve em seu ataque: Pelé, Coutinho, Pepe e cia.

2.Agosto: Apedeuta Eis que o senador Fernando Collor tirou do baú mais uma contribuição para sua lista de xingamentos, direcionando o insulto a um repórter da revista Isto é. Apedeuta significa aquele que não tem instrução, ignorante. A palavra vem do grego, e como Collor foi eleito recentemente para a Academia de Letras de Alagoas, sem nunca ter escrito um livro, é possível que alguém já a tenha empregado para classificar aqueles que o elegeram com intelectual. Já para aqueles que, um dia, cometeram a imprudência de elege-lo como presidente o sinônimo, mais chulo, talvez seja o mais apropriado.

3.Julho: Burca. Embora o islamismo seja a segunda maior religião na França, as muçulmanas, a partir de um decreto do presidente Sarkozy ficaram proibidas de usar a burca, (véu que cobre seus rostos.) Especialistas franceses estão dizendo que o decreto raivoso parece ter tido uma inspiração sexual: depois de ver a Carla Bruni, nua, todo dia, em sua cama, Sarkozy passou a ter raiva de qualquer coisa que cubra uma mulher.

4.Junho : Vuvuzela. A vuvuzela, de triste lembrança, fez muito mais barulho e sucesso na Copa do que o time de Dunga. Por isso, logo foi esquecida o que não deixa de ser uma pena. Tivesse o Brasil ganho a Copa, o próximo Carnaval estaria cheio de vuvuzelas zoando em nossos ouvidos, o que seria muito menos perturbador - e torturante - do que os insuportáveis forró e axé.

5.Abril: Eyjafjallajokull. Esse é o nome do vulcão islandêz cuja erupção causou transtornos nos aeroportos da Europa quando, depois de adormecido durante 80 anos resolveu soltar suas cinzas. Eyjafjallajokull??? O nome vem da justaposição dos termos eyja, fjalla e jokull (ilha, montanha e geleira). Da próxima vez espera-se, pelo menos, que o vulcão não jogue tanta letra pelo ar.

6.Março: Tridimensional. Alçada a condição de palavra-fetiche, tridimensional virou moda com o filme Avatar, que narra a guerra entre aliens e humanos, em trama saída do Pocahontas, da Disney. Tem a ver com os novos recursos da tecnologia garantindo imagens com mais profundidade. Espera-se, contudo, que pare por aí e poupe a televisão. Já pensou as asneiras do Big-Brother e do Faustão em três dimensões?

7.Janeiro: Deslizamento. O ano passado começou com uma catástrofe causada pelas chuvas, em Angra dos Reis. Acidentes desse tipo são comuns nessa região a ponto de o dicionário Houaiss usar no verbete destinado a “deslizamento” o exemplo “ Houve um deslizamento na estrada Rio-Petrópolis”. Mais cruel ainda do que a forma como as terras deslizam, é o jeito com que os políticos da região “deslizam” na hora de prevenir as catástrofes. Portanto, se outro Janeiro vem aí, todo cuidado é pouco. Detalhe: eles estão com o bolso mais cheio!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

VOCE TEM QUE SER FELIZ

VOCÊ TEM QUE SER FELIZ!


“Mais importante que a felicidade é a alegria de estar aqui na terra para esta aventura efêmera.” Pascal Bruckner


Jose Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com




1. Agora é obrigatório: você, cidadão brasileiro vai ter que ser feliz, quer queira quer não, possa ou não possa.
A intimação, digamos assim, partiu do senador Cristovam Buarque. Ele é o autor do projeto de transformar em decreto-lei a obrigatoriedade de todo indivíduo que mora no Brasil ser feliz. O que vão fazer para que isso aconteça não explicou direito mas, como sempre acontece diante uma nova lei por eles inventada, o mais seguro é se proteger de “tanta felicidade” que virá por aí com a garantia do governo. Em outras palavras: ou você arreganha os dentes, ou está condenado a receber nos costados uma bolsa-felicidade.

