domingo, 26 de setembro de 2010

MINHA TRILHA

texto publicado no jornal O estado do Maranhão, seção
Hoje é dia de...sábado passado


MINHA TRILHA MUSICAL


Jose Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com



Aos sábados, o jornal o Estado de São Paulo no seu caderno de arte, reproduz seleções musicais de profissionais de diferentes expressões artísticas. É fácil perceber que elas não se referem a um juízo pessoal de valor musical, mas sim a como uma determinada canção veio a tocar a sensibilidade de cada um, por diferentes motivos. Meio por diletantismo comecei a fazer a minha lista, que acabou dando na que segue. Se não gostarem, perdoem-me. É que, depois de pronta fiquei com dó de deixa-la na gaveta.

1. Gracias a la vida. Estava nas ruas de Belo Horizonte nos idos dos anos oitenta quando chamou-me a atenção, um elepê de música chilena tendo na capa uma mulher pouco graciosa, mas de rosto e expressão marcantes. Até hoje dou “Gracias a Dios por Gracias a la vida ter entrado em minha vida”. Prefiro-a não nas interpretações mais executadas de Mercedez Soza, ou de Joan Baez, mas dela, Violeta Parra, - a autora da música, cuja fotografia emoldurava a capa do disco. Lendo depois sobre sua vida soube que ela se suicidou. Na sua interpretação, esse pungente hino à vida, ressoa, por vezes irônico, triste e eternamente belo.

2. Besame Mucho. Acho que todo mundo já escutou mais de trinta interpretações desta música sem nunca ter enjoado. Lembro, em especial, de uma com os Beatles, não a melhor, mais uma das mais memoráveis (do filme Let it be). Li em algum lugar e há algum tempo atrás, que essa música ( junto com Yesterday , dos Beatles) era a canção mais executada de todos os tempos. Como Yesterday hoje pouco se escuta, deve reinar sozinha, o que é muito justo.

3. The fool on the Hill – Beatles. É a que mais gosto dessa “melhor banda musical de todos os tempos” que dispõe de um caminhão de músicas para fazer parte de qualquer lista de bom gosto musical. Acho-a mais bonita até do que A day on the life que todo crítico musical cita. O motivo porque a aprecio tanto não sei explicar, mas com certeza não é pela letra, bastante boba. Já escutei várias versões dessa música, inclusive com Sergio Mendes – que prefiro à dos próprios Beatles - e também com Zé Ramalho; muito, muito pior.

4. Oh, Carol! Com Neil Sedaka ou qualquer outro. Como se não bastasse ser a mais bela balada de rock da juventude-fugaz de todo mundo veio a ser também a da minha infância , porque a associo à minha mãe. Quando vinha de férias para São Luis, na infância, a música me recordava Guimarães, onde a música tocava indefectivelmente, à noitinha, num alto-falante, o que me dava saudades dela.

5. Ai Mouraria. Quase todo fado é bonito, mas esse é o mais bonito, o creme do creme. A primeira vez que o escutei foi na voz de Alcione, quando esta começava a carreira, em São Luis. Nessa época, portanto, ela também cantava lindamente fados e – acreditem! - era magra.

6. A noite do meu bem, Dolores Duran. Existem muitas formas de dizer meu bem, dentro da noite. Mas a única voz capaz de fazer isso oferecendo a própria noite foi a da magistral Dolores Duran, nessa sua música, impiedosamente terna. Para sorrir – ou chorar- suavemente, de tanta emoção. Poética, meiga, única!

7. Três Apitos, Noel Rosa. Só o talento de Noel Rosa para conseguir fazer um apito de fábrica soar bonito, como nesse samba-canção: “Quando o apito, da fábrica de tecidos vem ferir os meus ouvidos, eu me lembro de você”. Onde se reúnem coisas que só Noel Rosa consegue reunir numa canção, às vezes, tão curta: poesia, paixão, ironia, o riso de si mesmo.

8. Camisa Listrada, Assis Valente. O samba mais verdadeiro do carnaval mais puro, ou o samba mais puro de um a época que o carnaval era verdadeiro, tanto faz. De um tempo em que um folião saía para brincar (eu disse para brincar ) dizendo “mamãe eu quero mamar. Mamãe eu quero mamar!”, gíria da época. E levava ainda um canivete no cinto e um pandeiro na mão... Mas aí eu já estaria contando a história.
Com Carmem Miranda cantando é covardia! Gente, essa obra-prima encontra-se meio esquecida, nem lembro de quando ouvi sua ultima regravação. Fiquem vivos, Zeca Baleiro e Marina de la Riva!

9. Fado Tropical, Chico Buarque. Do tempo em que o talento musical de Chico Buarque era tanto que sobrava para fados. Nessa época, ele não precisava suar para ser o escritor medíocre que hoje busca, obsessivamente, ser. .“Ai esta terra ainda vai tornar-se um imenso Portugal” “Ah, esse Chico um dia vai voltar a ser o Chico Buarque!”

10. Na asa do vento, João do Vale. “Deu meia noite, a lua faz o claro, eu assubo nos aro, vou voltar pro vento leste. A aranha tece puxando o fio da teia...” Precisa dizer mais quando a poesia nem precisava da música e vice-versa? Mas, aqui, elas se juntaram seduzidas pelo talento espontâneo deste João do Vale tão lapidar. Para mim uma das melhores músicas populares feitas por esses lados e nem estou falando do Maranhão, mas, (sem patriotada de maranhense) do Nordeste inteiro.

sábado, 18 de setembro de 2010

NOVOS MANÍACOS DO VOLANTE

Texto publicado em O Estado do Maranhão,
caderno Alternativo, seção Hoje é dia de...hoje, sábado


NOVOS MANÍACOS DO VOLANTE

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com




Coisa de 7 anos atrás, baseado numa seleção de um amigo psiquiatra, descrevi, numa crônica, os tipos de desajustados mais comuns que se viam – e ouviam – pelas ruas e avenidas das capitais brasileiras. Nessa ocasião foram listados alguns desses maníacos crônicos, ao qual se adicionou o título mais apropriado a cada patologia. Complexo de Ayrton Sena ( ao obsessivo por velocidade) ; Complexo de Imperador da Avenida ( ao viciado em obstruir avenidas) ; Complexo de Mike Tysson ( ao xingador do motorista vizinho) etc. etc.
Mas a insanidade, por incrível que pareça, evoluiu mais ainda nestes últimos anos e - pasmem! - novos maníacos surgiram. Vamos a eles:

1. Complexo de Raposa do Deserto.
Dias atrás, o cronista Ruy Castro lamentou , numa crônica, que as avenidas e ruas das cidades tenham deixado de ser vias de acesso para se transformarem em desfiles de tanques de guerra. É isso! De alguns anos para cá, uma horda de maníacos, quase sempre sozinhos, passaram a dirigir veículos que mais parecem tanques de guerra: enormes, incômodos, horríveis e pouco práticos, tornando o ato de locomoção automotora , agora sim, uma verdadeira batalha. Por que razão um ser humano, se prestaria a tanto constrangimento, num trânsito tão congestionado?
Para o amigo psiquiatra tais seres são desprovidos do mínimo senso de apreço ao bem-estar comunitário. Por um desvio de personalidade, carecem se impor a qualquer custo, acreditando piamente que dirigir um veículo imponente o tornará alguém digno de ser admirado. O título de Raposa do Deserto (como era cognominado Rommel, o general alemão) lhes é apropriado, ironicamente, primeiro porque assumem a pose de generais e, segundo, porque agem com seus “tanques de guerra” como se estivessem num deserto, ao invés de numa via pública.
Uma segunda razão, menos psicológica, é a da falta de dinheiro, mesmo. Só a penúria financeira explica que um sujeito se sacrifique com uma picape enorme pelas ruas estreitas da cidade quando o mais viável – se tivesse dinheiro – seria possuir, além desse, um carro menor e confortável, para melhor se locomover pelas ruas apertadas de sua cidade.

2. Complexo de Fantasma das Avenidas.
É o sujeito que acredita que basta tomar posse do volante do seu carro para se transformar num fantasma. Vidros totalmente obscurecidos, a meta principal desse novo tipo de maníaco é agir como se, a salvo de olhares, ninguém desse conta de sua presença. Estacionam nos locais mais improváveis e incômodos e param para conversar, desde com o carona do lado até com cachorro que late ao longe ou com a pulga que o está incomodando. Enquanto isso...
O pior desse tipo de mania é que ela tornou-se epidemia e, contagiados, os guardas de trânsito deram também para agir como se fossem fantasmas. Se um sinal enguiça, ou acontece um acidente, eles, viram fantasmas e nunca aparecem. Só deixam de serem visagens, na hora de bater papo ou de multar carros nos raros estacionamentos. É quando surgem, de cinco a seis, aos trambolhões.

3. Complexo de Motoqueiro Kamikaze.
Acredite ou não em espiritismo, tudo leva a crer que os trágicos japoneses, que se mataram na ultima grande guerra, estão reencarnando no Brasil, na forma de motoqueiros kamikases. Sobre suas motos eles se jogam de frente, de lado e de costas. Às vezes, tem-se a impressão de que eles querem atravessar a carcaça do automóvel, do ônibus ou do trem que se atravessar no caminho já que não existe, para eles, quebra-mola impossível, calçada intransponível, jardim a ser respeitado. Têm especial predileção por valas e crateras o que indica que já estariam enxergando, provavelmente, o próprio túmulo.
Com tanta vocação suicida à solta, o cuidado de todo motorista tem de ser redobrado para não tornar-se, ele também, o ator coadjuvante de mais um “haraquiri”, sem direito à segunda sessão. Como todos sabem, quando um suicida morre sempre sobra para um culpado vivo.


4. Complexo de Masturbador de Buzina
Trata-se do psicopata que não pode ver uma buzina de carro à sua frente que já começa a aperta-la freneticamente, como se estivesse querendo ter um orgasmo com a mesma. Tudo é motivo para esse tresloucado apertar a buzina do seu veículo: uma mosca no pára-brisa do carro, o sinal de uma barreira eletrônica, o berro de um cantor, no som do carro. Quando retido num sinal, por mais de dois segundos, o maníaco fica em polvorosa e, antes mesmo de o sinal abrir já está ele, apitando feito um desesperado como se o carro à sua frente, não estivesse submetido também à lei física da inércia, que o impede de sair voando como o maníaco gostaria.
Tanta obsessão da parte do Masturbador... pode provocar danos irreversíveis nas suas esposas ou namoradas que, por precaução, devem procurar manter o bico dos seus seios a salvo das mãos inquietas do psicopata. A solução psiquiátrica para essas pobres mulheres, segundo o meu amigo é simples: dar-lhe uma vuvuzela de presente, ou, melhor ainda, um chifre, para que ele pense duas vezes, antes de ser tão estúpido.

domingo, 12 de setembro de 2010

A ARTE FEMININA DE FAZER UNHAS

Artigo publicado no jornal O Estado do Maranhão,
seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo

A ARTE FEMININA DE FAZER UNHAS


José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com




O ser humano, se desenvolveu inteligência suficiente para criar invenções que facilitam sua vida, não as desenvolveu suficientemente a ponto de não deixa-las à mercê dos seus primitivos instintos de fera boçal, o que nos faz duvidar de que, afinal de contas, estas tenham lhe trazido tanto lucro assim.
Se inventou a televisão, inventou também o Faustão e o Big-Brother. Se inventou o carro, inventou também a barreira eletrônica e o maníaco do volante. Se inventou o avião, inventou a fila de espera da bagagem. Se inventou o som eletrônico, inventou também o som automotivo e o estúpido que o propaga. Enfim, será que valeu a pena?
De todas as invenções, contudo, uma existe que, de tão singular e rotineira, nem se sabe mesmo se foi invenção: a arte (se é que podemos chamar assim ) feminina de fazer unhas.
“Será arte, será arte?” pergunta-se o poeta Ferreira Gullar em um dos seus poemas. Não consigo responder precisamente, o que sei é que até agora não surgiu nenhum especialista para explicar a razão pela qual mulheres e mais mulheres se dedicam com tanto afinco, emoção, regozijo, fidelidade, paciência, perseverança etc a uma tarefa que para os homens não passaria – se a executassem com a mesma galhardia - de uma aporrinhação inútil e incompreensível.
E olha que, recentemente uma enxurrada de livros se dedicaram a explicar as diferenças, nem sempre contornáveis, entre o macho e a fêmea, desenvolvidas ao longo de milhares de anos de evolução. Através desses livros “Os homens são de Marte, As mulheres são de Vênus”, “Porque as mulheres fazem amor e os homens fazem Sexo”, etc. conseguimos descobrir que a imposição evolutiva explica porque as mulheres são interesseiras e os homens infiéis; porque as mulheres conseguem fazer duas ou três coisas ao mesmo tempo e o homem apenas uma (no mais das vezes, nenhuma); porque as mães são mais apegadas aos filhos do que os pais e por aí vai.
Só não explica é porque a mulher desenvolveu com tanto carinho e dedicação a esquizofrênica (pelo menos, para nós) arte de fazer unhas. Calma, não estou dizendo que não possa haver por trás uma razão bastante compreensível, se observada pelo ângulo da higiene e da estética, mas, sobretudo – e aí é que se inaugura a dificuldade em entender – o que não se explica é o porquê da necessidade de fazer desse ato um ritual quase religioso, uma obrigação tão primordial e imprescindível.
Sim, porque para a maioria das mulheres fazer unha é mais importante do que ler um livro, ir ao cinema ou à missa e levar o filho ao colégio. Muitas mulheres deixam de comer para fazer unhas, sendo capazes até de perder um bom programa com o parceiro por causa disso. Pode-se dizer que fazer unha está para uma mulher como discutir futebol está para um homem com a diferença que, de uns cinco anos para cá, muitas mulheres se imbuíram da mesma fascinação que os homens têm pelo futebol ao passo que, nenhum homem, apesar da velocidade do processo evolutivo que os unifica cada vez mais (infelizmente, diga-se de passagem) , passou a se extasiar com o ato de fazer unhas.
Podemos até nos dar ao direito de especular, recorrendo à imaginação, a uma potencial visão familiar nos tempos ancestrais: os machos ao longe, no meio da mata, atrás de caça, enquanto as fêmeas, famintas e prenhas, os aguardavam numa caverna, cansadas, estressadas, aporrinhadas e sem ter o que fazer... E as unhas, enormes, ali, em frente, à disposição. Se elas fossem machos poderiam coçar o saco, talvez, para se distraírem, mas...elas não tem saco. Heureca! Como ninguém antes havia pensado nisso? Será que essa não seria a grande explicação? Será que não foi daí que tudo começou? Milhares e milhares de anos coçando as unhas, esperando nervosas por comida e sexo, escutando apenas a música dos ganidos estridentes dos macaquitos, até que...
A sensibilidade feminina teria feito o resto. Lentamente, elas teriam aprimorado a primitiva e instintiva coçação até chegar a... Pouco a pouco, passando a toldar suas unhas proeminentes, acariciando-as, confinando-as e moldando-as. Bote o tempo disponível de uma infinidade de anos, bote uma religiosidade latente, quase sagrada, um conformismo atávico, um poder de concentração especial e a compunção peculiar do sexo feminino pelas coisas menores bem feitas e... Pronto! Estaríamos diante da grande explicação. A falta de saco para coçar, talvez...
Talvez? Que me perdoem as mulheres por esta especulação ingênua e sem base científica. O paralelo disso seria admitir que caso os machos fossem tão sensíveis quanto suas fêmeas, hoje eles estariam se dedicando à arte de “fazer sacos”, dourando-os, enfeitando-os, mostrando-os uns para os outros e dizendo : “Cara, já viu que enfeite cor-de-rosa com formato de lua coloquei no saco?” E ficariam ofendidos caso suas esposas e namoradas nada percebessem. Haveria revistas e mais revistas intituladas “Fazer Saco” para os homens (assim como as centenas que se vendem dedicadas às unhas femininas - e que a maioria dos homens sequer imagina que existem) e estes passariam suas duas mais preciosas horas de folga semanais enfeitando sacos, ao invés de ficarem discutindo futebol.
Dá para aceitar isso? Tem lógica? Antes que seja tarde, façamos urgentemente de conta que não. Nada de nada. Não resta dúvida, o apressado cronista, como um inconseqüente, invadiu um terreno que não é de sua competência. Ele que vá fazer crônica sobre assuntos de sua alçada como futebol, que vá especular sobre o humor de Dunga ou de Felipão, que vá caçar problemas e que deixe a mulher e sua arte de fazer unhas em paz.
Melhor recorrer, para solucionar de vez essa questão em má hora levantada, mais uma vez ao bardo inglês Shakespeare, e tomando sua frase como alegoria, aceitar que existem mais mistérios entre o a mulher e o que fazem do que sonha a vã inteligência humana. Incompreensíveis ao coitado do Darwin! Ininteligíveis a Deus.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

EU NOSTRADAMUS?

Artigo publicado no jornal O estado do Maranhão,
seção Hoje é dia de...Caderno Alternativo, ultimo sábado

EU NOSTRADAMUS ?


ewerton.neto@hotmail.com




Pois é, no dia 18 de Junho de 2006 este cronista deu uma de Nostradamus. Quem poderia supor, essa época, que um país, como o nosso, que não dá a mínima condição à sua população para gozar de boa saúde e se prevenir das costumeiras catástrofes invernais fosse se dar ao luxo de gastar dinheiro a rodo com estádios suntuosos e com acomodações para turistas durante uma Copa?
Mas a coisa aconteceu ano passado, todo mundo ficou feliz e este cronista, iluminado provavelmente por Nostradamus escreveu há quatro anos o que segue abaixo. Não é que quase tudo que foi previsto está acontecendo?
Na ocasião leu-se a crônica: Se a Copa do Mundo acontecesse no Brasil:

1. Muita polêmica acontecerá por conta da escolha das cidades-sede dos jogos da Copa. Até o prefeito de Quixeramobim, no Ceará , entrará na disputa, construindo em tempo recorde um estádio de futebol com capacidade para cinqüenta mil pessoas em pé, quinze sentadas ( a família do prefeito ) , e cinqüenta montadas em jegue. Depois de o prefeito entrar em greve de fome e do trágico episódio do suicídio de um vira-lata com a camisa da seleção, Lula concederá à cidade o direito de ver uma partida com os jogadores reservas do escrete canarinho, garantindo com sua presença, a inauguração do referido estádio, antes da Copa.
Como todos sabem as coisas já estão acontecendo nesse rumo. Com a desculpa da Copa, os governantes anunciaram a doação, esta semana ( com nosso dinheiro) de um estádio para o Coríntians sob a alegação de que a cidade de São Paulo não pode ficar de fora da Copa. Por quê será, hein? Quantos milhões morrerão se acontecer isso? Por que o resto do Brasil pode assistir à copa pela televisão e os paulistas não podem?
O mais interessante é que fazendo parte do plano “carne- e- unha” arquitetado por Andrés Sanches, (presidente do Coríntians) e Ricardo Teixeira, (presidente da CBF), o estádio do Morumbi, do São Paulo, com capacidade para oitenta mil torcedores e um dos melhores do Brasil foi preterido na história. Talvez consiga o “privilégio” de sediar os treinamentos da seleção.
Ao mesmo tempo a imprensa está anunciando que várias cidades descartadas como sede , estão se candidatando a sub-sedes da Copa. Preteridas no filé, se satisfarão em roer o osso. São as Quixeramobins da previsão.

2. O Maracanã será totalmente reformado, porém, suspeitas de evasão de dinheiro e superfaturamento das empreiteiras embargarão a obra. O escândalo, agora denominado, Copalão, inspirado no Mensalão, ganhará divulgação internacional e a FIFA pensará em transferir a Copa para outro país. Hugo Chávez, fiel a Lula, o socorrerá com Petrodólares, em troca, exigindo que uma miss venezuelana ( tradicional vencedora desse tipo de competição) seja escolhida a musa da Copa.
Ainda não se chegou lá, mas sussurros e insinuações na grande imprensa já ocorrem aqui e ali. Os orçamentos são extraordinariamente disparatados de lugar para lugar, sem explicação técnica. Empreiteiras com mínima experiência estão sendo escolhidas, como já denunciado, no caso do Ceará.
O que leva a crer que, desta vez, uma venezuelana ficará com o lugar da paraguaia Larissa Riquelme.

3. Acordo de cooperação será feito entre os governos do Rio, São Paulo e o comando da bandidagem para garantia da segurança durante a realização do evento. Marcola, o chefe dos marginais, acabará aceitando como contrapartida do seu apoio uma exibição da seleção nos pátios das penitenciárias de segurança máxima. O acordo será lido por Galvão Bueno, com a presença de Marcola e de Lula em rede nacional.
Dito e feito. Ou será que alguém tem dúvidas de que somente uma forte motivação faria Galvão Bueno anunciar sua despedida para logo depois da copa 2014? Será que já não é de vergonha? E, por outro lado - que coincidência! - o goleiro Bruno, do Flamengo, a caminho da penitenciária, não é o elo que faltava do referido acordo?

4. As forças armadas farão reuniões secretas para elaborar um plano de emergência relativo à possibilidade de a Argentina ganhar a Copa. Serão consideradas duas hipóteses:
Caso a Argentina derrote o Brasil numa partida normal, os sem-terra estarão de prontidão para invadir o estádio, invalidar a partida, ganhando o direito de ali se instalarem para sempre. Caso a Argentina ganhe a Copa os soldados farão vista-grossa para que a torcida organizada do Coríntians possa entrar em campo e baixar o “sarrafo” nos portenhos
.
Só um ingênuo não percebe que a doação recente de um estádio, de graça, para o Coríntians, faz parte da compensação prevista no plano. Por outro lado, quem tem dúvida de que, toda a arruaça da mesma torcida, esta semana no centenário do clube, inclusive matando uma torcedora, sob a vista grossa de imprensa, torcedores, jogadores e opinião pública, não faça parte apenas de um treinamento para a Copa, sob a coordenação de “forças ocultas”?

Obs. Houve, porém, uma pequena falha na premonição. Onde se lia Lula, favor substituir por Dilma Roussef.

sábado, 28 de agosto de 2010

AFORISMOS ÀS AVESSAS

artigo publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo de O Estado do Maranhão



AFORISMOS ÀS AVESSAS

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com


Reportagem desta semana da revista Veja ao exaltar a arte do aforismo, indica para compra uma coletânea do austríaco Karl Kraus. E solta algumas de suas pérolas: “O mundo é uma prisão em que é preferível a solitária”, “O segredo do agitador consiste em parecer tão idiota quanto seus ouvintes de modo que eles acreditem ser tão inteligentes quanto ele.” Ou seja: “um mínimo de som para o máximo de sentido”, na definição precisa do que é um aforismo do escritor norte-americano Mark Twain.
Ao mesmo tempo que revela que cunhar frases definitivas já foi um passatempo aristocrático na França dos séculos XVII e XVIII, a mesma revista, ao nos apresentar, na mesma edição, o que saiu esta semana da boca das celebridades atuais, faz-nos ter saudades desse bons tempos.
Vamos, pois, ao que existiu de melhor:


“De gordo para gordo: não entre em um spa, porque spa é difícil. Não é que você seja gordo. Você está engordado.” Jô Soares para Ronaldo, o fenômeno.
E assim, Jô Soares finalmente descobriu que o sujeito quando recebe muita grana fácil para iludir uma torcida boba como a do Coríntians, sem trabalhar e sem suar, não fica gordo, fica engordado.