2. Podemos imaginar, baseado no que acontece no trânsito, e no oportunismo com que os caixas dos governos usufruem das punições aos infratores, o que poderá lhe acontecer se continuar “infeliz”, triste cidadão. Será multado? Ficará proibido de torcer pelos times da segundona ( sintoma universal de infelicidade nacional), irá para a cadeia? O certo é que, depois de lhe doar uma “felicidade obrigatória”, pelo andar da carruagem o governo não deixará de lhe extorquir mais algumas metades de salários-mínimos, sob a presunção de que se você não vive feliz com tudo o que o governo lhe oferece é porque você não passa de um sujeito nocivo à sociedade.
Quem sabe inventem, como inventaram no trânsito, uma “barreira eletrônica” dos sentimentos, ou seja, alguma forma de medir o seu grau de felicidade. Para tanto poderiam pedir socorro ao governo da Inglaterra, onde, por lá, conseguiram chegar a uma fórmula bem britânica de aferir a felicidade, onde entram coisas como a satisfação com os impostos, a qualidade do ar que se respira, a vontade de distribuir porrada depois dos jogos de futebol quando o time perde, ou escutar os Beatles, dando graças à rainha. .
No Brasil poderiam tirar uma média de felicidade baseada nos milhares de cedês de forró escutados durante o mês ( quer você queira quer não) , as vezes, por dia, em que não se morreu de bala perdida , as ocasiões em que o juiz de futebol roubou para os nossos Flamengo e Coríntians, e a largura do sorriso de idiota diante de uma foto da bunda da Mulher Melancia.
Felicidade Padrão Brasileira definida ( Mangabeira Unger e Chico Buarque poderiam ajudar nisso) se estaria a meio caminho andado para instituir mais uma informação obrigatória na carteira de identidade: grau de felicidade. As gradações feliz, meio infeliz, ou quase infeliz ficariam por conta das oportunidades em que não se foi extorquido por um radar, uma barreira eletrônica ou um guardador de carro, ficando definitivamente claro que um sujeito jamais poderia andar com um “infeliz” na carteira de identidade sob pena de ser imediatamente preso como marginal.

3. O que nos leva a especular que, depois da lei da felicidade, não estará longe o dia em que essa gente que nos comanda, sempre inspirada, descobrirá mais leis, digamos assim, de imensa utilidade pública do tipo: direito ao infinito debaixo do braço; direito ao paraíso no sovaco do vizinho do ônibus; direito ao sonho de participar de um reality show; direito ao deslumbramento com o final de uma novela, direito ao céu e - por que não? - direito ao sentido da vida.
E o direito à paz? Alguém perguntará? Por que não tornar obrigatória mais essa?
Ora, instituir esse direito seria muito difícil, até mesmo impossível justamente porque, aqui no Brasil, os legisladores só são especialistas em criarem leis inexeqüíveis.
Para que um honesto cidadão tivesse o direito a um pouquinho de paz nesta terra, todo mundo sabe que seria suficiente punir os estúpidos, que com seus trios elétricos disfarçados de carro, se põem a torturar os pobres ouvidos dos vizinhos com músicas horríveis. Mas executar uma lei simples como essa por aqui é impossível porque as leis brasileiras não servem para a realidade, mas para a ilusão. Neste país, como se sabe, sempre foi muito mais fácil punir a tranqüilidade.

sábado, 27 de novembro de 2010

O PRIMEIRO HERÓI NACIONAL

O PRIMEIRO HERÓI NACIONAL


ewerton.neto@hotmail.com



Duas semanas atrás a revista Veja anunciou o capitão Nascimento, do filme Tropa de Elite, como o primeiro herói nacional. Ora, isso é uma grande mentira! Vai ver que nem se deram ao trabalho de pesquisar, nos livros de História, os heróis desconhecidos de todo o Brasil e que são mais de dois por estado. E esqueceram, sobretudo, de que antes do Capitão Nascimento já havia:


1. O Fenômeno-Man: Típico herói nacional, Fenômeno-Man gosta mesmo é de sombra e água fresca. E muita grana. Se tiver isso ganha todas e sai pro abraço. Sua arma é o gol. Faz gol de tudo quanto é jeito, tanto que foi o maior artilheiro de todas as copas. (Verdade que sempre contou com um craque muito melhor que ele, do lado, para facilitar sua vida: Rivaldo na seleção, Zidane no Real Madrid etc. ). Hoje, como o físico já não ajuda, basta cair estabanado no chão – como no ultimo jogo contra o Cruzeiro - que o socorro vem. Desta vez, do juiz. Esse sempre rouba a seu favor, o que, não lhe diminui, em absoluto, a aura de herói. Afinal de contas, herói também precisa de sorte, e a sua foi terminar seu currículo jogando no Coríntians, time para quem todo mundo gosta de dar uma forcinha, não é mesmo presidente Lula?
Fenômeno-Man tem todas as qualidades para ser herói neste país e mais uma: não é nordestino. Se fosse ia acabar como Rivaldo, o pernambucano, o melhor jogador da Copa 2002 e de quem todo mundo já esqueceu.

2. Perua-Maravilha. Oito entre dez mulheres brasileiras com mais de trinta têm como protótipo a indescritível, a fantástica e globalizada: Perua-Maravilha. Sim porque só ela encarna, à perfeição, o mito da mulher brasileira ideal para os padrões nacionais: pudor nenhum, chatice global e gigolô debaixo do braço. Haja gigolô! Perua-Maravilha gosta tanto de um gigolô que se tivesse de escolher entre aparecer nas colunas sociais rodeada dos habituais ricaços buxudos ou ao lado do seu gigolô, comendo cachorro-quente na carrocinha do Lopes, ela preferiria o gigolô. As armas que a tornaram invencível são: inteligência mínima e futilidade infinita. O que, convenhamos, não é tão fácil assim. Perua-Maravilha é tão heróica em seu desprendimento que não tem vergonha de dizer, com muita humildade, que para trilhar o caminho da vitória teve de aprender com heroínas muito mais frágeis que ela, do naipe de Suzana Vieira, Luciana Gimenez, Ana Maria Braga e etc. Bote heroísmo nisso!

3. Super-Chico. Super-Chico, o mais querido herói nacional, tem todas as qualidades de um super-herói e mais uma: é, também, super-intelectual A sua qualidade mágica é a perfeição. Chico nasceu perfeito, dessa perfeição que só dá mesmo no Brasil. É considerado o melhor compositor de música popular do país (desbancou até Noel Rosa ), é o melhor escritor (já ganhou três prêmios nacionais de literatura ) e só não é o melhor em livro- que- se- compra- para- enfeitar- a- estante- com- o- nome- do- autor porque ainda não inventaram essa modalidade. Tanto é assim que no ultimo premio Jabuti, Chico ganhou o de melhor livro, mesmo sendo apenas segundo colocado. Pode? No Brasil pode, ou melhor, Chico pode. Ele pode tudo. O dia em que entrar na dança dos famosos vai ganhar também. Que qualidades possui, além do talento? Aí a coisa complica, mas sei não: talvez a de ter nascido em berço de ouro, a de ter sido “vítima” da ditadura com um copo de uísque importado na mão, a de nunca ter levado um tapa do exército, como Geraldo Vandré, etc. etc... Chico é o único super-herói nacional que consegue ser da esquerda e da direita ao mesmo tempo e isso foi facilmente explicado por Tim Maia quando disse que o Brasil é o único país do mundo em que puta goza, gigolô tem ciúme e comunista é de direita. E Super-Chico é o maior escritor.

4. Capitão-Corrupto. Ninguém pode, neste Brasil, com Capitão-Corrupto. Nem os honestos, nem os marginais, nem os muito vivos, nem os mortos, sequer os espíritos. Capitão-Corrupto é o herói nacional por excelência porque enfrenta a tudo e a todos e sempre sai vitorioso. Não adianta enfrentamento de CPI, polícia, leis, promotores, cadeia e grades. Capitão-Corrupto é tão naturalmente dotado de uma carapaça de cinismo que fica imune a qualquer ataque, físico ou moral. Como consegue tanta resistência? Capitão-Corrupto possui duas armas mortíferas: canalhice e grana. Com a primeira consegue grana, com a segunda consegue o resto. Isso, no Brasil, é mais do que suficiente. Adorado pelos ricos, admirado pelos pobres e desprezado por uma minoria Capitão-Corrupto, não está nem aí para o achincalhe dos honestos. Não voa como Super-Homem, mas tem mais de um avião particular, não é mágico como Mandrake, mas desaparece a hora que quer. Só não dispensa o próprio grito de guerra: Grana!Grana! Quero mais grana!
Como é indestrutível o nosso Capitão-Corrupto!


domingo, 21 de novembro de 2010

PREFERINDO FUMAÇA A LIVRO

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Alternativo, jornal O estado do Maranhão, sábado


PREFERINDO FUMAÇA A LIVRO

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com

1. Segunda, dia 15, tarde de sol, feriado em todo o Brasil. Quarto dia da Feira do Livro. Lá, bons livros à disposição, alguns muito baratos se você tiver paciência para pesquisar: cheguei a comprar um livro de John Gray, “Falso amanhecer – os equívocos do capitalismo global”, novo, por dez reais. Telefono para Sonia Almeida, professora e poeta, para tratarmos do nosso café literário de terça. Entre outras coisas ela diz estar esperando por um parente, preso num engarrafamento na litorânea. De carona na sua incredulidade penso: “ Parada gay, não pode ser , Marafolia também não , carnaval ainda está muito cedo.” Então insinuo: “ Já sei, esse povo está fugindo da feira. Deve ter medo de livro!”