“O meu filho mais velho me acha uma idiota porque não entendo de computadores” Angelina Jolie
Um dia o menino vai descobrir que o idiota é ele, por ainda não ter descoberto quanta coisa você entende entre quatro paredes, não é mesmo Angelina?

“A mulher que fica em cima sufoca. Homem precisa de válvula de escape para respirar”, Gabriela Duarte, atriz.
Depende da posição e do jeito né Gabriela? Sua mãe Regina Duarte, a namoradinha do Brasil, não lhe ensinou isso? O que será que ela andava fazendo: namorando o Brasil?

“Ganho mais do que preciso e menos do que mereço” Galvão Bueno, quando questionado sobre o salário que recebe da Globo.
É isso aí! Galvão mais uma vez surpreende com a sua incomensurável modéstia. Todo mundo sabe que para gritar gol do Brasil, histericamente como ele grita, berrando o nome do jogador como se estivesse sendo sodomizado por este, tem que ser pago com muito, muito dinheiro.

“Não gosto de visual fora de ordem. Tenho uma vaidade normal: estou sempre barbeado, faço pés e mãos toda as semanas e limpeza de pele uma vez por mês” Roberto Justus, apresentador de porcarias.
E como ficamos nós, que temos uma vaidade anormal? E que pensávamos que parecer um eterno idiota enfatuado não desse tanto trabalho assim?

“Eu depilo o corpo inteiro, menos as pernas”, Paulo Henrique Ganso, craque do Santos.
Seja direto, rapaz! Vai fundo que você merece. As meninas estão querendo saber é como o ganso fica nessa história. (o outro)

“Queria ser entrevistada no Jornal nacional, então resolvi colecionar algo que ninguém colecionava”. Luiza Possi, cantora, falando sobre a coleção de chicletes mastigados que tinha quando criança.
Para se ver o quanto você já era precoce, Luiza! Celebridades são assim mesmo, excêntricas até nas coleções. Suzana Vieira, por exemplo: até hoje adora colecionar gigolôs.

“Vermelho é a cor do satanás. No governo deles pode matar, estuprar, roubar; com a bandeira azul, não.” Joaquim Roriz, candidatao ao governo federal pelo PSC, que usa a cor azul , demonizando o PT, que é vermelho.
Acho que entendemos o que você disse, Roriz. Político, no Brasil, não se satisfaz apenas em matar, estuprar e roubar pessoas e sociedade...Quando são ótimos como você, estupram até as cores.

“ O mundo está com um motor só, a China.” Led Abruzzese, diretor da Economist Intelligence Unit, para quem o mundo pode parar, se o motor falhar.
Desgraça pouca é bobagem, não é mesmo Led? E você nem disse que o motor é pirata. E foi comprado no Paraguai.




sábado, 14 de agosto de 2010

AO MENOS UM DIREITO

Artigo publicado no Jornal O Estado do Maranhão,
seção Hoje é dia de..., caderno Alternativo

AO MENOS UM DIREITO


Jose Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com




Fazia tempo que ninguém falava nesse negócio de direitos humanos quando, esta semana, uma música resolveu entrar na história.
Música? Bem, não era exatamente uma música, mas vá lá. E havia ainda uma camionete, um som estridente e provavelmente um cantor, se é que pode se considerar cantor alguém que se sujeitava a cantar uma sensaboria daquelas. Começaram cedo, por volta das oito e repetiam a coisa há cada meia hora. Eu estava apenas tentando escrever e, num ato espontâneo de solidariedade, comecei a me preocupar com quem estivesse na mesma rua tentando estudar, trabalhar ou simplesmente - se doente - permanecer em paz.
Foi aí então que me lembrei dos tais Direitos Humanos. Puxa vida, de que adianta uma DECLARAÇÃO UNIVERSAL DOS DIREITOS HUMANOS se um direito básico como o de permanecer em paz em sua residência, ou em seu local de trabalho, é vilipendiado justamente por aqueles que desejam seu voto? Afinal, o que será que eles pensam que o eleitor seja, ao lhe impor a insistência metódica ( não falei melódica) de uma música idiota, num som infernal, como uma tortura? E foi então que resolvi, para não perder a viagem, reler a Tal Declaração dos Direitos Humanos para saber a quantas anda o respeito a cada um dos seus itens.

Artigo 1. Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. Isso não deixa de ser verdade, em termos de nascimento, pelo menos até o bebê levar a primeira palmadinha. Se raciocinarmos bem, porém, logo se chega à conclusão de que mesmo isso é uma mentira. Uns nascem em hospitais de luxo, outros debaixo da ponte, uns tem canções para lhe embalar, outros tem muriçocas. Uns tem a mamadeira cheia de farinha dágua para lhes alimentar por dois meses, até incharem ou morrerem, outros têm Gisele Bundchen para lhes amamentar durante seis meses e para criticar – no seu blog - as mães pobres que não podem fazer isso. Ou seja, uns nascem para a vida, outros para seja lá o que for; umas nascem para serem mães, outras para serem Giseles.

. Artigo 5. Ninguém será submetido à tortura nem a tratamento ou castigo cruel, desumano ou degradante.
Será? Quando a rede Globo coloca quase um país inteiro para assistir Faustão ou Big-Brother, alguém pode achar que isso está longe de ser tortura, crueldade, ou desumanidade. Mas, e quanto a ser degradante? Se a exposição pública de machos e fêmeas, exibindo seus instintos mais vis, a troco de alguns pacotes de dinheiro não é degradante o que mais pode existir de degradante no mundo? O texto da lei, para ser atual, deveria, no mínimo, eliminar o termo degradante. Não resolve, mas fica mais fácil, não é mesmo Pedro Bial?

Artigo 6. Todos têm direito a repouso e lazer.
Pode ser. Desde que se considere que assistir show de forró não é tortura, mas lazer, todos tem, realmente, esse direito. Como todos têm também direito à música sertaneja, a assistir dança de famosos, a buraco de rua, barreira eletrônica, guardador de carro, imposto de renda, e obrigatoriedade de votar. Existe lazer maior do que, em pleno domingo ou feriado se dirigir para uma fila, maior que a de banco em dia de pagamento de PIS, para votar num sujeito em quem você não deposita a menor confiança? Melhor do que isso só receber o vale bolsa-cultura do governo Lula para ter direito a todas essas coisas e, de quebra, um lugar no cemitério – se houver - para o repouso e o lazer definitivo.

Artigo 26. Todos têm direito a participar livremente da vida cultural da comunidade, de usufruir das artes e de participar do progresso científico e de seus benefícios.
Parece que sim e, melhor ainda, na cidade intitulada Atenas Brasileira, todos têm direito até de participar de seus concursos literários. Só não têm direito aos prêmios que lhe foram prometidos, mas, em compensação, têm o direito a colocar o órgão oficial patrocinador do concurso na justiça, com a esperança de um dia vir a recebe-los. Como também, depois de contratar um advogado, têm ainda o direito a esperar, esperar, esperar...
Esperança! Quer maior lazer e participação cultural que essa?

É por essas e outras que qualquer cidadão com um mínimo de senso trocaria toda essa penca de direitos que lhe dizem possuir por pelo menos um: que não lhes ferissem os ouvidos, pelo menos na sua própria casa.

sábado, 7 de agosto de 2010

OS VÁRIOS TIPOS DE PAI E O PAI

texto publicado na seção Hoje é dia de...
Caderno Alternativo, jornal O Estado do Maranhão

OS VÁRIOS TIPOS DE PAI E O PAI


Jose Ewerton Neto
ewerton.neto@hotmail.com




.Houve época em que os pais eram diferentes - e os dias dos pais também. Nesse tempo, o pai não precisava fazer tipo. Por isso, próximo a mais uma homenagem que cada vez significa menos ( descobri dia 31 de Julho que agora existe dia para tudo, até para orgasmo) torna-se importante que se defina o estilo de cada pai, para que se possa, pelo menos, ofertar-lhe um presente adequado. A escolha é sua, prezado leitor e filho.

1. Pai Alternativo: Veste-se de forma despojada (preferiria nem se vestir ) e trabalha em profissões flexíveis – de guardador de carro a consultor de empresa. Adora um bate-papo ou um churrasco entre amigos e familiares, desde que esses amigos e familiares não sejam seus. Diz-se cult, aprecia artes em geral, inclusive pichação e clonagem de Michael Jackson, e se declara fã de literatura de auto-ajuda. Está sempre por dentro das produções fora do circuito comercial, como vídeos pornôs de amantes de jogadores de futebol. Enfim, é um pai tão alternativo que seu filho nem precisa se preocupar se ele é mesmo seu pai, de verdade.
Presente adequado: Um livro de Saramago - para exibir, e uma revista Caras – para ler .

2. Pai executivo: Orgulhoso do cargo que ocupa, vive dizendo que trabalha muito, sendo que uma de suas principais ocupações é justamente essa: fingir que trabalha muito, principalmente para sua mulher e filhos ( seus subordinados não se iludem com isso). Vive coordenando reuniões, até mesmo dentro de casa: quando vai ao sanitário ou quando isola-se para praticar sexo. Masturbador inveterado – por falta de tempo, como diz - gaba-se de quebrar paradigmas, por isso, pratica com a esquerda, liberando a direita para segurar o celular, sempre à disposição da empresa. Sua esposa, que há muito tempo já desistiu de seduzi-lo, desistiu também de compreender o workaholic em que o marido se transformou, queixando-se para as amigas que ele sente mais prazer ao ingerir o viagra do que com o que vem depois. Funcionário padrão, gosta de freqüentar todos os eventos e festas promovidos pela empresa que trabalha, desde os churrascos no condomínio até a inauguração da coleira do cachorrinho do diretor.
Presente adequado: Manual do Aprendiz do Político ( como todo executivo, ele sempre demonstrou muito talento para não fazer nada e acha que pode ganhar muito mais dinheiro com isso)

3. Pai Esportivo: Pratica qualquer tipo de esporte, sem preconceito, desde cuspo à distância, até matança de mosca . Curte toda atividade ao ar livre, sendo a que mais aprecia é a de ficar de papo pro ar, na praia, a tarde inteira esperando a turma trazer a bola para o jogo de futebol, das seis às seis e meia. Por gostar de muita adrelina tornou-se um especialista em praticar “pega” de walk-machine com o filhinho da vizinha. De madrugada – e sem que ninguém saiba - só consegue relaxar de tanto esforço dando susto nos travestis que fazem ponto nas avenidas.
Presente mais adequado: o telefone do namorado da filha.

4. Pai jovem: Independentemente da idade e fiel à frase que diz que “cada idade tem sua juventude” seu tipo cai melhor nos que beiram os oitenta anos. Mantêm um estilo jovem, que fica entre o de bebê precoce ou adolescente aloprado . Curte muito acompanhar os filhos em suas brincadeiras e hobbies sendo visto com freqüência carregando a bola, a chuteira e o uniforme de futebol das crianças. Durante o jogo, serve de gandula. Aprecia também brincar de pula-pula nas festas de aniversário de criança. Precavido, anda de mãos dadas com os filhos nas avenidas para que estes o protejam das gangues. Muito bem informado sobre as gírias e modismos da galera, diz que adora tanto Lady Gaga que ficou parecido com ela, tanto é assim que , de tanto cantar suas músicas, acabou ficando gago.
Presente adequado: A coleção Eclipse, de filmes e livros, tendo como brinde uma máscara de vampiro.

5. Pai High-Tech. Adora novidade tecnológica, julga-se sempre “antenado” com os mais recentes lançamentos de informática, música, telefonia e astronomia, mas dá-se ao direito de confundir buraco negro com o buraco mais íntimo de cada um. Usa a tecnologia para tudo: agendar compromissos, checar informações e fazer pesquisas ( qual o motel preferido do amante de sua mulher, por exemplo ). Versátil, possui vários versões, do “kit do idiota”: celular, lap-top e tevê no carro. Nem precisa dizer que anda sempre com o som do seu veículo turbinado e seu sonho é adquirir uma Hilux para que possa ficar ilhado para sempre num engarrafamento do centro da cidade, som nas alturas, sem estar nem aí para o apito dos guardas e as reclamações dos motoristas.
Presente mais adequado: Um cede de forró a ser colocado no som do futuro carrão para que possa se desestressar, finalmente, dessa rotina de ser pai.