Dito e feito. Ou quase. Eis que no dia seguinte soube que nessa tarde, a Esquadrilha da Fumaça se exibia na Litorânea. Para lá se dirigiram pais, mães, filhos, agregados, cachorros e papagaios em seus carros, a ponto de congestionarem todas as vias de acesso à praias. Talvez estivessem cobertos de razão: nunca gostaram de ler, é difícil, para eles, conceber que a leitura de um livro possa trazer, um dia, um prazer mil vezes maior que isso, a um filho. A saírem atrás de livros, para eles, é preferível ficar preso num engarrafamento, olhando para o céu e vibrando com acrobacia e fumaça.

2. Penso que o sucesso de uma feira não deve ser medido pelo volume de pessoas circulando, mas pelas vendas dos livros e pelo público interessado nas palestras literárias e nos cafés de troca de idéias sobre a literatura. Quanto a isso ela não diferiu das vezes anteriores onde, mais uma vez, faltou divulgação adequada e a busca da cooperação das unidades estudantis de diferentes graus, para maior interesse desse público. De qualquer forma, a própria realização da feira, mesmo combalida, e com os percalços estruturais que se repetem será sempre um louvável ato de resistência numa Atenas Brasileira cuja população não se reconhece na demonstração de amor á leitura.

Apesar da opinião de alguns intelectuais amigos, favoráveis a que a realização da Feira se faça a cada dois anos como forma de se concentrar recurso e talento, prefiro vê-la todos os anos, como marca inconteste de que se está tentando fazer algo pela divulgação da leitura, incorporada definitivamente à rotina da cidade, tal uma estação do ano ansiosamente esperada,

3. Pensei que era o único a ter ficado impressionado favoravelmente com a originalidade da exibição dos painéis no alto da Praça Gonçalves Dias e arredores, cujas gravuras, em formado de uma imensa biblioteca, saudava, aqui e ali, os homenageados da feira como se estes estivessem saindo dos livros, dando a impressão de uma biblioteca suspensa, com a Praça Gonçalves Dias, no alto, ao fundo. As vozes abalizadas dos artistas escritores Alex Brasil e Wilson Marques, respectivamente também, publicitário e fotógrafo, confirmaram o quão talentosa foi a “sacada”.

4. Em uma das sempre debatidas sessões do “Café Literário” estive na platéia da oportuna palestra do professor Sofiani Labidi sobre e-book. Depois dela, a substituição do livro impresso pelo digital nunca me pareceu tão irremediável. O palestrante, por sinal, defendeu a imediata substituição do livro didático impresso por questões de custo e praticidade, no que parece ter razão.

Comentando, depois, sobre a conseqüência de tudo isso com amigos escritores alguém lembrou: “ E a noite de autógrafos, como será?” “Desta vez é definitivo, a noite de autógrafos acabará bem antes de se acabarem os escritores”.

Demos tratos à bola para imaginar como a cerimônia poderia ser adaptada. Em uma das possibilidades o sujeito anuncia pelo e-mail, do celular, que haverá uma noite de autógrafos e comunica o valor a ser depositado em sua conta.

- E o local dessa “noite de autógrafos virtual” onde seria? – perguntou alguém.

- Ora, onde você quiser, na praia, e até de dia, por exemplo, pois agora tanto faz.

Para os habitantes de São Luis, ou melhor, da Atenas Brasileira, quem sabe na praia, assistindo a mais uma exibição da esquadrilha da fumaça.

domingo, 14 de novembro de 2010

ALÉM DE PALAVRAS E NÚMEROS

Texto publicado na seção Hoje é dia de...