7. O pai pai: Esse anda cada vez mais raro. É aquele que é simplesmente pai, e isso lhe é mais que suficiente. Pouco visto em shoppings, baladas e almoços de confraternizações em churrascarias , preocupou-se a vida inteira em batalhar para o futuro da família. Hoje, já com a memória um tanto abalada por essa luta, esquece até que existe Dia dos Pais.
Presente mais adequado: basta-lhe o filho.




sábado, 31 de julho de 2010

TODAS QUEREM SER MODELOS

Texto publicado no jornal O Estado do Maranhão
seção Hoje é dia de...hoje, sábado



TODAS QUEREM SER MODELOS


“ A beleza é apenas a promessa da felicidade” Montagne
ewerton.neto@hotmail.com


Uma a uma, todas querem ser modelos. Deixou de se considerar criança, é bonitinha, não gosta de ler nem de estudar, o pai não está nem aí e a mãe é porra-louca, pronto: ninguém vai conseguir tirar de sua cabeça que seu futuro é ser modelo.
E haja se comportar como se fosse. O primeiro passo ( já de salto muito alto) é fazer um book, o segundo é mostrar para todo mundo – desde o ursinho de pelúcia até o cachorro da vizinha - e o terceiro é sair à caça.
Só aí então é que começa o dilema, quando se faz necessário procurar, com urgência, as agências de modelo, quase sempre repletas de cafajestes e pedófilos. Lá, são iludidas a fazer um curso cuja maior dificuldade consiste em se equilibrar num sapato cujo salto mede metade de sua altura. ( O que será que além disso elas fazem lá, meu Deus!). Com “tanta coisa” para aprender vai levar alguns meses para se convencerem de que ao invés de estarem à caça, elas é que foram caçadas.
Filho na barriga, dois ou três abortos nos costados, o final da história todo mundo sabe: só uma em cem mil chegam a uma verdadeira agência de modelos, uma em um milhão a participar de algum desfile que se preze, uma em um bilhão a uma Gisele Bundchen. Só porque faltou alguém lhe dizer: “tira isso da cabeça, minha filha”.
Ah, se soubessem a verdade escondida na sabedoria popular aplicada às modelos!

1. “Mais vale um pássaro na mão que dois voando.”
Tradução: As modelos são orientadas desde cedo para ganharem muito dinheiro. Ao invés de ganância, na verdade isso é uma contingência para sobreviver. Seus bolsos precisam ficar recheados para servir-lhes de contrapeso, senão o vento as carrega e elas saem voando. Ou seja, nesse mundo, mais vale muita grana na mão do que ossos voando.

2. “Se a vida lhe deu um limão faça uma limonada.”
Tradução: Todos pensam que as modelos, com aquela expressão eternamente enfezada, têm cara de quem comeu e não gostou, mas, a verdade, é que elas tem cara mesmo é de quem chupou limão. Elas chupam limão porque, dizem, limão emagrece. Portanto, se a senhora for mãe de uma menina magrelinha, razoavelmente bonita e com cara de quem chupou limão, pronto, já tem meio caminho andado para enfiar-lhe na cabeça a idéia de que encontrou, afinal, sua vocação. Mande-a jogar os livros no lixo, ( pelo andar da carruagem ela já parou de estudar há muito tempo) e faça-a andar como se estivesse querendo bater com a cabeça no céu até para fazer cocô e pronto: a garota tem um potencial razoável para se dar bem na profissão escolhida. Mas esqueça a limonada, que isso engorda.

3. “O olho é maior que a barriga.”
Literalmente. Como uma modelo não precisa de barriga já que esse órgão, para elas, não tem muita serventia , o olho delas é realmente maior do que as barrigas. Basta ver nas fotos e nas reportagens dos grandes desfiles e prestar atenção nas suas fisionomias. Lá estão os olhos, desde os esbugalhados até os pequeninos, esforçando-se por aparecer por trás dos penteados de dois andares, várias vezes maiores do que as barrigas.

4. “Não pergunte a macaco se gosta de banana.”
Nem jamais a uma modelo se ela gosta de comer. A coitada se julgará insultada e será ameaçada de demissão imediata pelo dono da agência, pois o primeiro pecado mortal para uma modelo é gostar de comer. O que não significa que não gostem de serem comidas. Nesse caso, a preferência, que no início de carreira era pelo dono da agência evolui rapidamente para jogador de futebol, cantor ou qualquer outro, a depender da generosidade do seu cartão de crédito.

5. “Em boca fechada não entra môsca.”
Em boca fechada de modelo é mais fácil entrar mosca do que comida, pois estas são mais bem vindas do que aquelas Entra também língua de homem, de mulher e, com bastante freqüência, muita fumaça e pó. Em compensação, sai muita besteira.

6. “O peixe morre pela boca.”
As modelos também, mas, existem diferenças singelas.
No caso dos peixes, a morte se dá pela vontade de comer, enquanto que na dos modelos, se dá pela de não comer. No caso dos peixes o que deveria ser chamado de assassinato, os humanos chamam de pesca, enquanto que, no caso das modelos, o que deveria ser chamado de suicídio a mídia prefere chamar de anorexia..

quarta-feira, 28 de julho de 2010

AO QUE TEM MAIS SERÁ DADO

Texto publicado na seção Hoje é dia de...

O Estado do Maranhão, sábado passado


AO QUE TEM MAIS SERÁ DADO


José Ewerton Neto
ewerton.neto@hotmail.com




E começou a derrama do dinheiro federal (700 milhões de reais de todos nós brasileiros) para melhorar as condições estruturais das cidades-sede escolhidas para a Copa. Muito além de por mera coincidência as cidades a serem abastecidas com os recursos-copa serão justamente as capitais dos estados mais ricos da federação ( à exceção de Manaus e Natal), justamente aquelas cuja pujança econômica de seus estados , de uma forma ou de outra, serviu de suporte para que fossem escolhidas. Parodiando a frase bíblica, a distribuição de recursos federais será feita, mais uma vez – agora com a desculpa de ter sido à reboque da Copa – na base do “ Ao que tem mais será dado.” Isso está certo?
Vá lá, porque como disse o nosso presidente, não se concebe, por exemplo, uma Copa no Brasil sem São Paulo, uma capital onde estão quatro dos maiores clubes de futebol do Brasil. Porém, sendo tal cidade a capital do estado mais rico da federação não era de se esperar que tivesse condição de financiar com os próprios recursos, privados ou governamentais, os investimentos necessários para sediar seus jogos da copa? Ou será que sua milionária classe empresarial enxerga apenas como futuros elefantes-brancos os estádios e a as obras resultantes da grana que será doada à cidade, por obra e graça de um evento que durará trinta dias, apenas?
Se eles pensam assim, que deveria pensar o resto do país não contemplado para a Copa, que não se manifesta, através de seus representantes, para contestar o uso perdulário do recurso público, que é de todos? Passado o patriotismo desvairado, tão peculiar a todos os brasileiros em época de copa, que sobrará desses recursos para a população dos estados não escolhidos ? Será que suas casas resistirão às enchentes causadas por açudes rebentados, com as defesas do goleiro Júlio Cesar? Ou será que a taça levantada pelo futuro capitão ( se isso acontecer) terá o dom de consertar ruas e estradas esburacadas e melhorar a saúde de sua sofrida população?
Ora, mas que assunto antipático o cronista foi buscar, não é mesmo? Puxa vida, que audácia! Contestar a fortuna gasta para celebrar a glorificação de uma paixão tão grande, que é o futebol, e implicar com o apoio governamental para que nosso país seja visto por turistas, no mundo todo, chega a ser digno de execração! Se o Brasil ganhar a Copa que importa se as crianças e os idosos desses estados pobres vão continuar à míngua, carentes de educação básica e saúde? O que esse cara tem contra o futebol?
Esta semana, deparei nos jornais com duas notícias, nem tanto surpreendentes, e mais tarde atentei para a aparente contradição que elas encerram. Na primeira delas, a informação de que o Brasil está entre os piores lugares do mundo para morrer: numa lista de 40 países o Brasil só foi melhor que Índia e Uganda. Os indicadores desse índice vão desde expectativa de vida e porcentagem do PIB destinada à saúde, até fatores como facilidade em obter analgésicos e treinamentos dos estudantes de medicina em cuidados paliativos (aqueles tomados para amenizar a dor quando já não é mais possível curar ou estender a vida do paciente). Como diz a oncologista Dalva Matsumoto, uma das diretoras da Academia Nacional de Cuidados Paliativos “Há muitos doentes em situação quase de morte internados em UTIs, entubados e sem assistência”. Isso deveria nos entristecer?
Parece que não. Dois dias depois, outra pesquisa exibida no mesmo jornal mostrou que o brasileiro se considera muito feliz, tanto é assim que obteve o 10º lugar em felicidade numa pesquisa que considerou o mundo todo. Tanta alegria nos leva a uma triste ( ou feliz, se adaptada ao caráter do brasileiro ) conclusão. Para o brasileiro pouco importam a dor e a morte alheia, desde que receba doses cavalares de carnaval, forró e futebol. Sendo assim, só nos resta concluir que está mais do que certo o presidente da república e seus ministros ao promoverem a felicidade “futebolesca”, pouco importando-se com a morte de crianças e idosos, nos rincões que jamais serão vistos por turistas.
Enfim, assim como já existiu político que justificou suas falcatruas com argumento bíblico do “É dando que se recebe” nada mais justo que o presidente Lula, para justificar tanto recurso preferencial e na avidez de se tornar simpático e tornar o povo mais feliz, saque também da Bíblia a arrepiante frase de Jesus Cristo: “ Ao que tem mais será dado e ao que não tem, até o que tem lhe será tirado”.
P.S Apenas para esclarecimento dos leitor e para responder à pergunta acima o autor desse texto gostaria de lembrar que além de apreciar, gosta bastante de futebol, como a maioria dos brasileiros, aliás.

domingo, 18 de julho de 2010

O VAMPIRO DE CADA UM

Artido publicado na seção Hoje é dia de...

O Estado do Maranhão, sábado


O VAMPIRO DE CADA UM


José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com



Durante muito tempo as pessoas, não só adolescentes, foram fascinadas por anjos. Daí o termo – já um tanto em desuso - de chamar o parceiro(a) querido de “meu anjo”. As coisas evoluíram, de forma que o que está na moda hoje, ao invés, é ser fascinado por vampiro. Eles estão em todo lugar: nos livros mais vendidos, no cinema e nas artes em geral. E é com muita ternura e carinho que toda adolescente moderna sonha com a chegada de um, com dentes suficientemente afiados em sua garganta, para que possa, finalmente, excitada como se estivesse flutuando, sair gritando a dizer: Mãe, descobri a felicidade , encontrei o meu vampiro!
Mas, o que é mesmo um vampiro? Bem, por tudo que dele se conhece de uma coisa podemos ficar certos: anjo ele não é. Portanto, nada de bondade, nada de proteção platônica, nada de heroísmo, enfim, essas qualidades que as mulheres buscavam antigamente num homem. Um vampiro, quer queiram quer não, tem, necessariamente, que possuir algo de malévolo.
Tentemos entender:

1. Embora os vampiros atuais disfarcem muito bem, mitos sobre entidades que se alimentam do sangue dos vivos, ou seja, vampiros, existiram em todos os continentes e em todas as épocas, desde a China de 6000 anos atrás. É fácil concluir que um ser que se dava ao trabalho de abandonar sua ociosidade eterna para vir chupar o sangue de um vivo, não era, exatamente, o que se poderia chamar de coisa boa. No século XVIII, por exemplo, sabe-se que depois de dois casos de vampirismo no Leste Europeu, famílias desenterravam seus mortos para decapita-los, queimá-los ou neles cravar estacas.
2. Foi só no século XIX que a literatura se encarregou de colocar um tempero, digamos assim , romântico, na trajetória dos vampiros, o que não lhes diminuíu, em absoluto, o impulso maléfico. Proliferaram então vampiros para todos os gostos , inclusive lésbicas ( não deixem de ler o belo romance Carmila) , cuja paixão homossexual não a evitava de fazer uma vítima atrás da outra. De Drácula, da literatura, até o Nosferatu, do cinema de 1922, um vampiro que se preze tinha de carregar consigo, para sempre, a pestilência do mal. Se os vampiros foram sendo cada vez mais aceitos, até chegarem a década de setenta “estraçalhando” em Entrevista com o Vampiro, da escritora Anne Rice, seus aspectos macabros, no entanto, continuaram disponíveis à serventia de quem quisesse.

A partir do final do século passado, como era de se esperar, deu-se que já havia muito pouco vampiro para todo o mal que a população mundial desejava. Mais maldade? Sim, a humanidade parecia ansiar por maldade, desde que disfarçada. Teria a crueldade camuflada, passado a ser a patologia de uma nova época?
O certo é que, para torná-los palatáveis, seus autores passaram a enfatizar a melancolia e a solidão do vampirismo, provavelmente, para ocultar a crueldade latente, sob uma aura de mistério e melancolia. Daí que Fome de Viver sugestivo título do filme sobre vampiros com a bela Catherine Deneuve e David Bowie, na década de 90, estaria bem melhor traduzido se fosse chamado, ao invés, Sede de Vampiros, que logo se tornou a realidade do novo século.


E eles vieram aos borbotões: desde os da série Buffy a Caça-vampiros, até os da série Crepúsculo: bonitinhos, perfumados, elegantes e sempre escondendo muito bem os afiados dentes.
Mais ou menos como gigolôs? Se pensarmos bem, sim. No fundo, todo vampiro não passa de um gigolô, no sentido de ser, na essência, alguém que disfarça muito bem a maldade em troca de sedução, amor e sexo. Cuja presença aparenta ser, justamente, a maior expectativa da mulher atual a julgar pelo que se vê nas revistas. Pelo que anunciam e exibem Suzana Vieira e mais uma penca, muitas mulheres maduras apreciam gigolôs, como as adolescentes atuais gostam de vampiros. Mas, se tal atitude soa compreensível no caso de mulheres envelhecidas como justificar, para uma adolescente, equivalente fascínio?
Uma jovem em reportagem recente, da revista Veja, dá uma dica para esse entendimento quando diz : “Desde pequena gosto de vampiros. Sempre achei interessante isso de uma criatura sem alma, que precisa de sangue para se alimentar e que vive na escuridão. Por trás da maldição pode existir um romance.”
Tal como os casos de psicopatia recentes. No mais falado deles, o do goleiro do Flamengo, a morte de uma bela garota de programa executada cruelmente por um atleta admirado, esboça a simbiose dos tantos ingredientes que, forjados pela mídia, tanto fascinam o público: sexo, sedução, beleza e dinheiro. A maldade chega a ser o tempero que adoça a mistura. Psicopatas ou cafajestes, vampiros ou gigolôs, os homens que mais fascinam a mente das mulheres inseguras de hoje parecem ser os idealizados por elas por serem capazes de sugarem-nas com perfeição, não importando que a morte esteja de tocaia, desde que se apresentem associados a uma suposição de beleza, sexo e poder.
Coitados dos anjos!


sábado, 10 de julho de 2010

CLASSIFICADOS DA COPA

Texto publicado na seção Hoje é dia de...
Sábado, Jornal O Estado do Maranhão



CLASSIFICADOS DA COPA

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


Dá para acreditar? Ricardo Teixeira, o perpétuo dirigente da CBF que, como um mágico, sacou Dunga da sua cartola para tirar de cima dos ombros a responsabilidade pelo fracasso da copa de 2006, vem agora, depois de novo fracasso, falar em renovação. Não seria o caso de começar por ele mesmo?
É por essas e outras que, ao invés de chorar pela derrota, devemos encarar o lado positivo da coisa: pelo menos durante algum tempo estarão enterrados todos aqueles que, como Dunga, proclamaram o fim do futebol de craque em favor de trogloditas “comprometidos”. Em termos desta Copa grande lucro teremos se passarmos a festejar o futebol ousado da Espanha, sem esquecer de conferir o que está disponível nos Classificados da Copa. Existem boas ofertas:

1. Uma guitarra de Mick Jagger.
O preço é de ocasião já que ninguém quis arrecadá-la num leilão organizado pelo próprio cantor com o intuito de angariar fundos para pagar os fundos de Luciana Gimenez. Os possíveis compradores, porém, evitaram adquirir o instrumento, com receio de que o conhecido pé-frio do dono tenha contaminado a guitarra.

2. Um container cheio de vuvuzelas.
Abandonadas por turistas, principalmente brasileiros, ingleses, argentinos e italianos, as vuvuzelas estão à disposição a preço de banana. É bom aproveitar a chance, sempre lembrando que poderão ser uma excelente opção – se entregues para as crianças durante o horário eleitoral gratuito - para não ter de ouvir a baboseira dos políticos.

3. Um biquíni de Larissa Riquelme
Oficialmente, o biquíni foi deixado na mão de um fotógrafo por ocasião de sua prometida nudez pública, mesmo o Paraguai não tendo sido campeão. Nos bastidores, especula-se, porém, que ela o tenha esquecido num dos bolsos da batina do presidente-padre-garanhão Fernando Lugo, por ocasião de uma visita íntima. Larissa jura de pés juntos – e pernas abertas – que não está esperando, ainda, um filho do padre ( ou melhor, presidente).

4. Um diploma de El Loco.
Pensava-se, a princípio que apenas o técnico argentino El Loco Bielsa e o jogador uruguaio e botafoguense El Loco Abreu possuíam tal especialização. Qual não foi a surpresa quando, depois que tanta gente demonstrou potencial ( Maradona, Dunga, Domenech, Galvão Bueno), o título ficou disponível a preço de um ou dois berros e muitas caretas públicas. Para aproveitar logo!

5. Um livro de auto-ajuda.
A preço simbólico de 10 centavos, estão oferecidos mais de cinqüenta mil exemplares do livro Como Formar Equipes Vitoriosas e Comprometidas, do treinador Dunga, que seria lançado logo após a copa. A técnica concebida pelo treinador e que se baseia na tríade Comprometimento, Patriotismo, e Cabeça-de Bagre está dissecada nas mais de quinhentas páginas do livro recheadas de fotos do treinador – inclusive o lençol que levou de Ronaldinho Gaúcho no início da carreira – e que é apontada, por ele, como um exemplo de sua própria superação.


6. Fórmula Matemática.
Um modelo matemático capaz de traduzir perfeitamente o resultado de uma copa através de uma única fórmula foi desenvolvido e poderá ser adquirido, por enquanto, a preço de banana. Depois de analisar o resultado é fácil concluir que se metade dos brasileiros a tivessem visto antes da copa não teriam se iludido tanto. Tanta exatidão é expressa da seguinte maneira:
Dunga Burro + (Arrogância de Ricardo Teixeira/ muita grana) + ( Julio César x Felipe Melo) - Ronaldinho Gaúcho - Ganso = Adeus Hexa + nudez de Larissa Riquelme
Pelo menos, sobrou a Larissa.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

SÓ ACONTECE EM SÃO LUIS

SÓ ACONTECE EM SÃO LUIS, artigo publicado
em O Estado do Maranhão, sábado passado,
seção Hoje é dia de...
José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com





Outro dia recebi pela Internet uma “lista” de coisas que só acontecem em São Luis. A lista, bem-humorada, está repleta das aparentes contradições de nossa cidade, apelando para trocadilhos, alguns sutis outros nem tanto. Só em São Luis, segundo a lista, é possível ser preso na Liberdade, passar aperto na Rua Grande, morrer no Reviver, urinar no beco da Bosta, ser um João NInguém no João de Deus, torcer para o Vasco na vila Flamengo, ser ateu na Fé em Deus, ir de ônibus para a Coréia, chupar laranja na rua das Cajazeiras, ter um inferninho no residencial Paraíso, criar codorna no parque dos Sabiás, achar um português na Avenida dos Franceses, levar um tiro na Rua da Paz, etc.etc.
Se pensarmos mais um pouco sobre o tema há de nos surpreender que - sem trocadilhos e passando da ficção para a realidade – é fácil constatar que existe muito mais contradição na vida de nossa bela cidade:

1. Seus motoristas adoram circular com carros maiores que as ruas. Quem por mais de uma vez não se surpreendeu com a peripécia de um cidadão dirigindo um carro quase do tamanho de um ônibus, querendo, à força, trafegar e estacionar nas ruas do centro da cidade? Estranho, não é? As ruas mal dão para passar um carro pequeno e o sujeito ainda quer estacionar comodamente. Coitado dele e de todos nós, que, sem outra alternativa, somos forçados a esperar horas e horas, pela batalha de um possível paranóico, labutando em vão contra as impossibilidades que só ele não vê!
E, por outra, quantas horas por dia são perdidas, em frente aos colégios, apenas porque as madames, com preguiça de andar dez metros, decidem ocupar com os carrões-fila-dupla dos maridos, espaços que dariam para passar dois carros? Se, segundo as más línguas, tanto sacrifício ( para si e para os outros ) é apenas para mostrar que têm dinheiro, por que não compram um carro menor para usufruir de mais comodidade e deixam o carro grande para as avenidas e estradas? Ou será que a família gastou todas as suas economias na compra do carrão e nada sobrou para adquirir um pequeno e pragmático veículo? É questão de falta de dinheiro ou de inteligência?

2. Suas ruas têm mais barreiras eletrônicas quanto mais buracos. A regra parece ser a seguinte: quanto mais proliferam os buracos nas ruas, mais barreiras eletrônicas são implantadas. Dá para acreditar? Ora, se os buracos já impedem que os carros andem com velocidade normal para que servem as barreiras eletrônicas? Não seria melhor empregar oficialmente os buracos com essa finalidade já que, nesse caso, não é preciso pagar pela implantação do serviço?
Ah, sim, ia esquecendo. Buracos obrigam a diminuir a velocidade, mas não geram multa!