O Estado do Maranhão

ALÉM DE PALAVRAS E NÚMEROS

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com




1. Recente reportagem da revista Galileu mostra que é mais fácil convencer alguém quando se recorre a números. Um aforismo antigo dizia que todo ser humano é indefeso diante de um elogio. Agora, sabe-se que isso se dá, também, diante dos números.
O autor do livro Proofiness, um matemático e jornalista norte-americano mostra nas suas páginas que políticos, publicitários e vendedores usam e abusam da arte de provar ao interlocutor algo que este sabe que é verdadeiro , mesmo quando não é. Por que se desconfia tanto das palavras e menos dos números?
Evito acreditar que isso se dê apenas por conta de uma suposta exatidão de ciências como matemática e física, aos quais os números são frequentemente associados. Isso degenera, a meu ver, uma falha de interpretação imperdoável. Lembro, neste instante, de uma das fórmulas consideradas mais belas pelos cientistas, a equação geral de Einstein para a Relatividade Geral, cuja interpretação, para o leigo, fornecida pelos estudiosos é “ A matéria ensina o espaço-tempo como se curvar e o espaço-tempo ensina a matéria como se mover.” Quer mais poesia que essa, por trás de uma igualdade numérica?

2. Proponho outra explicação: as pessoas desconfiam tanto das palavras porque as falam demais. Seu uso é, quase sempre, desenfreado e desnecessário. Lembro de que, nos primórdios, para sobreviver, os seres humanos tinham de ser econômicos nos ruídos (palavras) que emitiam porque se fizessem barulho se tornariam presas fáceis para os predadores.
De palavra em palavra, estas foram perdendo a credibilidade. Se isso já acontecia há séculos, imagine agora quando a população aumentou quatro a cinco vezes mais. É palavra para tudo quanto é lado e ainda sobra para um milhão de chineses falarem. Ora, se um único ser humano fala milhões de palavras a esmo, imagine um bilhão.
O que nos faz pensar que não vai estar longe o dia em que o curso mais disputado na Terra vai ser o curso de economia de palavras (concisão). O twitter, talvez não passe da primeira manifestação dessa necessidade, embora tenha se revelado frustrante: ao se tentar diminuir o número de palavras na comunicação, aumentou-se a quantidade de besteiras.


3. Na verdade, pouquíssimas palavras resistiram ao tempo, com a sua simbologia não corrompida pelo tempo. Um exemplo é a palavra mãe, embora muita gente insista em lhe adicionar significados que não tem e dos quais não precisa. Mãe é mãe e pronto. Ao redor de sua sina - de doação ao filho - muitas outras palavras foram criadas ao longo do tempo e hoje fazem festa que na boca dos apresentadores de televisão e nos livros de auto-ajuda, sem que seus autores saibam ao certo o que significam. Chega a causar asco a forma como apresentadores e celebridades globais como Suzana Vieira e Luciana Gimenez extravasam, por exemplo, suas supostas “felicidades” como se estivessem exibindo um adorno, capaz de ser medido com uma escala.
Dei-me ao trabalho de enumerar dez dessas palavras e, aleatoriamente atribuí um numero de 1 a 10 a cada uma delas. 1, amor; 2, felicidade; 3, paixão; 4, vida; 5, eternidade; 6, humanidade; 7, ilusão; 8, infinito; 9, nada; 10, tudo. Atrevi-me, depois a calcular o resultado de suas combinações como se, de fato, estivessem sujeitas a uma operação matemática. Surpreso, verifiquei que o resultado, a maioria das vezes, é razoavelmente convincente. Alguns exemplos rápidos: Paixão(3) + vida(4) = ilusão; amor(1) + felicidade(2) = paixão; felicidade(2) + paixão(3) = eternidade; infinito(8) – ilusão(7) = amor; tudo(10) – nada(9) = amor; vida(4) + humanidade(6) = tudo, etc. etc. etc. É fácil perceber que as soluções são conceitualmente apreensíveis pela mera razão de que por serem palavras de conceito abstrato e indefinido poderão sugerir a verdade que se quiser, à mercê do impostor que delas se aproprie.

4. Portanto, se as palavras são falsas, os números também ( como o exercício também prova) o que deixa a impressão de que em breve os números também perderão a credibilidade, e que talvez precisemos inventar novos símbolos para suportar o que restar ainda de verdadeiro nas relações entre os homens . Mas, o que é a verdade? Quando Poncio Pilatos perguntou a Jesus Cristo ele se calou, possivelmente querendo induzir-nos a que descobríssemos isso por conta própria.
“A vida é absurda”, dizia Clarice Lispector e se a vida é absurda assim também são os símbolos criados para sua representação, sejam palavras ou números. São tão absurdos (ou mentirosos, como queiram) que a grande arte dos mesmos talvez seja a de nos fazer acreditar que palavras sejam apenas palavras e números apenas números.