3. Possui o titulo de Atenas Brasileira mas não se vêem livrarias e - menos ainda – livros de autores maranhenses.
O que a cidade e seus cidadãos tem contra as livrarias? Por que são tão poucas? E por que nunca exibem em suas prateleiras livros de autores maranhenses? Alguém poderia pensar que isso se dê porque eles escrevam mal, mas não é esse o caso a julgar pelos prêmios literários que ganham fora do estado e pelas suas obras, adotadas por entidades culturais de grandes capitais do Sul do país.
Recentemente, um autor maranhense queixou-se de que não conseguiu colocar seu livro nas redes Big-Ben. Vai ver que os livreiros dessa rede, ou das livrarias dos shoppings, entendem que livros são feitos para enfeite e autores maranhenses para serem lidos por cupins. E que o melhor título para a cidade de São Luis não é o de Atenas Brasileira – do passado - nem o de Jamaica Brasileira (para a qual foi “promovida”) mas o de Apenas Brasileira, trocadilho infame para o qual parece irremediavelmente destinada.

domingo, 20 de junho de 2010

A COPA É DAS MULHERES

A COPA É DAS MULHERES

José Ewerton Neto, membro da AML, acaba de lançar O infinito em minhas mãos.


ewerton.neto@hotmail.com






Foi-se o tempo em que, para os homens, a copa era dos homens e a cozinha das mulheres. Depois do brilho de Marta no futebol feminino, da bela Renata Fan e outras como comentaristas, e de mulheres bandeirinhas que, entre um impedimento mal marcado e outro, posam para revistas pornôs, o Brasil deixou de ser durante a copa a Pátria de Chuteiras para tornar-se também a Pátria de Salto Alto. A começar pelo time de Dunga.
O argumento mais usado para afastá-las do cenário, em época de copa, era o de que falavam muitas besteiras. Ora, besteira por besteira o Galvão Bueno e o Neto falam muito mais e ainda ganham um monte de dinheiro por causa disso. No ultimo jogo do Brasil, participei de um bolão com mais de vinte participantes. Enquanto os marmanjos cravaram de três a zero para lá, duas mulheres votaram num dois a um. Pois é, vão entender de futebol assim na cozinha, ou melhor, na copa!
E se pensarmos bem, toda a terminologia do jogo de futebol baseia-se no universo feminino, desde o carinho que o bom jogador deve ter com a bola até o estufar da rede que foi chamado por um narrador famoso de véu de noiva. Se alguém mais precisa de argumento para ter certeza de que futebol e copa do mundo é coisa para mulher, basta lembrar:

1. A bola. Jabulani ou não, os craques jogam com uma só, enquanto elas, se saem muito bem com duas. Gol das mulheres.

2. A rede. A rede, no futebol só é lembrada, quando alguém faz gol, coisa muito rara nesta Copa, por sinal. No universo feminino a rede tem outro sentido. Ou é rede para encontros virtuais - na Internet – ou se refere à rede, tão nordestina, para troca de beijos, carícias, gritos e sussurros. Gol delas.

3. O clímax: No futebol, o clímax só é alcançado na hora do gol, enquanto no relacionamento com as mulheres isso acontece via orgasmo. Um ou outro jogador já comparou o prazer obtido no instante do gol a um orgasmo, mas nunca se soube de alguma mulher, que, depois de um orgasmo, falou que isso foi parecido com um gol. Mais um para elas.

4. O chute. No futebol chutes são tão comuns a todo instante, e devem visar a bola, embora a maioria dos jogadores de hoje prefira a canela adversária. Como todos sabem as mulheres sempre praticaram com talento a arte do chute, mas, para isso, ao invés de bola, preferem chutar namorados. Quatro a zero.

5. Ingresso. No futebol paga-se para poder entrar nos estádios. Nas mulheres também, para entrar é preciso pagar. A diferença é que no futebol usam-se ingressos, com as mulheres cartão de crédito. Mais um gol delas.


6. Juiz. No futebol um juiz serve para pouca coisa, sendo a de maior utilidade a de doar a mãe para ser xingada. No universo sentimental feminino um juiz é idolatrado quando une e, mais ainda, quando separa. Mas a mãe do dito cujo só será xingada se a pensão for pequena. Ponto para elas.

7. Impedimento. Ocorre com bastante freqüência no transcorrer de uma partida de futebol, bastando para isso que um jogador receba na frente dos outros. Com as mulheres ocorre o contrário. Quanto mais são pra frente e recebem na frente, mais dizem que são livres e desimpedidas. Outro gol.

8. Expulsão. No futebol isso ocorre quando alguém comete alguma sujeira, quando se diz que o sujeito terá de ir pro banheiro mais cedo. As mulheres, precavidas, são mais pragmáticas: expulsam o porcalhão da cama se este não for ao banheiro antes. Mais um.

9. Pênalti. Que melhor alegoria existe do que essa? A que se assemelha um goleiro de pernas abertas e indefeso esperando a hora da bola penetrar sua fortaleza? A diferença é que na maioria das vezes, no futebol, o goleiro chora depois da penalidade convertida. Já, as mulheres, aprenderam a sorrir.

Goleada para elas.

domingo, 13 de junho de 2010

VIAGRA PARA TUDO E TODOS

Texto publicado, sábado na seção
Hoje é dia de...O Estado do Maranhão


VIAGRA PARA TUDO E TODOS


Jose Ewerton Neto
ewerton.neto@hotmail.com



O ministro da saúde decretou: sexo no mínimo quatro vezes por semana para conseguir boa saúde. Antes, a ex-ministra Marta Suplicy sugerira: para evitar qualquer tipo de problema relaxe e goze. Para acabar de vez com as preocupações eis que o governo anuncia a farra do Viagra. A partir da próxima semana o remédio chegará às farmácias com o preço duas vezes menor. Existe felicidade maior do que essa?
Se a pílula azul pudesse falar seria bem capaz de dizer como Dom Pedro I, quando deu o grito de independência: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação diga ao povo que caio.” Ou seja, seu preço caiu para que suba o essencial. Com Dunga ou sem Dunga o brasileiro ( maior consumidor de remédios para disfunção erétil no mundo) agora poderá sorrir pra valer.
Mas, e a camisinha? Com esta, agora será preciso cuidado redobrado. Mais sexo, implica maior exposição, mais exposição, mais risco. De repente, escolher bem uma camisinha se tornou mais urgente até do que ganhar a copa. Como a oferta é farta a escolha é sua, leitor!

1. Hot Esta é daquelas que esquentam durante o ato. Possui um gel que fornece a sensação de calor e tanto serve para homens como para mulheres. Se você for um ferrenho defensor do meio ambiente, nem assim precisa ficar preocupado: esse tipo de calor não aumenta o aquecimento global.

2. Com aromas e sabores. Só serve para sexo oral e é oferecida em diversos
sabores sendo os mais comuns; morango, maracujá, uva, banana, salada mista, tutti-fruti, chocolate e até – acreditem! – uísque para aquelas que querem se soltar. O perigo, em relação a essas mais afoitas, é o de elas sentirem um repentino sabor de carne crua antes de dar tempo ao parceiro de gritar por socorro.

3. Anti-estupro. Foi inventada na África do Sul e é a única que tem dentes no seu interior. Segundo a bula o pênis do estuprador pode até entrar, mas não sai de jeito nenhum. Se você, torcedor brasileiro que está curtindo a copa, tenciona namorar uma africana é bom se precaver. Como os costumes mudam de lugar para lugar, qualquer exagero fará com que algo de seu fique por lá. E nem adianta trocar por uma vuvuzela.

4. Fosforecentes. Estas custam mais caro que as outras e dão um tom
lúdico de festa e brincadeira. A vantagem nesse mês de julho é que se você adquiri-la na Extra Farma ou na Pag-Menos poderá continuar brincando de São João em casa, no escuro e sem arraial. Se for com a mulher dos outros ainda terá direito a um boi.

5. Texturizadas. Esta traz pequenos pontinhos, ondulações e bolinhas na parede lateral para aumentar o prazer. É mais ou menos como se você estivesse fazendo sexo com um porco-espinho(a), o que tem a vantagem de poupar muita imaginação na hora da fantasia sexual.

6. Sonoras. Esta vem, com um minúsculo chip e um minúsculo alto-falante instalado na ponta do preservativo. É tanto minúsculo que você precisa tomar cuidado com a sua falta de concentração para que sua parceira não comece a ver, (também em você) tudo em minúsculo. Quanto à melodia, pode-se ouvir de Beatles a música clássica com uma vantagem adicional: o volume do som aumenta ou abaixa de acordo com sua performance. Mais uma vez é necessário cuidado: quando o som diminuir denunciando que a sua animação não está lá essas coisas, nem adianta cantar bem alto para reanimar a camisinha.

7. Coloridas. É cor que não acaba mais podendo ser azuis, amarelas,
vermelhas, roxas e verdes. Nos dias que correm, para manter o espírito de copa é bom escolher as verde-amarelas. Depois de um gol de Kaká ou Robinho nada melhor do que comemorar com uma bela parceira e se sentir como se estivesse também fazendo um gol, com duas bolas, naturalmente. Mas, atenção! Não bote tudo a perder deixando o Galvão Bueno como fundo musical.

terça-feira, 8 de junho de 2010

O PREÇO DO AMOR À CAMISA

Artigo publicado sábado na seção
Hoje é dia de...O Estado do Maranhão


O PREÇO DO AMOR À CAMISA

José Ewerton Neto

ewerton.neto@hotmail.com




1. Dunga, o técnico patriota, aquele que morre por amor à camisa, da seleção brasileira e que deixou craques como Ronaldinho Gaúcho, Ganso, Neymar, Adriano e outros de fora porque seu time não precisa de craque, mas sim de quem é patriota, já anunciou o preço de tanto amor: um milhão de reais a serem recebidos por ele e cada jogador que ganhar a Copa. Bote amor à camisa nisso, não é mesmo?
Talvez você não se importe muito com isso, caro leitor que vive com o salário mínimo. Claro, porque também não tem consciência de que você, pagando seu imposto, também estará contribuindo para a doação. Para clarear-lhe as idéias basta lembrar que isso vale duas mil vezes mais do que o que você ganha por mês. Não conseguiu ainda avaliar? É um Big-Brother para cada um, ou seja o mesmo volume de grana que é dado anualmente para um(a) idiota virar milionário, através do maior premio concedido a alguém no Brasil por uma rede de televisão
Tanta grana assim (mais de vinte e cinco milhões no total) vai ser dada de uma só lapada a jogadores e à toda a comissão técnica de Dunga, mesmo aos reservas, o que significa que amor à camisa ( independente de alguém ter talento para conduzir uma bola ou não, caso de grande parte dos convocados pelo nosso técnico ) dá dinheiro, muito dinheiro. Você não gostaria de fazer parte um dia de uma confraria dessas? Afinal de contas, você não é craque, mas é esforçado também e com certeza capaz de demonstrar muito amor à pátria ao sabor das conveniências. Já pensou se não tivessem tanto amor à camisa, quanto eles iriam pedir?
Parodiando a verdade popular se dinheiro compra tudo até amor verdadeiro, quanto mais amor à camisa, não é mesmo Dunga?


2. E Maradona, o ex-craque e atual técnico portenho que fundou uma religião na Argentina na qual é tratado como Deus já anunciou que se a Argentina ganhar a copa vai dançar nu em torno de um obelisco, existente numa praça famosa de Buenos Aires.
Já tem muito argentino torcendo para que a Argentina não ganhe e mais gente ainda desconfiando de que Messi, o argentino considerado o melhor jogador do mundo, mais uma vez não jogará bem na seleção
Bem, pelo menos desta vez terá uma boa desculpa.


3. A bola da Copa, chamada Jabulani está fazendo o maior sucesso, tornando-se a bola da vez, literalmente, e ganhando mais espaço que o concedido pela imprensa a craques como Kaká, Cristiano Ronaldo e outros. É que um grupo de jogadores como Julio César (goleiro), Robinho e mais uma penca começou a deitar falação criticando a coitada da bola, antes mesmo de ela começar a sofrer, levando botinadas dos habituais pernas-de-pau. Parece que o que está em jogo por trás disso é a eterna competição entre as produtoras de material esportivo, a Adidas e a Nike, o que levou o experiente zagueiro tricampeão do mundo Carlos Alberto a comentar: “Essa turma está é com muita frescura. Quando se começa a falar muito de bola é porque está faltando jogador.” Felipe Melo chegou a comentar que a bola está mais para patricinha ( que não dá fácil) do que para mulher de malandro (como ele gosta). Já Luis Fabiano, socorrendo-se de uma análise espiritual, disse que a bola tem uma alma própria, independente da vontade do jogador.
Como no jogo contra o Zimbábue ( a potencia futebolística escolhida por Dunga para avaliar a seleção ) o Brasil só começou a deslanchar quando fez um gol às custas da bola, já tem muita gente acreditando que a bola tem tudo para jogar pela seleção muito mais do que Elano, Josué, Felipe Melo, Julio Batista e outros .

4. E as vuvuzelas, cornetas estridentes que os sul-africanos usam para torcer, finalmente foram liberadas durante a copa. Estas estiverem ameaçadas de proibição devido ao transtorno causado aos ouvidos de jogadores, narradores , torcedores, etc.
A liberação, contudo, somente foi possível depois de uma análise criteriosa feita por especialistas da Fifa, quando comparando o efeito das ressonâncias mais comuns durante uma copa a técnicas esportivas de transmissão de jogo, tomaram como modelo de referencia Galvão Bueno (o de maior número de ouvintes por país).
A conclusão que salvou as vuvuzelas foia a de que “se mais de cem milhões de habitantes de um país, agüentam com prazer o berro insuportável de Galvão Bueno gritando gol, porque não seria possível suportar o transtorno causado pelo som de uma tímida vuvuzela?”.

sábado, 29 de maio de 2010

A FAVOR DOS BURROS E DAS CARROÇAS

Texto publicado na seção Hoje é dia de...
O Estado do Maranhão, hoje

A FAVOR DAS CARROÇAS E DOS JUMENTOS

José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com




Em nome de uma possível melhora no “endemoninhado” trânsito maranhense, eis que se anuncia uma lei, já aprovada pelos vereadores, para expulsar os carroceiros e seus abnegados jumentos das pistas
Responda depressa, leitor. Quem atrapalha mais o trânsito de nossa cidade: as poucas carroças que circulam pelas ruas ou os inumeráveis carrões particulares que de um certo tempo para cá invadiram as estreitas ruas de nossa cidade? Somente seus embotados motoristas ainda não atentaram para o fato, óbvio, de que esse tipo de veículo não é apropriado para as vias estreitas de São Luis, mas sim, para grandes estradas e avenidas típicas dos paises em que foram fabricados. Que tipo de jumento causa, então, maior transtorno ao trânsito? O paciente animal que, prestativo e heróico, se dispõe a ajudar seu dono na labuta para ganhar seu pão ou o ser humano que age como um irracional, ao dirigir, solitário, um imenso veículo, pouco se lixando para o fato de estar incomodando a si e aos outros?
Estão com toda a razão os humildes carroceiros, ao clamar por seus direitos, principalmente quando soa muito estranho que a preocupação das autoridades em relação ao trânsito se direcione apenas para coibir os humildes. Se é para punir o transtorno, que tal punir também motoristas insensíveis que dirigem carros do tamanho de vans ou de ônibus, ocupando vagas e obstruindo vias, sem a correspondente utilidade pública?
Como sói acontecer neste nosso país, onde a lógica das leis não obedece ao bom senso, carece lembrar - pela ultima vez - algumas das inúmeras vantagens das carroças movidas a jumento em relação a outros meios de locomoção:

1. O motor é simples, mas potente. Ao invés de vários cavalos tem um burro só.

2. A sua descarga é antipoluente e, normalmente se processa a intervalos
regulares. Não emite CO2, portanto não contribui para o aquecimento global.

3. Proporciona maior economia de combustível pois é movida a água, capim e
paciência ( não maior, contudo, que a normalmente exigida para enfrentar buracos, guardas de trânsito, motoqueiros etc. ).

4. Nunca fica no prego. Às vezes fica com o prego, mas essa visão não chega a
ser constrangedora, desde que as mulheres saibam disfarçar e não interrompam seus afazeres para apreciar a robustez do dito cujo.

5. A velocidade é facilmente controlável. Raramente é necessário apelar para
berros e xingamentos. Quando um ou outro jumento se comporta de forma esquizofrênica no trânsito( coisa rara se comparada à freqüência humana) não é nada que um chicote não resolva facilmente. Dá para imaginar que larga economia em termos de barreiras eletrônicas, sensores etc.

6. É um veículo perfeito para o trânsito de São Luis, conhecido por ser o único no
mundo onde existe mais buraco do que asfalto e mais barreira eletrônica do que buraco. O jumento, como se sabe, prescinde de radares e de sensores pois tem a atávica sabedoria de só entrar em buraco se sentir o ( mal) cheiro antes.

7. O jumento não causa poluição sonora. Mesmo gostando de forró e funk – embora prefira Bach - tem suficiente educação, refinada e de berço, para jamais ofender os tímpanos do vizinho, coisa que muito animal de duas pernas por aí não tem. Perto das hordas de energúmenos que circulam de um lado para o outro carregando um trio elétrico nas costas, seu zurrar soa inofensivo. E muito mais harmonioso e agradável.

segunda-feira, 17 de maio de 2010

DUNGA AFRONTA O BRASIL

Texto publicado no jornal
O Estado do Maranhão, último sábado,
seção Hoje é dia de...


DUNGA AFRONTA O BRASIL


José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com



Dunga, “o técnico que veste a camisa”, resolveu enfrentar o torcedor brasileiro e já venceu sua primeira batalha: convocou onze “Dungas” para a seleção. O jogador tipo Dunga, para quem não sabe, é o protótipo de atletas à imagem e semelhança do nosso atual treinador, idealizados por ele como heróis, com vaga garantida no time que dirige para que possam ser exaltados em suas características: esforçados, medíocres, patriotas – no sentido oportunista da palavra – para quem no futebol o importante é ter raça e ser craque é um detalhe de somenos.
Vencida a primeira batalha contra o torcedor brasileiro ele se prepara para ganhar a segunda. Quer, agora, vencer o que mais o incomoda: o craque, ou seja, aquilo que ele nunca conseguiu ser. Para isso espera ganhar a Copa 2010, certo de que o torcedor brasileiro endeusará facilmente um time que não jogue bonito, mas que seja capaz de trazer o caneco.
Coerente com seu propósito, nosso técnico supervaloriza os feitos da seleção de 1994 quando, como cabeça-de-área, foi exaltado como um dos seus baluartes. Pouco importa se aquela não passou de uma fortuita conquista de um time medíocre, que ganhou a copa nos pênaltis, e só conseguiu chegar à final graças a Romário, o único jogador fora de série da equipe, que ficava na frente para decidir e salvar a seleção do fiasco a que estava condenada.
Mais ou menos como ele pretende que aconteça agora com a seleção de 2010: um bando de trogloditas lá atrás, dando coice para tudo quanto é lado ( como ele e Mauro Silva fizeram ) deixando Kaká e Luis Fabiano no ataque para resolverem a parada. Precavendo-se de uma eventual contusão de Luis Fabiano, Dunga já encomendou Grafite que, embora sem brilho técnico, é um goleador capaz de fazer um ou dois gols chorados quando o empate se anunciar, certo de que a retranca brasileira vai segurar a barra lá atrás e os descuidados adversários em algum momento entregarão a rapadura. Estará certo o seu raciocínio?
Certíssimo, o que é pior. (Ou o melhor, para quem tenha o propósito único de vencer, mesmo sem jogar bem). Como todo mundo sabe, jogar bonito hoje em dia já não garante a vitória de nenhum time como são fartos os exemplos: sendo o mais recente a derrota do Barcelona (com o melhor jogador do mundo, Messi) para o retrancado Inter, nas semifinais da Copa da Europa.. Mesmo o Santos, o time com o futebol mais bonito do Brasil nos últimos dez anos, está sujeito a levar a qualquer momento um chega pra lá de um time de brutamontes como o Grêmio e outros, tanto é assim que esteve na iminência de perder para os carniceiros do Santo André, não fossem os dois jovens ( Neymar e Ganso) craques verdadeiros, muito acima da média. No futebol dito moderno onde reina a pancadaria sob a vista grossa de juizes corruptos e técnicos que mandam bater, jogar bonito é bom de se ver, mas, o que garante?
Mais arrogante ainda do que prepotente e mais esperto ainda do que pedante, Dunga joga sua grande cartada certo de que tem tudo para se dar bem. Seu sonho é ser o Filipão da vez avaliando que tudo o que venha a acontecer, mesmo uma eventual derrota, acabará no lucro para quem era há pouco tempo atrás um ex-jogador de passado medíocre, condenado ao total esquecimento. Foi sacado de sua inatividade pelo esperto Ricardo Teixeira que o elegeu para fugir da responsabilidade no fracasso da última copa e para simbolizar – na falta de outra opção - a fajutice tão decantada do amor à camisa, que todo mundo fala mas ninguém sabe exatamente o que é.
Fiel à sua cartilha, sua seleção de “Dungas” se deu bem nas eliminatórias e tem tudo para se dar bem na competição que em breve se inicia. Afinal de contas, os brasileiros são os melhores craques do mundo e as demais seleções – tirando a Argentina e a Itália que, por sorte, só poderão nos enfrentar na última fase – têm verdadeiro pavor de nos enfrentar Ao rejeitar - e humilhar - craques virtuosos e geniais do quilate de Ronaldinho Gaúcho, Ganso e Neymar, Dunga sabe perfeitamente que sua seleção dá para o gasto e deve ser suficiente para lhe garantir o que considera mais importante: não dividir com ninguém os louros da vitória. Sem os ídolos acima referidos Dunga não terá competidores no Brasil: a vitória será só sua, o idolatrado será ele, e, de quebra, terá toda uma nação submissa à “era Dunga” que é o que mais importa para sua vaidade.
Como o patriotismo brasileiro não passa de um sentimento com hora marcada para aflorar de 4 em quatro anos, o que nos resta a fazer senão torcer pela seleção - não brasileira, mas de Dunga? Claro, ela está longe de ser a melhor, mas quem disse que queremos a melhor? Pensando pragmaticamente, o importante é torcer e não vibrar, é ganhar, não é jogar bem. Como dizia o personagem de Machado de Assis em seu livro Quincas Borba “Ao vencedor as batatas!”. Torçamos então, resignadamente, para que em breve, no final da copa, com um copo de cerveja na mão, possamos brindar também: “Para Dunga: as batatas.” Já para os que gostam de futebol bonito: o que sobrar das batatas.”

sábado, 8 de maio de 2010

PARA APERFEIÇOAR SEU INSULTO

artigo publicado hje, sábado, na seção Hoje é dia de...

O Estado do Maranhão


PARA APERFEIÇOAR SEU INSULTO

José Ewerton Neto, membro
da AML


ewerton.neto@hotmail.com



Está cada vez mais difícil se insultar alguém hoje em dia. Responda depressa: o que é ofende mais, ser chamado de filho da puta ou de macaco? Eu pensei que fosse de filho da puta, mas para a justiça brasileira ser chamado de macaco é que dá cadeia. Tanto é assim que, no último imbróglio entre um jogador do Palmeiras e outro do Atlético Paranaense, quem ficou ameaçado de ser preso foi o jogador chamado de filho da puta. Mudaram as putas, mudamos nós ou os macacos?
E pensar que todos nós viemos dos macacos, o que implica em dizer que sermos chamados de nossos tetravôs, hoje nos ofende. Nossos sábios legisladores pretendem que implicações político-sociais no insulto em questão fazem aflorar preconceitos. Mesmo se for verdade, isso não significaria que, hoje em dia, o insulto, para ser insulto precisa ser traduzido? Quer dizer então que quando eu quiser mandar alguém a puta que o pariu preciso explicar, ainda, ao insultado o contexto em que quero agredi-lo? Na verdade, isso apenas comprova que os insultos tradicionais não resolvem mais nossas iras e precisam de urgente renovação.
Pensando nisso, abaixo reproduzimos insultos que já existem em nossa língua e que devem ser resgatados de imediato, pois um xingamento especial pode ser a diferença entre arte e grosseria. Pelo menos xinguemos com arte! Para facilitar seguem exemplos práticos de aplicação.
1. Cabrião: significa um chato em seu mais alto grau.
“Um cabrião maior que o Galvão Bueno ninguém pensava que
existia até que apareceu o Pedro Bial. Mas, e os que conseguem suportá-lo por horas a fio? Estarão treinando para cabriões?

2. Janicéfalo: significa pessoa de duas caras, pouco confiável “A política moderna é tão modelar em termos de caráter que por lá não existem janicéfalos. Sim, porque os que tem apenas duas caras não conseguem sobreviver por lá, só os de quatro ou cinco.”