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

3 ou 4 hipocrisisas básicas

Artigo publicado na seção Hoje é dia de...
sábado passado


3 OU 4 HIPOCRISIAS BÁSICAS


Jose Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com



1. Para Millor Fernandes uma das coisas que distingue o ser humano dos outros animais é o fato de ser o único animal que tem raiva do próprio cheiro. Mas há algo que o distingue ainda mais: a monumental hipocrisia. A própria aventura humana, ao fim, não passa de um contínuo exercício de hipocrisia que culmina em só se celebrar dignamente as qualidades de uma pessoa depois que ela morre, quando já não tem como usufruir disso.
Mas, já nem estou falando da hipocrisia por “dever de ofício” - aquela que se convencionou aceitar porque não há outra saída, como a descaracterização da personalidade dos indivíduos quando à caça de votos. Quem viu o grotesco da foto de José Serra e Geraldo Alckmin nos principais jornais do país arremedando uma dança funk para tornarem-se simpáticos ao povo que os assistia sabe do que estou falando. Menos aviltante, porém, talvez seja tratar das hipocrisias que se institucionalizaram, viraram leis e se associaram ao cotidiano humano como se fossem coisas imprescindíveis e até mesmo louváveis.

2. Jamais entendi a razão da “lei seca” em dia de eleição. O motivo aparente, segundo consta, seria o de evitar que algumas doses a mais de álcool façam extrapolar impulsos causados por uma acirrada disputa eleitoral. Dá para acreditar nisso? Que um cidadão, à custa de duas doses de cachaça vá se transformar num terrorista, motivado pela paixão por um político, ou sua pseudo-ideologia? No fundo, o que a lei não consegue disfarçar é que tenta, á custa do direito elementar de um cidadão fazer o que quer em seu dia de folga, revestir de pureza e dignificar um ato (de votar) que há muito tempo deixou de ser patriótico para os brasileiros.
Igualmente, o que vem a significar “luto oficial”? Claro, todos sabem que deve tratar-se de uma homenagem, prestada pela nação através de seu presidente a alguém que teria honrado a pátria. Mas é isso mesmo o que, de fato, acontece? Existe critério para tanto, ou basta, para merecer tal honra, o fato de ter sido famoso?
Como nosso presidente já disse que o Brasil seria muito melhor se todo brasileiro tivesse nascido um Faustão, é de se esperar que quando o apresentador morra, a bandeira do Brasil seja hasteada para homenageá-lo em luto oficial. Mas, de quantos dias mesmo? Uma semana, trinta ou sessenta dias? Eis aí outra dúvida que só escancara o tom de farsa. Por que uns têm direito a um dia e outros a uma semana? Ainda bem que minha alma nunca vai ser homenageada com o luto oficial da nação, senão ela gostaria de saber por que só teria direito a alguns segundos enquanto outras terão direito a uma semana ou um mês.


3. Em termos de futebol, rapidamente chegamos ao “minuto de silêncio”, homenagem que se supõe ser prestada a alguém. Alguém? Possivelmente, um ser humano e não a bandeirinha de córner ou o placar eletrônico. Lá estão 22 jogadores que nada sabem do “homenageado”, uma multidão de torcedores que sabe menos ainda e, finalmente, um locutor de futebol, que, transmitindo a cerimônia, mal consegue esconder sua indiferença em relação ao que se passa. O que, aliás, é bastante compreensível pela completa inutilidade. De que vale um minuto de silêncio para quem tem a eternidade pela frente?
Como se já não bastasse essa, inventaram mais uma: a execução do hino nacional em tudo que é jogo de futebol. Qual teria sido a intenção do autor da lei: desprestigiar o hino nacional, vulgarizando-o, ou dignificar a corriqueira cena de uma insossa partida de futebol? Não precisa ser especialista nos meandros da alma humana para deduzir que a motivação foi a de sempre: granjear reconhecimento usando a veste fácil do patriotismo. Tudo muito coerente com a frase de Ambrose Bierce: “O patriotismo é o primeiro refúgio dos canalhas.”

4. A homenagem ao túmulo do soldado desconhecido, também, nunca deixou de ser uma cerimônia exaltada e pomposa onde se desperdiçam flores, dinheiro, smokings e, principalmente... Intenção. Ora, para que serve homenagear um indivíduo a quem, de saída, sequer se reconhece? Por que ao invés dos milhares de dólares gastos na “suposta” homenagem não se gasta equivalente grana para garantir a sobrevivência de seus parentes? A seqüência da empulhação é de tremer de revolta a alma de um pobre soldado: ordena-se que ele vá para a guerra, assassina-se o coitado, dá-se a ele o tratamento de fantasma coletivo (destratando a única coisa que porventura tinha, que era seu nome) e, depois, tem-se o desplante de homenageá-lo. É de dar vontade de voltar na forma de um Frankestein para estrangular o pescoço de quem inventou tal história!

terça-feira, 2 de novembro de 2010

SOBRE LÍNGUAS

Texto publicado no jornal O Estado do Maranhão,
ultimo sábado


SOBRE LÍNGUAS


José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com

A palavra, esse animal vivo, como disse Adélia Prado, não é um bicho assim tão fácil de controlar. E seu universo, o dos idiomas, não poderia deixar de carregar algumas de suas complexidades e estranhezas. Como estas:

1. Atualmente no mundo são falados aproximadamente 3 mil idiomas. Mas já se falaram cerca de 10 mil.
Isso porque não estão computados O Lulês, o Galvão Buenês, e o politiquês corruptelas da língua portuguesa, muito usadas no Brasil atual. Dessas, o politiquês é um pouco mais fácil de entender: promete-se tudo, esquece-se depois, com velocidade ainda maior.

2. Os antropólogos dizem que o homem de Neanderthal tinha uma faringe muito curta para produzir os sons da fala humana
Vai ver os atuais cantores brasileiros de forró e funk, vítimas de um retrocesso evolutivo, ainda estão na fase de Neanderthal. Isso explica porque a gente nunca entende o que eles falam (cantam?). Além de mente curta - o que já se desconfiava –, devem ter a faringe curta também.

3. O ex-governador britânico de Hong Konk Sir John Browring era capaz de falar cem línguas diferentes.
Só não conseguiu aprender a língua de sua esposa. E acabou corno, em todas as línguas do mundo, inclusive na do Ricardão.

4. A palavra amor é masculina nas línguas latinas e feminina em alemão , hebraico e russo. Em todas têm um som agradável, exceto no chinês (ai) que nas línguas latinas expressa dor.
Isso vem explicar porque a população da China é tão grande. O homem nunca sabe se a parceira está gritando de dor ou dizendo “amor”, prazerosamente.

5. Um dos maiores insultos em chinês é chamar alguém de tartaruga – tao-ze- animal associado a todo tipo de desvios sexuais.
E nós, que nunca imaginamos uma tartaruga como uma ninfomaníaca ou um pedófilo(a)! Ainda bem que elas são lentas, já pensou se fossem um pouco mais aceleradas?

6. Geralmente as pessoas da raça branca consideram a zebra um animal branco de listras negras enquanto os nativos africanos consideram-no um a animal negro com listras brancas.
Tá explicado porque o Botafogo ( um time de camisa branca com listas pretas, ou preta com listras brancas ) é sempre uma zebra ao gosto do freguês. Tem coisas que só acontecem com o Botafogo!

7. A palavra mais falada no mundo é hello ( Alô)
A batalha pelo primeiro lugar foi pau a pau com a brasileira “Porra”, com suas múltiplas utilidades. A inglesa só ganhou porque nem sempre quando alguém telefona para aporrinhar um brasileiro, este responde com uma sonora “Porra!”

8. No século XVII René Descartes criou uma língua formada de números para representar palavras e idéias.
Já pensou, se a idéia tivesse vingado, a economia de palavras que isso representaria? Quanta asneira teria sido evitada! Por exemplo: tudo o que se diz e faz num reality show, seria resumido a um zero apenas.

9. O órgão sexual da mulher pertence ao feminino em todas as línguas latinas, exceto no francês, que é masculino: “Le vagin”
É por essas e outras que o francês tem fama de ser a língua mais efeminada do mundo. E “La Marseillaise”, o heróico hino francês, fica muito mais bonito quando cantado por vozes femininas.

10. Jesus Cristo falava o aramaico, língua predominante no oriente Médio, antigamente. Hoje, praticamente desapareceu. Existe, através dele uma relação entre o árabe e o hebraico. Como exemplo: salaam e shalom, que significam paz.

“Shalom”, então, para todos!

domingo, 24 de outubro de 2010

POR QUE ESCREVO?