3. Ababelado: Que nunca termina o que começa ( como os construtores da Torre de Babel)
“ Já que o Brasil foi descoberto, por descuido, por um bando de ababelados como dizem os livros de História, o que podemos esperar da transposição do Rio São Francisco? E das obras do Pac? E da Copa do Mundo de 2014? E do futuro?...

4. Epígono: Autor de obra sem inovações, que dilui ou copia outros autores, melhores do que ele.
“A grande vantagem do escritor epígono é que, agindo assim, ele mais facilmente chega ao epígono( desculpem, epílogo) de seu livro. Não é mesmo, Paulo Coelho?”

5. Esteatopígico: pessoa que tem o traseiro grande.
“A Rita Cadilaque não passa de uma esteatopígica famosa, a mulher- melancia ídem, mas, por favor, não chame a Juliana Paes, disso não. Lembre-se que essa palavra é um insulto.”

6. Valdevino: oportunista que vive às custas dos outros. “Será que a agenda sentimental da Suzana Vieira cabe mais valdevinos ou gigolôs? Ou dá para ambos?

7. Vaniloquo: aquele que fala pelos cotovelos e não diz nada. “Dizem que Issac Newton, quando foi membro do parlamento britânico, a única vez em que abriu a boca foi para pedir que abrissem a janela. E, assim, fez mais pelo seu país do que pelo Brasil nossos parlamentares vaniloquos.”

8. Súcubo: Puxa-saco, dominado, subalterno, lambe-botas, o que se deita sob o outro, submisso.
“Toda experiência profissional comprova: ser um súcubo perfeito poupa muita grana gasta em cursos de administração e gerenciamento de empresas. De quebra, o súcubo especialista logo terá quantos súcubos desejar para lhe lamberem as botas quando estiver lá em cima.”

9. Apedeuta: Ignorante.
“ A grande vantagem de alguém ser um Brother perfeito ( do Big-Brother Brasil) é que sua ignorância monumental nunca lhe permitirá saber que é um apedeuta.





sábado, 1 de maio de 2010

A LOKA DO RIOANIL E O TEMPO

Artigo publicado na seção Hoje é dia de

O Estado do Maranhão


A LOUCA DO RIOANIL E O TEMPO


José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com


“ As pessoas de hoje vivem mal. Quando têm de parar e olhar para si mesmas ficam assustadas...”
Lobo Antunes, escritor



Estava numa reunião marcada para as quatro e meia da tarde de alguns dias atrás, quando alguns confrades, atrasados, justificaram o atraso como tendo sido causado por um gigantesco engarrafamento no trajeto Turu-Centro, graças à inauguração de um shopping-center, perto do retorno da Cohab.
Já havia lido, nos jornais, sobre a inauguração do tal shopping. Era fácil prever o aumento do transtorno do tráfego, na região, durante sua inauguração, mas por que esse fato foi capaz de transformar num pandemônio a rotina da cidade? Por quê?
Minha surpresa tornou-se maior no dia seguinte, quando deparei com as manchetes dos jornais. As fotografias mostravam um resumo do que acontecera dentro e fora do shopping: multidão espremida, gente sentada no chão, lotando escadarias, crianças compactadas, brigas etc.: segundo a notícia do jornal, dezenas de milhares de pessoas lá estiveram. Continuei sem entender. Para quê?
A estranheza continuou à medida que mais notícias sobre o evento tomaram conta da cidade, culminando com a notícia de que uma jovem maranhense “bombou” na internet e outras mídias por conta de uma fotografia um tanto desvairada. Como é comum acontecer sob o impacto de tudo que soa bizarro e incompreensível as perguntas vieram: por que razão uma multidão de gente se dirige a um shopping-center num dia normal de trabalho, sabendo que o tal shopping não vai sair do lugar e ali permanecerá por anos e anos? Será que nossa população é tão canhestra que nunca tinha visto um shopping center? Como nenhuma dessas respostas satisfez surgiu a pergunta inevitável: será que essa gente não tinha o que fazer?
Estranhamente ( continuamos, pois, no mundo das estranhezas ) essa verdade contrasta com o que se vê, no dia a dia do próprio trânsito da cidade. O que se percebe é gente beirando a psicopatia por conta de propagar que têm muito o que fazer: motoqueiros quase a ponto de passarem por baixo dos carros; taxistas que mal o sinal abre já estão buzinando. Irracionais que, dirigindo carros imensos, investem pelas ruas estreitas de São Luis como se não as conhecessem e que, sem lugar para aboletar seus inadaptáveis veículos, põem-se a buzinar desesperadamente, como se pudessem, com isso, empurrar para longe as laterais das calçadas. Qual seria o motivo de tanta pressa?O congestionamento de um shopping num dia de quinta feira fornece a resposta: essa gente têm pressa, muita pressa, para se diluírem em multidão, para fazerem de conta que estão se divertindo, esperando o tempo passar e se deliciando com a contemplação de gente montada sobre gente, como aconteceu no evento em questão.
Para Montagne toda infelicidade do homem provêm de sua incapacidade de ficar sozinho em seu próprio quarto. Disse isso há alguns séculos quando a população era muito menor e as individualidades não haviam sido massacradas pela comunicação televisiva que invade os lares, manipula as aspirações e faz do indivíduo um número perdido na multidão. A ausência do nome, a busca da identidade, a falta de substância da própria existência - da qual não se ousa indagar pelo sentido -, gera uma carência de representatividade, que se alivia e se escora no outro. A obrigação de anunciar o tempo curto surge como a única chance de valorizar a própria vida, eternamente escravizada ao alheio; e o apelo à multidão confunde-se com a esperança, vã, de camuflar a falta de significado individual.
Daí que a os quinze segundos de fama adquiridos por uma ingênua moça, transformada em louca nas páginas da internet, rotula mais que um devaneio sem sentido a loucura coletiva de toda uma população, que satisfaz-se cada vez mais em esmiuçar o tempo alheio pela incapacidade de tecer o seu . Que melhor explicação existe para que uma garota se diga feliz da vida ao ser taxada de louca - para deleite de chacoalhadores e piadistas - a não ser que, para ela, ser vista como uma insana é preferível ao anonimato?
Sempre preferi os centros das cidades (tão maltratados e abandonados pelos governantes) aos shoppings-centers. Aí não vai nenhum propósito de idealismo poético-cultural, mas apenas um sentimento de repulsa à idéia de confinamento, revestida de um aparato cosmético e artificial que faz com que as pessoas que circulam pelos shoppings pareçam personagens ávidos por qualquer escapismo, capaz de faze-los esquecer do tempo impregnado de si, que os incomoda. .
Sei não, mas tenho a impressão de que algo de muito valioso se perdeu quando a população de uma cidade (onde quarenta anos atrás 24 cidadãos significavam uma academia de letras - para a imprensa do Sul ) ao invés de se juntar para aplaudir suas manifestações culturais: cantores, dançarinos, comediantes e escritores , se juntam em multidão enlouquecida para aplaudir a banal inauguração de um shopping- center

domingo, 18 de abril de 2010

ACONTECEU SÓ UMA VEZ

Texto publicado em O estado do Maranhão, sábado,
seção Hoje é dia de...
ACONTECEU SÓ UMA VEZ


José Ewerton Neto, membro da AML

ewerton.neto@hotmail.com



Toda unanimidade é burra, disse Nelson Rodrigues. Daí que nem precisa recorrer a Dostoievski “O original é um indivíduo que se coloca à parte”, para dimensionar o quanto a inteligência humana tem sede do que é único e raro. Vale a pena, portanto, de vez em quando, lembrar de coisas que aconteceram de forma exclusiva, ou apenas uma única vez.


1. Elvis Presley fez apenas um único show fora dos EUA. Foi no Canadá em 1957.

2. A única cidade do mundo onde o lixo serve como alicerce para construção de casas é o Rio de Janeiro.
Também é a única em que seus governantes acham isso o máximo.

3. O pagador de promessas de Anselmo Duarte foi o único filme brasileiro premiado com a Palma de Ouro do Festival de Cannes.
Dizem que o premio pode ter acontecido, também, por razões não artísticas. Como os franceses nunca acreditaram na seriedade dos brasileiros (“Esse não é uma país de gente séria”, sentenciou o presidente francês Charles de Gaulle”) ficaram ansiosos em aplaudir um brasileiro que - pelo menos no filme - cumpria suas promessas.

4. O único escritor da língua portuguesa a ganhar o Premio Nobel de Literatura foi Jose Saramago
Já o escritor da língua portuguesa que vendeu mais livros no mundo foi um brasileiro chamado Paulo Coelho. (E nem precisou de literatura para isso).

5. Van Gogh, o genial pintor holandês vendeu na vida um único quadro.
Foi também o único pintor que cortou a própria orelha – que também não conseguiu vender.

6. Os crocodilos e os jacarés são os únicos membros da família dos répteis que possuem voz alta.
Os juizes de futebol (répteis que andaram roubando O Vasco e outros times no fim de semana ) também possuem voz alta. Mas preferem o apito.

7. O lago Baicai , na Sibéria, é o único do mundo com profundidade suficiente para ter peixes em águas profundas.
Já o cérebro dos participantes dos BBB, são os únicos com profundidade suficiente para conterem volume de água equivalente à do lago Baicai.

8. Jane Seymour foi a única esposa de Henrique VIII que compartilhou seu túmulo.
A coleção de gigolôs de Suzana Vieira, no entanto, prefere compartilhar seus bens, antes do túmulo.

9. O único exército de amazonas autêntico era o das mulheres guerreiras do reino Dahoney, no oeste da África. Organizado pelo rei Agadja, no início do século XVIII, o exército tinha cerca de 2500 mulheres – todas esposas de oficiais do rei – que eram armadas com bacamartes, facas imensas, arcos e flechas. Muito eficazes só matavam por autodefesa. Em 1892 foram massacradas pelos franceses.

10. O único cientista profissional que se tornou chefe de uma nação foi o químico Chaim Weizmann, presidente de Israel em 1948, ano de sua fundação. Permaneceu no cargo até 1952, quando morreu.
O único torneiro mecânico que se tornou chefe de uma nação foi o metalúrgico Luis Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil. Sua intenção é permanecer no cargo até quando Dilma Roussef sair. E, depois, continuar no poder até quando o seu time, o Coríntians, ganhar a libertadores da América. Ou seja...

11. A única estrela que fica acima da frase Ordem e Progresso na bandeira Nacional é a Spica ( Alfa da Virgem) representando o estado do Pará.
Portanto, estão errados os que pensavam que a única estrela representativa do estado do Pará fosse a Fafá de Belém.

12. O único império do Amor que é constituído por um sujeito que gosta de traficantes e outro que gosta de bater em mulher pertence ao time do Flamengo (Adriano e Wagner Love). Mas eles jamais são encontrados, por lá, em dia de treino.

13. O único país que faz parte do G20, do G7, do G8, do G3 e de qualquer G que fizerem, e que é também o país mais preparado do mundo para encontrar o ponto G, é o Brasil.( segundo seu presidente Lula)
Portanto, ele acaba de descobrir mais uma exclusividade do Brasil: é o único país preparado para encontrar algo que, segundo os cientistas, nunca existiu.

14. Em um único dia, um atleta que disputa o decatlo perde até três quilos de peso e gasta mais que 6500 calorias.
Em uma única noite de disputa-traveco, um atleta futebolista ganha até três quilos de peso e ganha mais de 6500 calorias. Tal fato foi comprovado por Ronaldo, o fenômeno.

15. O coração é o único órgão que não deixa de funcionar 24 horas ao dia.
Já o cérebro do Pedro Bial é o único que deixa de funcionar por 11 meses , até voltar, aos trancos e barrancos, durante o reality show do início do ano.

16. A única cidade do Brasil intitulada Atenas Brasileira, (graças aos méritos literários de seus cidadãos e intelectuais) é São Luis do Maranhão.
É a única também em que seus escritores precisam entrar na justiça para receberem o premio a que fazem jus, nos concursos de literatura oficiais da cidade.