Texto publicado no caderno Alternativo, seção
Hoje é dia de...o Estado do Maranhão, sábado



Jose Ewerton Neto

Membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com



1. Frequentemente, nos cafés literários, ou palestras, dos quais participo, surge a pergunta: por que vocês escrevem, como surgiu essa vocação de escritor?
Confesso que ainda não tenho (tampouco escutei) uma resposta convincente a essa questão aparentemente simples, que, embora, deixa sempre a sensação de que subtende uma certa incredulidade, misto de admiração, curiosidade e estupefação, quase sempre.
O fato é que ninguém pergunta, por exemplo, a um médico porque ele medica, a um comerciante porque ele negocia, a um consultor porque ele não faz absolutamente nada, a um ator de filme pornô porque ele transa profissionalmente ou a um político porque ele faz politicagem. Talvez porque as respostas sejam demasiado óbvias (no caso do político, quando a resposta não está na cara, na maioria das vezes, está no bolso). O que, no caso de um escritor, está a léguas de acontecer,

2. Sim, porque, neste caso, a resposta jamais estará do lado do senso comum, já que, por dinheiro ou por subsistência, com certeza, não é. Como todos sabem escritor não ganha dinheiro com venda de livros. Por que então, meu Deus? E a pergunta, começa a fazer sentido em sua repetição, afinal de contas, as pessoas sempre estão atrás de sanar algum mistério. Lembro, a propósito, da frase de um escritor norte-americano que dizia que “a única vantagem de um sujeito ser escritor é que ninguém o chama de burro por ganhar tão pouco.” Essa, talvez seja uma vantagem. Mas consegui descobrir outra:
A de permanecer sozinho, num bar, por exemplo - e sentir prazer com isso. Sei que muita gente vai pensar que isso não traz prazer algum, mas se pensarem bem hão de concordar que é uma vantagem e tanto, pela “economia de felicidade”: não só de entrar sozinho, como a de sair sozinho, sem esperar alguém e sem desejar coisa melhor na vida. Um escritor deve ser o único tipo no mundo que encontra prazer em ficar sozinho em algum lugar, público ou não, por mais de duas horas com seus livros, jornais e suas anotações. O que lembra a frase do escritor Fernando Sabino, uma pérola de definição do que seja um chato: “Chato é aquele que te rouba a solidão sem te fazer companhia.” Em suma, numa época em que a chatice não tem limites ( carreatas de políticos, gente que fala merda, gente que escuta merda, ) não deixa de ser salutar possuir as características de alguém que usa como remédio contra a chatice da vida afora, a própria solidão.

3. Na dificuldade de responder a tão inquietante questão meti-me a analisar as respostas do livro “ Por que escrevo” que adquiri coisa de dois anos atrás, e do qual já havia olvidado.
Eis algumas:
João Ubaldo; “A essas alturas, eu escrevo porque não tem outro jeito”
Alain Robe Grillet: “Eu escrevo romances há 35 anos e nunca soube por quê.”
Roa Bastos: Por que escrevo? Escrevo por atavismo. Sei que não é uma boa resposta, mas há uma resposta para um sujeito tão impreciso?”
Autran Dourado: “A gente começa porque tem jeito para escrever e depois não termina, porque não tem jeito de parar.”
Blaise Cendrars: “ Porque”
Pouco, estimulantes para uma solução, certo?

4. Quanto a mim, essa dificuldade talvez esteja em que eu não seja, de fato, um escritor (sou engenheiro de formação), certamente a anos-luz do talento dos acima citados. Sou apenas um escrevinhador que adquiriu esse hábito por gostar muito de ler, desde a primeira vez , na infância, quando surrupiei da estante da minha tia o livro A Marca do Zorro. Escritores com bem mais condições de resolver a essa questão devem ser o mago Paulo Coelho ou o cantor Chico Buarque (que ganha prêmios literários quase todo mês) e que recentemente disse que escrever é uma chatice, descobrindo talvez, num rasgo de genialidade, a incógnita dessa equação tão complicada. Vá lá: todo escritor deve escrever para que um dia se torne tão chato quanto ele.
Já ia encerrando esta crônica, com a preciosa ajuda de Chico, quando li por acaso, na Internet, que pouco tempo atrás se celebrou os quarenta anos da morte de Guimarães Rosa . Eis então que uma nova idéia, um tanto subversiva, me ocorreu: como um escritor é um sujeito que não celebra aniversários e festas em vida ( não tem dinheiro para tanto) escreve para que um dia se celebrem seus aniversários de morte.
Nesse caso, suas esperanças, (independente de que tenha sucesso ou não) têm o dom de sobre passar a vida e ele, consciente mais que qualquer outro, de que esse negócio de imortalidade não existe, escreve para que suas esperanças, pelo menos elas, sejam imortais, não é mesmo?